Disclaimer: personagens e lugares pertencem a JK Rowling, bla,bla,bla...
Nota: no capítulo anterior, cometi um erro. A seguir á fala de Narcisa ("Ele tinha razão...") era suposto existir uma mudança de "cenário". A cena seguinte (a do mapa) não pertence á mãe do Draco e sim a outra personagem!
...
- Eu estou a avisar-te, mulher! Cala-te com essa conversa imediatamente ou vais-te arrepender á séria!
- Só quero compreender porque é que tu és tão teimoso!
- Não sou teimoso! Isso é que não passam de tretas! E não percebo porque é que temos de continuar a desenterrar este assunto...
- Mas tu é que começaste!
Lucius e Narcisa calaram-se assim que Niko e Josey entraram no salão de jantar para tomar o pequeno-almoço, sendo seguidos por Draco. Os três ocuparam os seus lugares à mesa e imediatamente a mãe de Leigh começou a falar acerca do jantar onde fora na noite anterior. Mas Mrs. Malfoy não parecia interessada no que a cunhada lhe queria dizer e varreu a mesa com o olhar.
- A Leigh não toma o pequeno-almoço?
- Oh, passei pelo quarto dela antes de descer, mas não estava lá! –disse Josey, encolhendo os ombros –Narcisa, a minha filha já é uma mulher, sabe bem desenrascar-se dos problemas que tem!
Draco ficou aliviado, pensando na conversa que tivera com ela na noite anterior. Sabia que ela estava bem e, estando longe, alargava-se o prazo para informar Leigh acerca do caminho que escolhera. Desviou o olhar e tirou uma torrada do prato.
- Bom, amanhã teremos cá em casa uma outra pessoa para passar o Natal connosco –todos os presentes voltaram as sua faces para Lucius –Convidei o meu pai, Markus Malfoy para passar esta quadra aqui na mansão!
- Foi um gesto bonito! –sorriu Narcisa.
- Que engraçado, Lucius, há já anos que és casado com a minha irmã e nunca fiz ideia que ainda tivesses pai! –gracejou Niko, levando um copo aos lábios.
Lucius fez-lhe uma careta de desprezo. E Draco conhecia bem aquela expressão: a que fazia quando queria comer alguém vivo! Deitou chá no seu copo e desejou que a prima não abrisse a boca. Aquela expressão terrível não seria nada comparada com aquela que o pai faria se descobrisse as suas paixões.
- Teremos de ter paciência com ele. O meu pai está velho e cansado, sofre de diversas perturbações psíquicas...Internei-o há bastante tempo num lar para idosos por causa disso –Lucius olhou para a mulher, que baixou a cabeça –Estão proibidos de ligar àquilo que ele diz! Não passa de um louco!
- Tal pai, tal filho –murmurou Draco, enquanto comia a sua torrada. Felizmente, ninguém reparou naquele comentário.
- Por isso, –o homem parecia agora mais terrível que sempre –qualquer palavra que saia da sua boca não é para ser levada a sério, nem sequer é para ser ouvida. Deixem-no em paz e nunca lhe respondam! Não sabem aquilo que o meu pai é capaz de inventar! Entendido??
As últimas palavras foram proferidas aos gritos e terminou o discurso batendo com o punho na mesa. E perante tal fúria, todos acenaram afirmativamente com a cabeça.
Os flocos de neve fria e branca continuavam a cair suavemente pelas ruas. Um empregado do Ministério chegara já a colocar um feitiço de limpeza nelas para que ninguém escorregasse ou algo parecido, mas era um trabalho perdido.
Sem dúvida alguma que Leigh Maloney não se sentia á vontade naquele lugar! Os seus olhos mostravam o nojo que sentia ao ver aquele local, ao se ver no meio de tanta gente que desconhecia qual o sangue que lhes corria nas veias. Mas o coração falara mais alto do que tudo o resto e o amor que nunca esperara sentir, nem por Draco nem por ninguém, também. Apenas queria afastar quem quer que se metesse entre ela e o primo.
Olhou o pedaço de pergaminho onde, na noite anterior, escrevera o nome de Hermione. Nunca imaginara que aquele mapa manhoso, produzido por aquele rapazinho que fora enganado por ela em Durmstrang, lhe viria a ser tão útil, mas tal aconteceu! Os seus olhos azuis saltavam do papel para os números das casas que a rodeavam.
