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UMA SKATISTA DIFERENTE

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.Capítulo 10.

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Elle Girl

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Talvez a skatista ainda estivesse um pouco em choque com a situação do dia anterior. Talvez fosse sua cabeça que ainda estivesse rodando pelo tombo que tomara ao pisar errado no skate, prestes a sair de casa.

Mas ela ainda pensava na situação toda. Quer dizer, na coisa dos The Wolfs, Mukuro e seu irmão.

Kagome, com Sango como testemunha, tinha certeza que tinha visto First Wolf no elevador. Certeza. E sabia que, bem, ele sabia que tinha sido reconhecido. Porque ele formou um semblante tão assustado quanto o delas provavelmente estava, depois que deu aquela batidinha no capuz da blusa.

Ele sabia quem ele era. E sabia quem elas eram. Fãs. Fãs que reconheceram o ídolo.

Quer dizer, não era tão difícil pressupor que fossem fãs. Sempre que Kagome não estava com o uniforme da escola, estava com alguma roupa com emblemas da sua banda favorita. Era óbvio que ele sabia que elas sabiam quem ele era.

Oh, Deus. E tudo isso aconteceu porque ela desconfiava do irmão de Mukuro. Quer dizer, ela já desconfiava dele, e depois disso esbarra sem querer num dos outros integrantes da banda no prédio onde o cara morava?

A explicação para tudo àquilo era quase óbvia. Seichiro era um Wolf. First Wolf era amigo de Seichiro. E visitava constantemente o amigo. Pelo que Kagome pressupunha, pelo menos.

E Miroku e Rin e Mukuro sabiam daquilo. Ah, sabiam...

Kagome se sentia tão idiota por não ter descoberto isso antes. Se bem que ainda ia fazer uma semana que conhecera Takahashi Mukuro...

-Ohayo... Kag. – ouviu a voz de Sango a tirando do devaneio. A skatista ergueu os olhos na direção da amiga. Mal tinha percebido que já tinha chegado à escola...

-Ohayo. – ela respondeu. As duas sustentaram o olhar por mais alguns instantes. E em seguida suspiraram.

Ainda era muita informação para assimilar de uma vez só. Não era seguro fazer balburdia sobre aquele assunto. Não como sabiam que Kaze Kagura provavelmente faria. Aliás, por falar na garota, ela certamente já devia estar munida de um pé de sapato e as meias que dizia ser de Lord Maru... Levando em consideração que as amigas viram First Wolf no dia anterior, completamente desnudo no rosto, e com roupas casuais; não parecia mais tão absurdo que Lord Maru tivesse se escondido no apartamento da Kaze depois da perseguição na Rock Jidai...

Kagome suspirou. Aquele ainda ia ser um longo dia...

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Os saltos batiam insistentemente contra o assoalho que compunha a estrutura do chão do apartamento dos Taishou. Dona de olhos brilhantemente azuis, pele branca como nuvens, e chamativos cabelos naturalmente ruivos, Ayame Tomoshi, produtora da atual banda mais famosa do Japão, estava à beira de um ataque de nervos, enquanto falava ao radio comunicador, sem parar. Amaldiçoava com mil e um diferentes tipos de verbetes o maldito vocalista que dera à limusine o endereço do apartamento 'secreto' em que dois integrantes dos Wolfs moravam. Na verdade, temporariamente três.

A mídia toda esperava do lado de fora do prédio, prontos para bater quaisquer cliques dos integrantes dos The Wolfs. Sorte que não era uma casa... Por morarem em um prédio, a imprensa nunca descobriria ao certo o numero do apartamento deles. Aquilo, se vazasse, seria uma informação e tanto para muitos tabloides.

Em um tom nervoso, Inuyasha ouviu a ruiva anunciando ríspida para os caras na sala:

-Certo! Depois de hoje, vocês não poderão mais morar aqui. Logo depois que voltarmos da Elle Girl, Inuyasha, Sesshoumaru e Bankotsu se alojarão na casa dos Kagewaki. Aquela casa tem um contrato de venda antigo, por conta dos proprietários – os pais de Rin e Naraku – já terem falecido há algum tempo... É só instalar os equipamentos de segurança corretos e vocês não terão que conviver com os paparazzi tentando invadir o quintal todos os dias. –ela completou, suspirando levemente aliviada por ter conseguido uma resolução para aquele problema.

Inuyasha suspirou. Embora Ayame parecesse ligeiramente mais calma depois de propor tal solução, sua voz aguda permitiu que o hanyou ouvisse claramente todas as palavras que ela usara dali, do seu quarto.

Tinha acordado uma hora mais cedo aquela manhã. E o uniforme escolar não foi a roupa escolhida para vestir...

Se encarando no espelho naquele momento, o que Inuyasha via não era o temporário Mukuro Takahashi, de cabelos vermelhos e com uniforme do último ano do fundamental. O que ele via, era o guitarrista dos The Wolfs, aclamado por fãs e que sempre fazia bonito nos palcos.

O cara que nunca pareceria ter apenas quase dezesseis anos.

Ao invés dos cabelos curtos e vermelhos, o hanyou, naquele dia em especial, não precisou usar sua peruca. Suas madeixas longas e prateadas escorriam livres e soltas pelas suas costas, finalmente libertas da prisão de fios vermelhos. Apenas uma boina negra e cheia de botons cobria o alto de sua cabeça. Sobre o corpo, ao invés do uniforme do Hitomiko School, o hanyou usava um belo jeans preto e detonado. Que provavelmente nunca o deixariam sequer por os pés no colégio caso estivesse com uma peça daquelas.

Sobre o tronco, uma regata cinza em farrapos fazia a vez com um colete jeans escuro. Seus antebraços eram cobertos por gazes até a altura dos cotovelos; munhequeiras espinhosas jaziam em seus pulsos, e suas garras estavam cobertas por esmaltes negros como a noite.

Inuyasha ergueu o olhar para o espelho. Fitou seu próprio olhar, dourado como o do irmão. E, por fim, posicionou a última peça que faltava para que ele finalmente se tornasse Dark Great.

A máscara comum a toda a banda. O objeto negro que cobria seus narizes e bocas, e permitia que eles levassem uma vida no anonimato quando não estavam realizando trabalhos para a banda.

A máscara que permitia que ele fosse Mukuro Takahashi e pudesse ir à escola durante algum tempo ao invés de estudar à distância.

Era o que permitia que ele fosse alguém normal. O que fazia com que Kouga pudesse ir ao mercado da esquina comprar papel higiênico sem que criasse uma multidão de histeria.

Piscou algumas vezes, se encarando no espelho. Seus olhos pareciam ainda mais dourados com toda aquela maquiagem escura ao redor deles.

Aquele era Dark Great.

-Está pronto, pivete? – Inuyasha viu pelo espelho o irmão se esgueirando pela porta de seu quarto. Sesshoumaru estava como sempre. Calças de couro, coturnos, e uma regata cinza e totalmente fora de seu tamanho. A peça larga caía sobre um de seus ombros. Para este dia ele se enfeitou um pouco mais e colocou algumas correntes presas ao seu cinto de rebites dourados, assim como luvas sem dedos nas mãos, que faziam brilhar os anéis de crânios em seus dedos. No pescoço, jazia uma coleira – espinhuda como as munhequeiras do hanyou. E no rosto, a mesma máscara de Inuyasha, os mesmos cabelos prateados, que escorriam como cascatas cor de lua pela roupa escura – só que sem nenhuma boina no alto de sua cabeça. E os olhos... Estavam no mesmo tom de dourado, evidenciados pelos traços escuros ao redor deles. As marcas arroxeadas nas bochechas e testa de seu irmão também pareciam pulsar sobre a pele branca, com toda aquela carga de acessórios e roupas negras nele.

Inuyasha se virou, dando um puxão no colete.

-Estou. – disse numa voz firme. Sesshoumaru esboçou um sorriso.

-Vou ligar para a escola.

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-VOCÊS O QUE?! – Kagome e Sango se encolheram com o grito que Miroku deu em plena sala de aula, batendo as duas palmas contra a carteira em que as duas se apoiavam. Seus olhos púrpuros estavam arregalados, e sua boca pendia aberta.

Sorte que o professor ainda não tinha chegado. O grupinho onde Kagura se gabava com as peças de Lord Maru dispersou um pouco de atenção para o grito de Miroku.

-Shiiiiu. – Kagome balançou freneticamente as mãos para que o rapaz baixasse o tom. Tentando, mas ainda praticamente guinchando, ele continuou:

-Vocês me seguiram?! – ele ainda estava completamente incrédulo. Sango, irritada com a irritação do rapaz, jogou ríspida:

-É, seguimos o Margarido sim. – ela começou, irônica. – Qual é! O que é que tem de tão 'assim' para essa reação toda?! – fez aspas com as mãos. Miroku respirou fundo, tentando conter sua surpresa.

O que tinha, cara Sango, era três wolfs vivendo anonimamente num apartamento que ninguém poderia descobrir onde era. Ah, e claro, mais um Wolf como visita, que, por um acaso, as senhoritas haviam topado sem querer no elevador. Ele imaginava o desespero de Kouga com a situação.

Agora entendia o sorriso amarelo que ele tinha no rosto quando chegou com o papel higiênico e os energéticos sob o braço.

-Não tem nada. – o rapaz resmungou. Viu uma sobrancelha da skatista se arqueando. –Só que eu não esperava que estivessem tão fissuradas em mim assim. – ele emendou sério. Recebeu um tapa no braço por parte de Sango.

-Deixa de ser besta. – ela retrucou. –Não ouviu por acaso o que acabamos de dizer?

