LOCAL DESCONHECIDO.
HORA DESCONHECIDA.
POR VOLTA DAS 1:22 PM
KARA NÃO CONSEGUIU REGISTRAR AONDE ELA ESTAVA INDO. Às vezes, uma pessoa comum quando estava estressada, poderia queimar calorias fazendo exercícios, socar coisas - ela até concordava - para descontar a raiva de alguma forma... mas Kara, em plena forma kriptoniana de seus poderes apenas xingou alto quando se lembrou que sua restrição, encontrava-se seguro no cofre da Cobertura de onde saíra e definitivamente não iria voltar para buscá-lo. Portanto... ela ainda não poderia apenas... socar alguma coisa. Continuou correndo, perdendo as contas de quantas voltas dera decidiu que seria melhor que voar, pois assim ficava difícil ser rastreada pelo DEO... e ela finalmente parou seus passos lentamente sentindo a batida suave da onda abaixo de seus pés até que fosse o suficientemente lento para cair.
Kara fechou os olhos para a leve sensação de choque em seu corpo quente pela água fria do oceano e sentiu-se acalmar-se um pouco enquanto afundava-se. Ela abriu os olhos e olhou a sua volta, então flutuou para a superfície devagar, seu corpo sendo puxado para cima e olhou ao céu aberto, sentindo o sol em sua pele aquecendo-a, acalmando seus sentidos por estar no meio do nada, embora também falhava em acalmar seu coração...
"Você... dormiu com ela?"
"Kara..."
"Você dormiu com ela, Lena?"
Silencio.
"Kara..." Ela ouviu a voz de Alex a distância.
"Responda!"
"Sim... sete meses atrás, quando eu ainda não me lembrava de nada... quando eu não sabia que era casada, que tenho um filho... eu dormi com Kate, e até começamos a nos ver com mais frequência, mas... não fomos adiante com o relacionamento..."
Ela ainda podia ouvir a voz de Lena também, a dor em seu olhar, mas não conseguia... não podia.
"Por quatro, anos... eu estive aqui, quatro anos eu estive bem aqui!"
E respirou fundo de novo, as ondas ondulando suaves a sua volta, podia senti-las bater em sua bochecha, braços e pernas, movimentar suas roupas e até mesmo seu cabelo agora submerso ganhava alguns centímetros mais longos... seu casaco parecia até pesado... automaticamente levou as mãos ao rosto lembrando-se de seus óculos, mas respirou aliviada ao senti-los ainda ali...
Quatro anos...
Por quatro anos...
"Sete meses atrás, quando eu ainda não lembrava de nada..."
E ainda não se lembra.
"... quando eu não sabia que era casada, que tenho um filho... eu dormi com Kate, e até começamos a nos ver com mais frequência..."
Ela definitivamente não devia estar surpresa.
Lena tinha uma vida inteira e Kara apenas... a trouxe... para o que?
Algo que ela não se lembrava.
"... mas não fomos adiante com o relacionamento"
Então ela tinha tentado.
Elas tinham. Kara não sabia se Kate conhecia ou não Lena, na verdade não fazia diferença...
Lena ainda não se lembrava.
A palavra com D clicou em sua mente... de novo.
Com a cabeça afundada na água, Kara mal podia escutar os sons do lado de fora, e tão distante da civilização mais próxima, haviam horas que ela estava ali, e praticamente já cochilava, mas ainda que tivesse uma resistência alta, não podia se dar ao luxo de fazer isso.
E abriu os olhos de novo e levantou o braço ainda molhado estendendo a mão na direção do sol.
"Eu vou estar aqui... com você e Conner... sempre" A voz de Lena ressoou em sua cabeça, no passado que se fora há muito...
-Quantas vezes... - ela sussurrou fechando a mão como que para capturar o sol e respirou fundo.
...
-Eles têm kriptonita vermelha armazenadas... - O tom de Alex era preocupado, e ainda assim ela manteve o olhar em Lena, que encarou-a e então sua irmã em um pedido silencioso por uma explicação.
Alex suspirou.
