Título: Ironia do Destino

Autora: Mary Spn

Beta: TaXXTi

Gênero: Wincest / AU

Sinopse: Quando resolveu atender ao pedido do seu pai e ir à procura do seu meio-irmão, Dean não podia imaginar o que o destino lhe reservara...

Avisos: Trata-se de Universo Alternativo, Sam e Dean não são caçadores. É Wincest, portanto, contém cenas de relações sexuais entre dois irmãos.


Ironia do Destino

Capítulo 10

Sam se sentou na poltrona em frente à mesa do escritório de John, e aguardava ansiosamente enquanto ele ainda conversava ao telefone. Estranhou seu pai o ter chamado para conversarem e, na verdade, sentiu certo medo de que ele tivesse descoberto alguma coisa sobre suas visitas ao quarto de Dean durante a noite. Roeu algumas unhas da mão direita enquanto esperava, até que finalmente John desligou o telefone e o encarou por um momento.

- Você tem carteira de habilitação, Sam? – John perguntou enquanto pegava algo na gaveta da escrivaninha.

- Eu? – Sam sentiu vontade de rir ao perceber que não era nada do que estivera pensando. – Não. Quero dizer, eu até sei dirigir, mas... Não, eu não tenho habilitação.

- Acho que teremos que providenciar isso. – John anotava algo em sua agenda eletrônica. – Vou pedir pro Bobby te ajudar com isso, ok?

- Mas eu... Eu não preciso de uma carteira de habilitação, eu...

- Acho que está na hora de você ter o seu próprio carro. Qual é o modelo da sua preferência?

- Eu... É... O quê?

- Deve haver algum carro que você goste, ou que tenha sonhado em ter algum dia. Qual é, Sam? Não é tão difícil assim. – John sorriu abertamente.

- É claro que eu gosto de uma porção de carros, mas... Eu sempre tive os pés no chão, então isso nunca fez parte dos meus sonhos.

- E com o que você sonha? Tem alguma outra coisa que você queira muito?

- Por que isso agora? – Sam franziu o cenho, sem entender aonde John queria chegar.

- É só uma curiosidade.

- Eu não sei... Nunca pensei sobre isso, eu acho.

- Certo. Amanhã mesmo o Bobby vai com você até uma auto escola e a uma concessionária da sua preferência.

- Eu não quero um carro.

- Não? – John o encarou, estranhando. Esperava que isso o deixasse feliz.

- Mas... Posso perguntar uma coisa?

- Claro.

- Quanto custaria?

- O carro? Eu não sei... Em torno de cem mil...

- E se eu pedisse pro senhor outra coisa... Algo que custasse a metade desse dinheiro, ou até menos?

- O que é?

- O senhor me daria?

- Sim, eu... Eu acho que sim. O que é?

- Eu tenho um amigo que... O Adam, ele... Ele morava comigo em Chicago.

- Sei...

- Então, ele... – Sam não sabia direito como pedir. – Ele tem uma irmã muito doente, ela precisa fazer uma cirurgia e a família dele não tem como pagar, e...

- Espera, Sam. – John o interrompeu. – Eu sei que você tem um bom coração e vontade de ajudar o mundo, mas... As coisas são diferentes agora.

- Diferentes, como?

- Essas pessoas com quem você convivia, por exemplo.

- Eu não estou entendendo.

- Eu estou querendo dizer que você deveria se afastar deles. Você não faz mais parte daquela vida, Sam, e é bom que se acostume com isso.

- O Adam é o único amigo verdadeiro que eu tive em anos e eu jamais me afastaria dele.

- Certo. Você ainda é muito novo e inocente, mas tem que entender que essas pessoas agora sabem que você é rico e vão querer se aproveitar de você. Vão usar a sua bondade para conseguir o que querem.

- O senhor não pode estar falando sério. – Sam forçou um sorriso. – O senhor não tem ideia de quem seja o Adam. Não sabe nada sobre ele...

- Eu só estou tentando te alertar, eu...

