Autores: Felton Blackthorn e Kaline Bogard
Título: Chizuru
Beta
: Samantha Tigger Blackthorn
Sinopse: Ele havia perdido as estribeiras e arremessado aquela porcaria no mundo Muggle. E agora... teriam, os quatro, que arcar com as conseqüências.
Orientação: yaoi
Classificação
:18 anos
Gênero
: um pouco de tudo
Observação
: Essa história nos pertence, mas Harry Potter e a banda the GazettE não.
Nota: Presente de aniversário para Ifurita

Chizuru

Kaline e Felton

Capítulo XX
Sonho ou pesadelo?

Aoi puxou um lenço de papel da caixa e secou as lágrimas que insistiam em cair dos olhos escuros. Ele sentia-se confuso. Não compreendia a avalanche descontrolada que era seus sentimentos. Em um segundo sentia-se animado e feliz apenas para, de repente, cair em depressão ou dominar-se pela tristeza.

E não conseguia manter o equilíbrio. Era, sempre, muito extremo. Exatamente como a poucas horas atrás quando seu namorado se esquecera de cumprir sua promessa. Isso fez com que Yuu se sentisse abandonado, deixado de lado.

Que culpa tinha se a vontade de comer takoyaki de brócolis era invencível? O desejo era tão forte que parecia deixá-lo louco. A ponto de quase errar durante o live e perder a concentração incontáveis vezes.

Vencido pelo choro, o guitarrista moreno ajeitou-se melhor dentro do macio edredom, encontrando uma posição bem confortável recostado na cabeceira da grande cama de casal.

Foi nesse auge do momento auto-piedoso de Shiroyama que a porta se abriu e uma cabeça coberta de fios loiros espiou pelo vão:

– Yuu chan? – a voz preocupada de Uruha encheu o mais velho de remorso. Ele não devia ter brigado com seu namorado por um desejo idiota.

– Uru... Eu... Sinto muito... – a voz soou tremida pelas lágrimas.

Aquilo foi o suficiente para o recém-chegado invadir o quarto e sentar-se sobre a cama macia, abraçando o moreno por cima do edredom:

– Não me peça desculpas. Alguma coisa tá errada, Yuu. E a gente não ta sabendo lidar com isso.

O mais velho fechou os olhos:

– Eu sei. Não consigo me controlar.

– Yuu, me perdoe, mas... – calou-se temendo uma nova explosão. Tinha que medir bem o jeito de revelar o que fizera há pouco tempo atrás. Não tinha uma forma de dizer aquilo sem soar dramático. Então resolveu lançar a verdade de uma vez – Eu esfreguei a moeda.

Piscando, Aoi levantou a cabeça e fitou o outro guitarrista nos olhos:

– E o que aconteceu?

Uruha respirou fundo:

– Eles vieram. Apareceram no corredor como se tivessem usado um teletransporte tipo filmes de ficção cientifica.

– Eles estão aqui?

Ao contrário do que Takashima esperava seu namorado estava reagindo muito calmamente à notícia. Talvez o próprio Yuu estivesse preocupado e assustado com as coisas estranhas que aconteciam com ele.

– Hn. Querem que viajemos para Londres. Eles dizem que podemos voltar a tempo. – a afirmação soou estranha aos ouvidos de Kouyou. Era tão ridículo.

– Parece um sonho. – Yuu suspirou – Ou um pesadelo.

– Talvez segui-los seja a forma de acordar. – o loiro sorriu com alguma confiança. Nenhum sonho era eterno. Nenhum pesadelo durava para sempre. E, se eles estavam mesmo presos em um, teria que acabar mais cedo ou mais tarde.

– Você quer fazer isso?

O loiro desviou os olhos por um instante. Logo voltou a fitar o namorado com decisão e certeza cintilando nas íris:

– Hn. Estou preocupado com você, Yuu. O que está te acontecendo não é algo normal...

– Eu sei... – Por um breve instante o moreno pensou em sugerir procurar ajuda profissional, um psiquiatra, quem sabe... Mas mudou de idéia ao ver a descontração do namorado. Takashima parecia esperançoso de que os dois "bruxos" fossem a solução dos problemas que enfrentavam. Yuu não teve coragem de estragar aquilo por enquanto.

