Bom, quando eu disse que a Fic estava na reta final, eu não estava exagerando. Bom, este é o último capítulo da fanfic. Não vou me extender, porque farei um post de agradecimento. Em relação aos Reviews, eu não sei responder :S. Se alguém souber, me avise que responderei a todos. Boa Leitura ;*


Capítulo VII - Último Capítulo

— Ele se casou! — Riley atirou longe o jornal e deu um soco sobre a mesa do café da manhã.

— Sim. — Diego respondeu com moderação. Já esperava por uma reação do tipo. Um dos criados de lorde Everly contara a ele sobre a movimentação na Mansão Masen, na véspera.

— Era para ele estar morto.

— Eu sei. — Diego levantou o bule de chá que tinha virado sobre a mesa.

— Onde está o maldito Black?

— Voltando para a América.

— Voltando para a América? — Riley apertou os olhos. — Pensei que você tivesse me dito que ele daria conta do trabalho. — Riley parecia espumar entre os dentes. — Você me garantiu que ele era competente.

— Pensei que fosse. Mas os homens contratados por ele não deram conta do recado e acabaram denunciando o paradeiro de Black, e, acuado, ele resolveu fugir para o outro continente.

Riley se levantou abruptamente, puxando a toalha do café e espalhando tudo o que estava sobre ela.

Diego removeu os restos que caíram sobre seu colo.

— Resolverei isso com minhas próprias mãos, Diego. E será hoje.

— Riley, pense. Você precisa de um plano.

— Não, Diego, preciso de resultado.

Bella estava ao lado de um enorme arranjo de flores no salão de baile de lady Carrington. Foram horas de argumentação para convencer Edward de que o plano era bom. Não que estivesse gostando de brincar de isca para Riley, mas livrar-se da perseguição do maldito de uma vez por todas seria recompensador o suficiente.

Edward já tinha sofrido bastante à sombra da obsessão do primo. Até mesmo o curto espaço de tempo em que Bella fora alvo dos esquemas de Riley já tinha sido demasiado longo. Mas o que a mantinha determinada era a noção de que poderia estar esperando um filho, pois sabia que nunca conseguiria relaxar com Riley espreitando. Todas as noites, quando colocasse a criança no berço, o faria com medo de não encontrá-la na manhã seguinte. Iria inspecionar cada criado, cada visitante suspeito, procurar em cada cômodo e em cada canto do jardim por uma ameaça em potencial. Sua vida seria um verdadeiro inferno.

Edward tinha tornado precauções para atenuar os riscos. Insistira para que ela usasse um vestido amarelo-ouro e colocasse uma pluma na cabeça para que pudesse ser localizada mais facilmente no salão de baile ou na penumbra do jardim. Para completar, requisitara J Jenks e seus homens para vigiar, colocando um na porta de entrada e outro nos fundos. Um cocheiro estava de prontidão, junto das tantas outras carruagens que estavam estacionadas. Nos fundos, uma carruagem de aluguel esperava por eles, se fosse preciso sair discretamente. Até mesmo dentro do salão debaile havia homens alertas para qualquer sinal de perigo.

Mesmo assim, Edward não conseguia permitir que Bella se afastasse. Ela praticamente teve de obrigá-lo a ir para o salão de jogos, e ainda assim ele saía vez ou outra para dar uma espiada.

— Edward — Bella crispou. — Nada irá acontecer se você continuar rondando dessa maneira.

— Não quero que nada aconteça. — A fisionomia do duque era tensa.

— Eu sei. — Bella suspirou. Seu próximo parceiro de dança estava se aproximando. — Já discutimos isso, Edward. Concordamos com o plano, Agora volte ao jogo de baralho. — Ela o empurrou de leve. Edward fitou-a, em seguida olhou para o visconde Islington, que se aproximava para dançar com sua esposa, e só então se virou e tomou o caminho de volta ao salão de jogos.

Quando o visconde se curvou ao final da seleção, Bella tinha certeza de que iria encontrar Edward no seu rastro novamente, mas ele fez o que pôde para se concentrar no jogo de cartas. Agora, ela esperava por lorde Pontly, um dos homens mais superficiais da sociedade, para dançarem a quadrilha.

— Ah, duquesa! Como vai o meu primo?

Bella virou-se lentamente. Riley estava parado logo atrás.

— Sr. Cullen. — Ela engoliu o medo. — Que prazer revê-lo.

Riley riu. Pelo menos era isso que ela entendeu que o ruído deveria ser, pois o som se parecia mais com o de uma pedra de gelo rachando.

— É uma péssima mentirosa, Vossa Graça. Uma vez que se uniu ao meu primo, ignorando meu aviso, como deve se lembrar, não creio que esteja tão feliz em me ver. Por falar nisso, onde está Edward? Ele tem ficado no seu encalço como um cachorro com um osso novo.

— Acho que ele está no salão de jogos. Se for até lá, tenho certeza de que o encontrará logo.

Riley segurou o braço de Bella.

— Oh, mas eu já encontrei o que estava procurando.

— Sr. Cullen, prometi a próxima dança a lorde Pontly.

— Pontly gentilmente cedeu a dança para mim. Agora, venha comigo.

Bella não tinha opção, Riley praticamente a arrastou para a pista de dança. Ela olhava ao redor, em busca de Jasper ou Emmett, mas não viu nenhum dos dois. Esperava que os homens de Jenks tivessem notado a presença de Riley.

Riley seguia para um ponto próximo às portas que davam para o jardim. Pelo menos estaria mais fresco naquele lado do salão.

A orquestra tocou os primeiros acordes.

— Nós não deveríamos nos apressar um pouquinho mais, sr. Cullen? Vamos perder a dança.

— Está muito ansiosa para dançar comigo? Que pena. Pois não vamos ficar na pista de dança, e sim além daquelas portas.

