Capitulo IX:

Gina estava construindo um castelo de areia na praia quando a menininha, que também brincava na areia, de repente tirou o polegar da boca e estendeu-o para cima.

- Homem!

Sentando-se na areia bem perto da água, Gina olhou na direção indicada pela criança e seu coração dispa rou.

Harry estava de volta!

Com dedos trêmulos, continuou trabalhando na torre de areia, enquanto explicava para a garotinha que o príncipe deveria subir por uma trança para resgatar a donzela encantada, conhecida como Rapunzel.

- Hah! - A pequena menina pareceu pensar que aquilo tudo era parte de um jogo novo, e, alegremen te, destruiu uma das torres de Gina com seu bonito mosaico de conchas.

- Oh, não, querida, estamos construindo as torres, não as destruindo - disse Gina, abrindo os braços para proteger o castelo da garotinha entusiasmada.

O homem que vinha andando na direção delas Parou ao lado do castelo, abaixando-se para verificar o dano, a calça enrolada até o joelho, os pés grandes e perfeitos enterrando na areia molhada.

- Parece que vocês precisam de ajuda - murmurou ele, arregaçando as mangas de seu suéter cinza, reve lando os pêlos dos braços bronzeados conhecidos.

- Não, obrigada, estamos nos saindo bem - repli cou Gina, exatamente quando uma outra torre desmo ronou, espalhando areia úmida que bateu em sua boca e no pescoço.

- Ei, querida, que tal se eu encher esse balde de areia? - ofereceu Harry, pegando o balde de plástico do chão.

Para desgosto de Gina, a garotinha foi alegremen te para o lado dele e começou a cavar, enquanto Harry enchia o balde de areia.

- Você vai sujar suas roupas - murmurou Gina, notando que ele estava muito bem vestido. A quem estava tentando impressionar? Perguntou-se.

- Você também - comentou ele, olhando para o short molhado de Gina e sorrindo.

Como ela não sorriu, Harry voltou a ficar sério.

- A sujeira sai das roupas quando as lavamos - dis se ele, ajoelhando-se e voltando à sua tarefa, compri mindo a areia dentro do balde e depois virando-o de ponta-cabeça para produzir uma torre mais perfeita do que a de Gina.

A menininha bateu palmas. -Mais!

Harry encheu vários baldes até que houvesse uma fileira de torres, as quais ele uniu com paredes de areia. Gina continuou trabalhando no seu castelo original, enquanto Harry e sua ajudante cavavam um buraco e o enchiam com água do mar.

- Acho que preciso contratar uma decoradora - dis se ele para Gina, notando seus olhares disfarçados.

- Gostaria de ajudar? - Ele pegou um galho de sal gueiro das plantas que arrancara das dunas de areia mais cedo.

Ela abriu a boca para recusar, mas então viu os olhos azuis inocentes da criança fixos em seu rosto, revelando ansiedade.

Relutantemente, aceitou a oferta.

- Tudo bem. - Enquanto Gina punha o galho em uma das novas torres, a garotinha começou a remover sua preciosa coleção de conchas do bolso do short e entregar a Gina, uma por uma, para que fossem posi cionadas na base das paredes.

Observando-a engatinhar, Harry perguntou:

- Você poderia estar fazendo isso? E quanto à sua dor muscular?

Ela não entendeu a preocupação dele. Afinal, Harry lhe dera as costas no momento da dor. Não tinha se importado entãopelo que estava passando.

- A médica me receitou um anti-inflamatório. A dor passou quase imediatamente.

Ele franziu o cenho.

- Esses remédios não têm efeitos colaterais?

- Se fosse perigoso, a médica não teria receitado - respondeu ela secamente. - Mas se você está tão preocupado sobre isso, talvez devesse ter me perguntado na ocasião, em vez de fugir daquele jeito. Mas esse é um típico comportamento seu, não é? - Sem esperar resposta, voltou-se para a garotinha: - Esta é linda, querida - murmurou, quando a menina pegou uma concha azul-esverdeada da areia.

- Aqui, Kristin, guarde no seu balde - disse Harry, impressionando Gina com o uso do nome da garota.

- Você a conhece?

- É claro que sim. Ela é da região. Olhe, Kristin, sua mãe a está chamando para ir lanchar.

A mulher com quem Gina falara brevemente mais cedo tinha pegado a bolsa de praia e estava sacudindo a toalha. Vendo-os olhar na sua direção, acenou para Harry e para Gina e chamou a filha, que saiu corren do, sem olhar mais para o trabalho que haviam cons truído, ao ouviu a palavra "sorvete".

