A primeira semana de dezembro chegou e com ela o clima natalino se instalou em praticamente todos os cantos de Nova York. A neve fraca dava indícios de que seria uma linda época para confraternizar e que a decoração do lado de fora das casas seria deslumbrante.
Rachel, Mike e Donna passaram o domingo limpando e decorando a pequena árvore de natal e a acomodaram na sala de estar, ao lado da coleção de discos e livros.
Com o fim do ano chegando, enquanto Harvey estava sem muitos compromissos na Specter Litt, Donna praticamente enlouquecia na revista. A edição especial de final de ano estava prestes a sair e metade da equipe entrado de férias. E como se não bastasse, Stephen continuava dando trabalho à Donna ao invés de ajuda-la. Com tanta coisa para fazer, os dias começaram a passar mais rápido e o tempo hábil para resolver os problemas diminuía.
Na quinta-feira pela parte da manhã, Donna já se sentia mentalmente esgotada. O que a motivava a aguentar o restinho da semana, era saber que sábado faria algo muito especial com Harvey. Assim que a ruiva sorteou a letra e abriu o papel depois que ele foi embora, soube na hora o que gostaria de fazer e onde gostaria de leva-lo. Ainda bem que ele só saberia o que era exatamente no dia senão ela corria sérios riscos de perder a oportunidade – e o amigo.
Donna aproveitou que o dia estava excepcionalmente calmo e, para dar uma espairecida de todos os problemas e dos "Donna, preciso de você aqui. ", "Donna, você pode me ajudar? ", "Como eu faço isso, Donna? ", a ruiva não pensou duas vezes antes de apertar o botão ligar em seu celular.
- Ei, Rach. – Donna disse assim que a amiga atendeu. – Vamos almoçar hoje? Preciso muito sair daqui um pouco.
- Oi... – Rachel respondeu sem prestar muita atenção. Donna ouviu o barulho de alguns papeis ao fundo e de alguma coisa caindo no chão. – Oi Donn, hoje não vai dar não.
- Oh, tudo bem aí? – Donna perguntou, preocupada.
- Na verdade não. – Ela admitiu. – Perdi uns papeis que precisavam estar em anexo para enviar pro Louis agora a tarde e eu simplesmente não consigo acha-los. Devo ter enfiado no...
- Ei, calma. – Donna segurou uma risada. Rachel quando ficava estressada poderia ser uma boca suja demais. – Mike não os viu? Ele sempre sabe onde tudo está. Pede pra ele.
- Já pedi. – Rachel bufou. – Aquele bundão está na biblioteca resolvendo outra coisa e sumiu daqui. Eu sei que é para não me ajudar.
- Rachel, respira. Você vai achar. – Ao mesmo tempo em que Donna a acalmava, a morena inspirou e soltou o ar lentamente. – Bom, vou te deixar em paz então.
- ESPERA. – Rachel praticamente gritou do outro lado da linha. – Eu não posso ir mas o Harvey pode. Liga pra ele e convida.
- Tá doida, é? – Donna riu. – Eu não.
- Eu consigo ver ele daqui e no momento ele está tirando pó das bolas de basquete de estimação dele. – Donna ouviu mais alguns papeis caírem no chão. – Merda. Liga para ele, você não disse que eram amigos? Então, conversa com ele como amigos.
- Mas...
- Preciso ir, tchau Donn.
Rachel desligou o telefone abruptamente, deixando Donna sozinha.
Até que não seria uma má ideia convida-lo.
Donna vasculhou sua agenda a procura do número de Harvey e apertou novamente em ligar.
- Oi. – Harvey atendeu, surpreso. – Aprendeu a usar o telefone agora ou lembrou que eu existo?
Donna não conseguiu responder. Caiu na gargalhada.
- Oi, Harvey. – A ruiva disse, ainda rindo. – Nenhum dos dois.
