10- Novas
- Você já está melhor? – Ernie Macmillam, que era curandeiro do St. Mungus, quis saber preocupado.
- Sim... – falei meio hesitante. A última coisa que me lembro é de estar brigando com Harry e o fato de estar no hospital sem saber o motivo me assusta. Será que Harry tentou algo contra mim, como nos filmes que Hermione gosta de ver? Merlin estou pensando bobagens. – O que tem de errado comigo?
- Eu pedi que Harry saísse para lhe contar. Assim você escolhe como deseja dar a notícia para ele. Bem, acho que você terá de fazer mais um quarto na sua casa. Tem um bebê vindo!
- Eu. Estou. Grávida? – falei pausadamente, pronunciando cada sílaba da frase. GRÁVIDA, a voz gritou na minha cabeça. Ótimo, Ginevra, um ótimo momento para se ficar grávida.
- Está sentindo algo? – Ernie perguntou confuso. Talvez ele estivesse esperando uma comemoração.
- Não. É que... eu não esperava, quero dizer, não planejava ter um bebê agora. Não conte para ninguém. Eu mesma quero dar a notícia, ok?
- Eu não contaria mesmo que você não pedisse, você sabe. – ele deu um sorriso compreensivo e saiu.
Quem entrou no quarto dessa vez foi Harry. Os olhos dele demonstravam consternação. Busquei um pouco de culpa, mas não encontrei. Ele ainda achava que estava certo. Ele não merecia saber que teríamos um bebê, não agora.
- Está se sentido melhor? – ele quis saber.
- Sim. Foi só um mal estar, afinal eu não comia há algumas horas e estava cansada. Esgotamento físico e mental. Passa logo. Vamos embora. – mentalmente pedi desculpas ao meu bebê, por descrevê-lo como um esgotamento.
- Vamos. – Harry se aproximou e me auxiliou a levantar da cama. Fizemos o percurso de volta para casa em silêncio. Um medo começou a tomar conta da minha mente. E se estivesse acontecendo de novo? E se nós ficássemos brigados como antes? Não, definitivamente eu não iria permitir.
* H*&*G*
- Mas isso é maravilhoso! – Hermione falou animada antes de me abraçar. Ela era a primeira pessoa a ter conhecimento da minha gravidez, depois do Ernie, claro. Desvencilhei-me do abraço na primeira oportunidade. Ela precisava saber.
- Não Mione, não tem nada de maravilhoso. Nós estamos brigados outra vez, aliás, foi por causa dessa briga que acabei indo ao hospital e descobri. Você 'impertubou' o quarto? – estávamos na Toca e qualquer coisa dita ali poderia vazar caso esquecêssemos a segurança.
- Sim. Mas então ele não sabe? Por que brigaram dessa vez? – ela quis saber.
- Sente-se, por favor. Nós brigamos quando eu cheguei da viagem. Eu descobri que as crianças haviam ficado na escola até tarde e reclamei. Bem, se eu tivesse feito isso ele teria comido o meu fígado. É como se eu não tivesse o direito de reclamar de nada, pois ele está sempre certo.
- Achei que tinham conversado, enfim.
- Conversamos, mas não adiantou muito pelo visto. Mione, eu odiaria ter que ficar em casa como uma inválida inútil vendo todos com uma vida lá fora. E esse bebê vai me encaminhar para isso. Se ele souber vai tentar de todas as formas me tirar do trabalho e me deixar em casa como um colar de diamantes que precisa ser escondido. E eu odeio isso. Eu odeio que me digam que eu não posso fazer determinada coisa, sem ter um motivo concreto. Eu odeio mais ainda a falta de confiança que ele tem. Acho... Acho que ele pensa que saio para traí-lo. – meus olhos começaram a arder, mas engoli seco, não iria chorar, não por isso.
- Calma. Tenho certeza de que não é por isso. Ele confia em você, sim. Ele só está com ciúmes, e eu acho que o máximo que você pode fazer nesse momento é mostrar o quanto ele está sendo idiota ao agir assim. Quando vai contar sobre o bebê?
- Quando eu achar que ele merece saber. – respondi com amargura na voz.
- Acho que sua mãe deve estar zangada conosco por ainda não termos descido. Então é melhor irmos, antes que ela venha nos levar furiosa. – Hermione falou com sorriso no rosto. – Tudo vai se acertar, o amor não pode ruir dessa forma.
- Assim espero.
