Entre a Raposa e o Falcão

Escrita por BastetAzazis

Capítulo 9: Partida para Suna

Com a chegada do Exame Chuunin, líderes de várias vilas se dirigem a Suna, e isso inclui Naruto e Sasuke.

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Não foi difícil Shikamaru convencer o Hokage a permitir sua partida imediata para Suna depois de lhe contar o paradeiro de Hanabi. Naruto havia acabado de receber a notícia de que Sakura ainda permaneceria por tempo indeterminado no Som, e o fato da mensagem ser assinada pelo Sasuke e não diretamente por sua noiva, fez com que cada palavra do Shikamaru entrasse e saísse dos seus ouvidos sem serem realmente assimiladas. Tudo o que ele sabia é que Shikamaru tinha um plano para restabelecer a paz entre a jounnin desaparecida e o clã Hyuuga, e ele confiava em seu conselheiro.

A viagem ao lado de Ten Ten foi tranqüila. Quando os dois chegaram próximos ao País do Vento, Hanabi se juntou aos dois e eles seguiram juntos para Suna. Pouco depois de cruzarem a fronteira entre os dois países, Temari já esperava por eles para escoltá-los até a vila ninja.

- O que ele está fazendo aqui? – a kunoichi da Areia perguntou olhando fixamente para Shikamaru com os olhos estreitos.

- O Shikamaru nos ajudou a deixar a vila sem levantar suspeitas – Ten Ten respondeu. – Graças a ele, Hanabi não correrá mais o risco de ser considerada uma traidora por ter deixado Konoha. O Hokage já sabe de tudo e aprovou esta viagem.

Temari assentiu com a cabeça e acenou para que os três a seguissem. Se Ten Ten não tivesse presenciado uma das muitas desculpas que Temari usava para sempre estar em Konoha tratando de assuntos diplomáticos jamais diria que havia um clima diferente entre a kunoichi de Suna e Shikamaru.

O grupo seguiu em silêncio. Suna não estava longe, mas a caminhada no deserto era cansativa. Quando chegaram, as meninas foram conduzidas por Temari até seus aposentos, enquanto Shikamaru se encarregou de entregar pessoalmente ao Kazekage os documentos da missão de Ten Ten e, ao mesmo tempo, aproveitar para deixar o líder da Areia a par do problema de Hanabi e da futura reunião armada por ele e Naruto entre as duas irmãs Hyuuga.

Como esperado, Gaara não negara um favor ao velho amigo e Kage, e cansado da viagem, Shikamaru agradeceu pela oportunidade de seguir para um quarto onde pudesse descansar o resto da noite.

- Eu o acompanho, Shikamaru-san – o irmão do Kazekage ofereceu.

O jounnin da Folha assentiu com a cabeça e seguiu Kankurou pelos corredores da enorme residência do Kazekage.

- Então, Shikamaru – Kankurou começou, num tom não muito amigável –, você chegou mais cedo que o esperado em Suna e ainda pretende passar todo o tempo até a final do Exame Chuunin aqui?

- Algum problema com isso, Kankurou-san? – ele perguntou, caminhando ao lado do seu anfitrião com as mãos enfiadas no bolso.

- Nenhum – foi a resposta. – Eu só fico me perguntando o que faz um jounnin da Folha passar tanto tempo no deserto de Suna.

- Questões diplomáticas e os preparativos do Exame Chuunin podem parecer missões simplórias, mas ainda assim são missões. Só estou cumprindo o meu dever – Shikamaru replicou mordazmente.

- Sei... – Kakurou assentiu, tentando fingir uma educação que já estava à beira dos limites. – Mas eu imagino que alguém como você deve ter uma garota na Folha, e tanto tempo longe de casa pode ser penoso...

- Garotas são problemáticas – Shikamaru afirmou, começando a se preocupar com o tom da conversa. – Passar um tempo longe é bom para deixá-las com saudades.

