Capítulo 9 • Reação inesperada
Já eram 2hrs e o sono não vinha. A cena vivida algumas horas a trás na boate não saia de sua cabeça. A bebida derramada, a garota furiosa e ele, Naruto, o rapaz misterioso, e meio esquisito, que a salvara não uma, mais duas vezes.
Depois de checar as ligações recebidas na secretária eletrônica, onde das cinco recebidas, uma era de um número desconhecido, que devia ser engano, provavelmente, e as outras quatro eram todas de Neji.
Pensou até em retornar, mas não o fez. Ele havia a deixado sozinha na noite passada e não dera nem sinal de vida durante todo o dia, por isso faria o mesmo, o ignoraria. Ligou a televisão e foi para cozinha procurar alguma coisa para comer.
Não estava com fome, mas sempre que ficava nervosa comia tudo que via pela frente. O motivo do nervosismo era, sem sombra de dúvidas, a situação peculiar em que se metera naquela noite, mas ainda mais o reencontro com Naruto.
Abriu a geladeira, quase vazia, com exceção do pote de sorvete de morangos e de alguns legumes e uma garrafa de catchup. Já estava na hora de fazer compras, pensou. Faria isso quando o dia amanhecesse. Pegou o pote e foi sentar no sofá da sala.
Lá estava ele. Parado no meio da rua em frente de uma casa que nunca tinha visto antes, fazendo sabe-se lá o que, ali, parado.
A rua estava quase deserta, se não fosse ele, um bêbado chegando em casa, do outro lado da rua, e um gato no telhado da casa vizinha àquela que ele observava ansioso. Ansioso? Ansioso pelo que exatamente? Esperava vê-la saindo dali, indo na direção dele com aquele sorriso gentil que lhe oferecera na segunda vez que haviam se encontrado?!
Já era o terceiro encontro acidental dos dois. No primeiro, ainda sem entender o porquê de ter feito aquilo, ele a havia salvado de uns maus elementos que a cercaram numa rua escura e deserta como aquela. O segundo tinha sido na mesma boate em que se encontraram pela terceira vez. Ela desmaiou ao vê-lo e eles acabaram numa praça conversando, onde ele lhe devolveu a corrente que guardara, também sem entender o porquê.
Mais o mais intrigante, o mais surpreendente de tudo havia sido sua reação ao reencontrá-la por acaso naquela noite e defende-la da ameaça que Temari lhe oferecia no meio de toda aquela gente na pista de dança da boate. Ele, Naruto, tinha se oposto a uma "intacta" para ir a favor de um insignificante humana e, ainda por cima, seguira a mesma humana da boate até a suposta casa dela, onde estava parado agora.
Parado na frente da casa dela. Porque ele reagia assim a aquela garota humana? Porque se atirava em queda livre toda vez que a via correndo perigo? Se fosse outra a teria deixado nas mãos dos brutamontes pervertidos no beco, e teria deixado também que Temari desse cabo de sua vida.
Talvez se fosse outra teria sugado seu sangue enquanto ela permanecia desacordada em seus braços naquela praça. Teria sorvido seu sangue aos poucos, ou a teria a conquistado para depois descarta-la como sempre fazia com as outras.
Mas ela não. Ele a defendera as duas vezes que a viu em perigo, e não pensou nenhum minuto sequer em marcá-la. Até guardara o objeto sem valor que ela perdera, sem motivos, sem nem saber se a ia encontrar novamente.
E agora, ainda por cima, estava parado na frente da casa dela. Parado. Na frente da casa dela. Ele havia a seguido. Mais por quê?
Quando estava subindo para seu quarto, onde passava a maior parte do tempo, Sakura foi interrompida em seu trajeto por um rapaz alto e de cabelos negros que a fitava com olhos cheios de malicia e um sorriso de canto que era assustadoramente de tirar o fôlego.
