LEIAM ISSO ANTES DE TUDO, PLEASE: pessoas, eu não queria MESMO continuar com isso de plágio e tals. Mas eu estou terrivelmente irritada. Descobri que a v... que copia minhas fics não só copia minhas fics como copiou também meu profile INTEIRO e o usou no Anime Spirit. Dessa vez, meus amigos, estou falando realmente sério. Essa pessoinha sem talento plagiadora dos infernos conseguiu tirar minha paciência. Copiar meu profile é abuso demais! Infelizmente não vou criar nenhuma conta pra mim no Anime Spirit porque acho que não vale a pena, como vocês já sabem.
Então, POR FAVOR, me ajudem. Denunciem essa idiota onde se deve denunciar. Cara, ela tá copiando TUDO! Se isso continuar, não sei se continuarei escrevendo mais. Não é chantagem nem nada. Mas fico muito triste porque as pessoas fazem uso do meu talento pra ganharem créditos. Por que não tentam escrever suas próprias histórias? Então mais uma vez, POR FAVOR, denunciem o plágio. Não só das minhas histórias ou da Hanna, mas de qualquer outra pessoa. Vocês já me ajudaram muito em outras ocasiões e à Hanna também, por isso somos muito gratas. Não deixem de denunciar, certo? Mais um vez, muitíssimo obrigada!
Ah sim! No final também tem recado com detalhes da nova fic! Confiram!
Boa leitura!
Capítulo 10: Uma prisão injusta
Foi a aula de Educação Física mais longa de minha vida. Nunca o fogo da juventude de Gai me irritou tanto, mas sobrevivi e assim que o sinal soou, reuni rapidamente meus amigos e expliquei que Kakashi precisava conversar urgente conosco. Em poucos minutos já adentrávamos o quarto do professor, no sexto andar. Sakura e Hinata já se encontravam lá e Inuzuka estava acordado. Comia com voracidade um sanduíche.
- O que aconteceu? Alguém mais foi pego? – Shikamaru perguntou rapidamente; ele fora o único que entendera que Kakashi queria falar algo sobre os assaltos comigo e com Sakura e parecia ansioso para saber do que se tratava.
- Cinco pessoas... – Kakashi respondeu, sem rodeios
- QUÊ? – todos perguntaram em uníssono, à exceção de Sakura e eu, que já sabíamos. Ainda assim ouvir a notícia pela segunda vez era surpreendente. Olhei para Shikamaru; estava com a conhecida expressão de quem está prestes a concluir algo. Dessa vez era algo que eu mesmo não estava conseguindo prever.
- Chinco pexoas? – perguntou Inuzuka com a boca cheia, também surpreso
- Sim... – Kakashi confirmou
- Como Karin fez isso? – questionou Neji, assustado
- Acho que ela drogou três alunos e com a ajuda deles drogou mais dois – explicou Kakashi
- Ou... – começou Shikamaru. Íamos saber o que ele pensara mais rápido do que imaginei...
- Ah, qual é? Pode ficar pior que isso? – perguntou Naruto
- Ou Karin tem um ajudante... – Shikamaru revelou. Nossa, agora ele se superou. Eu não havia mesmo considerado essa possibilidade! E pelo silêncio que se instalou no quarto, nenhum dos outros Aliados havia pensado o mesmo, à exceção de Kakashi, que revelou já ter avaliado essa opção. Mas a idéia era terrível...
- Mas quem seria? – perguntou Neji
- Não faço idéia – Shikamaru respondeu, decepcionado
- Espera um pouco – disse Inuzuka, e todos olharam para ele – Então quer dizer que cinco lojas foram assaltadas?
- Não – disse Kakashi – duas.
- Duas? – perguntou Naruto, compartilhando a confusão dos demais – mas Karin pegou cinco pessoas!
- Meu palpite é de que tenham necessitado de reforços nesses assaltos, para não haver falha. – Kakashi explicou o que Sakura, ele e eu havíamos concluído antes da aula de Gai
- Concordo – falou Shikamaru, tornando a ficar pensativo
- Quem foi pego? – perguntou Gaara
- Espere um pouco – pediu Kakashi – deixei a lista em algum lugar por aqui. Achei! – e tirou a folha dobrada do bolso. Os nomes das novas vítimas estavam com um X na frente, e Kakashi os leu em voz alta. Quando terminou, foi a vez de Shikamaru perguntar:
- Quais lojas foram assaltadas?
- O restaurante Akimichi e a T Acessórios. – disse Kakashi
- Então a lista está certa – concluiu o Nara, e pegou o papel das mãos de Kakashi para avaliá-lo – Segundo ela, a próxima vítima é Shino Aburame, e depois... – mas ele não completou
- Depois quem, Shikamaru? – perguntou Gaara, preocupado. Os demais ficaram atentos, temerosos, ao nome que Shikamaru ia ler.
- Temari... – respondeu ele sem encarar Gaara. Droga, era mais um Sabaku com a vida em risco. Todos no quarto foram afetados pela notícia ruim, mas antes que o clima piorasse, Kakashi tomou a palavra.
- Bom, caham, vamos colocar alguém na cola de Shino – disse ele – E por via das dúvidas, você fica grudado na Temari, Shikamaru.
- Ok... – respondeu o Nara. A idéia, é claro, o agradou, afinal Temari era sua namorada. Ela podia estar próxima de ser pega, segundo a lista, mas Shikamaru faria o possível (e o impossível) para impedir que Karin drogasse Temari.
- Quem vem depois da Temari? – perguntou Naruto na tentativa de amenizar mais o clima ruim
- Sasuke... – disse Shikamaru para minha imensa surpresa. Uau... Eu não me lembrava desse detalhe. Karin avançou mesmo na lista... Shino, Temari e depois eu. Quando encarei meu amigos Aliados, percebi que eles também olhavam para mim. Pareciam preocupados, principalmente Sakura (para minha alegria; ou não, afinal não gosto de vê-la preocupada). Bem, mas eles não tinham motivo para esquentar a cabeça, porque era óbvio que eu jamais, jamais me juntaria aos bandidos. Além disso, eu odeio Karin.
Kakashi falou em voz alta o que eu havia acabado de pensar, provavelmente para acalmar os demais e parece que funcionou. Vi a expressão de meus amigos se suavizarem e Sakura também ficou mais tranqüila. O professor finalizou dizendo ainda que por enquanto vigiaríamos só Shino e Temari, já que no meu caso não havia necessidade.
Shino, Temari e eu. Mesmo sabendo que nunca me renderia, fiquei curioso para saber como seria a hora H. Como Karin me abordaria e qual seria o tamanho de sua surpresa ao descobrir que sei de tudo... Obviamente eu a ignoraria mais do que o comum até que... Ei! Ah não! Além de todos os problemas vou ter que agüentar Karin me perseguindo! Que merda!
Como vou cuidar de Sakura desse jeito?
- Professor? – chamou Hinata, fazendo minha atenção voltar à realidade – quem vai vigiar o Shino? – E a pergunta dela, de repente, me deu uma idéia. Maluca, é verdade. Mas ela se formou com tanta riqueza de detalhes em poucos segundos que seria muito desperdício não usá-la. Além disso, poderia resolver meu problema "fugir da Karin e proteger Sakura ao mesmo tempo".
- Boa pergunta... – disse Kakashi, pensativo
- Se me permitem uma sugestão – falei, e as atenções se concentraram em mim, me deixando um pouco incomodado; eu raramente falo nas reuniões. Gosto mais de pensar por conta própria, porém prossegui: – Acho que Sakura e Hinata poderiam fazer isso – eu avisei que era uma idéia maluca!
- Por que NÓS? – Sakura perguntou, sem se preocupar em esconder como detestara a idéia. Vi que Hinata também não gostou muito, mas foi mais discreta.
Eu sei como é terrível aturar Aburame, mas desse jeito eu sempre saberia onde Sakura está nos intervalos, e assim posso arrumar um esconderijo de modo que possa me esconder de Karin e observar minha garota ao mesmo tempo. Mas eu não poderia usar essa desculpa para dar à Sakura, e estava prestes a falar a que eu havia pensado junto com minha idéia maluca quando Naruto explicou por mim:
- Porque ficaria meio estranho CARAS falando com o Shino e andando atrás dele o recreio inteiro – disse ele, e foi de grande ajuda: tanto Sakura quanto Hinata, ao ouvirem Naruto falando, se convenceram de que aquela era mesmo a melhor saída. Viva minha desculpa machista.
Por fim, Kakashi encerrou a reunião, nos garantindo que avisaria caso soubesse de mais novidades. O desânimo entre nós era visível; toda aquela empolgação com o despertar de Inuzuka fora por água abaixo, fora substituída pelo terror da idéia de existir mais um sádico drogador de alunos que ajudava Karin.
Quando chegamos ao quarto andar, meus amigos e eu nos separamos. Eles seguiram para a lanchonete e eu para o dormitório. Precisava pensar de novo. Precisava de um banho...
A pergunta de Neji voltou à minha mente. Quem seria o ajudante? Orochimaru? Yakushi? Outro aluno? Essa última opção era sem sombra de dúvidas a pior de todas... Mas se Karin, cheia de suas futilidades e coisas cor-de-rosa era capaz de drogar seus próprios colegas, alguém com um por cento de neurônios a mais também seria capaz de fazê-lo. Era inegável que o perigo estava aumentando. Teríamos que desconfiar de qualquer um a partir de então.
E se a maluca tiver mesmo um ajudante, será que eles fariam como dessa vez? Drogariam mais alunos simultaneamente? A pergunta correta é: será que os bandidos vão tentar drogar Shino, Temari e eu ao mesmo tempo? Nada bom... Mas pelo menos eu poderia continuar vigiando Sakura, e quando chegasse minha vez de ser pego, sozinho ou com outros alunos, eu vou encarar a situação de frente.
Fraquejar não é comigo.
Shino, Temari e eu. Repassei mais uma vez os nomes ao me enfiar embaixo da água gelada do chuveiro. Agora que estava em meu banho, eu precisava de um plano.
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Irônico ou não, tive uma boa noite de sono. Voltei a não sonhar e fiquei satisfeito pelo fato de ser um dos próximos alunos candidatos a ser drogado por Karin ou seu ajudante não ocupar espaço na minha mente. Afinal, não havia motivo para se preocupar. Mas, antes de acordar totalmente e encarar o longo sábado que teria pela frente, ainda de olhos fechados, senti como se vários pares de olhos me observassem atentamente. E para constatar se era ou não paranóia minha, abri os meus olhos.
Não, não era paranóia. Quatro pares de olhos me encaravam preocupadamente. Naruto, Neji, Shikamaru e Gaara estavam cada um sentados em suas camas e se sobressaltaram quando me endireitei em minha própria cama. Era uma cena engraçada de ser ver: parecia que um morto acabara de se levantar de seu caixão, em pleno velório.
- O que foi? – perguntei quando todos aqueles olhares assustados começaram a me irritar. Consultei rapidamente o relógio na parede oposta a minha cama e vi que eram oito e meia – O que todos vocês estão fazendo acordados tão cedo num sábado? Além de me olharem como se eu fosse sair daqui correndo procurar Karin e implorar pela droga, é claro...
- Eu disse que ele ia sacar na hora... – Naruto comentou, olhando para os demais
- Vocês realmente acham... – comecei a perguntar, mas Neji me interrompeu
- Claro que não, seu idiota! Só estamos preocupados!
- Pois não precisa – comentei, querendo encerrar rapidamente o assunto antes que meus amigos tentassem bancar os seguranças. Qual é, sei me cuidar sozinho! E Karin não tem a mínima chance!
- A idéia de estar tão próximo de ser pego não incomoda você? – Gaara me perguntou. Levantei-me, revirei os olhos e comecei a pegar uma muda de roupa limpa enquanto respondia:
- Não, porque não vou ser pego.
- Como você pode ter tanta certeza? – Neji perguntou. Meus neurônios ficaram agitados e senti a raiva se formando dentro de mim. Mas que merda de assunto pra se falar num sábado de manhã depois de uma boa noite sono!
