Nota do capítulo: Hei, nem acredito, três capítulos em menos de dez dias! É o incentivo dos leitorinhos, tenho certeza. Recebi reviews bem bacanas pelos dois últimos capítulos e me senti motivada. Tanto que este tem até umas pagininhas à mais. É o mais longo até agora, se bem me lembro. Espero que gostem. Sigo no ritmo "devagar e sempre", com pequenas revelações. E sigo também sem saber como vai terminar, contrariando rumores... Talvez no próximo, se vocês se comportarem direitinho e continuarem me mimando, eu dê a todos um presente... surpresa. Mas tenho que receber reviews para isso... (chantagista mode on de volta!).
Enfim, leiam com carinho e deixem sugestões.
CAPÍTULO DEZ
Sentir o perfume de Lisa tão próximo enquanto ela praticamente o acariciava com a camiseta para limpá-lo estava deixando Dean entorpecido. Ele a encarava com os olhos verdes brilhantes de um jeito quase deslumbrado até que ela percebeu que estava sendo atentamente observada.
- Que foi, Dean? – perguntou, como uma professora para um pequeno aluno prestes a aprontar alguma.
- Nada. Só apreciando a visão – respondeu com o sorriso de cantinho que era sua masca registrada quando flertava com uma linda mulher.
- Então se comporte, pois temos muito trabalho a fazer. A começar por vestir uma camiseta limpa.
- Eu estou me comportando... – foi interrompido quando sua cabeça foi envolvida por uma camiseta limpa.
- Braço esquerdo primeiro... isso. Agora o direito. Pronto.
Dean continuou a encará-la.
- Vamos começar os exercícios, mocinho?
- Está bem... – resignou-se o loiro. Mas no fundo sabia que ela também se sentia atraída por ele. "O tratamento é longo, eu vou ter nova chance", planejou.
~~~D&S~~~
Enquanto isso, um Sam transtornado pelo ciúme e por um segredo que o faziam sofrer saía do hospital sem rumo certo. Não podia ir para casa, pois certamente a mãe o cobriria de perguntas sobre os motivos de ter voltado tão cedo e, se percebesse sua cara de choro – o que certamente aconteceria -, também sobre os motivos de ter chorado.
Não tinha trabalho para onde ir, pois o prédio onde o Fórum iria funcionar temporariamente ainda não estava preparado. Resolveu ir até a lanchonete onde havia encontrado Dean num dos primeiros dias de seu estágio, quando estava cheio de receios, crente que não iria dar conta de tanta pressão e foi consolado pelo mais velho. Escolheu uma mesa no interior, bem ao fundo, pois queria mesmo ficar incógnito. Por Lawrence ser pequena, muitas pessoas sabiam que ele era o irmão do bombeiro-herói que estava no hospital.
Pediu um café e ficou encarando a xícara por um bom tempo. Até que sentiu alguém cutucar seu ombro de leve. Resignado virou-se e deu de cara com Chris Kane.
- Hei, Sam! Que cara é essa, irmão? O Dean está bem?
- Oi, Chris. O Dean está bem, se recuperando lentamente. O médico disse que ele não terá sequelas e que deve voltar a trabalhar em alguns meses, depois da fisioterapia.
- Então por que está tão cabisbaixo aí no canto? – insistiu Chris, já sentando em frente ao moreno, sem ao menos pedir licença.
- Não é nada, Chris, só cansaço.
- Sam... Nós praticamente crescemos juntos, eu te conheço quase tão bem quanto o Dean. Tem alguma coisa te incomodando.
O rapaz encarou os olhos azuis do amigo. Havia preocupação sincera naquele olhar. Então ele resolveu desabafar uma parte dos seus tormentos, apenas para satisfazer o amigo.
- Eu me sinto tão culpado pelo que aconteceu ao Dean, Chris... Se eu não tivesse vindo para Lawrence para esse estágio ele não teria voltado ao prédio, não teria sido soterrado pelos escombros, não estaria...