Tentou ignora-lo e passar por ele sem ter que dizer uma só palavra, mas quando desviou o olhar e acelerou o passo, lá estava ele, como uma muralha, agora parado na porta de seu quarto, bloqueando sua passagem.
- Bo-Boa noite, Sasuke-sama. – Foi inevitável cumprimenta-lo. Talvez assim ele saísse de sua frente e a deixasse passar. Não que um cumprimento fosse capaz de tal façanha, mas não conseguiu pensar em mais nada. Ficaram alguns minutos em silêncio até que ele liberou sua passagem e ela pode finalmente abrir a porta e entrar no quarto soz...
- Está fugindo de mim? – Ele segurou a porta antes que ela pudesse a bater na cara dele. – Isso não é nada educado sabe ignorar o irmão do seu noivo só porque ele é um pouco... Receptivo.
- " Receptivo? Eu diria pervertido. Olha só o jeito que ele me olha... Ai!" – Pensou. - Eu não... Não quis ser deseducada. – Se afastou dele, que agora dava passos em sua direção.
- Porque foge as minhas investidas então? – Fechou a porta ao passar completamente por ela.
- Co-Como é que... – A porta fechada, os dois sozinhos e ele falando em "investidas", meu Deus! O que ela faria agora?
- Você não é diferente das outras... Das outras que Kushina trouxe. Todas foram rejeitadas pelo meu irmão, mas acabaram deitadas na minha cama.
- Eu... – Agora estava mais irritada do que com medo do rapaz. Ele estava sendo extremamente grosseiro e desrespeitoso com ela, e não iria admitir que ele a tratasse assim. – Eu não sei que tipo de vampiras Kushina-sama trouxe antes de mim, mas... Mas eu sou diferente sim. Não sou uma vagabunda como você está pensando.
- Ah não... – Não houve tempo para fugir ou evitar o que aconteceu a seguir. Sasuke avançou para cima da garota e a beijou com volúpia, a apertando contra seu corpo, impedindo que ela pudesse fugir mesmo crente de que ela não o fosse tentar.
Mas estava enganado. E enganado duas vezes. Primeiro quando pensara que ela seria só mais uma e que aquele seria só mais um beijo de muitos que recebera e roubara de todas as outras mulheres que passaram em sua vida. E segundo porque ela não reagira como ele esperava e resistia sim ao beijo, tanto que quando ele amoleceu no controle, ela o empurrou para longe e esbofeteou-lhe a face.
Depois de chorar vendo o filme meloso que encontrara passando na televisão quando a ligara antes, e depois de deixar o pote de sorvete de 1 kg pela metade, Hinata foi tomar um banho para finalmente dormir, pois o sono já estava apertando os olhos. Entrou no quarto e já foi logo se despindo, afinal não havia ninguém ali que pudesse vê-la daquela forma.
Pior do que ficar parado na frente da casa de uma humana insignificante é espiar na janela da mesma humana insignificante. E quando ela adentrou o quarto então, meu Deus, ela estava se despindo e ele, mesmo sabendo o quão insignificante ela era pra ele, estava assistindo a tudo sem mover um músculo. Ou quase nenhum.
Ela removeu a blusa primeiro ficando só de sutiã. Os seios volumosos, fartos, firmes e branquinhos, quando ela tirou a peça do lingerie que os cobria, deixando-os completamente a mostra agora. E Naruto sentiu uma imensa vontade de tocá-los, como se nunca o tivesse feito antes em tantas outras mulheres até mais "bonitas" do que ela.
Depois de desabotoar a calça e se livrar dela, ficando só de calçinha, uma pesa rosa bebê rendada que combinava com o sutiã, Hinata tirou as sandálias que estava usando e estavam a apertando a noite inteira.