Felizmente, a caminhada parou e Kankurou acenou para a porta onde seria o quarto de Shikamaru pelo próximo mês. Aliviado por não ser mais obrigado a continuar com o interrogatório dissimulado, o jounnin abriu a porta, apenas para fechá-la logo em seguida sem entrar, dar meia volta e encarar Kankurou, rezando internamente para que ele não tivesse conseguido perceber sua irmã deitada na cama lá dentro.

- Err... Obrigado por me acompanhar e boa noite, Kankurou-san.

- Está tudo bem aí dentro? – o shinobi da areia perguntou franzindo o cenho, desconfiado.

- Claro! O quarto parece ótimo – Shikamaru respondeu. – Foi uma viagem cansativa, não vejo a hora de descansar por algumas horas – completou, colocando o melhor sorriso falso no rosto.

- Está bem... – O outro jounnin ainda parecia desconfiado. – Vou deixá-lo descansar, mas antes escute o meu conselho... Se as mulheres de Konoha são problemáticas, as de Suna podem ser ainda mais...

Shikamaru levantou uma sobrancelha, como se não tivesse entendido o recado. Kankurou ainda o considerou por um segundo, reafirmando a ameaça silenciosa, e saiu.

Apenas depois de se certificar que estava sozinho no corredor, Shikamaru voltou a abrir a porta do quarto. Desta vez, Temari apareceu bem na frente dele, provavelmente estava encostada na porta antes dele entrar.

- Meu irmão estraga-prazeres estava incomodando, é?

Shikamaru deu um longo suspiro, pedindo por paciência para enfrentar aquela mulher.

- O que você está fazendo aqui? – perguntou para Temari, que parecia divertida com os apuros dele.

- Não gostou da surpresa? – ela replicou com outra pergunta. – Você pode voltar para o meu irmão se prefere a companhia dele...

- Você sabe que não é isso... – Shikamaru respondeu, segurando-a pela cintura para puxá-la para si e beijá-la na boca. – Você quase me deixou numa bela enrascada se o Kankurou-san a visse aqui – ele disse, sério, depois que seus lábios se afastaram.

- Hunf! – Temari bufou. – Desde quando os jounnins da Folha têm medo da Areia? Eu só não estou decepcionada com você – ela continuou, levantando o rosto para que seus lábios roçassem na orelha dele – porque você intercedeu pela Hanabi com o Hokage – completou, sorrindo.

Shikamaru levantou um dos braços pelas costas de Temari, e num movimento rápido, a empurrou contra a parede, descendo os lábios pelo pescoço dela. Ele não havia completado seu raciocínio para Kankurou, mas embora problemática, a sua Temari era um risco que valia a pena correr.

Entretanto, para seu espanto, ela o empurrou para traz antes que ele pudesse desatar o kimono dela.

- O que meu irmão quis dizer com "mulheres de Konoha"? – ela perguntou com os olhos estreitos. – Você está me traindo?

Ah, claro... Se as mulheres eram sinônimo de problema, Shikamaru tinha que se envolver com a mais problemática de todas elas. Ele apenas deu um longo suspiro, tentando se lembrar como fora tão ingênuo a primeira vez que Temari o convidou para admirar o luar de Suna... Suas noites nunca mais foram tranqüilas depois daquilo.

- Acredite, Temari – ele finalmente concedeu uma resposta para a loira que o ameaçava com os olhos –, você já me dá trabalho suficiente por duas.

Ela continuou o encarando com olhos inquisidores.

- Eu sei – ela sorriu de repente. – Você é preguiçoso demais para me trair...

Antes que Shikamaru percebesse, ela já estava caminhando e rebolando em direção a cama, o laço vermelho que usava na cintura agora em volta do pescoço dele, obrigando-o a segui-la. Shikamaru soltou um suspiro... Aquele seria um longo mês... Driblar o Kankurou durante o dia e a Temari à noite...

Sorrindo para si mesmo, Shikamaru agarrou o kimono preto dela pelas costas e o puxou, fazendo-o deslizar pelo chão e descobrindo que ela não vestia mais nada abaixo daquela peça de roupa. Ela se virou para ele, mas ambos já estavam perto da cama, e ela se sentou na beirada, enlaçando as pernas em volta dele.