-Claro que ouvi! – ele disse pouco alto. –O que é... Um absurdo.

-Heim?! – Kagome repetiu incrédula. Seus olhos piscaram algumas vezes enquanto encaravam fixamente Miroku, a procura de qualquer sinal de que ele estivesse brincando. Mas ele parecia bem sério. Ou quase isso. Mas ela realmente vira First Wolf! Não tinha duvidas!

-Não seja tão cético, Miroku. – Sango disse, ácida. –Primeiro aquela coisa da Rock Jidai, depois o irmão do Takahashi, e agora First no mesmo prédio deles. Tá na cara que eles estão em Tóquio. E escondidos nesse bairro, por sinal. Pode desembuchando o que você sabe!

Miroku ficou branco. Kagome percebeu o suor começando a escorrer em sua testa.

-Vocês estão lelés! – ele fez uma careta. –Porque eu saberia de alguma coisa?!

-Porque você é amiguinho daquele Takahashi! – Sango acusou.

-E o que isso prova?! Estão achando realmente achando que Mukuro tem algo com os The Wolfs?! – ele perguntou mantendo seu melhor tom incrédulo, fazendo questão de deixar implícito na frase que, se as garotas realmente pensavam aquilo, deviam estar doidinhas de pedra.

-Seichiro é um Wolf! – Sango apontou novamente. Kagome deu uma espiadela nas garotas ao redor de Kagura, se certificando que elas não estivessem ouvindo nada daquela conversa. Tudo que ela menos precisava era que Kagura resolvesse espalhar pela internet o boato de que sabiam a identidade de um Wolf...

-E porque você acha isso? – Miroku replicou num tom desdenhoso, quase risonho. Seichiro, um Wolf? Há.

...

Você não podia estar mais certa, Sangozinha.

-Ele foi coberto às pressas quando nós fomos vê-lo, ontem, no furgão! Kagome quem percebeu! – Sango já estava começando a ficar irritada com o tom jocoso de Miroku. Kagome viu a sua deixa para argumentar naquela conversa, principalmente para impedir que Sango voasse com suas mãozinhas de patinadora sobre o pescoço do amigo.

-Ele estava usando os óculos de Rin. Aquele lenço laranja e a máscara de resfriado provavelmente também foram coisas dela. E Mukuro estava todo nervoso...

Oh, Deuses, o rapaz praguejou mentalmente. Elas descobriram tão facilmente... Tinha que achar uma saída para aquela conversa, e rápido!

-Pffff. – Miroku balançou a cabeça negativamente, fazendo um gesto de 'não importa' com uma das mãos. –Vocês não sabem de nada. – ele disse quase divertido. Sango ergueu as sobrancelhas. No instante seguinte, estava debruçada sobre a carteira do rapaz, com o quadril empinado para fora. Kagome viu os olhos de Miroku se arregalando com a situação.

-Exatamente o que nós não sabemos? – ela perguntou numa voz... Quase sensual; não fosse pela raiva e pela impaciência praticamente explicitas em seu tom.

Miroku, limpando a garganta, endireitou as costas.

-Seichiro, o irmão do Mukuro, tem problemas genéticos. – ele anunciou numa voz séria. Viu os olhos da skatista e sua amiga aderindo instantaneamente à incredulidade.

-Heim?! – as duas disseram juntas. Tomando uma pose de legítimo sabe-tudo, o rapaz continuou.

-Isso aflige bastante o Mukuro... Então ele tem vergonha. O irmão dele tem o rosto desfigurado, e sofre com a queda de cabelos, por conta de uma doença hereditária... Ele não gosta de aparecer em público. Não com aquela cara feia e aquela careca brilhante. O cara parece um monstro. Ele certamente não queria que vocês se assustassem com a feiura do irmão dele, já que é um problema intratável... – Miroku espiou a reação das duas. Pareciam estar acreditando naquela historia toda. Ele continuou: – Só o tanto de cirurgias que Sessh – tsc! – Seichiro já fez... Quero dizer, se ele fosse confundido com um Wolf sem estar com qualquer disfarce ele certamente estaria pulando de alegria nesse exato momento!

Ah, se Sesshoumaru sequer desconfiasse do que Miroku estava falando dele... O rapaz torceu para que as duas garotas engolissem aquela historia.

-Isso... É serio? – Kagome perguntou pensativa. –Mas, então... E First Wolf? Nós vimos First Wolf!

-Devia ser outra pessoa. – Miroku emendou rápido.

-Não. – Sango disse firme. –Era First Wolf.

Miroku sentiu sua espinha gelar. Ergueu as mãos em defesa própria.

-Se vocês estão dizendo... – ele disse dando de ombros. –Kagura também diz que Lord Maru brincou de bonecas com a irmã dela. Então acho que as aparições dos The Wolfs podem ser bem relativas. – ele concluiu arqueando uma sobrancelha. Viu os olhos de Sango o fuzilarem.

Ela o puxou pelo colarinho do uniforme. Miroku arregalou os olhos, assustado com o gesto.

-Nós. Vimos. First. Wolf. – ela disse aumentando a dosagem de força sobre o pescoço do rapaz a cada palavra. Sua voz saía entre dentes.

Miroku fez uma careta. Mas como ela era forte!

-Ok, ok! – ele se rendeu. Sango soltou sua roupa. –Se vocês estão dizendo, quem sou eu pra duvidar! Só quero dizer que Seichiro não tem nada a ver com esse First aí.

A skatista suspirou. Sango bufou e caiu sentada, de braços cruzados, na cadeira da carteira a frente da do rapaz.

-Ah, se você estiver mentindo... – ela sibilou, lançando olhares desconfiados na direção de Miroku.

-Quer apostar um beijo? – o rapaz perguntou, um sorriso charmoso brotando em seus lábios. Kagome segurou o riso. Sango soltou um 'pfff' e se virou emburrada para frente.

-Nem morta. – ela retrucou, marrenta. O sorriso nos lábios de Miroku só se acentuou.

Kagome, revirando os olhos, nem viu quando o professor entrou na sala.

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Inuyasha tinha uma carranca sobre o rosto. Mesmo com a máscara tampando-lhe metade da face, ainda era visível que o hanyou estava irritado. Praticamente marchava pelo hall do prédio atrás dos amigos e companheiros de banda. Se o pessoal que se juntara ali na recepção não parava para ver os The Wolfs, certamente parava para ver o hanyou pisando duro atrás dos outros. Isto é, Dark Great pisando duro atrás dos outros Wolfs. Isto se os moradores soubessem definir quem era quem.

-Ora, grande guerreiro, não precisa ficar tão ressentido! – Bankotsu, que agora era Second Crash, esticou o braço para tentar bagunçar o cabelo prateado do hanyou. Inuyasha se desviou.

Podia ouvir o murmúrio que a imprensa fazia do lado de fora. O porteiro certamente parecia espantado com toda aquela balburdia por causa de apenas alguns caras que se vestiam como punks. De certo ele nem sabia que aquele tipo de gente morava no prédio...

-Não fale comigo. – Inuyasha grunhiu. O vocal soltou uma gargalhada. Bankotsu, como Wolf, era um tipo bem suspeito. Ele sempre usava roupas diferentes demais, mas sem fugir do tema do resto da banda. Seu visual para Elle Girl naquele dia se fazia apenas de uma camiseta de gola alta e sem mangas, cheia de alfinetes segurando suas diversas partes unidas, na frente do corpo. Gazes cobriam todos seus dois braços, e ele usava uma calça social por dentro dos coturnos. Em cada mão havia uma luva de couro sem dedos e diversas correntes faziam parecer que suas calças logo iriam ao chão. O hanyou se sentia bem mais comportado em vista das roupas de Second Crash. –Você sabe que eles vão falar aquilo na frente da classe toda, né? – Inuyasha perguntou num tom suplicante.

Acontece que, Bankotsu, como o grande enxerido que era, havia ligado para o Hitomiko School antes de Sesshoumaru, se passando por seu irmão.

-Claro que sim! – ele disse, ainda rindo. –Essa é a parte legal.

E, nutrido de um profundo sentimento pelo hanyou, ele anunciou o motivo que Rin sugerira para que Mukuro Takahashi não pudesse ir às aulas naquela quinta-feira como um aluno normal. Disse à diretoria da escola que aquela manhã Takahashi Mukuro acordara com um intenso trabalho intestinal, que o impedia de poder assistir as aulas do dia.

Inuyasha se limitou a lançar um olhar odioso para aquele cara.

-Idiota.

-Opa, opa, grande guerreiro. Acha que só porque é Dark Great que uma dor de barriga não o atingiria? – ele perguntou desdenhoso.

-Claro que não. Mas não precisava deixar isso explícito dessa maneira. Todos vão achar que...

-E é melhor que pensem isso a descobrirem que você na verdade não é um Takahashi e muito menos teve que faltar por conta de uma dor de barriga. – Sesshoumaru cortou o assunto dos dois. Bankotsu deu um estalo com a língua. Inuyasha suspirou. –Agora fiquem quietos antes que Ayame comece a gritar de novo.

