Gostaria de avisar que mudei a data de postagem da Without You para domingo - e não mais sábados, como de costume.

Apesar de eu estar postando só agora...

Eu gostei desse capítulo. Espero que gostem também.

Amy estava terminando de passar batom, sentada na cadeira em frente a sua penteadeira, quando alguém bateu na porta.

_ Quem é? – disse a garota.

_ Sou eu, Ian – o coração de Amy parou de bater por um breve segundo de nervosismo.

_ Eu... entre, Ian – Ela se levantou para recebê-lo apropriadamente em frente à porta.

_ Uau... Amy... você está... está... magnífica – disse Ian, embasbacado ao olhar Amy de cima a baixo. Ela usava um vestido verde longo que ia até os seus pés e sapatos de salto alto da mesma cor. Seu cabelo castanho-avermelhado estava por cima do ombro, todo de um lado. Sua maquiagem era leve, apenas os lábios vermelhos se destacavam. Parecia que todo o seu visual fora feito para combinar com seus olhos e seu cabelo. Ela não poderia estar mais linda.

_ Obrigada, Ian – ela deu um sorriso nervoso. – Você também está muito lindo, como sempre.

Ian usava um terno Armani, totalmente preto, apenas a blusa e a gravata eram roxos. Seu cabelo, seu rosto e seus sapatos estavam em perfeito estado. Como sempre.

_ Obrigado. Fico muito feliz em tê-la convidada para o baile de hoje à noite – e estendeu sua mão para Amy, que a pegou e se deixou levar pelo cavalheiro que lhe conduzia para o salão.

Essa noite tem tudo para ser perfeita, a garota pensou, mas...

_ Ian?

_ Sim?

_ E se o plano der errado? E se eu estragar tudo? – ela mordeu o lábio inferior. Por um mero segundo, percebeu que não estava gaguejando. – Eu temo que levem o Dan...

_ Não há motivos para se preocupar. Repassamos o plano um milhão de vezes. Tudo vai dar certo, Amy. Eu prometo – ele se virou para segurar o rosto dela enquanto falava. Ela assentiu, relutante.

_ Certo... é bobagem, eu sei...

_ Não é bobagem. Eu entendo como está preocupada com seu irmão. Eu ficaria do mesmo jeito se fosse com Natalie. Falando nela...

_ ... será que já desceram? – Amy completou, sorrindo travessamente.


Natalie andava pelo corredor até o quarto de Daniel furiosamente. Seria possível que o garoto não tivesse um pouco de bom-senso ou até mesmo educação para buscá-la, mesmo estando há 2 andares abaixo dela?

Pela sétima vez durante a caminhada, Natalie checou sua roupa para ver se estava em perfeito estado. Usava um vestido preto tomara que caia com alguns babados e armação, que ia até o seu joelho. Seus par de sapatos de salto-alto também eram pretos. Usava uma sombra prateada e delineador, com um pouco de gloss nos lábios.

Deslumbrante, Natalie pensou, magnífica. Impecável. Perfeita. Como sempre fui... ou tive que ser.

Ela rapidamente balançou a cabeça para se livrar de outros pensamentos que pudessem atrapalhar sua missão de hoje à noite. Sim, ela estava em uma missão, e não era se divertir com um garoto em que ela detestava admitir que podia ter uma pequena, não tão grande, quase imperceptível, minúscula quedinha. Ou qualquer outro nome que os americanos estúpidos chamassem.

De qualquer forma, Natalie checava seu celular a cada minuto do dia para ver se não havia perdido nenhuma mensagem do Vesper 1, que, regularmente, mandava avisos pra ela. Ele (ou ela, como Ian insistia em corrigir, de sua maneira irritante) atacaria no baile, e Natalie estava pronta. Ela só esperava que o resto do pessoal também estivesse.

Dan não sabia. Não fazia ideia do que aconteceria hoje. Amy achou melhor não contá-lo coisa alguma para, assim, não ficar preocupado e surtar. Mas ela parecia nervosa demais ao falar. Natalie tinha certeza que Daniel já sabia. Estupidez.

O garoto já havia aberto a porta antes mesmo de Natalie ter chance de bater.

_ Ah! Natalie, que susto que você me deu...

_ Por quê? Estou tão feia assim?

_ Não! – disse ele, apressadamente. – Você está maravilhosa! Muito bonita mesmo. O que eu quis dizer é que você apareceu do nada na porta, e...

_ Tá. Obrigada, mesmo assim. Você não está nada mal, também, Daniel Cahill. – Ele vestia um terno preto e, por baixo, uma blusa branca com uma gravata rosa claro. Natalie adorou vê-lo vestido assim.

_ Ahn, obrigado, eu acho. Mas é muito desconfortável – ele se remexeu inquieto. – Enfim, vamos?

Ele estendeu seu braço e Natalie entrelaçou-se com ele. – Vamos – disse ela, radiante de confiança.


A decoração está incrível, Dan pensou, a gente fez um bom trabalho mesmo.

Natalie, ao seu lado, sorria sem parar. Dan ficou entusiasmado e muito feliz ao ver que Natalie estava gostando de sua companhia. Ou a garota simplesmente se mascarou, como sempre vem fazendo ao longo dos anos.

Ele viu Amy e Ian juntos conversando com Sinead e Hamilton e Nellie e Theo. Sua irmã estava muito bonita, ele admitia.

O salão estava cheio de parentes Cahill do mundo todo. Parecia aquelas festas onde você pode provar um prato de comida de cada país.

_ Então, - ele disse, para quebrar o silêncio desconfortável entre ele e Natalie. – Quer... dançar comigo?

_ Dançar com você?

_ É, se não se importar, é claro! Ou se talvez tiver outra coisa para fazer, hm... você decide.

_ Dan?

_ Sim?

_ Cale a boca e me leve para a pista de dança.

Dan sorriu e pegou na mão de Natalie, a conduzindo para o centro da pista de dança. Ele nunca fora muito bom em dançar música lenta, mas não era um total inútil. Colocou as mãos na cintura dela enquanto Natalie apoiava suas mãos delicadamente nos ombros de Dan. E assim dançaram por um longo tempo, em silêncio.

Até Natalie quebrá-lo, como de costume.

_ Sabe, - começou – obrigada por essa noite, Dan. De verdade. Eu estou me sentindo melhor só de estar aqui.

Dan foi pego de surpresa. Natalie nunca era gentil com ele. Ela também deveria ter tomado um remédio muito forte para chamá-lo de Dan, porque só assim...

Ou talvez ela só estivesse nervosa.

É, certo. Nervosa do quê? Ou ainda, de quem?

_ Eu também – Dan concordou, o que era verdade. Natalie sempre fora um desafio para ele e agora os dois estavam aproveitando um momento normal, juntos, em um baile, onde eles não queriam se matar, ou alguém matar eles.

E eles ficaram ali, dançando no ritmo da música. Até o teto desabar sobre eles.