A visão o inebriava. Temari estava nua, esperando por ele. Muito mais linda que qualquer um dos seus sonhos ou que suas lembranças do último encontro deles. E então ele a ouviu, baixinho:

- Eu senti saudades...

Aquela não era a irmã do Kazekage, a kunoichi mais temida de Suna. Era a sua Temari... A mulher mais carinhosa e o maior problema da sua vida – mas ele nunca disse que não gostava deste tipo de problema...

Com os olhos ainda admirando a visão na sua cama, Shikamaru se ajoelhou, e mergulhou a boca nos seios convidativos dela. Ele sentiu as pernas enlaçadas se apertarem em volta dele e os gemidos sussurrados eram quase uma música para seus ouvidos. Ele não sabia explicar por que, mas alguma coisa dentro dele queria ouvir aqueles gemidos cada vez mais altos, queria ver aquela mulher enlouquecer com ele.

Gentilmente, ele retirou as pernas dela e as afastou, deslizando as mãos pela parte interna das coxas dela, abrindo caminho e provocando mais gemidos. Os lábios desceram pelo corpo dela habilmente, até encontrarem seus dedos e tomarem seu lugar. Temari tentou repreender um gritinho e agarrou os cabelos dele, guiando a língua atrevida que a explorava.

Ela não agüentaria por muito tempo, mas antes que seus gemidos ficassem mais fortes e o ar parecesse insuficiente para preencher os pulmões, Shikamaru se afastou, encarando-a com os olhos tão brilhantes que a fazia se sentir uma rainha, admirada pelo seu súdito. Isso a fez desejá-lo mais, e ela o puxou para a cama, subindo por cima dele e abrindo suas roupas. Ele continuava com os olhos presos nela, intoxicados, e ela só queria beijá-lo. Os olhos, a boca, o pescoço, o ombro, o peito. Ela o queria dentro dela, e como uma rainha determinada, ela o fez.

Shikamaru esqueceu de todas as preocupações que ocuparam a mente durante o dia. Com uma recompensa dessas todas as noites, ele resolveria de bom grado todas as questões diplomáticas entre Konoha e Suna, entre Konoha e o resto do mundo ninja. Era apenas Temari quem conseguia deixá-lo tão leve quanto as nuvens e fazê-lo flutuar sem ao menos ter deixado o chão.

Ele precisava de mais missões em Suna. Felizmente, teria um mês inteiro delas!

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E aquele mês passou rapidamente, não apenas para o Shikamaru, mas para a Sakura também. Seus deveres no Som a mantinham com a cabeça ocupada o dia inteiro, e à noite, a presença do Sasuke a impedia de se arrepender ou sequer pensar que não podia continuar naquele sonho para sempre. Algumas vezes ela se pegava temendo acordar no seu quarto em Konoha, e quando o sentido de responsabilidade lhe dizia que ela precisava voltar e ter uma conversa séria com o Naruto, sempre havia a desculpa que seu comprometimento com suas duas novas alunas e com a organização da ala hospitalar do Som ainda a manteria ali por mais algum tempo.

E quanto mais ela se envolvia com as afazeres no Som, mais ela começava a sentir fazendo parte daquele lugar. Aos poucos ela conheceu a história de cada um dos shinobis do Som, quase sempre envolvendo alguma vila destruída e familiares perdidos. Ela se comoveu com ninjas que se recusavam a sair do labirinto de corredores subterrâneos para a luz do sol, envergonhados com suas deformações, causadas por alguma experiência mal sucedida de Kabuto e Orochimaru, e lamentava pela quantidade de órfãos que tinham apenas a vila como sua única família. Não era apenas a conversa difícil que teria que enfrentar com o Naruto quando fosse para Konoha que a impedia de voltar, aos poucos, Sakura se sentia mais realizada no Som, e incapaz de abandonar tantos que precisavam dela.