- Número 24! –murmurou assim que o avistou –Estás no papo!
Enquanto avançava para a porta do pequeno prédio de três andares, não resistiu a soltar um sorriso irónico. Hermione vivia num andar... Que era feito das casas de campo, de mansões disformes? Provavelmente, Draco não sabia onde ela vivia; se assim fosse, de certeza que pensaria duas vezes antes de fazer o que fizera. Lucius nunca aceitaria que uma Sangue de Lama pusesse os pés na mansão e seria engraçado imaginar o primo a viver naquele cubículo!
A porta não abria com um Alohomora e Leigh não achava sensato pedir à própria que a abrisse. Foi nesse momento que alguém saiu do prédio, sem sequer reparar na rapariga toda vestida de negro. Ela aproveitou a deixa e entrou.
Não ligou nenhum ao aspecto interior do edifício, apenas quis bater à porta da casa dela. "Rés-do-chão, lado esquerdo" era o que dizia no pergaminho. Se estivesse errado... Após três pancadas na porta, esperou que Hermione abrisse.
- Sim? –perguntou a morena ao abrir a porta, com cara de sono e caracóis emaranhados –Desculpe, deve ser engano!
- Não é engano nenhum! –disse Leigh, num tom de voz irónico –Não é você Miss Hermione Granger?
Ela acenou afirmativamente, mas nem teve tempo de dizer mais alguma coisa: a rapariga de negro já tinha entrado em sua casa.
- Pff... é aqui que você vive?
- Mas afinal quem é a senhora? –perguntou Hermione, perdendo o ar ensonado –Entra assim pela minha casa adentro, com esse ar enjoado, a fazer comentários sobre o local onde vivo... Que tem você com isso?
- Oh, que malcriada sou eu! –continuou a outra, encarando os olhos castanhos à sua frente –O meu nome é Leigh Maloney. Sou filha de... bom, isso não lhe interessa, mas eu sou sobrinha...de Lucius Malfoy!
Conseguiu ver o medo bailar nos olhos de Hermione e sorriu maldosamente.
- E porque é que está aqui? –inquiriu, com receio pela resposta.
- Você é que deve saber, Granger, afinal, o meu primo andava a beijá-la a si e não a mim!
- Não, não sei! O que é que você quer com tudo isso!
- Ora, julgava eu que era tão inteligente! –gozou Leigh, cruzando os braços –Vejamos, o Draco anda convencido que se apaixonou por si, mas sendo você uma Sangue de Lama só vejo duas explicações: ou o meu primo está maluco e mais vale interná-lo antes que faça mais asneiras do que já fez, ou então, você lançou-lhe um feitiço qualquer...
- E vocês a darem com os feitiços!! –explodiu ela por fim –Se o Malfoy ficou maluco a culpa não é minha!
- Claro que não! Por isso é que estou à espera que me explique como é que um sangue puro se vai apaixonar por uma Sangue de La...
- Olhe, Miss Maloney, já é a segunda vez que me insulta desde que aqui está e eu começo a irritar-me com esta história...
Leigh agarrou Hermione pelos ombros e encarou-a nos olhos. Sentiu-a tremer, provavelmente de receio com aquilo que se seguia assim que a prima de Draco fez tal gesto.
- Ama-o? –perguntou ela num sussurro, como quem conta um segredo –Ama o Draco?
Hermione parecia ter ficado nervosa e começou a gaguejar.
- N-não! Não...
- Não foi isso que me pareceu quando vos vi a beijarem-se um ao outro! –atirou a outra.
- Isso era totalmente diferente, eu estava fora de mim –argumentou Hermione, tornando-se cada vez mais vermelha –Foi como se a minha mente me tivesse deixado naquele momento e eu não soubesse o que fazia...
- Porque é que eu tenho a impressão que me está a mentir? Sabe, eu gosto de mentir aos outros, mas não suporto que os outros me mintam a mim!
- E isso diz logo o tipo de pessoa que é!
A situação estava a ficar fora de controlo e Leigh estava a controlar toda a sua vontade de estrangular a mulher à sua frente. Mas naquele momento, não tinha quaisquer forças para um homicídio. Em vez disso, carregou nos ombros com força e franziu as sobrancelhas.
