Disclaimer: Só agora eu percebi que publiquei todos os capítulos anteriores sem fazer menção ao disclaimer e sem fazer o cabeçalho. Rowling, não me processe! Eles são seus, todinhos seus. Se fossem meus, Sirius JAMAIS teria morrido. Isso foi muito, muito cruel de sua parte. E eu não te perdôo!


Nota: Bem, estou tentando atualizar o mais rápido possível. Ainda porque, por mais que eu ame essa história, eu tenho planos para uma nova e não vou conseguir publicar nada enquanto essa aqui nao se encerrar. Então, assim que eu puder, eu atualizo.

Draco andou com passos incertos até Voldemort. A presença do homem o intimidava. Lúcio não tinha dito o que o mestre queria com ele. Apenas tinha mandado que o seguisse sem perguntar.

E Draco fez. Ninguém se atreveria a desobedecer a uma ordem direta de Voldemort.

Ele foi entregue, pelo próprio pai. Pela segunda vez.

Eles chegaram silenciosamente a uma sala escura, fracamente iluminada por algumas velas.

Draco olhou alguns rostos conhecidos, mas não falou com ninguém. Seu coração estava acelerado de medo e ansiedade. Medo, porque tinha motivos de sobra para ser castigado. Ele tinha falhado algumas vezes. Pequenas missões que tinham saído errado. Ele fazia o melhor dele, mas o melhor dele nunca era suficiente.

Ele tinha tentado ser como o pai dele. Mas não conseguia. Ele tinha tentado servir a Voldemort, mas algo dentro dele ia contra isso.

Ele tentava ser fiel. Mas não queria ser um assassino.

A ansiedade o consumia também. Porque achava que poderia ter mais uma chance. Mas não sabia se queria ter essa chance.

Voldemort caminhou até ele e depois fez um sinal para que pudesse ficar sozinho com Draco.

Draco olhou nervoso para o pai que saía. Eles trocaram um olhar. Draco queria que o pai o tirasse dali. Mas ele não fez.

Lúcio saiu da sala, acompanhado do resto dos Comensais que ali estavam. Inexpressivo, ele olhou para trás, apenas para encontrar o rosto assustado do filho. Voldemort tinha apontado a varinha dele para o coração de Draco.

Lúcio parou de andar, um súbito momento de terror passando pela cabeça dele. Voldemort ia matar Draco.

Ele parou de andar e caminhou de volta para sala, mas não pôde entrar. Norton barrou o caminho dele, deu um sorrisinho maldoso e fechou a porta.

Lúcio ficou parado, olhando chocado para a porta fechada.

Enquanto isso, dentro da sala, Draco olhava aterrorizado para a varinha apontada para a ele.

"Chegou a hora de provar seu valor, Draco" – Voldemort falou, ainda segurando a varinha – "Você jurou lealdade quando recebeu essa marca" – ele apontou a varinha para a Marca Negra, tatuada no braço de Draco – "Você confia em mim, Draco? Aquele a quem jurou lealdade?"

Draco engoliu seco. Olhou para Norton, que sorria diabolicamente para ele e depois olhou para Voldemort e acenou com a cabeça. Ele não confiava, mas não podia dizer aquilo.

"Sim, milorde" – a voz dele saiu fraca.

"Você tem sido meu servo mais fiel, Draco" – Voldemort sorriu antes de estuporar o garoto.

Depois, voltou-se para Norton. "Pegue o cabelo dele. Faça questão de ser visto. Os aurores devem te ver saindo de lá. Não deixe ninguém vivo."

Norton apertou os punhos em excitação. Os aurores tinham colocado em um galpão dezenas de famílias trouxas, que estavam sendo protegidas pelo Ministério.

Norton iria matá-los. Ou melhor, Draco Malfoy, faria isso.


Harry olhou de esguelha para Gina. Hermione tinha acabado de deitar o corpo adormecido da ruiva no banco da cabine do trem, onde estavam.

O trem tinha se afastado da plataforma de embarque e corria com pressa em direção ao sul.

Hermione não parava de olhar Harry com censura, mas ele apenas ignorava isso. Estava mais preocupado com o pergaminho escondido no bolso da calça dele. Inconscientemente, ele levou a mão ao bolso, como se para se certificar que o papel estava ali.