– E talvez em Londres eles façam takoyaki de brócolis. Porque eu não encontrei em lugar algum. – o caçula riu um pouco, sendo imitado de forma mais contida pelo seu amante. – Melhor trocar de roupa e lavar o rosto. Quanto antes partirmos, melhor.

U x A – H x D

Harry e Draco estavam esperando na sala do apartamento alugado. Aquele hotel Muggle era realmente de primeira classe. Muito melhor que qualquer acomodação bruxa que haviam experimentado. Depois da surpresa inicial, acabaram voltando à realidade que os cercava:

– Eles nos chamaram mais rápido do que eu esperava. – o Gryffindor revelou. Ele tinha acabado de enviar um Patrono para Madame Pomfrey, conforme tinham combinado antes. Assim a enfermeira estaria esperando pela chegada deles pouco antes do amanhecer.

– É. Pensei que fossem ficar céticos por mais tempo. – Draco concordou – Aquele tal de Takashima estava com uma aparência terrível.

– Dessa vez teremos que comunicar ao Ministério. Mas Hermione ainda está assessorando. Então não vamos para Azkaban tão já.

– Potter, se isso foi uma piada não teve graça. Eu não quero ir para Azkaban.

– Nem eu. – o moreno tratou de afirmar. – Mas se tem um jeito de escapar de lá, ainda não consegui visualizar. Qual a pena mínima?

– Dois dias. Mas quarenta e oito horas lá podem ser um verdadeiro inferno.

O Garoto Que Venceu ia responder, porém os japoneses saíram do quarto, já preparados para viagem. Uruha umedeceu os lábios antes de questionar:

– Temos que levar bagagem?

– Não. – Harry respondeu – São apenas algumas horas. Tudo o que precisarem providenciamos por lá, não se preocupe. Vamos aparatar na estação de trem, e alugar Trestálios. Será mais rápido.

– Levaremos vocês até a enfermaria de Hogwarts. – Draco completou a informação – Lá é muito seguro. E Madame Pomfrey tem experiência.

Enquanto o Slytherin falava, Harry colocou a mão no bolso e tirou a varinha e dois retalhos de pano marrons:

– É melhor vestirem isso, pra encobrir as roupas Muggles e mantê-los aquecidos. – bateu com a varinha sobre os pedaços de pano que aparentemente eram capas em miniatura. Elas cresceram magicamente até voltar ao tamanho original.

Os japoneses se entreolharam assombrados. Aquilo estava muito realista para ser um simples sonho. Ainda surpresos, aceitaram as capas que lhes era oferecido e protegeram-se com elas, apreciando o material desconhecido.

– Preparem-se. Aparatar não é muito agradável na primeira vez. – Harry avisou aproximando-se de Uruha e colocando uma mão sobre o ombro dele. Draco fez o mesmo com Aoi. Sem aviso algum os quatro desapareceram no ar, quebrando o silencio com um "puff" quase inaudível.

U x A – H x D

– Kami sama... – Uruha exclamou assim que se viu a salvo no lugar desconhecido. Tinha os olhos lacrimejantes e a impressão de que seu corpo fora dividido em várias partes e remontado de forma frouxa. Olhou para o namorado percebendo claramente que Aoi parecia ter a mesma sensação.

Depois examinou ao redor. Estavam numa espécie de plataforma com aparência do século passado. Centenas de japoneses circulavam pelo local, indo e vindo, costurando para não se chocarem. Muitos vestiam capas semelhantes as que haviam recebido de presente. O restante trajava roupas extremamente estranhas, com motivos orientais.

– Oh...

A exclamação de Aoi chamou a atenção dos outros. Por um segundo Takashima achou que ele passava mal, mas o moreno apontava para uma senhora que caminhava apressada com um sapo no ombro. Um sapo enorme e marrom.

Só então notaram a variedade de animais que eram transportados por ali. Além de sapos havia ratos, corujas, rouxinóis, carpas e... Pasmem! Algo que lembrava muito um filhote de dragão.

– Aquilo... – Takashima franziu as sobrancelhas. Harry sorriu acenando a cabeça:

– É um Crista Alta Japonês. É um Dragão. Não é raro por aqui, por que sobrevive melhor em climas montanheses. Dá pra caçar no Monte Fuji. – o Gryffindor parou a explicação ao ver seu marido erguer uma sobrancelha – Ora, Ron admira o trabalho do irmão. Ele sabe muito sobre Dragões.

Draco fez um barulho estranho com a garganta.