Ela se apegou principalmente a Yuzu e Momiji, suas duas novas alunas. Sakura estava abismada com a dedicação e a evolução das duas no pouco tempo que ela estivera ensinando-lhes ninjutsu médico. Yuzu parecia ter um dom natural para o controle do chakra, enquanto Momiji era inspirada pela recuperação de Satoshi. O chuunin havia se livrado do efeito do veneno, mas a recuperação total seria lenta, e ele ainda estava internado no hospital, recebendo as visitas diárias da companheira de time. Certa vez, Sakura foi obrigada a rir silenciosamente quando o garoto repeliu o abraço da amiga, reclamando que ela o apertava demais, para simplesmente depois pegá-lo observando Momiji distraidamente enquanto ela arrumava algumas flores num vaso. Será que o Sasuke era tão óbvio assim quando eles tinham aquela idade, e apenas ela e sua baixa auto-estima não percebiam?

No mesmo dia, Rioko foi falar com ela quando Momiji não estava por perto:

- Sakura-sama, obrigado por cuidar do Satoshi. Se alguma coisa tivesse acontecido com ele, eu não sei o que seria da Momiji-chan...

Sakura percebeu a sensação de inutilidade na voz do garoto e deu um sorriso encorajador, abaixando-se para ficar na mesma altura dos olhos dele.

- Você gosta muito dela, não é mesmo?

Ele apenas assentiu com a cabeça.

- Então – Sakura continuou, tentando animá-lo –, você ficaria do lado dela, iria alegrá-la na ausência do Satoshi-kun... e isso é tão importante quanto a habilidade de um médico ninja.

- Talvez – ele respondeu, cabisbaixo. – Mas não seria a mesma coisa para a Momiji-chan. Ela nunca mais iria sorrir sem o Satoshi com a gente.

A constatação de Rioko fez Sakura se calar por um instante, tentando repreender lembranças do seu próprio tempo de gennin.

- A perda de um amigo, de um ente querido – ela insistiu depois, levantando o queixo do menino para que ele a olhasse nos olhos – é muito triste. Tenho certeza que ela ficaria do mesmo jeito se fosse você no lugar do Satoshi-kun.

- Não, não ficaria – Rioko respondeu prontamente. – Não do mesmo jeito.

Sakura não soube o que responder, apenas lhe concedeu um sorriso amigável como consolo.

- Mas eu não me importo – o garoto continuou animado, mudando totalmente de humor. – O Satoshi só finge que não se importa, mas eu sei que ele sempre fica diferente perto dela, e enquanto meus amigos estiverem felizes, nós seremos sempre um time unido, é isso que me importa.

Dizendo isso, ele deu meia volta e saiu, sem nem esperar uma resposta da Sakura. Mais tarde, ela comentou o acontecido com o Sasuke, e os dois permaneceram em silêncio por um bom tempo. Eles jamais tocavam no assunto Konoha ou Naruto enquanto estavam juntos, evitando lembrar que Sakura um dia precisaria voltar... Evitando admitir que estavam ignorando o terceiro elo da sua célula tripla por tempo demais...

- Acho que está na hora de eu voltar para Konoha – Sakura quebrou o silêncio, ao mesmo tempo que a decisão partia seu coração.

Sasuke continuou calado.

- Eu preciso esclarecer minha posição em Konoha – ela insistiu. – Você mesmo disse que não me queria aqui como uma fugitiva.

Ele se inclinou para frente na poltrona, apoiando os cotovelos nas pernas e o rosto nas mãos. Sakura estava em pé, admirando a vista do jardim interno iluminado pelo luar, mas virou-se para encará-lo quando ele falou:

- O Chuunin Shiken começará dentro de alguns dias em Suna – ele disse, pensativo. – O Naruto estará lá e eu sou esperado como líder do Som.

- Você e o Naruto? Em Suna? – Sakura empalideceu.

- Algum problema? – Sasuke franziu o cenho, desconfiado. Os olhos dele penetrantes nos dela.

- Não... – ela respondeu, lutando para não gaguejar. – É só que... Depois de tantos anos... Pensar em você e no Naruto juntos... É... é... – ela procurou a palavra, mas a única coisa que conseguiu descrever a sensação que ela tinha naquele momento era: - ...estranho.

- Hã... – Sasuke deu de ombros e se levantou da poltrona, seguindo para o banheiro.