- Oiça –pediu Hermione calmamente, contorcendo-se de dores com a pressão que Leigh exercia sobre si - confesso que acho o Malfoy...digamos...um rapaz de vista agradável! Pode ser bonit...bom, a verdade é que ele é terrível por dentro, não passa de um poço de veneno e ruindade! Não, eu não...não o amo, entende?
Desviou o olhar da cara pálida e determinada que a observava. O que Leigh entendia era que Hermione Granger lhe mentia com quantos dentes tinha na boca. Talvez numa outra conversa não tivesse entendido, mas, apesar de não pensarem assim, a verdade é que a sobrinha de Lucius Malfoy era muito inteligente quando o assunto era as suas próprias paixões. Sabia bem quando estava em perigo...e percebeu que Hermione era falsa enquanto conversava.
No entanto, decidiu aproveitar-se do momento para seu próprio proveito e, indo na onda, largou-a.
- Se assim o diz... –murmurou Leigh, preparando-se para sair –Só espero que se lembre disto: deixe o meu primo em paz, desapareça da vida dele...saia de uma vez por todas!
Abriu a porta e abandonou o apartamento, com a mágoa como companheira. Levava na alma o peso da derrota amorosa e custava-lhe...muito! Precisava curá-la quanto antes, nem que precisasse de enganar para esse objectivo.
E apesar de já não a poder ver, tinha a certeza que, naquele exacto momento, Hermione Granger estava desesperada, procurando uma maneira de saber ler o seu coração correctamente.
- Ah, finalmente!! –gritou Josey, assim que viu a filha chegar a casa –Sei que não te metes em idiotices, mas será que custa muito avisar quando sais e quando voltas?
Leigh balbuciou uma resposta ao acaso e chegou-se perto do primo, que, sentado na sua poltrona, lia um livro descansadamente. Narcisa desviou os olhos do papel que lia e observou os dois primos.
- Podemos falar? –pediu ela ao primo.
Lucius, que também se encontrava no salão, quebrou o transe e deixou de observar o fogo que ardia na lareira ("Era bom que caísses lá dentro!" –pensava Draco enraivecido). Imediatamente, pousou os olhos no casal, com um sorriso irónico na cara.
- Que é que tu queres? –perguntou o loiro, assim que entraram no quarto dele.
Ela não respondeu. Inesperadamente, agarrou Draco pelo pescoço e, sem dar tempo para pensar, beijou-o. Este nem soube como reagir a tal acto; a prima agarrava-o como se se fossem separar durante anos!
Mas por muito bom que ele fosse, o rapaz não conseguia apreciar aquele beijo. Segundo aquilo que a mãe lhe dissera, estava apaixonado –e não era suposto andar com outras raparigas ser algo agradável.
- Leigh!! –gritou furioso, afastando a rapariga de si –Porque é que fizeste isso?
- Ainda não percebeste? Eu gosto de ti, Draco, eu amo-te! Estou apaixonada por ti desde o dia em que te reencontrei e tu ainda não conseguiste entender!!
- Pelo Senhor das Trevas, Leigh, vê se te controlas! Pareces mais uma...
- O teu tempo acabou, Draco! –interrompeu ela, abruptamente –Que escolhes tu afinal? A tua família de sempre ou aquela amostra de gente?
Draco franziu o sobrolho ao ouvir aquele palavreado, mas não disse nada. Ao mesmo tempo, tentou arranjar a resposta que daria: estaria ele pronto a desistir do amor ou da vida? Apenas queria ter mais tempo para pensar, mas a prima estava ali, á sua frente, á espera de o ver assinar a sua sentença de morte.
- Ouve, Leigh: eu não quero que o meu pai descubra aquilo que se passou entre mim e a Hermione, é verdade. Mas... –suspirou profundamente, receoso daquilo que se iria seguir, mas não estava disposto a mentir –Eu nunca serei capaz de a esquecer! Não sou capaz de tal coisa e espero que entendas o que eu te digo...
- Estás a estragar a tua vida por uma rapariga que nem sequer gosta de ti!
