10. A verdade

A noite estava fria. As pessoas do reino foram se deitar bem cedo. Primeiro porque o dia seguinte seria um dia muito especial para todos. Seria o dia do casamento de seu rei. Depois porque a noite estava tão fria que era impossível continuar na rua.

Heero caminhava sem pressa pelos corredores do castelo. Todos já haviam ido se deitar. Ao menos era o que ele pensava, antes de passar pela entrada da sala, onde pode avistar Zechs e Noin que não se desgrudavam um só minuto. Eles se beijavam e trocavam juras de amor, enquanto conversavam sobre um futuro juntos.

Heero viu a cena e apesar de sua tristeza e angustia por não ter noticias de Relena, não pode deixar de sorrir. Zechs sempre havia sido um grande amigo e um companheiro de batalhas extremamente fiel. Ele merecia ser feliz, encontrar alguém que o desse valor. E Noin era uma excelente escolha. Ela sempre foi uma pessoa muito gentil, não só com o rei Heero Yui, mas também com o jovem sem família Onne, a quem ela havia conhecido quando ainda eram crianças.

Ele se lembra com nostalgia as inúmeras vezes que Noin ia visitar a Relena e diferentemente das outras crianças ela sempre o convidava a participar com elas dos jogos e brincadeiras. Ela não havia mudado nada. Sempre gentil, determinada e guerreira. Era essa a Noin que ele conheceu e ainda conhece. Sempre fiel a Relena como uma verdadeira irmã, apesar de não terem ligação de sangue.

Com um silencioso consentimento ao amor do casal, Heero fechou a porta da sala para assim, poder dar uma maior privacidade a eles. Os dois estavam tão compenetrados um ao outro que não notaram a porta se fechar.

Heero continuou seu caminho. Fazendo a ronda pelo castelo, vendo se tudo estava em ordem. Ritual que ele fazia sempre que se sentia sozinho. E o fato de estar longe de Relena não estava ajudando. A cada passo que dava, se perguntava onde ela poderia estar. O que poderia estar fazendo. Com quem estaria.

- Será que ela esta sendo bem protegida? – Pensou.

Uma das frases que nunca saia da cabeça dele. Caminhou até o quarto dela. Encostou a mão direita na maçaneta e a cabeça na madeira da porta. Pensando, implorando para que no momento em que ele abrisse a porta, tudo não tivesse passado de um pesadelo e ela estivesse ali, sorrindo para ele.

Esse sorriso que só ela tinha. Puro, inocente. O sorriso que ele jurou proteger. O qual era capaz de derreter o coração de pedra que ele tinha. O sorriso que trazia calor para vida dele. Num momento brusco de coragem, abriu a porta com velocidade.

Mas os olhos que antes estavam esperançosos, perderam novamente seu brilho, voltando a ser tristes. Caminhou até a cama dela. Essa cama que todas as noites dava descanso para sua amada. Tocou os lençóis, depois o travesseiro e o puxou para sentir o cheiro. Sim. O cheiro dela ainda estava ali.

Heero abraçou aquele travesseiro com o máximo de força que havia lhe restado. Mas não adiantou nada. O fato de sentir o cheiro dela só piorou a situação. Deixou o travesseiro escorregar e cair novamente sobre a cama. Olhou para o guarda roupa caminhou rápido até ele e o abriu. Nada. Foi o que encontrou. Nada. Ela havia levado tudo. Não tinha deixado nada pra ele poder sentir o cheiro dela, para poder lembrar. De como por pouco se tornou seu marido.

- Onde você está? Pra onde você foi? – Novamente não pode evitar pensar nisso.

Caminhou para o banheiro, entrou a procura de algo que talvez ela pudesse ter esquecido pra trás. Mas, nada encontrou. Somente a solidão e a dor da perda. Olhou tristonho para cada canto daquele lugar, para logo sair. Olhou para o quarto. Vazio. Solitário. Como era antes dela chegar. E pior agora que ela partiu.

- Você vai voltar pra mim? – Se perguntou em pensamento.

Mas, ninguém respondeu a sua pergunta. Ninguém poderia respondê-la. A não ser Relena. Mas, ela não quis conversar com ele. Ou será que foi ele que não quis escutar o que ela queria dizer? Era uma das perguntas que mais o torturava e que ele tentava evitar.

Caminhou novamente até a cama e se deixou cair pesadamente sobre ela. O cheiro de Relena permanecia forte no tecido dos lençóis da cama. Era como se ela ainda estivesse ali com ele. Fechou os olhos para melhor visualizar o rosto de sua amada, na esperança de que estivesse tendo um pesadelo. E quando acordasse desse pesadelo ela viria até ele e o beijaria. Diria que nunca o deixaria e que nunca sairia de seu lado.

Mas, foi tirado de seus sonhos com o gelar da suave brisa que entrava pela janela. Levantou-se calmamente e caminhou até ela. Colocou o rosto pra fora e o vento gelado o atingiu sem piedade. Parecia que até mesmo o clima queria castigá-lo. Apoiou os cotovelos sobre a janela e sobre as mãos fechadas o queixo.

