Não me xinguem ainda hahaha

Eu escrevi DyR, mas, como sabem, tive problema com o meu notebook, portanto, não tinha como postar ^^

A boa notícia é que, depois desse, já tenho mais dois capítulos escritos, por isso, comentem!

Até a semana que vem devo postar o próximo.

Quel.


IX – Nada mais que a verdade

Galway, Irlanda, Agosto de 2016 -

Edward POV

O mínimo que eu esperava, ao menos, eram algumas respostas antes que ficasse louco e a expressão de Esme não ajudava muito a me manter tranquilo. Peguei o caderno de cima da minha mesinha de centro e o abri.

— Comecei a ler – contei — Nesse aspecto, Tanya parecia muito determinada a expor a verdade para mim – expliquei — Na noite anterior ao acidente, nós conversamos sobre o assunto e eu prometi a ela que não postergaria mais.

Esme assentiu e permanecia calada ao meu lado, ainda com aquele olhar de alerta que ela era acostumada a me dar quando eu era apenas um garotinho.

— Por que você acha que eu não vou gostar de saber? – perguntei o que eu queria saber há várias minutos, embora não tivesse coragem de perguntar.

— Porque a sua história com Isabella foi... – ela parou por dois segundos — Louca? – coçou a cabeça, tentando, acho eu, encontrar uma palavra que se adequasse melhor ao que ela queria me dizer — Intensa! – sorriu — Um dia, você me ligou e disse que conheceu alguém – deu de ombros — Eu não liguei muito porque eu sei que a realidade universitária era nova, então, no mês seguinte, você chegou em casa com um sorriso tão radiante e, finalmente, me contou como conheceu Isabella, o que honestamente soou muito como uma trama adolescente, Edward – brincou — Por um minuto, achei que se tratasse de um episódio de Gossip Girl ou One tree Hill.

Nós dois rimos de sua piada sem graça e logo estava abraçado a minha mãe para, depois, estar com a minha cabeça apoiada em seu ombro. Quando ela apareceu em minha porta, com malas, achei que aquele dia não podia ficar pior, mas a realidade era que, no fundo, estava aliviado por vê-la livre de Carlisle.

— Aí, dia após dia, você chegava em casa com um sorriso tão lindo e radiante, nós conversávamos e o assunto preferido era o quanto vocês tinham se aproximado e se tornado amigos – afagou meus cabelos — Aos poucos, ia descobrindo que ela era uma menina cheia de traumas – eu podia notar a tristeza em sua voz — Ela tem uma mãe completamente ausente que não vê há anos e perdeu o pai quando ainda era uma criança – contou — Mas, contrariando todas as expectativas, vocês começaram a namorar antes do fim do semestre e planejavam, durante as férias, ir para Brighton conhecer a mãe dela, mas Renée disse para Bella que não podia lidar com o filha naquele momento.

Deus, aquilo parecia tão insano.

Quer dizer, de quantas formas um coração poderia ser partido e, mesmo assim, continuar a bater?

— Você ficou tão chateado, muito mais que a Bella – explanou — Mas ela já estava acostumada com a ausência da Renée, embora você não aceitasse muito bem uma coisa como aquela – suspirou — E Bella odiava ser pressionada, então, no meio do caminho, vocês tiveram algumas brigas.

— Eu a amava? – perguntei, como se a resposta para essa pergunta definisse todo o resto da minha vida ou as minhas decisões, de agora em diante.

— Com todo o seu coração – mamãe revelou — Vocês foram felizes, filho – sorriu — Mas, quando você trouxe sua namorada para conhecer o seu pai, as coisas se tornaram estranhas – mamãe me deu um beliscão — Edward, você não devia ter caído na chantagem barata do seu pai.

Dei de ombros.

— Eu não me lembro exatamente o que aconteceu e nem o motivo de aceitar – sussurrei — No entanto, eu era o único filho, não queria – e nem podia – decepcionar vocês, mãe.

— Mas isso te destruiu, filho – apertou-me contra ela — O semestre estava quase terminando, era o seu último ano na universidade, vocês tinham planos – contou — Então, ela apareceu aqui em casa te procurando e vocês tiveram uma briga bem intensa – revelou — Chovia muito e ela saiu correndo, você a perdeu de vista e ficou desesperado.

