SegundaParte
"Stars collide, will you stand by and watch them fall?"
Capítulo IX
Pisava sobre a terra úmida sem se dar conta. Era começo de Primavera em Ellesméra e flores vermelhas brotavam num canto, entre raízes retorcidas. Estava apenas pensando novamente em como tudo era estranho deixando que os pés o levassem por um caminho sem muito nexo.
A manhã era livre para os cavaleiros e Eragon resolvera passear um pouco e refletir sobre os últimos tempos. Havia um tanto em que não imaginava mais como estaria Murtagh e todos os seus motivos e todos os motivos de sua mãe para tudo o que acontecera no passado. Apegara-se aos treinamentos, à Saphira (se é que fosse possível se apegar mais a ela). Conversavam muito. O cavaleiro só evitava o assunto "VIOLET".
Pensava nela e ria. Teorias inúteis e comentários sem graça, mas não podia viver sem que, logo cedo, ela pulasse em suas costas marota e berrasse um "Bom dia". Ela lhe causava borboletas. Deu de ombros.
As folhas tirava da frente do rosto, mas ainda assim perambulava entre as árvores. Achou-se deparado com a Menoa. A história dela lhe veio e junto aquela vez em que Arya a contara com grave ironia. Queria deixar bem claro que o mesmo destino estava escrito para eles se resolvessem juntar as trouxas. "O jovem rapaz que se apaixonou por uma mulher mais velha e a abandonou para a tristeza".
Mas tudo aquilo parecia não ter mais importância. Como se fosse um sentimento que passara por ele há muitos anos, no entanto sabia que meses atrás ainda estava mordido por gostar de uma elfa que já amara certa pessoa e não parecia querer abrir ser coração para mais ninguém.
Ao sentar-se numa imensa raiz da árvore, ficou aéreo aos finos raios de sol que penetravam entre os galhos. Toda a atmosfera era um tanto etérea. Eragon ainda parecia distraído.
Brisa leve balançava os cabelos, os olhos castanhos fechados. Abriu-os de repente e estreitou-os. Um sussurro ininteligível. Eragon levantou-se e andou ao redor da Menoa como se soubesse onde encontrar algo que procurava.
"Quando chegar a hora e você precisar de uma arma, olhe embaixo das raízes da árvore Menoa. Depois, quando tudo parecer perdido e seu poder não for suficiente, vá até a pedra Kuthian e diga seu nome para abrir o cofre das almas".
Voz arrastada de Solembum lhe veio como um flash. Não sabia nada sobre o cofre, nem Kuthian. Mas a arma...
Caminhou mais um pouco e estacou, arregalando os olhos ao perceber um brilho sob uma das raízes. Desceu aos joelhos para desencaixar dali uma comprida espada. Bainha de veludo negro; por dentro o melhor do couro. O punho prata tinha incrustados diamantes que rutilavam de maneira nunca vista. O cavaleiro mantinha os olhos petrificados que admiravam a bela arma. Agarrou firmemente o punho e puxou.
A lâmina branca reluziu sob a luz fraca da clareira. Era alva de doer os olhos. Leve. Se existiam deuses, a espada certamente fora forjada por um.
Segurou-a como se a oferecer aos céus e a olhava extasiado. Era... Dele? Sabia que era. Girou-a uma vez antes de olhá-la de novo e sorrir; botou na bainha preta outra vez. Pendurou-a num dos ombros e voltou para a cidade sem antes um último relance à Menoa.
Não teve de andar muito para que Violet o interceptasse.
- Avisaram que temos mais ou menos quinze minutos para nos reunirmos... WOW. Onde você arranjou isso? – Os olhos da garota arregalaram-se para a espada pendurada às costas do cavaleiro. Ele sorriu; tão feliz como não se sentia há muito. Violet o encarava com certa surpresa sem tirar o meio sorriso sarcástico do rosto. Estava com os cabelos soltos naquele fim de tarde.
- Na Menoa – Ele respondeu simplesmente e desembainhou a arma novamente. O metal brilhou sob o sol. A garota não fez mais perguntas nem demonstrou pontada de inveja. Sorriu de volta e inclinou a cabeça com graça.
- Suprema.