— Bem, acho que um pouco de ar fresco será bom. — Os olhos de Bella percorreram o salão. Seria Jasper que estava naquele canto? Não era possível ter certeza. E Emmet? A posição dele era perto do vaso de fícus, mas não havia sinal do rapaz.

Riley a puxou porta afora e desceu os degraus que davam para o jardim. Uma silhueta enorme surgiu das sombras. Bella abriu a boca para gritar, mas uma mão pesada estapeou seu rosto. Alguém jogou um capuz sobre sua cabeça, prendendo os braços e impedindo as pernas de se moverem. Em seguida, ela foi suspensa no ar.

— O portão dos fundos é por ali! — Bella ouviu Riley dizer. — Entre na carruagem e suma daqui.

— Acho que você acabou de encurralar o seu parceiro de cartas, meu velho — disse o conde de Eldridge.

— Pela quarta vez! — O visconde Paxton baixou as mãos. — Foi minha culpa fazer parceria com o recém-casado.

O parceiro de Eldridge, o barão Tundrow, sorriu.

— Deveríamos aumentar as apostas. Talvez isso estimule os talentos de Masen.

— Não, obrigado. Não quero voltar pobre para casa. — Paxton se inclinou sobre a mesa. — Masen, esqueça um pouco da cama ou ceda o lugar para outro jogador.

— Fiquei surpreso ao vê-lo no baile, Masen. — Tundrow riu. — Pensei que não o veríamos nas próximas semanas.

Eldridge concordou.

— Aposto que está louco para ir para casa, Masen. Vá logo para os braços de sua bela esposa. Deixe o pobre Paxton aqui jogar com um homem cuja mente está para o jogo, e não para pensamentos pervertidos.

Edward se levantou.

— Então, se me derem licença? — E saiu apressado.

— Certamente. — Paxton apanhou suas cartas. — Tenha uma ótima noite.

— Muito boa! — Tundrow riu. — Esperamos que o herdeiro chegue em nove meses, Masen.

Edward ignorou as provocações. Sabia que tinha causado um tremendo prejuízo a Paxton ao concordar com a parceria. Parecia que as cartas estavam escritas em sânscrito, pois não faziam sentido algum. Afinal, ele não queria jogar. Não queria ter ido ao baile dos Carrington.

Edward fitou o salão de baile em busca de Bella e viu a pluma amarela balançando, próxima a um arranjo de flores. A visão o fez relaxar um pouco.

Ele odiou o plano desde o princípio. Por que fora se deixar convencer por Bella? Tinha tomado todas as medidas de segurança possíveis, mas no fundo sabia que sempre haveria um risco. Bem, aquela era aprimeira e a última vez que iria concordar com aquela loucura. No dia seguinte, iria atrás de Riley e resolveria tudo de uma vez por todas, como já deveria ter feito meses antes.

Edward viu a pluma amarela se movendo pelo salão. Havia muitas pessoas no caminho para que pudesse ver quem era o parceiro de Bella. Ficou na ponta dos pés para tentar enxergar melhor.

— Vossa Graça, gostaria de lhe dar os parabéns.

— Sra. Fallwell, que prazer em vê-la. — Eliza Fallwell, uma das amigas íntimas de lady Irina, e famosa fofoqueira, estava diante de Edward. Ela seria capaz de arrancar a orelha do duque se ele ousasse abandoná-la. Edward tentava ver por entre os babados do vestido da senhora, mas a floresta de plumas roxas que saía do turbante verde o impedia de olhar para além. Será que a pluma amarela estava seguindo na direção do jardim?

— Não puderam esperar para fazer uma cerimônia de casamento mais convencional? — A sra. Fallwell riu. — Nunca imaginei que você fosse tão sangue quente. Puxou ao pai. Ele foi um conquistador e tanto. Passei uma noite fugindo do safado em um jardim. Oh, minha nossa!

O leque da sra. Fallwell batia agitado em frente ao rosto ruborizado da senhora. Ela inclinou a cabeça e as plumas sacudiram no ar.

— Mas então ele se casou com a sua mãe — ela continuou. — Era uma moça fria. Bonita, mas fria. Ninguém entendia o que ele tinha visto nela. Imagino que o duque tenha pensado que estava na hora de constituir uma família. — A senhora fechou o leque e bateu com ele no braço de Edward. — Mas pelo que Irina me contou você não cometeu o mesmo erro do senhor seu pai. A sua esposa tem o sangue quente como você.

Isso chamou a atenção de Edward.

— Como disse?

— Você sabe. — A sra. Fallwell o fitou e começou a se abanar novamente. — Sobre o episódio na estalagem. Como se chama o lugar? Green Man? Irina me contou tudo. Eu já estava me perguntando por que demorou tanto para colocar um anel no dedo da moça.

— Sei.

Edward ponderou a idéia de estrangular lady Irina. Ele deu uma olhada ao redor e viu a pluma amarela desaparecendo pelas portas que davam para o jardim.

Maldição!

— Com licença — ele murmurou e saiu correndo, deixando a sra. Fallwell se abanando, perplexa.

— Masen, olhe por onde anda!

— Desculpe!

— Tome cuidado, rapaz!

Edward ignorou as reclamações enquanto seguia empurrando todos que se colocavam no seu caminho. Mas quando finalmente conseguiu chegar ao jardim, já era tarde demais. Tudo que restara de Bella era uma pluma amarela quebrada no gramado.

— Edward o que aconteceu? — Jasper e Emmett surgiram no jardim.

— Eles levaram Bella. — Edward olhava para as pegadas no chão. Dois, não, quatro homens... Quatro homens contra uma mulher. Ele espantou o terror e pensou rápido. — Vou atrás. Eles devem estar em uma carruagem. A movimentação da saída do baile deve atrasá-los. Usarei a carruagem de aluguel que está esperando nos fundos.

— Vou com você.