- Ele jamais se aproveitaria de alguém, ou melhor, ele jamais me pediria qualquer coisa! Eu só pedi isso, por que... Porque eu me sentiria mal andando com um carro novo enquanto o meu melhor e único amigo está correndo perigo, está levando uma vida ferrada pra conseguir pagar a cirurgia da irmã. Só isso.

- Sam...

- Me desculpe. Eu sei que o senhor não tem nada a ver com isso, eu... Eu vou ver como o Dean está. – Sam saiu do escritório, chateado. Não sabia por que tinha pedido aquilo, afinal, seu pai realmente não tinha nada a ver com a vida que Adam levava.

John ficou encarando a porta por onde Sam havia saído, sem saber o que pensar. Era inacreditável, qual garoto de vinte e dois anos não ficaria empolgado em ganhar um carro novo? Sam o surpreendera mais uma vez.

Sem pensar duas vezes, discou o número do seu detetive particular, o mesmo que havia contratado meses atrás para descobrir o paradeiro de Sam.

- Erik? É John... Tudo bem?

- Hey Winchester! O que é que manda?

- Tenho mais um servicinho pra você. O nome do rapaz é Adam, ele morava com o Sam em Chicago.

- Adam...?

- Não, eu não sei o sobrenome. Preciso que você descubra algumas coisas a respeito dele. O que ele faz, qual era a sua ligação com o meu filho, família, enfim, tudo o que puder. O mais breve possível.

- O senhor é quem manda, chefe.

- x -

Ao invés de ir para o quarto de Dean, Sam foi para o seu próprio quarto. Sentou-se na beirada da cama, pensando no quão difícil sua vida sempre fora. Tinha agora uma vida confortável ali, na casa do seu pai, mas isso não diminuía o seu sofrimento. Adam era o seu único amigo, e enquanto Sam estava ali, cercado de conforto e riqueza, o loiro estava nas ruas, correndo perigo e lutando para que sua irmã ficasse curada.

Infelizmente, o dinheiro não era a solução para todos os problemas. John era muito rico e mesmo assim, Dean estava doente e nenhum dinheiro no mundo podia mudar aquilo.

Doía demais ver seu irmão definhando a cada dia e não poder fazer nada. Sam imaginava como John não deveria se sentir impotente diante daquilo.

- Qual o motivo dessa tristeza toda? – Dean estava encostado na porta, observando o mais novo por algum tempo. – Espero que não seja por minha causa.

- Você é meu maior motivo de alegria, Dean. – Sam forçou um sorriso, quando o loiro se sentou ao seu lado na cama.

- Aconteceu alguma coisa?

- Nada. Eu só estava pensando no Adam, e...

- Pensando no Adam? – Dean franziu o cenho, fazendo seu irmão rir.

- Não do jeito que você está imaginando, Dean. Não precisa ficar com ciúmes. – Sam brincou.

- Posso perguntar uma coisa? Você não vai se chatear?

- Claro que pode...

- Vocês já namoraram alguma vez?

- Eu e o Adam? Não!

- Nem nunca... Transaram?

- O Adam é hétero, Dean. Quero dizer, ele até faz programas... Você sabe, mas ele gosta de garotas. Mas de qualquer jeito, eu nunca me interessei por ele. A não ser como amigo.

- Como vocês se conheceram?

- Logo que eu cheguei em Chicago, eu... Eu nem sei como eu fui parar lá, eu só queria fugir e peguei o primeiro ônibus que apareceu na minha frente. Eu não tinha quase nenhum dinheiro comigo, não consegui nenhum trabalho quando cheguei à cidade, e... então... eu fui pras ruas. – Sam olhava para as próprias mãos, constrangido.

- Tudo bem, Sam. – Dean segurou sua mão, passando-lhe confiança.

- Então... Eu não conhecia nada lá e não sabia como as coisas funcionavam. Um cliente parou logo que me viu e eu entrei no carro, e... Bom, você sabe. Quando ele me trouxe de volta, os caras que faziam ponto naquela rua estavam me esperando. Eu levei uma surra e acho que eles teriam me matado se o Adam não aparecesse com mais um amigo.