- Eu simplesmente sei, está bem? – respondi, mais alto do que o necessário para que todos entendessem a mensagem – E sei também que estou próximo de tentar ser pego. Não precisam me lembrar disso e podem confiar em mim. Mais alguma pergunta ou vocês querem ligar pros seguranças do meu pai?
- O cara tem razão... – Shikamaru respondeu sabiamente, como sempre – Vamos deixá-lo em paz.
- Você vem tomar café com a gente? – Naruto me convidou e respondi que sim, mas que eles poderiam ir na frente.
Aproveitei a paz que se instalara para tomar outro banho gelado, igual ao da noite anterior, para aliviar o estresse que chegara tão cedo à minha cabeça, por causa de meus amigos preocupados. Pobre de mim, que pensei que meu maior problema seria achar um lugar para me esconder de Karin e vigiar Sakura com Shino ao mesmo tempo...
Eu não poderia culpar meus amigos por se importarem comigo, mas ficar me olhando como se a qualquer momento eu fosse passar para o lado de lá era exagero. Terminei meu banho, fiz minha higiene, mudei de roupa e corri, faminto, para a lanchonete do Konoha.
Consegui tomar café normalmente com meus amigos e falar de coisas normais, sem Karin, sem lista, sem drogas. Mas mal havíamos levantado da mesa, o celular de Naruto começou a apitar escandalosamente e o loiro viu que se tratava de uma mensagem de Kakashi.
- "Subam imediatamente" – o loiro leu em voz alta e em seguida nos encarou – O que será que aconteceu? Geralmente ele nos avisa pessoalmente quando tem reunião.
- É algo inesperado, com certeza – disse Neji – E bem grave. Vamos subir juntos. O colégio está meio vazio e acho que não teremos problemas.
Em pouquíssimos minutos já estávamos dentro do quarto de Kakashi, ansiosos por explicações. Inuzuka estava acordado e alguma coisa em sua expressão me fez deduzir que ele já sabia o que se passava.
- E então? – Naruto perguntou, atirando-se no sofá. Sentei-me ao lado dele e Kakashi esperou que todos se acomodassem antes de falar.
- Peço que prestem muita atenção e coloquem todos os seus neurônios para funcionar – disse ele – Acredito que com o que vou lhes contar daremos um grande avanço nesse caso delicado que ocupa nossas mentes e perturba nossa paz há algum tempo.
- Não precisa falar bonito, professor – Gaara comentou e concordei mentalmente com ele – Vá direto ao ponto.
- Certo, perdoem-me – Kakashi pediu com um sorriso sem graça e ficou com a expressão séria – Bem, eu já tirei minhas próprias conclusões e agora peço que tirem as de vocês. Leiam isso – e ele estendeu para nós um note book aberto num site de notícias.
Meus amigos e eu nos juntamos um volta do aparelho e começamos a ler. A surpresa foi geral apenas na manchete da reportagem:
BANQUEIRO HARUNO É PRESO APÓS CONFESSAR SER O RESPONSÁVEL PELOS ROUBOS DAS ÚLTIMAS SEMANAS.
- É o pai da Sakura! – Naruto exclamou por todos nós
- Que artefatos roubados? – Neji perguntou – Quer dizer, são os artefatos roubados que sabemos que foram roubados?
- Continuem lendo e depois discutiremos – disse Kakashi e nós obedecemos.
O primeiro parágrafo repetia a manchete e trazia informações sobre o pai de Sakura e sua esposa. Sakura era apenas citada como "uma filha que estuda no melhor colégio interno do país". Sorte os sites de notícia estarem bloqueados no Konoha, mas azar porque existem jornais e as pessoas sabem ler. Sakura sofreria muito...
O segundo parágrafo já era mais interessante:
Já passara da meia noite, madrugada de sábado, quando o banqueiro tentou apostar os artefatos roubados jogando no famoso Cassino Royal. O dono do cassino, Sr. Danzou, reconheceu os objetos que o Sr. Haruno tentava apostar e contatou a polícia imediatamente. Ao ser questionado, Haruno confessou ser o ladrão que preocupou Tóquio nas últimas semanas, com assaltos perfeitos e grandes quantidades de objetos caros roubados.
Porém, já na delegacia, o banqueiro negou que tivesse cometido os crimes e mostrou-se confuso por estar no recinto policial. A Sra. Haruno alega, assim como o próprio Sr. Haruno, que o marido é inocente. Devido à ausência de provas que provem o contrário, ao depoimento duplo e a prisão em flagrante, o Sr. Haruno está detido, aguardando que seu advogado entre com o pedido de habeas corpus, mas que, segundo a polícia, dificilmente será concedido pelo juiz.
O Sr. Danzou lamentou pela situação constrangedora e foi condecorado com uma insígnia de Cidadão Japonês pela sua colaboração.
- Inacreditável... – Neji falou assim que terminou de ler
- Kakashi – me apressei em dizer, meu cérebro trabalhando a mil – Você disse que progrediríamos lendo isso, certo? Mas aparentemente não há nenhuma ligação com o caso das drogas, exceto pela parte do depoimento duplo do pai da Sakura, não é?
- Pensei a mesma coisa – Shikamaru falou tão depressa quanto eu, provavelmente porque tirou as mesmas conclusões – Provavelmente, Yakushi ou Orochimaru foram ao banco do Sr. Haruno tentar trocar os objetos roubados por dinheiro. Ele negou, obviamente, e aí o drogaram instantaneamente, na veia, por exemplo.
- Isso – tornei a falar – Então o obrigaram a ir até o cassino Royal, por algum motivo, apostar os objetos roubados e trocar por dinheiro. Caso o Sr. Haruno fosse pego, ele deveria confessar o crime. Mas o dono do cassino, assim como o pai de Sakura, reconheceu os objetos e chamou a polícia.
- Exatamente – Shikamaru prosseguiu – Os bandidos sabiam que poderia dar errado, por isso usaram o senhor Haruno e pouco se preocuparam que o efeito da droga passaria, cedo ou tarde. E quando passasse, o senhor Haruno alegaria inocência e isso o complicaria mais ainda, sem contar que ele não se lembraria do momento em que foi drogado, nem de Yakushi, nem de Orochimaru.
- Assim os bandidos estariam salvos – concluí, respirando fundo. Acho que nunca falei tanto e tão rápido em minha vida, sem contar que nunca consegui deduzir algo tão complicado instantaneamente. Mas acho que por ser algo relacionado a Sakura minha adrenalina me ajudou a pensar. Coisa maluca.
- Vocês dois são impressionantes! – Kakashi exclamou, admirado. Só então reparei que Inuzuka, Naruto, Neji e Gaara estavam meio boquiabertos.
- Kakashi demorou um tempão pra descobrir isso... – Inuzuka comentou bobamente
- Kiba, você não precisava ter revelado isso – o professor comentou entre dentes, mas voltou-se para nós – Foi realmente incrível, meninos, meus parabéns.
- Obrigado – Shikamaru falou, meio pomposo, mas logo depois ficou sério – Porém, isso tudo que falamos, professor, apesar de fazer total sentido, são apenas hipóteses.
- É – concordei – não há como confirmar que estamos certos.
- Agora vocês estão pensando pequeno – Kakashi comentou – Elaboraram toda a teoria corretamente, e a parte mais fácil é a de saber se o senhor Haruno estava drogado ou não.
- Dá pra explicar? – Shikamaru pediu
- Ué... Basta falar com o cara que escreveu a notícia, não é isso professor? – Naruto exclamou
- Exatamente isso, Naruto! Muito bem! – Kakashi elogiou – E foi o que fiz. Assim que terminei de ler a notícia, fiquei abismado com a prisão do pai de Sakura. Conheço o trabalho do senhor Haruno e sei que é um homem muito honesto, e mesmo que eu não soubesse quem realmente roubou os objetos das lojas, acreditaria na inocência do banqueiro. E ainda há o fato de que a filha dele é uma aluna muito querida por mim, o que me comoveu instantaneamente. E junto com o Kiba aqui, comecei a buscar inúmeras explicações para envolver nossos verdadeiros bandidos nessa prisão injusta, até que deduzi o que Sasuke e Shikamaru sintetizaram em poucos minutos.
- E o jornalista? – Neji perguntou
- Ah, sim – continuou Kakashi – Só faltava, então, encontrar alguma evidência para provar que o senhor Haruno havia sido drogado. E por sorte ou trabalho do destino, o jornalista que escreveu a matéria é um velho amigo meu. Mandei-lhe um e-mail fingindo estar interessado no caso e perguntei-lhe sobre o comportamento do senhor Haruno. Alguns minutos depois obtive a resposta, e adivinhem?
- O cara estava com olhos vidrados, só sabia dizer que era culpado, culpado e culpado. Mas depois, como fala na notícia, ele jurava inocência – disse Kiba – Foi exatamente assim que eu me senti. Quando drogam você e te dão o comando, é aquilo que fica na sua cabeça até o efeito passar, mas enquanto não passa, seu corpo tenta cumprir aquilo que mandaram você fazer.
- Sinistrão... – Naruto comentou
- Sim, eu concordo – disse Neji – Mas então, quer dizer que os bandidos devem estar precisando muito de dinheiro, para se arriscarem dessa forma e usar um inocente como culpado...
- Isso – Kakashi concordou – Mas ainda temos o problema do Cassino Royal. Não sei por que não consigo parar de achar isso suspeito. Pensem bem... Kabuto e Orochimaru poderiam ter escolhido qualquer outro lugar para mandar o senhor Haruno, não é mesmo? Será que há um motivo por trás da escolha do cassino? Shikamaru, Sasuke...? Alguma sugestão?
- Hum... – fez Shikamaru – Vou me concentrar nisso, professor. Também achei suspeita a escolha do cassino.
- Mas pelo menos Kabuto e Orochimaru não vão poder trocar os objetos que sobraram tão facilmente – falei – A não ser que queiram acusar mais alguém. Aí estariam se enforcando no próprio laço.
- Estou orgulhoso de você, meninos – Kakashi falou paternalmente – Quando pedi para usarem os neurônios, não pensei que chegariam a tanto.
- É, todos estão mesmo usando os neurônios – Gaara observou secamente – Mas apenas para o lado racional. Esqueceram-se completamente do emocional.
- Hã? Como assim Gaara? – Naruto perguntou. Mas antes mesmo que o Sabaku fizesse qualquer menção de responder, eu entendi o que Gaara quisera dizer.
E me senti o animal mais idiota do mundo por não ter lembrado.
- Sakura! – exclamei, pondo-me de pé e saindo a mil do quarto de Kakashi.
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Ainda me xingando mentalmente de todos os palavrões que lembrava por ter esquecido, mesmo que por um momento, de Sakura, cheguei rapidamente ao primeiro andar do Konoha e a julgar pela hora, Sakura ainda poderia estar tomando café.
Mas quando ia tomando caminho para a cantina, topei com Hinata e... Karin. E o único motivo que poderia fazer Hinata estar junto com a cascavel era que Karin provavelmente tentara drogar Aburame. E Sakura... Bem, ela deveria estar com ele agora.
- Bom dia, Sasuke! – Karin disse com sua voz irritante – Está tão gato hoje! Quer dizer, mais gato do que nunca hoje!
- Hinata – falei, ignorando Karin com todas as minhas forças – Onde está Sakura?
- N-Na lanchonete... Com o Shino – Hinata respondeu meio trêmula, provavelmente assustada com a expressão em meu rosto, mas frisou o nome de Aburame, confirmando minhas suspeitas.
- Sasuke, o que você tem com essa Haruno, hein? – Karin perguntou, visivelmente indignada – Tá sempre preocupado com ela! Ela é alguma coisa sua, por acaso?!
- Ela é o que jamais você e nenhuma outra garota vão ser. Agora me dê licença – e fiz um sinal para que Hinata me acompanhasse para qualquer lugar longe de Karin.