O ambiente ficou pesado. Draco, ainda amuado com o beijo que recebera, não gostou daquilo que Leigh lhe dissera, apesar de saber que era o mais provável. Ela congratulou-se interiormente, por conseguir enganar o primo. Talvez aquilo o fizesse mudar de ideias, mas estava sem sorte...
- Eu prefiro estar apaixonado por alguém que não goste de mim a namorar uma rapariga de quem não gosto apenas porque ela me quer!
Ele abanou a cabeça e tentou colocar a mão no ombro da prima, mas ela não deixou. Estava desiludida. Zangada. Raivosa. Sabia bem que Draco lhe dirigira aquelas palavras propositadamente, eram palavras sobre ela! Levantou os olhos azuis, percorridos por uma cortina de raiva e apenas conseguiu dizer:
- Fizeste a tua escolha!
Continua...
N/A: mais uma vez, peço imensas desculpas pelo atraso enorme para actualizar esta fic, mas a verdade é que ando meio ocupada nestes últimos tempos (fim do ano lectivo, vocês sabem...). Espero que não estejam zangadas! Obrigada, como sempre, a todos aqueles que a lêem, que apreciam e umas palavras especiais para:
Maira Granger: por continuares sempre a deixar uma mensagem de apoio aqui;
Slayer Malfoy: eu prometo mesmo não te deixar órfã! Posso só mesmo demorar um bocadinho. XD Por todas as mensagens de apoio também;
JanePotter: claro, a minha amiga que está aqui sempre a fazer companhia á Belinha;
BabyAngel: nina, eu sei que durante este tempo todo não passei por lá, mas agora tenho um tempo livre e vou ler as tuas fics! Só se der asneira no site e eu não conseguir é que não vai lá aparecer uma review minha! E obrigada por tudo.
Pandora: bem, outra que eu ainda não deixei review. Mas é o mesmo de cima, vou lá agora! XD E também ainda tenho um e-mail para te mandar! Vai já...obrigada sempre por todo o apoio que me tens dado!
Próximo capítulo: será que Leigh irá mesmo revelar a verdade sobre Draco? E quem é Markus Malfoy? Aproxima-se o Natal que Draco nunca conseguirá esquecer...
Nota: no capítulo anterior, cometi um erro. A seguir á fala de Narcisa ("Ele tinha razão...") era suposto existir uma mudança de "cenário". A cena seguinte (a do mapa) não pertence á mãe do Draco e sim a outra personagem!
...
- Eu estou a avisar-te, mulher! Cala-te com essa conversa imediatamente ou vais-te arrepender á séria!
- Só quero compreender porque é que tu és tão teimoso!
- Não sou teimoso! Isso é que não passam de tretas! E não percebo porque é que temos de continuar a desenterrar este assunto...
- Mas tu é que começaste!
Lucius e Narcisa calaram-se assim que Niko e Josey entraram no salão de jantar para tomar o pequeno-almoço, sendo seguidos por Draco. Os três ocuparam os seus lugares à mesa e imediatamente a mãe de Leigh começou a falar acerca do jantar onde fora na noite anterior. Mas Mrs. Malfoy não parecia interessada no que a cunhada lhe queria dizer e varreu a mesa com o olhar.
- A Leigh não toma o pequeno-almoço?
- Oh, passei pelo quarto dela antes de descer, mas não estava lá! –disse Josey, encolhendo os ombros –Narcisa, a minha filha já é uma mulher, sabe bem desenrascar-se dos problemas que tem!
Draco ficou aliviado, pensando na conversa que tivera com ela na noite anterior. Sabia que ela estava bem e, estando longe, alargava-se o prazo para informar Leigh acerca do caminho que escolhera. Desviou o olhar e tirou uma torrada do prato.
- Bom, amanhã teremos cá em casa uma outra pessoa para passar o Natal connosco –todos os presentes voltaram as sua faces para Lucius –Convidei o meu pai, Markus Malfoy para passar esta quadra aqui na mansão!
- Foi um gesto bonito! –sorriu Narcisa.
- Que engraçado, Lucius, há já anos que és casado com a minha irmã e nunca fiz ideia que ainda tivesses pai! –gracejou Niko, levando um copo aos lábios.