Descemos para o almoço e tudo correu bem até a hora da sobremesa. Meu bebê não estava ajudando em nada a minha decisão de ficar calada por algum tempo. O pudim de abóbora, um dos meus favoritos, quase me fez vomitar na mesa.
- Gina você está bem, querida? – mamãe quis saber, preocupada. E desconfiada.
- Sim, estou. Acho que meu dente não está muito bem. Com licença. – saí da mesa e vi o olhar divertido de Hermione, como se dissesse 'bela desculpa'.
Droga, por que você tinha que me fazer enjoar um dos meus doces favoritos, filha ou filho? Fiquei no banheiro pelo tempo que eu achei o suficiente para todos acabarem de comer o pudim. Quando voltava para a sala, ouvi a voz de Harry. Respirei fundo e adentrei o cômodo.
- Você está bem? – ele quis saber com o olhar de preocupação. Preocupação...
- Sim, foi só uma dor de dente. Comer doces faz mal aos dentes, não é Mione? – Completei com um olhar de súplica para ela.
- Sim? – Hermione respondeu – Ao menos é isso que os meus pais costumam dizer.
Às duas horas seguintes foram tranqüilas, aparentemente. Ficamos jogando conversa fora como sempre fazíamos quando todos se reuniam na Toca. Participei da conversa e de um jogo de xadrez, porém minha cabeça estava um turbilhão. Estava tão aflita que tive a impressão de ter sentido o bebe mexer, apesar de saber que com apenas quatro semanas de vida eles não mexem. Estava feliz, apesar de tudo. Enquanto pensava sobre o bebê um desejo tomou conta da minha mente. Espero que seja uma garota, a minha bruxinha. Esse pensamento me fez sorrir para mim mesma. Fui interrompida por Rony, que me pediu para conversar em particular. Fomos até a cozinha.
- Funcionou? – ele quis saber se referindo ao pó de varíola de dragão.
- Sim, claro. Não sei como agradecer. – sorri de forma marota.
- E como foram os efeitos? Você foi olhar, não foi?
- É claro que fui. Com uma certa distância, pois 'varíola de dragão' é uma doença muito perigosa – retruquei irônica. – A pele ficou com as erupções idênticas e os cabelos caíram um pouco. George criou algo perfeito e você o transformou em mais que perfeito.
- Esse é o nosso objetivo... – ele falou orgulhoso. – Como você usou?
- Coloquei no chá. Puxei o conteúdo com a varinha e por baixo da mesa diluí no chá.
- Você fez bem. O efeito é maior quando o pó é ingerido. Por favor, omita certos detalhes se for contar a Hermione. Ela não pode ficar nervosa ou Hugo vai deixá-la doente.
- Hugo? – pelo que eu entendi seria o nome do meu novo sobrinho.
- Sim é o nome dele. Significa 'razão'. Acho que é um bom nome.
- É um belo nome. Mas eu achei que vocês ainda não tinham escolhido.
- Eu escolhi ontem. Ainda tenho que decidir com Hermione. – ele parecia preocupado.
- Ela vai gostar. Foque no significado. Nomes contribuem para a personalidade da pessoa. Ser uma pessoa racional é sempre bom.
- Isso. – ele me deu um abraço e se retirou para a sala. Segui atrás dele, pensando sobre nomes. Que nome eu daria a minha princesa, se for uma garota? Claro que Harry gostaria que ela tivesse o nome da mãe dele, mas eu quero dar outro nome além de Lily.
* H*&*G*
À noite, após os meninos dormirem Harry veio me procurar para conversar. Fiquei feliz por ele ter tomado a iniciativa
- Eu sinto muito pelo que aconteceu. Eu estava nervoso. Sei que prometi entender o seu trabalho. Eu estou tentando, juro que estou.
- Tudo bem. Harry eu tenho o direito de reclamar quando acho que algo não está certo. Você pode estar errado, assim como eu às vezes posso estar errada. Eu só quero que você reconheça quando cometer algum deslize. Prometo que reconhecerei os meus.
- Desculpe-me. Eu prometo. Vou me controlar. – ele falou com sinceridade. Na voz e nos olhos.
Beijei-lhe os lábios lenta e calmamente. Minha mente, porém estava em dúvida. Contar ou não contar? Achei melhor aguardar um pouco mais.
Os beijos foram aprofundando, as roupas foram retiradas e lá estávamos nós terminando briga em sexo, outra vez. Não que isso fosse completamente ruim. Mas é como se uma bolha estivesse se formando.