- O treino já acabou? – Eragon referia-se aos dragões, já que Glaedr havia reservado a tarde para um treino especial.
- Não. Estava só perturbando Rhunön elda de novo. A elfa da biblioteca já se cansou de mim – Ela respondeu rindo. O cavaleiro imaginou Rhunön escutando as baboseiras de Violet e segurou o riso. Também não sabia como alguém poderia se cansar da garota ao seu lado.
Subiram em silêncio em direção a Tialdarí até que ela o quebrou.
- Li a canção que escreveu para o Agaetí Blödhren – Comentou. Eragon fez uma careta e logo sorriu.
- Ruim, ahn?
- Não. Porque você escreveu o que estava sentindo... Bem. Ficou diferente de todas as outras – Eragon torceu o nariz. Violet riu e olhou para ele. – Ficou boa!
O cavaleiro riu também e parou para encará-la de volta.
- Você não desiste dessa ironia não?
- Eu deveria? – Ela perguntou rindo. Eragon tirou uma mecha castanha do rosto de Violet e exibiu seu sorriso mais malicioso. A garota corou. Os braços logo a envolveram pela cintura e a puxaram para mais perto dele. Os lábios selaram-se com certa urgência da parte de do cavaleiro.
Sentiu-se tremer ao que o beijo aprofundou-se e apertou-a contra si o quanto era possível. Violet passou os dedos gelados por sua nuca quando ouviram passos no corredor do palacete.
Os corpos se pararam e a garota encarou o chão e parecia analisar algo muito interessante enquanto Eragon coçava a cabeça um tanto embaraçado. Um elfo surgiu na curva.
- Finalmente os achei! A rainha os aguarda na sala do conselho.
Os cavaleiros assentiram e se entreolharam rapidamente antes de seguirem o mensageiro. Chegaram à saleta sem mais palavras. Os chanceleres estavam todos já sentados em seus lugares devidos e os olharam escondendo a irritação pelo atraso. Georhgio e Saphira também estavam ali.
- Tenho um comunicado importante – Os dois sentaram-se, Eragon ocupou sua cadeira impacientemente, o coração ainda martelava o peito e Violet evitava olhá-lo. A cabeça latejava, confusa.
- Foi nos enviado um mensageiro de Nasuada. As tropas de Galbatorix marcham para o Sul, em direção ao rio Jiet. Ao que parece, avança para massacrar Surda – Murmúrios de preocupação, mas a voz de Islanzadí sobressaiu – O rapaz com a carta demorou dois dias para atravessar o deserto a cavalo. Muita sorte que tenha sobrevivido. Mas isso quer dizer que estão atrasados.
Ela apontou para os cavaleiros e seus dragões e também para Arya.
- Estão? Não mandaremos nossos guerreiros? – Perguntou um nos nobres à grande mesa, com longas madeixas louras.
- Ainda não Daunäi. Ainda não – Ela respondeu e mais sussurros entre os presentes. – Ainda não é chegada a hora. Lutaremos para o fim.
Eragon viu Violet encarar a rainha estupefata. Ele remexeu-se na cadeira, mas conteve-se. Islanzadí compreendia melhor que qualquer líder de Alagaësia a situação em que se encontravam. Mas ainda o perturbava a idéia de que não contariam com seus reforços.
- Vocês partem em uma hora – Ela se pronunciou para fechar o conselho.
Georhgio sorria e percebia a descompostura de Violet quando foi até ela. Caminharam pelo corredor.
O que houve?
Dia de batalha, caro George. O dragão não continuou a conversa, mas balançou o grande pescoço esmeralda. Resolveu não perguntar por que não respondera seus chamados minutos antes. Ele imaginava.
Vamos.
Violet pulou para sua sela e voaram para seu dormitório. Sacudiu a cabeça, frisando para si mesma que a batalha iminente era mais importante. Todos saberiam de sua existência. Mordeu o lábio inferior e deu um tapa na própria testa para tirar a imagem de Eragon dos pensamentos.
As armaduras que ganhara tirou do baú e colocou sobre o leito. Virou-se para Georhgio e tirou-lhe a sela para vestir-lhe o grande elmo e o resto de sua proteção. Atou todas as fivelas e o dragão estava pronto. Uma vez assim, Violet despiu o vestido carmim e cobriu o corpo com a malha que vestia dos ombros até a cintura e desta até os tornozelos.
