Disclamer: Os Personagens de Naruto não me pertencem, são de criação e autoria de Masashi Kishimoto.

Sugestões: Escrevi ouvindo Only Hope - Mandy Moore

Come Alive - Foo Fighters

Do I Wanna Know - Arctic Monkeys (bem pro final - momento pegação)

Boa Leitura!

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Sasuke não saiu da frente nem pegou a maçã, continuou com as mãos apoiadas dos dois lados do corpo dela, sem deixá-la sair, sem se mover. Ele percebeu uma manchas roxas no ombro direito dela e franziu a testa levemente.

Sentiu vontade de acariciar o lugar, mas antes que ele pudesse fazer algum movimento, ela tocou seu pulso levemente, tirando sua mão que se apoiava na pia, tirando ela de seu caminho e se afastando dele.

Sakura se virou e pegou sua pequena bolsa preta que ficava pendurada atrás da porta; mexeu na bolsa procurando a cópia da chave que tinha feito para ele. No ramo de chaves tinha a da porta do quarto dele e dela própria, mas ele não se atreveria a entrar ali sem a sua permissão. Checou se seus documentos e seu dinheiro estavam ali; estava tão distraída que mais uma vez não notou a aproximação dele. Só quando os longos dedos tocaram seu ombro machucado.


Sasuke massageou o local com o dedão, muito sutilmente como se tivesse medo de quebrar a pele de porcelana. Era tão macia, tão clara e o cheiro era tão bom.

Sentiu os músculos que sua mão tocava ficarem tensos e rígidos, ela havia levantado a cabeça e a sua respiração estava pesada. O ar pesado voltava a pairar sobre os dois. Ele mesmo estava respirando descompassado, como se aquele contato tivesse sido tão inesperado pelos dois que quando tomaram consciência da proximidade, era como se o ar tivesse diminuído e tivesse pouco oxigênio para poder respirar corretamente.

Ele não entendia. Quando se aproximou dela na cozinha não sentiu ele, só sentiu a animação, que era fácil se controlar, mas isso.. Essa sensação de falta de ar, era assustadoramente estranha. E agradável.

Agradável como a pele macia abaixo de seus dedos.

- Quem te fez isso? - ela se virou calmamente de frente pra ele. A expressão no rosto dela causava um incômodo em seu corpo, como se todo o peso do ar tivesse se condensado em volta dele. Ele lembrava dessa expressão da noite no quarto dela. As lágrimas.

Ela não respondeu e ele ainda manteve a mão acariciando o machucado. Viu os olhos verdes fecharem e seus músculos relaxaram de maneira muito sutil, ela suspirou e quando abriu os olhos a sua expressão tinha mudado, era de novo a expressão da Sakura raivosa. A Sakura que empurrou a mão dele para longe dela e lhe jogou uma chave. Quando, por instinto ele agarrou o objeto no ar, ela empurrou o corpo dele para mais longe do dela. A uma distância segura, onde ela poderia bater nele se fosse necessário.


- Eu te fiz uma pergunta - e lá estava o tom rude e grosseiro de sempre. As palavras que ela sabia que ele cuspiria daquela maneira.

Mas agora ela estava longe dele e seu corpo não tremia mais por ele estar perto demais; tremia de raiva.

- Não precisa fingir que se importa, aprendi a me cuidar a muito tempo. - ela respondeu em um tom baixo, mas muito possível de se ouvir. Firme.

- Essa não é a resposta que eu quero. - ah claro, agora ele se via no direito de querer algo. Por que não? Ah sim.. Porque ele era um imbecil arrogante - Não importa se você diz que sabe se cuidar, eu vi que não é verdade.

Ela não pode evitar a expressão de ultraje em seu rosto.

- O que te dá direito de cuidar da minha vida? Acha que morar na Minha Casa te faz ter algum direito sobre mim?

- Não grite comigo, Sakura - ela já não tinha mais o controle da voz e ele não tinha como responder a nada daquilo, ela estava certa. Mas ele não iria admitir.

- Você é inacreditável. - aquela dor angustiante amassava seu peito. O choro apertava sua garganta e sua voz quase falhava.

