N.A: Essa capítulo pode se tornar de difícil compreensão para aqueles que não leram os livros. Eu farei referência à diversas partes dos sete livros, terão alguns diálogos mais fundamentais que aparecerão transcritos. Desde já esclareço aqui que os diálogos e situações do capitulo não são meus, mas de J.K. Rowling.

Draco Malfoy em seu apartamento, depois do dia do NIEM em poções. Ele estava parado, em frente a penseira emprestada pelo próprio Harry. Desde o final da guerra, o Eleito tinha conseguido adquirir uma. Eram objetos raros, mas existiria alguma coisa que um bruxo não vendesse a Harry Potter? O grifinório havia dito a Draco que aprendera com Dumbledore o hábito de organizar pensamentos dessa forma. Ele pensava que a penseira seria muito útil, inclusive em sua futura carreira como auror.

O sonserino despejou sobre o objeto o frasco dado por Harry Potter, com suas lembranças. Nesse momento, em sua mente veio a memória da advertência do grifinório, feita naquela mesma tarde.

Na hora do almoço, Harry o tinha atraído para um lugar mais reservado em Hogsmead e o tinha convidado para ir a sua casa novamente. Draco dissera que não e explicou que queria ver as lembranças que o outro lhe dera. O grifinório deu um sorriso fraco, perceptivelmente receoso.

"Você não quer que eu veja" – Draco havia questionado, levemente irritado. Se o outro estava desconfortável, por que lhe dera as lembranças?

"Eu realmente quero que você veja e quero que você decida a melhor hora de fazer isso, mas eu não posso deixar de ter medo". – o grifinório havia explicado.

"Medo de que?" – perguntara o sonserino.

"Medo de que seja muito cedo e que você não consiga olhar pra mim depois disso sem ver o Eleito". – Harry respondeu.

"Mas você é o Eleito" – Draco murmurou.

"Eu sou. Mas eu também sou o cara no tapete com você" – o grifinório disse, ficando vermelho com a referência a primeira noite deles juntos. – "Se você está decidido a ver isso hoje, tente se lembrar disso".

Draco afastou a memória e sem pensar novamente, mergulhou nas lembranças de Harry Potter. O sonserino sentiu como se estivesse caindo e de repente ele aparecera em um salão, cuja saída estava vedada por crepitantes chamas negras. No centro da câmara, havia um espelho e lá haviam duas pessoas. A primeira era um realmente jovem Harry Potter e a outra era o professor Quirrell, que lecionara Defesa Contra as Artes das Trevas no primeiro ano. Draco lembrara vagamente do acontecido entre o Eleito e aquele professor, pois boatos acerca disso se disseminaram em Hogwarts. Foi por isso que naquele ano, com pontos dados em cima da hora pelo diretor, a grifinória virara o jogo e deixara o último lugar para ganhar a taça das casas no lugar da sonserina. O garoto se lembrava de ficar muito decepcionado em ver a decoração verde e prata transformar-se em vermelha e dourada.

Na lembrança, o menino Potter parecia aterrorizado ao assistir o professor Quirrell retirar seu costumeiro turbante. Ao virar de costas, o próprio Draco gritou ao ver o rosto ofídico do Lorde das Trevas saindo atrás da cabeça do bruxo. Era um momento antes dele retornar, ele vivia possuindo o corpo de outra pessoa.

- Harry Potter... – falou o rosto. – Está vendo no que me transformei? Apenas uma sombra vaporosa... Só tenho forma quando posso compartir o corpo de alguém... mas sempre houve gente disposta a me deixar entrar no seu coração e na sua mente... O sangue do unicórnio me fortaleceu, nessas últimas semanas... você viu o fiel Quirrell bebendo-o por mim na floresta... e uma vez que eu tenha o elixir da vida, poderei criar um corpo só meu... Agora... por que você não me dá essa pedra no seu bolso?

Draco lembrou-se daquele momento na floresta. Ele estava com Harry cumprindo uma detenção e fugiu imediatamente quando pressentiu o perigo, abandonando o outro na floresta. Foi a primeira vez que o sonserino se sentira incrivelmente aterrorizado. Na lembrança, Draco viu o menino Potter cambalear.

- Não seja tolo. É melhor salvar a sua vida e se unir a mim... ou vai ter o mesmo fim dos seus pais... Eles morreram suplicando piedade...

