Capítulo 10 (Dedicado à ClaraaSousaa)
A escuridão se tornou luz... e realmente estava tudo terminado

Brigas, intrigas, emoção, romance, aventura... Minha vida estava se tornando um filme ou coisa assim?
Isso não saía de minha cabeça.
Nunca tive um ano tão complicado em toda a minha vida. E ele nem havia terminado.
Tudo o que eu estive tentando evitar, que escondi sob a superfície, veio à tona depois que Córmaco me deixou sozinha. Enquanto estive com ele, sendo distraída de tudo o que estava sentindo, tudo estava bem. Mas foi só ele virar as costas e BUM! As emoções explodiram como uma bomba, com força arrasadora. Quando isso aconteceu, eu estava pertíssimo da Sala Precisa, e ela se transformou no que eu precisava.
Era uma réplica perfeita do meu quarto no Brasil. Perfeitinho em cada detalhe. Desde aos pôsteres na parede ao abajur em forma de dado que deixava o quarto numa luz azul. Minha cama, também forrada de azul. Um lugar familiar. Acolhedor. Encolhi-me na cama, os olhos no pôster de Tom Felton vestido de Draco Malfoy em O Enigma do Príncipe. Deixei que toda a dor e ressentimento se apoderassem de mim, e sofri, não mais em silêncio. Minha mente reproduzia todos os acontecimentos como se fosse um filme.

(...)
— Bela pulseira — comentou.
Eu sorri.
— É, sim. Foi meu presente favorito. É uma pena que eu não possa agradecer à pessoa que me deu.
— E por que não?
— Eu não sei quem me deu. Não vi quem o mandou, ou a coruja e nem ninguém. Quem quer que seja, foi muito cuidadoso. Nenhum dos Weasley viu o presente chegar. Tão misterioso...
— O que você diria a essa pessoa? — Draco quis saber.
— Hm... Acho que eu abraçaria, beijaria e agradeceria mil vezes, em primeiro lugar. Depois diria que tem um ótimo gosto para presentes. E é claro que perguntaria se cada pingente tem um significado.
(...)

Como eu sentia falta de quando minha preocupação era por conta de um presenteador misterioso! Ah, e eu nem fazia ideia do quanto minha vida ficaria complicada... Creio que se eu soubesse, nunca teria vindo para este mundo, para começo de conversa.

(...)
— O que tem a pulseira?
— Fui eu quem te dei.

— Ah, explica logo esses significados — ordenei.
— Estão faltando os mil agradecimentos, abraços e beijos. Eu não esqueci.
Arqueei a sobrancelha.
— Explique-se.
Ele fez aquela cara de "nossa!" e então pegou meu pulso com carinho, girando a pulseira.
— Quando eu a comprei, escolhi os pingentes, justamente para terem significados específicos... — Ele riu, como se aquela fosse a coisa mais tola que fizera em sua vida. — A estrela... Okay, isso é muito piegas, mas é porque você é a estrela que ilumina as minhas noites. Sem você... eu estaria perdido.

— Esse rostinho feminino... Basicamente, é pelo fato de eu só enxergar você. Que piegas, por Merlim!

— Okay, okay. — Ele pegou a chave e o coração. — Só você tem a chave para abrir meu coração.
Eu sorri.
— E esse cristal... Ele tem várias faces, assim como você. Sinto que, às vezes, você finge ser mais forte do que realmente é ao querer assumir os meus problemas, mas não importa o quanto você se esconda... Eu sempre posso ver através de ti.
Momentos perfeitos como aquele não duram para sempre... infelizmente.

(...)