Não dá pra descrever ao certo a reação que ele teve ao vê-la assim, vendo a última pesa de roupa ser retirada em sua frente sem o menor pudor. É claro que ela não sabia que ele estava ali, não fazia a menor idéia de sua presença. E Naruto se sentiu até um pouco culpado por estar a espiando, mas sua mente estava atordoada demais para pensar racionalmente e seu corpo não conseguia sair da posição inicial, parado, em pé, pouco longe da janela fechada do quarto.
Quando ela caminhou para a porta do que ele julgou ser o banheiro, e entrou fechando-a em seguida, Naruto ainda permanecia ali estático na janela, sem entender a reação dele a tudo aquilo, muito menos a de seu corpo. Quer dizer, ficar excitado por ver uma mulher completamente nua era absolutamente normal a qualquer homem, mas ele não estava apenas excitado, havia algo mais dentro dele que pedia, implorava não só para possuir o corpo daquela mulher, mais pra braça-la, beija-la, protege-la em seus braços, livra-la do perigo e não solta-la, não deixa-la sozinha nunca mais.
- O que estou pensando... – Afastou-se da janela rapidamente. Correu para a rua com uma velocidade assombrosa, pulou sobre o telhado de uma das casas vizinhas desafiando a lei da gravidade, como um animal selvagem, pulando de telhão em telhado e sumindo na escuridão da noite.
Sasuke ainda não conseguia entender o que havia feito de errado com a noivinha do irmão. Deitado em sua cama, ele resmungava sozinho para o quarto escuro e vazio, descrente da rejeição que ela aplicara a ela. Como podia te-lo rejeitado daquela forma? Da forma como nenhuma outra sequer pensara em reagir com os beijos dele, com os toques dele? Qualquer outra teria ido para a cama dele sem pensar duas vezes. Mas por que aquela vampira desgraçada havia se recusado a se submeter aos desejos ardentes dele? Desejo de possuí-la, de tomá-la para si como fizera muitas vezes antes, e depois se livrara de suas amantes.
Ele e Naruto eram parecidos nisso. Para ambas as mulheres eram apenas brinquedos, ferramentas de diversão e prazer. Nada mais. Eles as usavam e descartavam, essa era a "lei". Só que para Naruto era mais divertido destruir os sonhos românticos e esperanças das humanas, caçá-las, como num jogo. Aproveitar-se delas ao extremo. E para Sasuke, as vampiras eram mais interessantes.
O motivo de Naruto era o ódio que ele nutria pelos humanos em geral, devido sua origem peculiar e desprezada pelos demais vampiros. A mão, Kushina, se envolvera com um mortal e gerara o filho como um "sujo", não tivera coragem de transformar o humano em um vampiro como ela. E por ser de tal ramificação, dos "sujos", Naruto desprezava a existência dos incomuns, dos mortais, dos humanos. Ou como a maioria preferia chamar, comida.
Agora, para Sasuke o motivo era outro. Era mais uma questão de dor de cotovelo, uma traição nunca perdoada, nunca aceita por parte dele. Ele já amara uma vez, uma vampira, uma comum. Dedicara a ela sua vida e seu coração frio e sem vida, mas que sentia por ela um amor sincero e verdadeiro.
Ele se apaixonou e jurou amor eterno, jurou casar-se com ela e dividir com ela a eternidade. Mas, na primeira oportunidade, ela o traira. O deixou por outro que a prometera não amor eterno e incondicional, mas dinheiro e posição.
Desde então, Sasuke amaldiçoara o amor e jurara destruir o sentimento de todas as outras vampiras que ele quisesse destruir. E vieram outras, muitas outras, inclusive as noivas rejeitadas de Naruto. E todas elas tiveram o mesmo fim. Mas essa Sakura, como ela tinha coragem de recusá-lo? Como tinha coragem de bater nele e expulsa-lo de seu quarto?
Conquista-la, que antes fora só um capricho, agora era uma obrigação. Ela não fugiria, não escaparia dele. Seria mais uma das muitas com as quais realizara sua vingança. Ela seria dele. Seria. E ninguém poderia fazer nada para impedir.