- Hei, hei, hei, espera aí – interrompeu Chris, sinalizando com a mão para cima. - Não foi sua culpa o prédio ter desabado. E se esse era o destino do Dean teria acontecido de um jeito ou de outro. Você não pode ficar aí se corroendo em culpa.
- É fácil falar, Chris.
- Eu sei, mas o que posso te dizer é que o Dean escolheu por profissão algo que põe a vida dele em risco todos os santos dias. Então, desencana. E agradeça a Deus por ele estar bem e se recuperando.
- Você tem razão. Por falar nisso, quando você e Steve vão visitá-lo? Ele pergunta sempre por vocês.
- Ele já pode receber visitas?
- Claro. E vai ficar feliz em ver os colegas que o salvaram.
- Vou avisar o Steve. Vamos na nossa folga lá dar um abraço no Deano. Agora tenho que ir trabalhar. Um abraço, cara. Vê se pára de se preocupar.
- Pode deixar, Chris. Obrigado.
O rapaz ficou observando o amigo ir até o balcão, pedir um café para viagem e sair. Ao mesmo tempo imaginava o que ele diria se soubesse que Sam estava apaixonado pelo próprio irmão. Chris, Steve, todos os amigos, a família... Talvez devesse deixar que Dean seguisse seu rumo, com seu jeito mulherengo de ser. Era mesmo o caminho mais seguro, embora o mais sofrido para o caçula dos irmãos.
~~~D&S~~~
No fim da tarde, já de certa forma recuperado, Sam voltou ao hospital, onde encontrou Dean jantando sem auxílio.
- Hei, precisa de ajuda, irmão?
- Hei, Sammy. Estava mesmo estranhando sua ausência.
- Eu estive aqui hoje cedo, mas você estava em terapia e eu não quis atrapalhar.
- Imagina, Sam. Você nunca atrapalha.
- Então, quer ajuda ou não?
- Se você não se importar em cortar o bife... o resto eu já consigo sozinho.
- Nossos pais vieram hoje?
- Sim. A mãe passou a tarde inteira comigo. Quase não escapo de ganhar banho dela – disse Dean aos risos. – O pai veio rapidinho e prometeu voltar depois. E você, fez o que o dia todo?
- Encontrei o Chris no café. Ele e Steve virão na folga te visitar.
- Cara, estou com saudades desses malucos... – observou o bombeiro, baixando o olhar.
- Hei, não fique triste. Logo vocês vão estar aprontando todas juntos – consolou Sam.
- Não sei, Sam...
- Claro que vai, Dean. Eu tenho certeza – insistiu Sam.
- Sam?
- Que foi, Dean?
- O que há com você?
- Nada, Dean. Que pergunta é essa agora?
- Eu... err... eu sinto como se você estivesse evitando vir aqui... Sam... seja sincero... por favor... Eu sei que disse que respeito sua decisão de não me contar tudo, que você é adulto e tal, mas isso está me incomodando demais para deixar passar.
O rapaz deu um longo suspiro enquanto seu olhar percorria o quarto, como se estivesse procurando uma resposta na qual o irmão acreditasse.
- Dean... é que eu... – "eu te amo e não aguento te ver com essa tal Lisa", era o que queria dizer. Mas sabia que não poderia. E não conseguia encontrar nada plausível para dizer. Depois de um longo silêncio entre os dois, Dean resolveu desistir.
- Tudo bem, Sammy. Nós já conversamos sobre isso. Não vou mais perguntar, prometo.
Dean voltou sua atenção à comida, embora não tivesse mais nenhum apetite. Sam estava estranho demais, frio demais, arisco demais. Com certeza escondia algo e isso estava corroendo o mais velho por dentro, apesar dele fazer de tudo para não transparecer. O loiro estava cansado, da fisioterapia, do esforço extra que precisava dispor para as coisas simples, de ficar preso em um quarto de hospital, de tudo enfim. Mas principalmente de tentar ler nas entrelinhas o que seu irmão escondia.