- À que devo a honra da ligação então? Precisa de alguma coisa, não é? – Agora foi a vez de Harvey rir. – Rachel chutou sua bunda também?
- Céus, eu não posso nem ligar para o meu amigo que ele já acha que eu quero alguma coisa. Minha reputação está horrível. – Donna estava debruçada sob sua mesa, fazendo alguns rabiscos com sua caneta de 4 tintas em um pequeno bloco. – E meio que Rachel chutou minha bunda sim.
- Eu sabia. Mike apareceu aqui agora pouco quase chorando. Bundão.
Os dois caíram na gargalhada.
- Rachel o chamou da mesma coisa.
- Talvez ele seja mesmo. Mas agora falando sério. Tudo bem, Donna?
- Tudo sim. Liguei porque.. gostaria de saber se.. você quer almoçar comigo hoje. Eu realmente preciso conversar com um amigo e sair para fazer algo que não seja chato porque meu funcionário está me deixando nervosa e eu não consigo fazer as coisas que eu preciso porque ele faz tudo errado e...
- Calminha aí. Sim, Donna, podemos ir almoçar. – Harvey a silenciou e Donna podia sentir que ele estava sorrindo para a enxurrada de palavras que ela soltou de uma só vez. – Naquele restaurante aqui perto?
- Sim, lá mesmo. – Donna sorriu, constrangida. – Daqui 20 minutos?
- Perfeito.
Harvey chegou no restaurante primeiro que Donna e pegou uma mesa com dois lugares. Ele havia ficada surpreso com a ligação e ainda mais com o convite de Donna. Harvey não era de admitir quando as coisas não iam muito bem, mas, assim que ouviu a voz e a risada de Donna do outro lado da linha, soube que os dias e as horas que antecederam aquele almoço foram muito ruins.
Ela o ter chamado de amigo o incomodou mais do que ele gostaria, mas isso também era algo que ele não iria admitir. Alguns minutos depois de a garçonete ter o levado para a mesa, ele a viu na porta.
Donna estava com os cabelos soltos, um pouco cacheado, um pouco liso, e usava um vestido azul marinho simples. Assim que a maître indicou para ela o lugar em que Harvey estava, seu coração acelerou ao ver o mais belo sorriso do mundo estampado no rosto de Donna.
- Oi de novo. – Ela se aproximou da mesa e ele levantou, puxando a cadeira para ela sentar. – Obrigada.
- Não por isso. – Harvey sorriu. – Está mais calma?
- Estou. – Ela suspirou e pendeu a cabeça para trás, frustrada. – Obrigada por me tirar de lá também, mesmo que por alguns minutos.
- Está tão ruim assim? – Harvey fez sinal para a garçonete.
- Ruim? Ruim estava na primeira semana. Agora está péssimo, mais do que péssimo.
- Olá. Gostariam de pedir algo para beber agora? – A garçonete se aproximou, segurando um pequeno tablet para anotar os pedidos.
- Uma coca-cola normal para mim, sem gelo e sem limão. – Donna respondeu, olhando de Harvey para a moça.
- O mesmo para mim. – Harvey olhava apenas para Donna.
No meio dessa troca de olhares, a garçonete não tirava os olhos de Harvey. Donna percebeu isso antes mesmo de ter se sentado à mesa e estava achando graça. Obviamente, Harvey não havia percebido nada. A moça os deixou sozinhos novamente e Donna não deixou de tirar proveito da situação inusitada.
- Você é muito burro às vezes, Harvey.
- Eu? – Seu olhar era de espanto. – Por quê?
- Ela não tira os olhos de você. Se você demorasse mais um segundo para pedir algo ela tinha puxado uma cadeira e sentado ao seu lado só para te admirar. – Donna riu. Era mais fácil tirar sarro da situação do que lidar com ela. Aos poucos, Donna sentia o ciúme subir por sua garganta, queimando-a por dentro.