"O que Malfoy queria com você?" – Hermione perguntou depois de sentar-se ao lado de Gina. Harry olhou para ela, na dúvida de contar ou não. Mas ele conhecia a amiga e sabia que ela não iria sossegar enquanto não descobrisse.

"Ele me pediu para não deixar Gina voltar" – Harry começou, mas Hermione o interrompeu.

"É claro que ele fez isso" – ela exclamou, revoltada.

"Não, tem mais" – Harry cortou – "Ele disse que ia resolver alguma coisa. Que ia terminar com essa história. Seja o que for, ele vai resolver alguma coisa que tem a ver com isso" – ele tirou o papel do bolso e mostrou a Hermione.

Ela se adiantou e pegou o papel. Harry olhou para ela, esperando que ela dissesse alguma coisa. Hermione demorou algum tempo lendo as linhas amareladas.

"Eu não sei o que é, Harry. Mas é Arte das Trevas. Magia negra" – Hermione falou com pesar.

"Como você sabe?"

"Olhe" – ela se sentou ao lado dele e apontou no papel – "Essa escrita. Vê? Reconhece? Não, certo. Não é nossa língua. Não saberia dizer qual língua é. Mas eu posso dizer que não é coisa boa. Existem alguns símbolos universais, você sabe. Vê esse triangulo virado de cabeça para baixo, aqui no canto? É o símbolo pagão da distorção. Distorção do cristianismo, do paganismo branco. Ou seja, Magia Negra, Harry" – ela explicou.

"Malfoy estava tentando traduzir isso. Foi por isso que ele seqüestrou Gina" – Harry olhou para Gina adormecida.

"Ele não seqüestrou Gina, você sabe disso. De qualquer forma, tem algo errado nessa história" – Hermione sentenciou, ainda olhando para o papel. "Eu conheço isso, eu tenho certeza de que algumas palavras são conhecidas. Preciso me lembrar de onde conheço isso. Sei que já vi em algum lugar" – ela apertou os olhos, se concentrando.

"Malfoy queria Gina longe dele por outro motivo, Hermione. Ele estava preocupado com ela" – Harry noticiou com desgosto.

Hermione, entretanto, não ouviu. Estava forçando a memória para se lembrar onde tinha visto algo parecido com o que estava escrito no pergaminho.

"Malfoy disse 'Willsburg está atrás de mim'. Acho que é por isso que ele a mandou embora" – Harry continuou contando e olhando para Gina adormecida.

"Harry?" – Hermione chamou de repente – "Eu acho que sei o que é isso. E não é bom" – ela continuou antes de sentir um súbito mal-estar.

Harry olhou para a amiga, que estava pálida. Ele se apressou em acudí-la.

"O que é?" – ele perguntou quando alguma cor voltou ao rosto dela.

"Eu preciso confirmar antes de dizer. Se for o que eu estou pensando, estamos com problemas, Harry" – ela o olhou com seriedade.

"Temos que voltar, então, Hermione. Temos que pegar Malfoy" – ele se levantou e começou a andar pela cabine, de um lado para o outro.

"Tem algo errado com ele" – ela disse, com os olhos no pergaminho.

"Com quem?" – o olhar dele procurou o dela. Ela levantou a cabeça e Harry viu que ela estava transtornada.

"Malfoy".

"O que tem de errado com ele?" – ele inquiriu.

"O feitiço do pergaminho" – ela apontou para o papel - "Um ex-Comensal está atrás dele e Malfoy estava desesperado para traduzir isso aqui. Então, isso deve estar ligado de alguma forma. Acho que Malfoy queria realizar o feitiço. Olhe essas anotações. O nome de Voldemort aparece aqui."

"E por que ele daria isso para mim, então? Ele disse que iria terminar com essa história, com o que estive relacionado com esse papel. Por que ele me entregaria isso se fosse realizar o feitiço?" – Harry perguntou, na tentativa de que Hermione pudesse responder o que ele não conseguia.

"Vamos ter que perguntar para ela" – Hermione mirou Gina.