— Está bem Emmett. Jasper, você acompanha as damas?

— Cuidarei disso, e em seguida irei atrás de vocês.

Edward concordou e saiu correndo em direção à saída dos fundos, com Emmett em seu encalço.

O portão estava escancarado, e a viela atrás da casa, deserta. Os homens que estavam de vigia tinham desaparecido. Risos e música ecoavam soltos no ar, vindos do salão de festas; o ranger das rodas das carruagens, e as batidas dos cascos dos cavalos vinham da rua. Edward correu pelo calçamento de paralelepípedos em direção à rua principal.

— Vossa Graça. — Um garoto surgiu das sombras e apontou para a rua. — Se correr, conseguirá alcançar Rufus. Ele está indo atrás deles.

— Obrigado, rapaz. — Edward jogou uma moeda ao menino. — Avise Jenks, ele é o chefe dos homens que estavam cuidando do portão.

Edward subiu na carruagem de aluguel e assumiu as rédeas quando Rufus tentou empurrá-lo.

— Ei! — Rufus ergueu o chicote, pronto para bater na mão de Edward. — Caia fora, se não quiser se ferir, intruso.

— Sou eu, Rufus. Masen. Pode deixar que eu assumo. — Rufus fitou Edward.

— Oh, desculpe, Vossa Graça. Não sabia que era o senhor.

— Desculpas aceitas. Chegue para lá, homem, e deixe-me assumir as rédeas.

— Pois não, Vossa Graça. — Rufus saltou do assento. — Fique de olho na carruagem que tem um imenso arranhão na parte de trás.

Edward olhou para frente e assentiu.

— Estou vendo. Muito obrigado.

— Boa sorte, Vossa Graça.

Emmett também subiu na carruagem.

— Não é exatamente o tipo de veículo que você costuma usar — Emmett comentou.

— Não. — Edward pôs o velho animal em movimento. — Não queremos perder de vista a carruagem de Riley. No entanto, é melhor seguirmos a uma distância suficiente para não sermos percebidos. É impossível prever o que Riley é capaz de fazer.

— É verdade. Vamos torcer para que esse pangaré velho consiga seguir Riley até o fim.

Edward concordou, desviando das outras carruagens mais velozes que surgiam ao longo do caminho. A sorte era que a carruagem de Riley também ficara presa no congestionamento causado pelo final do baile. Se ao menos Edward estivesse com sua própria carruagem... Mas então seria facilmente reconhecido.

— Por ali — Emmett apontou. — Eles viraram à direita. — Edward agitou as rédeas e o cavalo reagiu com certa relutância.

Edward rezou para ter paciência e calma, o que era muito difícil.

Riley continuou na direção leste. Eles o seguiram pelas ruas largas de Mayfair e desceram pelo Piccadilly até Haymarket. As ruas iam ficando cada vez mais estreitas e confusas à medida que seguiam em direção ao Covent Garden, mas eles conseguiram manter-se próximos, e a carruagem de Riley estava um pouco à frente quando se aproximaram do cruzamento com a Henrietta Street.

— Ei, milorde, o que um grã-fino como o senhor está fazendo por aqui em uma carruagem de aluguel?

Edward deu uma olhada rápida na pobre prostituta que o abordara. Em seguida ouviu cascos apressados vindo em sua direção. Girou a cabeça para o outro lado para ver o desastre iminente que vinha da Henrietta Street.

A carruagem de Riley conseguira passar, mas o seu cavalo velho não teria chance de alcançá-los. Edward e Emmett ficaram parados no meio do cruzamento, esperando, sem opção, a carruagem de luxo se chocar contra eles.

Ninguém se deu ao trabalho de remover o capuz que envolvia a cabeça de Bella. O que não era de todo ruim. Se por um lado estava quente e mal dava para respirar, por outro os homens que estavam dentro da carruagem não tinham como encará-la. Bella se encolheu em um cantinho e assim se agüentou, ouvindo atenta e esperando poder captar algo que ajudasse a planejar sua fuga.

— Conseguimos, Diego! — Era a voz de Riley. — Pegamos a vadia. Tem certeza de que Edward não conseguirá nos encontrar?

— Não tenho certeza de nada. — A voz de Diego soou baixa e rouca. — Mas será muito difícil seu primo descobrir onde estamos. Com isso teremos tempo suficiente para você enviar um bilhete.

Bella sorriu para si mesma. Obviamente eles não sabiam que Edward tinham colocado mais homens para segui-los.

— Ah, sim, o bilhete. — Houve uma pausa, então Riley continuou: — Eu diria que não há tanta pressa para enviar o bilhete.

— O que você quer dizer?

— Que devemos nos divertir um pouco antes.

— Acabar logo com isso será divertido o suficiente. — O tom de Diego tinha um quê de temor. — Você esperou anos por isso, Riley. Agora basta, entendeu? Muita gente o viu deixando o salão de baile de braço dado com a moça. Você não poderá se esconder durante muito tempo. No final, só haverá um vencedor nessa história toda, você ou Masen.

— Eu serei o vencedor, Diego, não tema. Com a mulher, tenho Edward na palma da minha mão. É uma pena Black não ter conseguido matar meu primo, mas acho que desta forma será ainda mais divertido. Edward não irá querer perder o único rabo-de-saia que conseguiu. Ele reconhecerá o meu direito ao ducado. E eu finalmente colocarei as mãos no que é meu de direito e serei o duque de Masen.

— Não acho que será tão fácil assim, Riley.

— Agora que Edward provou da fruta, ele não vai querer largar. — Riley riu. — Fará de tudo para conseguir a esposinha de volta.

A carruagem dobrou à esquerda. Bella ouviu o barulho de rodas estalando e o som de dois veículos colidindo. Em seguida, uma confusão. Tudo que ela esperava era que os homens de Edward se aproveitassem da confusão para tentar libertá-la.

