Rapidinho, antes de ir dormir...
Parabéns para mim, parabéns para mim, parabéns para mim, parabéns para mim, parabéns para mim...
20 anos! Aewwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww!
Mas eu quero dedicar esse capítulo em especial para minha super beta, a Meri, que faz aniversário no mesmo dia que eu! Te adoro, maninha! Parabéns para nós.
- Caindo de sono -
E agora, voltamos a nossa programação normal...
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Capítulo 09: Lancelot
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Achernar passou os dedos de leve pelas teclas do piano, silenciosamente. Os olhos escuros brilhavam com a parca luminosidade fornecida pelos candelabros laterais do teatro. O grande lustre de cristal estava apagado, mas alguns poucos prismas de cor insinuavam-se pelas paredes e no carpete vermelho.
Levantou a cabeça, deixando o piano de lado por alguns instantes para fixar-se na face de Miriam Graves. Há quanto tempo a presidente do clube estivera falando? Perdera-se ainda nas boas-vindas, incapaz de realmente prestar atenção naquela pantomima.
O que estava fazendo ali afinal? Nunca gostara de teatro. O que raios estava fazendo ali, diante de uma pequena platéia de atores – amadores, para completar, santo deus! – com alguns poucos colegas do curso de música, ouvindo pacientemente aquela matraca... Céus, como ela falava...
Apoiando a testa do dedo, começou a massagear as têmporas, enquanto seus olhos caíam sobre as partituras da peça. Artur. Grande. Muito criativo da parte deles começar seus trabalhos com mais um ciclo de lendas arturianas – ele pensou com certo sarcasmo. Em qual parte eles se fixariam? Tristão e Isolda? Duvidava que qualquer um dos presentes tivesse capacidade suficiente para interpretar a grande ópera de Wagner.
Percival? Merlin? Abriu o libreto, deixando as orbes escuras passearem pelas partituras – em sua grande parte, composições medievais de amor cortês. Um meio sorriso formou-se em seus lábios e ele voltou a erguer a cabeça, fixando sua atenção numa moça de cabelos flamejantes, parada junto às sombras do grande pórtico do teatro.
Artur. Guinevere. Lancelot. O mais famoso triângulo amoroso da história. Ora, e aquilo não era uma surpresa? Especialmente tomando pelo pequeno problema que imiscuira-se em seus planos para a jovem Weasley: Harry Potter.
Um novo sorriso, ligeiramente malicioso, sobrepôs-se ao primeiro, ao lembrar-se da prima apresentando-o propriamente à amiga, acrescentando com um tom de voz ligeiramente forçado que ela era também a namorada de seu amigo de infância.
Achernar não precisava somar dois mais dois para perceber que Lyncis sentia alguma coisa por Harry. E não era amor fraterno. Se Ginny não estivesse no caminho dela, a morena certamente poderia conquistar o jovem Potter.
Por outro lado, se Harry não estivesse em seu caminho... Ainda precisava ter certeza dos sentimentos da prima e, especialmente, do rapaz, para propor um pequeno jogo a Lyncis.
- Bem, o pessoal da música pode ficar na platéia se quiser. Enquanto o professor Nicolai não revisar todas as partituras, vocês não terão muito trabalho. – Graves finalmente terminava seu discurso, fazendo o rapaz afinal voltar de seus pensamentos – Agora, turma, vocês, para o palco.
Ele se levantou, deixando o piano. Ginny passou por ele, e Achernar a cumprimentou com um pequeno sorriso. Um tanto surpresa, a ruiva também sorriu, acenando com a cabeça.
Não tivera uma boa primeira impressão de Achernar ao vê-lo com Draco, no dia em que chegara. Entretanto, depois que Lyncis fizera as apresentações entre as amigas e o primo, Ginny não pudera deixar de ser cordial com o colega. Especialmente agora que ele se apresentara voluntariamente para participar da montagem da nova peça do clube de teatro.