"Ela não nos contaria" – ele olhou com desgosto para a ruiva adormecida – "Você os viu se beijando. Ela não entregaria Malfoy".

"Gina não permitiria que ele fizesse algo errado. Ela pode gostar dele, mas isso não feriria os princípios dela" – Hermione se exaltou.

"Parece que ela se esqueceu dos próprios princípios, eles se beijaram!" – ele disse com nojo.

"Gina não permitiria que ele fizesse algo errado. Ela não aceitaria isso" – Hermione suspirou.

"E se Malfoy não tiver feito nada de errado? Porque não faria sentido ele ter aprontado alguma coisa e ter nos entregue a prova disso, faria?"

Hermione suspirou. "Não sei, Harry. Ele pode ter feito isso apenas para ganhar algum tempo e fugir de novo. Temos que acordá-la."

Harry negou com a cabeça. "Ainda não. Ela vai querer voltar. Vamos chegar em casa primeiro. Depois, com calma, ela nos contará o que sabe. E então, vamos atrás daquele desgraçado." – ele disse com raiva.

Hermione concordou, porque não adiantaria discordar. Apenas desejou que a viagem acabasse logo. Ela queria pesquisar aquilo. Tinha algo errado com aquele feitiço. E a intuição dela dizia que tinha a ver com Draco Malfoy.


Seu corpo doía. Ele podia senti-lo pesado, mas adormecido ao mesmo tempo. Draco abriu os olhos devagar, fugindo da claridade que iluminava o ambiente. O braço esquerdo estava formigando. Ele olhou sem muita atenção para o braço. Apenas a Marca Negra estava estampada ali.

Draco estava deitado numa cama, mas não tinha idéia de como tinha chegado lá. Então, flashes de memória surgiram em sua mente.

Ele deitado em uma mesa gelada. Um punhal de prata. Norton estava lá. Voldemort também.

Depois, Draco entrando escondido em um galpão. Ele apontando a varinha para as pessoas e pronunciando repetidas vezes o mesmo feitiço mortal. As pessoas caindo mortas aos seus pés. Os aurores invadindo o local. Ele aparatando.

Um súbito enjôo dominou o corpo dele e ele quis vomitar. Pousou mão sobre o estômago e segurou o vômito.

Ouviu passos. A porta do quarto se abriu.

"Vejo que está acordado. O Lorde quer vê-lo" – Norton informou.

Draco acenou com a cabeça. O braço esquerdo dele deu uma fisgada de dor. Ele olhou a marca ali tatuada. Outra fisgada de dor. Ele ignorou. Levantou-se rapidamente, procurou algo para vestir e seguiu Norton.

Voldemort estava sentado na mesma poltrona de sempre. Olhou de esguelha para Draco antes de falar.

"Você se saiu muito bem, Draco."

Draco sabia que ele se referia aos assassinatos que ele deveria ter cometido. E ele não evitou sentir algum orgulho. Mesmo sem se lembrar direito de ter feito, ele tinha satisfeito Voldemort. Talvez ele conseguisse chegar exatamente onde Lúcio queria que ele chegasse.

Draco tinha servido fielmente ao lorde e seria recompensado. Talvez, finalmente, ele fosse receber o que queria. Algum cargo importante, poderoso. Era isso o que ele sempre quis. Ser poderoso, não temido. Mas naquele momento, Voldemort apenas o dispensou.

Ele voltou para o quarto e sentou-se na cama, admirando a tatuagem. Durante anos, tinha querido aquela marca no braço. Lembrava-se da satisfação que sentiu quando foi recrutado pela primeira vez.

Mas ali, sentado, revendo mentalmente cada morte cometida por ele, Draco se sentia estranho. Embora parcialmente orgulhoso dele mesmo, ele não estava feliz.

Não que aquelas mortes o afetassem. Estranhamente, ele não se importava com as pessoas que tinha matado. Mas Draco não se sentia ele mesmo. Alguma coisa dentro dele parecia ter mudado.

Draco sabia que ele nunca mais seria o mesmo. Tinha manchado a alma dele de sangue. E isso não seria possível recuperar. Mas não era só isso. Ele devia estar sentindo qualquer coisa, qualquer prazer ou arrependimento.

Mas não sentia nada. Apenas uma fisgada de dor no braço esquerdo.


