ALVO POTTER e a Cúpula Arcada
Capítulo 10 – O Piano de Madame Laurè
Na manhã seguinte, as aulas seriam mistas de Lufa-Lufa e Grifinória, uma combinação que dava certo. A primeira aula seria História da Magia, com Profa. Marlaia, e Alvo se encontraria com Rose lá. No caminho, percebeu o vazio que tomava os corredores amplos da escola. Platus e Hagrid estavam na porta, ajeitando alguns alunos que iriam com o Expresso para Tenbury. Rose, Escórpio e Alvo ficaram.
Profa. Marlaia estava esperando na porta, como sempre fazia. Trazia às mãos um tipo estranho de livro com olhos piscantes.
- Entrem, entrem. A aula será um pouquinho mais curta... Deixa eu ver... – Ela disse vagarosamente, esticando o enorme pescoço e deixando a cabeça magra e ruiva à mostra para as pessoas mais do fundo. – 1, 2, 3, hm, 11, 12... É, parece que metade da turma foi para o velório. – Encerrou. Sua sala era a mais suja que Alvo já passara, e enormes teias saíam da escada que levava às masmorras. Aos dois lados do quadro negro, prateleiras que iam até o teto de livros surrados pareciam levantar e mostrar olhos macabros como os do livro que a professora carregava a qualquer momento.
-É, é. Abram na página 437. – Alvo olhou para Rose, que retribuiu o olhar. A garota levantou a mão, e logo a professora autorizou-a:
- Professora, não temos livros. – Rose disse, tentando desviar o olhar do livro-que-pisca. A professora tremeu o queixo, de vergonha.
- Ah, ah... Sabe como é, desde a morte de Paul Harrison por tombo da torre não acontece uma tragédia dessas... – Samantha Kingston, uma aluna da grifinória, olhou para sua amiga Lucia McLugger como se estivesse apavorada pelos detalhes. A professora, ainda tremendo, estalou os dedos rapidamente, como Briam havia feito na última aula, só que falando umas palavras. "Biblihabent",e o efeito foi o mesmo. Livros foram conjurados igualmente sobre cada classe das duplas, e, para a infelicidade dos alunos, todos piscando olhos cinza e gigantes freneticamente.
Na página 437, assim como todas as outras, não havia nada, a não ser uma estranha boca feminina com lábios carnudos bem no centro da folha. A professora andou pelos corredores entre as classes, passando com a varinha sobre as bocas em uma estranha dança. Em cada livro, sussurrava palavras inaudíveis que faziam os lábios se contorcerem e começarem a gritar uma penca de informações que se confundiram com a mistura de sons. No fundo da classe, a professora gritava:
- TENTEM... PEDIR... PARA ELA... FALAR... MAIS BAIXO... E DEVAGAR... – Foi o que Alvo entendeu. Rose que fê-lo. "Fale baixo, por favor! E repita tudo mais devagar." Os lábios se contraíram como se tivessem irritados. Certamente se eles virassem para a primeira folha veriam olhos rancorosos como os de Briam. Então a boca recomeçou a falar, agora com um tom de voz suave e muitíssimo mais lento do que desejavam. Alvo cochichou no ouvido de Rose que daria menos trabalho se deixassem assim. Ela afirmou com a cabeça, sem deixar de prestar atenção no que a boca falava. A professora, deixando claro sua desorganização, sentou em uma cadeira ainda no fundo da sala e esticou as pernas, quase dormindo, enquanto o livro fazia tudo por ela.
Para não se perder nas palavras, Rose riscava rapidamente com a pena as palavras-chaves do texto em uma folha velha. – Não quero me dar mal nos exames. – Ela disse.
A aula acabou junto à hora do almoço. O salão principal estava tão vazio quanto o resto da escola. Sentados à mesa principal, estavam Briam, Profª. Mirna, Profª. Marlaia, Hagrid e Neville. Mighking e Platus provavelmente estavam resolvendo com o Ministério o caso de Patrick.
Briam aumentou a voz – Esta semana receberemos a visita prestigiada do nosso amigo Rubeus Hagrid, que estava fazendo pesquisas na Romênia. – Ele disse, com desdém. Alguns olhavam estranho para o gigante enquanto outros vibravam como se conhecessem há anos, o que de fato ocorria com os alunos do quarto ano para cima.