Começara artes cênicas aquele ano, mas já fazia parte do grupo de teatro de outras temporadas. Aquela peça, entretanto, seria seu grande papel. O professor a escolhera para interpretar Guinevere, especialmente pela "boa sorte" que seu nome trazia. Sorriu ao pensar naquela pequena coincidência antes de subir ao palco.
Enquanto isso, Achernar sentava-se confortavelmente numa das poltronas mais centrais. Todos os seus outros colegas deixaram o teatro – a maioria estava ali pelos títulos que participar da peça traria aos seus currículos. Ele nunca se preocupara com isso; fazia música porque amava a música. Não por um título ou um diploma. Afinal, não precisava disso.
Sorriu, meneando a cabeça. Estava pensando muito parecido com Draco. Andando demais com o primo. Aquele tipo de idéia era típica do outro.
Ele observou os alunos se posicionarem no palco, Ginny encaminhando-se para os fundos do tablado. Mais um sorriso. Ela era a imagem da princesa em apuros, rainha encastelada, formosa dama à espera de alguém que a salvasse.
Não fazia muito o seu estilo estar por aí roubando a namorada dos outros. Mas havia qualquer coisa de especial naqueles olhos limpidamente azuis, na voz calma, alegre... Qualquer coisa que o cativara desde o primeiro instante, desde o momento em que vira a mão pálida emergir junto à janela da carruagem.
Achernar nunca negara sua natureza romântica. Nesse ponto, era o oposto da irmã. Nymphadora sempre fora muito prática, muito voltada para seu trabalho. Ele era do tipo mais contemplativo. Gostava de música clássica, era fã de Byron, Poe... Só não pretendia morrer de pneumonia.
Sorriu a esse pensamento. Ultra-romântico, bem certo. Mas, acima de tudo um espírito de jogador. Ginny tinha um namorado, bem certo. E era um relacionamento consideravelmente longo. Mas, e daí? Ele adorava desafios.
E Lancelot não conseguira conquistar Guinevere? Por que ele também não poderia adentrar no espírito do cavaleiro imperfeito?
- Olá, Tonks.
Ele levantou a cabeça, encontrando a face de Harry. O moreno arrumou os óculos, equilibrando-os no nariz, antes de se sentar ao lado do músico.
- Veio assistir ao ensaio? – Achernar perguntou, tentando reprimir os pensamentos que tinham tomado forma instantes antes e que, em sua maioria, diziam respeito à namorada do recém-chegado.
Harry assentiu.
- E também resgatar a Ginny. Se deixar, ela esquece de comer e de tudo o mais. Alguém tem que ficar de olho nela.
Achernar sorriu, fazendo um aceno com a cabeça.
- Lyncis me disse que vocês eram namorados. Há um bom tempo já.
- Mais ou menos, desde a época em que chegamos à Academia. – Harry respondeu, fixando os olhos na ruiva, que acabara de assomar ao palco.
Dessa vez, o rapaz não respondeu. Sua cabeça funcionava a todo vapor. Como poderia descobrir se Harry realmente gostava de Ginny? E Lyncis? Não podia se esquecer de Draco também, visto que o primo parecia gostar da morena, embora às vezes fosse um tanto... irônico demais.
Os dois não conversaram mais até o final do ensaio. Achernar viu Harry levantar-se quando Miriam Graves deu a sessão por encerrada. Com um aceno de cabeça, os dois se despediram e o jovem americano observou Ginny pular do palco na direção dos braços do namorado, beijando-o carinhosamente antes de saírem de mãos dadas do teatro.
Acompanhou com os olhos o casal antes de também se levantar. Olhando para o relógio, percebeu que já era hora do almoço. Tinha que se encontrar com Lyncis e Draco pra irem almoçar com Órion. Aparentemente, o caçula dos Black andava um tanto para baixo e Lyncis pensara que um almoço em família seria bom para melhorar os ânimos do irmão.