- Harry, devagar, por favor. – falei com a respiração entrecortada, com medo que ele desconfiasse de algo, pois a última vez que eu pedi isso foi a mais de três anos atrás, quando estava grávida de Al.
- Você 'tá bem? – ele me olhou desconfiado parando o movimento que estava prestes a fazer.
- Sim, só estou receosa que sangre. Menstruação muito próxima. – respondi com a primeira coisa convincente que me veio a mente.
- Quer que eu pare? – ele perguntou com dificuldade.
- Não. Só vá devagar. – sorri. Ele sorriu e voltou ao ponto que tinha parado, bem calmamente, até que eu me acostumasse e nós conseguíssemos um ritmo perfeito para os dois. Ritmo perfeito. Exatamente o que faltava em nossa vida.
* H*&*G*
A copa de quadribol finalmente chegou e com ela muito trabalho a fazer, tanto que eu mal podia respirar. Todo o dia escrevia duas matérias: uma para a edição matinal e a outra para a edição vespertina. De onde eu tirava tanto assunto, não faço ideia.
Estávamos acampados próximo a floresta e um pouco longe do campo, 2 km de distância talvez. Harry ainda não sabia sobre a minha gravidez, mas depois da copa eu pretendia contar. Estava ficando difícil de esconder, pois minha barriga estava começando a ficar um pouco saliente e os enjoos eram frequentes.
Durante o jogo entre a Inglaterra e a Áustria tive um desmaio que por sorte não terminou em tragédia. Estava perto da borda da arquibancada quando me senti mal, se Angelina não tivesse me segurado talvez eu estivesse morta. Isso rendeu mais uma discussão para a nossa coleção.
- Nunca mais faça isso! – Harry ordenava com a expressão de raiva e preocupação. – Onde já se viu! Passar o dia inteiro sem comer e ainda ficar na borda de uma arquibancada. O que você pretendia? Se matar? Conheço meios menos dolorosos e dramáticos que esse. – ele completou ironicamente. Na verdade eu não estava sem comer, mas ainda precisava esconder a gravidez por mais alguns dias.
- Não precisa falar comigo nesse tom. Acha que sou criança? Eu sabia muito bem o que estava fazendo. – disparei. Ele estava certo. Eu não devia subir uma altura daquelas, mas também não precisava me tratar daquele jeito.
- Eu amo você e me preocupo com você. Não faça mais isso ou serei obrigado a te trancar aqui.
- Tente fazer isso e verá o que te acontece. – girei os calcanhares e deixei-o sozinho, ignorando totalmente o fato de ele ter dito que me amava.
* H*&*G*
Era o último dia da copa e o jogo da final entre a França e a Irlanda seria apenas no fim da tarde. Resolvi caminhar um pouco antes de ir para perto do campo. Ao redor da minha barraca estava relativamente calmo, meus vizinhos conversavam ou jogavam algum jogo bruxo qualquer. Comecei a pensar em algumas maneiras criativas de como dizer a Harry que eu estava grávida. Estava mais do que na hora de contar-lhe a novidade. Desde o dia do meu desmaio, nós não brigávamos mais. Estava tudo bem. Fui tirada da solidão dos meus pensamentos por uma voz vagamente familiar.
- Gina? Como vai? – era Dino Thomas. Virei-me para abraçá-lo. Fazia anos que não o via. Ele parecia bem.
Abraçamos-nos rapidamente e então eu respondi a pergunta.
- Estou bem. E você? Casou-se, mudou de país? – perguntei para puxar assunto.
- Sim, estou bem. Não, não casei ainda e sim me mudei para a Espanha.
- Então esse 'ainda' significa que você vai casar em breve? – estava curiosa. Quem seria ela?
- Sim, eu e Rosário nos casaremos em breve. Foi na Espanha que a conheci. Trabalhamos no Hospital de Sevilha. Uma espécie de St. Mungus. Como vão Harry e os seus filhos? São dois, pelo que eu sei, certo?
- Estão bem. Sim são dois. James e Albus. Mas ainda acho que preciso de uma garota. – Merlim! Por que diabos eu disse isso?
- Legal. Foi bom te ver, Gina.
- Bom te ver também, Dino.
Nos abraçamos rapidamente e demos adeus. Resolvi caminhar de volta até a barraca. Harry estava na sala (N/A lembrem que barracas de bruxo só parecem barracas pequenas por fora) com os meninos. Fiquei imaginando se aquele seria um bom momento para falar.