Um homem de ombros largos, braços fortes e um cabelo castanho escuro entrou ao salão vestindo uma roupa diferente de todas que Alvo já viu. Trazia um enorme capa preta e uma vassoura de Quidditch do último modelo, a Nimbus 10,000. Neville levantou, com um sorriso.
- Para distrair os alunos em luto hoje à tarde, Mighking convidou o conhecido Oliver Wood para dar umas aulinhas para vocês hoje a tarde. – O professor disse. As mesas reconheceram o famoso goleiro dos Dodgers-Wizzy, importante time de Gales. Ele também foi goleiro da Grifinória na época de Harry, e o próprio tutor dele. Enquanto os alunos vibravam, Oliver subiu na vassoura, deu um impulso, e sobrevoou as mesas de rasteiro, emocionando todos. Enquanto ainda estava no ar, uma revoada de corujas de diversas espécies entraram no salão ao voaram ao lado de Wood, uma coisa que nem ele esperava. Enquanto ele sobrevoou as mesas por separado, ainda ladeado por corujas, algumas desciam aos seus donos trazendo papéis colados à pata. Na mesa da Lufa-Lufa, Guija, a coruja de Alvo, desceu como um raio e se ajeitou sobre o ombro do garoto. Ele puxou o papel e leu.
"Alvo, querido, sentimos tanto a sua falta. Soubemos do que houve, e desejamos boa sorte para superar tudo isso. Como vai Hogwarts? Esta quarta terão uma surpresinha... Um velho amigo de seu pai irá aí dar algumas aulinhas de... você verá.
Abraços, Ginny."
Alvo já havia recebido outras várias corujas de seus pais, mas nunca dera interesse. Esta aí parecia se tratar de Oliver.
Depois do almoço, antes de todos saírem, Wood deu um aviso rápido de que as aulas começariam dali a meia hora e haviam roupas especiais sobre as camas de todos os alunos. Alvo abriu um sorriso.
Já no estádio, uma pequena multidão cercava Oliver Wood, que pairava suavemente sobre todos com a companhia de Rose, que fora escolhida como ajudante dele, por já saber bastante coisa do jogo. Algumas poucas vassouras velhas que sobraram estavam dispostas no chão, e Alvo catou a menos destruída. Oliver pousou com profissionalismo, enquanto Rose continuava voando.
- Para começar, vejam o jeito correto de dispor a vassoura no corpo, assim como eu estou fazendo. – Disse ele, botando a vassoura entra as pernas em diagonal, e segurando com as mãos um pouco acima do peito. Todos copiaram corretamente, exceto David McDonald, que era sempre desajeito com coisas simples. De longe, Alvo viu Carl, Julio e Líbia sentados na arquibancada como desprezando a aula.
- Agora, dobrando um pouco os joelhos, dêem um impulso forte. – O professor disse. Alvo o fez, mas voltou ao chão com o mesmo efeito de um pulinho qualquer. Ao seu lado, os gêmeos Goyle estavam esborrachados no chão, e mais adiante, Peter Medved, da Soncerina, voava controladamente como Oliver e Rose. – Continuem tentando. – disse Oliver. Alvo deu outro impulso, ainda mais forte, e ao ver, estava indo cada vez mais pra cima, sem sair do limite, e suavizando sobre a multidão que não conseguira. Um time pequeno de cinco alunos que tinham conseguido se formou ao lado de Wood, Rose e Peter. Voando, Rose foi ao encontro de Alvo.
- Muito bom! Pode até jogar. Aliás,... – Ela abaixou o tom, como se fosse falar um segredo. -... Oliver me falou que vai ter um jogo. – Rose disse, abrindo um enorme sorriso. Alvo imitou. A idéia de Mighking para abafar o caso realmente estava funcionando.
- Agora, os que conseguiram voar, montem dois times, e treinaremos os lances básicos. – Disse Oliver. Rose passou entregando coletes azuis e verdes para as pessoas dos times. Alvo ficou no time Azul, chefiado pela garota. Oliver foi para o outro lado do campo, para chefiar o seu time.
