Queridos leitores, eu deveria ter feito isso antes, mas esqueci. Peço perdão. A Personagem Deirde não é minha. Ela pertence à querida Regie_Jolie autora de Elfos e Humanos e Um Conto Sobre Esperança.
Legolas cavalgava a um ritmo alucinante. A urgência que o pai lhe impusera não poderia ser negligenciada. Deirdre seguia a seu lado. As patas dos corcéis quase sem tocar o chão.
A borboleta não os acompanhara. Após ouvir de Legolas o que havia ocorrido com o Rei de Ery Lasgalen, a pequenina se retirara não sem antes prometer ao elfo que retornaria logo que possível.
- Foge de suas responsabilidades, pequenina senhora?
- De forma alguma, Las! Aqui está sua Deirdre – respondeu ela – você está bem acompanhado. Outra missão que me foi incumbida.
- Hum... anda tendo encontros que desconheço, Borboleta minha?
O animalzinho alçou voo e Legolas ficou sem sua resposta.
Ao avistarem os limiares da Floresta Dourada, deram trégua ao ritmo que vinham impondo aos animais, transformando a cavalgada em um galopar cadenciado, permitindo um diálogo.
- O que pretende fazer, amado meu?
- Cumprir a vontade de meu pai, Regina Meis.
- Tem me chamado assim com frequência. Parece haver esquecido meu nome – comentou a princesa – permita-me recorda-lo: Deirdre.
- O que houve? Algo a perturba? – indagou o elfo.
A ádan silenciou por alguns instantes. Ele aguardou, conhecedor que era de seu gênio de fogo.
- Diz mais o nome dela do que o meu, ultimamente – disparou. Não era de seu feitio protelar o que deveria ser dito.
Legolas sorriu sem conseguir acreditar.
- Ciúmes? – indagou, inclinando-se em direção a ela.
A mulher permaneceu com os olhos fixos a frente.
- Está com ciúmes da Autora-Rainha?
- Pare de chamá-la assim! – voltou-se ela, falando entre os dentes.
Ele pressentiu que pisava sobre terreno perigoso. O rosto sorridente foi tomado por uma fisionomia mais austera. Parou o cavalo e desmontou, tomando as rédeas da montaria da amada em suas mãos, impedindo que continuasse.
A manobra do eldar pegou a jovem de surpresa.
Legolas tomou-a pela cintura, fazendo com que desmontasse. Deirde se viu sem reação. A face do marido não dava margem a questionamentos. Chegara a entrever os traços do Rei de Eryn Lasgalen. 'Talvez sejam mais parecidos do que eu pensava.'
Quando estavam um diante do outro, Legolas declarou.
- Quero que me ouça bem, Deirdre, pois só irei dizer isso uma única vez – a princesa engoliu seco – só há uma mulher para mim em todo o universo, seja ele Tolkieniano ou não: você! E se em sua cabecinha mortal há alguma dúvida a respeito do que sinto, então talvez deva refletir sobre o que sente por mim também. O que sinto pela Autora-Rainha não deverá nunca mais se interpor entre nós dois, afinal foi ela quem me deu você e se a trato com devoção, tal fato se deve à gratidão e admiração que sinto por ela ter conseguido criar para mim a companheira ideal. E se às vezes pareço sentir por ela algo parecido com o que sinto por você talvez seja porque você tenha mais dela do que você mesma desconfie. Será que me fiz entender?
O peito de Deirdre arfava enquanto digeria tudo o que lhe fora dito. Todavia seu espírito de fogo não poderia se calar diante da postura de Legolas.
- É mais parecido com seu pai do que eu suspeitei, meu marido.
Poucas foram as palavras da princesa, porém o efeito que tiveram sobre Legolas foi grande.
- E você com sua criadora, minha esposa.
Um silêncio se ergueu entre eles, enquanto o elfo auxiliava a ádan a montar novamente. Ambos sabiam que nenhuma palavra mais iria adiantar. Legolas montou em seu cavalo e os dois prosseguiram a viagem. Lórien estava próxima.
Haldir os aguardava no limiar da floresta. A visão do galadhrim armado de seu arco e acompanhado de seus comandados pegou Legolas de surpresa.
- Não esperava uma comitiva de boas vindas, meu caro Haldir – disse, pondo a mão no ombro do amigo.
- Ordens da Senhora Galadriel. Pelo que me parece, ela já os aguardava.
- Nenhum mensageiro foi enviado para que isso fosse possível – observou o príncipe.