- Ainda não consegui entender o que deu na cabeça do Naruto.
- Nem eu Kiba. – Disse Sai, que permanecia tão perplexo e desentendido quanto os outros.
- Preciso conversar com você Shikamaru. – Gaara o chamou para fora do camarote.
- O que foi Gaara? – O seguiu.
- Acha que existe alguma possibilidade de o Uzumaki estar envolvido com uma incomum?
- Não creio que passe de uma de suas "marcadas".
- A ponto de ele impedir uma "intacta" de tocá-la.
- Não entendo esse garoto muito bem Gaara. Mas não acho que exista uma possibilidade de que aquilo se repita.
- Como pode ter certeza? Se a mãe o fez, o que custa ao filho?
- Vamos dar um voto de confiança ao garoto, você sabe que exatamente pelo que a mãe fez, ele odeia aos humanos mais do que qualquer um de nós poderia odiar.
- Kushina-sama também odiava os humanos e, no entanto não pensou duas vezes em gerar um "sujo".
- É isso que te incomoda?
- Não quero mais um "sujo" entre nós. Não deixarei que isso aconteça.
- Pensei que você não se importasse com o fato de Naruto ser um deles.
- Só o aturo por fazer parte de um dos clãs mais importantes de nosso mundo. Mas para mim ele não passa de uma mancha na linhagem perfeita dos Uzumaki.
- E o que vai fazer se sua suspeita for real?
- Se Naruto Uzumaki estiver tendo algum tipo de relação com essa incomum, serei obrigado a eliminá-la.
- Se for mesmo verdade, acha que ele não vai se opor a sua ação?
- Então serei obrigado a limpar de vez mancha que suja não só a linhagem Uzumaki, mas todas as outras linhagens "intactas".
- Onde você esteve Naruto Uzumaki?
- Isso não te interessa. – Passou pela mãe como se ela não estivesse ali.
- Sou sua mãe. Tudo que vem de você me interessa, e muito. – Seguiu o filho que subia pelas escadas ainda a ignorando. – Mesmo que você não goste sou sua mãe. Você nasceu de mim Uzumaki Naruto.
- Devia ter me privado desse sofrimento e ter feito o favor de não me deixar nascer. – As duras palavras do filho a fizeram parar de segui-lo. Ele prosseguiu até o quarto, batendo a porta ao entrar.
Lágrimas desceram dos olhos da mulher que passara a vida toda se culpando por uma dezena de escolhas erradas que só lhe causara sofrimento no fim, e arrependimento. Claro que nunca se arrependeria de Naruto, que mesmo sendo um garoto revoltado, rebelde, sem juízo, sempre seria o filho querido dela. Mas nunca se perdoaria por ter se envolvido com aquele humano desgraçado que a abandonara, depois de lhe prometer amor, de prometer ficar com ela e enfrentar quem fosse preciso para tê-la a seu lado.
Também se arrependia e muito por não ter transformado o tal humano em um vampiro, fazendo assim com que o filho nascesse como um "sujo", motivo que ele usava para justificar sua rebeldia.
Minato passou a madrugada trabalhando. Havia muita coisa para se resolver antes de poder ir para Nagoya com a filha. A menina, apesar das cobranças de querer chegar logo ao destino final da viagem, não ligava muito para tudo aquilo, bastava lhe dispor um cartão de crédito e um motorista que tudo ficava bem.
Passava o dia passeando pelas vitrines de lojas, gastando o rico dinheirinho do papai que a mimava assim desde a morte da mãe. A única coisa que a importava e que fazia seu cérebro exercer um mínimo de atividade possível era a escolha dos sapatos para combinarem com o vestido que usaria quando chegasse em Nagoya. Queria parecer perfeita e causar a melhor impressão possível, o que significava causar inveja a todos aqueles que a vissem.