A sorte sorria para ele. Era tudo o que Norton podia concluir. De fato, ele concluiu que não podia estar fazendo coisa menos certa, pois tudo conspirava para que ele alcançasse seu objetivo.

Tinha sido frustrante achar Draco e o perder de vista, logo em seguida, ele não podia negar. Mas ele já sabia a cidade em que Draco estava. E não deixaria que ele sumisse de novo.

Assim, quando Draco sumiu de vista no restaurante, Norton não perdeu tempo. Entrou pela porta a qual Draco devia ter saído – se não tivesse fugido pelos fundos - e contou a todos no restaurante sobre a comovente história de um tio, em busca de seu único sobrinho perdido.

Norton se emocionou contando como Draco tinha desaparecido e perdido a memória e ele, Norton – seu único parente vivo – estava desesperado tentando encontrá-lo.

Nada mais comovente para receber o apoio da cidadezinha. Logo, os moradores se mobilizaram para ajudar a encontrar o 'sobrinho'.

Era difícil, pois Draco tinha sido visto algumas vezes apenas, e ninguém sabia – exatamente – onde ele morava.

Mas Norton insistiu na procura. Sempre procurando nos bairros ricos e lugares inusitados. Apenas por garantia, havia prometido uma boa recompensa para o vendedor de bilhetes na estação de trem da cidade para que fosse avisado se Draco aparecesse por lá. Se Draco fugisse de trem, ele saberia na mesma hora.

Ele cercou Draco por todos os lados. Sabia que ele não aparataria para não ser rastreado. Não tinha como ter qualquer chave de portal sem conhecimento do Ministério e via Flú estava descartado, pois a cidade não abrigava famílias bruxas. Era perfeito. Não tinha como Draco sair da cidade sem o conhecimento dele.

Dois dias depois de encontrar Draco, Norton recebeu a visita de um moleque, avisando que um homem da descrição do 'sobrinho' dele, tinha comprado três passagens de trem para Londres.

Norton estranhou o fato, pagou a recompensa prometida e preparou-se para a partida de Draco.

Draco iria partir no dia seguinte. E Norton estaria lá para impedir.

O dia seguinte chegou rápido. Norton seguiu para a estação ferroviária. Ele sentia tanta felicidade, como se, de fato, fosse encontrar algum parente perdido.

Era uma estação pequena, com duas plataformas: uma de embarque e a outra de desembarque. Norton seguiu direto para a plataforma de embarque – meia hora antes do horário marcado nas passagens que Draco tinha comprado.

Ele ficou escondido, entre duas colunas de cimento, perto da área restrita de segurança. Ninguém iria ali, por ser perigoso demais, devido a proximidade da curva em que o trem passaria quando chegasse. Mas Norton não tinha medo do perigo.

Os minutos passaram e a excitação dele apenas aumentava. De onde estava, não podia ver todo o movimento. Mas ele viu a cabeça loira de Draco se aproximando, com a mesma mulher ruiva do restaurante. Apenas duas malas.

O trem chegou no momento em que Draco e a ruiva conversavam. Norton se mexeu, tentando ampliar o campo de visão, mas só conseguiu ver algumas pessoas embarcando. Ele tentou afiar os sentidos e ouvir a conversa dos dois.

Mas não conseguiu e também não viu Harry Potter e Hermione Granger embarcando antes da ruiva. Não viu Draco e Harry Potter conversando, isolados. Ele viu apenas Draco se aproximando do trem e se despedindo – pela janela – da mulher ruiva. Ele não iria fugir, Norton concluiu.

Depois, o trem partiu e Draco ficou.

Norton observou quando Draco sentou-se sozinho no banco da plataforma e ficou, longos minutos apenas pensando.

Ele teve o ímpeto de se aproximar de Draco naquele momento, mas a intuição dele dizia que haveria oportunidades melhores. E houve. Draco se levantou e foi embora, trilhando sozinho o caminho de volta para casa.

Norton o seguia com cautela, evitando que Draco percebesse sua presença. Mas ele não precisou ser muito discreto. Draco parecia totalmente alheio ao mundo ao seu redor. Norton achou que não poderia ter mais sorte. Seria fácil e rápido pegar Draco, sozinho e distraído.