Ele não olhava nos olhos dela, mas o tom entrecortado o fez erguer os olhos para o rosto dela.

Sakura balançou a cabeça substituindo a expressão de dor.

- Você não manda na minha vida. Não tem direito sobre ela. Não sabe nada sobre mim. Você, Sasuke, não entende o que eu passei.

Ela estava prestes a gritar.

- É mesmo? Do que eu não sei? - ele podia ouvir o escárnio em sua própria voz. Ela estava sendo egoísta. Ele tinha passado por coisas muito terríveis e ela se achava no direito de reclamar de algo.

- Eu abandonei tudo pra ir atrás de você! Eu trai meus pais! Meus amigos! Eu quase morri por você! - já era muito tarde pra conter as lágrimas que enchiam seus olhos e nublavam sua visão, assim como a raiva e a dor. A dor das perdas.

- Eu não te pedi nada. - por dentro ele já se odiava pelo que estava dizendo, sabia que isso machucaria ela, sabia que isso machucaria a ele mesmo, mas ele não conseguia não se defender.

- Tem razão. Foi tudo decisão minha. E eu perdi demais por escolher tantas coisas erradas. - engoliu em seco - Por ter escolhido você.

- É mesmo? E o que foi que você perdeu dessa sua vida perfeita? - ele não esperava aquela resposta.

- Meu pai.


O ar se dissipou muito rápido, a expressão de raiva saiu do rosto dela e deu lugar a Sakura apática. O olhar vazio. Ela cambaleou para o lado e se segurou em uma cadeira. Ele deu um passo para ampara-la, mas não achava que se aproximar era mesmo a coisa certa. Sasuke ainda tentava entender o que ela quis dizer com perder seu pai.

Pânico passou rapidamente pelos olhos verdes e ele pensou que ela entraria em colapso, mas ela corrigiu a postura, respirou fundo algumas vezes e se recompôs e ele só pode olhar.

- Não sei se volto hoje.

Sasuke a viu se afastar ainda mais dele e tocar a maçaneta da porta. Ele sabia que se arrependeria do que tinha dito, mas não imaginou que o arrependimento viesse tão rápido, mas veio, como se tivessem arremessado uma grande pedra sobre ele, o moreno saiu do transe e se moveu. Talvez o que ele estivesse perto de fazer gerasse algumas lesões, mas se não fizesse agora, ele não teria coragem de fazer de novo.

Quando ela abriu a porta, parecia que ela não estava se movendo conscientemente, parecia instinto ou costume. A porta abriu tão pouco é tão devagar e que ele não teve dificuldade em chegar até lá e fechá-la antes que a rosada pudesse sair.


Ela não precisava de mais uma serie de agressões verbais, só precisava sair e chorar em algum lugar que ela tivesse privacidade, onde ela podia ver a lua. Seu quintal normalmente era o lugar certo. A visão da cerejeira sempre a acalmava.

- Sasuke, por favor, eu preciso sair. - a voz era tão fraca e ele não gostava desse tom.

- O que você precisa está aqui. - ele puxou o braço dela, como tinha feito na manhã em que Aiko os interrompeu, para encontrar o olhar confuso dela.

A mão dela tentou empurrá-lo, mas não tinha mais pra onde ir, suas costas já estavam encostadas na parede e ele colocou as mãos em torno do corpo dela e se aproximava cada vez mais. Ele foi rápido e firme, mas sutil.

O lábios roçaram os dela e ela não reagiu, mas quando eles pressionaram os dela, seu corpo tremeu e um arrepio muito forte correu por sua espinha. Os lábios eram finos, firmes e o calor do corpo dele passava para o dela.

Ele passou a língua pelos lábios ainda cerrados dela, pedindo passagem e então ela reagiu tentando empurrá-lo, antes que não conseguisse mais fugir. O corpo dele não cedeu, se aproximou mais ainda colando o dela na parede, seus braços finos tentavam afastá-lo, mas ele manteve suas mãos nas costas definidas que tentavam se curvar para trás.

Ela não conseguiu manter o controle por mais tempo e cedeu, dando passagem e tornando o beijo mais intenso, ele era mais forte e mais alto, ela não conseguiria fugir. O melhor agora, era aproveitar enquanto podiam.