- Boa resposta – a Hyuuga elogiou, um tanto surpresa
- Obrigado, mas não podemos perder tempo – falei rapidamente, verificando se estávamos sozinhos
- O que foi, Sasuke? Por que interrompemos o plano?
- Aconteceu algo muito mais grave que envolve Sakura, mas não se assuste! – apressei-me em dizer ao ver a expressão preocupada no rosto de Hinata – Suba. Estão todos lá e Kakashi vai lhe explicar.
Hinata concordou e voltei a correr para a lanchonete. Avistei Sakura de longe, pelas portas de vidro. Era visível o esforço que ela fazia para conversar com Aburame e me senti mais culpado ainda por tê-la submetido a isso. Onde eu estava com a cabeça? Poderia pensar em outros métodos para protegê-la e fugir da maníaca da Karin!
Mas a minha missão era outra, e eu tinha que livrá-la do amante de insetos para poder contar a ela sobre o pai. Senti uma profunda pena quando me aproximei de Sakura e Aburame, mas não hesitei em interromper a conversa e ignorar o imbecil do Shino.
- Kakashi quer falar com você – falei sucintamente
- Mas Sasuke, justo AGORA? – Sakura perguntou, indicando Shino discretamente
- Ela está falando comigo, Uchiha – o Aburame falou com desprezo. Revirei os olhos.
- Você pode esperar – retruquei, tentando parecer indiferente e não com raiva
E sem pestanejar, puxei Sakura pelo pulso e saí andando com ela. Com uma última olhada para Aburame, algo em minha mente me fez pensar que ele teria plena capacidade de ser o ajudante de Karin. É claro que a inimizade que tenho por ele colaborou muito para esse pensamento repentino...
- Ok! Chega! – Sakura disse com raiva, tirando-me de meus devaneios, quando chegamos ao saguão de entrada do Konoha – Não entendi nada! Por que essa pressa toda? O plano não era distrair Shino?
- ERA – respondi, enfatizando o verbo. Ela me olhou confusa, mas eu não podia explica a situação ali.
- Como assim? – ela quis saber, mas eu balancei a cabeça
- Aqui não... – falei olhando em seus olhos. Ela entendeu o recado e subimos até o sexto andar, minha mão ainda no pulso de Sakura.
Depois de nos identificarmos, Kakashi abriu a porta e entramos em seu quarto. Todos os Aliados estavam ali, é claro, mas Sakura ficou muito surpresa por ver Hinata ali também.
- Hinata, mas e a Karin...? – ela perguntou, mas a Hyuuga apenas balançou a cabeça com pesar. Era visível que Hinata estava a par da situação. Percebi Sakura começando a ficar nervosa.
- Ok... Me digam o que está acontecendo agora! – ela exigiu, sem se preocupar com o tom de voz
- Sakura – Kakashi falou gentilmente – sente-se.
- Não professor, não vou sentar até alguém me dizer o que está acontecendo – Sakura replicou, decidida
- Sakura... Não entendemos muito bem porque, mas... – e Kakashi respirou fundo antes de dizer – Seu pai foi preso.
Foi de partir o coração de qualquer um ver a expressão de Sakura. O brilho de seus olhos desapareceu. Parecia que alguém havia tirado sua vida ou algo assim. Ela congelou bruscamente antes de começar a tremer e pareceu alguns anos mais velha. O choque era visível em seu rosto, até que seus olhos giraram nas órbitas e ela começou a cair para trás.
E mais rápido do que os demais, postei-me atrás dela para apará-la na queda.
- Tragam água com açúcar para ela! – gritei para os outros assim que impedi a queda de Sakura
Segurei-a firmemente em meus braços e a conduzi até o sofá de Kakashi. Ela parecia incapaz de andar ou qualquer outra coisa. Seus olhos estavam fechados e ela suava de nervosismo. Abracei-a protetoramente, como sempre quis fazer, mas esperava ter Sakura em meus braços numa ocasião infinitamente mais feliz. Hinata sentou-se do outro lado dela e segurou a mão da amiga. Segundos depois Naruto chegou com um copo de água com açúcar, mas Hinata fez sinal para que o loiro esperasse Sakura ter condições de agir sozinha.
Ela inspirava e respirava profundamente, seu rosto aninhado em meu peito, meu braço em volta de seu pescoço, sua mão segurada por Hinata. Lentamente, Sakura foi abrindo os olhos. Em geral sempre muito verdes e brilhantes, estavam vermelhos, marejados de lágrimas e sem vida. Abracei-a mais forte para lhe dar forças.
Dez minutos depois, Sakura pareceu conseguir se recuperar o suficiente apenas para perguntar como Kakashi soubera da prisão de seu pai. O professor tentou resumir tudo o que havíamos lido na reportagem. Explicou do quê o pai de Sakura estava sendo acusado e quando falou da confissão do senhor Haruno, ela sobressaltou-se mais e Naruto deu-lhe a água para tentar acalmá-la. Sakura ainda tremia muito, mal conseguindo beber direito. Metade do conteúdo do copo foi parar na minha roupa, mas não me incomodei. Só continuei abraçando-a mais forte.
Kakashi então contou a Sakura nossas suspeitas sobre Kabuto e Orochimaru e gradativamente ela foi se acalmando, ao perceber que todos nós acreditávamos plenamente na inocência de seu pai e faríamos de tudo para ajudá-la. Cada Aliado tentou colaborar com o máximo de otimismo que pôde e pareceu funcionar. Quando a história da prisão do senhor Haruno estava praticamente terminada, Sakura não chorava mais. O brilho em seus olhos voltara e ela parecia determinada, raciocinando em profundo silêncio. Afrouxei lentamente o abraço.
- Mas alguém precisava fazer a denúncia, certo? – ela perguntou depois de alguns instantes. Realmente Kakashi ainda não havia lhe contado essa parte. Provavelmente estava esperando ela ficar mais calma.
- Sim, Sakura – disse Kakashi
- O quê agora? Vão me dizer que um dos dois pilantras fez isso? – ela perguntou com um pouco de raiva, referindo-se a Orochimaru e Yakushi
- Não, Sakura. Foi o dono do cassino – o professor respondeu-lhe. Acho que todos ali esperavam qualquer reação vinda de Sakura, menos a que ela realmente teve:
- Aquele desgraçado! – ela exclamou, agora com muita raiva. Ela poderia simplesmente ter xingado o dono, mas pela sua entonação, era visível que conhecia o cara.
- Você o conhece? – Naruto perguntou entre assustado e surpreso
- Digamos que sim... – Sakura respondeu, tentando minimizar, e levantou-se rapidamente.
- Aonde vai? – perguntei, surpreso com o gesto dela. Pelo canto do olho, percebi uma expressão concentrada se formar no rosto de Shikamaru. O fato de Sakura conhecer o tal Danzou deixou o Nara curioso...
- Vou falar com a idiota que chamamos de diretora – Sakura me respondeu, sua raiva bem visível. Falar com Tsunade? O quê?
- Por que, Sakura? – perguntou Kakashi, mais curioso do que preocupado. Espera aí, ele não ia impedi-la de fazer essa loucura?
- Por que agora isso foi longe demais. Eles mexeram com MINHA família – e seguiu decidida para a porta
- Sakura, não pode ir! Não temos um plano! – disse Hinata, na tentativa sã de deter a amiga
- Hinata tem razão – Naruto a apoiou – fica aqui e vamos conversar.
- Deixe-a ir – Kakashi decidiu. Todos olharam surpresos para ele, inclusive Sakura. Meu olhar tinha um toque a mais de indignação. Kakashi estava ficando louco?
- Obrigada por tudo gente – Sakura disse, agradecida, e me virei para encará-la – mas agora é comigo.
E saiu.
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Tentamos, inutilmente, achar alguma ligação entre o Cassino Royal, Orochimaru e Yakushi após a saída de Sakura. A existência dessa ligação era evidente, pois Sakura conhece o dono do cassino, portanto, sua família também. Mas se é assim, porque o dono denunciou o pai de Sakura? Shikamaru disse que tivera uma luz, mas ainda era muito cedo para explicá-la. Ele precisava pensar com calma, e o clima de pesar do quarto de Kakashi não estava ajudando muito.
Já passava de meio dia quando o professor nos mandou almoçar. Disse, como de praxe, que nos avisaria caso tivesse alguma novidade e pediu para darmos à Sakura o maior apoio que pudéssemos. Não parecia preocupado que talvez diretora soubesse de tudo agora. Ou ele estava muito confiante quanto ao fato de que Sakura poderia mudar de idéia.
Meus amigos foram almoçar, mas eu não estava com fome. Estava muito preocupado com Sakura e sentia uma extrema necessidade de ajudá-la. Só que não fazia idéia de como poderia fazer isso. Entrei no quarto e fui direto para meu note book; talvez Sakura já tivesse terminado de falar com a diretora e estivesse online esperando por Shadow.
- O que vai fazer? – Naruto perguntou, me sobressaltando. O que ele estava fazendo ali?
- Não vai almoçar? – perguntei. Geralmente ele é sempre o mais faminto...
- Agora não. Vi que você não ia com os outros, me despedi de Hinata e decidi lhe fazer companhia. Você não parece bem... – observou o loiro, sentando-se em minha cama
- Está certo... – respondi com um sorriso triste – Por que tinham que mexer com a família de Sakura? Ela está arrasada!
- Está preocupado com ela, né?
- Muito.
- Todos estamos cara...
- Queria poder fazer algo para ajudar – confessei – Mas nenhuma idéia me vem à cabeça!
- É por isso que você está acessando o MSN? – Naruto perguntou, indicando a tela do note book – Para ajudar como Shadow?
- Bem... É. Ela precisa contar ao Shadow que o pai foi preso. E aí ele, ou melhor, eu, ajudarei.
- Como Shadow?
- É – respondi, estranhando o modo como Naruto estava falando
- Sakura ainda não sacou que você é o Shadow? – ele perguntou
- Incrível, mas não. Dei as dicas mais óbvias possíveis e ela não adivinhou. É difícil cara... Parece que ela não quer que o Shadow seja eu! Só pode!
- Não viaja, Sasuke – disse Naruto fazendo uma careta – Não foi isso que me pareceu lá em cima, no quarto do Kakashi. Você abraçando ela e tudo. Você acalmou ela cara... E ela pareceu gostar.
- Você acha mesmo?
- Dã! É claro! E quer saber de outra coisa? Sabe por que ela não descobriu que você é o Shadow?
- Pelo amor de Buda, me esclareça pelo menos este mistério – pedi, desesperado. Naruto riu.
- É porque você age de um jeito legal com ela apenas no MSN! Quero dizer, você tá se esforçando pra ser legal com ela no dia-a-dia e tá funcionando. Só que se você fosse mais romântico com ela pessoalmente, talvez ela sacasse que você é o Shadow.
- Isso é muito arriscado – observei
- Sasuke, presta atenção – Naruto disse, endireitando-se – Sakura não está precisando do Shadow. Ela acha que está. Mas na verdade ela precisa do Sasuke, do Sasuke de verdade, do Sasuke que você é quando conversa com ela no MSN. É desse cara que ela tá precisando! Fique um tempo offline e ajude-a como Sasuke, mas se ela entrar em contato com o Shadow, não a ignore. Esteja perto dela sem se esconder e não tenha medo de dizer coisas bonitas. Entendeu?
- Pra variar, você tem razão – respondi, pensando e me perguntando pela milésima vez de onde Naruto tirava esses conselhos.
- Só estou declarando o óbvio – disse ele, dando de ombros – Pelo menos é como eu faço com a Hinata. Antes eu não dizia o que sentia, e não tinha como saber se ela era afim de mim. Mas agora tudo mudou e sou um homem novo!
- Até parece... – tive que rir – Mas ainda tem um problema. Minha ajuda física não é suficiente. Preciso fazer alguma coisa em relação ao pai dela. A polícia precisa saber a verdade. Mas como vou fazer isso?