Assentindo, Inuyasha pousou seus olhos nas duas figuras que iam logo à frente. Ao lado de Ayame, que sempre se vestia dignamente como a bela produtora que era, sempre de saltos e conjuntos de terninhos, ia Kouga, com as roupas de First Wolf. Assim como seu irmão, ele usava calças escuras e cheias de penduricalhos. Seus cabelos estavam presos num rabo alto, bandana marrom na testa, máscara sobre o rosto e olhos bem contornados. Seu diferencial era que First Wolf não gostava muito de camisetas. Quase sempre que aparecia em público, seu tronco desnudo era apenas coberto por coletes cheios de tachas. Tinha uma imensa coleção deles, cada um em um tecido, de um jeito diferente. Kouga apenas incrementava seu visual com muitos e muitos colares masculinos, que sempre evidenciavam seu tronco desnudo e seu esforço em manter o abdômen em dia. Vezes ou outras ele cobria parte de seu corpo com gazes sujas de carvão, como o hanyou fizera com os braços. Hoje era um desses dias.

O barulho da imprensa ficou mais alto. Inuyasha via, ainda do lado de dentro, os flashes disparando na calçada assim que Ayame, ao lado de Kouga, puseram os pés para fora do edifício e começaram a guerra para chegar até a limusine. Felizmente Ayame providenciou alguns seguranças. Quatro caras enormes continham os paparazzi, mas mesmo assim os microfones e câmeras ainda pulavam sobre eles. Sesshoumaru seguiu atrás dos dois primeiros, e logo atrás dele vieram Inuyasha e Bankotsu.

Como se tivesse a capacidade de se desligar para os ruídos que os paparazzi faziam, Inuyasha ignorou toda a bagunça de câmeras, microfones e pessoas, e rumou até a limusine, cujo motorista segurava aberta a porta de entrada. Era estranho pensar que toda aquela gente só queria mesmo era ver se conseguia alguma notícia de quem afinal eles eram. Informação essa que, se eles tivessem sorte, a imprensa não poria as mãos tão cedo.

Afinal, era bom poder viver no anonimato às vezes. Inuyasha, particularmente, não saberia se aguentaria aquele tipo de vida todos os dias se não pudesse relaxar um pouco como uma pessoa comum.

Sentiu uma cotovelada de uma mão com um microfone. Uma repórter com microfone cor-de-rosa perguntava-lhe algo quase aos berros. Inuyasha não entendeu o que era. Seus olhos ficaram presos na figura da repórter.

-Não se deixe perder, Dark. – Bankotsu disse próximo ao seu ouvido, apoiando uma mão nos ombros do hanyou e o empurrando mais rapidamente em direção à limusine. Pelo canto dos olhos Inuyasha viu a jovem repórter ficando para trás.

Naquele momento o hanyou sentiu o estalo da realidade em sua mente. Era verdade que o anonimato era algo confortável. E que eles deviam preservar isso, o quanto pudessem. Mas nada mudaria o fato de que aqueles quatro caras, mais um a caminho, nunca deixariam de serem os The Wolfs.

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-AHHHH! – um grito ecoou na sala de aula, logo após o professor anunciar que Takahashi Mukuro não compareceria às aulas do dia por motivos de saúde. Dezenas de pares de olhos se direcionaram à Kaze Kagura, que estava vermelha como uma maçã, segurando com mãos trêmulas o aparelho celular aberto.

-Srta Kaze, algum problema? – o professor perguntou arqueando uma sobrancelha. Kagura respirou fundo, duas vezes, se abanando com as mãos. As garotas perto delas fizeram o mesmo, enquanto Kagura tentava se acalmar. Mas não estava conseguindo seu melhor desempenho, já que bastava olhar para o celular para que ela tornasse a ficar vermelha e hiperventilando.

-Não. – ela respondeu ao professor. –Sinto muito. Já estou bem. – completou, cortês, ainda sob pares de olhares de estranhamento. Desconfiado, o professor deu início a aula.

Kagome nem se assustou quando um papelzinho pulou em sua mesa, assim que o professor se virou. Espiou pelo canto dos olhos sua amiga Sango, que apontou num gesto com a cabeça para Kaze Kagura. Ela continuava vermelha, olhando para o celular, sob a mesa. Kagome enviesou suas sobrancelhas e abriu o papel que Sango lhe mandara.

"O que será que ela tem?" ela perguntava. Kagome encolheu os ombros. Rabiscou uma resposta com letras meio corridas.

"Pergunte para ela." Respondeu simplesmente. Quando mandou de volta o papel à Sango, recebeu um olhar carrancudo. Kagome deu de ombros. Sango começou a escrever o bilhetinho para Kagura. Lançou com precisão o objeto na mesa dela, que apenas percebeu-o depois de um tempo, quando desviou o olhar do aparelho olhos vermelhos se voltaram na direção da skatista e da amiga. Sango fez um gesto para que ela lesse o papel. Kagura o abriu, entediada. Já imaginava seu conteúdo.

Dois minutos depois e a bolinha voltou voando para a mesa de Sango.

Ela abriu e leu o que Kagura havia escrito. Kagome viu quando a amiga começou a mudar de cor. Antes que tivesse a oportunidade de perguntar o que tanto havia naquele papel, Sango lançou-o em sua direção. Kagome abriu impaciente o bilhetinho.

Escrito com a letra de Sango, estava a mesma pergunta que ela fizera à Kagome, e que a skatista mandara-a perguntar à própria Kagura. Sob o escrito de Sango, em uma letra caprichada, estava a resposta de Kagura. E enfim Kagome entendeu o que a fizera gritar.

"Os The Wolfs estão na cidade."

Simples assim.

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Os olhos dourados vagavam pelas imagens janela afora da limusine. Sentia uma sensação nostálgica. Em sua mente, relembrava a primeira vez que viera à Tóquio, com Sesshoumaru, um mês depois que sua mãe morrera. Seu irmão aparecera como um verdadeiro salvador em sua vida, com um timing perfeito. Afinal, o que seria do hanyou como órfão aos doze anos sem ninguém para lhe prestar tutela?

Certamente, não o guitarrista de uma das bandas mais famosas do Japão.

Estavam num dos centros de Tóquio: Shinjuku. Pessoas andavam atarefadas e com pressa por todos os lados; informes comerciais piscavam em letreiros gigantes nas paredes dos prédios. Um destes prédios piscantes (particularmente, o maior de todos eles) era o destino da limusine negra que passeava pelas ruas de Tóquio, levando a atenção de quem caminhava e pelo menos quatro dezenas de adolescentes com cartazes coloridos ao seu redor, dominando as calçadas já abarrotadas de gente e causando uma verdadeira balburdia no trânsito.

Mirando as garotas lá fora, Kouga já estava pronto para jogar mais lenha à fogueira. Seu dedo já escorregava para o botão do teto solar quando Ayame o repreendeu, sempre atenta aos gestos do lobo.

-Nem pense nisso, Sr Wolf. – ela disse num tom desafiador. Felizmente, a única a quem os The Wolfs sucumbiam era sua produtora.

Kouga choramingou.

-Só um tchauzinho, sua chata. – ele formou um bico, cruzando os braços numa pose emburrada. Sesshoumaru rodou os olhos.

-Nem um tchauzinho. – ela outorgou num tom sugestivamente cansado. Revisou alguns papeis sobre seu colo. –Escutem, meus queridos. Cedi à Elle vinte minutos de entrevista e três fotos, que vocês devem usar para promover o último álbum e os shows avulsos que agendamos. Shido Hikari será a entrevistadora de vocês. – ela concluiu dando ênfase à última frase.

Dona de um estilo alternativo, com seus cabelos curtíssimos e expressivos olhos negros, sempre combinados com os lábios carnudos pintados de vermelho sangue, Shido Hikari era a sensação no mundo artístico-jornalista. Conhecida por ser persuasiva e muito insistente, a redatora conquistou com louvor seu atual emprego numa das revistas mais famosas do público feminino japonês: Elle Girl.

Mas Ayame sabia muito bem das técnicas libidinosas que a entrevistadora geralmente punha em prática durante seu trabalho com artistas masculinos, e temia que seus garotos caíssem nas armadilhas da jornalista que um dia já fora modelo...

Seu trabalho era garantir que nada escapulisse das cercas que ela já havia programado.

-Uhhh, sério que a senhorita delícia que vai nos entrevistar? – Bankotsu espichou os olhos para cima da produtora. Seu tom sugestivo não agradou nem um pouco Ayame.

-É. – ela confirmou com semblante duro, enquanto Second Crash abria um sorriso perverso e recebia um soquinho no braço de Kouga. –Mas, - Ayame interveio. Os cinco Wolfs responderam em um uníssono 'ih...' – Tenho que alertá-los algumas coisas sobre essa Shido.

-Essa Shido... – Naraku imitou-a. – Já começou... – o baterista afundou-se no estofado de couro.

O baterista havia sido apanhado pela limusine na porta do hotel onde se hospedara, bem mais próximo do centro. Adianto já que a primeira coisa pela qual ele perguntou, quando conseguiu passar pela horda de paparrazzi e fãs e finalmente entrou no veículo, foi como estava a irmã mais nova. Inuyasha deu-lhe alguns detalhes da melhora do azedume de Rin nos últimos dias e de como ela estava passando o tempo no apartamento dos Taishou. Depois de um tempo pensativo, o baterista confessou aos amigos que tinha em mente, se a irmã concordasse, levá-la consigo nas viagens que os Wolfs faziam e manter seus estudos a distancia, como Inuyasha fazia.

O hanyou teve lá suas dúvidas se Rin concordaria com algo assim.

-Prestem atenção! – Ayame retrucou. –Sei que vocês a acham bonita, coisa e tal, mas vocês têm que entender que é isso que ela usa para distrair caras solteirões e famosos como vocês para que ela consiga as respostas que quer para a revista vender! Vocês, como meus garotos, simplesmente não podem se desviar do cronograma de assuntos que eu elaborei para suas respostas... Kouga! – a produtora interrompeu seu discurso quando viu que o lobo a imitava falando.