As lágrimas corriam livremente. Eu me sentia mal por estar chorando por uma pessoa como Draco... Eu não conseguia parar de pensar nas maldades que ele fez para mim, em tudo de ruim... Quando eu pensava nele, era só a maldade que eu via. A covardia. Aquele era um momento em que eu estava extravasando meus sentimentos, coisa que eu não fazia na frente dos outros. Sabia que era importante ter aquele momento, isolada de tudo e todos, remoendo as dores e perdas que não me deixavam seguir em frente. Para me reerguer, eu tinha a consciência de que eu precisava passar por aquilo.
Minha mão foi em meu pulso, onde a pulseira costumava ficar, sem que eu me desse conta disso. Era um forte hábito meu tocar naquela pulseira de tempos em tempos, só que há muito guardei a dita cuja dentro de uma caixa no fundo do meu malão. Não havia sentido em continuar a usá-la... não mesmo.
No meio de toda infelicidade ainda consegui reunir ironia para pensar que queria que Katy Perry estivesse certa, e que após o furacão, realmente viesse o arco-íris.
Meu mundo não se resumia só ao Draco. Olhando para o pôster do Harry (ou melhor, Daniel Radcliffe vestido de Harry Potter), várias lembranças me ocorreram. A primeira foi referente ao dito pôster, que minha mãe trouxera para mim. Lembrei-me dos gritos que eu dei, porque além do pôster, ela tinha comprado o uniforme da Grifinória para mim, porque eu disse a ela que queria ir ao cinema caracterizada. Lembrei-me do jeito como ela sempre sabia o que se passava comigo, como se eu fosse um livro aberto. Lembrei-me do meu pai brincando comigo, naquele mesmo quarto, quando eu era criança. Abracei uma das pelúcias sobre a cama e tornei ao chorar com as lembranças que até aquele bichinho de pelúcia trazia.
Eu passava por uma fase extremamente difícil, mas eu sabia que um dia teria fim. Eu precisava ter muita paciência até lá... mas, sem dúvidas, num dado momento, tudo tem um fim.

-x-

Cheguei atrasada na reunião da AD daquela noite. Eu arfava por ter corrido, e minha testa estava suada. Alguns lugares latejavam em minha barriga.
— Desculpem meu atraso – disse, numa voz entrecortada. – Estão todos prontos para treinar? Motivados?
Os murmúrios de concordância foram preenchendo o ar.
— Estive pensando em aprender o feitiço do patrono... Harry ensinou a vocês, eu sei... mas acontece que eu não sei executar. – Eu sorri.
— E-eu sei – disse Neville, receoso. – Acho... acho que posso ajudar.
— Magnífico! – eu disse, meu sorriso ainda mais amplo. – Acho que vendo como se faz, talvez eu consiga.
Neville ficou um pouco nervoso e se atrapalhou por duas vezes, mas logo conseguiu me mostrar o patrono, e não foi o único. Luna, Gina, Simas... cada um deles foi executando seus patronos, e eu vi que a "teoria" era simples. Meu problema era com a lembrança feliz que deveria me preencher no momento de executar o feitiço. Revirei minhas memórias, procurando por lembranças fortes e felizes, mas tudo o que era de alegre me lembrava meus pais, e lembrar-me deles trazia à tona o dia em que os perdi, e logo a felicidade sumia... Contudo, peguei uma lembrança feliz, e me prendi nela. Não, pensei, não vou deixar que todas as minhas lembranças boas se percam. Preciso ser forte. Draco e eu... Era nisso que eu pensava. Revivi nossos melhores momentos juntos. Por fim, envolta pelos patronos de meus colegas correndo pelo lugar, fechei os olhos e me concentrei. Respirando fundo, apertando a varinha com força, murmurei:
Expecto patronum. – E uma tigresa prateada e graciosa irrompeu pela ponta de minha varinha. Começou a andar devagar, ameaçadoramente graciosa, e todos olharam para ela. Após um instante de silêncio, ouvi risinhos.
— Então... tigresa, ahn? – disse Amelia (pois é, Lia havia se juntado aos rebeldes com causa). Seu tom de voz beirava o riso e tinha sugestão de malícia.
— Hm... é – murmurei, distraída, ainda surpresa com minha maestria ao conjurar meu patrono.
— Hmmmmm... – sacaneou ela. – Então, tá, desculpa aí se você é muito... RAAWWR. – Lia fazendo garra mais rosnado mais cara de safada é igual à vergonha alheia. Só depois que todo mundo estava rindo foi que eu entendi.
— EI! – Corei instantaneamente. – Idiota!
Que vergonha alheia que nada! Eu era o motivo de chacota ali.
Deu trabalho pra colocar todos em foco novamente – aparentemente, rir e fazer piadinhas sobre mim e meu patrono era engraçado demais, e muito mais interessante que uma aulinha de DCAT¹. Eu estava super sem graça. Tipo, qual é, que culpa eu tenho do meu patrono...? Era muita maldade comigo.
Nem quero imaginar o que seria de mim se eles soubessem que Draco foi meu pensamento mais forte. Nem via a ironia ali.
— Se vocês calarem a boca, eu posso compartilhar com vocês – eu disse, mais para desviar a atenção deles do meu patrono que qualquer outra coisas.
— O quê? – perguntou Gina.
Dei um sorrisinho maldoso.
— O que vocês acham de um pouco de... ação, para variar?