Norton se escondeu atrás de uma árvore quando Draco, depois de quase uma hora andando, se aproximou de uma casa – em um bairro bastante simples – e abriu a porta.

Ele não se importou em trancá-la. Apenas entrou. E Norton esperou apenas alguns segundos para se aproximar da porta da casa e entrar também.

Ele procurou Draco com os olhos quando os pés dele tocaram o chão da sala. Quando não notou a presença dele, ele se escondeu, ficando cautelosamente perto da porta da rua e da escada. Tão logo Draco descesse ou saísse, ele o azararia. Draco não teria tempo de reagir.

Mas algum tempo passou e Draco não desceu. E então, Norton ouviu um grito de dor vindo do andar de cima.

Ele não precisou de outro aviso. Subiu o mais silenciosamente que conseguiu as escadas e procurou o lugar de onde vinha o grito.

No fim do corredor, ele viu uma porta aberta e um quarto iluminado. Andou até a porta e se escorou na parede. Espiando para dentro, avistou duas varinhas sobre a cômoda e Draco, de joelhos no chão, segurando a cabeça e murmurando alguma coisa de olhos fechados.

Entrou no quarto – pé ante pé – pegou as varinhas de cima da cômoda e se aproximou de Draco, que ainda mantinha os olhos fechados e massageava a testa. Norton sorriu.

Draco abriu os olhos e a surpresa se estampou em seu olhar.

"Olá, Draco" – Norton se adiantou para dizer.

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Draco se levantou lentamente e procurou as varinhas com os olhos. Todos os movimentos dele teriam que ser cuidadosamente calculados se quisesse ter alguma chance.

"Procurando isso?" – Norton mostrou as varinhas. Draco piscou, tentando rapidamente, procurar um jeito de recuperar as varinhas. Norton, riu, debochado.

"Então, você me achou. Muito bom, Norton. Confesso que estou surpreso. Quantos anos demorou? Cinco, seis?" – Draco sorriu maldoso.

As palavras ácidas foram usadas apenas para disfarçar o medo. Draco estava com medo. Olhando diretamente para os olhos de Norton, ele via a satisfação do homem por tê-lo encontrado. E o quanto estava em desvantagem.

Norton não respondeu, apenas manteve o mesmo sorriso debochado.

"Acho que precisamos amarrar você. O que acha, Draco?" – Norton apontou uma das varinhas. Draco viu que ele apontava a varinha dele e não de Gina e sorriu.

"Eu acho que se você não fizer isso, eu vou te matar, então, é sua melhor idéia" – ele continuou sorrindo.

Norton riu.

"Incarcerous" – e logo, cordas prenderam o corpo de Draco.

"Você acha que só isso vai me segurar?" – Draco o desafiou. Norton olhou momentaneamente confuso para o rapaz amarrado e, em seguida, murmurou novamente o feitiço, garantindo que Draco ficasse preso da cabeça aos pés.

Draco sorriu vitorioso; sabia que poderia derrubar toda a confiança do homem a sua frente. Norton mirou Draco e se afastou, levando as varinhas com ele.

Depois, andou de um lado para o outro do quarto, pensando.

Ciente da distração de Norton, Draco pensou no que faria. Ele estava perdido. Sozinho, sem varinha. Ser capturado e imobilizado não fazia parte do plano dele.

Ele é quem deveria ter pegado Norton e não o contrário. Ele não tinha a menor chance agora. O máximo que podia fazer era esperar que Harry Potter cumprisse a promessa de voltar para pegá-lo. Era a única chance que ele tinha. Sendo assim, ele precisava retardar Norton o máximo que pudesse. E faria o homem usar sua varinha, de modo que Potter pudesse rastreá-lo. Embora, a casa não permitisse esse tipo de rastreamento. Deveria, então, levar Norton para fora.

Era a única forma de fazer com que a varinha pudesse ser rastreada. Isso deveria servir. E Harry Potter tinha em mãos o maldito pergaminho. Se Draco pudesse apostar, naquela hora, Harry estaria reunido com os outros dois amigos, desvendando o que continha ali. Draco teria alguma vantagem, então. Ele tinha feito certo em entregar o pergaminho, afinal.

