X – "O tempo não pára".
- Certo, estamos a caminho.
As equipes jounnins de Konoha já se encontravam no prédio Hokage, quando a notícia do Capitão Yamato irrompeu aos limites da sala. A Hokage, que antes estava apreensiva quanto ao paradeiro do Hyuuga, Mitsashi e principalmente do Uzumaki, suspirou aliviada com as "boas novas". Enfim, estavam vivos, não eram nas melhores condições, mas estavam vivos, por hora, essa notícia já bastava.
O "conselho de velharias" tinha os nervos aflorados, discutiam toda hora com a Godaime, enfatizando sempre o mesmo discurso. "Nós avisamos Hime, o Jinchuuriki fica!"... "Nós sabíamos Hime, o Uchiha ainda é um traidor". Tsunade não suportava o fato de, simplesmente, não ter notícias nem de um, nem de outro, portanto ter escutado a voz de Yamato, fora suficiente para calar o conselho. Mas não calou seu coração.
- Jounnins! - bradou a loira. - A missão será a mesma pra todos. Antes que Uchiha Madara consiga atacar Konoha, todos vocês irão de encontro com o inimigo. A minha decisão pode ser perigosa, mas essa é à hora de confiar seus poderes em defesa da Vila. Essa é à hora de cada um aqui, mostrar seu valor... Matem Uchiha Madara, resgatem Mitsashi Tenten e se preciso for, matem Uchiha Sasuke. - Os olhos de Tsunade expressavam a euforia de um líder, de um verdadeiro comandante de guerra. Expressavam a força e o poder do Clã Senju, presente em cada célula do corpo da Godaime de Konoha. A estratégia fora meticulosamente montada por ela e Shikamaru, afinal, não repetiria os erros do passado... Se um ataque estava por vir, iria se antecipar a ele.
Os jounnins se espantaram com a firmeza e empolgação na voz de Tsunade, parecia que ela vibrava com o perigo dessa missão. E de fato era verdade, um pouco de ação fora da Vila seria de bom grado pra sennin lendária. Ela vibrava, pelo fato de transportar o coração guerreiro, em seus jounnins, já que o grande dever da mesma era ficar e proteger Konoha, de qualquer investida. Nestas horas sentia inveja do Kazekage, Sabaku no Gaara, já que as fortificações e organização militar de Suna permitiam que o Kaze viajassem em algumas ocasiões... Ela nem isso tinha mais.
Todos, menos um jounnin em questão se excitaram com a possibilidade de uma grande batalha: Yamanaka Ino. A bela loira de curvas, que invejavam desde as ninjas mais bonitas, até as mulheres comuns, sentiu um frio cortar-lhe a espinha quando gravou as palavras da Hokage "se preciso for, matem Uchiha Sasuke".
De fato, Ino não esquecera o amor do passado. Por anos, os amigos pensavam que a paixão por Sasuke, fora coisa de criança, mas no âmago dos sentimentos, a Yamanaka sabia que aquilo não era verdade. Fora sempre menos corajosa que a "testa de marquise", nunca saiu em missões à procura de Sasuke, mas sempre se alegrava quando as missões iam de encontro com a Akatsuki. Enchia seu coração de esperança em poder encontrar com Itachi e ter uma pista sobre o amado...
Porém, desde que Asuma fora morto por Hidan, ela displicentemente parou de pensar em Sasuke: ele não valia o sofrimento. Encontrar qualquer Akatsuki a lembrava da perda. Preferiu se afastar, e acabou se aproximando de um rapaz nada convencional para romances. Sai era, no mínimo, estranho. Há pouco tempo, aprendera o que era "sentir", e testou com Ino o mais puro poder humano: amor. Sentiu-se confortável com Sai, era divertido ensinar as belezas da vida pra ele, vistas de um outro ângulo, que não o das belas artes. Era cômodo estar com o ANBUne., pois ele nunca perguntaria à ela, sobre os sentimentos reprimidos por Sasuke.
Quando o Uchiha retornou à vila, o coração encheu-se de esperança novamente, enfim teria sua chance. Mas a Haruno fora sempre à preferência dele, não deixando um mínimo espaço pra Yamanaka se aproximar. Era uma disputa justa entre as "amigas-rivais". Afastou-se e permaneceu perto dos carinhos singelos de Sai. Mas hoje, especialmente neste momento, ouvir que se preciso fosse, teria que matar o grande amor de sua vida, lhe fez rememorar aquilo que tinha guardado pra si.
"Se preciso for, meu amor irá morrer junto com você Sasuke-kun".
OoOoOoO
Neji desesperava-se olhando para o céu: o tempo voava, Tenten continuava presa e, os jounnins não chegavam. Tentou inúmeras vezes, elaborar um plano pra fugir da vigilância cerrada que Yamato, Naruto e o outro ANBU, traçaram à cerca dele. Engraçado... Aquele ANBU o Hyuuga realmente não conhecia, quem poderia ser? Era mulher, e baixinha... Seria alguém do Núcleo? Impossível, a Godaime não confiava em Danzou, e o tal de Sai era a única exceção.