- Sasuke, Sasuke... – Naruto falou depois de alguns instantes em silêncio – Depois eu é que sou o lerdo. Kakashi tem razão: você e Shikamaru realmente pensam pequeno às vezes! Mas agora você está sendo burro mesmo! Você tem todo o poder do mundo, ou pelo menos do Japão, pra soltar o pai da Sakura! Dã!
- Que diabos você... – mas não consegui terminar de falar; fui interrompido pelo bip irritante do celular de Naruto. Me perguntei se seria outra mensagem de Kakashi, mas o loiro riu ao ler o que havia recebido.
- Foi mal amigão, mas preciso ir. Chegou uma encomenda pra mim – disse Naruto levantando-se rapidamente e indo até a porta.
- Que encomenda? – perguntei, curioso
- Am... Toalhas! – Naruto respondeu com um sorriso envergonhado – As minhas estão meio surradas, hehe... Fui! – e fechou a porta
Olhei para a janela de MSN aberta na tela de meu note book. Nada de Sweet Girl, nada de Sakura. Mas pela linha de raciocínio de Naruto, melhor assim. Melhor ajudar como Sasuke...
Naruto dissera que eu tenho poder para tirar o senhor Haruno da prisão. Que poder? Todo poder do mundo ou pelo menos do Japão... Opa. Pelo menos todo poder do Japão? É isso!
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- Alô?
Até estranhei quando escutei aquela voz. Fazia muito tempo que não conversava com o dono dela.
- Sasuke, é você?
- É, sou eu – respondi enquanto olhava uma foto de minha família que ficava no meu criado-mudo
- Irmãozinho tolo! Qual o motivo da ligação? Você sumiu! Está tudo bem? Aprontou alguma? Como está o pai? Ele também sumiu... Vocês são todos uns idiotas! Por que sumiram?
- Cala a boca, Itachi! Fala devagar!
- Você continua mal humorado, seu peste – Itachi riu do outro lado da linha. Tive que responder a todas suas perguntas chatas, mas como ele estava do outro lado do mundo, estudando e trabalhando feito um condenado e há três meses sem escutar minha voz (só nos falávamos por e-mail) tentei ser o mais paciente possível.
Tentei resumir mais ou menos tudo que havia acontecido comigo, editando algumas partes, como a do mistério no Konoha, e enfatizando outras, como a briga que tive com meu pai. Itachi pareceu preocupado, porque afinal nosso pai nunca batera em nenhum de nós e tive a honra de estrear o quadro.
Depois ele me contou algumas coisas dos Estados Unidos, da faculdade, das garotas com quem saíra até arrumar uma namorada fixa, com quem está atualmente, das pessoas, dos lugares que parecem muito melhores que os de Tóquio e do Japão inteiro. Por fim, o silêncio dominou a linha e chegara a hora de eu contar o verdadeiro motivo de minha ligação.
Não que eu não estivesse com saudades de meu irmão. Mas se eu quisesse soltar o pai de Sakura, precisaria usar o poder do Japão. Precisaria de meu pai. O mesmo pai que não quer me ver pintado em sua frente nem de ouro. Eu também não quero vê-lo, mas preciso fazer isso por Sakura. Só que não faço idéia de como posso me "desculpar" para conseguir o que quero. É aí que entra Itachi.
- Sasuke? – ele chamou de novo – Está aí ainda ou desligou o telefone na minha cara?
- Não, estou aqui. Am... Itachi... Preciso da sua ajuda.
- Pode falar – ele pareceu momentaneamente preocupado e eu não sabia como começar a falar. Deixei as palavras saírem da maneira que deu...
- Bom, tenho uma amiga que está com problemas... Na verdade é o pai dela. Ele foi preso nessa madrugada, acusado de roubar uns objetos caros de várias lojas aqui de Tóquio.
- Acho que li algo sobre isso hoje na internet. Só não me recordo o nome...
- É Haruno. É o pai da minha amiga Sakura. Ele é um banqueiro muito honesto, mas ele confessou o crime. Só que armaram para ele e ele foi preso no lugar de outros.
- Que outros? – a voz de Itachi era desconfiada
- Não posso dizer...
- Sasuke, em que problema está metido? Como você sabe que o banqueiro é inocente e que armaram para ele? Está muito convicto disso...
- Itachi, eu NÃO POSSO dizer o que sei. Por favor, não me complique e apenas acredite em mim, ok?
- Vou tentar... Mas antes me responda a uma última pergunta. Tem certeza que essa garota, Sakura, é só uma amiga?
- Isso faz diferença? – perguntei, surpreso
- Faz toda diferença, pois você não estaria me ligando, tentando me convencer de alguma forma a te ajudar usando meias palavras, se essa garota não fosse MUITO especial para você. Então, gosta dela?
- Para minimizar, sim, eu gosto. Ela é diferente das outras, satisfeito? E não sou só eu que considero o pai dela inocente. Há outras pessoas que concordam comigo. Agora pode me ajudar?
- Tudo bem... Me diga como e vou ver o que posso fazer.
- Na verdade é bem fácil... Eu preciso... Que você me ajude a "pedir desculpas" para nosso pai.
- Fácil? Você está louco?! Você disse que mamãe morreu por causa dele!
- Eu menti?
- Você exagerou!
- Mas não menti! E ele me bateu! Ele é quem devia se redimir! E ele só escuta você! Por isso preciso da sua ajuda! Se você não puder conversar com ele, me ensine um modo de persuadi-lo e eu farei. Itachi, preciso ajudar o pai dessa garota, então me ajuda!
- Ei, calma... Deixe-me pensar... – aguardei pacientemente alguns minutos até Itachi se manifestar de novo – Ok. Já sei. Se você precisa tanto assim e já que gosta muito dessa garota, vou falar com papai. Mas você precisa esperar uma semana.
- Uma semana?!
- Está reclamando de quê? Esqueceu que eu tenho uma vida aqui? Eu trabalho e estudo Sasuke!Estou numa semana muito puxada em Harvard e só no próximo fim de semana vou poder ligar para papai com calma para fazer o que você me pediu.
- Certo... Desculpa... É que ela está sofrendo muito. Não... Agüento vê-la triste...
- Quem diria! Meu irmãozinho tolo e rabugento apaixonado!
- Não tem graça... – falei friamente
- Não estressa... Pode deixar que falo com papai e informarei você assim que o fizer. No máximo sábado que vem já terei dado meu jeito. Mas que fique claro: vou apenas convencer papai a receber você. O resto, Sasuke, você faz.
- Certo. Obrigado.
- Só um último conselho. Dê bastante apoio a essa garota e quando for falar com papai, diga que ela é sua namorada. Sabe como ele é para essas coisas. Não existem "amigas". E se você gosta dela e ela de você, mesmo que não estejam juntos, não tem problema dizer que namoram para o velho Fugaku. Espero sinceramente que dê certo, seja lá qual for a imensidão do problema. Então, estamos combinados?
- Com certeza. Muitíssimo obrigado Itachi... Te devo essa...
- Sabe como pode pagar?
- Como?
- Lembre da minha existência mais vezes e mande notícias, seu ingrato – a frase soou melancólica, mas eu podia jurar que Itachi estava rindo
- Tá bom, seu dramático – respondi, rindo também e desligando o celular.
Agora era só esperar. Mais uma vez.
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Domingo de manhã. Acordei muito cedo porque, diferente da noite passada, não consegui dormir. E parece que nenhum dos meus amigos conseguiu descansar direito também. Até Naruto estava acordado!
Como o banheiro estava ocupado (Neji estava tomando banho), decidi dar uma olhada no MSN, com Naruto me supervisionando para saber se eu iria abordar Sweet Girl. Não que eu fosse, mas ela não estava online. Porém eu tinha um e-mail e desconfiei imediatamente que pudesse ser de Sakura. Estava totalmente certo quando o abri e chamei Naruto discretamente para que ele lesse junto comigo.
Querido Shadow...
Não há como você saber porque os sites de notícias estão bloqueados, então estou te avisando: meu pai foi preso. Juro que se as pessoas certas não estivessem comigo no momento em que recebi essa notícia, teria morrido. Queria que você estivesse lá...
Se você chegar a ler a matéria que fala da prisão de meu pai, por favor não acredite nela! Meu pai é inocente e jamais faria o que aquela matéria diz!
Espero sua resposta o mais rápido possível...
Obrigada por existir, mesmo que virtualmente (por enquanto)
Beijo...
Sakura.
- Legal, ela assinou com o nome de verdade. Mas cara, isso é tenso... – Naruto comentou, apenas para que eu pudesse ouvir
- Sei disso... – falei – Você tem razão. Ela precisa de mim, mas como Sasuke. Se eu agir como ajo com ela no MSN, talvez ela descubra a identidade de Shadow.
- Até que enfim, Buda, ele concordou! – disse Naruto elevando as mãos teatralmente para os céus. Só então percebi que ele segurava uma máquina fotográfica.
- Pra quê essa máquina? – perguntei, curioso
- Ué... Pra tirar fotos... – Naruto respondeu com um sorriso de quem está aprontando algo – Mas e aí, responde ao e-mail!
- Tá certo... Ah, e ontem eu falei com Itachi. Ele vai me ajudar a falar com meu pai. Era desse poder que você estava falando, certo?
- Isso aí, cara. Você sacou... Opa! Neji desligou o chuveiro? – Naruto perguntou em voz alta, apurando os ouvidos.
- Acho que sim – Gaara respondeu, confuso – Por quê?
- Meu caro ruivo... Você vai descobrir agora mesmo – e um grito enorme saiu do banheiro de nosso dormitório. Shikamaru saltou da cama.
- Naruto, o que você fez?! – ele perguntou, mas Naruto só sabia mirar a câmera na porta do banheiro, até que Neji finalmente saiu de lá de dentro, vermelho de ódio, com um olhar assassino e...
Enrolado numa toalha rosa.
- Naruto, seu porra! Você me paga! – o Hyuuga urrou para o Uzumaki, que tremia de tanto rir
- Show time! – disse o loiro tirando várias fotos. Então as toalhas que Naruto encomendara eram para isso. Epa... Toalhas, no plural. Algo me diz que essa brincadeira não vai parar por aí, mas nem consegui pensar nisso direito, já que me juntara a Gaara e Shikamaru nas risadas. Era uma brincadeira saudável, e acho que todos nós precisávamos rir um pouco.
Naruto conseguiu fugir saindo do quarto. No estado em que Neji estava não poderia sair para perseguir o Uzumaki. Gaara e Shikamaru gastaram bastante tempo tentando acalmar o Hyuuga, depois que se recuperaram das risadas. Enquanto isso eu respondia ao e-mail de Sakura e enviava um para Itachi, contando a recente brincadeira de Naruto. Talvez Itachi risse também e se distraísse um pouco...
O e-mail para Sakura ficou assim:
Querida Sakura
Sinto muito por tudo isso. Li a matéria num jornal, mas fique tranqüila. Eu confio em você e confio em seu pai. Acredito na inocência dele e é visível que algo está errado nessa história toda.
Posso ser virtual, por enquanto, mas imagine-se sempre perto de mim, como se eu estivesse do seu lado todos os dias.
Estou aqui para o que precisar. Amo você.
Shadow.
É, ficou bom. Mas decidi não enviá-lo. Achei melhor esperar um pouco. Tive vontade de escrever mais, porém pensei que seria melhor dizer o que queria. A partir de então, ela teria o apoio do Sasuke que eu sei que posso ser, do Sasuke que Sakura conhece, mas não sabe...
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Almoçamos todos no quarto de Kakashi, à exceção de Gaara, que logo depois do café fora para casa com Temari e Kankurou. Sakura também almoçou conosco. Ela não se alimentou direito, pois estava ansiosa devido à visita que faria a seu pai na cadeia. Ela nos contou que conversara com sua mãe pelo telefone logo depois de ter saído do quarto de Kakashi e que não chegou a contar algo para a diretora. Sakura disse ainda que pensou melhor e achou melhor não dizer nada por enquanto. Todos concordaram com ela.