Riley bateu contra o teto da carruagem.

— O que está acontecendo, Scruggs?

— Nada, senhor. Um grã-fino trombou contra uma carruagem de aluguel que empacou no meio do cruzamento. Nós passamos ilesos.

— Ótimo. — Riley riu. — Essa foi por pouco, Diego.

— Sim, por pouco. Permita-me dizer uma coisa, Riley. Acabamos de escapar por um triz, o que me leva a concluir que nenhum plano é infalível. Você não pode demorar a enviar o bilhete ao seu primo.

Bella ouviu o barulho da confusão ficando para trás e, junto, sua esperança de ser resgatada.

— Não acho que devemos entregar a garota tão facilmente a Edward.

— Riley. — A voz de Diego saiu fria desta vez. — Já discutimos isso.

— Você não passa de um velho ranzinza, Diego.

— Se a matarmos, será difícil escapar da forca. E se ela estiver morta, você não terá mais nada para barganhar.

— Não a matarei, apesar de achar que ela preferiria a morte. — Riley gargalhou. O coração de Bella saltou na garganta.

— Riley! Você está perdendo o controle.

— Não estou.

— Está, sim. O objetivo é o ducado, não vingança.

— O seu objetivo é o ducado. O meu é o ducado e vingança. — A voz de Riley se encheu de entusiasmo. — Você pode imaginar a cara de Edward quando ele souber que a preciosa esposa se deitou com metade da Marinha britânica? E se ela engravidar, ele nunca terá certeza de quem é o pai da criança.

Bella estava prestes a vomitar.

— Riley, seu primo tem muito poder. Muitos amigos, em várias posições de destaque. Tenho certeza de que ele acabará nos descobrindo com facilidade, e nos matará se machucarmos a americana.

— Não tenho medo de Edward. — Riley permaneceu em silêncio por um momento. — Talvez eu a leve para a minha cama.

Diego resmungou algo.

Bella pensou rápido. Seus pés e mãos não estavam amarrados. Se conseguisse remover o capuz da cabeça, poderia sair correndo quando a carruagem parasse. O veículo estava diminuindo a velocidade. Ela se preparou para tirar proveito de alguma eventual oportunidade que surgisse.

— Quietinha, aí! — As palavras de Riley não passaram de um sussurro ao seu ouvido. Bella virou e ele a segurou com mais força, dificultando a respiração.

Em seguida a porta da carruagem se abriu e o mau cheiro das docas emanou, sufocante. Mãos ríspidas a agarraram e a puxaram para fora. Alguém a colocou sobre o ombro como se fosse um saco de batatas e passou por uma porta estreita. Ali, Bella sentiu o odor de cinza de cigarro. Ao fundo, o som de vozes masculinas, pontuadas por palavrões, cadeiras sendo arrastadas, o tilintar de canecas pesadas.

Bella se debateu, mas o homem que a carregava a segurou com firmeza, apertando seu abdômen contra o ombro dele. Em seguida, estavam subindo uma escada.

O sujeito não tinha o menor cuidado com a carga que carregava. Bella bateu a cabeça duas vezes antes de ser levada para um quarto e jogada sobre uma cama. Ouviu o som de passos se afastando e o ruído de uma chave girando na fechadura.

Assustada, permaneceu quieta, por um momento, atenta aos sons de vozes embriagadas, de camas baratas rangendo, uma mulher gritando, e em algum lugar não muito distante um choro histérico. Mas todos os sons assustadores soavam abafados pelas paredes e pela porta. Bella finalmente removeu o capuz.

Ela estava sozinha no quarto mais extravagante que já vira. Tudo era vermelho-berrante, desde as paredes e cortinas, até a colcha da cama onde estava.

Apavorada, ela se levantou e foi até a porta. Estava trancada, como já tinha previsto. Talvez pudesse escapar pela janela. Ao puxar as cortinas, em vez das pesadas barras de ferro que esperava encontrar tudo que viu foi uma veneziana, que se abriu facilmente. Bella se inclinou e olhou para fora. A luz do luar refletiu sobre o Tâmisa, abaixo. Somente um pássaro conseguiria escapar por aquela janela. Resolveu então colocar as cortinas vermelhas para fora. O tecido de cor berrante certamente acabaria chamando a atenção de alguém. Quem sabe, com um pouco de sorte, não chamaria a atenção de Edward.

Ela se virou para o quarto embusca de algo que pudesse servir como arma, mas tudo que viu foi de causar nojo. Os quadros nas paredes eram gravuras pornográficas, e em pontos estratégicos das paredes havia buracos de observação, que por sorte estavam fechados. Ao pé da mesa havia uma algema quebrada. Embaixo da cama, ela encontrou um bacio. Talvez aquilo servisse, caso precisasse acertar a cabeça de alguém.

Quanto tempo ainda levaria para ser salva por Edward? Será que ele viria?

A maçaneta da porta se mexeu. Bella apanhou o bacio e se levantou, pronta para acertar a cabeça de Riley.

— Duquesa! — Riley chamou do corredor. O tom da voz era malicioso. — Quanta gentileza a sua me receber. — Ele entrou, segurando-a pelo pulso. — Não pense que conseguirá me enganar facilmente, como fez com Black.

Bella tentou se soltar, mas Riley era mais forte. Ele apertou os pulsos, e Bella se contorceu de dor e os dedos se abriram, soltando sua única arma.

— Enfim sós, duquesa, somente nós dois. Estou pensando como vamos passar o tempo.

O malvado encostou-se em Bella. Ela engoliu em seco, tentando se livrar do desagradável sussurro ao ouvido. A proximidade era tanta que dava até mesmo para ver os poros da pele de Riley, a barba despontando.