Por cima, uma armadura leve e impenetrável, deixando os braços nus para manejar firmemente as duas espadas e cobrindo as coxas, com aberturas nas laterais. Calçou as botas pretas compridas até as canelas.
A um canto, o espelho pequeno foi bastante para que tecesse nos cabelos uma trança perfeita, uma fita de couro verde para amarrá-la na ponta. Assoprou para o lado os fios mais curtos que sempre sobravam e o que faltava eram suas armas.
As alças de couro tinham fivelas para que prendesse as duas espadas às costas, de modo a ficarem cruzadas. Apertou com força a alça negra contra o peito.
Georhgio a esperava pacientemente à abertura do quarto. Violet sorriu para ele e pulou para a sela. Com um impulso das patas fortes do dragão, logo voavam para encontrar Eragon, Saphira e Arya sob o céu que a noite engolia.
Ao pousar, Oromis e Glaedr estavam junto deles ao lado de muitos elfos, Arya e Islanzadí.
- Violet... Queremos lhe dar um presente – Disse o mestre com um sorriso fraco.
- Um... presente? – Ela repetiu, balançando o elmo ao lado do corpo.
- Eragon recebeu sua benção no Agaetí Blödhren. Não se pode fazer o mesmo para você... Mas já é hora.
Oromis abriu uma bolsa de couro grande e tirou dela duas bainhas com suas respectivas espadas. Juntou-as ás mãos e entregou-as á Violet.
- Eram minhas, mas merecem uma nova dona, creio – O mestre sorriu novamente.
- Mas não posso aceitar! – Ela disse nervosamente, Georhgio bufou em acordo.
- Então é ordem minha que aceite.
Assim como minha. Glaedr disse e não havia como não ficar intimidada toda vez que ouvia sua voz. Violet analisou as bainhas comuns e tirou delas as lâminas. Eram espadas incrivelmente forjadas, douradas e brilhavam mesmo à fraca luz que a meia lua proporcionava.
Sentiu os olhos marejarem e enxugou-os rapidamente.
- Sou eternamente grata, Ebrithil – Georhgio sorriu de seu jeito e apoiou a grande cabeça no ombro da garota. Oromis assentiu e sorriu novamente. Gostava de seus pupilos desajeitados.
Quanto a você Bjartskular... Não creio que precise de nada. A companhia de sua cavaleira basta para que tenha um bom desempenho. Era a maneira de Glaedr dizer que estava orgulhoso de Georhgio e que cuidasse de Violet. O dragão esmeralda bufou, ainda apoiado à amiga.
Ela se desvencilhou um pouco para trocar as espadas velhas pelas novíssimas.
- Então... – Islanzadí começou. – Foi uma honra abriga-los aqui. Argetlam – Virou-se para Eragon – Boa sorte, Matador de Espectros.
Olhou para Violet, que mudava a expressão assustada para um sorriso nervoso.
- Quanto à cavaleira... Uma boa batalha para você também. Bjartskular... – E fez reverências aos dragões a sua frente. Sentiram-se lisonjeados pelo cumprimento da rainha.
Somos gratos pela estadia e pelo trato para conosco novamente, Vossa majestade. Disse Saphira.
Assim como nós. George completou por ele e por Violet. Elfos diziam vivas e desejavam sorte e coragem para eles na língua antiga.
Preparavam-se.
- Arya Svit-kona... Vai comigo? – Perguntou Eragon. Olhou de relance para Violet que pulou para o dorso de Georhgio com um leve sorriso maroto. O cavaleiro sorriu também.
- Com prazer – Respondeu a elfa, subindo atrás de Eragon na sela de Saphira.
Acenaram aos elfos e levantaram vôo.
Nota: Ahá! música do Rei Leão de fundo um pouco de romance não faz mal a ninguém afinal!
Não tenho muito tempo! Mas obrigada a todos que lêem e comentam! Amo vocês UHZAUZAHUAZH
Beijos,
Bia Black,
15 de Março de 2008.
xxx trecho de I've got you – McFly. Direitos reservados XD xxx