Os caras foram embora, eu estava muito machucado, então ele me levou pro lugar onde ele morava. Ele cuidou dos meus ferimentos e me ajudou até que eu pudesse me virar sozinho. Logo depois eu arranjei o emprego no armazém e nós passamos a dividir o aluguel e as despesas, nos tornamos amigos, e... Foi isso. Eu devo a minha vida a ele, Dean.

- E ele... Está nessa vida por quê?

- Ele manda dinheiro pra família, para pagar o tratamento de uma irmã doente.

- Eu posso falar com o papai pra...

- Deixa pra lá, Dean. O seu pai já tem problemas que chega.

- É. Eu sou mesmo um problemão. – Dean fez uma careta.

- E por falar em problemão, o senhor não deveria estar descansando? – Sam o encarou de cara feia.

- Não aguento mais ficar naquela cama.

- Você pode ficar na minha, se quiser. – Sam ergueu as sobrancelhas, e ambos começaram a rir. - Quer dar um passeio pela rua? Aqui pertinho você pode, não é?

- Eu não posso ir à rua sem máscara. – Dean bufou.

- Então coloque uma!

- Você não vai ter vergonha de sair comigo por aí desse jeito?

- Como eu posso ter vergonha de você, Dean? Eu vou é ficar todo orgulhoso em desfilar com você por aí. – Sam brincou e ficou feliz ao ver seu irmão sorrindo, mesmo que fosse por um momento muito breve.

- Ok, vamos lá. E Sam? Está na hora de você mudar seu repertório de piadas, sabe?

- É mesmo? Você acha que eu sou algum palhaço, por acaso? – Sam se fez de ofendido.

- E não é? – Dean brincou e os dois saíram rindo pela rua.

- x -

Dois dias depois, Erik ligou de volta, com todas as informações sobre Adam. John ficou aliviado ao saber que ele realmente vinha de uma família humilde, e que a história sobre a irmã doente era verdadeira.

Chegou em casa e encontrou Sam na sala, com um livro nas mãos, mas podia perceber que sua cabeça estava longe dali.

- História interessante? – John se aproximou.

- Hã? – Sam levou um susto ao ouvir a voz do seu pai.

- O livro? – John deu risadas.

- Ah, eu... Eu estava distraído... O Dean não estava muito bem, e... Ele está dormindo agora.

- Você tem sido ótimo com ele, Sam. Eu fico feliz por vocês estarem se entendendo tão bem.

Sam apenas consentiu com a cabeça, com medo de ter corado pelo que John falara.

- Então, eu... – John pigarreou – Eu decidi que vou fazer o que você me pediu.

- O quê?

- Vou custear as despesas médicas da irmãzinha do seu amigo. Adam, não é?

- Mas eu achei que... Por que decidiu isso agora?

- É o que você quer, não é? – John sorriu.

- Sim, mas... – Sam franziu o cenho, ainda não estava acreditando.

- Vou pedir para o meu assessor entrar em contato com ele ainda esta semana, para pegar os dados do médico e do hospital e autorizar que debitem as despesas em minha conta.

- Isso é sério mesmo? – Sam mal podia acreditar.

- Sim, você pode avisar o seu amigo, se quiser.

- Obrigado! - Num ato impensado, Sam se levantou e abraçou John, emocionado. O mais velho fora pego de surpresa e ficou por um instante sem saber como agir, mas correspondeu ao abraço.

- É... Eu... – Sam se soltou do abraço, ficando ligeiramente sem graça. – Eu vou ligar pro Adam.

John ainda ficou ali parado e apenas sorriu ao ver seu filho correr escada acima.

Sam já estava ficando impaciente ao ouvir o telefone chamar pela quinta vez.

- Alô! – Sam pode ouvir a voz sonolenta do seu amigo.

- Adam? Você estava dormindo a esta hora?

- Sam? Quanto tempo, cara! Como você está?

- Bem. Dentro do possível.

- E o Dean? Está melhor?