Sakura, por outro lado, não conseguia se mover. Era como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. Ela tinha protelado por tanto tempo contar ao Sasuke sobre o Naruto e agora... Não podia correr o risco de deixá-lo descobrir por outra pessoa, principalmente se fosse pelo próprio Naruto, sobre seu infeliz noivado. Ela sempre se odiara por ser um dos motivos da rivalidade entre os dois, e agora só estaria alimentando aquilo ainda mais...

- Sasuke, espere! – Ela reuniu suas forças para correr até ele e puxá-lo pelo braço. Quando ele se virou para ela, continuou: - Se você encontrar com o Naruto, não fale nada para ele sobre nós, sobre minha decisão de ficar no Som.

Ele franziu o cenho e notou Sakura ainda mais pálida e aflita. Continuou observando-a ainda por algum tempo, sem dizer nada, como se estivesse esperando que ela confessasse alguma coisa. Como ela também permaneceu o tempo todo em silêncio, apenas com os olhos suplicantes para ele, Sasuke resolveu lhe conceder mais uma chance de se explicar:

- Sakura – ele disse, sério –, tem alguma coisa sobre o Naruto que você tem que me contar?

Por um momento, Sakura desconfiou que Sasuke já sabia o que ela vinha escondendo dele e só estava esperando que ela lhe contasse. Mas não... Não fazia sentido... Sasuke jamais tivera contato com eles desde que Naruto fora nomeado Hokage até aquela carta pedindo por ajuda... E por mais que ela agora entendesse perfeitamente a diferença dos seus sentimentos pelo Naruto e pelo Sasuke, ela ainda não podia explicar tudo para os dois, não com eles se reencontrando pela primeira vez em anos e sem ela no meio para evitar um possível desastre.

- Não... – ela respondeu, tentando fingir o máximo de tranqüilidade que podia. – É só que... O Naruto... Ele já sofreu tanto quando você partiu... Vai ser uma conversa difícil, e eu não gostaria que ele soubesse por outra pessoa, mesmo sendo você, da decisão que eu tomei de ficar aqui, no Som... com você.

Sakura esperou os segundos de silêncio antes de Sasuke respondê-la com o coração apertado. Mas Sasuke simplesmente deu de ombros e disse:

- Está bem. Quando eu voltar de Suna, nós iremos para Konoha e resolveremos tudo com o Naruto. – E voltou para seu caminho em direção ao banheiro.

Sakura ainda continuou olhando para a porta que ele fechou depois de passar, confusa. Ele estava diferente... Ela não sabia dizer como, mas a forma como ele a encarou ao perguntar do Naruto, ela chegou até a temer que o Sharingan tivesse a habilidade de ler mentes e que ele fosse usar isso contra ela. E depois... aquela indiferença... Ela mordeu os lábios, sabia que a decisão certa a se tomar era esclarecer tudo o que acontecera entre ela e o Naruto, mas o silêncio era o melhor que ela podia fazer naquele momento.

E o silêncio continuou nos dias seguintes, até a manhã que Sasuke partiria. Sakura tinha despertado cedo, preocupada com o que poderia acontecer entre Sasuke e Naruto e aflita por ter que continuar no Som com o coração temendo jamais ser perdoada pelas duas pessoas mais importantes da sua vida.

Mas como sempre, suas preocupações se dissiparam quando ela sentiu os braços do Sasuke puxando-a para o calor do corpo dele.

- Vou sentir saudades de acordar todas as manhãs ao seu lado – ele sussurrou no ouvido dela, ainda sonolento.

- E eu vou ficar tão sozinha aqui... – Sakura choramingou, virando-se na cama para ficar de frente para ele. – Por que você tem que resolver ir a uma reunião de Kages justamente quando eu estou aqui? – ela continuou a lamúria, fingindo um beiço.

Sasuke deu um sorriso de canto.

- Eu pensei que você fosse ficar feliz de ver eu e o Naruto como amigos de novo.

Sakura se desvencilhou dos braços dele e sentou na cama antes de responder:

- Eu estou feliz por vocês dois. É só que eu sinto que já deveria ter voltado para Konoha antes disso...