-Ei! – ele reclamou quando recebeu um beliscão da mulher. –Qual é, Ayame. Somos solteirões e famosos – ele usou o termo que ela os classificara anteriormente – Mas não somos burros não! Bem, talvez o Bankotsu, mas não vamos sair contando nada que não devêssemos à imprensa! – ele retrucou.

-Concordo com Ookami. Largue mão desse seu ciúme tolo. – Sesshoumaru assentiu.

Inuyasha podia ver a produtora se tingindo imediatamente de vermelho. Tinha a impressão de que a qualquer momento fumaça sairia pelos seus ouvidos.

Ele estava certo. Bem, não literalmente, já que Ayame não começou a soltar fumaça, mas sim uma enxurrada de palavras.

-Tudo bem! Vão lá e caiam nas gracinhas daquela Shido então! Mas não digam que não os avisei quando ela começar a apelar e se insinuar para cima do Inuyasha querendo respostas mesmo ele sendo mais de uma década mais novo do que ela!

-Wow! Quanta raiva! – Naraku arregalou os olhos. Bankotsu começou a rir.

-Eu sabia que ela estava com ciúmes. – ele comentou, recebendo uma encarada de Sesshoumaru. –E bem, não se preocupe, querida produtora, Shido-chan pode ser realmente mais velha que o nosso Inu-kun, mas ele também não aparenta ser um pirralho da sua idade.

-Shido-chan! – Ayame repetiu como se fosse uma blasfêmia. –Ah meu Deus... – ela esfregou o rosto com as mãos, nervosa. Suspirou e começou a folhear os papeis em seu colo, como se procurasse neles uma solução para seus problemas com aqueles caras. Porque eles simplesmente não a ouviam quando mais deviam?

Sentiu um peso afundando o banco de couro ao seu lado. Dark Great passou uma mão pelo seu ombro, consolador. Ayame sentiu a profundidade dos olhos dourados a fitando.

Não conseguia enxergar o adolescente de quinze anos no meio de tantas referências (roupas, acessórios, maquiagem) o transformando no guitarrista da banda que ela gerenciava. Naquele momento em especial, Inuyasha parecia muito mais velho. Mas ela admitia que sempre que trajado daquela forma o garoto se transformava...

-Não se preocupe tanto, Ayame-chan. Dou um jeito nesses caras quando chegarmos lá. E você sabe que Sesshoumaru também não é nenhum boca aberta, não é? – ele disse simpático. Viu as bochechas do hanyou se erguendo em um sorriso por baixo da máscara negra. Ela se permitiu sorrir junto, esquecendo por um momento das provocações que os outros Wolfs sempre faziam consigo.

No final, por mais que tentasse mascarar de todas as formas, Inuyasha era só um adolescente. Agia e se comportava como um adolescente. Ele tinha direito a isso com a idade que tinha; mas aprendera, conforme o andar da vida e da carreira que iniciara desde muito novo, a ter um comportamento verdadeiramente maduro perante situações que envolviam a mídia. Às vezes, até mais do que seus colegas mais velhos demonstrariam.

Às vezes, Ayame só queria cuidar daquele garoto. Não deixá-lo a mercê de tantas dores que o mundo oferecia. Queria protegê-lo. Sentia que aquela era sua obrigação.

Enquanto os caras conversavam espalhafatosamente dentro da limusine, aguardando o momento de chegada ao prédio da Elle Girl, os olhos da produtora correram sobre eles, analisando-os em um daqueles momentos de reflexões sobre a vida. Percorreu cada um dos integrantes, desde Kouga, o vocal que gostava de chamar toda a atenção que pudesse para si; Naraku, o baterista que era meio calado, mas que amava o que fazia e sempre zelava pela irmã, acima de tudo; Bankotsu, o palhaço daquele grupo todo; até parar em Sesshoumaru, o indiferente baixista que assumira a tutela de Inuyasha quando o hanyou perdera a mãe. O meio irmão que fazia o papel de uma família toda para aquele garoto.

Ayame se surpreendeu quando viu que ele tinha os olhos voltados em sua direção. Ergueu uma sobrancelha prateada inquiridoramente quando viu que a produtora o encarava. Viu seus orbes dourados indo em direção ao irmão e retornando a ela.

E Ayame sorriu. Sorriu porque sentiu que, mesmo que sem admitir, havia mais uma pessoa encarregada de proteger aquele hanyou. Dando um beliscão carinhoso o braço enfaixado do Taishou mais novo, ela segredou, apenas para ele:

-Vou contar com você, Inu-kun. – e Inuyasha ergueu as sobrancelhas em resposta, provavelmente fazendo alguma careta que não se deixou ver completamente por conta da máscara.

Gritos começaram a ficar mais altos, mesmo com a música de fundo tocando nos autofalantes da limusine. Mirando os olhos muito azuis pelos vidros escuros, Ayame constatou a enorme quantidade de mídia e fãs que os aguardavam na entrada do hotel onde a equipe da Elle Girl havia reservado uma sala para a entrevista: Park Hyatt Tokyo Hotel. Simplesmente o melhor hotel de Tóquio...

Ela retornou o olhar para sua banda arruaceira.

-É a hora de vocês, The Wolfs.

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O sol do intervalo sempre deixava o terraço da escola com um aspecto agradável. Ótimo para passar o intervalo. Uma pena Kagome só descobrir isso em seu último ano naquela escola. Sango, agitada como nunca, caminhava ao seu lado, se controlando para não roer suas unhas bem feitas.

A skatista até entendia a agitação da amiga: ela mesma também estava assim, embora não tivesse unhas bem feitas para roer. Então tudo que podia fazer era ver a brisa brincar. Especialmente com os fios que escapavam da prisão de grampos que segurava um coque nos cabelos da pessoa a frente das duas. Pessoa essa que, aliás, contribuía bastante com aquela agitação, também estando agitada.

Porque a pessoa era Kaze Kagura.

Kagura se encostou casualmente na grade de proteção do terraço, se voltando para as duas amigas logo em seguida. As duas pararam e a encararam, esperando que qualquer palavra fosse dita. Os olhos vermelhos de Kagura estavam brilhantes enquanto ela permanecia calada, medindo Kagome e Sango, a procura das palavras certas para exprimir a informação que recebera durante a aula.

-Ok. – ela soltou num suspiro. Viu dois pares de pálpebras se abrindo consideravelmente à sua frente. Percebeu que pouco ajudaria medir palavras naquele momento. –Ok. – repetiu. –Os The Wolfs estão na cidade. – ela sentenciou, embora fosse algo que todas as três já tivessem conhecimento.

Sango arqueou uma sobrancelha. Kagura formou um bico com seus lábios sempre pintados de batom.

-Segundo a maioria dos sites de notícias que eu sigo... Eles saíram hoje de um prédio, não muito longe daqui, onde alguns membros da banda estavam morando anonimamente. – Kagura disse num tom pesaroso. Kagome demorou a digerir aquela informação... Aquela história era terrivelmente familiar. Num estalo, a skatista arregalou ainda mais os olhos, procurando pela amiga que presenciara a mesma situação que ela no dia anterior. Quando viu os olhos arregalados de Sango a encarando de volta, a skatista deixou seu queixo pender.

Era simplesmente verdade! Elas se encontraram mesmo com First Wolf então!

-Sabe o endereço? – Sango perguntou, com a voz pouco exasperada.

-Claro que sei. – Kagura arqueou uma sobrancelha, abrindo o celular de novo. Encarou a tela por alguns instantes. –Rua Tegushi Gomo, 244. – ela disse formando um bico enquanto ainda analisava o aparelho. –Pelo mapa... Hm, quatro quarteirões daqui. Não é muito longe, mas já da uma caminhadinha. Tem fãs montando um acampamento em frente ao prédio esperando os Wolfs voltarem, mas eu tenho lá minhas teorias de que eles não vão voltar para o mesmo lugar. – ela concluiu. –É um edifício familiar, e o maior apartamento tem só três quartos. Eles não caberiam todos lá...

Kagome piscou algumas vezes.

-Sango! – ela chamou. –Tegushi Gomo é mesmo...?

-É! – a amiga interrompeu. –Exato. É o prédio do Takahashi. Tenho certeza!

-Calma aí. – Kagura enviesou as sobrancelhas, balançando os braços para chamar a atenção das duas. –Takahashi? Do que estão falando?

As amigas se entreolharam de novo, com um sorriso um tanto cúmplice. Talvez fosse a hora de dividir com Kagura o ocorrido do outro dia. Ela estava sendo até que bem legal, contando todas aquelas coisas novas sobre os The Wolfs, quando podia muito bem guardar tudo para si mesma e ir sozinha ao tal acampamento. As duas deviam aquilo a ela, pelo menos. Foi Sango quem começou.

-Seguimos Miroku outro dia, porque desconfiávamos do irmão de Takahashi Mukuro. Sobre essa coisa dos Wolfs. - ela explicou. –E naquele dia, no elevador, nós duas topamos com First Wolf. – Sango emendou esperando pela reação de Kagura. Esta, por sua vez, piscou seus olhos vermelhos algumas vezes e encarou fixamente as duas garotas a sua frente.

-Vocês se encontraram com First? – a voz dela saiu mais aguda, depois que ela processou a informação. As duas assentiram, com os olhos brilhando. Kagura continuou, pensando alto. –Tudo por causa de um... Calma, e o que há com esse irmão desse cara aí?

Kagome se prontificou a explicar.