Lucius fez-lhe uma careta de desprezo. E Draco conhecia bem aquela expressão: a que fazia quando queria comer alguém vivo! Deitou chá no seu copo e desejou que a prima não abrisse a boca. Aquela expressão terrível não seria nada comparada com aquela que o pai faria se descobrisse as suas paixões.
- Teremos de ter paciência com ele. O meu pai está velho e cansado, sofre de diversas perturbações psíquicas...Internei-o há bastante tempo num lar para idosos por causa disso –Lucius olhou para a mulher, que baixou a cabeça –Estão proibidos de ligar àquilo que ele diz! Não passa de um louco!
- Tal pai, tal filho –murmurou Draco, enquanto comia a sua torrada. Felizmente, ninguém reparou naquele comentário.
- Por isso, –o homem parecia agora mais terrível que sempre –qualquer palavra que saia da sua boca não é para ser levada a sério, nem sequer é para ser ouvida. Deixem-no em paz e nunca lhe respondam! Não sabem aquilo que o meu pai é capaz de inventar! Entendido??
As últimas palavras foram proferidas aos gritos e terminou o discurso batendo com o punho na mesa. E perante tal fúria, todos acenaram afirmativamente com a cabeça.
Os flocos de neve fria e branca continuavam a cair suavemente pelas ruas. Um empregado do Ministério chegara já a colocar um feitiço de limpeza nelas para que ninguém escorregasse ou algo parecido, mas era um trabalho perdido.
Sem dúvida alguma que Leigh Maloney não se sentia á vontade naquele lugar! Os seus olhos mostravam o nojo que sentia ao ver aquele local, ao se ver no meio de tanta gente que desconhecia qual o sangue que lhes corria nas veias. Mas o coração falara mais alto do que tudo o resto e o amor que nunca esperara sentir, nem por Draco nem por ninguém, também. Apenas queria afastar quem quer que se metesse entre ela e o primo.
Olhou o pedaço de pergaminho onde, na noite anterior, escrevera o nome de Hermione. Nunca imaginara que aquele mapa manhoso, produzido por aquele rapazinho que fora enganado por ela em Durmstrang, lhe viria a ser tão útil, mas tal aconteceu! Os seus olhos azuis saltavam do papel para os números das casas que a rodeavam.
- Número 24! –murmurou assim que o avistou –Estás no papo!
Enquanto avançava para a porta do pequeno prédio de três andares, não resistiu a soltar um sorriso irónico. Hermione vivia num andar... Que era feito das casas de campo, de mansões disformes? Provavelmente, Draco não sabia onde ela vivia; se assim fosse, de certeza que pensaria duas vezes antes de fazer o que fizera. Lucius nunca aceitaria que uma Sangue de Lama pusesse os pés na mansão e seria engraçado imaginar o primo a viver naquele cubículo!
A porta não abria com um Alohomora e Leigh não achava sensato pedir à própria que a abrisse. Foi nesse momento que alguém saiu do prédio, sem sequer reparar na rapariga toda vestida de negro. Ela aproveitou a deixa e entrou.
Não ligou nenhum ao aspecto interior do edifício, apenas quis bater à porta da casa dela. "Rés-do-chão, lado esquerdo" era o que dizia no pergaminho. Se estivesse errado... Após três pancadas na porta, esperou que Hermione abrisse.
- Sim? –perguntou a morena ao abrir a porta, com cara de sono e caracóis emaranhados –Desculpe, deve ser engano!
- Não é engano nenhum! –disse Leigh, num tom de voz irónico –Não é você Miss Hermione Granger?
Ela acenou afirmativamente, mas nem teve tempo de dizer mais alguma coisa: a rapariga de negro já tinha entrado em sua casa.
- Pff... é aqui que você vive?
- Mas afinal quem é a senhora? –perguntou Hermione, perdendo o ar ensonado –Entra assim pela minha casa adentro, com esse ar enjoado, a fazer comentários sobre o local onde vivo... Que tem você com isso?
- Oh, que malcriada sou eu! –continuou a outra, encarando os olhos castanhos à sua frente –O meu nome é Leigh Maloney. Sou filha de... bom, isso não lhe interessa, mas eu sou sobrinha...de Lucius Malfoy!
Conseguiu ver o medo bailar nos olhos de Hermione e sorriu maldosamente.