- Não se preocupe – Sasuke afirmou, sentando-se na cama de frente para ela. – Não vou falar nada para o Naruto, e assim que eu voltar para o Som, seguiremos para Konoha. Não adiantaria nada você partir agora com o Naruto em Suna.

Sakura sorriu fracamente. Sasuke mudou o assunto, divertido.

- Ah... Fico imaginando aquele dobe como Kage... Ele não era nem capaz de perceber aquela menina que vivia corando ao lado dele... Espero que ele tenha ficado mais esperto agora, não ficou?

Sakura piscou, confusa. Sasuke sempre evitara falar de Konoha ou do Naruto... ainda mais com aquele tom tão alegre e saudoso.

- Co... como assim?

- Oras, Sakura... Vai dizer que você também nunca percebeu? Aquela menina Hyuuga... Ela estava sempre atrás dele, e ele sempre preocupado com ela e perguntando por que ela estava vermelha... – Sasuke riu. – Espero que eles já tenham passado dessa fase agora.

Sakura arregalou os olhos. O coração quase parou com o susto.

- Você quer dizer... O Naruto e a... Hinata? – Sakura perguntou, franzindo o cenho. – Ela é a líder do clã Hyuuga agora, mas eles não... Quero dizer, eu nunca percebi...

- Hinata Hyuuga! – Sasuke exclamou ao ouvir o nome, sem dar atenção ao resto das palavras de Sakura. – Era ela mesma. Eles formariam um casal interessante, não acha?

Sakura fez uma cara de quem não estava entendendo nada...

- Eu acho que você bateu a cabeça bem forte em algum lugar – respondeu. – O Sasuke que eu conheço não se interessa pela vida amorosa dos outros.

Ainda se divertindo, Sasuke levantou apenas um canto dos lábios, no sorriso discreto que fazia Sakura se derreter com ele.

- Esqueça essas bobagens, eu estou muito tempo longe de Konoha – ele disse. E depois de se inclinar para frente e beijá-la, continuou: - Eu preciso me arrumar para viajar, mas não se preocupe, Karin e Suigetsu sabem o que os aguarda se alguma coisa acontecer com você enquanto eu estiver fora.

Sasuke e Juugo partiram algumas horas depois, deixando uma Sakura aflita e confusa para trás. Ela não podia negar que a idéia de Naruto e Hinata juntos a balançou, e relembrando de todas as indiretas da Ino a alertando sobre a intimidade entre eles dois, as palavras do Sasuke pareciam fazer cada vez mais sentido. Não que ela desconfiasse que Naruto a traía com a líder do clã Hyuuga, mas agora ela sabia que sempre fora um empecilho para a felicidade do amigo, e a única coisa que podia fazer era desejar que o noivado mal-entendido entre eles terminasse o mais rápido possível.

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Enquanto Sasuke brincava com a união entre o Hokage e a líder do clã mais poderoso de Konoha, os dois personagens de seus delírios esperavam impacientemente nos portões da vila pelo ANBU que faria sua escolta até Suna.

- Não se preocupe, Hinata-chan, você vai conseguir trazer sua irmã de volta, e vai mostrar para todos aqueles anciões chatos que é uma ótima líder.

Hinata sorriu docemente.

- Naruto-kun... Você não deveria se preocupar com isso. É um problema do meu clã. Não é justo incomodá-lo com isso quando você tem uma Konoha inteira para comandar.

- Não é incômodo – ele respondeu. – Hinata, uma vez eu prometi para você que quando fosse Hokage eu proibiria esses costumes antigos dos Hyuuga. Eu não fiz nada quanto a isso até agora, mas eu não volto atrás com a minha palavra, dattebayo!

- Naruto-kun... – Hinata começou, lutando para segurar as lágrimas emocionadas que começaram a se formar nos olhos. Mas ela não sabia o que dizer, e os dois ficaram se olhando por um tempo que lhes pareceu uma eternidade, ambos incapazes de quebrar aquela magia.

Mas eles tinham um compromisso, e o pigarro do Sai os alertou que estavam prestes a sair em viagem.

- Me desculpe pelo atraso, Naruto-sama.