-Por vários motivos nós chegamos a acreditar que ele poderia ser um The Wolf tentando se passar por anônimo. – ela disse, vendo os olhos vermelhos e intensos de Kagura ficando maiores. –Daí nós seguimos Miroku, ontem, até o prédio do Mukuro e enquanto vasculhávamos o prédio nos deparamos com First Wolf, em roupas normais, descendo pelo elevador. Eu e a Sango ficamos em choque demais para ter alguma reação que possa ser classificada hoje como inteligente, então quando nos demos conta de quem era mesmo, disparamos pelas escadas de emergência. Mas acabamos perdendo First de vista. – a skatista disse com pesar.

-E o tal irmão? Não era um Wolf também?– Kagura perguntou agora visivelmente interessada. A história daquelas duas parecia bem mais acreditável do que a dela, em certos aspectos que se confirmavam depois.

-Hoje descobrimos com Miroku que Seichiro tem doença hereditária e é desfigurado, por isso ele andava todo estranho... E talvez Takahashi tenha vergonha. – Sango respondeu fazendo uma careta. Kagome arqueou uma sobrancelha.

Kagura assentiu erguendo as sobrancelhas.

-Oh. – ela fez. –Essa parece uma desculpa e tanto.

Kagome enviesou as sobrancelhas.

-Desculpa? – ela perguntou encarando a garota. O semblante de Kagura refletia o quanto a garota achava que tudo aquilo estava claro, depois das explicações das outras duas.

-Claro! – ela disse elevando a voz. –Ou vocês acreditaram mesmo em Miroku? Tá na cara que esse Seichiro é um Wolf!

Sango procurou Kagome com os olhos, fazendo uma careta.

-Não. – ela balançou a cabeça, num gesto insistentemente negativo. –Não tem como Seichiro ser um Wolf. Quer dizer, para isso, Miroku teria de estar envolvido com os The Wolfs de alguma forma...

-Se pensar bem não faz muito sentido. – Kagome emendou. Tinha que admitir que os fatos que Miroku relatara tinham lá sua força se relacionados com o que acontecera. Seu próprio cérebro se conformava mais com aquilo do que com Mukuro e Miroku tendo qualquer relação com os The Wolfs. –Quer dizer, é o Miroku, gente...

Kagura bufou. Seus ombros a arcaram enquanto ela parecia pensativa.

-Vocês tem razão. – ela formou um bico. –Não há como alguém como ele ter tais contatos! – exclamou fazendo um gesto com as mãos.

Sango assentiu, cruzando os braços.

-Acho que foi só uma coincidência o fato do Mukuro morar no mesmo prédio em que os Wolfs se escondiam. – ela concluiu. –De qualquer forma, ele deve estar doido com a bagunça que eles devem ter feito!

-E como! – Kagome concordou, se lembrando de que o amigo também era fã da banda. –Ele nem veio ao colégio hoje. Acha que o 'motivo de saúde' tem algo a ver com esse negócio da banda?

-Definitivamente. – Sango balançou a cabeça num gesto afirmativo. –Não foi Rin quem disse que ele sempre desmaiava quando via First Wolf? Como já podemos deduzir que First era um dos que estavam se escondendo no prédio, é quase certo que Mukuro deve ter topado com ele enquanto vinha à escola, ou sei lá, e ficou mal de emoção.

-Nossa. – Kagura comentou, estranhando a 'reação' de Mukuro. –Ele é... Tão fã assim? – ela perguntou desconfiada.

-Rin diz que sim. – Kagome respondeu, dando de ombros. –Também achamos estranho quando soubemos. Mas ele mesmo confirmou.

-Um cara desmaiando quando vê First? – Kagura insistiu. As duas a sua frente assentiram. Ela arregalou um pouco os olhos. –Vocês tem certeza de que ele não é gay, não?

Kagome e Sango se entreolharam.

-Não... Tenho ideia. – Sango disse rindo. As outras a acompanharam.

-Concordemos que é bem suspeito! – Kagura emendou. Kagome assentiu.

-Sim. Mas... Sei lá. – ela encolheu os ombros, pensativa. Não... não lhe agradava muito a ideia de que Mukuro fosse... Gay. Kagome sentiu os olhos vermelhos de Kagura recaindo sobre si. Por alguns instantes o silêncio foi o único dominante, até ser quebrado pela própria Kagura.

-Hmmmmmmmmm! – ela disse maliciosa. Kagome sentiu suas bochechas esquentando instantaneamente.

-O-o que foi?! – ela perguntou arregalando os olhos. Sango soltou um 'tsc'.

-É, eu também acho isso. Mas ela nunca me confirmou nada... – ela disse concordando com Kagura. Kagome ficou indignada.

-D-do que vocês estão falando?! Eu não... Não sinto nada pelo Mukuro! – disse rápido, na defensiva. Já fazia alguns dias que Sango estava a irritando com aquelas insinuações entre ela e Mukuro.

-Mukuro! – Kagura repetiu. –Já até chama pelo primeiro nome! – ela disse divertida. Kagome abriu a boca para reclamar de novo, mas gaguejou, resultando no complô de risos por parte das outras duas. Depois de se sentir completamente embaraçada e com o rosto pegando fogo, ela bufou, cruzando os braços e esperando que as duas parassem de rir do seu constrangimento.

Ela e Mukuro... Ora essa. Era só o que faltava. Tudo bem que ele era bem... Bonito. E tinha definitivamente os olhos de Dark Great. Mas, calmo lá, ele era... Bem, era seu colega de escola! Sequer o conhecia a uma semana! Não devia acontecer algo desse tipo entre quase completos desconhecidos.

-Ok, ok... – Kagura retomou o assunto, limpando as lágrimas que caíam de seus olhos de tanto rir. –Afinal, vocês querem ir ao tal prédio depois da escola?

-Definitivamente! – Sango respondeu de imediato. Kagura olhou para Kagome, que ainda tentava conter seu enrubescimento. A skatista balançou a cabeça num sinal positivo.

-Claro. – ela respondeu. –Não perderia isso por nada! – e ganhou um sorriso dos lábios pintados de carmim da nova colega.

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A chegada dos convidados especiais daquela tarde no Park Hyatt Tokyo foi denunciada pelo barulho que suas fãs faziam, que dominava tranquilamente todo o hall do hotel. Os cinco integrantes foram conduzidos, assim que chegaram, pelo próprio gerente do estabelecimento, até o cômodo onde a equipe da revista os esperava, assim como a entrevistadora famosa que conduziria o acontecimento: Shido Hikari.

Ayame não parava de beliscar First e Second Crash, cada vez que um dos dois soltava um comentário perverso sobre a entrevistadora. Elegante como sempre, Shido, naquela tarde, escolhera um look que combinava com as roupas mais diferentes dos garotos. Parecia uma modelo gótica, com sua saia longa de rendas; mas ao mesmo tempo investia em sensualidade, com o corset vermelho que aumentava seus seios e a longa fenda ao lado da saia, que revelava suas belas pernas. Seus cabelos negros estavam penteados para trás, presos por um arco vermelho sangue, que combinava com seu batom. A mulher abriu um belo sorriso assim que os cinco elementos adentraram a sala preparada para a entrevista.

-Olá, queridos! – ela disse cumprimentando cada um com um beijinho, costume ocidental. Ayame até que entendia que isso fazia parte da cultura do lado do mundo de onde ela viera, mas não deixava de pensar que fazia a imagem da entrevistadora ficar ainda mais abusiva em sua concepção.

A sala preparada para os The Wolfs era simples, porem não menos digna das cinco estrelas que o hotel carregava. A decoração das paredes era toda em cor creme, os objetos e quadros decorativos seguiam o padrão vermelho, preto e branco. Havia um conjunto de três sofás grandes de couro num canto da sala, e bem em frente a eles a equipe havia montado um tripé com uma câmera de vídeo, apontada para o sofá.

O vídeo da entrevista seria postado posteriormente no site da revista.

Shido soltou um sorriso amarelo na direção de Ayame, assim que percebeu a produtora tomando seu lugar o lado de um dos câmeras.

-Vocês não andam sem sua produtora. – ela comentou enquanto os Wolfs se acomodavam no sofá. Recebeu uma olhadela de Lord Maru com o comentário.

Um dos assistentes colocou um gravador sobre a mesa de centro. Shido se acomodou entre os cinco rapazes, cruzando suas pernas e deixando aparente a fenda da saia. Do seu lado esquerdo ficou First Wolf, e do outro, Second Crash. Sozinho no menor sofá, ao lado direito da entrevistadora, Dark Devil se sentou de forma despojada, como se estivesse em sua própria casa. No outro sofá, o maior, Lord Maru fez o mesmo, apenas deixando espaço para que Dark Great também se acomodasse.

-Eles não vivem sem mim. – Ayame respondeu com um sorriso largo, ante a falsa simpatia da entrevistadora. Shido reprimiu um suspiro e pegou alguns cartões que deixara sobre a mesa de centro, ao lado do gravador.

-Gravando. – o câmera anunciou. Shido abriu seu melhor sorriso.

-Primeiro, gostaria de agradecer aos rapazes e sua produtora pelo tempo cedido à Elle Girl. Eu sou Shido Hikari, colunista de moda e sua entrevistadora por hoje. – ela disse de maneira simpática. –Hoje, nós conversaremos um pouco com a banda do momento no Japão e em todo o mundo: os The Wolfs. Bom dia meninos!

-Bom dia. - quatro dos Wolfs responderam o cumprimento, lançando olhares para a câmera que os gravava.