Quando chegou a hora de Sakura partir (logo depois do almoço uma limusine viria para pegá-la), todos a abraçaram e desejaram-lhe sorte. Fiquei com vontade de bater em Inuzuka por ter dado um beijo estalado na bochecha dela, mas quando chegou a minha vez de abraçá-la, percebi que nosso abraço foi um pouco mais demorado que os demais, e quando nos afastamos, os olhos de Sakura estavam marejados de lágrimas. Porém, ela sorria, ainda que trêmula.
Enfim, ela saiu do quarto, deixando todos muito preocupados. Kakashi, Hinata e eu parecíamos os mais nervosos, apesar de eu não demonstrar isso tão abertamente quanto os outros dois. O silêncio imperava no quarto, cada um de nós absorto em seus próprios pensamentos. Shikamaru e Neji pareciam em transe, Naruto e Hinata estavam no sofá de Kakashi e o loiro alisava os cabelos da namorada distraidamente, Inuzuka lia um gibi e só depois de algum tempo notei que Kakashi me chamava.
- Sasuke... – ele falou, assim que me aproximei – Está preocupado com ela, não é?
- É claro, assim como os outros – tentei disfarçar. Kakashi apenas sorriu
- Sabe o que eu acho? Que aquele abraço demorado foi quase um convite para você ir com ela. Porque não faz isso, hã? Acho que ainda dá tempo – Kakashi sugeriu. E quer saber, não contestei.
- Certo, eu vou – e sorri em forma de agradecimento
- Pode dizer que fui eu quem pediu para você acompanhá-la, se quiser – Kakashi acrescentou – Boa sorte.
Acenei com a cabeça e saí calmamente do quarto, disparando assim que passei pela porta. Achei Sakura conversando com a diretora na frente do Konoha. Tentei me endireitar e arrumar um pouco meu cabelo despenteado pela corrida de seis andares abaixo e mais um pouco e me aproximei calmamente.
Já estava perto o suficiente quando ouvi Tsunade dizer:
- Você vai esperar aqui sozinha?
- Prefiro assim – Sakura respondeu – O carro já vai chegar e me levará direto à delegacia. Obrigada mesmo assim, diretora.
- Mas ainda não acho certo você ir sozinha – Tsunade contestou
- Ela não está sozinha – falei, agora do lado das duas. Ambas olharam sobressaltadas para mim, mas Sakura me pareceu mais surpresa que Tsunade.
- Sakura, você não me disse que o senhor Uchiha iria com você – disse Tsunade, extremamente desconfiada. Olhei para Sakura, implorando mentalmente para que mentisse para a diretora. Ela aparentemente entendeu o recado, pois respondeu:
- Oh, diretora! Mil perdões... Sabe como é... Quando há um choque muito grande na família, a memória fica afetada – e tive que fazer esforço para não rir da desculpa de Sakura. Pelo menos pareceu ter resultado; Tsunade já aparentava menos desconfiança.
- Sei... – disse ela
- Pode ir, senhora. Estamos ótimos! – Sakura insistiu, muito convincente em minha opinião. Mas ainda assim Tsunade me olhou desconfiada. Por fim, acabou se despedindo de nós e subindo os gramados do Konoha, não sem antes me lançar um último olhar desconfiado. Às vezes ela é tão estranha... Por que ficar tão desconfiada? Ela acha o quê? Que vou seqüestrar Sakura ou algo do tipo?
- Ok... O que você está fazendo aqui? – a pergunta de Sakura me fez acordar para a realidade. O que eu estava fazendo ali? Bem...
Fiquei preocupado com você e por isso decidi acompanhá-la. Isso é o que eu deveria ter dito. Mas acabei usando a desculpa covarde que Kakashi me sugeriu:
- Kakashi pediu que eu acompanhasse você. – respondi, feito um idiota. Sou um animal... Por que não falei a verdade, merda? Aff... Pelo visto essa história de ser legal pessoalmente vai ser mais difícil do que imaginei. Ah, e quando voltar da delegacia, vou matar Kakashi. De que lugar ele tirou que o abraço de Sakura era um convite para eu ir com ela ver o pai? A pergunta dela "o que você está fazendo aqui" mostrou exatamente o contrário do que o professor deduzira... Que dia legal.
- Por que ele só manda você me chamar e estar sempre perto de mim? – Sakura quis saber. Parecia meio desconfiada. Meu Buda! Pra quê tanta desconfiança! Eu não vou te seqüestrar, Sakura!
- Pergunte a ele... – acabei respondendo, tentando manter a calma internamente.
- Hum... Vou perguntar... – Sakura respondeu, e quando achei que o assunto tinha acabado, ela repentinamente disse: - Mas... Bem... Obrigada, por ontem...
- Não há de quê... – respondi, satisfeito com a mudança no tom de voz dela.
Segundos depois uma limusine preta estacionou na frente do colégio. Sakura e eu entramos no veículo e sentamos lado a lado no banco de trás. Tive vontade de segurar sua mão e dizer palavras tranqüilizantes, mas é óbvio que não consegui. Sakura não parecia muito à vontade com minha presença e fiquei um pouco triste por isso.
Não. Eu não podia pensar assim. Ela provavelmente deveria estar nervosa porque deveria ser a primeira vez que entraria numa cadeia. Seria a minha também, mas a diferença é que meu pai não estava preso. Então, suspirei fundo e, diante da expressão preocupada no rosto de Sakura e de seus olhos verdes meio apagados, consegui dizer, pelo menos desta vez, algo decente:
- Fique tranqüila... – e então ela me olhou, quase me fazendo perder o fio da meada. Mas consegui completar – Vai dar tudo certo. Seu pai será solto. Ele é inocente.
- Concordo com você, garoto – disse o motorista, lá do banco da frente
- Obrigada, rapazes – Sakura respondeu, a voz embargada. Mas ela me pareceu ligeiramente melhor.
E não pude negar, enquanto o carro avançava pelo asfalto, que foi um progresso.
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A visita ao senhor Haruno foi, mais do que tudo, emocionante. Quando chegamos à delegacia, a senhora Haruno já nos esperava. Ela e Sakura se abraçaram forte e murmuraram coisas umas para a outra que não pude ouvir. Senti, naquele momento, uma imensa falta de minha mãe. Ela costumava me abraçar da mesma forma quando eu estava triste.
A princípio a mãe de Sakura estranhou minha presença ali. Não poderia ter imaginado outra reação dela, pois provavelmente Sakura nunca havia me mencionado para a mãe. Mas apesar disso, a senhora Haruno me reconheceu como o filho do governador Uchiha. É claro... Diante de todo o escândalo que a mídia faz da minha imagem seria impossível não me reconhecer. Sakura disse algo à mãe que a fez me olhar de um jeito diferente. Era um olhar analisador, com orbes tão verdes e expressivos quanto os da filha.
Por um instante fiquei preocupado, mas acho que a senhora Haruno foi com minha cara. Logo quando estávamos entrando na sala de visitas para ver o senhor Haruno, um guarda barrou minha entrada. Mas a mãe de Sakura disse que não teria problema eu entrar. Piscou pra mim e disse ao guarda que eu era um amigo, e ele acabou cedendo. Não sabia muito bem o motivo para a senhora Haruno gostar de mim tão rápido. Talvez ela tenha pensado que eu era um namorado secreto de Sakura ou que simplesmente estava ali para dar apoio...
Mas naquele momento tive que interromper minhas interpretações do pensamento da senhora Haruno para prestar atenção ao encontro de pai e filha. Emocionante, como já disse. Tanto Sakura quanto o senhor Haruno choraram abertamente. A senhora Haruno, que ficou mais afastada, ao meu lado, também se emocionou. Senti-me um intruso ali e fiz menção de me retirar, mas a mãe de Sakura me impediu. Murmurou um "fique" emocionado e não tive outra opção senão obedecer.
Entendi poucas coisas da conversa de Sakura com o pai. Um vidro separava os dois e eles se falavam por um telefone. O senhor Haruno estava vestido com o macacão cinza da Cadeia Municipal de Tóquio, trazia profundas olheiras debaixo dos olhos bondosos, a barba estava por fazer e parecia muito cansado. Mas houve um momento da conversa que chamou minha atenção. Sakura perguntou ao pai qual havia sido sua última lembrança antes de acordar na delegacia. Acabei me sobressaltando e meu movimento não passou despercebido pela senhora Haruno.
Ela pediu para que me aproximasse de onde Sakura e o pai estavam e acabei obedecendo. A curiosidade falou mais alto. Postei-me ao lado de Sakura e passei a prestar total atenção na conversa. O senhor Haruno ficou surpreso, também, por me ver ali, mas não demorou a responder a pergunta da filha.
- Um rapaz de cabelos cinza e óculos? – Sakura repetiu a resposta do pai, para se certificar de que tanto ela quanto eu havíamos entendido corretamente – Tem certeza, papai?
O senhor Haruno fez que sim. Então foi Yakushi que foi trocar os objetos e drogou o pai de Sakura! Ela pediu ao pai que levantasse as mangas do uniforme cinza. Involuntariamente, Sakura e eu olhamos ao mesmo tempo para os braços do senhor Haruno. E vimos, também simultaneamente, no braço direito do bom homem um minúsculo furo circular, bem em cima de uma veia.
Nossa teoria estava certa. Totalmente certa. Kakashi ia ficar satisfeito. O senhor Haruno era comprovadamente inocente.
Sakura estava muito agitada. Despediu-se rapidamente do pai, mas não deixou de ser carinhosa. Após a despedida da senhora Haruno, já estávamos de saída quando o senhor Haruno chamou minha atenção.
- Cuide dela, rapaz – disse ele, através do vidro. Sakura estacou na porta e pude sentir que ela nos observava com atenção. O pedido do senhor Haruno mexeu comigo: tanto ele como a esposa confiavam em mim simplesmente por eu ter acompanhado Sakura. Que bom que não acreditam nas merdas que a mídia fala de mim...
- Pode deixar comigo, senhor – respondi, sério – Eu prometo que nada acontecerá a Sakura – E com um último aceno, saí da sala.
Ele era inocente. O senhor Haruno era inocente. Isso ficava latejando em minha mente. Por que será que muitas pessoas inocentes têm que pagar pelos crimes de outros? Por que a justiça não pode ser feita da maneira certa? Esses questionamentos me encheram de mais forças para cumprir a promessa que fiz ao senhor Haruno. Cuidaria sim de Sakura, como já andava fazendo. Mas agora virara questão de honra tirar o senhor Haruno dali.
Faltava apenas a resposta de Itachi e a visita a meu pai.
Meu pai... Sabem... Por mais que às vezes eu ache que a cadeia é o lugar dele, não sei se suportaria vê-lo nas mesmas condições do senhor Haruno. Afinal, apesar de corrupto ele é um ser humano. E antes de tudo, é meu pai.
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Uma semana depois da visita ao senhor Haruno, Itachi mandou-me a resposta que tanto esperara, como ele havia prometido. Fora uma semana calma demais e um tanto melancólica. Ver Sakura triste acabava com meu dia. Ela estava aérea, mal prestava atenção nas aulas e raramente, muito raramente sorria. Apesar da constatação da inocência do pai, Sakura dizia que não havia como provar isso por enquanto, o que a deixava ainda mais triste.
Como Naruto sugerira, procurei apoiá-la o máximo que pude. Mas não foi fácil. E por incrível que pareça, não foi minha dificuldade com as palavras que me atrapalhou. Foram as amigas de Sakura. Não largaram um segundo do pé dela durante a semana toda, e apesar de estarem fazendo seus papéis de amigas, eu também queria dar meu apoio. Infelizmente, elas dificultaram um pouco as coisas.
Enviei à Sakura aquele e-mail que havia rascunhado na semana anterior. Ela agradeceu ao Shadow por MSN, mas nossas conversar online morriam logo. Ou por falta de assunto ou porque eu tentava prolongá-las o menos possível, para poder consolar Sakura pessoalmente. Em resumo: nem o consolo online nem o pessoal estavam dando muito certo.