Ademais, precisava retardá-lo.

Norton andava pelo quarto, indiferente a Draco. Ele tinha Draco, tinha o livro, tinha o punhal. Sabia que Snape estava morto – tinha ouvido em algum dia em que estivera em Londres – mas não ia fazer muita diferença também. Só precisava de uma peça fundamental. Norton tinha passado tanto tempo apenas procurando Draco, que tinha ignorado uma parte essencial para a realização do feitiço. O corpo de Voldemort, que se encontrava protegido na Área Reservada do Ministério da Magia.

Era lá que ficavam guardados os resquícios e relíquias perigosas ou importantes demais para ficarem enterradas ou guardadas em lugares desprotegidos e comuns.

Norton não sabia como fazer para pegar a urna que continha as cinzas de Voldemort. Ele não poderia entrar lá, tampouco podia Draco. Ele precisaria de um pouco de Poção Polissuco, que, com sorte, ainda teria guardado. Depois, disfarçado, ele entraria no Ministério e usaria alguém para pegar a urna para ele. É, era um bom plano e deveria servir.

Draco olhou para Norton quando este parou de andar.

"Você não vai se meter em problemas enquanto eu estiver fora, vai?" – Norton perguntou como se Draco tivesse cinco anos. Ele não respondeu. Murmurou algum xingamento e olhou para o lado, enquanto Norton sorria.

"Não devo demorar. Mas vamos garantir que você não vá fazer nada de errado. Como fugir, por exemplo" – Norton sorriu.

Draco viu a varinha sendo apontada para a cabeça dele e sabia que seria estuporado. Precisava pensar rápido.

"Eu não vou sair daqui. O que não significa que alguém não saia daqui comigo" – ele disse, indiferente.

"O que você quer dizer? Eu vi você embarcando a ruiva. Ela vai voltar?" – Norton inquiriu, olhando por sobre o ombro na direção da porta do quarto.

"Não" – Draco respondeu rápido – "Mas devem entregar uma coisa que eu comprei ainda hoje a tarde" – ele completou, tentando não piscar muitas vezes. Draco nunca tinha sido um bom mentiroso. Conseguira enganar algumas pessoas, mas Norton era esperto o bastante para saber quando Draco mentia.

Norton olhou para ele com desconfiança e pensou em perguntar o que seria entregue. Mas não tinha tempo a perder com uma conversa sem sentido. Bastava que ele fosse até o jardim e lançasse ao redor da casa um feitiço para anti-trouxas. Draco deu um pequeno sorriso vitorioso quando percebeu que Norton não iria arriscar a possibilidade da casa ser visitada por alguém.

"Isso não será um problema" – Norton respondeu e então, estuporou Draco.


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I lie down and blind myself

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Algumas horas se passaram desde que tinham embarcado. A viagem tinha sido relativamente curta, mas ela não tinha sentido. Harry a manteve dormindo por aquelas horas, evitando que Gina pudesse descer do trem. Depois, uma vez em Londres, ela foi coberta pela Capa da Invisibilidade de Harry e trazida para casa.

Gina abriu os olhos devagar. O corpo ainda meio dolorido, da recente estuporação. Sentiu a maciez do colchão embaixo do corpo. Draco. Foi a primeira coisa em que pensou.

Ela levantou a cabeça. Reconheceu imediatamente o quarto da casa que dividia com o irmão e os amigos. Gina estava em casa, novamente. Embora ela não conseguisse imaginar uma casa que não fosse a de Leeds, com Draco.

Parado, a sua frente, Rony olhava para ela.

"Oi" – ele falou, desconcertado, as mãos sendo enfiadas no bolso. A culpa e o arrependimento brotando em seus olhos.

Gina tentou sorrir para ele. Sentia tantas saudades do irmão, tinha imaginado dezenas de vezes aquela cena. Mas nunca naquela circunstância. Ele se aproximou da cama dela, sentando-se aos seus pés.

"Oi" – ela respondeu, também desconcertada.

Eles se olharam, sem saber o que falar. A lembrança da briga deles ainda estava presente na memória de ambos. Mas Gina não tinha tempo para aquilo.