Fiz uma careta, sem saber se era uma história que eu queria ouvir, embora precisasse.

— Ela gritou tanto com você – detalhou — E, então, você me disse chorando que a tinha perdido para sempre – continuou afagando os meus cabelos — Eu não entendi o que estava acontecendo até você aparecer em casa com uma noiva, quando saiu do hospital.

— Hospital? – perguntei, encarando Esme.

O que tinha acontecido?

— Não é tão ruim quanto você pensa, filho – disse — Mas, ainda é horrível – sussurrou — Alguns dias depois da briga aqui em casa, vocês tiveram outra ainda pior na faculdade e – mordeu o lábio inferior — Você tentou ir atrás dela, não percebeu o carro vindo e sofreu um acidente.

Um acidente? Que tipo de acidente?

— Antes que me pergunte, sim, piorou o seu estado mental – contou — E, agora, sabendo o que o seu pai fez e o estado de Tanya nos últimos dias, acredito que essa foi uma ótima oportunidade para apagar Isabella definitivamente da sua vida.

— Mas, não do meu coração, não é? – perguntou, sedento por respostas — Ou jamais me sentiria atraído por ela – disse, tentando usar a lógica.

— Acredito que o que você sentiu por Isabella esteja perdido dentro de você, filho – mamãe disse, sabiamente — E vê-la novamente fez tudo ressurgir, mesmo que você ainda não entenda os motivos.

— Você sabe quem é Noah? – perguntei, como se a minha vida dependesse dessa resposta.

Esme balançou a cabeça assentindo.

— Ele não é um namorado, se você quer saber – me tranquilizou — Mas, essa parte da história de Isabella não pertence a mim e eu não tenho o direito de te contar – argumentou — Só ela pode te dizer o que Noah representa na vida dela e, talvez, na sua também.

Olhei para o caderno de capa preta que estava aberto em minhas pernas e, claramente, soube que se quisesse alguma resposta, as encontraria ali. Mas, ao mesmo tempo, só Isabella poderia cobrir os espaços em branco que não estavam no diário e que mamãe não sabia por não estar presente.

— Preciso falar com Isabella – revelei, determinado — Poderia buscar respostas no diário, mas sei que parte delas só Bella pode esclarecer.

— Se ela saiu correndo daqui e citou Noah, acredito que ela voltou para casa – comentou.

Eu a encarei assustado, não que estivesse desesperado, mas precisava saber do meu passado, do que a minha própria mente escondia de mim.

— Se envolve Noah, acredito que ela não foi dirigindo, filho – verbalizou — Ela não teria condições emocionais para encarar a estrada sozinha, portanto, se você correr, ainda encontre-a na estação de trem.

Assenti, no entanto, não tive coragem de pegar as chaves do carro, muito menos pensar em assumir a direção. Olhei para mamãe, com o coração batendo freneticamente descompassado.

— E se acontecer de novo? – perguntei, medroso — E se eu não conseguir dirigir? – sussurrei — Eu não quero matar mais pessoas.

Mamãe segurou meu rosto com as duas mãos.

— Nada do que aconteceu foi sua culpa, Edward – disse — Foi uma fatalidade! Você me ouviu?

Balancei a cabeça em afirmação, mas, mesmo que eu evitasse que meus pensamentos seguissem esse caminho, a culpa estava em meu ser, muito bem instalada.

E sem previsão para ir embora.

— Mas, e se... – comecei a argumentar e mamãe pegou sua bolsa.

— Tudo bem – respirou fundo — Se prefere se culpar, terá duas horas até Dublin para se martirizar – disse — E pegue esse diário – ordenou.

Nós nos levantamos do sofá, agarrei o meu caderno, cheio de revelações e caminhei para fora com mamãe.

Em direção a verdade.

Eu bem sabia.


Quando Esme estacionou em frente a estação, eu pude ver a movimentação de pessoas entrando e saindo. Depois do acidente, não estava preparada para assumir a direção de um carro, muito menos viajar sozinha.