- Bom trabalho - murmurou Harry quando ela se levantou. - Não se preocupe. A maré ainda está baixa e as crianças devem descer do ônibus da escola daqui a pouco. Seu monumento será admirado antes que o mar o engula. Aqui. - Ele achou um graveto e escre veu: "Gina e Kristin fizeram isso", em grandes letras ao lado das torres de areia.

Gina achou interessante ele ter escrito o nome da garotinha, não o seu próprio.

- Para alguém que não quer filhos, fico surpresa como você lida bem com crianças - murmurou ela, incapaz de conter o ressentimento. - A maioria das pessoas que não tem muito contato com crianças acha difícil se relacionar com elas.

Inclusive a própria Gina. Nunca tivera muito inte resse em crianças até que achou que estava grávida, e, de repente, se descobriu fascinada por elas. Mais uma vez, sentiu aquela sensação de perda que não tinha o direito de sentir. Começou a andar rapidamen te em direção à casa.

Harry ressentiu-se com as palavras dela.

- Nos orfanatos que fui criado havia sempre mui tas crianças indo e vindo. - Ele virou-se para segui-la, alcançando-a com passos largos. - É considerado parte da "experiência familiar" fazer os adolescentes ajudarem a cuidar dos menores.

Ele se calou, como se esperasse que Gina fizesse algum comentário, mas ela simplesmente continuou andando, apressando os passos ainda mais.

- Eu voltei, não voltei? - disse ele, enterrando o pé na areia para tocar-lhe o ombro. - Isso deve contar para alguma coisa.

- Você acha? - replicou ela com ironia.

- Fiquei longe apenas alguns dias.

Uma eternidade. Todavia, Harry era muito eficien te em seu ato de desaparecer. Até mesmo contratara um homem para alimentar Prince e olhar a casa. Quando Gina viu o que estava acontecendo, desejou que odiar fosse mais fácil do que amar. Pelo menos, ainda tinha Koshka para acariciar e abraçar, e para lamber-lhe as lágrimas. A gatinha tinha dormido em sua cama, fazendo com que Gina não se sentisse in teiramente sozinha.

- Sim, é um recorde no que diz respeito a você. Pensei que ficaria longe muito mais tempo - confes sou. - Mas esqueci que tem um trabalho em anda mento. Precisava voltar para escrever. E, é claro, isso sempre é o mais importante! - Gina estava à beira das lágrimas e ficou aliviada em ver o gramado da frente da casa. Quase correu.

- Gina... não foi por isso que voltei. - Ele pisou no gramado e conduziu-a para os degraus. - Fui só até Craemar, na casa de férias de Steve Marlow.

-Entendo. E suponho que você contou a Steve sobre mim - disse ela com um dos pés no degrau. -Contou-lhe detalhadamente que eu me comportei como um ser humano normal...

-Gina, não - exclamou ele, segurando-a pela manga da blusa. - Não foi assim... a família inteira estava lá.

- Então, todoseles sabem sobre isso agora? - gri tou ela, sentindo-se ainda mais humilhada.

- Não contei a ninguém,Gina. Não fui lá para desabafar, fui para refletir.

Ela afastou a mão dele. Não sabia mais no que acreditar.

- Com licença, acho que vou entrar e vomitar. -Gina subiu a escada correndo, esperando que aquilo fosse o suficiente para ele não a seguir.

Infelizmente, suas palavras tiveram o efeito con trário, e, após uma breve hesitação, ele entrou na casa atrás dela e seguiu-a para o santuário de seu quarto, onde Gina queria ficar sozinha e chorar.

- O que você está fazendo aqui? - perguntou ela, satisfeita por ainda não ter dado vazão às lágrimas.

- Você disse que ia vomitar.

Como a médica previu, os sintomas físicos da gravidez haviam desaparecido, e ela não podia culpar os hormônios por seu acesso de raiva.

- E você queria fazer o quê? Apreciar meu sofri mento?

- Achei que você pudesse precisar de ajuda. - Gina estava furiosa pela gentileza forçada.

- Você não foi de muita ajuda até hoje. Por que começar agora?

- Acalme-se, Gina. - Ele olhou ao redor do quarto, que estava uma bagunça, não combinando com o jeito meticuloso dela. - Você está fazendo as malas?

- Bem que você gostaria! - respondeu ela. - Mas, diferentemente de certas pessoas, não fujo de meus problemas.