— Tenho uma idéia. Estamos em um quarto. — Torceu ainda mais o braço dela moça, segurando agora os dois pulsos delicados em uma só mão. Com outra, ele tocou no queixo de Bella, forçando-a a olhar para a colcha vermelha da cama. — Por que não me mostra como Edward gosta de brincar? Acho que você deve ter ensinado alguns truques ao meu priminho.

— Não.

Riley levantou as mãos de Bella e uma dor terrível lhe perpassou os braços e os ombros. Ela mordeu o lábio para não deixar um gemido escapar.

— Doe muito? — Ele riu. — Isso não é nada comparado ao que irá sentir daqui a pouco. — Em seguida a arrastou para a cama.

— Não faça isso. Você não me deseja.

— É claro que não sinto nada por você, sua vagabunda ruiva. Isto não se trata de desejo. — Riley a virou de costas e a segurou com o peso do próprio corpo. — Não aquele tipo de desejo, pelo menos.

Riley terminou de soltar as poucas mechas de cabelo de Bella que ainda estavam presas, e então seus dedos imundos deslizaram livremente pelos cabelos cor de chocolate.

— Edward espalha seus cabelos castanhos sobre o travesseiro quando vocês fazem amor, duquesa? Ou ele os puxa assim?

Riley segurou os cabelos de Bella e puxou-os com violência. Ela tentou detê-lo, segurando-o pelo pulso.

— Solte-me!

— Oh, não. — Os olhos do malvado se moveram dos cabelos para o pescoço alvo. — Esperei muito por este dia. — Puxou os cabelos novamente, forçando-a a olhar para cima. — Aposto que sua pele branquinha fica marcada com facilidade. — Os lábios tocaram então o pescoço, logo abaixo da linha do queixo, e sugaram com força a pele macia. Bella tentou se esquivar, mas foi em vão. Quando Riley riu, ela sentiu um fio de sangue escorrendo.

— Esta é a primeira marca que vou deixar, duquesa... A primeira de muitas.

— Pare, por favor...

— Só depois que eu terminar. — Puxou com rispidez novamente, desta vez trazendo lágrimas aos olhos de Bella. — Sabe qual a lembrança mais viva que tenho da minha infância, duquesa? E do meu pai me arrastando para a biblioteca de nossa casa, onde ele me deu uma surra de vara no traseiro nu. E sabe por quê?

Riley fez uma pausa, esperando por uma resposta.

— Não — Bella murmurou.

— Ele me bateu porque eu tinha empurrado o meu querido priminho e o feito chorar. "Edward é o marquês de Walthingham", meu pai disse, "e será o duque de Masen. Um nobre fidalgo do reino". Meu pai deveria ter sido o duque, mas ele não teve coragem de desafiar o irmão e tomar a riqueza e a posição que lhe eram de direito. Ele era feliz com seus livros empoeirados e não se importou em abrir mão de tudo.

Riley afrouxou um pouco a mão e Bella tentou recuperar a postura.

— Em Cambridge, tinha uma moçoila que eu desejava, mas a única maneira de conseguir levá-la para a cama foi prometendo que a apresentaria a Edward. Você deveria ter ouvido a vadia falando dele. Dos ombros, das pernas, do traseiro. Bem, ela nunca foi para a cama de Edward. Eu quebrei o pescoço da vagabunda e a joguei no rio.

Bella enrijeceu. De onde estava, era possível ver a porta. Não era muito distante. Se conseguisse acertar uma joelhada em Riley assim como fizera com Black...

Riley a segurava com força.

— Por isso, não vou parar. Não agora que tenho a vingança em minhas mãos. Vou saborear cada minuto desta noite. Fazer amor com você será a total desmoralização para o meu primo.

— Edward vai matá-lo.

— Não vai, não. Acho que ele vai sofrer um acidente antes disso. O mundo é muito perigoso!

— Não! — Bella tentou erguer o joelho, mas Riley a deteve, rindo.

— A única culpada de tudo isso é você mesma, duquesa. Eu avisei para que não se casasse com Edward, mas você não me deu ouvidos. Veja aonde a sua luxúria a levou.

Em seguida, ele a jogou para o outro lado da cama, lançando-se mais uma vez sobre ela. Bella se debatia, mas estava totalmente imobilizada desta vez.

— Pode lutar, duquesa. Adoro quando as mulheres se deba tem. Fica mais divertido.

Bella ouviu a excitação na voz do miserável. Sentiu o membro ereto de Riley roçando suas coxas. Ele tirou então uma corda do bolso.

— A seda seria mais gentil com a sua pele delicada, duquesa, mas acho que a dor nos pulsos será o de menos.

Em seguida, Riley amarrou as mãos de Bella na cabeceira da cama, forçou-a a abrir as pernas e deslizou lentamente a ponta dos dedos ao longo do pescoço até o decote.

— Vamos, duquesa, fale um pouco sobre o seu marido. Edward é contido na cama? Ou ele rasga sua camisola como vou fazer com seu vestido?

Bella tremeu de terror.

— Solte-me, Riley. Tenho certeza de que podemos resolver as coisas se você me soltar. Edward é um homem razoável.

— Ele é? — A mão ousada desceu mais um pouco, tocando nos seios. — Duvido que ele seja razoável. E eu não quero ser razoável, eu quero paixão. Paixão e dor. Edward roubou o que é meu, agora tenho algo que lhe pertence. Quero que ele sinta o que eu senti durante todos esses anos.

Os dedos se curvaram sobre o tecido delicado do vestido e puxaram com toda a força, rasgando até a cintura. Riley olhava para os seios de Bella. Envergonhada, ela tentava mover os braços para se cobrir, mas a corda afundava na carne.

Riley a acariciou devagar, tocando os mamilos. Bella fechou os olhos para não ver.

— Olhe para mim, duquesa. — Bella balançou a cabeça, virando o rosto. — Não me desafie, mulher! — Deu-lhe uma bofetada. — Olhe para mim!