Uma cruel dúvida não parava de martelar os pensamentos do Hyuuga, seria Sasuke um traidor então?
"Ora Neji, que descontrole é esse? Tudo pra não lembrar que ela está com aqueles crápulas? Você nem se importa realmente quem seja esse ANBU, ou com as condições de Uchiha Sasuke... Perdoe-me Tenten, vou me redimir dos erros que cometi...".
Barulhos discretos por entre as árvores fizeram os quatro ninjas se alarmarem. Foram descobertos? Prepararam-se prontamente pra uma investida, quando uma chuva de folhas materializou-se diante dos olhos de todos, um belo e conhecido Sushin: Hatake Kakashi. E logo atrás dele vinha o grande apoio de Konoha: Sakura, Gai, Ino, Chouji, Sai, Shino, Kiba, Akamaru e Hinata.
"Obrigada vovó" - O dono desse agradecimento antecipou-se na calorosa e, nada discreta, "boas vindas" aos ninjas. Na verdade, a uma ninja em questão.
- Hinata-chan! - Abraçou a kunoichi, que enrubesceu imediatamente ao contato inesperado, tão cheio de louvor e espera.
- Na-naruto-kun - Devolveu o carinho.
"O Naruto não muda mesmo" - Constatou a dona dos orbes verdes esmeraldas. Orbes que não tinham brilho nenhum, denunciando toda a decepção. O semblante triste e pesaroso de Sakura, não passou despercebido por ninguém, nem mesmo por Neji, fazendo com que todos os jounnins ali, todos os amigos, compartilhassem da mesma dor que ela sentia: ser abandonada por Sasuke pela segunda vez.
Enquanto os líderes e estrategistas montavam à ofensiva contra o inimigo, Naruto e Hinata trocavam carícias "discretas". Então, Ino e Sakura recostaram-se numa árvore mais afastada do grupo, pra conversarem. Afinal, a "porquinha" não suportava ver a "testa de marquise", sem o costumeiro brilho dos olhos e a petulância no falar. A amizade das duas, imperava sob qualquer disputa que fosse... Até mesmo pelo Uchiha.
- Como aconteceu dessa vez Sakura? - Ino não a olhava com deboche, era uma preocupação velada pelo bem estar da amiga, o que fez a Haruno espantar-se com pergunta feita de supetão, sem rodeios. A Yamanaka não era do tipo de pessoa, que faz perguntas a meias palavras.
- Onde está o "testa de marquise"? - Sakura debochou com tristeza.
- Não temos muito tempo, me conte logo os detalhes, só isso que preciso saber.
- Pra que? Pra você rir da minha cara e falar que o melhor pra ele, era ter ficado com você? - A Haruno enchia os mortos olhos de lágrimas voluntárias. Pra Ino podia chorar todas as mágoas: aquelas das quais tinha e, não tinha vergonha de expressar.
- Não... Testuda... Pra sabermos se o que ele fez foi por opção ou necessidade.
- Desde quanto você sabe os motivos que fazem o Sasuke abandonar uma pessoa?
- Desde o dia que eu vi que ele te ama. Ele sempre te amou, e por isso eu nunca tive uma única oportunidade de me aproximar...
- Então você admite que perdeu, Ino? - Mais uma vez, Sakura debochou com tristeza, admirada com a constatação da amiga.
- Não é bem assim! Ora... – sorriu – Pretendo, ao menos, dizer pro Sasuke-kun, que eu o amo tanto quanto você.
- Vá em frente... Perca seu tempo e sua vida com um... Traidor... Como eu perdi. - A Haruno não podia mais suportar aquela dor sozinha, impetuosamente, abraçou Ino num contato sufocante.
A Yamanaka deixou que a amiga se acalmasse em seus braços, passando as mãos nos cabelos róseos tal qual uma mãe, que acalenta a dor de um filho.
- Shi... Não chore testa de marquise... Como eu te falei, nós temos pouco tempo pra salvar o Sasuke-kun... Afinal, você não acredita, realmente, que ele te abandonou certo?
Infelizmente, Sakura acreditava apenas no que seus olhos viram, desde o dia em que tudo aconteceu, procurava não pensar nas cenas, nas palavras, nele perto de Karin e fugindo com Madara. Não acreditava que mais uma vez, deixou-se levar pelos sentimentos e, não usou nem um pouco da razão... Logo, Konoha estava em perigo. Uma triste constatação, a Haruno julgar os planos de Madara, com um egocentrismo estúpido. Konoha estava na mira do patriarca dos Uchiha, quer ela tendo participado involuntariamente disso, ou não.
- Sinto muito porquinha... Mas ele realmente me deixou. – Largando-se dos braços da amiga, levou às delicadas mãos ás lágrimas que paravam de cair.
Irritada com toda aquela fraqueza... Aquela derrota... Ino desferiu um belo tapa na cara da amiga, a deixando atônita.
- Isso foi pra você acordar sua grande idiota! Qual era missão dele Sakura-chan? – Agarrou-o pela gola da blusa rosada sufocando a kunoichi. - Qual era?! Diga-me?! – Ino gritou.
- Me-me... Me proteger. - A Haruno responde surpresa à indagação da loira.