- Durante todos esses anos... O que mais desejei e almejei era estar com você! Sem me preocupar em como faria isso. O que deveria ser dito ou feito pra isso. E consegui. Te tive em minha mãos. Mas agora te perdi. – Ele falava sozinho. Seu desejo era que o vento daquela noite fria pudesse levar suas palavra e angustia até sua querida Relena. Olhou para suas mãos e continuou. – Você esteve aqui. Pude te segurar com minhas próprias mãos. Mas por egoísmo de minha parte... Te perdi. Você escorregou pelos meus dedos e não consegui impedir sua partida. Como dói amar. Onne sabia disso. E Heero... Heero sente isso!

Ele levantou o olhar aos céus e pode contemplar a lua. Linda, cheia e brilhante. Ela estava mais linda nessa noite que no começo da semana. A olhou com desdém.

- A caso, você vem zombar da minha dor? – Perguntou olhando para a lua.

Olhou novamente para o quarto. Observou cada canto dele e com ganas de chorar. Coisa que nunca havia sentido antes. Mas, sem derrubar uma lagrima sequer, encarou novamente a lua e perguntou.

- Ela voltará? Relena voltará pra mim? Diga-me! Pare de zombar de mim e responda... RELENA VOLTARÁ PRA MIM? – Gritou.

Mas como de se esperar não obteve resposta. Mas algo mudou. Sentiu um calor, uma calma se apossar de seu peito. Não sabia o que era, nem o que poderia significar. Mas, se sentiu acolhido por isso. Olhou para o lado e viu uma poltrona. A puxou e se sentou nela. Encostou a cabeça pra traz no encosto da poltrona e ficou contemplando a lua.

- Relena!

-/-/-

- Relena!

A jovem que estava o tempo todo na janela contemplando a linda lua que estava iluminando aquele majestoso céu estrelado, virasse subitamente ao ouvir seu nome, sendo pronunciado por uma voz muito conhecida e apreciada por ela. Olha com assombro a todos os cantos do quarto, a procura do dono da voz. Mas era impossível. Ele não estava ali.

- Heero...

Voltou a olhar para a lua com um olhar triste em sua feição angelical. Soltou um suspiro de cansaço. Desejou saber noticias dele. Mas impossível. Nem em baixo do mesmo teto estavam.

- Será que você também está olhando para lua essa noite?

Era a pergunta que se fazia. Acomodou melhor a manta que a envolvia tentando se proteger do frio. Em sua mente, não podia deixar de se perguntar se ele estava bem agasalhado. Se havia se alimentado direito...

- Será que andou matando alguém hoje? – Não pode deixar de sorrir ao pensar nisso.

Em sua mente se passavam as lembranças de cada momento que passou com Onne. Quando criança, as inúmeras vezes que ele a ajudou, curou seus machucados as vezes que caiu. Passou os dedos nos lábios ao se lembrar do seu primeiro beijo.

- Foi lindo e especial...

Lembrou também dos momentos vividos com Heero. Os beijos ardentes, os arrepios que sentiu quando foi tocada por ele e a forma com a qual sempre se sentia perdida dentro do olhar dele. Mas, ao mesmo tempo, protegida. Cuidada, acolhida. Com Onne se sentia segura, mas, Heero... Apesar de serem a mesma pessoa, eles tem tanta coisa diferente.

Lembrou da vez que encontrou Heero calmamente, bebendo uma taça de vinho tinto enquanto espancavam a chicotadas aquele homem. Sorrio ao se lembrar e suas reações. Ela ficou tão nervosa, que chegou a ficar cega e não quis ouvir nada. Ele ao mesmo tempo se espantou com a presença dela ali.

Ela saiu correndo e ele a seguiu. – Teve que usar de autoridade pra me parar! – Ela sorriu mais ainda com o próprio comentário. Heero a forçou a entrar na sala do trono e como a pose de um verdadeiro e inigualável rei, exigiu uma explicação e a repreendeu.

- Um rei... É isso que ele é... Um verdadeiro Rei!

Então foi ai que a semelhança de Onne e Heero começou a ficar cada vez mais forte para ela.

Flash Back

- Algum problema? – Ele perguntou ao ver o olhar dela.

- Você me lembra alguém...

- Eu... Te lembro alguém?

- Sim... Muito!

- Quem?

- O homem que amei...

- Não ama mais?

- Não sei...

- Então... Esperarei até que saiba.

Fim do Flash Back

- Você sabia... Era você o tempo todo... Por quê? Porque não me disse a verdade?

-Ele tinha medo de te perder.

Relena se virou bruscamente a procura do dono daquela voz. Ao encontrá-lo franziu a testa com ira e desprezo. Era ele. O culpado de toda aquela situação, o homem q havia separado os dois quando ainda eram crianças.