— Não! — Se ele batesse ainda mais ela conseguiria se livrar das cordas. Mas Riley parecia ter o poder de ler a mente.

— Sou um especialista neste jogo, duquesa. — E apertou os seios até Bella ofegar e lágrimas quentes brotarem de seus olhos. — Você sentirá muita dor, como jamais sentiu.

Riley riu e deitou-se sobre ela. Bella tentou chutar, mas estava presa entre as saias e o peso de Riley. Ele a forçou a abrir as pernas, amarrando os tornozelos aos pés da cama.

— E agora vamos ver onde o Monge trabalha. — Riley apanhou o punhal e rasgou a saia de baixo a cima.

Diego Gadner estava sentado em um canto do salão principal, tomando uma cerveja. Céus, como odiava aquele lugar! Riley precisava enviar a carta a Edward o quanto antes. Mas em vez de cuidar disso, ele estava no andar de cima se divertindo com uma loira de seios fartos. Diego não reclamara, pois isso era melhor do que se ele tivesse ido mexer com a duquesa de Alvord.

Impaciente, Riley tamborilava os dedos sobre a mesa. Com certeza, Riley já devia ter terminado. Afinal ele não costumava se demorar muito na cama com as mulheres.

Diego olhou para a escadaria. Sim, a loira já estava descendo, mas vinha acompanhada de um marinheiro sorridente.

Maldição! Diego se levantou. Onde estava Riley?

Edward e Emmett concluíram que a direção que Riley seguira só poderia levar a um lugar: o Rustting Stallion, um prostíbulo de quinta categoria que fiava à beira do cais. E era para lá que eles seguiam.

— Edward. — Emmett apontou para a casa. — Olhe, logo à frente.

— Estou vendo. — Uma cortina vermelha que flutuava da janela do terceiro andar não passou despercebida a Edward. — Terceiro andar, o último quarto.

— Você acha que Bella está lá?

— Espero que sim. — Edward abriu a porta da casa suspeita. — Vamos nos separar e cada um procura em um quarto.

Bella nunca se sentira tão exposta e humilhada em toda a sua vida.

— Olhe para mim. — A ponta afiada do punhal de Riley cutucava o seio. — Quero que veja quem está entrando entre as suas pernas.

Ela sentiu então o punhal descendo pelo ventre e deslizando até a virilha. Desesperada, tentou dobrar os joelhos, mas a corda a impediu. Com lágrimas nos olhos, Bella sentiu os dedos intrusos do homem invadindo sua intimidade.

— Ainda tem o frescor da juventude, duquesa — Riley disse. — Doce. Macia. Uma delícia! Mas não sei se ainda estará assim até amanhã.

Riley retirou a mão para desabotoar a calça quando a porta do quarto se abriu, batendo com força contra a parede. Ele ainda não tinha aberto o primeiro botão, quando se virou para deparar com Edward.

— Riley!

Bella viu o espanto e a dor nos olhos de Edward, segundos antes de sentir o punhal de Riley quase penetrando em seu ventre.

— Aproxime-se, Edward, e verá minha lâmina perfurando sua amada!

Edward paralisou.

— O que você quer, Riley? — O tom de voz era calmo, mas Bella podia ver a tensão no olhar.

— É uma pena que você tenha chegado tão cedo, Edward. Eu ia justamente provar um pouco da sua mulherzinha. — Riley passou a mão na perna de Bella. — Devo continuar? Talvez você queira assistir. Quem sabe pode aprender algo.

Edward não se deixou envolver pela provocação.

— O que você quer, Riley?

— Quero o que é meu!

Bella sentiu o metal frio se movendo à medida que Riley encarava Edward.

— Quero o ducado.

— Ele é todo seu. Abaixe a faca.

— Assim tão fácil?

— Contanto que abaixe a faca e não machuque Bella.

— Não antes de deixar as minhas iniciais nas coxas da americana. Posso? Para você se lembrar de mim todas as vezes que se ajoelhar entre as pernas de sua mulherzinha.

— Abaixe a faca, Riley, ou você nunca irá se esquecer do dia em que o derrotei para sempre!

Riley se voltou para Bella, e nesse instante Edward se moveu e desviou a mão dele do ventre da mulher.

— Não! — Riley gritou. — Seu maldito! — Ele livrou a mão, acertando o rosto de Edward.

— Riley, pare! — Edward se protegia como podia dos sucessivos golpes do outro.

— Não paro enquanto não acabar com você, Edward! — Bella tentava se livrar das amarras, mas elas não cediam. Não havia nada que pudesse fazer, além de assistir à luta dos dois homens. Edward segurava a outra mão de Riley, e os dois se encaravam como se estivessem dançando uma valsa macabra. Edward era mais alto e mais forte, mas estava apenas tentando controlar o primo e não matá-lo. Riley estava tomado de uma ira selvagem. O ódio se refletia em seus olhos.

— Riley! — Diego surgiu na porta. — O que está fazendo? Pare com isso, agora!

— Diego... — Riley olhou para o outro homem, e nesse instante, o punhal desceu. Edward retirou o braço depressa, mas já era tarde demais. O sangue jorrava do peito de Riley.

— Riley! — Diego gritou, mais uma vez.

Riley puxou o punhal e levou a mão ao ferimento, tentando estancar o sangramento, mas o estrago era grande, e ele tombou sobre a poça vermelha que se formava sobre a cama. O rosto estava pálido como se toda a cor tivesse sido drenada pelo peito.

— Você venceu — ele murmurou. — Maldito, você venceu.

E seus olhos se fecharam para sempre.

O forte odor de sangue e morte tomou conta do quarto.

— Você o matou! — Diego olhava para o corpo de Riley que jazia pesado sobre Bella.

— Foi um acidente. — Edward sacou seu próprio punhal e cortou as amarras que prendiam Bella, puxando-a de baixo do corpo de Riley. Ofegante, ela o abraçou, escondendo o rosto no peito protetor.