-Kriptonita vermelha é kriptonita sintética... a chamamos assim por sua cor... vermelho-vivo. Quando entra em contato com kriptonianos, transforma-os em seus piores pecadores por assim dizer, no caso de Kara corta suas inibições e controle... ela não pode distinguir o certo do errado e acaba... machucando as pessoas sem se preocupar com isso...
-Meu ego infla... - Kara admitiu sem olhar para ninguém em particular - Eu apenas sei o que estou fazendo, mas não consigo parar... da última vez fiz J'onn revelar sua identidade como Alien e quebrei o braço de Alex...
-Kara...
Lena está calada observando-as e ela balança a cabeça.
Mas aquela noite... foi a ameaça contra a vida de Jon que lhe deu uma pausa.
Kal tinha sido abatido e ele mal conseguia se mover quando Kara finalmente conseguiu pegar a criança e enrolá-la em sua própria capa, ela precisava agora passar por toda aquele laboratório vermelho e desejar que prender a respiração fosse suficiente para manter a Kriptonita vermelha fora de seu sistema... só que não foi.
No instante em que o DEO apanhou a criança assim como Lois fazendo exames e checando-o, Kara mal se despediu de Alex quando de repente sentiu falta de algo...
... mais precisamente alguém... então ela sorriu sentindo-se definitivamente desejosa pela namorada quando levantou voo.
Sequer se importando por ter seu disfarce definitivamente descoberto pela Luthor. Ainda assim, elas só tinham uma semana e meia de namoro e Kara já estava invadindo seu escritório em sua capa e já tinham se passado das onze e claro que Lena estava trabalhando... e escaneou o prédio percebendo que Lena estava sozinha e a notou bocejar e se espreguiçar ainda sentada em sua cadeira, uma perna cruzada sobre a outra enviando um pequeno arrepio quando com a mão qual soltava a caneta, ela levou-a na própria nuca esfregando o pescoço cansada, depois ficou de pé e foi até a mesa de canto para um copo de água bebendo-o avidamente.
Então lembrou-se que Lena sabia... desde... ontem.
Um pouco escorreu por seus lábios e pescoço... e foi isso o que quebrou seu controle.
Lena gritou de susto no instante em que Kara segurou seu pulso, ela tinha lhe contado seu segredo e não podia estar mais grata por isso, seria inconveniente que Lena sentisse que poderia estar com a Supergirl quando ela tinha um relacionamento com Kara Danvers, ainda que ela fosse a mesma pessoa, sua namorada não sabia que ela sabia... e não era muito recomendável flertar com a heroína da saia e capa vermelhas quando...
Ok, isso estava ficando confuso...
-Minha... - ela sussurrou possessiva prendendo sua cintura com uma mão firme em seu entorno e beijando seu pescoço, e Lena se apoiou em seu braço e riu, o som reverberando por seu corpo era como música para seus ouvidos e enviava um sentimento extra de inquietude por seu sistema... Kara a desejava.
Muito.
-Eu não sei o que você pensa sobre a sacada ser a porta de entrada, Supergirl... - Ela não podia descrever o quanto gostava de quando Lena a chamava assim.
-Ela não estava aqui antes de nos conhecermos... mas você a instalou quando certa heroína loira resolveu colocar sua capa sob a cidade, Srta. Luthor... - Ela provocou-a mordiscando sua orelha e Lena girou para fitá-la, a sobrancelha arqueada em curiosidade e definitivamente excitação e Kara não resistiu em tomar seus lábios em um beijo cálido, sentindo-a acalmar-se contra ela, Kara pressionou seus corpos juntos mordiscando seu lábio inferior e entoando - Minha.
-Kara... - A pressão aplicada em sua cintura estava cortando seu fluxo de sangue, mas Kara apenas continuou a beijar seu pescoço e mordiscar sua orelha não muito suavemente, enquanto a outra mão deslizava por sua perna e subia lentamente provocando-a como o inferno. O que diabos tinha dado nela...? Para não apenas voar até ali como simplesmente... - Kara...
Lena ignorou a resposta em seu centro prendendo as mãos em seu peito e tentando afastá-la, Kara era uma montanha de concreto, mas quando a pressão aumentou e alguma coisa se quebrou e ela nem mesmo piscou Lena finalmente cresceu a voz:
-Kara!