~~~D&S~~~
Dois meses haviam se passado desde a chegada de Sam a Lawrence. Mais trinta dias e teria de voltar a Stanford. O jovem não sabia determinar se esse período seria longo ou curto. Longo por ter que passá-lo escondendo seus sentimentos de todos, inclusive de Dean; curto porque era pouco para ficar ao lado do irmão que ainda se recuperava no hospital.
O moreno estava deitado em sua cama tentando prolongar o inevitável: levantar para ir ao trabalho. Era o primeiro dia de estágio desde o incêndio. Estava sendo difícil ter de voltar, embora fosse um prédio diferente, pois o simples fato de estar envolvido com a rotina de estagiário já o remetia a lembranças do pior dia de sua vida. Até que ele resignou-se e saiu da cama.
A manhã passou rápida e foi menos traumática do que esperava. As pessoas evitavam falar a respeito do incêndio, até porque todas haviam perdido colegas e sofriam com as lembranças, assim como Sam, embora ele se sentisse especialmente aliviado pelo silêncio. No intervalo para o almoço optou por ir para casa e deixar para visitar Dean no final do dia, pois seria também uma forma de evitar encontrar a tal Lisa.
- Hei, filho, que bom que você veio almoçar em casa – disse Mary, acariciando o rosto do caçula. – Como foi o trabalho?
- Bem, até. O que eu temia não aconteceu. Ninguém comentou a respeito do incêndio, foi meio que como se nada tivesse acontecido. Mas ao mesmo tempo é estranho, porque parece que estamos esquecendo aqueles que morreram na tragédia...
- Filho, isso não é desrespeito. É uma forma de evitar a dor, só isso. O que mais?
- O que mais o quê?
- Há dias estou para te perguntar o que está te incomodando. Não é ainda aquela história de culpa, certo? Já falamos a respeito e sei que até mesmo o Dean já conversou com você sobre isso...
- Não é nada... quer dizer, estou preocupado com ele, mas isso é normal, né?
- Sam... sou sua mãe. Você pode ser sincero sem medo. Jamais vou te julgar ou condenar por nada. Vou te amar sempre, meu filho...
O olhar que Mary lançou a Sam tinha compaixão e carinho. E ao mesmo tempo fazia com que ele sentisse como se ela lesse seus pensamentos, especialmente quando disse que não o julgaria ou condenaria...
- Por que a senhora está dizendo isso? – perguntou, mal conseguindo esconder o quão assustado estava com o interrogatório.
- Eu percebi que você está mais cabisbaixo desde que o Dean começou a terapia com a Lisa. E eu vi você sair do hospital chorando depois de tê-los visto juntos numa manhã destas. Sam...
O rapaz olhou para a mãe ainda mais espantado. Não havia como esconder nada dela mesmo. E ele tinha que admitir que havia sido descuidado. Agora teria que arcar com as consequências.
- Mãe... – começou Sam, lágrimas já escorrendo de seus olhos. – O Dean... eu...
Ele não conseguiu completar a frase. Caiu em um choro compulsivo e foi amparado pela mãe.
- Você o ama, não é, meu filho? Mais do que como um irmão...
- Eu sou uma aberração, mãe... não posso amar meu próprio irmão deste jeito.
- Filho, preste atenção no que vou te dizer. Amar o Dean, independente da forma que for, não faz de você uma aberração. Mas você precisa estar ciente de que este amor, por mais bonito que seja, na nossa sociedade não poderá se concretizar.
- Eu sei... mãe, eu me sinto tão sujo...
- Não, meu querido. Amar não faz de você uma pessoa suja, impura ou imperfeita. Amor é sempre um sentimento bonito. Infelizmente na nossa realidade você vai precisar guardar esse amor em segredo, mas saiba que eu estarei ao seu lado para te apoiar, te ajudar a enfrentar essa situação. Você não está sozinho.