"Gina, eu não tinha idéia...eu não sabia.." – ele começou, mas foi interrompido.

"Rony, está tudo bem. Eu sei, eu entendo. Não precisa falar nada agora. Podemos conversar sobre isso depois" – ela se adiantou e segurou a mão do irmão. "Mas eu preciso da sua ajuda agora" – ela pediu.

Rony desviou os olhos. Sabia que ela se referia a Malfoy. Harry e Hermione haviam contado tudo a ele tão logo chegaram em casa com uma Gina adormecida. Ele sabia do beijo deles e do pergaminho também.

"Gina" – Rony começou inseguro – "Você precisa nos contar o que tem no pergaminho. E o que isso tem a ver com Malfoy". Hermione estava alerta de que algo muito ruim envolvia o pedaço de papel e aquilo tinha preocupado Harry e Rony.

Gina sentiu uma sensação ruim. Estar ali, longe de Draco e com Rony querendo saber sobre o pergaminho. A cabeça dela se confrontava entre milhões de pensamentos e a certeza de que Draco não iria ficar bem.

"Eu não sei direito. Ele não me contou e sumiu com o pergaminho. Ele vai se machucar, Rony, eu posso sentir isso. Você tem que me ajudar a voltar. Preciso da sua varinha para aparatar" – a voz dela tremeu. No momento, pouco importava para ela se o pergaminho continha o segredo da vida. Ela sabia que precisava voltar e era tudo o que importava.

Rony olhou apreensivo para as próprias mãos, receoso de falar. "Não vou te dar minha varinha enquanto não esclarecermos algumas coisas importantes. Nós estamos com o pergaminho."

Gina se surpreendeu e pulou fora da cama. "Como?"

"Malfoy deixou com Harry" – ele explicou – "Disse que só devíamos mexer naquilo se ele falhasse. Mas não queria que você soubesse o que tem lá dentro. Por que?"

Gina sentiu raiva de Draco, naquele momento. Ela sabia que ele estava aprontando alguma coisa e aquela informação apenas acentuou a sensação ruim dentro dela.

"Você sabe por que um comensal está atrás dele, Gina?" – Rony olhou com seriedade para a irmã.

"Pensei que fosse por causa do pergaminho, porque Draco o tinha."

"Por que ele deixou você ir embora?"

"Ele não me deixou ir, ele me mandou embora" – ela falou ressentida – "Ele que me proteger".

"Por que um comensal estaria atrás de outro?" – Rony perguntou novamente.

"Não sei. Eu achava que fosse por causa do pergaminho, apenas" – ela respondeu. Olhou pela janela por um tempo. E então, algo fez sentido na cabeça dela. "Mas ele quer Draco. Não tem nada a ver com o pergaminho" – os olhos dela brilharam.

Rony sentiu raiva quando ouviu a irmã chamando Malfoy de Draco, mas controlou a raiva. Não iria brigar com Gina novamente naquele momento por causa daquele homem.

"Você precisa me ajudar, Rony. Escute, tem algo errado com Draco e Norton sabe, é por isso que está atrás dele. E se Draco precisava do pergaminho traduzido para entender o que tinha de errado com ele, o que Norton quer de Draco deve ter a ver com Voldemort também. O pergaminho falava dele" – ela explicou.

"É claro que sim. Draco é um assassino, como Voldemort. Ele só te mandou embora porque não precisava mais de você. Ele está zombando com a nossa cara desde o começo!" – Rony gritou com raiva.

"E por que então ele entregaria o pergaminho a Harry? Não, é outra coisa. Tem algo errado com ele. Ele vai fazer uma besteira. Draco precisa de ajuda" – ela gritou também.

"O que ele vai fazer? Matar alguém?" – Rony debochou.

"Não" – ela sussurrou – "Ele vai se matar".

Rony encarou a irmã por um minuto. Aquilo era bastante ruim. Gina preocupada com Malfoy, um pergaminho misterioso, um comensal ainda solto e tudo isso ligado a Voldemort. "Ele não vai se matar, Gina, ele é covarde demais pra fazer esse favor para nós" – ele soltou venenoso.