Felizmente aquilo lhe deu uma pausa, atordoada, Kara se afastou, o olhar apertado, confusa e irritada...
Lena respirou fundo ajeitando a saia e finalmente vendo a beirada de sua mesa lascada.
-O que?
Ok...
Mas Kara apenas parecia irritada por ter sido... interrompida?!
-Você... Está diferente - Lena disse tentando amenizar um pouco as coisas, mas Kara apertou o olhar como se tivesse sido... Ferida? O que... - O que aconteceu?
-Eu não estou diferente... - Ela declarou simplesmente aproximando-se de novo e Lena sentiu seu coração saltar para aquele olhar... estranho Kara, embora quisesse responder igualmente, quando Kara tentou beijá-la, inclinou o corpo para trás afastando-a automaticamente e pressionando a mão em seu peito parando-a - Lena...?
-O que está acontecendo?
E a observou com atenção, mas visivelmente não havia nada errado...
Exceto aquele sorriso carregado...
Que Lena definitivamente não apreciava...
-Nada está acontecendo - Kara segurou seu pulso de novo puxando-a para si em um movimento. Lena bateu contra sua frente e Kara sequer piscou, não havia toda aquele cuidado, a calma e a timidez familiar, nem mesmo a suavidade... ela estava toda... - vê...? Nada de errado... Eu só estava com saudades de você... - Dessa vez ela lhe deu um selinho e então beijou sua bochecha, seu pescoço... Seu ombro e enfatizou - com muita saudades.
-Kara... - Lena se ouviu dizendo, a voz rouca e perdida na carícia.
Ok... Ela tinha que se concentrar...
-Sabe o quanto esse seu vestido está me deixando louca, Lena...?
Ela estava usando um vestido azul noite, um palmo acima dos joelhos, ombros abertos e sem gola.
-Eu devia arrancá-lo e fodê-la aqui mesmo em sua mesa...
Oh... sim
Espere.
O que?
-E-espere - Lena segurou seus pulsos surpreendendo-se ser capaz de pará-la e rindo sem humor sentiu o rubor em seu rosto pela maneira como Kara a devorava com os olhos ainda que não forçasse nada mesmo que sua expressão dissesse que iria fazer exatamente o contrário se ela continuasse a mantê-la... não. Essa não era a Kara que ela conhecia e - Ok... Não que seja uma má ideia só que... eu estou sem roupas reservas no trabalho, e Hanz me trouxe isso de casa... hoje. E chega dessa coisa de ficar me desconcentrando... - E pigarreou soltando-a e encontrando dificuldades em desenganchar suas pernas dela e descer da mesa - Vamos conversar. Agora.
-Eu não teria problemas em pegar a você uma muda de roupas... ou talvez levá-la ao seu apartamento... ou o meu...
-Kara... - Lena estava definitivamente tentada, só que... essa não era ela. A Kara que conhecia sugeriria uma noite romântica, e então Lena quem normalmente estaria bem disposta a avançar para o outro nível enquanto Kara simplesmente temesse machucá-la e então ela pensou sobre as pulseiras... só que... assim?
Assim não.
-Lena... - Kara parecia inquieta e definitivamente contrariada - Você não se importa comigo, não é?
-O que?
-É tudo sobre você, Rao... eu pensei que você fosse diferente, Luthor...
Espera.
Esse tom era diferente... não mais provocativo apenas...
... o que?
-Não, Kara. Agora... O que está acontecendo? - Ela tentou não demonstrar dor quando Kara se afastou de seu toque virando-se para a sacada e caminhando para lá como que para estabelecer uma distância enquanto cruzava os braços diante do corpo e se recusava a olhá-la - Kara.
-Eu... Briguei com Alex. Isso é tudo.
Lena sabia o quão forte era o laço entre elas e então se aproximou abraçando-a pela cintura sentindo Kara arrepiar-se um pouco e beijou a pele exposta de seu pescoço.
-Quer conversar?
-Não... - Kara murmurou baixo fazendo-a sorrir.