- E porque é que está aqui? –inquiriu, com receio pela resposta.
- Você é que deve saber, Granger, afinal, o meu primo andava a beijá-la a si e não a mim!
- Não, não sei! O que é que você quer com tudo isso!
- Ora, julgava eu que era tão inteligente! –gozou Leigh, cruzando os braços –Vejamos, o Draco anda convencido que se apaixonou por si, mas sendo você uma Sangue de Lama só vejo duas explicações: ou o meu primo está maluco e mais vale interná-lo antes que faça mais asneiras do que já fez, ou então, você lançou-lhe um feitiço qualquer...
- E vocês a darem com os feitiços!! –explodiu ela por fim –Se o Malfoy ficou maluco a culpa não é minha!
- Claro que não! Por isso é que estou à espera que me explique como é que um sangue puro se vai apaixonar por uma Sangue de La...
- Olhe, Miss Maloney, já é a segunda vez que me insulta desde que aqui está e eu começo a irritar-me com esta história...
Leigh agarrou Hermione pelos ombros e encarou-a nos olhos. Sentiu-a tremer, provavelmente de receio com aquilo que se seguia assim que a prima de Draco fez tal gesto.
- Ama-o? –perguntou ela num sussurro, como quem conta um segredo –Ama o Draco?
Hermione parecia ter ficado nervosa e começou a gaguejar.
- N-não! Não...
- Não foi isso que me pareceu quando vos vi a beijarem-se um ao outro! –atirou a outra.
- Isso era totalmente diferente, eu estava fora de mim –argumentou Hermione, tornando-se cada vez mais vermelha –Foi como se a minha mente me tivesse deixado naquele momento e eu não soubesse o que fazia...
- Porque é que eu tenho a impressão que me está a mentir? Sabe, eu gosto de mentir aos outros, mas não suporto que os outros me mintam a mim!
- E isso diz logo o tipo de pessoa que é!
A situação estava a ficar fora de controlo e Leigh estava a controlar toda a sua vontade de estrangular a mulher à sua frente. Mas naquele momento, não tinha quaisquer forças para um homicídio. Em vez disso, carregou nos ombros com força e franziu as sobrancelhas.
- Oiça –pediu Hermione calmamente, contorcendo-se de dores com a pressão que Leigh exercia sobre si - confesso que acho o Malfoy...digamos...um rapaz de vista agradável! Pode ser bonit...bom, a verdade é que ele é terrível por dentro, não passa de um poço de veneno e ruindade! Não, eu não...não o amo, entende?
Desviou o olhar da cara pálida e determinada que a observava. O que Leigh entendia era que Hermione Granger lhe mentia com quantos dentes tinha na boca. Talvez numa outra conversa não tivesse entendido, mas, apesar de não pensarem assim, a verdade é que a sobrinha de Lucius Malfoy era muito inteligente quando o assunto era as suas próprias paixões. Sabia bem quando estava em perigo...e percebeu que Hermione era falsa enquanto conversava.
No entanto, decidiu aproveitar-se do momento para seu próprio proveito e, indo na onda, largou-a.
- Se assim o diz... –murmurou Leigh, preparando-se para sair –Só espero que se lembre disto: deixe o meu primo em paz, desapareça da vida dele...saia de uma vez por todas!
Abriu a porta e abandonou o apartamento, com a mágoa como companheira. Levava na alma o peso da derrota amorosa e custava-lhe...muito! Precisava curá-la quanto antes, nem que precisasse de enganar para esse objectivo.
E apesar de já não a poder ver, tinha a certeza que, naquele exacto momento, Hermione Granger estava desesperada, procurando uma maneira de saber ler o seu coração correctamente.
- Ah, finalmente!! –gritou Josey, assim que viu a filha chegar a casa –Sei que não te metes em idiotices, mas será que custa muito avisar quando sais e quando voltas?
Leigh balbuciou uma resposta ao acaso e chegou-se perto do primo, que, sentado na sua poltrona, lia um livro descansadamente. Narcisa desviou os olhos do papel que lia e observou os dois primos.
- Podemos falar? –pediu ela ao primo.
