10. Não Acredito!
"Cory, não precisa vir me pegar. Você vai ter muitas entrevistas, fotos, tem muita gente te esperando no tapete vermelho. Fica tranqüilo, pode trabalhar sossegado. Até porque, além de me arrumar, marquei o salão junto com a Dianna. Ela está precisando de mim. Você sabe como ela é, difícil pedir ajuda, então já que ela me procurou, não vou negar um colinho pra minha amiga, babe. Papo de mulher, logo, temos que ficarmos sozinhas. Te encontro lá. Beijo meu amor!". Lea corria apressada saindo do ateliê Marchesa, indo em direção ao carro com o motorista que havia contratado pra aquele dia, enquanto falava ao celular. Dispensou Cory porque sentia que Di precisava dela, então marcaram juntas pra por a conversa em dia enquanto se arrumavam pra premiação do Golden Globes. Dianna ainda estava em Glee, como a maioria do elenco original ao qual Lea e Cory começaram. O seriado também concorria em algumas categorias, mas já não gozava mais dos mesmos tempos dourados em que Lea era protagonista. Eles até tentavam, mas estava cada vez mais difícil encontrar alguém pra ocupar o lugar dela impulsionando o show. Chris também fazia falta, volta e meia, fazia alguma aparição especial com seu personagem, mas bem esporádico, pois estava bastante atarefado com seu seriado e o musical com Lea na Broadway. Já com Cory as coisas eram um pouquinhos mais complicadas: desde que saiu do seriado, nunca mais falou com Ryan, o criador, e mesmo ele acompanhando as últimas notas profissionais de Cory, mesmo tendo vontade, nunca mais o procurou. O restante do pessoal continuou, alguns se tornaram permanentes, outros passaram a fazer apenas participações, pois acabaram encontrando novos rumos. O fato é que desde que Cory e Lea deixaram a equipe do seriado, tinham pouco ou quase nenhum contato com seus amigos dali, devido a falta de praticidade e ao dia a dia turbulento de variados trabalhos que faziam.
Em meio a muito corre-corre dentro de um salão lotado de estrelas, todas se preparando pra grande noite, Lea e Dianna conversavam sobre questões profissionais, pessoais e emocionais. As duas tricotaram a tarde toda. Parecia que o tempo não tinha passado e elas estavam vivendo novamente nos sets de Glee.
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Na entrada do famoso tapete vermelho, flashes iluminavam belas mulheres e seus vestidos magníficos. Famosos da tv e do cinema desfilavam por aquele corredor cheio de fotógrafos, repórteres e curiosos, muitos por sinal. Arquibancadas de fãs contornavam o tapete, devidamente protegido por fileiras de seguranças. As duas meninas tentavam cruzar o corredor mas toda hora eram abordadas: fotos, entrevistas, outras fotos, mais entrevistas, alguns fãs entusiasmados gritando pra Lea sobre Glee, o que a deixou comovida, ainda lembravam dela de lá.
"Lea Michele, linda como sempre, veio prestigiar a premiação. Quero parabenizá-la pelo sucesso que seu seriado, que estreou algumas semanas atrás, está fazendo. Você está dando um show de interpretação. Aposto que pro Emmy você vai vir pra concorrer e não só pra prestigiar, minha querida!", uma repórter que entrevistava Lea comentava.
"Deus te ouça!", Lea riu.
"Veio sozinha? E o namorado? Cadê o famoso namorado do Central Park, você está enrolando nós, disse que logo ia dizer quem é ele e até hoje nada!"
"Nem eu sei quem é!", Dianna entrou na conversa pra encomodar a amiga.
"Vocês são muito curiosas! Minha vida íntima não é manchete de tablóides! Mas pra satisfação de vocês, deixa eu dizer...hoje eu vim aqui pra prestigiar ele. Então... provavelmente vão nos ver juntos".
"Não diga", as duas arregalaram os olhos, extasiadas.
"Talvez vocês vejam, talvez!", Lea saiu deixando a repórter confusa e inquieta.
Longe do tumulto, já entrando no local da premiação...
"Por que todo esse mistério Lea?" perguntou Di.
"Porque as pessoas não sabem respeitar, dividir as coisas. Você ter empatia ou falar de vez em quando da intimidade de uma celebridade é uma coisa, agora, você só falar disso, fazer com que venha a ter mais importância do que o trabalho que você faz com tanta dedicação...é injusto! E aposto que vai ser isso que vai virar nossa vida depois que saberem, até então temos um certo grau de privacidade'.
"Te entendo amiga, mas você não pode virar refém, deixar de aproveitar sua vida ao máximo, ou o máximo que puder, só se preocupando do que vão falar ou deixar de falar. Viva! Não se intimide por nada, nem por ninguém, uma menininha de Nova Iorque me disse hoje a tarde isso, acho que ela tinha razão!"
Lea sorriu dando um abraço carinho na amiga.
Logo as duas foram abordadas pelo resto da turma de Glee, conhecidos de outras séries, amigos, e foram levadas até as mesas destinadas aos elencos das séries. Lea estava muito feliz, rever todas aquelas pessoas, matar as saudades de todos, era como voltar a sonhar um sonho lindo.
"Nossa só falta o Chris e o Cory pra nossa gang estar completa!", disse Kevin.
"Opa, o Chris não falta mais!", Chris Colfer entrou no meio da rodinha, abraçando os amigos. Ryan Murphy olhava a união e a alegria daqueles meninos, com olhar pensativo. "Eu devia estar louco quando deixei escapar essa magia!", ele pensou.
