Depois de mais uma noite de sono tranquilo, Harry se levantou e não se assustou ao encontrar mais uma vez o café da manhã pronto.
-Bom dia Hermione! – ele falou para a bruxa que já estava sentada na mesa lendo o jornal.
-Bom dia Harry! Espero que não se importe mas estava com muita fome e já tomei café. – ela pediu sorrindo.
-Não tem problema! Mas fique para me fazer companhia! – ele brincou.
-Claro! Estava lendo esse jornal que uma coruja deixou mais cedo. Tem umas notícias bem estranhas.
-Que tipo de notícias?
-Ah, coisas que eu não esperava ver no jornal, como o caso do filho do ministro que num acesso de raiva transformou sua irmã em sapo!
-Ah sim, temos coisas assim todos os dias! É um pouco chato ler sobre as peripécias dos filhos do ministro mas quando não tem mais nada para escrever eles falam sobre isso. Vai descobrir que o mundo bruxo adora uma boa fofoca.
-Estou vendo! Não achei uma matéria que valesse a pena ler. – ela respondeu desapontada.
-Tem algum plano para hoje? – Harry perguntou.
-Não exatamente. Pensei em procurar entre os...trouxas, como vocês falam. Talvez alguém saiba alguma coisa sobre mim. Mas não sei onde ir nem como começar.
-Estava pensando na mesma coisa. Nós podemos ir para algum bar trouxa, eles normalmente tem uma lista telefônica que é como se fosse um cadastro deles sabe. Podemos procurar todos os Granger que estiverem na lista.
-Boa ideia! – ela falou já mais esperançosa.
-OK, então vamos nos trocar e podemos ir, quanto antes melhor!
Cada um foi para o seu quarto se arrumar e se encontraram na sala. Finalmente sairiam de um jeito normal, sem ter que usar a lareira e Hermione ficou realmente grata por isso.
O primeiro bar que pararam não possuía uma lista. O atendente até olhou estranho para eles, como se não fosse uma coisa muito comum de se pedir.
No terceiro bar já estavam achando que havia alguma coisa estranha, pois as pessoas pareciam achar aquele pedido muito antiquado.
-Não vão achar mais essas listas por aí. Todo mundo usa a internet, sabe? Mas se querem mesmo assim, só vão achar nas cabines telefônicas. – disse o atendente do quarto bar em que foram. Pelo menos ele dera uma informação útil.
-O que é internet? – Hermione perguntou curiosa.
-É uma rede que liga os computadores trouxas. Nós bruxos não usamos muito essas coisas. No ministério só temos um computador e é no departamento de investigação trouxa. Não sei nem como se usa isso, acho melhor tentarmos a cabine.
Em Londres, obviamente não foi difícil achar uma cabine telefônica da mais tradicional possível, vermelha e fechada. Lá dentro encontraram uma lista. Não parecia ser muito utilizada realmente.
-Muito bem, vamos para a letra G. – Harry disse e lá encontraram uma lista generosa de pessoas e pelo menos 10 Grangers.
-E agora? O que fazemos? – Hermione quis saber.
-Vamos ligar para cada um desses números. – e assim Harry começou.
-Alô? – respondeu uma voz feminina.
-Bom dia, poderia falar com Amanda Granger? – esse era o nome que constava na lista.
-Sou eu. E vou logo avisado, não quero comprar nada, doar nada e não terei compaixão por nenhuma lorota trágica.
-Não é nada disso senhora. Queria saber que se conhece Hermione Granger.
-Hermione? Não é da peça de Shakespeare?
-Bom, o nome é mas nesse caso estou falando de uma pessoa.
-Nunca nem ouvi esse nome. Por que quer saber?
-Estou procurando a família dela.
-Não conheço mesmo. Sinto muito. – e desligou na cara dele.
-Vamos riscar essa da nossa lista. – Hermione falou e fez um traço vermelho em cima do nome. – Próximo.
-Bom dia, posso falar com o senhor Billy Granger?
-Ele está trabalhando.
-Quem fala?
-Não te interessa.
-Por favor, preciso saber se conhece Hermione Granger.
-Se for mais alguma putinha querendo dar o golpe no meu marido, fique sabendo que eu mando te caçar até no inferno! – e mais uma vez desligaram na sua cara.
-Definitivamente não. – Hermione disse riscando mais um nome.
-Cassidy Granger, bom dia!
-Bom dia! A senhora conhece Hermione Granger?
-Quem está falando?
-Meu nome é Harry Potter.
-E o que deseja?
-Saber se a senhora conhece Hermione Granger.
-Não, senhor Potter. Não falo com minha família há 15 anos então posso dizer que com certeza não conheço nenhum Granger. E aconselho o senhor a ficar longe deles também. Principalmente do meu primo César, aquele velho trapaceiro não vale nada.
-Mas a senhora ao menos já ouviu falar nesse nome?
-Não. Na verdade parece até muito inteligente para ter vindo da cabeça de algum dos meus parentes. No máximo conseguiriam uma Herma Granger.
-OK, obrigado.
-De nada.
-Risque essa também. – Harry falou e Hermione imediatamente fez um traço vermelho.
-Que é? – atendeu a voz mau humorada.
-Bom dia, o senhor Devon Granger se encontra?
-Quem é que quer falar?
-Meu nome é Harry Potter.
- Se for cobrança ele num tá.
-Não se trata de cobrança, senhora.
-Bom, então vo chama.