Lucius, que também se encontrava no salão, quebrou o transe e deixou de observar o fogo que ardia na lareira ("Era bom que caísses lá dentro!" –pensava Draco enraivecido). Imediatamente, pousou os olhos no casal, com um sorriso irónico na cara.
- Que é que tu queres? –perguntou o loiro, assim que entraram no quarto dele.
Ela não respondeu. Inesperadamente, agarrou Draco pelo pescoço e, sem dar tempo para pensar, beijou-o. Este nem soube como reagir a tal acto; a prima agarrava-o como se se fossem separar durante anos!
Mas por muito bom que ele fosse, o rapaz não conseguia apreciar aquele beijo. Segundo aquilo que a mãe lhe dissera, estava apaixonado –e não era suposto andar com outras raparigas ser algo agradável.
- Leigh!! –gritou furioso, afastando a rapariga de si –Porque é que fizeste isso?
- Ainda não percebeste? Eu gosto de ti, Draco, eu amo-te! Estou apaixonada por ti desde o dia em que te reencontrei e tu ainda não conseguiste entender!!
- Pelo Senhor das Trevas, Leigh, vê se te controlas! Pareces mais uma...
- O teu tempo acabou, Draco! –interrompeu ela, abruptamente –Que escolhes tu afinal? A tua família de sempre ou aquela amostra de gente?
Draco franziu o sobrolho ao ouvir aquele palavreado, mas não disse nada. Ao mesmo tempo, tentou arranjar a resposta que daria: estaria ele pronto a desistir do amor ou da vida? Apenas queria ter mais tempo para pensar, mas a prima estava ali, á sua frente, á espera de o ver assinar a sua sentença de morte.
- Ouve, Leigh: eu não quero que o meu pai descubra aquilo que se passou entre mim e a Hermione, é verdade. Mas... –suspirou profundamente, receoso daquilo que se iria seguir, mas não estava disposto a mentir –Eu nunca serei capaz de a esquecer! Não sou capaz de tal coisa e espero que entendas o que eu te digo...
- Estás a estragar a tua vida por uma rapariga que nem sequer gosta de ti!
O ambiente ficou pesado. Draco, ainda amuado com o beijo que recebera, não gostou daquilo que Leigh lhe dissera, apesar de saber que era o mais provável. Ela congratulou-se interiormente, por conseguir enganar o primo. Talvez aquilo o fizesse mudar de ideias, mas estava sem sorte...
- Eu prefiro estar apaixonado por alguém que não goste de mim a namorar uma rapariga de quem não gosto apenas porque ela me quer!
Ele abanou a cabeça e tentou colocar a mão no ombro da prima, mas ela não deixou. Estava desiludida. Zangada. Raivosa. Sabia bem que Draco lhe dirigira aquelas palavras propositadamente, eram palavras sobre ela! Levantou os olhos azuis, percorridos por uma cortina de raiva e apenas conseguiu dizer:
- Fizeste a tua escolha!
Continua...
N/A: mais uma vez, peço imensas desculpas pelo atraso enorme para actualizar esta fic, mas a verdade é que ando meio ocupada nestes últimos tempos (fim do ano lectivo, vocês sabem...). Espero que não estejam zangadas! Obrigada, como sempre, a todos aqueles que a lêem, que apreciam e umas palavras especiais para:
Maira Granger: por continuares sempre a deixar uma mensagem de apoio aqui;
Slayer Malfoy: eu prometo mesmo não te deixar órfã! Posso só mesmo demorar um bocadinho. XD Por todas as mensagens de apoio também;
JanePotter: claro, a minha amiga que está aqui sempre a fazer companhia á Belinha;
BabyAngel: nina, eu sei que durante este tempo todo não passei por lá, mas agora tenho um tempo livre e vou ler as tuas fics! Só se der asneira no site e eu não conseguir é que não vai lá aparecer uma review minha! E obrigada por tudo.
Pandora: bem, outra que eu ainda não deixei review. Mas é o mesmo de cima, vou lá agora! XD E também ainda tenho um e-mail para te mandar! Vai já...obrigada sempre por todo o apoio que me tens dado!
Próximo capítulo: será que Leigh irá mesmo revelar a verdade sobre Draco? E quem é Markus Malfoy? Aproxima-se o Natal que Draco nunca conseguirá esquecer...