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O salão da premiação do Golden Globes estava começando a ficar lotado. Eram tantas estrelas presentes que ofuscavam a iluminação do local. Pelo outro lado donde estavam seus antigos amigos de Glee, Cory entrou, cruzou entre meio as mesas, sendo muito cumprimentado por seus colegas de profissão, atores que até outro dia eram seus ídolos e agora vinham até ele parabenizá-lo.
"Olhe o Franketeen... está podendo!", o elenco admirava a ascensão do amigo, enquanto Lea sorria de orelha a orelha, orgulhosa.
"Que prestígio! Sandra Bullock, Jennifer Aniston, Ashton Kutcher, levantando pra cumprimentá-lo". Um deles comentava. Mais o momento mais importante foi quando ele chegou a mesa do elenco do filme, todos cumprimentaram com abraço, via-se que Daniel Radcliffe e Javier Bardem se tornaram grandes amigos seus, pela forma que conversavam com ele. Spielberg não deixou por menos, deu-lhe um forte abraço, demorado, meio que pra lhe dar segurança, força, naquele momento tão angustiante, minutos antes de começar a premiação. Todos olhavam maravilhados com o carinho da produção, daquele pessoal tão prestigiado e famoso se rendendo a um ator que até outro dia pouco se conhecia, apenas de um seriado infanto-juvenil. Julia Roberts, sua mãe no filme, lhe deu um beijo e segurou seu rosto entre as mãos, como uma mãe mesmo, lhe passando otimismo.
"Ele merece!", concluíram seus antigos amigos.
"Mas ele está um gato! Geeeeeeeeente, que tudo! Está parecendo um homem de verdade com esse smoking e essa barba por fazer", suspiravam as meninas. E quando ele sorriu, marcando as covinhas do seu rosto...elas quase desmaiaram. Nessa hora até as outras meninas das mesas vizinhas ficaram deslumbradas.
"Que homem!"
"Até onde eu ouvi falar, ele tem dona!", Lea não se agüentou de ciúmes.
"Quem? A tal da Taylor Swift? Ele desmentiu aquela história que inventaram. Ele bem que disse que estava com alguém, mas deve ser mentira, porque nunca vimos ele com ninguém!", uma delas comentou.
"Tem falado com ele, Lea? Por que faz tempo que falei com ele", Di perguntou a amiga, já que com os demais ele havia se distanciado. Quando ela ia responder, foi interrompida por uma menina de outra mesa...
"Ah, mais eu vou falar com ele hoje, depois da premiação vou à caça!"
Lea fuzilou ela com os olhos, teve vontade de pular nela, puxa seu cabelo e rasgar todo seu vestido. Mas ali não era hora, nem lugar. 'Salva por enquanto, sua vadia!', ela pensou.
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Todos estavam tomando acento de seus lugares, estava quase na hora de começar a premiação. Uma moça que era da organização do evento interceptou Lea:
"Sra. Lea Michele, não há tenho na lista dos lugares marcados, mas se quiser, posso colocar mais uma cadeira aqui, damos um jeito".
Todos da mesa adoraram a idéia e argumentaram pra ela ficar ali.
"Obrigada, mas eu não estou na lista porque não estou concorrendo essa noite, nem fui convidada pela comissão...eu vim como acompanhante. Tenho certeza que estão me esperando pessoal, não posso ficar aqui, mas nos vemos depois da entrega dos prêmios". Ela despediu-se da turma ao ver que Cory estava lhe procurando. Ela cruzou as mesas direcionadas pros seriados e suas equipes, de maneira lenta mas muito charmosa e elegante, pois além de ser sempre abordada por um ou outro conhecido, usava um salto altíssimo e seu vestido não era um dos mais confortáveis. Cory finalmente a viu vindo em sua direção, estava linda: cabelo levemente preso com alguns fios caindo sobre o ombro nu, um belo decote que ressaltava a curva dos seus seios, um vestido verde escuro que flutuava junto com seu caminhar, marcando sua cintura e terminando numa pequena cauda. Seu olhar vislumbrado com aquela pintura que era sua namorada logo ficou preocupado ao se dar conta que ela tinha que descer alguns degraus até chegar onde ele estava e, com seu salto e aquele vestido, seria um prato cheio pra ela cair. Ele apressou-se pra encontrá-la.
Lea quando percebeu que uma mão estava entendida à ela, oferecendo ajuda pra descer os degraus, ficou agradecida. Quando levantou os olhos pra ver quem era o cavalheiro, seu sorriso ficou ainda mais cintilante. Era Cory.
De longe, a turma que Lea estava até então, observava a cena.
"Além de lindo e talentoso, é um gentleman!", comentavam.
Cory ajudou-a e presenteou-a com um 'você está maravilhosa!', que mesmo de longe eles puderam ler em seus lábios. Todos suspiravam. Então ele a conduziu até a sua mesa, apresentando todos. O pessoal ficou extasiado: 'e pra finalizar ele apresenta à ela toda aquela gente importante...isso é mais que um amigo, ele é um anjo!'
Logo após, Cory puxou a cadeira pra Lea sentar e depois sentou ao seu lado. De imediato, como num impulso, sem pensar, ela acariciou o rosto dele e lhe deu um beijo, de leve, preocupada em não sujá-lo de batom. Ambos ficaram olhando-se por um instante, sorrindo. Então ela deslizou sua mão para a nuca dele, brincando com o final do seu cabelo e o colarinho do smoking. Enquanto isso, assistindo tudo, muitos curiosos, imprensa, e, toda a turma que Lea conversava anteriormente.
"Não acredito! Eles estão juntos!", saiu quase que em coro.