-Muito bom dia, Shido-chan! Como o dia não haveria de ser bom tendo tão bela visão logo depois do café da manhã? – Second Crash disse propositalmente depois de todos, se virando para a entrevistadora com uma expressão perversa. O brilho em seus olhos já dizia muito mais do que se seu rosto estivesse completamente exposto.

Shido riu, afetada. Ayame rodou os olhos, num suspiro.

-Ok. Primeira pergunta. O que todo o Japão mais quer saber é: quem são na verdade esses cinco caras que nos inspiram e tocam em nossas rádios todos os dias. Algum dia vocês nos responderão essa pergunta? – ela perguntou e passou os olhos pelo semblante dos cinco. Todos olharam para Dark Great, instintivamente. –É, senti algo no ar. – Shido comentou rindo, tornando seus olhos para o guitarrista. –Então você está por trás do anonimato dos The Wolfs, Sr Great?

-É, foi ideia minha. – ele respondeu endireitando-se no sofá.

-E algum dia pretende acabar com esse anonimato? Pelo que vi aqui, isso parece ser 'sua responsabilidade'? – ela arriscou.

-Bom, - Dark começou. – No começo nem foi intencional nosso anonimato. Second Crash quem na verdade começou a 'história dos The Wolfs', postando um vídeo com nossas músicas na internet. – o guitarrista apontou o amigo, que sorriu largo para a entrevistadora, por baixo de sua máscara. Dark continuou. – Como a intenção era saber se a música era boa ou não, não aderimos a imagens, como em qualquer vídeo clipe de qualquer banda. Nosso foco era mesmo só o feed back que o som teria. Não imaginávamos que isso mais tarde teria um impacto tão grande em nossas vidas. Quando os The Wolfs começaram a ficar famosos pela internet, sem qualquer apelo ao 'rosto bonitinho' dos integrantes, decidimos que seria melhor continuar com o anonimato, levando a vida da banda com nossos nomes artísticos. Assim, ninguém seria exposto demais e poderíamos continuar fazendo o que quiséssemos quando não estivéssemos 'com a banda'. Foi mais um meio de autopreservação, já que você mesma deve saber quão 'feroz' é o mundo das celebridades.

-Hm. – Shido leu algo no cartão em seu colo. –E todos ainda estão de acordo com isso? Nenhum de vocês sonha em levar uma vida de rock star de verdade, reconhecido nas ruas, com fãs querendo arrancar suas roupas, e tal?

Dark Devil tomou a palavra.

-Claro que já pensamos nisso. – ele disse num tom meio ríspido. –Mas é muita exposição, não só para nós mesmos como para nossos familiares. Não somos Wolfs 100% do nosso tempo. Temos família também, temos que conviver com pessoas também. Seria problemático ter fotógrafos nos nossos calcanhares cada vez que saíssemos de casa para comprar qualquer coisa no mercado ou só dar uma volta. Por isso ainda aderimos ao uso do anonimato parcial.

-Parcial? – Shido repetiu.

-É. – Second Crash respondeu, soltando uns risinhos. –Parcial porque todas as vezes que temos que agir em público, por mais que nossa imagem esteja diferente, nossos fãs tem o poder de nos reconhecerem. Então temos que apelar para alguns disfarces... First mesmo tem uma coleção de perucas!

Kouga lançou um olhar feio para Bankotsu.

-Que aliás, você quem mais se aproveita, não? Crash adora ficar brincando de se travestir.

-Oh, mas isso é novidade! – Shido exclamou. –Quer dizer que então qualquer fã pode topar com um de vocês na rua sem saber que são vocês? Tenho certeza que essa informação deve fazer o dia de alguém muito mais feliz!

-Na verdade, - Second Crash interrompeu Shido, mirando o vocalista sentado do outro lado. –Dark Great quem mais faz uso da sua identidade anônima.

-Oh, isso é sério? – a entrevistadora perguntou se virando para o guitarrista. –E você já conheceu algum fã que não te reconheceu?

-Gosto de levar uma vida normal. – Dark confidenciou. –Nesses curtos períodos em que temos algum tempo, gosto de fazer tudo que Dark Great não poderia fazer. E sim, já conheci fãs da banda. – ele disse tentando parecer confiante. Shido arregalou os olhos.

-Sério? – ela perguntou. –E você não se sente temeroso quanto a isso? Como se a qualquer momento eles fossem descobrir quem você é de verdade?

-Bem, se isso acontecer, garanto que Dark não volta inteiro para casa. – se intrometeu Second Crash. Shido o olhou de esguelha. –Eu conheço esses fãs também. É algo bem estranho ver Dark lidando com pessoas que dizem o amar, sem poder deixa-las saber quem ele é de verdade.

-Isso sim parece uma situação complicada! – Shido exclamou.

-Às vezes, bastante. - Dark admitiu. – Mas peguei o jeito da coisa. Sei me comportar como outra pessoa o suficiente para que ninguém descubra.

A entrevistadora ainda tinha aquele olhar ambicioso na face. Mirou a câmera por um longo momento, fingindo confidenciar algo apenas com os expectadores.

-Ouviram bem, você aí, que acha sua vida muito chata ou entediante: cuidado! Você pode ser colega de Dark Great e nem suspeitar! – ela completou com entusiasmo e riu, acompanhada pelos Wolfs. Ayame suspirou. Eles já estavam fugindo do cronograma...

Shido olhou de esguelha para a produtora. Quando constatou o semblante de Ayame, sorriu satisfeita. Virou alguns cartões em seu colo. Estava no caminho certo...

-A propósito... – ela começou. Ayame já sentiu que estariam entrando em alguma zona de perigo com o tom de voz da apresentadora. –Nesses últimos dias, a notícia que corria pela internet era a de que três Wolfs teriam sido desmascarados numa famosa loja de CDs do bairro de Ueno... Rock Jidai, é isso? Fiquei sabendo que vocês fizeram uma bagunça e tanto naquela loja, não?

Lord Maru e Second Crash lançaram um olhar frio para First, que se encolheu um pouquinho.

-Na verdade... – ele começou, num tom baixo, erguendo um dedo para começar a falar. Lord Maru o interrompeu.

-Na verdade, não costumamos fazer muito isso, porque é bem arriscado. – ele respondeu numa voz séria. –Mas nosso amigo aqui queria provar alguns disfarces, e arrastou Crash e eu junto. – Lord bateu nada amigavelmente no ombro do vocal.

-Pra começo de conversa foi culpa do nosso baixista de não querer usar peruca! – First acusou. –Ele foi só de touca, e uma fã a puxou e puf, bagunça formada. – o lobo fez 'tsc', balançando a cabeça negativamente.

-Quase morremos. – choramingou Crash. –Os dois se livraram facinho da multidão atrás deles, que acabou sobrando para mim.

Shido abriu um sorriso.

-Ok, lá vai mais uma: até que ponto os The Wolfs levam vidas normais? Dark Devil disse que vocês tem familiares e amigos. Isso se estenderia até os relacionamentos amorosos? Alguém tem alguma namorada escondido, sem que ela mesma saiba que namora um Wolf? Talvez como Dark Great se relaciona com pessoas que não sabem quem ele é...?

Second Crash pigarreou, se encostando ao sofá e esticando os braços por trás de Shido.

-Eu estou solteirinho, chuchu. E você nem precisa saber nada sobre mim! – ele disse numa voz sensual. Shido respondeu com uma careta sugestiva, descruzando e cruzando de novo as pernas. Ayame fez cara feia, chamando atenção deles com um 'psss'. Second Crash rodou os olhos e recolheu os braços.

-Na verdade... –Dark Great começou. –Nenhum dos The Wolfs está comprometido com ninguém, no momento. Nem acho que seria justo com a própria pessoa, levar um relacionamento de confiança unilateral. Para ser a namorada de um Wolf, acho que primeiro ela deveria ser uma pessoa totalmente confiável, a ponto de saber guardar nosso segredo e nos querer pelo que somos de verdade, e não pelo que temos.

Shido assentiu.

-Pelo visto você é bem romântico, Dark Great. – ela perguntou, encarando-o. –Um passarinho me contou que você quem escreve as letras das músicas da banda. Isto é verdade?

-Sim. – ele respondeu. –Eu quem escrevi a maioria das letras. Mas isso foi mais intenso quando a banda começou, que não tínhamos nenhum apoio. Quando eu entrei para banda, os caras já tinham seu próprio repertorio. Eu só incrementei com algumas músicas a mais, que adaptamos conforme elas iam surgindo e as coisas iam acontecendo.

Shido formou um bico com seus lábios pintados de batom. Passou mais algumas fichas no colo.

-Mais uma pergunta. Qual a idade de vocês? Dark parece bem mais novo do que a maioria. – ela disse como quem não quer nada, sem saber que tinha tocado num dos grandes pontos da banda. Ayame cerrou os punhos, esperando que seus garotos não destruíssem tudo...

-Faz parte do nosso anonimato. – sentenciou Lord Maru, com sua postura fria. Shido arqueou uma sobrancelha. –Podemos apenas dizer que o mais velho tem vinte e seis anos.

-E quem seria o mais velho? – ela insistiu.

-Fica a cargo da sua imaginação. – Lord Maru respondeu abrindo um sorriso por baixo da máscara.

-O mais novo é Dark Great, com certeza. – Shido apostou. –Já terminou o colégio ou abandonou os estudos para ser um guitarrista famoso? – ela perguntou olhando diretamente para o hanyou.

-Eu nunca abandonaria meus estudos. – ele respondeu de forma convicta. –Mas não frequento o colegial.