"Nunca mais repita isso, Rony. Você não sabe pelo que ele tem passado" – ela ameaçou, se aproximando do irmão e apontando o dedo para ele. "Ele vai enfrentar Norton, é por isso que me mandou embora. Mas não vai dar certo, eu posso sentir. Ele vai se machucar" – os olhos dela se encheram de lágrimas e a voz dela saiu fraca, quase inaudível.

Entendia, agora, o que Draco ia fazer. O que ele tinha dito com 'fazer as coisas ficarem bem'. Ele não iria fugir, nem despistar Norton. Ele iria enfrentá-lo. Nem que isso custasse a vida dele. Fazia sentido, agora, aquela sensação de despedida que ela tinha tido ao entrar no trem.

Rony olhou com pena para a irmã. Passou um braço pelo ombro dela.

"Você não pode saber isso. Ele vai fugir, é isso que vai fazer. Para não ser pego, como tem feito durante anos, Gina. Não vai acontecer nada com ele além disso" – ele a consolou. Não que ele desejasse que Malfoy ficasse bem. Muito pelo contrário, ele só estava ali, com Gina, naquele momento, porque Harry e Hermione o proibiram de ir atrás de Malfoy para matá-lo ele mesmo.

"Vai sim" – ela murmurou, saindo do abraço do irmão. Precisava de uma varinha. Tinha deixado a dela com Draco – agora entendia porque ele tinha pedido. Draco ia usar a varinha dela para matar Norton. Ele não queria ser rastreado por usar a dele própria.

"Nós vamos procurar Norton Willsburg" – ele garantiu.

"Onde está o pergaminho?" – ela se lembrou.

Rony fitou a irmã, receoso de contar. Sabia o que se passava na cabeça dela. Gina tinha se sacrificado para salvar a vida dele, e faria a mesma coisa por Malfoy, se continuasse achando que ele corria perigo.

"Onde está, Rony?" – ela repetiu.

"Hermione o levou para o escritório dela. Ela disse que já tinha visto alguma coisa parecida. Queremos descobrir o que está escrito lá" – ele contou, não olhando diretamente para a irmã.

Gina acenou a cabeça. "Eu vou para lá. Preciso saber também. Preciso saber o que fizeram com Draco e então vou atrás dele" – e dizendo isso, ela foi para o banheiro.

"Vou com você" – ela ouviu Rony gritar do quarto.


"Milorde" – Norton entrou correndo na sala em que Draco e Voldemort estavam – "Eles se entregaram."

Voldemort soltou um urro de raiva, que estremeceu as paredes do aposento em que estava. Cantburry e Goyle. Os traidores.

"Chame Lúcio. Está na hora" – ele se virou para olhar Norton e depois para Draco. O olhar de Voldemort tinha um brilho esquisito. Até mesmo a entonação da voz estava estranha. Era algo como surpresa e insegurança ao mesmo tempo.

Draco olhou de Voldemort para Norton. Ele sabia que estava sendo procurado. Sabia que os aurores tinham uma ordem clara para matá-lo se o encontrassem. Mas não sabia o porque de apenas ele ia ficar escondido. E ele detestou a idéia. Mas não pode lutar contra isso. Em questão de horas, ele foi levado dali pelo pai e isolado. Mandado para uma cidade estranha, sozinho. Onde ficaria por anos, sem que ninguém soubesse onde ele estava.

Foi a última vez que viu o pai e Voldemort. E qualquer outra pessoa que conhecia.



N/a: hey, gente. Saiu até rápido, né? Bem, não vou falar muito aqui. Acho que ficou meio grandinho, mas se eu dividir o capítulo, vou acabar estendendo a fic e não gostaria que isso acontecesse. Está tudo programado para ela terminar no capítulo 13 e mais o epílogo. Se vocês acharem que está muito grande, me avisem. Os próximos devem ficar como esse aí e se não gostarem, eu divido tudo.

A propósito, estou usando a mesma música do capítulo anterior e estarei usando pelo resto da fic.

Queridas (Bel Owens, Srtá Felton e Naira Cirino), obrigada pelas reviews. Comento individualmente cada uma delas no fim, ok?

Rumo ao clímax, gente!

Beijos a todos vocês!!!!

Annie Black Malfoy