Os assaltos às lojas, vale ressaltar, pararam temporariamente. Afinal, o suposto responsável por isso estava preso. Os verdadeiros bandidos não podiam dar na vista desse jeito e voltar a assaltar lojas. Por isso, nossas reuniões no quarto de Kakashi estavam cada vez mais monótonas. Nosso progresso da semana anterior agora não tinha mais sentido e Shikamaru não conseguia pensar em nenhuma ligação entre o Cassino Royal e Yakushi. Saber que foi o falso psicólogo quem drogou o senhor Haruno serviu apenas para aumentar nosso ódio por ele e nada mais. E tanto Yakushi quanto Orochimaru levavam suas vidas normalmente, como se nada estivesse acontecendo.
Naruto tentava desesperadamente nos animar. A brincadeira das toalhas cor-de-rosa, como previ, continuaram e até tiveram graça. Mas só porque Naruto colocou as fotos na internet. Neji quase o matou. A segunda vítima foi Gaara, mas o ruivo nem ligou muito. Só ameaçou Naruto de morte, é claro, e acho que foi por isso que o Uzumaki não colocou as fotos do ruivo na net. Gaara era bem capaz de cumprir suas ameaças.
Shikamaru também passara pela humilhação da toalha rosa. Como estava com preguiça de se esconder ou mesmo bater em Naruto, foi fácil para meu amigo loiro capturar diversos closes do Nara. Por fim, só faltava a minha pessoa cair na brincadeira de Naruto.
Foi por isso que a mensagem de Itachi foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. No sábado, quando abri o e-mail de meu irmão, fiquei muito satisfeito ao ler:
Irmãozinho tolo
Falei com papai, como você me pediu. Ainda está bravo com você, mas aceitou recebê-lo. Depois do meu trabalho árduo, é claro. Conseguimos ter uma conversa decente. Espero sinceramente, Sasuke, que você não desperdice essa oportunidade. Ajude sua namorada da melhor forma possível e não se meta em encrencas.
Papai aceitou recebê-lo domingo, ou seja, amanhã, depois de meio dia.. Tenha juízo e não grite com o velho. Tente pedir desculpas, entendeu? Se você não for mais humilde e paciente, sinto informá-lo que chegará a lugar nenhum. Use o cérebro que herdou de mim.
Ah! E quando Naruto tirar suas fotos de toalha rosa, peça a ele que as mande para mim. Vão fazer sucesso aqui nos EUA! Hehehe...
Aguardo notícias suas. Boa sorte.
Itachi.
Ótimo! Itachi conseguira! Então eu tinha menos de 24 horas para elaborar um discurso convincente e treinar um pedido de desculpas para apresentar a meu pai. Meu irmão é foda. Ele conseguiu convencer o velho... Mesmo me chamando de tolo, peste e outros adjetivos carinhosos, sei que Itachi moveria céus e terras para me ajudar. Foi por isso que mandei um e-mail gigante agradecendo o "trabalho árduo" dele e desejando-lhe sorte do trabalho e na faculdade. Ah, e lhe disse também que se quisesse fotos minhas de toalha rosa, teria que ir ao Japão para tirá-las pessoalmente, pois eu não cairia no trote de Naruto.
Desliguei o note book aliviado. Graças a Itachi poderia falar com meu pai e, na mais otimista das opções, conseguir um habeas corpus para o senhor Haruno. Então, que venham os leões.
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Cheguei à minha casa às uma da tarde. Achei que ficaria nervoso, mas estava incrivelmente tranqüilo. Talvez porque tivesse elaborado um texto muito bom para usar com o velho Fugaku. Chamei um táxi e pedi à Naruto que dissesse a quem perguntasse por mim que meu pai havia me chamado com urgência. Claro que tive que contar ao Uzumaki o verdadeiro motivo da minha visita ao governador, mas acho que Naruto vai saber ficar de boca fechada, já que o assunto envolve Sakura.
Os gigantes portões de minha casa foram abertos após eu me identificar pelo interfone, do lado de fora do jardim. Paguei ao taxista e comecei a atravessar o gramado pelo qual há muito tempo não passava. Nada havia mudado muito desde a última vez que estivera em casa. Aliás, quando fora mesmo a última vez? Ah... Acho que nas férias. Era realmente estranho estar em casa depois de dois meses inteiros fora dela.
Passei pelas portas de carvalho da mansão e fui recebido por uma criada e dois seguranças. A criada eu não conhecia; papai adquirira uma ridícula mania de trocar os criados a cada ano desde que mamãe se fora. Vai entender... Mas os dois brutamontes de preto eu conhecia muito bem. Faziam parte do bando que me fizera aquela simpática visitinha no Konoha. Um deles disse que me acompanharia até o escritório de meu pai.
- Obrigado – falei friamente, tentado controlar a raiva – Mas sei andar pela minha própria casa.
Mesmo assim os brutamontes me seguiram escada acima, em direção ao segundo andar. Acho que não mencionei que minha casa tem três andares e um porão. Não pensem que é para me gabar. Na verdade, acho a casa muito grande e exagerada, mas papai gosta de mostrar como é rico. Talvez seja por isso que não gosto de ficar em casa, apesar de às vezes sentir falta de meu quarto. É o lugar do qual mais gosto do mundo, seguido do jardim do qual mamãe sempre cuidava.
Antes que as lembranças que aquela casa me trazia viessem à memória, apertei o passo e alcancei o escritório de meu pai. As duas antas pretas bípedes se postaram cada uma de um lado meu enquanto eu batia à porta. A voz de meu pai respondeu "entre" do lado de dentro e eu obedeci. Suspirei para renovar a coragem e abri a porta. Os dois seguranças, pra variar, me seguiram.
- Olá, Sasuke – meu pai me cumprimentou, sério, sentado atrás de sua arrumadíssima escrivaninha. Milagrosamente ele abandonara o terno e a gravata e os trocara por suéter e calças jeans. Fazia séculos que não o via tão à vontade. Bom sinal: aparentemente tirara a tarde para falar comigo.
- Oi pai – respondi no mesmo tom sério. Esperei alguns segundos pra ver se os seguranças se tocavam, mas as mulas nem se mexeram. Será que não viam que aquela era uma conversa de pai e filho? – Pai, será que pode pedir para seus... Seguranças... Se retirarem? – pedi, tentando manter a calma
- Certo – meu pai respondeu, ainda sério – Por favor, rapazes, queiram nos dar licença.
- Tem certeza, senhor? – um deles perguntou, me lançando um olhar esquisito, como seu pudesse carregar uma bomba debaixo do meu moletom.
- Ah, pelo amor de Deus! – acabei falando – Acham o quê? Que vou explodir esse lugar? Só quero ter uma conversa civilizada com meu pai! Dá pra sair?
- Saiam – meu pai ordenou e os dois imbecis obedeceram. Assim que as portas se fecharam, esperei alguns segundos para me acalmar e agradeci a meu pai.
- Obrigado.
- Tudo bem. Mas então – ele começou, levantando-se da cadeira e contornando a escrivaninha, ficando de frente para mim – Agora quer ter uma conversa civilizada, certo?
- É – respondi, tendo que manter a calma mais cedo do que poderia imaginar
- Hum... Não vai me acusar de nada? – meu pai perguntou; era evidente que estava me testando. Mas eu não perderia a paciência, como ele queria. Eu resistiria até meu limite. Ou mais. Por Sakura. Apenas por ela.
- Não, hoje não – consegui dizer, calmo – Itachi certamente falou com o senhor, não foi?
- Falou sim – Fugaku respondeu – E confesso que fiquei surpreso. Nosso último encontro não foi lá dos melhores. Intrigante você querer me ver depois daquilo. Certamente precisa de algo. O que é? Dinheiro?
- Não – respondi, me controlando; cara, o velho já estava apelando! – Não é dinheiro. Fique tranqüilo quanto a isso. Mas realmente preciso de algo. Porém, pai, deixe-me colocar os pingos nos "is". Certamente o senhor lembra porque foi chamado na escola daquela vez, certo?
- Lembro.
- Ótimo. E sabe também que Orochimaru te ofendeu pra implicar comigo. Ele me odeia tanto quanto o odeio. E odeia o senhor também.
- Mas ele nem me conhece! – meu pai exclamou, surpreso
- Mas ele conhece o governador Uchiha. Ele tem ódio do senhor, e como é um covarde, descarrega tudo em mim e me humilha na frente dos outros. Naquele dia, isso aconteceu pela milésima vez, como o senhor sabe. Mas o que o senhor não sabe é que reagi para defendê-lo, porque fiquei cansado das implicâncias de Orochimaru. Ele me irrita mais do que tudo no mundo. E mesmo não gostando, às vezes, das suas atitudes como governador, não agüentei ver o professor ofender o senhor e reagi.
Parei de falar momentaneamente para analisar a expressão de meu pai. Parecia intrigado com o que acabara de ouvir. Aparentemente meu discurso estava colando. Se não quisesse tanto seguir na carreira jurídica, acho que eu poderia ser ator. Ok, estou só brincando...
- Se você diz que quis me defender, então porque não me explicou isso no dia que fui vê-lo? – meu pai perguntou, o olhar analisador para qualquer sinal de mentira em minhas reações.
- O senhor deixou? – perguntei, agora sem precisar fingir – Foi logo me intimidando com seus capangas e isso me deixou muito irritado. Foi por isso que o acusei de ter...
- Não precisa repetir – meu pai falou, a expressão ficando repentinamente triste. Olhei-o melhor: estaria fingindo?
- Desculpe – pedi – Pai... O senhor está bem?
- Se estou bem? – meu pai perguntou, transformando-se repentinamente. Do nada abandonou a pose de durão e a expressão séria. Parecia muito cansado e alguns anos mais velho. E o que mais me intrigava era seu olhar triste. Muito triste. O que estava acontecendo? Ele prosseguiu: - Não, Sasuke. Não estou bem. Porque você me machucou profundamente ao me acusar pela morte de sua mãe. Essa é a verdade.
- Mas...
- Deixe-me falar – meu pai pediu e decidi obedecê-lo – Desde aquele dia não consigo trabalhar direito! A bofetada que lhe dei doeu mais em mim do que em você. Acredite! Suas palavras foram como facas afiadas! Como você pode me acusar de algo tão grave? Eu amava sua mãe!
- O senhor a abandonou! – acusei, agora sem me controlar mais. Ele tocara num ponto delicado: a morte de minha mãe – Tinha medo que a doença dela atrapalhasse sua carreira! O senhor...
- Cale a boca! Cale a boca seu idiota! – o governador urrou, vermelho de fúria. Mas seus olhos estavam cheios de lágrimas; jamais imaginei meu pai chorando algum dia – Você acha que não sinto por isso?! Você acha que não me culpo por isso todos os dias?! Acha que não sei que desgracei nossas vidas entrando para a política?!
- Então por que o senhor não saiu? – perguntei, gritando também
- Porque não dá! – meu pai respondeu, finas lágrimas brotando de seus olhos; era uma cena muito estranha de se ver, e não entendi porque meu coração ficou tão apertado de repente – Depois que se tem tanto poder, tão rápido, você só quer mais e mais! Eu me afundei na política e agora não consigo sair dela! Mesmo tendo perdido a mulher mais maravilhosa do mundo, não consigo sair da política...
E meu pai se largou no chão, soluçando. Como um derrotado. Perguntei momentaneamente se aquilo era um sonho. Meu pai estava chorando. E reconhecera seus erros...
- Eu amava sua mãe, Sasuke... E ela se foi, por minha causa. Não fui homem suficiente... E depois, Itachi foi embora também. E você, o único que ficou comigo... Me odeia mais do que tudo...
- Eu... Eu não odeio o senhor... – falei, aproximando-me alguns passos. Porque doía tanto ver meu pai daquele jeito?