– Ta certo, Cicatriz. Vamos pegar os Trestálios logo.

Os bruxos acenaram para os japoneses, que ainda estavam impressionados por tudo o que viam, os seguir. Foram obedecidos.

– Ne, Kou... – Aoi aproximou-se do namorado, olhando cuidadosamente em volta.

– Hn?

– Acha que podemos ter um dragão de estimação? Você viu que aquele... Ano... Crista Alta parecia bem mansinho. Aposto que aprende truques como "sentar" e "fingir de morto".

– Ou "cuspir fogo nos donos". Definitivamente não podemos ter um dragão, Yuu.

O moreno riu do tom sério usado por Takashima:

– Sei disso. Estava brincando. – olhou os ingleses que caminhavam três ou quatro passos a frente – Ne, Kouyou. Isso não parece um sonho. Parece?

– Não, Yuu chan. Nada disso parece um sonho. – o loiro olhou em volta. De repente tinha um gosto amargo na boca. Se aquilo não era um simples sonho; então, talvez, o resto também não fosse. E, naquele caso, a história da poção que o guitarrista bebera...

Nesse ponto Uruha olhou muito preocupado para seu namorado. Não pôde evitar gotículas de suor frio se acumular na fronte subitamente pálida. Porém, antes que dissesse alguma coisa, notou que os pseudo bruxos tinham parado de avançar em uma área quase deserta da plataforma. Mais afastado viram um rapaz oriental se aproximar. Parecia um funcionário do local, pelas roupas que vestia. Atrás dele vinha flutuando uma espécie rústica de carruagem fechada, bem protegida para viajar no ar frio da noite. O veículo era apropriado para quatro pessoas viajarem bem.

– Vamos voar nisso aí? – Uruha gracejou.

– É uma forma rápida de transporte. E até que é segura. – Harry tranqüilizou. – São Trestálios domesticados há muito tempo.

O guitarrista loiro ia sorrir mais uma vez. Mas ouviu o som de pés que se arrastam para trás. Virou-se a tempo de ver Aoi se afastando desajeitado:

– Mas que porra é essa?

Ele mantinha os olhos arregalados naquelas feras presas à carruagem. Ambas lembravam vagamente cavalos com asas, mas eram seres cadavéricos, semelhantes a mortos-vivos. Tinham olhos vazados que pareciam cravados cruelmente em Yuu, e dentes pontiagudos prontos para destroçar o que lhes caísse ao alcance. Aparentemente não possuíam pele, tendo os músculos ressecados a vista.

Eram criaturas medonhas. Aoi achou que aqueles monstros tinham saído direto do inferno. E se os Shinigamis possuíssem um bichinho de estimação, sem dúvida, seriam mais bonitos do que o par de criaturas paradas a alguns passos de distância.

– Essa "porra" – Draco começou – é um Trestálio e vai nos levar para Londres. São criaturas sensíveis, por isso seja gentil com elas.

– ... – Aoi recuou mais um passo. Com toda certeza do mundo não ia andar em uma carruagem puxada por duas feras como aquelas. No entanto Harry respirou fundo:

– São criaturas adestradas. Draco só quer assustar vocês.

– Eu... Eu não vejo nada... – Uruha sussurrou assustado, fazendo os outros três o fitarem. – Não consigo ver nada.

Draco riu baixinho, debochando.

– Fique feliz, Takashima. – o loiro subiu na carruagem, enquanto o Gryffindor acertava os detalhes do aluguel com o funcionário da estação.

– Apenas pessoas que tiveram experiência com a morte podem vê-las. Esse tipo de experiência nem sempre é algo agradável. – Potter falou pensativo.

Uruha olhou da carruagem que aparentemente flutuava sozinha para seu namorado. Ficou surpreso pela forma horrorizada com que o moreno olhava para as "criaturas". E, com uma certeza inabalável, concluiu que não queria compartilhar aquela visão assustadora.

Continua...

30/10/2010

Notas por Kaline Bogard

Isso vai ficar bem maior do que eu pensei... o.o

Porque eu sempre estico as coisas? Não consigo ser concisa, e pelo jeito sou contagiosa! 8P

Notas por Felton Blackthorn

Fanfics muito longas não são meu ponto forte. Vale como experiência. Peço desculpas por não responder aos reviews, mas meu tempo anda escasso. Pelo menos a Kaline responde todos, e ela fala em meu nome.