Sasuke sentiu as mãos dela pararem de empurrar seu corpo e os dedos finos da mão pequena se firmaram em seu peito nu. Deslizou a mão grossa pelas costas desenhadas dela, subindo até a nuca, segurando a raiz dos cabelos cheirosos e acariciando o maxilar. Ele finalmente podia saciar a dúvida sobre ela. Não era só sua pele que tinha cheiro de flores de sakuras, sua boca tinha gosto de cereja. Ou talvez fosse a imaginação misturada com desejo. Passou a outra mão até a cintura que tinha uma curva perfeita, desenhada.

Uma das mãos pequenas subiram até a nuca dele e segurou firmemente o cabelo negro entre seus dedos. Ele estava feliz por ela não se importar com o suor. Não era pra menos, ela mesma estava suando. A mão que estava depositada sobre o peitoral dele cravou as unhas o arranhando levemente e ele sorriu entre os beijos.

Os lábios se afastaram sem que os corpos ficassem longe, encostou sua testa na dela e tentou retomar o ar. Tentou encontrar os orbes esmeraldas, mas eles estavam fechados, seus lábios e suas bochechas estavam vermelhas. Ela ainda não tinha soltado seu cabelo e nem deixado de arranha-lo então, não era um mau sinal os olhos fechados, ela poderia estar sem jeito.

Descartou essa ideia quando ela abriu os olhos. Estavam confusos.

- Você não devia... - antes que ela pudesse continuar a frase ele tornou a beijá-la. E não houve resistência dessa vez.


Quando sentiu os lábios dele deixarem os seus teve vontade de pedir para que voltassem, no entanto, não teve tempo. Ele estava concentrado em seu pescoço agora, mordendo e beijando até perto da sua orelha e Sakura teve que se segurar muito para não suspirar ou até mesmo gemer.

Quando ele a levantou do chão, prendeu as pernas em volta da cintura larga e forte dele. Ela podia ouvir seu coração bater forte e podia sentir o dele. Sasuke ainda beijava seu pescoço enquanto ela arranhava suas costas, podia sentir os músculos rígidos e os sorrisos quando ele o arranhava mais forte.

Aquilo era tão surreal e nada parecido com um sonho. Se fosse.. Era dos bons.

Antes que ela percebesse ele a tinha levado para seu quarto. Fechou a porta com um chute forte, fazendo um barulho alto, mas os dois não estavam preocupados com isso. Ele sentou na cama, com ela ainda em seu colo, tudo estava intenso demais e respirar parecia algo tão insignificante perto do que eles estavam sentido e fazendo. Sakura não podia imaginar que beijá-lo pudesse ser realmente tão bom, tão envolvente. Mas então uma pergunta surgiu em sua cabeça.

Se pra ela era tudo aquilo, o que seria pra ele? Uma diversão? Uma noite pra saciar seus desejos? Apenas uma noite de farra.. Que ele poderia ter com qualquer uma.

Os olhos verdes abriram e ela decidiu arrancar aquela sensação que a drogava, se não as coisas iriam longe demais.


Ele sentiu as mãos leves empurrarem seus ombros, mas ele não queria parar.

- Sasuke, por favor.

A voz entrecortada dela mostrava o quanto tentava manter o controle. O tom de sua voz era suplicante, mas de maneira triste e ele teve medo de estar a machucando. Assim parou para que pudesse olhar seus olhos.

Eles ficaram alguns instantes se encarando na penumbra do maior quarto da casa. Aos poucos a respiração foi voltando ao normal.

- Isso não deve.. Não pode continuar. - ela se levantou de seu colo e sentou na cama ao lado dele.

Ele não sabia o que estava sentindo. Frustração por ela ter parado mesmo que ela estivesse gostando ou a rejeição dela.

Sasuke não a olhou.

- Desculpa. - ela disse abaixando o olhar, enquanto sentia o corpo dele se levantar da cama.

- Não. Me desculpe. - ele disse e antes de começar a caminhar levantou o rosto dela e beijou sua testa. - Boa noite.

Sakura permaneceu ali. Olhando o corpo dele se afastar e fechar a porta. Sem entender o que tinha acontecido e se tinha acontecido.