- E o papai?
- Ele nem sequer suspeita e, se depender de mim, vai continuar assim. Sabe que ele é bem mais rígido e antiquado que eu nesses assuntos...
- Mas, como eu faço para esquecer esse sentimento?
- Não esquece, filho. Só o deixa guardado. Pelo bem de todos, inclusive o de Dean...
- Mãe, obrigado por ser tão compreensiva... você é maravilhosa – agradeceu o jovem, abraçando Mary com força.
- Você é meu filho. Quero que você seja feliz. E farei o possível para ajudá-lo com isso.
Sam saiu desta conversa aliviado, como se houvesse se livrado de um fardo, pois agora sabia que não guardava mais seu segredo sozinho. Contava com o apoio da mãe que não o recriminou por seus sentimentos. Pelo contrário! Havia compreendido e, de certa forma, ficado ao seu lado. Mas, mesmo assim, estava triste por não poder pôr em prática o amor que sentia.
~~~D&S~~~
No fim da tarde, como o planejado, foi até o hospital visitar Dean. Chegou na ala em que o irmão estava internado e foi alertado por uma das enfermeiras de que ele estava na sala de fisioterapia.
- Você precisava vê-lo, tão feliz por sair um pouco do quarto! – comentou a senhora.
Sam agradeceu a informação e resignou-se em ir até a sala, ciente de que encontraria Lisa também. Mas ao chegar e ver o irmão apoiado em duas barras dando os primeiros passos apesar de uma das pernas continuar engessada, a felicidade que sentiu superou o ciúme.
- Dean!
- Hei, Sammy! Olha só, estou andando – respondeu o loiro, ofegante e com um sorriso nos lábios.
- É, sim, mocinho, mas vamos devagar para não sobrecarregar os músculos dos braços – alertou a fisioterapeuta. - A intenção é fortificá-los para que você possa usar muletas, não causar uma nova lesão.
Sam não conseguiu esconder o entusiasmo. A alegria era grande, mas ele teve que admitir que Lisa tinha razão.
- Ouça o que diz sua fisioterapeuta, Dean. Nada de colocar a carroça na frente dos bois.
- Ah, Sammy... não joga água fria, cara... você deveria ficar do meu lado.
- Dean, você mal consegue respirar. Precisa descansar um pouco – alertou Lisa.
- Só mais um pouco...
- Não, Dean. Agora. Depois faremos mais alguns exercícios.
Uma enfermeira trouxe a cadeira de rodas para que o jovem descansasse. Não sem protestos.
- Eu aguento um pouco mais... – rebelou-se o loiro.
- Dean, ela é profissional, sabe o que faz – respondeu Sam, embora não gostasse de apoiar aquela que despertava seu ciúme. O bem estar de Dean vinha acima de tudo, inclusive de seus sentimentos.
Depois de alguns minutos Lisa empurrou a cadeira do seu paciente, o que gerou novas reclamações.
- Hei, você disse que eu iria praticar mais...
- E vai, menino rabugento. – Ela o levou até outro aparelho, como os de uma academia, onde Dean iria segurar em barras elevadas e puxar o peso de seu próprio corpo para cima. – Isso também vai ajudar a fortalecer seus braços, sem estressar sua perna saudável. Que tal?
- Ótimo.
- Se as costelas doerem você me avisa. Nada de bancar o durão.
- Mas aí como vou te impressionar?
- Vai me impressionar mais se for sincero quando sentir dor.
Os dois riram. Sam assistiu a tudo com a sensação de que estava atrapalhando algo. E antes que percebessem foi embora, dividido entre a felicidade de ver seu irmão se recuperando e a tristeza de vê-lo paquerando Lisa abertamente.
Notas finais: Então, o que acharam? Falta um mês para que o Sam volte a Stanford, será que acontece alguma coisa? Será que não? Será que eu desisto da fic antes do final? Um grande beijo e ótima semana para todos...