— Você o matou! — Diego repetiu, a voz trêmula.

— Não tive intenção. Riley amoleceu a mão quando o viu entrando no quarto e não pude conter a força do impulso.

— Ele está morto. — Diego caminhou lentamente em direção à cama e tomou o corpo de Riley em seus braços, manchando a roupa com o sangue do outro. Seu rosto estava molhado de lágrimas. Bella desviou o olhar para não ver o choro compulsivo de Diego.

— Bella. — Edward acariciou seus cabelos e murmurou: — Você está bem, querida?

— Sim. — Mas ela também estava prestes a ser tomada pelas lágrimas. — Estou tão feliz por você estar aqui, Edward. Ainda bem que você conseguiu chegar a tempo. — E o abraçou com ainda mais força, lembrando-se dos momentos de puro pavor que sofrera nas mãos de Riley. — Foi horrível. Ele o odiava profundamente.

— Acabou. — Edward a embalou. — Riley não poderá ferir mais ninguém.

— Não poderá ferir nenhum de nós. — Bella queria sentir alívio, mas o cheiro de sangue e morte, o som da dor de Diego e sua própria dor faziam com que tudo parecesse um pesadelo. — Vamos para casa, Edward. Por favor.

—Está bem, meu amor. — Edward a beijou na testa. — Emmett veio comigo e deve estar à sua procura. Pedirei a ele que cuide de tudo.

Bella olhou para Diego.

— O que acontecerá com ele?

— Não sei. Ele ajudou no seqüestro. Terá de pagar por isso.

— Mas ele tentou tirar da cabeça de Riley a idéia fixa de me ferir. Ele sugeriu a seu primo que escrevesse um bilhete a você e aguardasse.

Edward assentiu.

— Acredito em você. Tampouco tenho sede de vingança. Mas se tivermos de enfrentar um tribunal, toda a história sórdida virá à tona.

O estômago de Bella se contorceu, só de pensar que teria de relatar todo o terror enfrentado naquela noite.

— Quero pôr um ponto final nisso, Edward. Não desejo ter de falar mais sobre esse assunto. A morte de Riley já não é punição suficiente? Não podemos deixar tudo isso para trás?

— Talvez. Duvido que Diego represente algum perigo a nós ou a qualquer outra pessoa, apesar de não querer compartilhar a mesma cidade com ele. Não quero nem mesmo compartilhar o mesmo país. — Edward acariciou a nuca de Bella para aliviar a tensão. — É melhor que ele fique preso por uns dias até que decidamos qual o melhor lugar para enviá-lo. Não há nada que o prenda na Inglaterra. Duvido que se oponha a uma longa viagem, especialmente se for uma opção à forca.

— Está bem. — Bella relaxou um pouco. Ela não se importava para onde Diego iria, contanto que pudesse colocar um ponto final e esquecer aquele pesadelo.

— Seu vestido está todo rasgado, meu amor. Você se importa em se enrolar na colcha da cama?

— Tem uma capa jogada no chão, Edward, do outro lado da cama. Eles me embrulharam nela quando me trouxeram para cá. Isso servirá para me cobrir.

Edward apanhou a capa. Bella cobriu os braços e o restante do corpo e olhou nervosa para a porta, e em seguida para Diego.

Ele tinha se movido. Colocara o corpo de Riley de lado e estava se levantando, os dentes expostos como um cão raivoso, com a faca ensangüentada de Riley em uma das mãos, os olhos fixos nas costas de Edward.

— Edward! — Bella gritou e se atirou contra Diego.

Os dois começaram uma luta desigual. Bella tentava arrancar o punhal das mãos dele, e acabou acertando um soco nas costelas de Diego, que girou, caindo pesadamente no chão, sobre o punhal que segurava.

Tudo aconteceu em uma questão de segundos.

Foi então que Emmett finalmente entrou no quarto e se deparou com a cena de horror.

— Meu Deus! — ele exclamou.

Edward amparou Bella enquanto Emmett se ajoelhava ao lado de Diego.

— Está morto — sentenciou. — O punhal entrou no coração.

Depois de garantirem a Carmem, Irina e Alice que tudo estava bem, Bella e Edward se recolheram, deixando Jasper e Emmett encarregados de relatar os detalhes sobre os últimos acontecimentos.

— Preciso de um banho, Edward — Bella disse ao entrarem no quarto. — Preciso remover a sujeira do meu corpo.

Os criados trouxeram a banheira e água quente. Assim que a porta se fechou, Bella tirou as roupas e entrou na água quente. Ela temia nunca mais se sentir limpa, novamente.

Então sentiu as mãos grandes e firmes de Edward em suas costas, ajudando a limpar todo o desespero e a sensação de imundície.

— Mergulhe, querida.

Os dedos de Edward massagearam o couro cabeludo e deslizaram ao longo dos cabelos. Com as palmas das mãos, ele esfregou a nuca e o pescoço. Os lábios, gentis, tocaram a marca deixada por Riley no pescoço.

Bella temera nunca mais sentir prazer em ser tocada. Mas agora sabia que o toque de Edward era o que precisava para curar as cicatrizes. Precisava do corpo dele contra o seu para ajudar a esquecer todo o terror. Precisava sentir o amor para afogar as tristes lembranças. Precisava amá-lo para se sentir viva novamente.

— Acho melhor terminar o que falta, Bella. Não confio em mim mesmo para lavar o resto.

Bella ergueu as mãos, segurando o pescoço do marido.

— Não faz mal, Edward. Eu quero que você me lave.

— Bella. — A voz não passou de um sussurro. — Tem certeza de que é uma boa idéia?

— Sim. Preciso de você. Em todos os sentidos.

Edward suspirou, soltando toda a tensão que enrijecia seus braços.