-Tem certeza? - Lena insistiu dedilhando um caminho por seus braços e esfregando seus pulsos ainda com Kara de costas para ela e sorriu, ao ouvir o baixo e quase inaudível gemido vindo da loira.
-Tenho - Kara a apanhou imediatamente Lena se viu na mesa de novo com ela pairando acima dela e apertando os olhos. Foi nesse momento que ela viu, um suave brilho doentio em vermelho-vivo em suas bochechas e refletindo em seus olhos, e Lena sentiu seu coração saltar de susto e Kara parou para olhá-la preocupada - O que aconteceu? Você está bem?! Eu te machuquei!?
Kara... Ela ainda era... Kara.
Mas... Alex disse que haveria raiva... então...
Nenhum controle.
Espera... Kriptonita.
-Eu estou bem... - Ela respirou fundo lembrando-se também que Alex disse que era melhor não mentir para Kara nesse estado, mas que enquanto isso, tentar quebrar a imersão de kriptonita de seu sistema seria o melhor, senão... apenas esperar e tentar avisá-la.
-Seu coração está acelerado.
-Me lembrei de uma coisa...
-O que?
-Kriptonita.
-Quê? - Kara apertou seus pulsos inconscientemente e Lena ainda sentindo a corrida desenfreada de seu coração e sua respiração recostou a testa contra a de Kara aliviada por senti-la relaxar ao toque quando a soltou - Eu sei que está preocupada e ansiosa sobre nós... indo para a segunda fase, e acredite eu quero isso também... - e a fitou mordendo o lábio inferior ao ver os olhos azuis escurecerem - Portanto tenho... uma proposta para você.
-Eu também tenho uma proposta... em resumo, você. - Kara abaixou as mãos e voltou a acariciar sua perna com uma delas, atrevendo-se a erguer a saia do vestido e beijou seu ombro exposto puxando então a carne com os dentes e acalmou isso com a língua, Lena sabia que deixaria uma marca... ainda assim, gemeu... alto em resposta especialmente com o sussurro em sua orelha - eu... sua mesa... agora.
-O-ok... - Lena não se lembra da última vez que tropeçou nas próprias palavras e pigarreou - Tentador, só... me... Kara...
-Hm...? - Ela sentiu-a deslizar a mão pelo zíper em suas costas e então segurou-a rindo sem graça - Me escute, ok? Um minuto.
Kara arqueou a sobrancelha.
-Um, dois... três...
Ok, era assim tão errado dizer que ela estava quente assim...? Toda rebelde e impaciente.
Lena pigarreou de novo indo até seu cofre e abrindo-o, quando ela apanhou a caixa retangular e foi com esta para a mesa Kara ficou alerta, Lena ainda assim não a abriu.
-Me dê sua mão.
Ela a fitou.
-É para que eu codifique sua assinatura... você... confia em mim?
Era sempre uma surpresa, quando Kara estendeu a mão que ela apanhou, Lena digitou seu código pessoal e quando pediu o scaner digital ela colocou a mão de Kara no leitor, que registrou-o rapidamente e então o clique de abertura foi ouvido pelas duas.
-Eu fiz um protótipo com 5.05% de kriptonita... - ela confessou ainda sentindo seu coração descontrolado enquanto a olhava - Para você se sentir mais... humana, eu sei que a fortaleza lhe deu um treinamento e auxilio para controlar seus poderes desde que era criança, e você me disse que acidentes ainda continuavam acontecendo... além de quão agoniante era ter essas conversas com seu primo... - ela viu um rubor no rosto de sua heroína loira favorita que se lembrou de todos os narizes quebrados de sua vida por beijos passados... além do enorme constrangimento que era falar sobre sexo com Kal - E eu quero que você tente isso, mas se sentir-se desconfortável... eu não...
-Você me fez um anel de kriptonita, Lena? - Kara a interrompeu prontamente, os braços cruzados na frente do corpo.
-O que?