- Eu sei que odeia... – disse ele, tristemente, me encarando. E juro que vi naquele olhar o antigo Fugaku – Você nunca foi rebelde, Sasuke. Então entrei para a política, sua mãe e seu irmão se foram e você decidiu revoltar-se. Fiquei perdido. Não tinha ninguém para pedir conselhos... E você não tomava jeito, não agüentava ficar em casa... Tive escolha a não ser te mandar para o Colégio Interno?
- Eu... Eu não sabia que... O senhor se sentia assim...
- Achou que eu não tivesse coração, não é? Acredite filho, os corruptos também amam – e soltou um sorriso triste diante da piada ruim – Eu me preocupo com você, Sasuke. Sinto muito ter deixado a política acabar com nossas vidas. Sinto muito por não ser o pai que você queria que eu fosse. Incrível como a verdade que você jogou em minha cara despertou tudo isso outra vez. Eu não estava mais me reconhecendo... E aí, Itachi me procurou...
- Pai – o interrompi, ajoelhando-me a sua frente – Por que o senhor nunca me disse isso antes? Que se preocupa comigo... Que se culpa pela morte da mamãe...
- Sou um homem fraco, Sasuke... – ele respondeu, com outro sorriso triste. Era mesmo verdade? O velho Fugaku estaria de volta? – Eu estava cego... E fui enxergar da pior maneira... Não que agora eu seja um santo...
- Entendo – e pensei um pouco. O que estava acontecendo afinal? Meu pai estava sendo sincero comigo? Era ele, de verdade? Onde estava a arrogância do governador? Por que não estava sendo como imaginei que seria? Por que estávamos expondo tantos sentimentos? Acusá-lo abertamente da morte de mamãe teria feito o meu pai voltar?
Só havia uma forma de saber.
- Em que está pensando? – ele me perguntou, analisando minha expressão
- Pai... – falei cautelosamente, olhando bem fundo em seus olhos cansados – Pode... Pode... Me dar um abraço?
Era visível que o havia pego desprevenido. Seus olhos se arregalaram e ele me encarou, extremamente confuso. Na verdade, eu também não sabia bem o que pensar. De longe imaginara que meu pai pudesse ter uma reação emocionada diante de minha visita...
- Um abraço? – ele repetiu
- É. Sei que o senhor pode achar estranho, mas...
Mas não pude completar o que tinha a dizer, pois meu pai já me envolvera em seus braços. Ele me apertava forte e beijava incessantemente meus cabelos rebeldes. Depois, afundou minha cabeça em seu peito e me fez um cafuné. Exatamente como quando eu era criança... Exatamente da mesma forma.
Ficamos abraçados por vários minutos. Meu pai sussurrara inúmeros pedidos de desculpas enquanto me fazia carinho. Meu Buda... Era ele mesmo. Ele voltara... Tão inesperadamente... Tão... Tão bom...
- Meu filho... – ele me disse quando nos afastamos. Me encarava e sorria. Não era, porém, o mesmo sorriso de antes. Mas era quase igual – Buda preparou essa reconciliação para nós...
- Fico feliz, pai – falei, sorrindo também. Ainda era muito estranha a idéia de reconciliação com meu pai. Mas era totalmente real. Estava bem diante de meus olhos! Bom, isso facilitaria mais do que nunca o pedido que havia para fazer a ele...
- Certo – disse meu pai, levantando-se de repente e me pondo de pé também – Sei que, apesar de estarmos nos acertando, você não gosta muito disso de reconciliação, abraços e sentimentos exacerbados. E pra falar a verdade... Eu também não. Acho que já foi suficiente por hoje, certo? – ele completou com um meio sorriso. Exatamente como o meu...
- Certo – aliás, mais do que certo. Meu pai e eu realmente não somos muito sentimentais e não fazíamos as pazes do nada. Mas aquilo era, com certeza, o início de uma reconciliação. Quem diria... Quem diria! Naruto vai ficar abismado...
Ainda assim, meu pai me puxou para mais um abraço, ao qual retribuí prontamente. E fiquei emocionado também... Acho que minha esquisitice vem totalmente do senhor Fugaku, não concordam?
- Ok, rapaz... Quer beber algo? – ofereceu meu pai – Afinal, sei que você veio a negócios, e não contava com essa... Esse desabafo.
- Não mesmo – confessei. Meu pai sorriu de novo. Era uma visão muito estranha... – E acho que vou aceitar um refrigerante.
- Certo – meu pai então apertou um botão em sua escrivaninha e pediu a uma criada que trouxesse refrigerante e dois copos com gelo e limão – Sente-se, senhor Uchiha – ele continuou, agora olhando novamente para mim – E me fale do que precisa.
- Bom, pai... Uma amiga minha está com problemas – comecei
- Uma amiga? – meu pai repetiu – Hum... Que tipo de problemas?
- Bem... Na verdade é o pai dela... – e contei a ele o mesmo que havia dito a Itachi. Mas diferente de meu irmão, meu pai tinha plenos conhecimentos do caso do pai de Sakura. Editei algumas partes, obviamente, e ressaltei a inocência do senhor Haruno. Óbvio que meu pai quis saber como eu poderia ter tanta certeza da inocência do banqueiro, e mais óbvio ainda que não respondi. Pedi apenas que respeitasse minha situação e confiasse em mim.
Ele refletiu profundamente por um tempo. Já estava ficando ansioso quando ele finalmente se manifestou:
- Então... Você quer que eu consiga um habeas corpus para esse senhor Haruno. É isso?
- Exatamente. Acha que consegue? – perguntei, esperançoso. Neste momento a criada entrou com o refrigerante e depois de nos servir e sair, repeti a pergunta a meu pai: - Acha que consegue, pai?
- Claro que consigo – ele respondeu calmamente, ignorando minha ansiedade e dando uma pequena golada na bebida recém servida – Mas o que me intriga é o esforço que você está fazendo pelo pai dessa moça. Não pode me contar como sabe da inocência dele e quer mesmo assim que eu mande soltá-lo. Por quê?
- Pai, já falei para o senhor que...
- Sim, Sasuke. Já sei que não vai me dizer por que acha o pai da moça inocente. Mas quero saber de outra coisa. Quero saber o que essa moça tem de tão especial para você se arriscar tanto?
- Pra quê? – merda. Meus sentimentos por Sakura eram tão óbvios assim?
- Porque quero agradecê-la imensamente por ter feito meu filho se apaixonar por ela e trazê-lo de volta para este velho pai.
- Que drama, pai! – reclamei. Meu pai riu.
- Mas e então? – ele continuou – Gosta da moça?
- Que merda! Será que é tão fácil assim perceber que estou apaixonado! Itachi também sacou na hora!
- Ah Sasuke... Pode ser difícil para os outros, mas para nós, que somos sua família, é facilmente perceptível.
- Que dia legal... – revirei os olhos
- E a moça e você namoram? – meu pai quis saber. Já ia dizer que não, mas considerei a pergunta por alguns instantes. Hum... Talvez se eu dissesse que sim seria muito mais fácil motivar meu pai a mandar soltar o senhor Haruno, já que ele ficara tão feliz por me ver apaixonado... Além disso, Itachi havia me aconselhado a mentir, caso necessário.
- Hum... É... Namoramos sim. Mas ninguém na escola sabe. Somos... Muito discretos. – falei, tentando parecer o mais convincente possível.
- Bom saber – meu pai comemorou – Você parece estar tomando jeito então. Nunca fez algo por uma garota antes. É visível que gosta dela de verdade.
- Sim, eu gosto – concordei – Mas então, pai, o senhor vai me ajudar? Vai conseguir o habeas corpus?
- Certamente a oposição vai me atacar severamente por isso... Libertar um homem só porque ele é pai da namorada do meu filho...
- Não é só por isso! – exclamei – O senhor verá que ele é inocente! E ele só será solto para aguardar o julgamento em liberdade. O senhor é o governador, pai. Use seu poder para ajudar as pessoas.
- Agora você reconhece que sou o governador? – meu pai provocou e fechei a cara para ele – Aff... Tudo bem, tudo bem, Sasuke. Vou pedir para soltar o senhor Haruno. Amanhã mesmo falarei com a polícia, mas creio que ele só será solto no fim da semana.
- Está ótimo – falei, levantando-me – Muito obrigado, pai. Estava na hora do senhor fazer algo certo.
- Não me provoque rapaz – ele me alertou, levantando-se também – Só estou fazendo isso porque acredito em você. Bem, agora vou pedir um carro para levar você de volta ao colégio. Certamente quer contar à sua namorada que em breve o pai voltará para casa.
- Na verdade... Prefiro... Fazer uma surpresa.
Meu pai ficou orgulhoso de minha resposta. Mal sabia ele que não pretendia fazer surpresa alguma. Se fosse por mim, Sakura nunca saberia que pedi a meu pai para libertar o dela. Teria que explicar toda nossa reconciliação, e como a idéia era muito nova pra mim, acho que não me sentiria à vontade para revelar isso à Sakura.
O carro que meu pai pedira chegou e embarquei depois de despedir-me do governador com um aperto de mãos. Durante todo o trajeto de volta ao Konoha relembrei cada momento da conversa com meu pai. Eu e ele, em paz? Pfff... Muito estranho... Mas enfim, acontecera e nós dois estávamos felizes por isso. E, além disso, ele mandaria soltar o senhor Haruno. No fim das contas, minha visita acabou trazendo mais benefícios do que eu poderia imaginar.
Agora, mais uma vez ao quadrado, era só esperar...
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Mais uma semana se passou, tão monótona como a anterior. As únicas novidades foram: meu pai já havia falado com a polícia e eles soltariam o senhor Haruno no domingo (o que o poder político não faz...) e Itachi ficou feliz por mim pela quase completa reconciliação com papai. Naruto ficou mesmo abismado com essa paz repentina e eu estava conseguindo ser mais legal com Sakura, talvez porque soubesse que o pai dela seria solto e ela voltaria a ficar feliz. Ah! E eu ainda não havia caído no trote da toalha rosa!
Então, quando dei por mim, já era domingo e eu estava em meu banho matinal frio, refletindo. À uma hora dessas será que o senhor Haruno já teria sido solto? Ah, eu prefiro a água fria, porque ela relaxa os músculos e ajuda a refletir. Cada louco com sua mania. Estava quase terminando meu banho quando notei que o barulho de meus amigos que vinha do quarto cessara de repente. Será que eles foram tomar café sem mim? Naruto me paga. Vive enchendo o saco pra esperá-lo e mais não sei o quê e quando é a vez de me esperar...
Fechei o chuveiro e quando fui pegar minha toalha... Mas que porra! Era uma maldita toalha rosa! Merda! Por isso então eles estavam em silêncio no quarto! Pra me ouvir gritar e Naruto se posicionar na frente da porta do banheiro e me flagrar naquela toalha ridícula. Filho da mãe!
Tive que me esforçar muito para manter a calma e não começar a amaldiçoar Naruto de dentro do banheiro mesmo. Sairia dali calmamente e agarraria o Uzumaki pelo pescoço. Aí ele largaria a maldita máquina fotográfica e eu a partiria em mil pedaços. Plano perfeito. Ele não ia me fazer passar essa vergonha... Não mesmo.
Nem me enxuguei direito e fui logo abrindo a porta do banheiro, pronto para estrangular Naruto. Mas qual não foi a minha surpresa quando vi que o loiro não estava ali! Ah meu Buda! Era Sakura! Ela já sabia da soltura do pai, então! E pior! Ela sabia que meu pai havia mandado soltá-lo, senão não estaria ali! Merda! Ela já deduzira que eu fui falar com o governador... Mas que ótimo... Ela deduz uma coisa dessas e não saca que o Shadow sou eu!
Ela ainda não tinha notado minha presença. Estava de costas para mim e observava atentamente algo em meu criado mudo. Parecia... A foto da minha família.
- O que está olhando? – decidi perguntar, para fazê-la ciente da minha presença. Sakura sobressaltou-se e virou-se para me responder. Mas quando ela abriu a boca para falar, nada conseguiu dizer.