— Está bem, meu amor.

Então suas mãos deslizaram sobre os ombros de Bella e desceram lentamente até os seios. Era exatamente disso que ela precisava, o que seu corpo ansiava, o toque dos dedos, das mãos, do contato com a pele.

Mas as mãos abandonaram os seios, tocando as laterais, acariciando o ventre e as coxas. Os dedos brincaram entre as pernas e finalmente tocaram em um local muito íntimo. Bella estremeceu e o fitou. Edward a olhou também, e sua fisionomia era intensa e desejosa.

— Eu amo você, Edward.

Ele inclinou a cabeça e seus lábios se roçaram.

— E eu amo você, Bella — disse num murmúrio rouco. — Acho melhor você sair da banheira, agora.

Edward a envolveu em uma toalha macia e a abraçou. A proximidade era tanta que Bella sentiu o corpo dele enrijecido contra o seu, e se aproximou. Mas ele recuou.

— Ainda não, meu amor. Quero lavar a sujeira do meu corpo, também.

— Quer a minha ajuda?

— Seria maravilhoso, Bella, mas no momento não estou conseguindo me controlar muito bem.

— Não me importo. Quero tocá-lo. Por favor? — Ele a beijou profundamente.

— Como posso dizer "não" a um pedido tão doce?

Bella começou pelas costas, assim como ele fizera com ela. Ensaboou as mãos e deslizou-as sobre os ombros. Em seguida o empurrou com delicadeza e Edward se inclinou para que ela pudesse lavar as partes mais baixas. As mãos se moviam sobre os músculos fortes, deixando-o ofegante e inquieto.

— Cuidado, meu amor, ou você vai se molhar. — O aviso saiu sussurrante. Bella sorriu e tocou os ombros, descendo pelos braços fortes.

Ela precisava daquilo. Precisava sentir a sensação de poder depois do pesadelo de se ver impotente nas mãos do seu algoz. A toalha acabou caindo quando ela se inclinou para frente para tocar o peito de Edward, roçando os seios contra os mamilos dele.

Bella então se inclinou para lavar-lhe os pés. Lentamente suas mãos esfregaram os tornozelos e foram subindo, pelas panturrilhas, joelhos e coxas. Edward respirou fundo e soltou o ar lentamente, esparramando mais água.

— Por favor, Bella, podemos ir para a cama, agora? — pediu Edward, quando ela o acariciou intimamente.

— Como posso negar um pedido tão doce?

Edward soltou as laterais da banheira e segurou Bella pelos ombros, puxando-a para si. Seus lábios se encontraram enquanto eles se punham de pé, fazendo a água escorrer pelas laterais da banheira.

Os lençóis sobre a larga cama de Edward eram brancos, e os únicos ruídos eram provenientes da respiração e dos gemidos de ambos. A única coisa que a prendia a Edward era o amor, e este era um nó que não desejava desatar. Bella se abriu para Edward e ele a possuiu, preenchendo-a de corpo e alma. Não demorou muito e ambos respiravam aliviados e relaxados.

—Você acha que encomendamos um bebê?— Bella sussurrou.

Edward se apoiou sobre o cotovelo.

— Talvez. — Ele sorriu. — Seria maravilhoso, mas não tenho pressa.

— Pelo menos, de hoje em diante nosso filho não correrá mais perigo.

— Sim.

Uma sombra se espalhou pela fisionomia do duque. Ele saiu de cima do corpo de Bella e se deitou.

Foi então a vez de Bella se apoiar no cotovelo.

— Você está aborrecido com a morte de Riley?

— Eu não tinha intenção de matá-lo. — Seus olhares se encontraram. — Estávamos lutando. Quando Diego apareceu, Riley parou, por um segundo apenas. Quando ele soltou a mão, a minha subiu com o impulso. Não consegui contê-la a tempo.

— Eu sei. — Bella tocou no rosto do marido e olhou-o diretamente nos olhos. — Você não teve escolha. Um dos dois teria morrido, Riley não deixaria por menos. Ele teria lutado até o fim.

Edward fechou os olhos.

— Eu sei. Meu primo era um problema sem solução, mas era meu sangue. — Edward baixou o olhar. — Eu deveria estar arrependido por tê-lo matado, mas só consigo sentir alívio.

— Eu também. — Bella pousou as mãos sobre o peito de Edward. — Ainda tem uma coisa que não entendi. Por que Riley espalhou os rumores do que aconteceu no Green Man? Ele sabia que isso só acabaria apressando nosso casamento.

Edward sorriu.

— Não acho que tenha sido Riley quem espalhou o rumor.

— Quem foi, então?

— Aposto que foi lady Irina.

— Lady Irina? Mas por que você acha que foi ela?

— Porque a amiga do peito de lady Irina, Melinda Fallwell, me contou como ficou sabendo da história.

Bella se lembrou da noite terrível no baile dos Palmerson, quando o rumor se espalhou como fogo selvagem pelos salões.

— Talvez você tenha razão. Mas por que lady Irina faria isso?

— Talvez ela tenha percebido que deveríamos ficar juntos.

— Sempre pensei que lady Irina era mesmo perspicaz.

— Muito. — Edward se inclinou para roçar o ponto mais sensível de Bella, logo atrás da orelha. — E leal. Tenho certeza de que ela está imaginando que em poucos meses o herdeiro de Masen chegará.

—Vamos retomar o nosso trabalho, querido? Não queremos desapontar lady Irina, queremos?

Bella passou os braços em torno do pescoço de Edward.

— Não, com certeza não queremos desapontar lady Irina.

Fim


Eu NUNCA pedi Reviews e não gosto muito de pedir, mas como esse é o último cap, eu realmente queria que vocês me falassem o que acharam da história, se gostaram ou não e o porque. Tenho outras adaptações em mente, e mais detalhes irei falar na nota de agradecimento.