Já a preocupação de Minato era outra. Fazia muito tempo desde a última viagem a Nagoya, viagem essa que fizera quando seus pais morreram num terrível acidente de avião, o avião havia caído numa turbulência. Fora para lá para morar com a avó materna, Shinoko, a única parenta viva que possuía na época.
Logo que chegara à cidade, com um emprego arranjado pela avó e matriculado no colégio onde terminaria seus estudos dentro de um ano, para seguir a carreira tão sonhada de músico, paixão que nutria desde a infância, conhecera aquela que seria a perdição de sua vida pacata e sem muita ação.
Kushina era sua colega de trabalho, uma das garçonetes do Kyoko's, a lanchonete onde a avó lhe arranjara emprego. E, logo que entrou no colégio, descobriu que ela também seria sua colega de classe. O surgimento de uma amizade foi inevitável, pois conviviam juntos a maior parte do dia e da noite.
Logo foram surgindo sentimentos novos e avassaladores, a atração, a paixão, e um amor que jamais esqueceriam, pelo menos não ele. A garota ruiva, de temperamento explosivo, que arranjava briga na escola e que perdia paciência com os fregueses enrolados do Kyoko's, aquela garota que puxava as orelhas do rapaz e que tentava faze-lo perder sua timidez e conversar com as garotas, foi aos poucos se tornando à mulher da vida de Minato.
O terceiro ano do colegial, último ano de colégio, primeiro ano do rapaz em Nagoya, estava sendo o ano mais feliz de sua vida toda. Estava amando e sendo amado, e nada mais importava senão a felicidade dos dois. Mas, como tudo que é bom dura pouco, após o baile de inverno do colégio, veio a revelação que mudaria o destino daquele casal.
Minato, que sempre fora extremamente racional, com seus pés bem fixos no chão, realista, desacreditado em superstições e crendices, acabou descobrindo que, bem embaixo de seu nariz, existiam seres que, até ali, só existiam nos filmes, mangas e pesadelos de crianças. Os vampiros existiam sim, tão reais quanto qualquer outra pessoa. E para uma surpresa ainda maior, Kushina, o amor verdadeiro, único e eterno de sua vida, era um "deles".
Mas isso não abalou o sentimento infinitamente forte que nutria por ela, pelo contrário, a partir dali jurara que nunca a deixaria, que lutaria por ela e ficaria ao seu lado não importasse o que acontecesse. E quando Kushina soube que ela já conhecia seu segredo, mesmo tendo tentado se afastar do amado, acabou ficando ainda mais apaixonada ao ver que ele não tinha medo, que não se afastaria dela.
E com o tempo a relação se tornou tão mais forte que só o sentimento abstrato expressado por palavras românticas sinceras, carinhos e beijos, toques e abraços, já não era suficiente para demonstrarem todo aquele amor, se entregaram então de corpo e alma um ao outro e tiveram ambos, sua primeira noite de amor.
Aquela noite jamais sairia da mente de Minato, jamais seria capaz de esquecer aquele momento perfeito que viveram juntos. Momento esse que aconteceu logo depois de ter pedido a amada em casamento. Estavam decididos a se unir de forma definitiva, mesmo sabendo que ela teria toda a eternidade e ele envelheceria e morreria, mais cedo ou mais tarde. Mesmo assim não desistiriam um do outro tão fácil.
Kushina enfrentou a família por ele, Minato enfrentou a avó e desistiu do sonhos de ser músico para se dedicar a uma carreira mais sólida em que pudesse sustentar Kushina e a possível família que formariam quando tivessem filhos, conseguiu emprego em uma grande empresa e passou a sonhar um novo sonho, o de ser feliz e fazer Kushina feliz para todos o sempre.
Porém, quando o amor nos faz sorrir, quando pensamos que o coração vai explodir de tanta felicidade, quando a vida do outro se torna tão importante que a nossa própria se torna insignificante sem a dele, só ai quando o amor atinge seu ápice dentro de nosso coração, tomando nossa alma e dando-a de graça, sem medo ou receio à aqueles que amamos, é que descobrimos que nada pode ser perfeito, que nada dura pra sempre, que os sonhos viram pó tão facilmente quanto os construímos em nossos subconscientes.