- Na mesma. Ele tem passado por momentos difíceis.

- Você também, pelo jeito.

- É, não está nada fácil, mas... Eu não liguei pra falar sobre isso.

- O que foi então? Aconteceu alguma coisa?

- Adam... Se você arranjasse o dinheiro pra cirurgia e tratamento da sua irmã, você largaria tudo aí e voltaria para casa?

- O quê? Você está maluco, ou...?

- Só me responde, Adam.

- Eu voltaria correndo pra casa, Sam. Nunca mais olharia para trás. Mas por que esta pergunta?

- Então você pode fazer as malas e ir pra casa. – Sam sorria de felicidade.

- Sam, que diabos...?

- O assessor do meu pai vai ligar pra você esta semana. Todas as despesas da cirurgia e do tratamento da sua irmãzinha serão pagas por ele.

- Sam, isso é... É sério? – Adam perguntou com a voz trêmula.

- Você acha mesmo que eu iria brincar com uma coisa dessas?

- Claro que não, mas... É que... – O loiro estava se segurando para não chorar. – O seu pai... Por que ele faria isso?

- Eu pedi a ele. A princípio eu pensei que ele não fosse fazer, mas... Ele me surpreendeu.

- Você sabe que... Não precisava ter... Eu não quero que você tenha problemas por minha causa, Sam.

- Não vai ser nenhum problema. Só faça o que você me prometeu, ok? Assim que ele entrar em contato com você, faça suas malas e volte pra casa. E me ligue dando notícias.

- Sam, você... Você não existe, cara! Eu não sei como vou poder te agradecer um dia, você... Obrigado, Sam! Muito obrigado mesmo!

- Você já fez muito por mim, não precisa agradecer. E eu tenho certeza que no meu lugar, você faria o mesmo. Eu preciso desligar agora. Se cuida, meu amigo!

- x -

Mais duas semanas se passaram e Sam entrou no quarto de Dean, percebendo que o loiro estava dormindo. Ajeitou o cobertor por cima dele e fez um leve carinho em seu rosto. Sentiu um aperto no peito enquanto observava o quanto ele havia emagrecido, nem parecia mais o mesmo homem que conhecera em Chicago. Passava quase o dia inteiro na cama, já não tinha mais a disposição e a alegria de antes...

As sessões de quimioterapia o deixavam cada vez mais abatido. Mesmo assim, Sam não desistia de tentar animá-lo. O levava para tomar sol no jardim todas as manhãs, quando não fazia frio. Contava piadas, lia algum livro para ele e colocava suas músicas favoritas para tocar. À noite, simplesmente se sentava ao seu lado na cama e ficava ali até que ele dormisse. E nas madrugadas que Dean não conseguia dormir, vinha ali e se deitava ao seu lado, então ficavam abraçados até o dia amanhecer.

As coisas só pioraram quando, naquela semana, Dean passou por mais alguns exames e fora constatado que a quimioterapia não estava fazendo o efeito desejado. Várias drogas já haviam sido experimentadas, junto com transfusões de sangue e plaquetas, sem sucesso.

Na manhã seguinte, parecia que o mundo havia desabado sobre aquela casa. Sam tentava manter-se calmo, mas era praticamente impossível, com Ellen chorando desesperadamente na cozinha, e John prestes a ter um ataque cardíaco, andando de um lado para o outro dentro de casa.

Dean piorara durante a noite e os paramédicos o estavam atendendo em seu quarto. A ambulância estava estacionada em frente a casa, esperando para conduzi-lo ao hospital.

Quando finalmente desceram as escadas, com Dean deitado em uma maca, o loiro tinha os olhos fechados e uma máscara de oxigênio sobre o rosto.

Sam sentiu seu coração apertar ainda mais, e por um momento não soube o quanto ainda era capaz de aguentar. Queria poder ficar ao lado de Dean, segurar sua mão enquanto a ambulância seguia para o hospital, mas nem isso pôde fazer. John seguiu junto na ambulância, enquanto Bobby levou Sam e Ellen de carro até o hospital.