- Então, o que é tudo isso? - Ele gesticulou para algumas sacolas plásticas perto da porta.

- Coisas que separei para pôr no lixo.

Alguns livros estavam caindo de uma das sacolas, e Harry inclinou-se para pegá-los e devolvê-los ao lugar, mas, então, endireitou o corpo quando leu os títulos.

- Você está jogando fora livros sobre cuidados com um bebê?

Ela deu uma risada amarga.

- Não vou precisar mais deles, vou? Acha que devo doá-los para caridade? Fique à vontade para fazê-lo, se quiser.

Harry franziu o cenho.

- Como assim, não vai precisar mais deles?

Ele não era geralmente tão obtuso.

- Bem, se não vou ser mãe, não preciso ler livros sobre bebês.

Ele achava que ela guardaria os livros para a pró xima vez que pensasse em gravidez? Tinha 27 anos e amava um homem que rejeitava categoricamente a idéia de ter filhos, portanto, nunca haveria uma "pró xima vez".

Ele agora parecia ainda mais tenso.

- O que você vai fazer? Dar o bebê para adoção?

Gina engasgou, meneando a cabeça, confusa. Harry empalideceu.

- Você não decidiu fazer um aborto, pelo amor de Deus. - Ele massageou o peito como se estivesse doendo. - Gina, você não está raciocinando direito. Tem condições de ter um filho... nunca se perdoará se fizer isso. Não é a decisão certa para você!

"Ele não sabia!"

Gina estava imóvel, quase em estado de choque.

Ele não sabia que não havia bebê! Achou que ele tinha entendido... ao saírem da clínica quando lhe dissera que fora alarme falso. Só agora compreende ra que Harry pensou que o alarme falso se referia à ameaça de aborto.

"Ainda achava que ela estava grávida."

E não queria que abortasse a criança.

"Você tem condições de ter um filho", ele dissera, e não "Nós temos condições". Estava firmemente se afastando de qualquer conexão com a mãe e com a criança.

- Mas essa é a minha decisão - disse ela cruelmen te. - A menos que você queira ir ao tribunal e lutar pelo direito do feto... revelar seu passado, presente e futuro para o mundo...

Os músculos no maxilar dele ficaram tensos, mas Harry não se moveu.

-Gina, não tome uma decisão baseada na mágoa e na raiva que está sentindo agora. Cada vida é pre ciosa, porque a vida é passageira e devemos valorizá-la enquanto podemos. Voltei porque você é importan te para mim, e esse bebê não muda isso.

Novamente, era "esse bebê", não "o nosso bebê", pensou Gina, magoando-se com cada palavra.

- O fato de a gravidez não ter sido planejada por nenhum de nós não a torna um desastre.

Então, ele estava preparado para admitir que ela não o enganara com o velho truque. Quanta genero sidade!

- Sou um homem rico, posso sustentar você e o bebê pelo resto de suas vidas, haverá dinheiro para boas creches, se você quiser continuar com sua carreira.

Ah, lá estava, o apoio financeiro!

- E podemos comprar uma casa com muito espaço, para que você não tenha de compartilhá-la. - Ele esta va ficando nervoso com o silêncio de Gina, falando cada vez mais rápido enquanto tentava convencê-la: - Será muito mais conveniente do que seu apartamento ou o meu hotel. Você não precisará se sentir constrangida se quiser me pedir para passar a noite com você.

Se?Aquele grande "se" enviou ainda mais gelo para o coração de Gina.

Agora,ele estava preparado para aceitá-la, e o bebê, numa casa cara em algum lugar? Agora, que não im portava mais! Se Harry tivesse mencionado amor em vez de apoio financeiro, ela poderia ter agido diferente, mas aquilo era muito pouco, e tarde demais.

Ela abriu a porta do quarto num gesto furioso de repúdio.

- Vá embora!

- Gina, só estou tentando fazê-la ver...

- Saiada minha casa! - repetiu Gina com firmeza. Ele hesitou por um momento, mas, então, passou por ela, e parou à porta.

- Tudo bem, eu saio, mas não vou embora, Gina. Não novamente. E você não vai sair de Oyster Beach até resolvermos as coisas. Mais cedo ou mais tarde, teremos de lidar com as conseqüências de nossos atos... juntos. Nosso bebê é tanto parte minha quanto sua, porque, depois de dois anos, vocêé uma parte de mim.

Harry não podia ter dito nada mais calculado para martelar na consciência de Gina.