-Bom dia.
-Bom dia senhor Granger. Meu nome é Harry Potter e queria saber se o senhor conhece Hermione Granger.
-Não sou mais produtor.
-Como?
-Não trabalho mais com isso, então pouco me importa se essa tal aí canta, dança ou interpreta. Não conheço e não quero conhecer. Entendeu bem?
-Sim, senhor. Obrigado.
Hermione viu a cara de Harry e já riscou aquele também.
-Eleonor Granger, bom dia.
-Bom dia Eleonor. Meu nome é Harry Potter e gostaria de saber se a senhora conhece Hermione Granger.
-O que é isso? É um sequestro?
-Não, senhora! Só quero saber se a senhora conhece essa pessoa.
-É da polícia? Estão caçando essa moça?
-Também não é o caso.
-E só porque ela tem meu sobrenome você acha que eu a conheço? Quanta presunção!
-Calma, senhora! Só estou procurando a família dessa moça.
-Pois da minha família é que ela não é! Minha família tem classe, nós não ficamos nos dando ao desfrute para que outros fiquem nos caçando como se fossemos bandidos. – e desligou o telefone.
-Acho que as pessoas não estão com muito bom humor esta manhã!
-Concordo! Que gente mais azeda! Ainda bem que não são minha família! – Hermione falou realmente aliviada por não ser parente de nenhum desses mal educados.
Tentaram mais 3 casas mas ninguém atendeu.
-Vamos anotar o endereço destes. Talvez o número tenha mudado, acho legal se formos nessas casas.
-Pois não?
- Bom dia, poderia falar com Hugh Granger?
-Sem piadas, aqui é Hugh Granger.
-Não é uma piada, senhor.
-Acho bom mesmo pois se pedir para falar com Hugh Grant eu chamo a polícia!
-Não vou pedir, senhor. Gostaria de saber se conhece Hermione Granger.
-O que? Se for a nova namorada de Hugh Grant eu chamo a polícia!
-Calma, senhor! Não é nada disso e eu nem mesmo sei quem é Hugh Grant! Agora o senhor pode me ajudar?
-Não sabe quem é Hugh Grant? O senhor não prestigia o cinema nacional?
-Senhor, eu não ligo pra cinema nenhum. Agora pode me ajudar?
-Mas ele é um dos melhores atores do país! Um verdadeiro símbolo nacional! Esse homem leva o prestígio do nosso cinema para o mundo todo!
-O senhor conhece ou não Hermione Granger?
-Não, eu não conheço. Mas isso é aceitável, nunca ouvi falar dela. Mas o senhor não conhecer o Hugh Grant é inadmissível!
-OK, senhor. Então posso falar com Hugh Grant?
-O que? Eu sabia! Vou telefonar para a polícia, seu safado! Passar trote é crime! – dessa vez foi Harry quem desligou na cara do homem.
-Está difícil! Esses Grangers parecem ter um parafuso a menos! – Harry disse rindo.
-Isso explica muita coisa! – Hermione respondeu rindo também.
-Vamos almoçar. Depois a gente continua, vamos precisar de muito estomago para aguentar isso a tarde toda!
O casal almoçou num restaurante trouxa ali no centro mesmo. Harry gostava de fazer isso as vezes pois era raro alguém o reconhecer. Não teve tanta sorte dessa vez.
-O senhor é Harry Potter? – perguntou uma senhora de meia idade.
-Sim, sou eu. – Harry respondeu meio a contra gosto.
-Oh! Quanta honra conhecê-lo pessoalmente, senhor Potter! O senhor salvou nossas vidas! Quero muito agradecê-lo!
-Não precisa me agradecer senhora. Qualquer um teria feito o que fiz.
-De forma alguma! O senhor é um verdadeiro herói! Se importa em dar um autógrafo para minha netinha? O nome dela é Doralice. – a senhora perguntou já estendendo um caderninho e uma caneta para Harry.
O moreno não teve muita escolha e escreveu um rápido "um beijo para Doralice, Harry Potter". A senhora ficou extasiada, agradeceu e saiu.
-O que foi isso? – Hermione perguntou intrigada.
-Um tormento! Pensei que estaria a salvo na Londres trouxa mas nem aqui tenho sossego.
-Quis saber o porque dessa mulher querer seu autografo, Harry. Você parece ser realmente conhecido pelos bruxos. Aquelas crianças ontem na escola estavam eufóricas com a sua presença. Por acaso é algum tipo de celebridade?
-De certa forma, sim. – ele respondeu derrotado.
-Como assim?
Ele queria evitar aquilo. Não queria contar para ela a não ser que fosse realmente necessário. Tinha medo que quando ela descobrisse tudo se transformasse em mais uma das suas fãs e o tratasse de forma diferente. Gostava da forma como podia agir com ela, ser ele mesmo sem ter que se portar como um herói que todos esperavam que ele fosse. Com ela, ele era apenas Harry. Mas pelo jeito isso teria que mudar.
-Acho que chegou a hora de te contar. Minha história não é alguma coisa que eu goste de sair espalhando mas eu vou te contar. Confio em você, Hermione.
-Harry, não precisa me contar se não se sente confortável com isso.
-Está tudo bem, afinal todo mundo sabe mesmo. – e assim Harry começou a contar toda sua história, desde sua infância com os Dursley até a derrota definitiva de Voldemort.
Qual será a reação de Hermione? Veremos no próximo capítulo! Beijos.