-Para me pedir em casamento ou algo assim...? - Lena sentiu sua sobrancelha levantar-se e o próprio rubor em sua bochecha - Porque em Krypton selamos a união de um casal com uma fita vermelha, entrelaçando em nossos pulsos e nos ligando representa a conexão entre almas em um simbolo de amor... união... compreensão e lealdade. Principalmente lealdade - Ela prendeu sua capa em torno de seu próprio pulso e o dela... juntos, e Lena observou o gesto simples, mas tão significativo a cultura dela e sempre sentia o desejo profundo de fazer a Kara todas as perguntas sobre Krypton, mas quando a via marejar os olhos ante lembranças de seu planeta perdido, ela se contentava com o que Kara revelava - Porque antes de ser fiel, você tem que ser leal a promessa feita... a família que está formando com a outra pessoa... e abraçando como parte de você... você entende isso?
-Sim...
-Hm... bom - Kara soltou o aperto da capa que deslizou de volta para trás e segurou seu queixo lhe dando um beijo suave, e Lena se viu derretendo no carinho, ela fechou os olhos sentindo-a mais calma. Como tinha que ser... sem pressa, a mão de Kara prendendo seu pescoço e seus dedos lhe dando arrepios - Porque se é isso o que significa... eu adoraria.
Kara parecia quase tímida ao dizer isso e foi sua vez de segurar sua bochecha e sorrir.
Mordendo o lábio inferior ela ignorou seu próprio rubor:
-Não é um anel - ainda - É uma pulseira... um par delas, na verdade. Eu usei em Sam antes... para controlar Reign, esta... tem sua concentração em cada bracelete - Lena disse - As de Sam eram modificadas para reagir quando eu aumentava a dosagem de kriptonita... em seu sistema para conter Reign - ela confessou levando a mão sobre a caixa ainda sem abrir - Essa é apenas... para você se sentir relaxada... vai cobrir seus poderes, diminuir a pressão que eles têm em você tornando-a mais... humana, ainda sem cortar completamente, você só precisa removê-las e colocar de volta na caixa... em alguns minutos o efeito passará, mas você não tem que fazer isso se não quiser - acrescentou rapidamente.
Com sorte... elas também cortariam o efeito da Kriptonita vermelha em seu sistema... era nisso que Lena estava apostando, se não... bem, ela pensaria em outra coisa. E manteve essa informação e virou-se para fechar as cortinas da sacada, e ao voltar olhou surpresa porque Kara abriu a caixa, curiosa de fato... ela apanhou a pulseira de aço revestida de titânio e a encarou interrogativamente, Lena sorriu estendendo a mão pedindo-lhe permissão para colocá-la, qual Kara concedeu, e ela segurou sua palma girando-a, e mostrando uma fina linha verde por dentro da mesma e Kara franziu o cenho para isso tocando-a ainda curiosa.
-Você está bem...?
Kara abriu e fechou a mão.
-Posso me sentir mais fraca...
-Ela vai cortar seus poderes... não completamente, mas o suficiente para restringir... como o sol vermelho, entretanto não é radioativo e assim podemos... você poderia ficar mais confortável... quando nós...
-Ficar mais confortável...? - Kara lhe deu um sorriso de lobo e Lena pigarreou - Hm... Lena Luthor sem palavras, isso é delicioso...
-Hm... - Ela devolveu - Kara, o que está fazendo...?
Ela prendeu-a em seu pulso direito examinando o objeto, e Lena observou surpresa e quase consternada quando Kara piscou em confusão e sentiu alivio ao notá-la encará-la perdida porque a pulseira removeu a kriptonita vermelha de seu sistema, então ela franziu o cenho para a mesa quebrada, seu ombro marcado, seu pulso, seu pescoço e não soube de onde conseguiu forças ou habilidade para praticamente arrancar o objeto de seu braço, e Lena viu quando ele caiu e foi para a sacada e saltou, dando-lhe tempo suficiente para correr até lá preocupada, e felizmente em tempo de vê-la voar para longe e sussurrar seu nome:
-Kara...!
...
Ela movimentou seu corpo para pairar sob a água devagar, e mexeu o pescoço para recuperar um pouco da mobilidade do mesmo.
Pensar que tinha passado por tanto com Lena...
...