- MENTIRA! – Harry gritou, assustando Draco. Como aquela criança podia ter aquela força de espírito? O sonserino, mesmo adulto, jamais tivera aquela coragem.

- Que comovente. – o rosto ofídico falou. – Sempre dei valor a coragem... É, menino, seus pais foram corajosos... Matei seu pai primeiro e ele me enfrentou com coragem... mas sua mãe não precisava ter morrido... estava tentando protege-lo... Agora me dê a pedra, a não ser que queira que a morte dela tenha sido em vão.

- NUNCA! – gritou Potter novamente.

Na lembrança, o menino Harry tentava fugir e Voldemort ordenara o professor Quirrell a ataca-lo. Ao tocar no garoto, no entanto, o professor começou a queimar. Harry percebeu, agarrando a cara do outro, queimando-o. Por fim, o garoto desmaiou e a cena se desfez. Deve ter sido nesse momento que Dumbledore chegou para salva-lo. Draco, no entanto, pensava no porquê do grifinório ter lhe mostrado aquela cena. Logo a resposta veio a sua mente. Voldemort havia dito que a mãe de Potter não precisava ter morrido, isso significava, portanto, que o Lorde das Trevas caçara os Potter somente para matar seu bebê. Qual seria a razão? Além disso, ele havia dito que a mãe de Harry morrera para protege-lo, isso é magia antiga e poderosa. Certamente foi por isso que o bebê Potter havia resistido à maldição do Lorde das Trevas.

- / -

A cena mudou, ele viu um cenário que pôde reconhecer como a Câmara Secreta que havia sido aberta no segundo ano, devido ao número de cobras e do rosto do fundador da sonserina esculpidos nas paredes. Havia um enorme Basilisco morto e uma de suas presas enterrada no braço de Harry Potter, que naquele momento tinha 12 anos. Draco estava perplexo, tão pouca idade e o garoto já matara um dos animais mágicos mais temidos do mundo. Harry retirou a presa do braço, mas parecia a beira da morte. Foi então que uma fênix voou em sua direção e as lágrimas o curaram.

Havia um corpo no chão, que Draco reconheceu como Gina Weasley, o sonserino ficara sabendo – depois que ficou mais velho – que seu pai tinha dado um diário amaldiçoado (que tinha pertencido a Voldemort) para a menina, buscando incriminar Arthur Weasley. Era justamente àquilo que se referia uma das acusações feita pela Weasley na noite que fora até a casa de Potter flagrá-los juntos. Na lembrança também havia um rapaz mais velho e muito bonito, pertencente à casa sonserina, que Draco desconhecia. Quando o rapaz ameaçou Harry, o menino afundou a presa do basilisco que anteriormente estava em seu braço em um diário que jazia no chão, fazendo com que o rapaz desaparecesse. Não sem surpresa, Draco percebeu que aquele rapaz deveria ser Voldemort quando jovem.

O cenário alterou-se novamente e o menino Harry todo sujo (parecia ter acabado de sair da Câmara Secreta) estava na sala de Dumbledore. O garoto e o diretor pareciam no meio de uma conversa

– Professor, o Chapéu Seletor me disse... que eu teria sido bem-sucedido na Sonserina. Todo mundo achou que eu era o herdeiro de Slytherin por algum tempo... porque falo a língua das cobras...

Draco ficou surpreso com a fala do menino, era de sua opinião que Potter não duraria um só dia na sonserina. Era um perfeito grifinório, corajoso até o limite da burrice, afeito a causas heroicas e tudo mais.

– Você fala a língua das cobras, Harry – disse Dumbledore, calmamente –, porque Lorde Voldemort, que é o último descendente de Salazar Slytherin, sabe falar a língua das cobras. A não ser que eu muito me engane, ele transferiu alguns dos seus poderes para você na noite em que lhe fez essa cicatriz. Não era uma coisa que tivesse intenção de fazer, com toda certeza...

– Voldemort deixou um pouco dele em mim? – disse Harry, estupefato. Mas para Draco fazia muito sentido, um feitiço como aqueles não poderia ter deixado apenas uma cicatriz. Certamente haveriam consequências mágicas.

– Parece que sim. – o diretor respondeu.