- Deixa ela. – Harvey suspirou e recostou na cadeira, ajeitando o terno. – Não estou interessado.
Donna captou a hostilidade de Harvey como uma forma de cortar o assunto e para não ficar sem jeito, voltou ao assunto em que eles estavam antes da garçonete os interromperem.
- O nome dele é Mark. – Harvey arqueou as sobrancelhas, sem entender o que ela estava dizendo. – Meu funcionário sem noção. Se chama Mark. Eu quero demiti-lo, mas Jéssica sempre me diz para esperar mais um pouco.
- Por quê? Se o cara não ajuda e só atrapalha tem motivos para demiti-lo. – Harvey agora se debruçou sob a mesa, com os dedos cruzados.
- Eu realmente não sei. Jess diz que ele vai melhorar com o tempo, mas isso já vem acontecendo há semanas e parece que só piora. Eu preciso fazer o meu trabalho e refazer o dele em dobro. – Harvey percebeu em seu tom de voz o cansaço.
A garçonete voltou com os refrigerantes e, Donna riu discretamente quando Harvey revirou os olhos ao perceber que ela realmente não tirava o olhar dele. Quando Harvey baixou a cabeça esperando que ela fosse embora logo, notou algo na mão de Donna, disposta ao lado do prato.
Ela ainda não tirou o anel.
Isso o fez sorrir ainda mais. A garçonete entendeu isso como um encorajamento e direcionou a fala para ele.
- O senhor gostaria de pedir a refeição agora? – Ele olhou para Donna.
- Gostaria? Acho que vou pedir o de sempre, camarão na moranga e batata sautè. – Harvey fechou o cardápio e Donna o acompanhou.
- O mesmo para mim, obrigada.
Assim que a moça se afastou, os dois caíram na risada.
- Eu não falei... – Donna bebericou sua coca-cola e percebeu que ele pediu praticamente a mesma coisa que ela havia feito quando eles se conheceram no jantar de aniversário de Rachel.
- Que número você calça? – Donna perguntou quando eles estavam deixando o restaurante. Uma pequena neve caia sobre Nova York e Donna abriu um guarda-chuva para se proteger.
- Por que essa pergunta me assusta? – Harvey ficou apreensivo.
- Só me diz, tá? – Ela riu. – Você vai precisar de uma coisa no sábado e eu preciso saber seu número, nada demais.
- Santo Deus Donna, é 41. Na verdade, depende muito, mas 41 sempre dá.
Como o restaurante ficava entre os dois locais de trabalho, cada um iria para um lado agora. Donna não sabia como agir em uma situação de despedida fora das paredes do seu apartamento, então, apenas disse algo e se afastou. Harvey fez o mesmo.
- Ótimo. Então até sábado, no mesmo horário. – Ela sorriu.
- Até. E, Donna... Por favor, não nos meta em nenhuma enrascada. Não quero chamar nenhum amigo para ser nosso advogado na cadeia.
Querendo ou não, Donna acabou deixando nas mãos de Harvey uma dica valiosa. Eles iriam fazer alguma atividade física. Poderia ser ou não ao ar livre, mas não deixaria de ser algo do tipo. Para o que mais ela precisaria saber a numeração do calçado dele? De qualquer forma, ele mentalmente agradeceu enquanto se arrumava para ir busca-la. Ele não tinha nenhum calçado além de sapatos de marca e um tênis para corrida.
Donna o esperava ansiosa. Ainda não sabia se era uma boa ideia ou não, mas preferiu correr o risco. Naquele mesmo dia, ela havia acordado cedo e ido às compras. Comprou um sapato que Harvey poderia usar à tarde e um vestido simples azul claro para ela. Já fazia muito frio para a época e, ao passar por uma loja de departamentos, não conseguiu se controlar e acabou comprando mais alguns casacos para a estação.