Depois de jurar ser honesta com ele em todas as situações, ela havia sido vingativa e cruel. Deixara-o partir pensando que estava carregando seu filho no ventre.

Gina andou de um lado para o outro na sala, en quanto o sol abaixava no horizonte, a mente confusa e repleta de culpa. Não sentia fome, mas, já que não estava grávida, preparou uma enorme xícara de café preto bem forte.

Levando o café para a varanda, não conseguia tirar os olhos da janela do escritório de Harry. A luz esta va acesa, e as persianas entreabertas, revelando uma figura solitária em pé, olhando-a através das frestas, e mexendo com suas emoções.

Um menino que fora abandonado pelo pai, sofrerá a pior das rejeições pela mãe, sombreado por um adolescente que tinha passado de orfanato em orfa nato, por um homem que nunca permitiu que alguém conhecesse um pedaço sequer de sua alma. Como podia condená-lo à tortura mental por ser meramente o produto de seu meio ambiente?

Largando o café pela metade sobre a mesa da co zinha, Gina deixou um prato com ração para Koshka e foi para a porta de Harry.

Sua batida foi atendida prontamente, e ela percebeu que ainda estava descalça e usando as mesmas roupas da praia, enquanto Harry, obviamente, havia tomado banho, pois usava uma calça jeans limpa e uma ca misa branca.

- Entre - ele convidou, e afastou-se para que ela passasse, mas Gina não se moveu.

- Não existe bebê. - Mal podia ouvir sua própria voz sobre as batidas altas do coração.

- Perdão? - Ele inclinou a cabeça como se não tivesse ouvido corretamente.

- Não estou grávida. A médica confirmou isso. Foi o que eu quis dizer quando falei que era alarme falso. - Gina ergueu o queixo quando viu os olhos dele escurecerem. - Portanto, pode parar de se preocupar. Não há conseqüências para lidarmos, afinal - conti nuou, num tom monótono. - Só vim lhe dizer que...

- Oh, não, você não veio - interrompeu Harry, segurando-a pela cintura quando ela se virou para partir. Puxou-a para dentro da casa e fechou a porta.

Em seguida, prendeu-lhe os braços contra a ma deira e a encarou seriamente.

- Eu não entendo. Explique-se, Gina. Está dizendo que o teste inicial estava errado!E que seu médico nunca notou?

Gina foi forçada a contar-lhe toda a verdade, in clusive o fato de nunca ter consultado um médico.

Envolta em sua culpa, esperou por um suspiro aliviado de Harry, talvez seguido por um breve aces so de raiva, mas ele praticamente não teve reação.

- Então, você podiaestar grávida de algumas se manas, mas nós nunca saberemos realmente - disse ele quando ela mencionou a teoria da gravidez quí mica.

Gina encolheu os ombros.

- A médica disse que cerca de metade das primei ras gravidezes acabam em aborto espontâneo, às vezes tão cedo que a mulher nem chega a saber.

- Mas vocêsabia - afirmou ele, soltando-lhe os braços.

- Penseique soubesse. - Gina foi para o centro da sala, onde podia movimentar-se livremente e evitar o olhar acusador dele.

- Sinto muito. - A voz de Harry era suave quando se aproximou.

Gina estremeceu e abraçou a si mesma.

- Por quê? Você nunca quis o bebê.

- Não pelo bebê. Sinto por você. Pela suaperda. Porque era muito mais do que um pretexto para você, não era, Gina? Por semanas acreditou que estava carregando o meu bebê.

Ela mordiscou o lábio, mas isso não ajudou conter as lágrimas que lhe queimavam os olhos. Piscou di versas vezes, então um par de braços fortes a envolveu por trás, aconchegando-a ao corpo quente, e as lágri mas escorreram pelo seu rosto, caindo sobre os braços bronzeados de Harry.

Os braços ao seu redor a apertaram e Gina sentiu o queixo de Harry pousando em sua nuca, o rosto virando para se encaixar no seu ombro.

- Ah, Ginevra... eu sinto tanto. - Ele começou a balançá-la de um lado para o outro, num gesto de cari nho e conforto.

Um pequeno soluço explodiu do peito dela.

- Gina - sussurrou ele contra seu ouvido. - Gi... - Era a primeira vez que ele a chamava assim, e o fato de Harry usar seu nome de forma tão carinhosa na quele momento a fez dar um outro soluço, e outro, e então as lágrimas não paravam mais de escorrer. Harry colocou os braços nos quadris dela e virou-a, abraçando-a então contra seu peito, e massageando-lhe as costas, enquanto continuava balançando-a ao ritmo dos soluços.

