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-Hmmm que sedutor!
Os pensamentos turbulentos de Erina foram interrompidos pela voz curiosa de Alice.
- O que...ALICE?
A loira não teve tempo de se recuperar do susto. Em um movimento digno de inveja dos mais especialistas dos ladrões, Alice retirou o celular da mão da prima e leu a conversa que a moça estava tendo com um certo chefe de cabelos vermelhos.
-Hm...que surpresa agradável! Eu nunca pensei que o Yukihira fosse um galenteador
-Alice! Me devolva isso! E o que diabos você está fazendo no meu quarto?
Erina tentava em vão se aproximar da prima que agora corria pelo quarto enquanto jogava o que visse na frente para impedir a loira de se aproximar.
-Ahh me desculpe por isso, Erina-sama! É que eu meio que estou de babá hoje.
- E a culpa é inteiramente sua, Hisoko!
A herdeira de cabelos brancos fez uma careta na direção da moça enquanto tentava se esconder em um dos armários da prima.
-Alice por favor devolva o celular da Erina- sama! - Hisako bufou em frustração e massageou as têmporas.
- É Alice! Me devolva logo isso!
-Hm...então quer dizer que você sente falta do Yukihira as 4 da manhã, priminha?
- O que? - Hisako arregalou os olhos ao ouvi tal revelação. Imaginou que Erina a chamaria para conversar sobre o acontecido ontem, mas não esperava que as coisas tivessem avançado tanto assim naquele curto espaço de tempo.
- Rrrhg ALICE! JÁ CHEGA!
Sem pensar muito no que estava fazendo, Erina se jogou em cima de Alice e as duas caíram no chão levando consigo roupas e cabides. Hisako correu para apara o armário que ameaçava esmaga-las enquanto as primas brigavam pela posse do celular.
Ao final da épica batalha, o quarto estava quase destruído. Mas Erina finalmente segurava o celular na mão como se fosse seu bem mais precioso.
-Hmpf...Tudo bem! Pode ficar com ele. Eu já tinha acabado de ler mesmo - A moça dos olhos vermelhos se levantou e, com graça e leveza, sentou-se na cama da prima como se nada tivesse acontecido.
- O que está fazendo? – Erina sentia os músculos doloridos. Fazia tempo que não se engajava em uma disputa tão feroz. Isso a lembrou dos tempos de infância em que brincar com Alice exigia mais fôlego do que as aulas de educação física da escola. Ainda no chão, a herdeira olhou com desconfiança para a prima que parecia esperar, tranquilamente, a loira se recompor.
-Esperando você me contar a história toda. Não foi por isso que viemos aqui?
- Correção, Hisako veio aqui para isso. Você, por outro lado, eu não tenho ideia do que está fazendo aqui!
-HMPF! Erina! Não seja má! – Alice fez bico enquanto a olhava com mágoa. – Você nem teria o que contar se não fosse por mim!
- E é exatamente por isso que você não foi convidada!
Hisako sentiu o clima pesar novamente e decidiu se intrometer para que outra batalha entre as duas não acontecesse. Não garantia que saíssem todas vivas na próxima.
- Errrr..Erina-sama. Me perdoe. É que hoje eu preciso ficar com a senhorita Alice. Até o horário do meu encontro com o Hayama, quero dizer.
-Ahh sim é hoje não é mesmo? – Alice sorriu maliciosamente.
Hisako rolou os olhos e decidiu prosseguir.
-Bom Kurokiba deixou bem claro que... hmm... eu sou responsável pela senhorita Alice e – ela limpou a garganta tentando achar a melhor maneira de comentar a estranha ameaça que recebeu - Ele foi bem enfático ao ehh...pedir...isso...pedir que eu cuidasse pessoalmente da senhorita Alice.
-Own! O Ryo é um doce!
- Eu não diria doce, mas convincente...definitivamente convincente.
- Tanto faz.- Alice sorria enquanto agarrava um dos travesseiros da cama.
Erina analisou o comportamento da prima. Certamente não tinha visto esse sorriso bobo e as bochechas levemente rosadas antes.
-Ok. Bom, já que para falar com Hisako eu vou ter que ficar presa a você, pode pelo menos prometer que esse assunto morre aqui?