- Queria ser uma mosquinha para ver isso ao vivo. – Rachel amarrava o cabelo em um rabo de cavalo enquanto se sentava no sofá. Donna estava de pé no corredor colocando um brinco. Ela já estava pronta, esperando Harvey.
- Só para rir da cara dele, não é? – Donna sorriu. Seria uma experiência muito interessante, de fato...
- Claro. Para que mais eu gostaria de ver meu chefe fazendo isso sem ser com fins de chantagem? Quando Mike souber vai ficar muito bravo por você não ter gravado.
Antes que Donna pudesse responder, a campainha tocou.
- Rach, abre para mim, por favor? – A ruiva pediu para a amiga, entrando no banheiro.
Rachel caminhou até a porta e ao abrir, não conteve a risada.
- Olá melhor advogado de Nova York. – Harvey adentrou o apartamento vestido nada além de pijamas e um tênis. – Harvey, o que é isso? – Rachel apontou para ele de cima a baixo.
- Meu deus. – Donna saiu do banheiro e ao vê-lo na porta da frente, imediatamente colocou a mão na boca para abafar uma risada.
- Bom, se sábado passado essa daí – Harvey apontou para Donna – fez a maior cena para saber que roupa deveria colocar, eu pensei 'por que não posso fazer o mesmo?'.
Ele segurava uma sacola preta com 2 pares de roupa. Uma social com terno e camisa e outro par com calça jeans e moletom. Seu olhar não saia de Donna e da escolha de roupa que ela havia feito. Seria o terno, então.
Donna o esperou enquanto ele se trocava e, alguns minutos depois, eles partiram. Ela novamente o instruiu pelo caminho, já sabia que ele daria um jeito de procurar pelo lugar antes.
A escola de valsa, salsa e tango para iniciantes de Nova York ficava localizada bem perto da Specter Litt. Para despista-lo, Donna o mandou para diversas direções diferentes, apenas para confundi-lo com as ruas. Na frente da escola, não havia nenhuma placa que indicasse o que eles iriam fazer. Havia apenas uma com o nome NYADA. Esse pequeno estúdio fazia parte da faculdade em que Donna se formou e ela costumava frequenta-lo sempre que tinha um tempo livre.
- Donna, por favor... – A voz de Harvey simulava uma dor profunda. Quando Donna se virou em sua direção para saber o motivo do apelo, viu em Harvey o famoso bico de chantagem.
- Você não tem jeito. – Donna riu. – Cresce, Harvey. 30 anos nas costas e fica fazendo biquinho para conseguir as coisas. Você faz isso na frente do juiz também?
- Deu certo, pelo menos? – Sua postura voltou ao normal. Eles desceram do carro e Donna indicou a porta de entrada do estúdio.
- Deu. – Ela ajeitou sua bolsa no ombro, soltou um suspiro e, internamente, pediu à forças maiores para que Harvey gostasse da programação. – Nós vamos fazer uma aula experimental de valsa. Minha letra é D. Dança. Tudo bem?
Dança. Como diabos ele não havia pensado nisso antes? Isso era a cara de Donna.
- Espera aí. Aula experimental. De valsa. – Harvey estava incrédulo. – Isso é algum tipo de pegadinha?
Ao ouvir aquilo, sua garganta deu um nó. Ela sabia que no fundo não era uma boa ideia e que Harvey se recusaria a participar, mas sua esperança de que ele estivesse aberto a isso preencheu seus pensamentos durante toda a semana e, vê-lo falando dessa forma, a deixou extremamente chateada.
- Desculpa. Pensei que seria legal. – Ela deu de ombros e desviou o olhar para não cruzar com o dele. – Podemos voltar para casa, se você quiser.
Donna estava de costas para ele agora, caminhando de volta para o carro. Harvey respirou fundo e se deu conta das palavras que haviam saído da sua boca. Ao olhar para a silhueta de Donna, percebeu o quanto a ideia de passar algumas horas dançando ao lado dela lhe alegrou.