Shido entendeu que Dark já havia terminado os estudos. Second Crash complementou a fala do amigo

-Bom. Eu acho que Dark é um exemplo para seus fãs: vivam seu sonho, mas não deixem de estudar. Ele realmente é um bom exemplo.

-Até porque não dá pra saber o que nos espera no amanhã. – First completou. Shido lhe mediu com os olhos.

-Não mesmo. – ela concluiu. –Bem, estão cansados? Porque tenho aqui algumas perguntas rápidas que seus fãs nos mandaram pela internet, no site da Elle Girl. Podem responder todos de uma vez, para rendermos as perguntas?

Os Wolfs se entreolharam.

-Claro. – responderam em uníssono, alguns dando de ombros.

-Ok. – Shido balançou a cabeça. –Primeira: vocês tem animais de estimação?

First, Lord, Dark e Crash fizeram que não. Devil assentiu.

-Tenho uma coleção de formigas. Elas vivem num recipiente de vidro especial.

-Bichinho bem diferente. – Shido disse abrindo ligeiramente os olhos. –Segunda: Comidas preferidas?

-Pizza. – os cinco responderam juntos. Shido riu.

-O que mais gostam de fazer quando não estão tocando?

-Jogar videogame! – Bankotsu respondeu animado. Os outros concordaram. Shido virou alguns cartões.

-Qual a atual agenda dos The Wolfs? – ela perguntou passando os olhos por todos eles. Ayame os mediu inquiridoramente enquanto eles pensavam para responder. Aquela era a maldita hora em que eles deveriam falar dos shows que iriam fazer. Ah, se eles não falassem...

-Ultimamente, - começou Lord Maru. – Temos uma agenda com mais folga do que uns dias atrás. Como pôde constatar, estávamos numa espécie de férias até que recomeçássemos a maratona de shows de novo.

-A propósito, - First complementou. Ayame ficaria uma fera com ele se ele não dissesse qualquer coisa marketeira. –Vamos tocar na noite do dia 27, desse mês, na melhor casa de shows de Tóquio. Os outdoors já estão espalhados pela cidade e nossos ingressos já estão a venda.

-Vamos lançar uma música nova nesse show. Quem for terá a prévia exclusiva. – Second Crash anunciou sustentando um sorriso de comercial de pasta de dente. Que definitivamente foi em vão, já que a única coisa que todos na sala ali podiam ver eram seus olhos miúdos espremidos pelas bochechas que se levantaram com o gesto.

Ayame se permitiu sorrir. Olhou para Shido e deu duas batidas no relógio de pulso. A entrevistadora praguejou mentalmente.

-É isso aí. – ela disse de forma falsamente animada. –Não deixem de comprar os seus ingressos! Isso definitivamente será algo que não se pode perder. Bom, eu sou Shido Hikari, e essa foi a tão ansiada entrevista com a banda mais querida do Japão, os The Wolfs! Até a próxima! – ela mandou um beijinho para a câmera. O operador balançou a cabeça duas vezes, até que a luz vermelha ao lado da lente se apagou. Ela suspirou.

-Ok, temos três minutos, vamos fazer as fotos. – a entrevistadora anunciou. Os The Wolfs começaram a se levantar.

-Sabe, - começou Second Crash. –Eu realmente acho que você deveria ser uma apresentadora de TV e não uma colunista.

Shido lançou um sorriso perverso para ele.

-E eu realmente acho que você devia arrancar essa máscara e me deixar ver esse seu rostinho lindo. – ela jogou.

Lord Maru soltou uma risada seca.

-E é por isso que você continua sendo uma colunista e ele um astro de rock... – ele disse num tom indiferente. Ayame quase não conseguiu segurar as gargalhadas que lhe vieram a tona quando viu toda a face de Shido se tingindo do mais rubro vermelho com o comentário de Sesshoumaru. Visivelmente emburrada, caminharam todos para o lugar reservado para as fotos da banda para a revista.

No caminho, Ayame não deixou de sorrir quando seus olhos se cruzaram com os de Dark Great. No final, ele tinha razão sobre seu irmão...

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Havia até barracas em frente ao local. Uma verdadeira multidão de cartazes se amontoava em todos os cantos possíveis. Garotas gritavam, cantavam, pulavam; como se estivessem presentes em um verdadeiro show. Kagome nunca se sentiu tão confortável no meio de tanta bagunça.

-Bem, é aqui. – Kagura anunciou arrumando a mochila escolar sobre os ombros. Com o tanto de gente que se concentrava no local, mal se podia ver a fachada do prédio verde que Kagome e Sango visitaram no dia anterior.

-Wow! – Sango exclamou, provavelmente tão admirada quanto Kagome com a quantidade de pessoas concentradas ali.

As três atravessaram a rua e se juntaram a multidão de fãs. Kagome ficou quieta ao lado de Sango, enquanto Kagura já havia começado a interrogar as garotas que estavam ali atrás de mais informações.

Nunca antes em sua vida Kagome havia parado para pensar que poderiam haver tantas pessoas que compartilhavam sua paixão pelos The Wolfs. Naquela tarde, enquanto Kagura ziguezagueava pelo 'acampamento', Sango e a skatista conheceram pelo menos dez garotas que amavam de paixão o guitarrista dos sonhos de Kagome. Sete outras que morreriam por Lord Maru, para desgosto de Sango, que não suportava concorrência, embora tivesse agido com simpatia com as garotas. Doze que diziam que First era sua alma gêmea; nove que tinham um verdadeiro abismo por Dark Devil e seis que amavam quando Second Crash liberava a voz em algumas músicas, fugindo do papel de segunda voz de First Wolf.

Kagome transbordava um sentimento estranho e acolhedor no meio de tanta gente igual a ela.

Foi em algum ponto da tarde, no meio do coro de músicas dos The Wolfs que os fãs faziam, que uma garota soltou um grito. De inicio, nem a skatista nem Sango imaginariam o que seria, até que de repente todas começaram a debandar, arrumando suas coisas o mais rápido que podiam. No meio da bagunça da arrumação repentina, as duas amigas viram Kagura vir correndo até elas, segurando as alças da mochila contra o corpo; seu rosto contorcido numa expressão feliz e ansiosa.

-Garotas! Garotas! – ela chegou gritando e acenando. Kagome perguntou as pressas.

-O que está acontecendo?

-Saiu na internet o endereço da nova casa dos The Wolfs! É perto daqui, vamos logo! – ela apressou. Sango pôs desajeitadamente a mochila sobre os ombros.

-Como assim? Eles não vão mais vir aqui? – ela perguntou enquanto as três começaram a correr, junto das outras garotas, sem saber seu rumo ao certo.

-Sim! Parece que eles vão ficar todos alojados numa casa perto daqui! – Kagura disse pouco sem fôlego. –Vamos! Vamos! Podemos vê-los chegando!

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-Você estava adorando aquela Shido cheia de gracinha para cima de você, né, seu sem vergonha? – Ayame retorquiu com uma carranca, enquanto Bankotsu abria uma lata de energético. A limusine rumava o caminho da nova casa dos The Wolfs, a casa dos Kagewaki. De alguma forma, a notícia de que eles todos se alojariam num residência em Ueno corria pela internet. Ayame checara isso assim que terminaram a entrevista.

De certo já deveria haver tanto fãs quanto mídia marcando o local.

-O que importa é que falamos do show. – Bankotsu replicou, se divertindo com os ciúmes da produtora.

-Só faltou ela subir no seu colo da hora de fazer as fotos! – Ayame continuou reclamando, sua voz subindo uma oitava. Sesshoumaru, do outro lado da limusine, se deleitando com uma latinha de energético, soltou um audível 'tsc'. Teve os olhos azuis de sua produtora sobre si. As faíscas eram quase palpáveis. Antes que palavras resolvessem jorrar de novo da boca da produtora, Kouga tentou mudar de assunto.

-Eu não ia achar nem um pouquinho ruim se fosse comigo. – ele comentou, todo cheio de malícia.

-Kouga! – Ayame reclamou indignada. Inuyasha reprimiu uma risada.

Não sabia bem dizer se era apenas algo da sua imaginação, mas podia jurar que, mesmo no clima de brincadeiras que os Wolfs sempre levavam, a produtora costumava sempre levar a sério as palavras do vocal...

O hanyou rumou os olhos dourados até a mulher. Podia ver um leve rubor em sua pele branca... Não. Talvez fosse apenas impressão.

-O fato é: demos uma entrevista e tanto! – Bankotsu regozijou se espalhando no banco de couro do veículo. –Estou apostando que as vendas dos ingressos vão decolar agora... !

Ayame checou alguma coisa em seu smartphone.

-As vendas já iam bem, mesmo sem um pronunciamento da banda. – ela constatou.

-Mas sempre é bom dar um empurrãozinho. – Naraku comentou. Recebeu um olhar estreito da produtora. –Que foi?! – ele reclamou.

-Quem é mesmo que sugeriu esse empurrãozinho? – ela replicou emburrada. Havia cobrado isso deles desde o momento em que anunciara a entrevista para a revista!

-Ohhh, Ayame bobinha ainda leva a sério o que a gente fala! – Kouga disse rindo, passando um braço ao redor da produtora e bagunçando seu cabelo.

-KOUGA! – ela gritou tentando se livrar dos braços do lobo. Os outros Wolfs riram presenciando a cena.

Deixando a mente vaguear aleatoriamente, Inuyasha se pegou olhando para a janela da limusine. Os vidros escuros não permitiam que ninguém enxergasse o que acontecia ali dentro, entretanto, o mesmo não acontecia pelo lado de fora. O hanyou analisava as pessoas que caminhavam pelas ruas, seus olhos sendo instintivamente atraídos pelo carro de porte elegante. Num estalo, ele percebeu que reconhecia as ruas lá fora.