Com as mãos nos bolsos, ele caminhou pelos corredores quase vazios da Universidade. Era sábado. Fazia quase um mês que as aulas tinham começado e aquele era o primeiro fim de semana livre que tinham.
Parou de chofre ao perceber Lyncis caminhando em sua direção. A garota parecia ligeiramente aérea, a cabeça baixa, os braços cruzados junto ao corpo, como se numa tentativa de esquentar a se mesma.
Sorrindo, ele parou, encostando-se, à parede, esperando que a prima o visse. Lyn, entretanto, quase passou por ele sem percebê-lo. Na verdade, teria ido embora não fosse Achernar soltar um alto assobio apreciativo.
- Ah... É você... – ela suspirou, meneando a cabeça, enquanto um meio sorriso surgia em seus lábios – Não tinha te visto aqui.
- Eu percebi. Você passou pelo meu lado, quase encostando o cotovelo em mim... E nem me percebeu. Devo ficar triste ou alegre pela minha nova capacidade de me tornar invisível?
Ela abriu um pouco mais o sorriso.
- Não começa, Arch. Eu só estou um pouco preocupada com uns trabalhos que o professor de Antropologia passou. Mas e você? Já terminou a reunião do clube de teatro? Eu vi Harry e Ginny passarem agora há pouco...
Um brilho ligeiramente malicioso apareceu nos olhos escuros do rapaz enquanto ele observava a face de Lyncis. A face dela parecia ligeiramente melancólica e ele não podia deixar de associar esse estado de espírito a quem "passara há pouco" pela prima.
- Já. Estava indo procurar você e o Draco para pegarmos o Órion e partirmos para nossa divertida tarde em família.
- Draco está no Salão Principal, esperando.
Achernar assentiu e os dois voltaram a caminhar, dessa vez na direção de onde Lyncis viera. Olhando de esguelha para a moça, Arch pensava em como poderia abordar o assunto que tanto lhe interessava.
Antes que o pudesse fazer, entretanto, os dois chegaram ao corredor da entrada do salão. E acabaram por encontrar uma cena que parecia muito comum nos últimos dias para eles. Ginny segurava o ombro com uma expressão um tanto dolorida, enquanto Harry estava parado diante de Draco, ambos trocando olhares de pura hostilidade.
Aquilo estava começando a ficar bem interessante...
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- Peça desculpas. – ele ordenou, num tom grave a ameaçador.
O loiro apenas estreitou os olhos em resposta, sem responder. Ginny continuava pressionando o ombro, mordendo os lábios de leve como se aquilo pudesse controlar a dor.
- Não, Potter. – Draco respondeu com a voz leve, embora também houvesse uma animosidade velada em suas palavras – Não tenho culpa se sua namorada está precisando de óculos e sai esbarrando por aí em gente inocente.
- Harry, isso não é necessário, deixa essa cobra pra lá... – Ginny tentou puxar o rapaz pelo braço, mas o moreno resistiu.
- Ele vai pedir desculpas. – Harry respondeu entre dentes.
- Está fazendo isso por uma questão de cortesia com a Weasley ou para satisfazer seus brios? – Draco perguntou, cruzando os braços.
Os dois se encararam com hostilidade, até que a expressão do loiro se suavizou e um sorriso irônico surgiu em seus lábios.
- O que está acontecendo agora? – Harry ouviu a voz cansada de Lyncis perguntar e girou nos calcanhares, encontrando a moça acompanhada de Achernar logo atrás de si.
- Esse idiota quase derrubou a Ginny na entrada. – Harry respondeu de má vontade, sem deixar de vigiar Draco com o canto dos olhos.
Lyncis suspirou.
- Draco, por favor, peça desculpas.
O sorriso do loiro aumentou.
- Por que eu deveria fazer isso?
- Porque as damas nunca devem pedir perdão. – Achernar respondeu imiscuindo-se na conversa ao mesmo tempo em que colocava uma mão sobre o ombro do primo – E você é um cavalheiro.