Tanto... Voltando aquela primeira semana de namoro ela lembrou-se do dia seguinte, em que encontrou Alex em seu próprio apartamento e sua irmã a abraçou com força, Kara devolveu o carinho não sentindo-se merecedora de tal, Alex viu que ela tinha se livrado da Kriptonita vermelha, mas Kara não estava pronta para contar que era tudo pela inteligência e astúcia de Lena, não queria que Alex tivesse algo para usar contra a Luthor... não agora.
Não quando ela podia entender que as batidas de preocupação do coração de Lena eram apenas pelo medo puro e simples de que Kara gritasse com ela por ter kriptonita... mas... Ela confiava em Lena, e iria demonstrar isso nem que precisasse fazê-lo todos os dias... Kara confiava em Lena com sua vida... só não confiava em si mesma sobre a vida dela... porque... a amava. E não suportaria perdê-la.
... quando lhe mostrou as tradições de Krypton do casamento, estava sendo sincera... e Kara viu seus olhos brilharem de emoção ao escutá-la, Lena era tão expressiva... tão sincera, tão pura... talvez Lillian tivesse razão ao dizer que ela a corrompera.
Incapaz de explicar tudo a Alex, ou até mesmo sentir-se bem para falar com a irmã que dessa vez a kriptonita vermelha tinha não apenas deixado-a desinibida como permitiu seus desejos sexuais e mais primitivos tomassem controle... então Kara fugiu... ela simplesmente saiu e perdeu a hora por quase um dia todo.
Kal a encontrou no térreo da L-Corp, o heliporto que não estava sendo usado e ali, ela podia ficar longe de quaisquer holofotes ou visão humana vestindo apenas uma blusa preta de frio e calças confortáveis e um par de coturnos, dessa vez não apanhou seu traje ou os óculos... porque não queria ser nem Kara nem a Supergirl, e conversou com Kal por um longo tempo, explicou como se sentia, o quanto amava Lena e temia por tudo e ele estava tão grato não apenas por ela ter salvo como protegido Jon, que lhe deu um abraço apertado e disse que ela poderia fazer isso funcionar com Lena, que as duas mereciam isso.
... Kara não se lembrava, mas ele tinha lhe dado a coragem e meia hora depois de observá-lo partir, ela decidiu descer para a cobertura, suas botas bateram com suavidade na sacada e Kara respirou fundo para o dejá-vú, e bebendo a visão que era Lena sentada em sua cadeira, o braço escorado na mesa mordiscando a unha do dedão em uma carranca adorável, o computador aberto a tela já escurecida e o olhar na porta, e como se ela a tivesse ouvido, visto ou apenas sentido sua presença, Lena girou o olhar para a sacada definitivamente avistando-a e ficou de pé em um salto.
Ela usava roupas mais confortáveis agora, calças negras e uma blusa de seda cinzenta, o cabelo preso em um rabo-de-cavalo, e abriu a porta voando para seus braços e Kara não sabia que estava mantendo a respiração presa, mas soltou o ar abraçando-a de volta e com força. Lena circulou seu pescoço com as mãos e fechou os olhos escorando o rosto em seu ombro.
-Kara... - apenas o tom de sua voz dizendo seu nome lhe fez estremecer.
-Eu sinto muito... eu sinto muito... - ela se ouviu sussurrar.
-Eu estou bem.
-Eu poderia ter machucado você...
-Você não machucou...
-Eu poderia, Lena - Ela se afastou para olhá-la nos olhos e suspirou - E eu machuquei...
-Kara são hematomas porque você não podia controlar... e nem queria - ela respondeu e Kara engoliu em seco - e eu não pedi a você para parar e tampouco você me verá reclamando sobre isso... porque poderiam ser outro nível de hematomas que talvez eu também pudesse deixar em sua pele se não fosse literalmente banhada em luz do sol garota de aço - ela respondeu frustrada e piscando para isso, Kara achou o rubor em suas bochechas definitivamente agradável a vista, e Lena suspirou - Você está bem... eu estou bem. Okay?