- Ei, vem cá. – Harvey se aproximou dela e a virou de frente para ele. – Me perdoa. Não quis soar assim. Eu apenas fiquei surpreso. Me desculpe.
Apesar de chateada e sem graça pelo comentário de Harvey, Donna esboçou um pequeno sorriso.
- Então você topa? – A esperança em sua voz fez Harvey sorrir em resposta.
Não havia nada do mundo que o fizesse lhe negar alguma coisa.
- Sim. Mas não me obrigue a usar tutu.
- Donna, que bom que você conseguiu vir hoje! – Karen era a professora de valsa do estúdio e havia feito algumas matérias sobre expressão corporal junto com Donna na faculdade. Como Donna foi para a parte do teatro, Karen e ela acabaram se separando, mas sempre mantinham algum contato quando novas aulas abriam para os ex alunos.
- Sim! Hoje eu trouxe um amigo para experimentar a aula comigo, espero que não tenha problema. – A ruiva estava um pouco apreensiva. Harvey olhou surpreso para ela. Ela o havia levado ali sem autorização?
- Você sabe que não tem problema nenhum! Aliás, saudades da Rachel que nunca mais apareceu por aqui depois da aula de zumba.
Donna soltou uma gargalhada.
- Ela reclama de dores na perna até hoje por causa daquela aula.
Karen encaminhou Donna eHarvey para o aquecimento e, assim que eles se afastaram de onde os alunosestavam, Donna lhe entregou a caixa com o sapato. Ele era preto e próprio parapraticar algum tipo de dança clássica.
- Não precisava ter comprado nada para mim. Podia ter me falado que eu mesmo comprava.
- Deixa de ser grosso. É um presente. Agora calça isso daí logo pra gente começar a dançar. – Donna estava tão animada. Enquanto Harvey trocava seu sapato, ela prendeu os cabelos em um rabo de cavalo bagunçado, deixando Harvey hipnotizado.
Ela é tão incrivelmente linda.
A professora reuniu os casais no meio do estúdio. As paredes do lugar eram compostas por espelhos enormes, que iam do chão ao teto e, em uma das paredes, havia um bastão na horizontal posicionado na altura da cintura.
Os alunos que estavam presentes também eram tão iniciantes quanto eles e provavelmente não sabiam nada. Donna já sabia alguns passos por conta da faculdade mas tinha certeza que Harvey jamais havia tido qualquer tipo de contato com dança antes.
- Muito bem. – Karen se aproximou deles. – Harvey, coloque sua mão direita aqui, assim. – Ela pegou na mão dele e a posicionou na cintura de Donna. – Agora essa mão, você segura na mão dela, isso, perfeito.
Assim que a professora foi lhes passando os passos mais fáceis, Donna percebeu que havia se equivocado.
- Ei, você sabe dançar. – Sua boca abriu em surpresa. – Harvey!
- Minha mãe dançava comigo quando eu era pequeno. – Ele admitiu, sorrindo. – Sei pouca coisa, mas dá pro gasto.
- Não acredito. E você ainda teve a audácia de ficar chateado quando soube que íamos dançar.
- Fiquei com medo. Não gosto de fazer coisas que me lembrem dela.
Harvey sorria, mas seus olhos eram tristes. Donna sabia pouca coisa sobre o passado de Harvey com sua mãe e sabia também que ele não era de se abrir assim tão facilmente.
- Bom, então não vamos lembrar. – Donna tentou mudar de assunto o mais rápido possível. – Só... dança comigo.
A versão instrumental de Perfect do Ed Sheeran começou a tocar no estéreo do estúdio assim que todos os casais já haviam sido instruídos.
Eles já sabiam como se moverem e, aos poucos, foram se aproximando mais, até seus corpos estarem colados. Harvey a segurava firme e, mentalmente, contava os passos conforme sua mãe havia o ensinado.
1, 2, 3.
Para.