- Não sei por que estou chorando. Não há nada pelo que chorar - sussurrou ela contra a camisa dele. - Não perdi um bebê, foi só uma tola ilusão. O que me fez pensar que eu seria uma boa mãe, de qualquer forma? Você deve achar que estou louca...

- Psiu, Gina - sussurrou ele. - Você é a mulher mais sã que conheço. - Harry encostou o rosto no alto da cabeça dela. - Perdeu algo precioso esta semana, e mesmo que tenha sidosó uma ilusão, por que não se permitir sofrer por isso?

Ela fechou os dedos nas laterais da camisa de Harry e ergueu a cabeça.

- Você não se importa realmente. Está feliz que sua vida pode voltar ao que era antes.

-Não feliz... triste. - Ele ergueu-lhe o queixo para que ela pudesse ver a verdade em seu rosto. - Desde que conheço você, nunca a vi chorar, exceto em um filme. Isso me deixava seguro. Não gosto de vê-la sofrer.

Gina o fitou com olhos marejados.

- Então, por quefugiu de mim daquele jeito? - Harry afastou-lhe os cabelos da testa, nos quais ainda havia areia.

- Porque sou um ser humano falho, querida. Às vezes, deixo o passado interferir nos meus melhores instintos. Porém, aprendo com os meus erros, e estou aqui para você agora, de modo que não precisa passar por isso sozinha.

Harry beijou-lhe a testa, depois ao redor dos olhos úmidos, na face e nos lábios. Os murmúrios suaves de carinho, o balanço confortante dos braços, o toque dos lábios em suas pálpebras fechadas... a levaram a um estado tranqüilo e sonhador.

E, quando se viu no andar de cima e na cama lu xuosa de Harry, estava apenas levemente curiosa.

- O que você está fazendo? - murmurou, quando Harry tirou os braços de seu corpo para pegar o con trole remoto e acender o abajur sobre o criado-mudo.

- Ficando confortável - respondeu ele, tirando a camisa pela cabeça, sem desabotoá-la, e jogando-a sobre o tapete cinza. Fez o mesmo com a blusa dela, e estava removendo-lhe o short quando Gina protestou com fraqueza:

-Eu não tomei banho. Estou cheia de sal e areia...

- Eu não me importo. - Ele acabou de tirar-lhe o short e jogou-o no chão sobre a pilha das outras rou pas.

- Eu me importo. - Sempre tomo banho antes de ver você - murmurou ela, tentando se esconder atrás dos braços. - Preciso me sentir limpa e cheirosa.

Harry pegou-lhe as mãos e colocou-as sobre seus ombros, segurando-lhe a cintura e roçando-lhe a boca com seus beijos.

- Você também me excita ao natural. Na verdade, seu aroma de mulher é melhor do que qualquer fragrância artificial. Uma mulher do sol, do mar e da praia.

Ele secou o restante das lágrimas do rosto dela com a língua e Gina sorriu.

- Você parece Koshka, só que sua língua é mais macia.

Harry continuou, e aproveitou-se da distração de Gina para abrir-lhe o sutiã, deixando cair areia nos lençóis, enquanto outros pequenos grãos nos seios de Gina brilhavam à luz do abajur.

- Preciso de uma toalha - disse ela, tentando sa cudir a areia do corpo.

- Areia encantada, de seu castelo encantado - mur murou ele com voz rouca. - Deixe-me ser sua toalha. - Ele repôs as mãos de Gina em seu ombro e usou a ponta dos dedos para remover o excesso de areia ao redor dos mamilos perfeitos. Depois, baixou a cabeça para soprá-los e viu os seios enrijecerem, os mamilos rosados se arrepiando com a carícia. Em seguida, pegou sua camisa e ajoelhou-se diante dela, usando o tecido macio para ajudar na limpeza.

Gina gemeu.

- O botão.

Ele olhou para a camisa.

- O botão roçou em você? Ela assentiu.

- Assim? - Deliberadamente, Harry virou a cami sa e raspou um botão contra o mamilo sensível.

Ela tremeu, a cabeça pendendo para trás, e ele repetiu, também com o outro seio, notando que aqui lo a estava excitando.

Gina fechou os olhos e gemeu, envolvida por um desejo avassalador.

- Eles estão quase limpos agora - ela o ouviu dizer. - Só tenho de... - E subitamente o tecido foi substituído pela boca quente, ao redor da aréola, com mui ta sensualidade.