– Então eu deveria estar na Sonserina – disse, olhando desesperado para Dumbledore. O garoto parecia horrorizado com a possibilidade. – O Chapéu Seletor viu poderes de Slytherin em mim, e...

– Pôs você na Grifinória – completou Dumbledore, serenamente. – Ouça, Harry. Por acaso você tem muitas das qualidades que Salazar Slytherin prezava nos alunos que selecionava. O seu dom raro de falar a língua das cobras, criatividade, determinação, um certo desprezo pelas regras. Contudo, o Chapéu Seletor colocou você na Grifinória. E você sabe o porquê. Pense.

– Ele só me pôs na Grifinória – disse Harry com voz de derrota – porque pedi para não ir para a Sonserina...

Potter havia pedido pro chapéu pra não ir para a sonserina? Por quê? O garoto tinha sido criado por trouxas, ele não tinha a menor ideia do significado das casas de Hogwarts. Por que tanto desespero pela possibilidade de ir pra sonserina? Será que alguém tinha dito a ele que o homem que assassinara seus pais pertencera a essa casa?

– Exatamente – disse Dumbledore, abrindo um grande sorriso. – O que o faz muito diferente de Tom Riddle. São as nossas escolhas, Harry, que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades.

Draco lembrou-se de Harry dizendo, na batalha final, que o verdadeiro nome de Voldemort era Riddle. Então, já naquele momento, Potter tinha conhecimento disso.

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A cena mudou novamente, agora Harry Potter estava um pouco mais velho. Ele e Cedrico corriam no que parecia o labirinto, em direção da taça do Torneio Tribruxo. Aquela era a última tarefa. Draco conhecia aquela história, soubera mais tarde que um comensal estava infiltrado em Hogwarts, que colocara o nome de Harry no cálice de fogo e depois enfeitiçara aquela taça para levar Potter para fora da escola. Draco sentiu um arrepio na sua pele, era aquele o dia do retorno de Lorde Voldemort. O sonserino assistiu horrorizado os dois estudantes segurarem a taça e serem transportados para um cemitério. Depois, Cedrico Diggory fora morto e Harry preso junto à um túmulo. Rabicho fez o horrível feitiço das trevas e logo estava em pé ali Voldemort ressuscitado. Lorde das Trevas exatamente como Draco o conhecera.

Ele tocara a marca negra no braço de rabicho chamando os comensais. Foi logo depois que Draco reconhecera seu pai, prostrando-se diante do Lorde das Trevas. Voldemort então explica como Lílian Potter morreu para salvar o seu filho e por isso o garoto não tinha sido morto quando bebê. Mas que agora, tendo usado o sangue de Harry para retornar, corria em suas veias a proteção da mãe do menino, o que possibilitava ao Lorde das Trevas tocá-lo. Ele explica longamente aos comensais como fez para retornar e depois, volta-se para Harry. O tortura e se prepara para mata-lo. De início, o garoto tenta se esquivar. Mas depois, o Eleito se levanta e enfrenta Voldemort, lançando um feitiço. Suas varinhas, no entanto, se ligam. Uma velha história que Draco já conhecia e que fez com que seu pai perdesse a varinha alguns anos depois. É quando desprende-se do feitiço que Harry consegue fugir através da Taça Tribruxo, levando consigo o corpo de Cedrico.

Novamente, a coragem de Potter o atinge como uma bofetada.

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Na nova lembrança, Potter caminha em uma enorme sala junto a Granger, Lovegood, Longbottom, Weasley e sua irmã. A sala é escura e está cheia de estantes com pequenas bolas de vidro. Fica logo evidente que o Eleito busca salvar seu padrinho, Sirius Black, de alguma coisa. Ele parece ter tido uma "visão" do homem ali, pois em um dado momento Granger diz "você disse que era no corredor noventa e sete" e mais tarde, a menina afirma "Eu acho que Sirius não está aqui". Logo, Potter encontra uma esfera designada com o seu nome. É nesse momento que Draco compreende ao que aquela lembrança se refere. Aquele é o departamento de mistérios, e esta é a noite que seu pai falha em trazer uma profecia para o Lorde das Trevas.