- Minha boca é um túmulo, priminha. – Observou a prima levar os dedos a boca e a cruzar em forma de juramento. Suspirou profundamente e contou toda a história das mensagens durante a madrugada.
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-Oh...Bom dia Soma!
- Bom dia Tadokoro! Ah e obrigado por ter me deixado um prato do que estavam preparando. Estava realmente delicioso. – Soma sentou-se a mesa, bem a frente da amiga que parecia escrever em um caderno de receitas.
-Que bom que gostou! Mas os elogios devem ser dirigidos a Arato e ao Hayama. Foram eles que preparam o prato.
Os dois ouviram um assobio alegre seguido de risadas. Isshiki, Yuki e Ryoko apareceram logo depois acenando no caminho. A julgar pelas roupas, os três se dirigiam até a horta.
-Aparentemente todos dormiram bem. Eu esperava que acordássemos destruídos depois daquele "suco" da Ryoko.
-Ah sim. Mas Hayama nos contou que Arato elaborou um prato com ingredientes que reduzissem o nosso possível mal-estar. E pelo visto funcionou, como esperado da Arato-san.
-Hm...preciso descobrir o que exatamente ela usou. Mas por que foi o Hayama que explicou o prato da Arato?
-Bom eles fizeram juntos. Mas na hora de finalizar, erhhh...a Nakiri apareceu bem nervosa e as duas foram embora antes de comer.
Soma ficou paralisado. O que teria feito Nakiri sair correndo como uma fugitiva? Não permitindo nem que Hisako terminasse o prato que estava fazendo.
-Sabe, você estreita bem os olhos quando está concentrado, Soma. É interessante ver como a sua fisionomia muda quando falamos da Nakiri.
-Hm?
-É nela que está pensando, não é?
O rapaz sentiu as bochechas arderem. Estava realmente corando só por ouvir o nome da herdeira?
-Ahh eu não consigo esconder nada de você, não é mesmo Tadokoro?
A menina observou o garoto exibir um sorriso sem graça. Nunca o tinha visto combinar o famoso sorriso com bochechas rosadas. No entanto, a imagem relaxada não durou muito.
-Você está bem, Soma?
-Sim. Não. Eu...eu na verdade não sei Tadokoro.
A garota piscou os olhos enquanto inclinava levemente a cabeça para a esquerda. A expressão curiosa era evidente, mas Megumi era educada demais para perguntar algo tão privado.
- A verdade é que...eu ando tão confuso – Soma dirigiu seu olhar para a amiga e se deparou com um sorriso reconfortante dela. Sabia que podia confiar na garota.
- E não é de agora sabe? E o pior é que eu não sei o que fazer.
-Hm...bom vejamos...quando eu tenho um problema que não sei resolver eu vou até a sua origem. Como da vez que tivemos que montar aquele prato de legumes para o Shinomiya ou da vez que batalhei contra o Kurokiba nas eleições de outono. Eu acredito que na raiz do problema está a solução do mesmo.
Um problema é como uma erva daninha em uma horta. Você sabe que está ali, mas não mexe. E aí ela acaba aumentando e fazendo tudo ao seu redor ficar desconfortável e fora do lugar. Com o tempo ela acaba substituindo a horta. E no final, quando você repara bem, restam mais ervas daninhas do que horta. Tudo o que você precisa fazer para evitar que isso aconteça é cortar o mal pela raiz. Por isso sempre tiramos ervas daninhas da horta logo quando crescem.
-Está dizendo que eu tenho que procurar ervas daninhas na horta do dormitório? Isso me faria esquecer a minha confusão com relação a Nakiri?
-Não, absolutamente não. Estou dizendo que se você tem algum problema com a Nakiri e se é ela que está te fazendo ficar tão confuso, acho que a solução está nela. Por que não conversa com ela?
-Eu não sei exatamente se ela quer que eu converse com ela.
-Poderia tentar. Vocês deveriam conversar. Talvez, longe de tudo e de todos, vocês fiquem mais atentos um ao outro e não na situação em si.
-Você está me dizendo pra chamar a Nakiri para um encontro?
-Se você acha que isso melhoraria a situação, então sim.
O som do timer do forno fez com que Megumi corresse para conferir o que quer que estivesse cozinhando.