1, 2, 3.
Para.
1, 2, 3.
Gira.
Donna sorria e as vezes apoiava a testa no ombro de Harvey. Ele a girou, fazendo com que seu vestido rodopiasse junto e a fizesse parecer com um anjo. Donna não fazia ideia do quanto era linda dançando dessa forma.
Harvey sorria e tentava a segurar mais perto, como se a distância entre eles ainda fosse muito grande.
Os acordes da melodia preencheram o lugar e o casal dançava como se fosse a dança de suas vidas. Poderia não estar perfeito, mas eles estavam amando e aproveitando cada segundo daquilo. Donna fechou os olhos quando a música estava nos minutos finais e apenas se deixou ser levada pelo momento e pelos braços de Harvey.
Quando abriu os olhos, se deu conta de que apenas eles ainda estavam dançando. Os outros casais, inclusive Karen, abriram espaço para o pequeno show que os dois davam. Uma menina, ao fundo, enxugava algumas lágrimas.
Assim que a música parou, Harvey puxou Donna para si e lhe seu um beijo suave na testa. Os espectadores explodiram em aplausos para os dois e, tímidos, eles caminharam de mãos dadas até o canto do estúdio, onde suas coisas estavam.
- Nossa, como eu sentia falta de dançar. – Donna sorria. – Obrigada, Harvey. Isso foi incrível.
- De nada. – Harvey sentou em um pequeno banco, abrindo uma garrafinha de água, olhando para Donna parada em sua frente. – Realmente, foi uma experiência maravilhosa.
- Vocês dois são incríveis. – Karen apareceu para falar com o casal enquanto os outros alunos voltavam para o centro do estúdio. – Harvey, onde aprendeu a dançar assim?
- Eu não sou um dançarino. – Harvey riu, constrangido. – Minha mãe me ensinou uns passos muitos anos atrás e, bom, eu meio que lembro.
- A química entre vocês é tão forte. Há quanto tempo estão juntos? – Karen estava animada demais com os dois para se dar conta de que eles se entreolharam, constrangidos.
- Nós não estamos juntos, Karen. – Donna respondeu, dando um sorriso amarelo.
- Oh. Ah, me desculpa, eu pensei que.. – Karen ficou vermelha, se desculpando pelo equívoco. – Eu vou..
Assim que a professora virou de costa, voltando para os outros alunos, os dois caíram na risada. No fundo, nenhum dos dois gostaria mais de negar aquela constatação.
- Bom, acho que agora é minha vez que pegar uma.
Donna destrancou o apartamento e uma Meg feliz e saltitante passou correndo por ela, indo direto na direção de Harvey.
- Olá bonitinha. – Harvey fez carinho na cabeça dela.
- Meg gosta mais de você do que do próprio pai dela. Ela não gosta do Mike.
- E quem gosta? Só a Rachel. – Harvey adorava irritar Mike mas ao mesmo tempo moveria montanhas para defende-lo.
- Eu vou lá pegar a touca, encosta a porta, por favor? Senão ela foge.
Assim que Donna entrou em seu quarto, viu ao lado da touca um panfleto da pizzaria que ela e Rachel sempre pediam. Não seria muito abuso convida-lo para jantar com ela, seria? Ela pegou a touca e o panfleto e caminhou de volta até a sala.
- Eu só deixo você pegar uma letra se você ficar e dividir uma pizza comigo. – Ela sorriu e Harvey retribuiu. Por essa ele não esperava. Aparentemente, o dia estava cheio de surpresas. E ele estava amando cada segundo dele.
- Não precisa pedir duas vezes. Posso pegar minha letra agora e depois discutimos um sabor?
- Claro. – Donna balançou atouca e abriu em sua frente. Assim que Harvey retirou a mão de dentro segurandoum papelzinho, a ruiva sorriu e piscou para ele. – Discutiremos o sabor desdede que ele seja marguerita com champignon.