-Eu sinto muito... - ela a observou fazer aquele mesmo caminho até o cofre, abrindo-o e apanhando a caixa com a pulseira, e foi sua vez de sentir suas próprias bochechas colorirem, Lena apanhou a pulseira e Kara sentiu imediatamente. 5,05 de kriptonita em titânio, qual Lena abriu o fecho com cuidado que ela também notou estar diferente da última vez que colocou os olhos sobre e então levou-o em seu braço qual automaticamente Kara estendeu pedindo-lhe que prendesse.
Ela podia sentir... a perda de seus poderes, não era completamente, mas Lena deslizou a mão em um toque suave para a palma da dela ainda estendida e pressionou as unhas ali, não causando dor e nem desconforto, mas a sensação de pressão era estranha, e Kara notou com curiosidade as marcas em forma de lua onde Lena apertou a ponta dos dedos e então levantou os olhos para ela surpresa.
Ela a puxou para mais perto de seus olhos observando-as e sentindo-se com cinco anos ante a uma grande novidade ou descoberta...
Então olhou para Lena que observava de volta cada movimento seu.
-Kara... eu estou bem. - Lena respirou fundo puxando-a e tocando sua testa na dela - Você está bem... estamos bem.
-Estamos bem... - Ela repetiu assentindo automaticamente, Lena segurou os dois lados de seu rosto e a beijou, e Kara se permitiu derreter na sensação de seus lábios quentes, a tensão leve e até mesmo as batidas aceleradas de seu coração, que ela sentia sobre a palma de sua mão. Ansiosas... antecipadas, e os dela batiam em uníssono, Lena tocou a gola de sua blusa e parou afastando-se para olhá-la. Pedindo-lhe permissão, e Kara assentiu e ela puxou o zíper para baixo devagar, apreciando-a, seus olhos escurecendo a cada movimento até que a blusa negra estava aberta. Seus dedos tocaram seu abdômen, e a sensação espalhou um agradável arrepio por sua pele, Lena beijou sua bochecha, então seu pescoço e Kara gemeu - eu adoraria realmente levar você para jantar... mas acho que quero pular essa etapa...
-Lena... - Kara suspirou e a sentiu sorrir, então Lena a fitou realmente preocupada agora.
-Você quer isso?
Ela segurou seus pulsos Kara sentiu o sorriso crescer porque Lena definitivamente estava mantendo-a...
Restringindo-a e Kara apenas lhe deu um olhar de gato como resposta:
-Você está usando muitas roupas... - Ela disse contra sua boca e estendeu a mão para sua blusa também, mas praguejou porque os botões definitivamente não estavam colaborando, Lena riu de seu gemido frustrado, e segurou sua mão enquanto que com a sua própria tirou-os devagar, nunca deixando seus olhos, Kara aproximou-se removendo a blusa e segurando suas costas e beijando seu ombro sob a marca que deixara mais cedo - Eu amo você, Lena.
Ela esperou sua reação, sentindo-a congelar e soltar o ar suavemente e então encontrou seus olhos marejados e emocionados. Kara beijou o caminho de seu ombro até de volta a seus lábios, a testa colada na dela, Lena abraçando sua cintura e removendo também a sua blusa para o chão revelando seu sutiã de renda negro.
-Eu te amo tanto... - Kara repetiu soltando a respiração e segurando os dois lados de seu rosto com as mãos, e ela viu seus olhos verdes ainda brilhando de lágrimas não derramadas, então Lena se aproximou como se fosse beijá-la, mas parou antes disso e respondeu em kriptoniano:
-Eu também amo você, Kara.
...
Mentiras...
... tantas mentiras.
Kara tentou ignorar a pressão em seu peito e bufou para a queimação das lágrimas em seu rosto balançando a cabeça para todas as memórias do passado que a rodeavam nos últimos dias, fosse ela e Lena, momentos antes do acidente ou no começo de seu relacionamento... até mesmo agora
Lembrou-se de quando desabou uma vez com Alex e Sam e praticamente gritou que era injusto, que seu mundo lhe foi tirado uma vez, e ela levou anos para encontrá-la e então em sete anos de felicidade, tudo lhe foi tirado de novo... Alex não respondeu nada, ela apenas a abraçou e lhe disse para chorar.