- Você amamentaria o nosso bebê?

Gina arregalou os olhos surpresa para encontrar o olhar sedutor de Harry, os lábios ainda ao redor de seus mamilos.

Ela pôs a mão nos cabelos dele e puxou-lhe a ca beça.

- Como pode perguntar uma coisa dessas?

- Não quero que tenha medo de falar sobre isso. Não quero que finja que nunca aconteceu. Você teria sido uma boa mãe, Gina, nunca duvide disso.

A lembrança a fez sentir-se culpada de novo.

- Nós não devíamos estar fazendo isso.

- Mas isso a faz se sentir melhor, não faz? - Ela tremeu, confusa.

- Não vou fazer sexo com você, Harry - disse com firmeza. - Os homens sempre reduzem tudo a sexo!

- Tudo bem. Então vamos apenas ficar aconche gados na cama. Você gostaria? - sugeriu ele, puxando as cobertas e convidando-a a entrar debaixo delas. -Você nunca permitiu isso antes. Sempre que fazemos amor, e você percebe a possibilidade de qualquer um de nós adormecer em seguida, levanta-se, se veste e vai embora.

- Pensei que fosse o que você queria - disse ela, intrigada com a estranha atitude de Harry.

- Bem, você estava errada. Gosto de tê-la por perto. Eu queria fazer amor e poder dormir com você em meus braços. - Ele olhou para a calcinha de renda branca e brincou com o elástico na lateral da perna delgada.

Gina fechou as pernas e recuou. E se ele achasse areia dentro de sua calcinha?

- Eu não vou tirá-la - avisou.

Harry apoiou uma das mãos sobre o tecido.

- Acho que deveria. Está um pouco apertada, e você quer ficar confortável... - E antes que ela pudesse pis car ou protestar, sua calcinha estava voando pelo ar.

- Tudo bem, mas você não pode tirar o jeans - mur murou ela e entrou rapidamente embaixo das cobertas, usando o lençol para esconder o começo de um sor riso.

Harry pareceu desapontado, mas contentou-se em abrir o botão da calça para aliviar a pressão atrás do zíper.

Então, deitou-se de frente para Gina, perto o bas tante para roçar-lhe os seios com o peito a cada res piração, enquanto lhe acariciava, as costas.

- Isso é bom, não é? - sussurrou contra o seio de Gina, movendo uma das mãos para segurar-lhe as ná degas e ajustá-la melhor contra a parte inferior de seu corpo.

- Sim - disse ela incerta, sentindo a conhecida excitação.

Quanto mais ficava deitada ali, pior se tornava a situação. Não o queria somente para sexo, pensou, mas essa intimidade era uma expressão saudável do relacionamento, e como tal, parte indivisível do amor de Gina.

Conforme a temperatura do corpo aumentava, podia sentir a pele de Harry absorver e irradiar mais calor, até que começou a ficar desconfortável embai xo das cobertas. E ele não fazia nenhum movimento para reconhecer ou acalmar a crescente tensão entre os corpos. Estava mostrando que respeitava o desejo dela acima de seus próprios desejos carnais, quando o que Gina realmente queria não era contenção, mas impulsiva prova de vida.

Impaciente, removeu as cobertas de ambos.

- Pode fazer amor comigo agora. Harry apoiou-se sobre o cotovelo.

- Tem certeza?

Ela enterrou as unhas nos braços dele.

- Sim, tenho certeza. Harry, eu quero você. Quero que faça amor comigo agora!

Ele não precisou de um terceiro pedido. Nem foram necessárias muitas preliminares. Girou-a para a lateral da cama, puxou-lhe os quadris para a beira do colchão, então deitou em cima dela e acomodou-se até que seus pés tocassem o chão. Abriu o zíper da calça e penetrou-a, emitindo um gemido gutural quando Gina ergueu os quadris a fim de guiá-lo. Com um giro ágil dos próprios quadris, Harry acomodou-se melhor entre as pernas delgadas e inclinou a boca sedenta para os seios, e então começou a mover-se em um ritmo acelerado que ambos precisavam com urgência, levando-os rapida mente a um êxtase mútuo e violento.

Aconchegando-a em seus braços, Harry apagou a luz do abajur, e então eles fizeram amor novamente, dessa vez com calma e sensualidade. Minutos depois, puxou as cobertas em volta dos dois, acomodando-os de modo que o encaixe fosse perfeito, e murmurou com satisfação:

- E agora, vamos dormir aninhados, como todos os bons amantes fazem!