Foram algumas horas de espera, onde nenhum dos quatro teve coragem de dizer qualquer palavra. O clima era angustiante dentro da sala de espera, cada um perdido em seus pensamentos, até que finalmente Dean fora transferido para um quarto.

O médico proibira aglomerações e apenas uma pessoa podia ficar no quarto com ele. Ainda assim, apenas usando máscara e avental esterilizado.

Se John não fosse o pai de Dean, Sam o tiraria de lá, nem que fosse à força, para poder ficar junto do loiro. Mas neste caso, não podia, nem ousaria contestar.

- Pai? – Dean abriu os olhos quando ouviu os passos de John.

- Hey? Como você está se sentindo? – O mais velho tentou sorrir, mas falhou terrivelmente.

- Melhor agora, mas ainda me sinto um pouco fraco e sonolento.

- É melhor você descansar, não fique se esforçando para falar. Está sentindo alguma dor? - John segurou a mão do filho, com carinho.

- Um pouco. Pai, eu... Eu posso te pedir uma coisa?

- Claro! Tudo o que você quiser, meu filho.

- Se alguma coisa acontecer comigo, se eu...

- Não fale uma coisa dessas, Dean! – John o repreendeu.

- Eu preciso que o senhor me prometa que não vai deixar o Sam ir embora.

- Tem coisas que eu não posso decidir por ele, eu...

- Mas o senhor vai tentar, não vai? O senhor precisa cuidar dele, pai. Ele já sofreu muito, ele...

- Nós vamos cuidar dele, Dean. Nós três seremos uma família, mas agora você precisa descansar um pouco. Precisa ficar forte para...

- Para quê? - Dean forçou um meio sorriso. - Para outra sessão de quimioterapia? Eu estou cheio disso, pai. Eu não quero mais...

- Existem outras opções. Eu estive conversando com o seu médico, e...

- O senhor fez tudo o que pôde, pai. E eu agradeço muito por tudo, mas agora, por favor, pare de se torturar!

- Eu não vou desistir de você, Dean. Nunca!

Dean respirou fundo e virou o rosto para o lado, decidido a não discutir mais com seu pai.

- O Sam ficou em casa?

- Ele está ali fora, na sala de espera.

- Será que ele... Ele pode entrar um pouquinho?

- Claro! – John forçou um sorriso – Eu vou pedir para ele entrar, volto mais tarde, ok?

Dean ficou observando seu pai sair, sentindo uma tristeza muito grande. Não tinha medo de morrer, mas claro que, se pudesse escolher, gostaria de viver por mais cem anos. Mas o que realmente machucava era saber que seu pai não estava preparado, e sequer conseguia pensar na possibilidade de perdê-lo. Sabia que ele sofreria muito e, pior ainda, se sentiria culpado por não ter conseguido salvá-lo.

Também temia por Sam, e pelo que aconteceria a ele. Seu irmão - e amor da sua vida - era forte, era um lutador... Mas já tinha passado por tanto sofrimento em sua vida, que Dean sequer podia imaginar vê-lo sofrendo ainda mais por sua causa.

Quando o moreno entrou no quarto, Dean abriu um largo sorriso, e foi correspondido, mas no fundo sabia que Sam, assim como ele, estava apenas mascarando a sua tristeza.

- Hey! Está sorrindo desse jeito por quê? Passou alguma enfermeira gostosa por aqui? – Sam olhou ao redor, brincando.

- Não, nenhuma enfermeira. Mas entrou um moreno alto no meu quarto, e eu juro que é o cara mais lindo e gostoso que eu já vi. – Dean piscou, sorrindo ainda mais.

- Você já foi melhor com cantadas, Dean. E é melhor você parar, porque se me deixar de pau duro eu não me responsabilizo... Vou acabar te estuprando na cama do hospital.

- Isso é uma ameaça?

- O que você acha? – Sam riu e se aproximou, tendo que conter sua vontade de abraçá-lo e beijá-lo, pois sua condição de saúde não permitia qualquer contato íntimo. – Como está se sentindo?