Decidiram fugir, iriam embora para onde a família e o casamento arranjado de Kushina não pudesse os atrapalhar. Mas ela não apareceu na estação onde haviam marcado se encontrar. Ela jamais apareceu, deixou-o plantado durantes horas naquele lugar esperando que viesse e pudessem enfim começar uma nova vida juntos. E ali, sozinho na estação, Minato abandonou seus sonhos, indo embora e deixando seu coração pra trás esperando que um dia Kushina viesse o resgatar.
Quando Naruto terminou seu banho e retornou ao seu quarto tal foi a sua surpresa ao ver deitada sobre sua cama a suposta noiva vestindo apenas trajes íntimos se oferecendo a ele como outras já haviam feito antes.
- Naruto-sama. – Se levantou da cama ao vê-lo sair do banheiro. Ele a fitava com um sorriso no canto direito dos lábios, cheio de malicia. – Ela não hesitou, foi se aproximando dele aos poucos. - Eu sei que disse que não quer se casar, mas se você baixar a guarda e tentar ver nossa união de outra forma, sei que vai perceber que não é tão ruim quanto você imagina. – Estava próxima o suficiente par que ela pudesse tocar o tórax ainda molhado do rapaz com uma das mãos.
Nem ela mesma acreditava no que estava fazendo. Aquilo era constrangedor e extremamente vulgar ao comportamento normal que ela sempre mantivera, mas a própria mão lhe dissera que fizesse o possível e o impossível para não perder a chance de se casar com aquele vampiro.
- Posso não ser a melhor, a mais bonita, a mais adequada a seu gosto, mas se me der uma chance, posso tentar ao menos agradar seu coração.
- Tola. – Afastou a mão dela e fitou-a com total desprezo. – É isso que você quer? Se entregar para mim? Acha que pode me fazer mudar de opinião fazendo sexo comigo? Acha mesmo que o seu corpo pode me servir de tal forma que eu me encante por você, a ponto de aceitar esse casamento? – Gargalhou.
- Talvez sim, talvez não. Você nunca vai saber se não tentar. – Não desistiria tão facilmente.
- Você é igual a todas as outras, as muitas que já passaram por minha mão. Oferecem seus corpos esperando prender alguém como eu com apenas isso. Já tive mulheres de todos os tipos, vampiras e incomuns, extremamente bonitas e outras menos, mas nunca, NUNCA nenhuma conseguiu me prender com tão pouco. Mas, se você faz questão... Posso satisfazer seu desejo como fiz com todas as outras. – Empurrou-a para a cama sem qualquer cuidado. Ela caiu sobre o colchão e se afastou alguns centímetros assustada com a atitude repentina e agressiva do rapaz.
Os olhos dele estavam vermelhos, as presas afiadas reluziam a luz da vela que iluminava o quarto, foi se aproximando e subiu sobre a garota ficando entre as pernas dela. Arrancou-lhe a primeira peça de roupa enquanto beijava sua barriga a fazendo estremecer.
Flash •
Ela removeu a blusa primeiro ficando só de sutiã. Os seios volumosos, fartos, firmes e branquinhos, quando ela tirou a peça do lingerie que os cobria, deixando-os completamente a mostra agora. E Naruto sentiu uma imensa vontade de tocá-los, como se nunca o tivesse feito antes em tantas outras mulheres até mais "bonitas" do que ela.
Depois de desabotoar a calça e se livrar dela, ficando só de calçinha, uma pesa rosa bebê rendada que combinava com o sutiã, Hinata tirou as sandálias que estava usando e estavam a apertando a noite inteira.