Mas, prometi a Esme e Tanya que jamais desistiria de saber a verdade, mesmo que ela fosse cruel. E, de alguma forma, também acreditava que devia isso a Isabella. Algo muito ruim tinha acontecido conosco no passado para que nossa história tenha terminado de uma forma horrível, não quando todos afirmavam que eu a amava com todo o meu coração.

E, tudo bem, também achava que a amava ou jamais colocaria meus olhos nela naquele cemitério, não desejaria saber o motivo de sua dor, quando a minha era tão recente.

Tanya havia morrido.

Por um tempo, ainda no hospital, senti culpa e estaria muito pior de Carlisle aparecesse lá ou, ainda pior, me obrigasse a casar com Irina, já que Tanya não estava mais disponível. Porém, durante o funeral, ele manteve distancia e senti alívio.

Só alguns dias depois, consegui ter noção do que acontecia ao meu redor e, então, consegui colocar meus pensamentos em ordem e me permiti me libertar. Porque meu casamento era errado.

Eu prenderia Tanya a um matrimônio quando ela ainda amava Peter.

E ela me prenderia quando eu ainda amava Isabella.

Era uma história tão confusa e, ao mesmo tempo, cheia de drama.

Porque, obviamente, Carlisle nunca pensou em mim ou em mamãe quando disse que eu precisava me casar com um Denali para fundir nossos patrimônios e torná-lo ainda mais poderoso.

Ele pensou somente nele.

E, por tentar ser um bom filho, aquele que não queria decepcioná-lo, acabei aceitando e machucando uma pessoa inocente que, àquela altura me amava. Entendia, um pouco, os motivos que Isabella tinha para fugir de mim.

E se esse tal de Noah fosse a resposta, queria ouvir dela.

— Seu bilhete – mamãe parou em minha frente, estendendo o ticket, com um sorriso satisfeito no rosto — O trem já chegou, portanto, andando, filho, ou você o perderá.

Peguei o papel de suas mãos e comecei a caminhar, sem pensar muito no que estava fazendo, quando cheguei à parte de embarque, olhei novamente para a passagem para conseguir ver o número do vagão, a classe e o assento.

— Isso é uma loucura – sussurrei para Esme — Quero dizer, embarcar para Dublin, sem saber direito em que direção seguir lá – murmurei — Sem mala, apenas com um caderno.

Mamãe bagunçou meus cabelos, como se eu fosse um garotinho de dez anos.

— Não pense, apenas faça – pediu — E eu posso te garantir que amará parte da história – comentou, misteriosa — Eu te mandei as coordenadas por mensagem, filho – piscou para mim e me empurrou em direção ao trem.

E eu fui.

Como um garoto obediente.

E, honestamente, não senti medo, nem nada do gênero.

Ir para Dublin seria uma forma de perseguir o meu passado e tentar consertar todos os erros que havia cometido, mesmo que eles não fossem só meus. Além disso, mamãe foi bem enfática em me dizer que Isabella não tinha mais ninguém, uma vez que Renée ou qualquer que seja, era uma mãe omissa, que ela não via há anos.

Isso deveria ser um peso muito grande para alguém tão jovem.

No fim, também me senti culpado por ter me aproximado de Bella e também bagunçado a sua vida.

Porém, a minha surpresa maior, foi quando cheguei ao meu assento e encontrei Isabella sentada no que ficava à minha frente, próxima a janela.

Bem, isso seria interessante.

— Edward – ela me olhou assustada, enquanto eu me acomodava, colocando o diário ao meu lado — O que está fazendo aqui? – perguntou e arregalou os olhos quando viu a única bagagem que eu carregava.

— Reconhece? – perguntei, apontando para a capa preta do meu diário — Tanya me disse, uma vez, que eu tinha a mania de passar bastante tempo escrevendo sobre a minha vida nesse caderno para que as lembranças nunca se perdessem – falei.

— Sua noiva era uma mulher muito sábia – disse, desviando seus olhos para a janela.

Tudo bem, se ela não quisesse falar. Teríamos duas horas e meia para encararmos um ao outro e, ela querendo ou não, eu saberia o que estava enterrado em meu inconsciente.