Foi a única vez que Kara ouviu sua irmã.
"Por quatro anos eu estive aqui... por quatro anos, eu estive bem aqui!"
Ela engoliu o bolo em sua garganta e levantou os olhos para o sol de novo, pairando acima da água suas roupas estavam quase secas agora. Kara permaneceu ali, imóvel, seu cabelo balançando com a suave brisa do vento, as roupas molhadas colando em seu corpo, e tentou ignorar a felicidade a memória da lua de mel com Lena, a ilha deserta, a praia... os golfinhos ao por-do-sol, a maré... as risadas das duas...
"Eu te amo..." As promessas...
"Eu também te amo" Principalmente as promessas...
Para ser jogada de volta a realidade:
"Você dormiu com ela...?"
"Sim... sete meses atrás, quando eu ainda não me lembrava de nada... quando eu não sabia que era casada, que tenho um filho... eu dormi com Kate, e até começamos a nos ver com mais frequência, mas... não fomos adiante com o relacionamento"
Ela então se viu voando de novo, para acima das nuvens assim não entraria nos radares, e suas roupas estavam secas quando desceu para o prédio mais escondido da cidade vizinha a Gotham, o grande edifício da Wayne Tech bem no centro era um belo chamariz para a cidade, e ela não precisava de seus óculos agora, mas estava grata por tê-los no rosto, e caminhou em passos calmos pela recepção aproximando-se do balcão para fazer sua presença, e felizmente foi reconhecida, embora não como gostaria:
-Senhora Luthor! - a garota ficou de pé em um salto - Boa tarde.. uh... em que posso ajudá-la?
Boa tarde...?
Ok.
-Richard está aqui? - Ela perguntou e a menina assentiu prontamente.
-Ele está em sua sala... eu... posso marcar um horário para-
-Avise-lhe que quero vê-lo - Kara a cortou ainda sorrindo e seu ego inflou quando a viu corar, ela apanhou o telefone e ela distraiu-se com a decoração e pessoas no prédio ignorando os murmúrios quando finalmente ouviu um pigarro da moça.
-Ele... pediu que subisse senhora Luthor.
-Kara. Me chame de Kara.
-Ok... - ela apontou para o elevador, e ainda com as mãos nos bolsos sem olhar ninguém em particular, Kara continuou em silêncio, ela pressionou 35° andar.
505...
.
"O que é isso?"
"É uma das melhores músicas Indie de Artic Monkeys..." Disse Kara "E também... era meu número de sorte em Krypton"
Ela respirou fundo.
"5.05 de kriptonita..." Lena mordeu o lábio finalmente encontrando seu olhar "Você não precisa tentar se não quiser, foi só... algo idiota"... é uma ideia realmente idiot-"
Ela se lembra de beijá-la, e Lena sorrir para isso encarando-a confusa.
"Eu gosto..." Respondeu ela "Embora vou tomar também... 505 é meu novo número da sorte, Kara"
.
-Aqui estamos - Kara perdeu a concentração as memórias contínuas e agradeceu a garota prontamente virando-se para ela no meio do corredor e tirando as mãos dos bolsos demonstrando toda a segurança que aprendeu ao observar Alex e Lena em sua vida... Lena.
Não.
-Obrigada, eu posso seguir daqui para frente.
-Uh... tem certeza?
-Claro, não se preocupe - E lhe deu um sorriso panteado e uma piscadela - Conheço o caminho.
-O... ok... - a garota assentiu e Kara continuou sua caminhada tranquila abrindo a porta de madeira pesada e arqueando as sobrancelhas para a bela visão de Dick Greyson Wayne em um terno escuro e sem gravata, o cabelo negro jogado para trás bem penteado os olhos incrivelmente azuis e o sorriso, registro de sua família de Morcegos, e parou para olhar com atenção para o infame Asa Noturna de Bludheaven, e também... seu antigo amor...
-Kara... - ele estava de pé rapidamente e aproximou-se abraçando-a com força e saudade e ela sorriu derretendo-se no carinho.
-Richard Greyson- O cumprimentou de volta.