Não dá pra descrever ao certo a reação que ele teve ao vê-la assim, vendo a última pesa de roupa ser retirada em sua frente sem o menor pudor. É claro que ela não sabia que ele estava ali, não fazia a menor idéia de sua presença. E Naruto se sentiu até um pouco culpado por estar a espiando, mas sua mente estava atordoada demais para pensar racionalmente e seu corpo não conseguia sair da posição inicial, parado, em pé, pouco longe da janela fechada do quarto.
Flash'sEnd •
Agora ele acariciava os seios da vampira que, mesmo relutante, sem realmente desejar estar ali com ele, daquela forma, não fazia nada para impedi-lo. Mas, ao olhar para o corpo da parceira, as formas e curvas que vislumbrava não eram as delas, e sim as da humana insignificante que espiara pela janela do quarto da mesma algumas horas antes.
Não estava nem ai para o fato de estar fazendo isso pela milésima vez com a milésima garota, aquilo era mais do que comum ao estilo de vida que ele levava. Porém algo estava acontecendo com o seu corpo e sua mente, algo que nunca tinha acontecido antes. Ele realmente estava desejando alguém, não à garota deitada sobre sua cama e sendo tocada por suas mãos, mas sim a imagem da outra, da humana insignificante, que despertava todos os seus sentidos sem precisar sequer estar por perto, bastava relembrar a cena que vivera a pouco da janela do quarto dela.
Flash •
- Obrigada por ter me ajudado outra noite e por ter guardado minha corrente. Ela é muito importante para mim.
- Não foi nada.
- Você é um bom rapaz. Gostaria de poder retribuí-lo.
Flash'sEnd •
E de repente ele parou. Simplesmente parou. Sakura se assustou ao perceber que ele a fitava como se estivesse chocado com alguma coisa, como se tivesse algo de errado acontecendo. Num salto ele se levantou e foi para a janela do quarto ignorando o fato como se não tivesse acontecido nada entre os dois.
- Naruto-sama?
- Saia daqui. – De costas para a vampira. A voz parecia levemente enfurecida.
- Mas Naruto-sama, eu...
- SAIA DAQUI. – Caminhou em direção a ela e dessa vez a voz estava visivelmente furiosa, assim como sua expressão. – JÁ DISSE PARA SAIR DAQUI. – Segurou-a pelo braço e arrastou-a até a porta, expulsando-a de seu quarto de uma vez.
Aquilo nunca, NUNCA MESMO, tinha lhe acontecido. Ele hesitara, simplesmente hesitara e... Não. Aquilo era inaceitável para seu orgulho de macho viril. Aquilo não podia estar acontecendo. Tudo bem que Sakura não era nem tão bonita assim, mas já estivera com garotas mais sem graça ainda e isso nunca lhe acontecera.
Como podia ter... Foi então que a imagem da garota de cabelos longos negro-azulados, com orbes prateadas encantadoras, hipnotizantes, com o sorriso mais gentil e sincero que já vira em toda a sua existência, com um ar de pureza e inocência que só uma criança poderia possuir, aquela imagem limpa, clara, perfeita e o som da voz tímida e ao mesmo tempo carinhoso dominaram sua mente outra vez e ele pode entender o que o fizera parar.
A lembrança dela, a imagem dela o fez hesitar. Mas como uma simples lembrança poderia te-lo afetado dessa forma? Como uma insignificante humana tinha sido capaz de invadir seus pensamentos e domina-lo de tal forma que o privara de seus instintos naquele momento.
Alguma coisa estava errada. Alguma coisa estava acontecendo dentro dele e isso não era bom, definitivamente não era bom. Precisava fazer alguma coisa antes que... Não isso não aconteceria com ele. Ele era imune a isso, a toda essa parafernália de sentimentos. Seu coração não batia, estava morto, duro e frio como as rochas na enseada. Jamais cometeria o mesmo erro que a mãe, jamais se envolveria dessa forma com uma incomum tão ridícula e desprezível quanto todas as outras que já haviam sido parte de seus caprichos. Jamais.