- Já me senti pior...

- Mentiroso! Você nunca fala a verdade, só pra eu não me preocupar.

- Eu posso ser sincero com você? – Dean de repente ficou sério demais.

- Você sabe que pode.

- Eu amo muito você... O meu pai, a Ellen, mas... Eu não vejo a hora disso tudo acabar.

- Não fala assim, por favor...? – Sam pediu num fio de voz, segurando o choro.

- Olha no que a minha vida se transformou, Sam. Eu não aguento mais... As dores, o mal estar, a quimioterapia... Além de estar sendo um peso na vida de vocês...

- Não! Você não é um peso, você é tudo o que eu mais amo na vida, Dean! – Sam finalmente se permitiu chorar – Eu não posso mais viver sem você... Eu não quero viver sem você!

- Você é tão jovem, Sam. Você vai superar...

- Não! Não fala uma coisa dessas, Dean. Você tem que ter esperanças, se não por você, mas por mim, pelo seu pai...

- Sammy...

- Por favor, Dean? Promete pra mim que você vai lutar... Você não vai desistir Dean! Promete pra mim? – Sam implorava, entre as lágrimas.

- Está bem, eu... Eu prometo, Sam! Não fica desse jeito, vai? – Dean puxou Sam para que encostasse a cabeça em seu ombro. – Não fica assim... – O loiro beijou seus cabelos macios e acariciou seu rosto, secando-lhe as lágrimas.

Logo Dean pegou no sono, devido à fraqueza, e Sam aproveitou que Ellen se ofereceu para ficar com ele e foi para casa tomar um banho.

John saíra do hospital desesperado. Não conseguia aceitar, muito menos se conformar com aquela maldita doença que estava destruindo a vida do seu filho.

Dean era tudo que mais amava, e daria a sua vida sem hesitar, se isso pudesse salvá-lo.

Ao chegar em casa, foi diretamente ao seu escritório, deixando a porta aberta. Ligou para o médico de Dean; já não aguentava mais ficar esperando e vendo seu filho definhar, dia após dia.

- É John Winchester, eu preciso falar com o doutor Cezar, por favor. – John falou à secretária que atendeu o telefone e aguardou alguns minutos até que o médico pudesse atendê-lo.

- John? Aconteceu alguma coisa?

- Não. E este é o problema, Cezar. O Dean está cada vez pior e tudo o que você consegue fazer é medicá-lo e deixá-lo internado no hospital?

- Eu expliquei a você que a situação é grave, John. Ele tem a melhor equipe médica à sua disposição, mas nós não podemos fazer milagres.

- E quanto ao transplante de medula óssea? Por que diabos você ainda não considerou esta opção?

- Eu estou fazendo o melhor, verificando todas as possibilidades, e...

- Você disse que ele não tem muito tempo. – John o interrompeu - Nós precisamos...

- Você não está entendendo, John. Eu só quero me assegurar que não exista algum outro doador compatível antes de fazermos isso.

- Chega de perder tempo! Você sabe que é praticamente impossível encontrar outra pessoa compatível, e é mais do que um milagre que ele e o Sam sejam, sendo que não são filhos da mesma mãe.

- Me dê mais alguns dias, John.

- Não importa a vida que ele levava, o Sam fez todos os exames logo quando veio pra cá. Eu me assegurei de tudo. Basta pedir a ele para omitir algumas informações sobre o seu passado quando for fazer o cadastro no hemocentro, assim ele poderá ser o doador, sem qualquer outro problema.

- Ainda que ele tenha feito os exames, algumas doenças podem aparecer somente depois de alguns meses, é a regra, e nós não podemos arriscar que o Dean seja contaminado por qualquer outra coisa, ele está debilitado demais!

- Fodam-se as regras! - John alterou a voz - Eu quero o Dean vivo, o resto não me interessa! Eu trouxe o garoto pra dentro da minha casa, não me faça ter feito tudo isso em vão. - John girou a cadeira e quase deixou o telefone cair ao ver que Sam estava parado na porta...

Continua...