Draco assiste à chegada dos comensais da morte e à resistência de Harry e dos outros até a chegada da Ordem da Fênix. Nada foi mais horrível que o desespero no rosto de Potter durante a morte do padrinho, o garoto estava inconformado e não acreditava que Sirius Black havia partido. O sonserino percebeu, naquele momento, o quanto Harry Potter sofrera todos aqueles anos. Um garotinho órfão que havia encontrado uma figura paterna no padrinho, que também fora tirado dele. Draco assustou-se ao ver Voldemort possuir Harry daquela forma, as palavras ofídicas escapando pelos lábios do Eleito. Harry o surpreendeu novamente, ao resistir. Momentos depois, o Lorde das Trevas deixou o corpo do garoto.

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A lembrança se altera novamente e agora Draco está no escritório de Dumbledore em Hogwarts. Harry parece completamente devastado, o sonserino percebeu que aquele deveria ser o momento posterior à morte de Sirius Black. O diretor mantinha o semblante calmo, mas parecia ao mesmo tempo muito triste e cansado. Os dois pareciam estar no meio de uma conversa. Dumbledore exatamente

– Voldemort tentou matá-lo quando você era criança por causa de uma profecia feita pouco antes do seu nascimento. Ele sabia da existência dessa profecia, embora não conhecesse todo o seu conteúdo. Dispôs-se a matá-lo ainda bebê, acreditando que estava cumprindo os dizeres da profecia. Descobriu, à própria custa, que estava enganado, quando a maldição que ele lançara para matá-lo saiu pela culatra. Então, desde que recuperou o corpo, e particularmente desde a sua extraordinária fuga de suas mãos no ano passado, ele decidiu ouvir aquela profecia inteira. Esta é a arma que ele tem buscado com tanta diligência desde o seu retorno: o conhecimento de como destruí-lo.

– A profecia quebrou – disse Harry, confuso. – Eu estava puxando Neville para cima naqueles degraus de pedra na... na sala onde fica o arco, rasguei as vestes dele e a profecia caiu...

– A coisa que quebrou foi apenas o registro da profecia guardada pelo Departamento de Mistérios. Mas ela foi feita para alguém, e essa pessoa tem meios de lembrá-la perfeitamente.

– Quem a ouviu? – perguntou Harry, embora já conhecesse a resposta.

– Eu – disse Dumbledore. – Em uma noite fria e chuvosa, há dezesseis anos, em uma sala do primeiro andar no Cabeça de Javali. Eu tinha ido lá para ver uma candidata ao cargo de professora de Adivinhação, embora fosse contra o meu pensamento que se continuasse a ensinar essa disciplina. A candidata, porém, era trineta de uma Vidente muito famosa, muito talentosa, e achei que tinha o dever de cortesia de conhecê-la. Fiquei desapontado. Pareceume que a moça não tinha o menor vestígio daquele talento. Disse-lhe, gentilmente, espero, que não a achava qualificada para o cargo. E me virei para sair.

Dumbledore fez erguer-se da penseira Sibila Trelawney. Draco estava profundissimamente desconfiado, um homem com a inteligência de Dumbledore acreditar em uma profecia daquela charlatã? No entanto, quando a professora de adivinhação falou, não era sua voz normal. Draco percebeu imediatamente que se tratava de uma profecia real.

- Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima... nascido dos que o desafiaram três vezes, nascido ao terminar o sétimo mês... e o Lorde das Trevas o marcará como seu igual, mas ele terá um poder que o Lorde das Trevas desconhece... e um dos dois deverá morrer na mão do outro pois nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver... aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês terminar..."

A Professora Trelawney girando lentamente tornou a afundar no líquido prateado e desapareceu. Draco estava muito impressionado. Isso significava que Harry Potter era REALMENTE o Eleito. Eleito por uma profecia feita antes mesmo do garoto nascer. Aquele rapaz cuja cama ele dormira na noite anterior, aquele rapaz nascera para matar o maior bruxo de todos os tempos. E ele, Draco Malfoy, quem era? Que importância tinha?

– Prof. Dumbledore? – disse Harry. – ... Isso... isso significava... que significava isso?

– Significava que a pessoa que tem a única chance de vencer Lorde Voldemort para sempre nasceu no fim de julho, há quase dezesseis anos. Este menino nasceria de pais que já haviamdesafiado Voldemort três vezes.

– Significa... eu? – perguntou o grifinório, um pouco confuso. Draco compreendia, ele também se sentira completamente perdido no lugar do outro.