- Oh... Sai-san, não se preocupe – foi Hinata quem falou primeiro. – O clã exigiu que o Neji-niisan me acompanhasse como escolta, e parece que ele também está atrasado.

O rosto dela estava vermelho como um pimentão, ela podia sentir... e estava se recriminando mentalmente por isso. Após a morte do pai, Hinata precisou aprender a controlar sua timidez para ser capaz de administrar e liderar o clã. Até mesmo perto do Naruto ela conseguia se controlar, já que passou a ser obrigada a conviver com o Hokage. Quando ele anunciou para todos seu noivado com a Sakura-san, ela aceitou que sua paixonite pelo menino rejeitado nunca fora mais que uma admiração infantil, e ficou mais fácil parecer indiferente ao lado dele. Mas desde que a Sakura-san partira para o Som, o Naruto-kun estava diferente. E eram tantos problemas, com a Hanabi-neechan fugindo de Konoha e a exigência do seu casamento com o Neji-niisan, e agora o Naruto-kun se lembrando daquela promessa tão antiga... Era preciso ter nervos de aço para agüentar tudo aquilo e ainda conseguir fingir indiferença.

Felizmente para Hinata e Naruto – que também estava incomodado com o fato da líder dos Hyuuga o perturbar tanto nos últimos dias – Neji chegou logo em seguida ao Sai. O jounnin não parecia estar de bom-humor, e o grupo começou sua viagem sem mais nenhuma palavra. Sai se lamentando por ter que passar as próximas noites longe da sua musa inspiradora, Naruto, Hinata e Neji tentando esquecer dos seus próprios problemas amorosos.

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A viagem continuou em silêncio até o grupo atingir o País do Vento. Era cansativo viajar pelo deserto, mas Neji continuava alerta.

- Hinata-sama! – ele chamou, o Byakugan ativado.

- Eu sei – ela respondeu, também utilizando o doujutsu do clã.

Sai empunhou sua katana, enquanto Naruto vasculhou em alerta a sua volta.

- É uma tempestade de areia – Neji finalmente explicou. – Mas há homens se movendo dentro dela. Precisamos ficar juntos e procurar abrigo antes que cheguem até nós.

Os acontecimentos seguintes eram apenas uma lembrança borrada na mente do Naruto. A tempestade de areia era, na verdade, uma emboscada, preparada por bandidos comuns, mas muito espertos, esperando uma recompensa valiosa se conseguissem seqüestrar qualquer um dos kages esperados em Suna. A líder de um dos clãs mais poderosos, donos de um doujutsu invejável, seria mais um bônus para os aproveitadores.

Sai e Neji se dividiram para proteger o Hokage e a líder Hyuuga e, em algum momento, Naruto se livrou dos bandidos, mas acabou sendo pego pelas armadilhas da areia. A última coisa que ele lembrava é que tentava respirar, tentava retirar a areia que o afundava, mas estava sufocando. Ele estava quase desistindo de lutar...

"Não! Merda! Eu não posso morrer agora! Eu tenho que cumprir a promessa para a Hinata-chan! Dattebayo"

A imagem da Hinata, enrubescida e com olhos emocionados e esperançosos olhando para ele antes de saírem de Konoha preencheu sua mente. Ele lutou, tentou se mexer, tentou gritar... Afinal, ele não podia morrer agora e deixar a Hinata-chan desamparada, ele tinha que dizer o quanto ela era importante para ele!

Ele lutou mesmo sem ar, até que sua consciência o deixou, segundos antes de encarar os olhos perolados que o encontraram enterrado na areia.

Continua...

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N.A.: Obrigada a todos que têm deixado reviews e que ainda não desistiram da fic. Este cap foi especial para os fãs de ShikaTema! Foi meu primeiro hentai com o casal, espero que tenham gostado!

Para os que leram os capítulos passados com atenção, vão descobrir que tem muita gente mentindo nesta história. Assim, talvez seja necessário relembrar algumas falas para entender melhor o que está por vir nos próximos capítulos. Afinal, Naruto e Sasuke finalmente estarão cara a cara!