-Ei! – ele chamou a atenção dos outros. –Estamos chegando! – anunciou puxando para cima do rosto sua máscara, que até o momento repousava pendurada em seu pescoço. Seu comentário despertou Ayame das brincadeiras que os membros da banda faziam com ela.

-Bem observado, Inu-kun. – ela disse assumindo seu tom sério de produtora. –Escutem, rapazes. A notícia de que se mudariam já corre livremente pela internet, então, com certeza vocês terão uma recepção de fãs e provavelmente até de imprensa. Temos os seguranças para melhorar a passagem até a casa dos Kagewaki, mas mesmo assim não se descuidem. Mandei instalar alguns equipamentos de segurança. Naraku-kun, tem a chave ainda ou temos que chamar sua irmã?

-Não. Eu tenho.

-Ótimo. – Ayame disse num suspiro. –Menos problemas.

-Ayame. – Sesshoumaru chamou, com semblante pensativo. –Como Inuyasha fará para ir ao colégio se a casa estará no foco da mídia?

A produtora ficou séria.

-Bom, - ela começou. –Elaborei um plano um pouco complicado para isso. A saída dos fundos não é explicita, na casa dos Kagewaki, já que ninguém imagina que a construção chegue até a rua de trás, pela vista da frente. O que sugiro é que ele saia disfarçado pelos fundos, e vice versa.

O hanyou fez uma careta.

-Vou ter que ir a pé para a escola. – grunhiu.

-Sinto muito, mas não há maneira de providenciarmos transporte para você sem que saibam que seu pseudônimo estará vinculado com os The Wolfs. – ela se desculpou.

-Ééé, vai ter que andar, grande guerreiro! – Bankotsu caçoou. Kouga começou a rir.

-Quero ver se te pegarem. – ele comentou entre risos. –E a pé, ainda! Vai ter que vir voando para casa!

Inuyasha fechou a cara.

-Não vou não. Ninguém vai me pegar. – ele disse cruzando os braços. –Não vou entrar em nenhuma loja de CDs cheia de fãs, sabe... – provocou. Kouga parou de rir e olhou feio para o hanyou.

-Ok. – Ayame juntou as duas palmas num estalo. –Se preparem, estamos quase chegando.

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Kagome se sentia mais ansiosa do que nunca. Seu coração palpitava e ela sentia suas mãos suando. Eles estavam chegando. Sabia disso porque todas as pessoas a sua volta estavam falando nisso. Muitas garotas cantavam, gritavam. Sango estava firme ao seu lado, cantando junto com algumas. Já a skatista preferia apenas ficar quieta, esperando para ver se conseguiria chegar perto de seus ídolos.

Ela e Sango estavam bem em frente ao portão da casa que diziam ser o novo lar dos The Wolfs. Kagura as levara ali. Infelizmente, as duas se perderam da garota. Num determinado momento, Sango afirmou ter visto, num ponto mais perto da rua, alguém que se parecia com Kagura, mas nenhuma das duas conseguiu chegar até lá. Estavam presas no meio das dezenas de fãs que se aglomeravam na frente da casa deles.

Kagome se sentia em um outro mundo. Seus neurônios mal funcionavam, parecia que ela estava sob o efeito de qualquer droga, ou algo assim. Talvez fosse a emoção de saber que finalmente veria sua banda do coração. Só de pensar nisso suas mãos começavam a tremer.

Era um sentimento indescritível. Saber que aqueles que ela adorava tanto por fotos e vídeos finalmente apareceriam em carne e osso bem na sua frente. Não era como se Kagome achasse que os The Wolfs fossem reais. Vê-los em pessoa certamente seria um choque para ela.

Era a situação da skatista. Estar acostumada com a imagem de pessoas apenas vinculadas pelos meios de comunicação. Fora deles, os cinco desapareciam. Era quase compreensível que ela ficasse abalada por finalmente conseguir vê-los. Definitivamente, embora soubesse que teria esta mesma chance mais tarde, na festa de Kikyou (se ela realmente estivesse dizendo a verdade), aquilo ainda era algo fascinante de se constatar. Kagome mal esperava para ver como seu próprio corpo reagiria à presença da banda.

Já tremia só de pensar em vê-los. Se realmente os visse, ela sucumbiria. Disso tinha certeza, por mais que odiasse admitir.

De repente, tudo começou. Os gritos ficaram mais estridentes, os fãs, mais agitados. Se erguendo na ponta dos pés, a skatista tentou enxergar qualquer coisa.

-São eles! São eles! – Sango começou a chorar ao seu lado. –Kagome! São eles! – ela gritava. No meio de tanto barulho, a amiga mal pode distinguir as palavras de Sango. Mas captou a essência da mensagem pelos olhos marejados da amiga. De repente, seus próprios olhos também começaram a lacrimejar. Sua visão ficou turva pelas lágrimas.

Como ovelhas coordenadas por um cão pastor, a multidão ao seu redor começou a se mover. Kagome foi empurrada e obrigada a ir para trás. Se ela não seguisse o que todos fizessem, provavelmente passariam por cima de si. Procurou Sango com seus os olhos molhados. Perdera a amiga de vista.

-Sango! – ela começou a gritar. –Sango!

Não podia se perder de Sango! Definitivamente não!

-Kagome! – ela sentiu uma mão em seu ombro. Olhou para trás e viu Kagura. A garota estava com os olhos vermelhos brilhantes e um sorriso muito largo brincava em seus lábios. –Eles estão chegando! São eles!

Kagome entendeu suas palavras. Embora ainda sentisse que não captasse o real sentido delas. A multidão começou a gritar mais alto. Muito mais alto. Quando começaram a se mover novamente, Kagura a empurrou contra o movimento. Kagome tentou reclamar, mas quando viu que chegara a borda da multidão ela se calou.

Um carro enorme e preto estacionou na calçada. Os fãs faziam um corredor nas portas do veículo. O barulho era ensurdecedor, a skatista não achava que pudessem gritar mais alto.

Mas estava errada. Assim que a porta do carro se abriu, todos ficaram ainda mais histéricos. Seis pessoas desceram do veículo. Kagome logo percebeu que não era a banda, já que, embora soubesse que seus integrantes fosse altos, sabia que eles não seriam tão altos assim. Logo entendeu que eram seguranças, guarda-costas. Todos estavam de ternos e óculos escuros.

De repente, começou. Assegurando-se de deixar um espaço livre para a passagem da banda, os seguranças formaram uma barreira humana contendo as fãs. Kagome sentiu a brutalidade com que eles a empurraram para abrir caminho. Várias garotas esticavam os braços para tentar tocar quando os Wolfs passassem, formando um corredor de mãos que agarrariam qualquer coisa. O portão automático da casa se abriu.

Foi nesse cenário que o primeiro Wolf desceu do carro. Junto da produtora, Kagome viu First Wolf passando rapidamente pela calçada. Seu coração começou a marchar como uma debandada de búfalos. Eles foram saindo um em seguida do outro. A skatista sentia que estava ficando sem ar. Suas mãos tremiam mais do que nunca, mas ela não de importância.

Acompanhados dos gritos, ela os viu. First Wolf. Second Crash. Dark Devil. Lord Maru. Kagura praticamente a deixou surda quando Lord passou. Ela pulava e gritava nas costas de Kagome, tentando chamar a atenção do baixista. O que, obviamente, não funcionou. Ele passou firme, invicto, sem olhar para os lados.

Kagome se perguntava onde estaria Dark Great. Rumou seus olhos azuis até a limusine que ainda estava estacionada na rua. Foi então que ela o viu. O barulho das pessoas gritando ao seu redor ficou mudo aos seus ouvidos. Seus olhos só conseguiam acompanhar os movimentos do guitarrista. Tudo começou a acontecer em câmera lenta.

Dark Great desceu do veículo, junto de outro guarda costas, que fechou a porta atrás dele. Estava com as roupas mais legais que Kagome já vira em sua vida. Seus cabelos pareciam mais longos do que antes, seus olhos, mais expressivos.

Ele caminhou, no seu mundo de câmera lenta, de forma bem calma pelo corredor de fãs. Kagome viu muitas mãos se esticando em sua direção, enquanto o cerco formado pelos guarda-costas parecia se estreitar. Com a maior motivação de sua vida, ela juntou suas forças e tomou o controle de seu corpo por míseros segundos, esticando seus braços também. Ela não sabia dizer se era alucinação, ou um sonho, ou se realmente aconteceu, mas viu os olhos do guitarrista parando em seus braços cheios de pulseiras por um mísero instante. Suas mãos tremiam mais do que em toda sua vida. Seu coração ainda palpitava, demais. Ela sentia que podia ter uma parada cardíaca a qualquer minuto.

E tudo piorou quando num repente Kagome ergueu os olhos azuis na direção do rosto do guitarrista. E ela viu que ele tinha os orbes dourados estavam fixos nos seus.

Aquilo foi demais para a skatista. Dark Great continuou seu caminho, até o portão da casa. Enquanto punha o pé para dentro e o último guarda costas fechava o portão, Kagome sentia sua visão escurecendo e seu corpo rejeitando qualquer controle que ela dava.

E a skatista desmaiou.

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Nota da autora: É, como prometido. Um capítulo, na minha opinião, emocionante e enorme.

Meus agradecimentos à Yogoto, Nane-chan, e Tatiane, que comentaram no último capítulo. Esse é dedicado a vocês, meninas!

Bem, espero reviews, se acharem que esse capítulo merece algum.

:*