— Podemos ir por dois caminhos – argumentei — O primeiro é você me contar parte de uma história muito interessante sobre o nosso passado – apontei para mim e depois para ela — E o segundo é eu ter que ler todo o conteúdo do diário, onde, com toda certeza, encontrarei muito mais que relatos e fotografias – dei de ombros.

Ela tinha lágrimas nos olhos quando me encarou novamente.

— E eu juro que não vou desistir até descobrir toda a história, Bella – declarei — Nem que eu precise virar um maldito perseguidor.

— O que você quer, Edward? – ela perguntou, em um misto de sensações — É verdade que tivemos uma história, mas ela já acabou.

Balancei a cabeça, em afirmação.

— Até quando você fingiria para mim que me conheceu só agora? – perguntei, um pouco irritado — O que você queria de mim?

Isabella balançou a cabeça, em negativa.

— Meus motivos não importam mais, Edward – argumentou — Porque eles não são mais válidos, então, não, eu não queria destruir o seu casamento, se é isso o que está pensando.

— Para, Bella – pedi — Simplesmente, pare! – disse irritado até sentir que o trem começara a se mover — Eu não estou te atacando, então, para de agir na defensiva perto de mim.

— A verdade não é bonita – ela sussurrou — Você não deveria vir atrás dela e desafiar o seu pai.

— Eu não me importo com Carlisle – declarei — Ele destruiu a minha vida, porém, EU destruí a sua – falei — Então, agiremos como adultos e esclareceremos hoje o que não conseguimos fazer há quase dois anos.

Ela me olhou, eu podia ver o medo em seus orbes castanhos.

— Quem é Noah? – perguntei, querendo que Bella me dissesse a sua versão.

Ela balançou a cabeça em negativa e suspirei.

Peguei o caderno e o folheei, abrindo na metade, em uma data avançada.

As respostas estariam ali, ou parte delas.

Mas, assim que coloquei meus olhos nas primeiras palavras, Isabella colocou a mão no diário, me forçando a fechá-lo.

— Noah é meu filho – ela sussurrou, em desespero.

Eu levantei meus olhos e ela chorava, muito mais que antes.

— É o meu filho! – confessou — E eu o amo, então, por favor, apenas me deixe em paz – pediu — A mim e ao meu bebê.

Engoli em seco, tentando afastar as possibilidades da minha cabeça.

Ficamos em silencio por vários minutos, pelo simples fato de que não sabíamos o que dizer ao outro.

— Posso vê-lo? – perguntei — Quer dizer, você tem uma foto dele? – questionei.

Ela me olhou assustada e limpou as lágrimas, mas assentiu, pegando seu celular e o estendeu para mim.

Noah era um bebê, de pouco mais de três ou quatro meses, se não estivesse enganado. Ele tinha olhos claros, mas foi o cabelo que me deu a certeza, afinal, era uma prova inquestionável.

— Ele é muito bonito – sorri, devolvendo o aparelho para ela, que, mais uma vez assentiu — Onde ele está? – perguntei.

— Em Dublin – resmungou e virou para a janela, o que estava se tornando recorrente e, claramente, a minha paciência já estava no limite.

— Essa parte eu entendi – murmurei — Ou não estaríamos aqui, não é? – falei o obvio — Quero dizer, se você estava em Galway, então, onde seu filho estava? – perguntei, tentando estabelecer algum dialogo com ela.

— Com Alice e Jazz – deu de ombros — Você não se lembra deles.

— Muito vagamente – assumi — Meu primo Emmett fala desse Jazz algumas vezes – contei — Como estudamos na mesma universidade, creio que vocês estejam falando da mesma pessoa.

Isabella assentiu.

— Noah, aparentemente, precisa de cuidados médicos – explicou — E é por isso que estou voltando para Dublin – disse — Já que estamos aqui, quero que saiba que não posso mais cuidar da sua reforma.

Então, foi muito para mim.

Eu precisava saber e tinha que ser agora.

— Noah é meu filho? – questionei, esperando que Bella me dissesse nada mais que a verdade.