- Pra começar, vamos treinar a quaffle, a começar pelo arremeçou ao gol. – Rose disse, apontando para os três aros no seu lado do campo. - Quem atira a quaffle é um dos três artilheiros. – Ela disse, jogando a bola para Peter. Ele, sem jeito, foi até a baliza e atirou a bola, que acabou acertando cinco metros mais para baixo.
- Desculpe, desculpe. Não mostrei direito. É assim que se faz. – Rose disse, pegando a bola e voando até a baliza mais alta. Jogou o cotovelo para trás e depois atirou-o para frente. A bola foi como um raio. – Sua vez de tentar, Alvo. – Ela disse, dando uma piscadela para o garoto. Ele pegou a bola e foi. Mirou bem, jogou o cotovelo para trás, certificou-se mais uma vez da mira, e relaxou, atirando o corpo todo para frente, em um lance involuntário. Ele sentiu a bola milhões de vezes mais pesada, o que realmente acontecera. Enquanto ele balançava preso pelos pés de cabeça para baixo na vassoura, um piano preto de cauda-longa caiu no chão com um estouro, no lugar onde era para estar a bola. Todos se levantaram, enquanto Rose foi ajudar o amigo. Oliver e o pessoal do outro time foram ver o que estava acontecendo. Novamente uma multidão se formou, agora em volta do enorme piano estirado no chão com pedaços de madeira e cordas ainda balançando.
Da arquibancada, veio um fantasma de uma mulher muita magra que vestia um vestido gordo até a canela e parecia ter vindo do século dezenove, que olhou desesperada para o piano.
- Meu querrido piano! Como deixarrom ista acontecerr? Erra meu melhorr amiga! – Ela disse. Pirraça foi ao lado dela, rindo da situação. Outro fantasma velho e que parecia muito experiente chegou à multidão, analisando a cena.
- Madame Laurè, não se exaspere. Podemos... - - o fantasma disse, sendo interrompido.
- NÓN! Vocês nón podem nada! Minha piano está sofrrendo neste chão frio! Quem ousou fazerr isso com ele! – A fantasma disse. Depois, de tanto gritar e chorar, desmaiou sobre os braços do fantasma. Ele levou-a de volta para o castelo, enquanto a multidão se dispersava.
Um grito de desespero veio do chão, onde Susan e Katerine estavam. Todos os objetos do jogo se transformaram em algo perigoso. Os bludgers estavam transformados em enormes rochas cinza do tamanho de filhotes de elefante, e o golden snitch estava virado em uma lança pontuda e cheia de espinhos no corpo.
- O que houve aqui? – Perguntou Oliver para as garotas.
- Estávamos aqui e aconteceu de repente, nem vimos direito. – Disse Susan. Nas arquibancadas, Julio, Carl e Líbia riam incansavelmente. Briam se levantou e foi até o campo.
- A aula está cancelada por hoje! – Ele gritou. Os alunos fizeram um olhar triste e saíram, enquanto veio Hugo VanPraet, professor de transformação, e fez todos os objetos voltarem ao normal para Oliver guardá-los.
Nos jardins, Alvo se encontrou com Escórpio, Rose, Susan e Kate.
- Eu disse! Eu disse! Tem alguma coisa muito estranha nessa escola! – Susan se gabou.
- O que houve? – perguntou Escórpio, que estava estudando na biblioteca.
- Todos os objetos do jogo de Quidditch viraram coisas perigosas. Um piano, rochas e uma lança espinhenta. Quase morri quando aquela bolinha virou um piano enorme. – Disse Alvo. Escórpio ficou de boca aberta. – Vou à cabana de Platus hoje a noite. Hagrid deverá estar lá, e eles saberão de alguma coisa. – Alvo continuou.
- Eu acho que é coisa do Pirraça. – Disse Rose. – ... não que ele tenha exatamente matado alguém, mas o enforcamento pode ter sido por acidente...
- Não, ele é idiota mas não é burro o bastante para fazer isso. – retrucou Kate. – Pra mim, é Briam. Aquela cara dele não engana.
Entraram no castelo e preferiram ir tomar um copo d'água.