- Creio que a Dama de Lórien não necessita de tais recursos, meu caro.
Legolas sorriu.
- É verdade, não necessita.
- Peço, então que me sigam. Meus guardiões permanecerão na fronteira, cumprindo seu ofício.
Haldir conduziu os recém chegados pelas trilhas de Lórien. O galadhrim, mais a frente. O casal logo atrás. Ocasionalmente Legolas se aproximava a fim de trocar uma ou outra palavra com Haldir.
Após uma caminhada de quase meio-dia, onde Deirdre jamais admitiria que estava exausta, puderam vislumbrar a capital da Floresta Dourada, Caras Galadhon, Magnífica!
Os olhos de Haldir brilharam ao avistar uma das grandes maravilhas de seu povo. Legolas admirava a beleza da cidade das árvores não menos do que observava o rosto do guardião ao contemplar Caras Galadhon.
- Creio que a Dama de Lórien já nos espera – comentou o Filho de Thranduil.
- Sim – respondeu o galadhrim – sigam-me.
A medida que se aproximavam, os visitantes e o guardião podiam sentir a presença poderosa da Senhora da Luz. E sua face brilhava esplendidamente, quando o casal a contemplou.
- Salve, Galadriel, Rainha da Floresta Dourada – saldou o filho de Thranduil.
- Seja bem-vindo, Legolas, Príncipe de Eryn Lasgalen. E meus cumprimentos se estendem a Princesa Deirdre, sua esposa.
A ádan retribuiu a saudação da Rainha com uma discreta reverência.
- Posso perguntar o que os tirou de sua amada Floresta Verde, meu caro Legolas?
- Creio que a grande Dama de Lórien já sabe a resposta a essa indagação – comentou o príncipe.
Galadriel sorriu.
- De fato – confirmou ela, olhando discretamente para Haldir, que se encontrava de pé ao lado direito do trono – já tenho presente em meu coração a solicitação que seu Pai lhe pediu para me fazer.
- E qual resposta eu devo levar a ele, minha Senhora?
Galadriel sorriu, olhando o príncipe com o canto dos olhos.
- Diga-lhe que espere e sua paciência talvez seja recompensada com a recuperação de sua coroa.
- Grande Dama de Lórien – retrucou Legolas – seriam essas as palavras mais indicadas? Estou certo de que conhece o caráter de meu pai e tal resposta poderia, como direi, afrontar sua compleição de gelo.
A rainha sorriu novamente.
- Eu atravessei o gelo torturante antes de chegar a Arda, meu caro príncipe. Crê que temeria o Iceberg élfico que seu pai julga ser?
- Minha senhora... – principiou o filho de Thranduil
- Já basta – decretou Galadriel com a mão elevada – deverão descansar e recuperar suas forças. E se desejarem, partirão amanhã.
Legolas, acatando a decisão da rainha, fez uma reverência no que foi relutantemente acompanhado por Deirdre e se retirou. Quando ambos já se encontravam a uma distância considerável da sala do trono, ela sussurrou no ouvido do marido:
- Nunca irei me acostumar com isso. As palavras delas têm a força dos Valar.
Legolas olhou para trás como se ainda sentisse os olhos de Galadriel sobre sua pessoa.
- Mesmo os poderosos Istari, como Mithirandir, são cautelosos diante da sabedoria e do poder da Senhora da Luz. Não é pru-den-te contestá-la, minha amada – alertou o príncipe, segurando delicadamente o braço da amada.
- Então porque você me trouxe? – indagou ela – ficar calada não está entre minhas melhores qualidades.
- Mas você, minha querida, possui o dom de me acalmar o coração. Ficar entre Galadriel e Thranduil não é uma missão que se possa assumir sozinho.
- De fato – Deirdre sorriu, prosseguindo – Todavia durante a viagem pude constatar de o filho dele é tão capaz quanto o pai de insuflar temor.
- Não acredito! A poderosa senhora dos cabelos ruivos tremeu...
- Alto lá, Legolas – interrompeu ela – eu não disse que senti medo. Disse apenas que você era capaz disso... mas com outros e não comigo!
Legolas sorriu. A personalidade apaixonada de sua esposa trazia um calor especial à sua existência élfica.
- Então venha, amada minha – disse ele, tomando-a pela mão – que minha princesa possa agora vir em meu socorro e me fortalecer. Nosso retorno a Eryn Lasgalen não terá um final tranquilo.