- E foi o que ele fez... – retrucou, jogando a amiga violentamente no chão. - Se você tivesse o seguido, provavelmente estariam os dois mortos.
-I-i-Ino?
- É... Agora deu pra repetir meu lindo nome? – Fez-se na pose costumeira: o quadril requebrado e as mãos na cintura, olhando a Haruno por cima do nariz. - Já te disse Sakura-chan, ele te ama, não deixaria que nada de mal acontecesse com você, sua bobinha...
Por entre às árvores, Neji escutou toda a conversa das garotas, e antes que Ino "contaminasse" Sakura com as idéias malucas, abordou as duas meninas. Estendeu à mão pra Haruno que ainda estava estirada ao chão, ajudando-a se levantar.
- Francamente Ino-san, essa foi à idéia mais estúpida que eu já ouvi, portanto, não encha os ouvidos de Sakura-san com essas mentiras. Está claro pra todos nós que Sasuke traiu Konoha novamente.
- Que coisa feia Neji-san, escutar a conversa de duas garotas escondido por entre as árvores, no clã Hyuuga não ensinam que isso é falta de educação? - A loira o desafiou, desferindo-lhe um olhar furioso.
- Arigatô Neji-san, mas o que a Ino está falando é verdade... Eu fui idiota o bastante pra não perceber antes... - Sakura irrompeu na disputa.
- Até você Sakura-san? Não basta o que aconteceu, ainda vai querer se ater com mentiras? Devaneios de garota? Vai se deixar levar pelos sentimentos? Ora, seja racional, você é uma shinobi, os sentimentos só nos confundem. - Reprovou a kunoichi num olhar esnobe.
- Está errado Neji-san, há algum tempo eu descobri que o meu coração nasceu pra lutar. É um coração de ninja, os sentimentos me impulsionam a defender aquilo que amo, do contrário, nada mais faria sentido na minha vida. – O brilho nos olhos, denunciava que a força de pupila, enfim, estava voltando.
- Onde está o seu coração Neji-san? Pelo o que você vai lutar agora? Por Konoha, ou por Tenten-chan? - Ino continuava desafiadora na voz, na pose e principalmente no olhar.
Como elas sabiam, exatamente, de todas as dúvidas que castigavam a alma de Neji? Como elas sabiam de seus sentimentos? Logo ele, que sempre fora tão reservado... Aquelas perguntas desconcertaram a pose fria e calculista do Hyuuga, deixando os próprios olhos, sibilarem por instantes. Como elas eram tão certeiras? ... Como sabiam de Tenten?
O Hyuuga não respondeu com palavras, e sem perceber, ainda estava de mãos dadas com Sakura, que sentiu os dedos esmagados pelos punhos cerrados do shinobi, que fitava, aleatoriamente, as duas amigas, dizendo tudo o que elas não esperavam ouvir.
- Farei o que for preciso pra salvar Tenten, até mesmo matar Uchiha Sasuke, portanto, não cruzem meu caminho... Não me responsabilizo por mais vidas tiradas, em troca da liberdade dela... - A voz firme e decidida do Hyuuga, sumiu junto com sua presença numa rapidez incomum, deixando as duas kunoichis boquiabertas nas palavras ditas, numa certeza absurda.
- Realmente Ino, nós não temos muito tempo.
- Temos que salvar Sasuke-kun. - Trocaram um sincero e cúmplice sorriso. Alguma coisa teria que ser feita e o tempo não esperaria por ninguém. Ele nunca espera.
Perdido nas constatações da Haruno e da Yamanaka, Neji deparou-se com a prima aos beijos e carinhos com Naruto. Por instantes, lembrou-se de tudo que tinha passado nesses dias, da noite de amor com Tenten, da festa surpresa que ela tinha preparado com tanto esmero, das palavras do capitão Yamato, da ajuda do "futuro primo", das verdades ditas pela ex-namorada e pela amiga, mas principalmente das palavras da Mitsashi: Ashiteru... Expressão dita, a dois pares de lábios.
E só isso: Ashiteru. Nada mais. Nem era preciso.
Lembrou-se pelo que lutava: por sua família, por sua terra, por sua própria honra, pela Bouke, pela Souke, por seu pai... E por ela. Sempre lutou por Tenten e, principalmente, sempre lutou lado a lado com ela. Admitiu então, que os sentimentos sempre regeram sua vida, mesmo tendo os reprimido por tantos anos, e esses longos anos de repressão enfim, pesavam-lhe às costas agora. Lidar com tudo aquilo de uma só vez, sem tê-la ao lado, era a maior batalha pelo qual Neji tinha passado... Mais do que enfrentar os inimigos... Enfrentar o próprio coração era uma tarefa dolorosa... E Tenten não estava ali.
Então, por um momento, o pesar e o alívio tomaram conta do corpo de Hyuuga Neji, que aos sussurros clamando o nome dela, chorou. Lágrimas singelas num choro contido. Foi neste pequeno instante, que ele despejou na terra, o alívio, a dor e a certeza.
"É... por você que eu luto agora... é por você Tenten."
Continua...