– O estranho, Harry – disse o diretor –, é que talvez nem significasse você. A profecia de Sibila poderia se aplicar a dois meninos bruxos, ambos nascidos no mês de julho daquele ano, os dois com pais na Ordem da Fênix, os pais de ambos tendo escapado por um triz de Voldemort três vezes. Um, é claro, era você. O outro era Neville Longbottom.

– Mas então... então, por que era o meu nome e não o de Neville que estava na profecia?

– O registro oficial foi rotulado de novo depois que Voldemort o atacou na infância. Pareceu claro para o encarregado da Sala da Profecia que Voldemort só poderia ter tentado matá-lo porque sabia que você era aquele a quem Sibila se referia.

– Então... talvez não fosse eu?

– Receio – disse Dumbledore lentamente, como se cada palavra lhe custasse um grande esforço – não haver dúvidas de que seja você.

– Mas o senhor disse... Neville nasceu no fim de julho também... e a mãe e o pai dele...

– Você está se esquecendo do resto da profecia, do sinal que identifica o menino capaz de vencer Voldemort... o próprio Voldemort o marcaria como seu igual. E ele fez isso, Harry. Ele escolheu você, e não Neville. Marcou-o com essa cicatriz que tem provado ser uma bênção e uma maldição.

– Mas ele pode ter escolhido errado! Pode ter marcado a pessoa errada!

– Ele escolheu o menino que considerou ter maior probabilidade de lhe oferecer perigo. E repare, Harry: ele não escolheu o Sangue puro (que, de acordo com o credo dele, é o único tipo de bruxo que vale a pena ser ou conhecer), mas o mestiço, como ele próprio. Viu-se em você antes mesmo de ter visto você, e, ao marcá-lo com essa cicatriz, ele não o matou conforme pretendia, mas lhe concedeu poderes e um futuro, que o equiparam para escapar dele, não uma mas quatro vezes até o momento... algo que nem os seus pais nem os de Neville jamais conseguiram.

Aquilo era uma revelação. Voldemort era mestiço. O Lorde das Trevas que esmagara a sua família como se fosse nada. Que induzira seus pais a coisas horríveis. O bruxo pelo qual tantos comensais de sangue puro deram o sangue, não passava de um mestiço. A raiva de Draco chegou a desconcentra-lo do que acontecia. Ele perdeu uma parte da conversa. Quando voltou sua atenção novamente, Dumbledore dizia:

– Ele só ouviu o início a parte que predizia o nascimento de um menino em julho, cujos pais haviam desafiado Voldemort três vezes. Em consequência, ele não pôde avisar ao seu senhor que atacá-lo seria correr o risco de transferir poderes para você e marcá-lo como seu igual. Então Voldemort nunca soube que poderia ser perigoso atacá-lo, que poderia ser mais sensato esperar, saber mais. Ele não sabia que você teria o poder que o Lorde das Trevas desconhece...

– Mas eu não tenho – protestou Harry com a voz estrangulada. – Não tenho nenhum poder que o lorde não tenha, eu não poderia lutar como ele lutou esta noite, não sou capaz de possuir pessoas nem... nem matá-las...

– Há uma sala no Departamento de Mistérios – interrompeu-o Dumbledore – que está sempre trancada. Contém uma força mais maravilhosa e mais terrível do que a morte, do que a inteligência humana, do que as forças da natureza. E talvez seja também o mais misterioso dos muitos objetos de estudo que são guardados lá. É o poder guardado naquela sala que você possui em grande quantidade, e que Voldemort não possui. Esse poder o levou a tentar salvar Sirius hoje à noite. Esse poder também o salvou de ser possuído por Voldemort, porque ele não poderia suportar residir em um corpo tomado por uma força que ele detesta. No fim, não teve importância que você não pudesse fechar sua mente. Foi o seu coração que o salvou.

– O final da profecia... falava... nenhum poderá viver... – Harry sussurrou.

– ... enquanto o outro sobreviver... – completou Dumbledore.

– Então – disse Harry. –, então isso significa que... que um de nós terá de matar o outro... no fim?

– Sim.

Antes que pudesse refletir sobre tudo o que ouvira, Draco sentiu-se deixar o escritório de Dumbledore. Já acostumado com a sensação, ele soube: estava sendo transportado para a próxima lembrança.