- Harry. – chamei com a voz apreensiva.
- Sim?
- Sabe, caminhando lá fora eu encontrei Dino Thomas. Vai se casar com uma espanhola. – não saiu as palavras 'eu estou grávida'. Não sei por que.
- Hum. Bom. Vou dar-lhe os parabéns se o vir por aí. – virou-se e continuou concentrado num joguinho qualquer.
O frenesi que eu esperava para o último jogo da copa foi bem menor. As duas seleções não eram as favoritas e todos diziam que o jogo não seria tão emocionante. Por isso o interesse do público em permanecer para vê-lo diminuiu. Acabei de colher materiais para as colunas que faria durante a semana seguinte e voltei para a barraca. Logo pela manhã retornamos todos para casa. Uma surpresa nada agradável nos aguardava.
Eu estava começando a desfazer as malas no quarto quando Harry entrou violentamente no quarto segurando algo que logo depois foi identificado como uma maldita revista com uma foto minha praticamente beijando Dino Thomas. Não sabia o significado da expressão 'sem chão' até o momento.
- Esse foi o seu encontro casual, amigável e inocente com o 'noivo' Dino Thomas? Como você pode? Como pode ser tão mentirosa e sínica? Você ainda tem duas crianças e precisa dar exemplo a elas, não ficar agindo feito uma vagabunda promíscua. – ele estava vermelho de raiva. Talvez eu nunca tenha visto tanto ódio e decepção de uma vez nos olhos dele. Fiquei sem palavras, a princípio. Eu sabia que nada tinha acontecido. Dino sabia, mas aquela maldita foto...
- Isso não aconteceu. Essa foto deve ter sido tirada de um ângulo que parecesse duvidoso. Pode perguntar ao Dino... E não me chame de vagabunda. – falei com o tom de voz mais baixo que consegui, pois tinha medo das crianças ouvirem.
- Perguntar ao Dino? Com certeza, irei. E também vou lhe avisar que pode desfrutar da minha esposa o quanto quiser. – ele retrucou com asco na voz.
- Harry, por favor, isso NÃO aconteceu. Confie em mim. Você prometeu que jamais iria tirar conclusões sobre o que sai em jornais e revistas.
- Uma coisa é o que está escrito. Outra bastante diferente é ver você me trair tão descaradamente e perto de mim. Bem debaixo das minhas vistas.
- Então é isso? Você não vai acreditar mais em mim? Então se dane. Você não nos merece. Nunca mereceu uma família por que não sabe o que é isso e que isso significa CONFIAR, mesmo que todos os fatos estejam dizendo o contrário. Eu JAMAIS TRAIRIA VOCÊ, POR QUE TE AMAVA, ATÉ VOCÊ ENTRAR POR ESSA PORTA E ME ACUSAR DE ALGO QUE NÃO FIZ, BASEADO EM UMA FOTO QUE PODE MUITO BEM SER MANIPULADA. DANE-SE. VOCÊ NÃO NOS MERECE. VOCÊ MERECE MORRER SOZINHO. – as lágrimas teimavam em querem aparecer nos olhos, mas eu engoli. Parei o que estava fazendo, juntei as coisas e saí em busca de James e Al. Não ficaria no mesmo teto que ele nem por um segundo a mais. Os meninos não entenderam muito bem, a principio, mas eu não parei para explicar. Quando estava perto da porta, Harry desceu as escadas rapidamente.
- VOCE NÃO VAI LEVÁ-LOS. ELES SÃO MEUS FILHOS. – ele gritou, assustando os meninos.
- Eu vou levá-los, sim. E eu juro que você não vai vê-los, no que depender de mim. Os filhos de uma vagabunda promíscua são promíscuos também e não são dignos de sua santidade. Se ferre sozinho.
- WEASLEY VOLTE AQUI.
Não pude escutar os gritos dele por muito tempo. Já estava na minha casa no País de Gales, onde pus feitiços de proteção para que ele não nos encontrasse. Desabei no sofá em lágrimas, abraçando os meus garotos.
- Somos só nós agora. Só nós... quatro.
- O papai não vai mais nos ver? – James quis saber com lágrimas nos olhos.
- Não por algum tempo, querido. Vamos esquecê-lo, está bem? Vamos esquecer que ele existiu, por favor.