- Você... – Disse Relena tentando controlar o ódio.

- A senhorita se tornou uma mulher lindíssima princesa. Dá gosto vê-la. – Disse duque J com um sorriso em seus lábios, tentando acalmar a situação.

- Não preciso de seus elogios. Somente de suas explicações! Por quê? Porque escolheu ao Onne? Porque ele? O que você viu nele?

- Eu vi um rei! – Nesse momento os olhos do duque brilharam tão intensamente quanto à lua.

- Como assim? – Perguntou ela intrigada.

- Exatamente... Um rei!

Relena olhou-o desconfiada, mas decidiu se sentar e esperar que o duque terminasse de narrar sua história. Vendo ele que Relena não apresentaria nenhuma objeção em ouvir a sua versão, sorriu. Aproximou-se de uma poltrona que estava situada ao lado da cama, onde ela estava sentada, e se acomodou pra começar sua explicação.

- Bem... Na realidade Heero nunca foi Onne.

- Como assim?

- Ele sempre se chamou Heero Yui. O herdeiro do trono. O ultimo descendente dos Yui! A quem por anos eu procurei.

- Esta me dizendo que Onne sempre foi um príncipe?

- Exatamente! O problema é que há muitos anos a família real e seu único herdeiro ao trono, Heero Yui, foram em uma viajem e a carruagem foi atacada. – Duque abaixou a cabeça com tristeza no olhar. – Os pais de Heero foram brutalmente assassinados. Mas ele conseguiu escapar. – Nesse instante ele volta a olhar pra Relena e seu olhar se torna de orgulho.

- A... Assassinados? – Ela estava intrigada, surpreendida e horrorizada com aquela revelação.

- Sim... O rei era um homem honrado, nobre, destemido. A rainha uma mulher belíssima, gentil, justa, com um olhar único de pura classe. Heero saiu uma mistura surpreendentemente perfeita dos pais.

- Acho que até consigo imaginar...

- Assim q soube da noticia do assassinato, saí pessoalmente à procura de Heero. Mas nada encontrei. Foram quatro anos a procura dele... Até que...

- Até que você passou pelo reino de meu pai... Certo?

- Exato. – Ele sorriu ao se lembrar. – Quando olhei para o jovem a minha frente, aquele q todos chamavam de Onne, me surpreendi. O reconheci de imediato! Queria poder abraçá-lo... Mas pude perceber que ele havia perdido a memória. Pois não tinha me reconhecido e tão pouco tentou voltar pra casa.

- Por que não nos contou a verdade? –Relena ergueu a sobrancelha com curiosidade.

- Pensei em dizer... Mas pude ver que meu estimado príncipe havia se apaixonado! E se eu abrisse o jogo às claras ele não aceitaria simplesmente voltar comigo e deixa-la pra trás.

- Então?

- Então eu lhe fiz uma proposta irrecusável!

- Qual? – Ela estava perplexa com toda aquela revelação.

- Eu prometi fazer dele um verdadeiro rei. Digno de se casar com você!

Relena abriu os olhos surpreendida com tudo o que tinha acabado de escutar.

- Quer dizer que foi por mim? O tempo todo foi por mim? – As lagrimas escorriam pelo rosto angelical dela.

- Sim... Você é o motivo pelo qual Heero voltou a ser um rei!

- Mas... Por quê? Porque ele não me procurou? Porque não me contou a verdade?

- Ele pensou em te procurar quando ficou sabendo da morte de seu pai. Ele até mesmo compareceu ao enterro, mas ficou escondido. Te observou sem ser visto! Até o dia que ficou sabendo da noticia que você procurava um marido...

- Sim...

- Ele decidiu que essa era a hora exata. Ele tinha medo de que se você descobrisse a verdade nunca o perdoasse. Por isso, resolveu se apresentar como rei e não revelar no momento quem ele era.

- Entendi...

- Mas ele te contaria toda a verdade após o casamento. Assim ele teria certeza que você não o deixaria! Em outras palavras... Ele teve medo de te perder!

- Heero... – Relena sussurrou o nome dele enquanto as lagrimas escorriam.

O duque se levantou e começou a caminhar até a porta. Abriu e antes de sair voltou-se para Relena e falou.

- E agora princesa? O futuro, a decisão, o amor... Está tudo em suas mãos! Você pode partir, casar com outro rei e viver uma vida estável. Ou pode correr para os braços do homem que tudo o que fez na vida foi pensar em você! Então me fala... O que você irá escolher?

Relena olhou para o duque com assombro. Este a sorriu, deu as costas e partiu. Deixando-a perdida em seus próprios pensamentos e duvidas.

... Continua...

Olha eu aqui de novo...

Sei q tenho demorado mas a falta de tempo não ta facil...

Me desculpem...

Mas espero que tenham gostado desse capitulo e por favor, não esqueçam minhas reviews!

Para me darem inspiração!

Beijos e até breve...