-x-

Gina, Neville e eu mantínhamos contato visual constante. Era nosso melhor meio de comunicação. Ambos envolvíamos cuidadosamente nossas capas pretas por cima das roupas. Era hora do jantar, e eu só aguardava pelo sinal de Simas.
A carta de Fred pesava meia tonelada no bolso detrás da minha veste, me implorando em diversas linhas para não fazer o que eu já estava fazendo. Ela tinha vindo junto com minhas compras de logros de sua loja. Foi trabalhoso convencê-lo a me vender tudo o que tinha vendido, mas eu consegui.
Neville suava em bicas. Estava nervosíssimo. Eu sentia um frio na barriga – adrenalina. Quase como se estivesse numa montanha russa. Eu temia pelos meus amigos, e mais nada. Mas aquilo precisava acontecer... eu só esperava que estar no meio disso não piorasse a situação.
Eu sei o futuro de todos aqui, mas quando eu estou junto... se eu mudo algo, o final pode ser desastroso. Eu não deveria me meter, mas a irresponsabilidade me atraía fortemente.
Amelia ia ficar de fora, porque eu pedi. Por questões óbvias, eu não queria sonserinos no meio dessa batalha. Tá, eu não conto. Sou grifinoriana e ponto final.
Deslizei com sutileza para fora da mesa. Simas caminhava pela entrada do Salão Principal – o sinal que esperávamos.
Um minuto depois, ouvimos a explosão. Um grande BUM que fez as paredes do castelo vibrarem. E logo o salão ecoava gritos e mais gritos – só eu, Gina, Neville e outros da Ordem não nos assustamos.
Nós quatro (eu, Gina, Neville e Luna) nos juntamos no meio do Salão. Luna levantou a varinha para a parede leste, Gina para Oeste e eu para a detrás da mesa dos professores e começamos a gravar alguns dizeres. Gina e Luna escreviam repetidamente "Armada de Dumbledore" e eu fui além. Desenhei o emblema da escola, mas apertei um pouco Sonserina e Grifinória para caber um novo espaço, preenchido com um cervo. As cores eram vermelho bem escuro, que diferia bastante do vermelho da Grifinória, e prata. Uma obra de arte. Abaixo, os nomes das Casas... Gryffindor, Slytherin, Ravenclaw, Hufflepuff... e Potter.
Oh... eu teria sério problemas mais tarde por isso.
Circundando minha obra de arte, escrevi diversos xingamentos aos Carrow e Severus. E, juntos, corremos dali, passando por milhares de fogos de artifício explodindo em multicores por todos os lados, e mais umas coisas engraçadas que se espalhavam pelo chão. Tiramos as capas e corremos com nossos uniformes modificados para aderir ao emblema da casa "Potter" e suas cores.
Estava chegando a peça final. Separei-me dos três nas escadas – eles foram furtar a espada de Gryffindor, e eu tinha uns planos mais... interessantes.
O combinado era de um grupo da AD atrair Severus para um lado e os Carrow para outro. Era para eu ir com eles até a sala do Severus, mas eu os convenci que pregar uma peça nos irmãos valeria mais à pena, e eles concordaram. Isso me dava certeza de que tudo ocorreria com o escrito no livro, e eu ainda sairia com o bônus de humilhar aquela dupla odiosa.
Acompanhei de perto enquanto eles corriam atrás dos meus amigos. Usei neles o feitiço das pernas presas e eles caíram lindamente, esparramados de cara no chão. Eu ri da cena, porque realmente foi engraçado, e logo em seguida usei o levicorpus para deixá-los flutuando no ar, como se estivessem presos pelo calcanhar. Duas vezes mais engraçado. Conjurei duas camisas com "I LOVE HARRY POTTER" (ou melhor, "I – coração – Harry Potter") que eu tinha em meu malão e os fiz vestirem. Eu queria pegar pesado, mas confesso que fiquei com medo da reação de Severus; ele dava um duro danado tentando me proteger, e eu não cooperava. Foi isso o que me fez parar por ali.
Eu desejei ter uma câmera. Sério. Estava linda a cena.
Ainda rindo, dei as costas à eles, e me deparei com Severus arfando, furioso como eu nunca havia visto.
— Você está com sérios problemas, senhorita – rosnou, fazendo meu sorriso esmaecer.