Ela ficou me olhando. Estática. Ah não... Eu tinha esquecido que estava com a porcaria da toalha rosa! Ou melhor: esqueci que estava usando só a porcaria da toalha rosa! Pensei em procurar algo para vestir imediatamente, mas o olhar de Sakura em mim não me deixou me mexer. Ela parecia... Abobada. Mas eu gostei. Era uma situação muito desconfortável, mas gostei. Era o mesmo olhar que ela me lançara uma vez na educação física, só que muito mais... Intenso.
- O que foi? – perguntei de novo, fazendo-a me encarar. Ela estava muito corada e achei a cena linda. Mas imediatamente, Sakura virou o rosto. Resolvi me divertir um pouco antes de ter que encarar as perguntas que a levaram até meu quarto. Abri meu meio sorriso e aguardei sua resposta.
- Bela toalha... – ela respondeu, irônica. Ah, merda. A maldita toalha...
- Ah sim – falei, irritado – o retardado do Naruto roubou minha toalha e colocou essa no lugar. Só faltava eu cair na pegadinha dele. Quando fez isso com os outros garotos, Naruto tirou fotos e publicou na internet. Graças a você eu não tive que pagar esse vexame – e era verdade. No fim das contas fora Sakura quem tirara o peste loiro e os outros caras do quarto.
Escapei por pouco.
- De nada... – ela disse, ainda sem se virar
- Só que você ainda não me disse o que está fazendo aqui – observei, provocando-a
- Ahn... Vista-se e depois conversamos... – Sakura disse. Era visível seu incômodo. Mas eu estava achando engraçado... Bom ver que eu também exerço alguma influência sobre ela. E para comprovar isso, contornei-a e me postei bem na sua frente, fazendo-a me encarar. Seus olhos verdes arregalaram-se de surpresa e eu abri outro meio sorriso.
- Desse jeito eu te incomodo? – perguntei, e ela pensou um pouco.
- Com essa toalha rosa brega sim... – ah merda... Boa saída. Acho que a subestimei de novo – É um conjunto muito estranho. E por favor, não demore. Estou com pressa para ver meu pai – ela completou com um quê de impaciência na voz. E eu não tive opção a não ser obedecer.
Mas me vesti com a maior lerdeza que consegui reunir, apenas para provocá-la. E eu achando que tinha alguma influência... Sakura não para de me surpreender. Mas pelo menos agora ela está feliz. Terminei de arrumar e esperei que Sakura se manifestasse.
- Bom – ela começou, fazendo esforço para se concentrar – tenho uma boa notícia – ela parecia esperar alguma reação minha, mas apenas me sentei em minha cama e permaneci indiferente. Como Sakura viu que eu não reagiria, completou:– meu pai foi solto.
- Uau... Isso é... Ótimo – falei, sem conseguir encará-la nos olhos
- Acha mesmo? – Sakura perguntou
- Claro que sim – respondi, ainda sem encará-la
- Conseguiram um Habeas Corpus pra ele... – ela continuou. Aonde estava querendo chegar?
- Que bom.
- Sabe quem foi?
- Não faço idéia – falei com a maior indiferença que consegui reunir. Então era aí que ela queria chegar. Óbvio, Sasuke.
- Até parece que não! – ela acabou falando; acho que a irritei bastante – Pode me explicar por que SEU PAI mandou soltar o meu?
- Eu... – eu tinha que pensar em alguma desculpa decente, mas então Sakura fez algo inesperado. Aproximou-se de mim, colocou a mão em meu queixo (eu estremeci de leve nessa parte. Mas que porcaria...) e me obrigou a encará-la. Ela estava apelando... Mas eu gostei. De novo.
- Olha nos meus olhos e diz... – ela disse – se você prometeu ao meu pai que ia cuidar de mim, me conte por que seu pai fez isso...
- Eu tenho escolha? – perguntei, aproveitando o momento de maior proximidade que raramente tinha com Sakura. Sorri de novo.
- Não... – ela respondeu, rindo também.
- Bom – suspirei e acabei dizendo o que eu ia dizer a meu pai se não tivéssemos feito as pazes – Apenas disse a ele que minha colega estava com o pai preso, injustamente, e que se ele quisesse fazer ao menos uma coisa certa por mim e honrar minha mãe, ele deveria mandar soltar seu pai.
Entendam que foi uma pequena mentira necessária. Imaginem como seria complicado dizer à Sakura que fiz as pazes com meu pai... Mas, se pensarem bem, no fim de tudo ele realmente mandou soltar o senhor Haruno por mim e para honrar minha mãe, já que ele se considera culpado pelo que aconteceu a ela.
Mas tem um porém nessa desculpa toda. Sei que vacilei quando disse "colega". E pela expressão que Sakura vez quando acabei de falar, ela percebera minha mentira.
- Você mentiu... – ela disse. Merda.
- Como? – perguntei, fazendo-me de confuso
- Na parte em que disse que sou sua colega, você não me olhou nos olhos... – Aff... Teria que contar a verdade.
- Ok! Eu disse a ele que era minha namorada! Satisfeita? - exclamei
- Não... Eu... Por que fez isso? – Lá vinha ela com as perguntas irritantes...
- Porque foi o único modo de convencer meu pai – respondi, tentando minimizar
- Dizendo que tinha uma namorada com o pai preso? – mas que saco, Sakura! Você não pode simplesmente ficar feliz e ir ver seu pai? Por que ela tinha que me irritar?!
- Olha Haruno, seu pai está solto, não está? Por que continua aqui? – perguntei. Fiz uso do sobrenome dela para ver se ela entendia que estava me irritando
- Porque quero saber a verdade... – meu Buda! Que merda de verdade?
- Que verdade? – perguntei, já puto da vida
- Por que você fez isso... Pediu ao seu pai... – ela falou, mas seu tom de voz não era aquele curioso e irritante. Parecia... Preocupado. Ela queria saber, então, por que eu fiz algo por ela? Opa... Agora sim estou ficando interessado.
Involuntariamente lembrei-me da aula de Orochimaru. Aquela, em que cheguei atrasado e Sakura me defendeu do professor cobra. Sakura havia acabado de me perguntar exatamente aquilo que eu perguntara a ela naquela ocasião. "Por que você fez isso?"
- Porque eu não gosto de injustiças – respondi, quase sorrindo, ao fazer uso das mesmas palavras com as quais ela me respondera naquele dia. Sakura pareceu reconhecê-las também, mas logo sua expressão voltou à antiga curiosidade irritante.
- E precisava dizer que somos namorados? – ela insistiu e resolvi apelar para o drama
- Você não entende... – falei, relembrando algumas coisas do meu passado – Toda garota com quem saía... Meu pai queria agradá-la como se ELE fosse o namorado, e não eu. Fazia de tudo pra deixar as garotas felizes e mostrar como o governador é gentil com as mulheres. Acho que fez isso pra tentar redimir o que fez com minha mãe... Por isso menti... Pra ele poder soltar seu pai, porque nós dois sabemos que ele é inocente. Satisfeita? – e encarei-a meio desdenhoso.
Tudo bem que esperava que agora meu pai não fosse agir como fazia antes, mas minha desculpa pareceu satisfazer Sakura.
- Você não me disse que tinha um irmão... – ela comentou, e fiquei surpreso com a brusca mudança de assunto. Sakura então apontou para meu criado mudo, mais especificamente para a foto de minha família. Então ela estivera mesmo observando-a...
- Itachi está nos Estados Unidos há dois anos – respondi, ainda meio surpreso – Desde que papai ganhou as eleições. Ele não gosta de política. Estuda direito em Harvard.
- Uau! Interessante! Seu irmão deve ser muito inteligente... – Sakura comentou, animada
- É... Ele é sim... - concordei
Sakura consultou o relógio.
- Bom Sasuke... Agora tenho que ir, sabe... Curtir a liberdade de meu pai... – ela falou, meio que se desculpando por ter que sair assim. Legal, agora ela ia embora, depois de me irritar profundamente com suas inúmeras perguntas, e nem um obrigado eu recebi.
- Tudo bem – falei, e acho que deixei transparecer minha pequena tristeza
- Sabe – Sakura recomeçou e eu a encarei. Será que ela notou algo em meu tom de voz? – Você pode ser um Uchiha, e seu pai pode mandar em qualquer cadeia do estado, mas se você não tivesse aberto os olhos dele, meu pai não estaria me esperando em casa agora. Seja sempre você mesmo Sasuke... Obrigada.
Bem melhor assim... Então ela estendeu a mão em forma de agradecimento e veio caminhando em minha direção. Mas acabou escorregando no tapete de Naruto e... E caiu no meu colo.
Ficamos próximos, perigosamente próximos. Acabei envolvendo Sakura pela cintura para aparar sua queda e ela enlaçou meu pescoço. Seu olhar atraía o meu e o meu atraía o olhar dela. Não conseguíamos parar de nos encarar. Ela estava tão corada... Tão linda... Era só abaixar a cabeça alguns míseros milímetros e...
Não. Não estava certo. Ela ainda não sabia que eu era Shadow e provavelmente se culparia pela eternidade se me beijasse. Então, com muito esforço afastei meu rosto do dela e Sakura pareceu extremamente agradecida por isso. Mas para minha surpresa, ela voltou a aproximar nossas faces, mas para depositar um beijo em minha bochecha. E assim como no dia em que fomos candelabros, tive uma imensa vontade de virar o rosto para que o beijo dela atingisse outro lugar, mas é claro que não o fiz.
Então Sakura se levantou, foi até a porta e com um último sorriso pra mim (ao qual eu consegui retribuir), saiu do quarto.
Fiquei feito um maluco apaixonado deitado na cama por vários minutos, relembrando aquela proximidade tão boa. Às vezes me odeio por ser tão cavalheiro... Então me lembrei de que precisava agradecer meu pai. Estava com fome, mas o café podia esperar. Disquei o número de casa e aguardei.
E enquanto aguardava pensei que talvez - mas desta vez um talvez quase certo - as coisas pudessem estar melhorando na minha vida, como há muito não melhoravam.
OI GALERA!!!
QUE SAUDADE DE VOCÊS! Dessa vez fiquei muito tempo sem postar neh? Mas sei que vcs vão me perdoar, pq presenteei vocês com um cap CHEIO de cenas extras que a versão da Sakura não tem! E cá entre nós esse cap deus umas 27 páginas no Word, então espero q vcs tenham curtido!
Ah, e eu finalmente estou DE FÉRIAS! Vou poder descansar e atualizar mais rápido! Não é ótimo?! Mas agora tenho uma grande novidade para vocês!
Hanna Uchiha (minha mana) e eu já criamos uma conta no FF com o nome DEBBY E HANNA UCHIHA. Vamos iniciar em breve nossa primeira fic em parceria, chamada MISTERY IN LONDON CITY. Hanna e eu já estamos há um mês pesquisando muchas coisas sobre a Inglaterra, Londres e outras coisas para criar um cenário perfeito e um mistério perfeito.
E onde vocês entram nessa história, além de nos prestigiarem com a leitura da fic? FÁCIL! Essa nova fic precisará de fichas! Sim, sim! FICHAS! Os detalhes da personagem estão especificados no pequeno "regulamento" que em breve estará do FF. É porque Hanna e eu fizemos nossa conta no FF ontem e temos que esperar dois dias úteis até postar o primeiro documento... Aff...
Mas vocês já podem visitar minha página junto com a Hanna e favoritar para saber quando o regulamento das fichas sai. Basta pegar o link da página no meu profile ou no profile da Hanna. Leiam todos os detalhes assim que as fichas estiverem prontas e coloquem suas mentes para funcionar!
Mais uma vez muitíssimo obrigada pela paciência e pelo carinho de vcs!
Bjos e boa semana para todas! E não deixem de conferir a nova fic!
Debby Uchiha
n.n
PS: DENUNCIEM O PLÁGIO!