Soma ficou olhando as mãos sobre a mesa. Parecia refletir sobre o conselho que lhe foi dado. Pesando bem as suas escolhas e opções. O olhar concentrado só foi perturbado pelo cheiro de torta recém preparada que agora infestava a cozinha e sensibilizava seu nariz.
-Nossa Tadokoro! Isso está cheirando muito bem!
-Ah Obrigada Soma! Eu fiz essa torta de maça como um agradecimento para os irmãos Aldini.
-Ah! Eu li a ameaça que o Takumi me fez! Me desculpa por ontem.
-Ahh por favor, Soma não se desculpe e não interprete mal as coisas. Takumi só ficou...como posso dizer...exaltado com os acontecimentos e com a bebida da Ryoko. E eu nem quase me lembro do que aconteceu.
As bochechas vermelhas denunciavam que a menina se lembrava de tudo e estava sendo um anjo por não tocar no assunto.
-Como quiser, Tadokoro. Mas saiba que você não sabe mentir - Ele voltou a sorrir do seu jeito travesso tão conhecido e Megumi voltou a se concentrar na torta que quase derrubou de suas mãos.
-Bom eu vou voltar para o meu quarto. Já sei o que devo fazer. Obrigado por me ouvir e pelo conselho, Tadokoro.
-Disponha Soma! Espero que de tudo certo!
E com um sorriso e um aceno de cabeça o rapaz voltou para o quarto disposto a chamar uma certa loira para um encontro.
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- Você precisa responder! – Alice, ainda agarrada ao travesseiro, agora pulava sobre a cama da prima.
-Eu sei! Mas o que? - Erina parecia desesperada.
- Erina-sama, por que não responde da mesma maneira que fez durante a madrugada?
- Com sono? – A resposta da loira foi tão sincera que restou a Hisako apenas rolar os olhos e seguir explicando.
-Não, com a verdade. Responda dizendo a ele o que realmente está sentindo. Pelo visto é isso que ele tem feito também.
- Mas como posso fazer isso se nem eu mesma sei o que estou sentindo?
-Hm...você pode...tentar descobrir isso falando com ele - Alice cansou de pular e agora sentou novamente na cama onde as outras duas garotas também estavam confortavelmente posicionadas.
-Isso é exatamente o que eu estou tentando fazer, Alice!
-Não! Quero dizer que você deveria tentar descobrir o que você sente com ele e não pensando nele, entende? Tipo, que melhor maneira de descobrir o que você realmente sente do que saindo com ele? Você não vai descobrir nada lembrando do passado ou imaginando o que poderá acontecer. Você precisa ir lá e descobrir isso sozinha.
- Eu não acredito que estou dizendo isso, mas a senhorita Alice está certa.
-Você quer dizer tipo...um encontro?
-Ah...sim... isso pode funcionar...
-Você realmente está propondo que eu chame o Yukihira para um encontro? Você está louca, Alice?!
- Bom, essa não é uma ideia tão terrível assim.
-Meu deus! Eu estou passando muito tempo com a senhorita Alice, tanto que ela está começando a fazer sentido.
- O que está querendo dizer com isso Hisako?
- Que eu realmente estou concordando com a senhorita Alice. Eu acho que você deveria ir em um encontro com o Yukihira.
-Mas eu? Chamando-o pra sair?
- O que há de errado nisso?
-Não é assim que as coisas funcionam, Alice!
-Não é assim que as coisas funcionam naqueles seus estúpidos mangás de shoujou que você lê tão ardentemente. Aqui no mundo real, nos podemos fazer o que quisermos e se você quiser tanto descobrir o que diabos está sentindo, você deveria chama-lo para sair. Isso não faz de você menos garota, pelo contrário, isso a faz ser uma mulher.
Hisako e Erina olhavam Alice como se ela fosse um ser de outro mundo.
- Agora eu estou entendendo Hisako.- Erina murmurava tentando cobrir as mãos mas ainda sim sendo ouvida pela prima - Depois de passar um tempo junto dos loucos, eles acabam fazendo sentido.
Hisako apenas concordou balançando diversas vezes a cabeça. E Alice fez um bico de desagrado com a comparação. As três acabaram rindo de toda a situação. Erina observou em volta e se sentiu leve. Precisava desse tempo com elas para entender o que deveria fazer.
Chamaria Soma para um encontro.
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Obrigada a todos pelo apoio! Espero muito que estejam gostando!