Por alguns instantes, Draco encarou Achernar, antes de virar-se para Ginny.
- Perdoe-me, minha lady. – ele pediu com a voz irônica, ao mesmo tempo em que se curvava numa postura graciosa – Muito embora ache eu pouco provável que sejas uma gentil donzela a quem deva eu apresentar tais respeitos.
Antes mesmo que Draco pudesse voltar a aprumar-se, Harry praticamente jogou-se sobre ele, socando-o violentamente no queixo. O loiro cambaleou ligeiramente para trás, sentindo o gosto de sangue na boca antes de aproveitar-se do fato de estar ainda abaixado para responder com uma cabeçada no peito de seu oponente.
Harry caiu sentado, soltando um urro de dor. Mas logo estava novamente em pé, disposto a acabar com aquela vendeta com Malfoy de uma vez por todas.
Não fosse pelo fato de Lyncis se interpor entre os dois naquele instante.
- Chega! – a morena ordenou, irritada – De uma vez por todas, chega! Parem de agir como crianças! Vocês têm sorte de não haver mais ninguém aqui assistindo à conduta vergonhasa que ambos estão tomando, ou certamente já teriam sido expulsos.
Draco abaixou os braços, que tinha colocado em posição de defesa, descerrando os pulsos antes de se voltar para ela com um sorriso gentil, muito diferente do que usara instantes atrás.
- Já que você pede com tanta veemência, minha cara prima... Eu irei obedecer-lhe hoje, na esperança de ter alguma recompensa no futuro.
- Mas você é muito cínico, não é Malfoy? – Harry praticamente cuspiu as palavras – Você acha mesmo...
- Harry, por favor, chega! – Lyn pediu mais uma vez, parando defronte a ele, segurando-o pelos ombros.
Achernar observou interessado a reação do corpo do rapaz. Por alguns instantes, tivera a ilusão de vê-lo tremer sob o toque de Lyncis, os olhos verdes nublando-se antes de ele soltar-se dela, dando as costas a todos.
Os olhos dele e de Ginny se encontraram por breves instantes, antes da ruiva seguir os passos do namorado.
Draco, por sua vez, aproximou-se de Lyn, que agora estava de cabeça para baixa, puxando-a de leve pela mão.
- Interessante justo você ter falado de expulsão, quando pratica tiro ao alvo escondida nos campos da academia.
Ela voltou-se para ele, observando-o com seriedade.
- O que realmente aconteceu, Draco?
- O Potter surtou. – ele respondeu, cruzando os braços – A namorada dele tropeçou e esbarrou em mim quando eu estava indo procurar vocês. Parece que deu um jeito no ombro. De qualquer maneira, parece que seu amigo estava procurando um motivo para brigar comigo, porque queria de todo jeito que eu pedisse desculpas para a namoradinha dele, sendo que ela é quem deveria ter pedido desculpas.
- Acho melhor esquecermos esse incidente. – Arch se pronunciou – Órion está esperando por nós, e creio que ele não necessite de mais problemas dos que aqueles que já está tendo.
- Eu concordo plenamente. – Draco respondeu – De qualquer maneira, quem precisa do Potter?
Achernar viu novamente a prima abaixar a cabeça.
Lyncis fechou os olhos. Quase não dormira aquela noite, estudando para alguns trabalhos. Conseqüentemente, levantara-se extremamente sensível. A visão de Harry e Ginny juntos de mãos dadas tinha lhe afetado muito mais do que nos outros dias.
Sentia-se fraca, cansada... Tudo o que queria naquele instante era sua cama de volta, onde poderia abafar algumas lágrimas sem sentido junto ao travesseiro.
Mas, em seguida, meneou a cabeça, voltando a levantá-la para encarar os primos, que pareciam esperar alguma reação dela. Auto-compaixão não a levaria a lugar nenhum e, naquele instante, seu irmão precisava muito mais dela.
- Vamos indo. Órion está nos esperando.
