10 - Deadlines

"Como é que sabias?" perguntou Hermione.

"O avisoscópio", Harry disse-lhe, "ele dava sinal, mas levei algum tempo a perceber o que era. Ainda bem que o dei à Ginny. Eu acho que ela se apercebeu antes de mim que só avisava quando se aproximava de mim". Ele olhou com admiração para a sua namorada.

Ginny assentiu. "Quando me aproximei do Harry nesta última vez eu pus-me a imaginar se havia alguém invisível junto dele. Mas ele parece que já sabia antes que eu lhe pudesse perguntar". Ela devolveu o olhar de admiração. "O Harry pediu-me uma distracção. O que vamos fazer com ela, Harry?"

Ele olhou para a figura caída no chão. Os seus óculos de joias estavam torcidos, as suas vestes verdes estavam enlameadas e com manchas do relvado. Os braços e pernas de Rita Skeeter estavam rígidos, tão imóveis quanto o seu cabelo loiro. Ele repreendeu-se por não ter percebido mais cedo. George não estava brincando, esta manhã. Antes de saírem para o jardim ele tinha estado a ler o jornal. Skeeter tinha prometido no Profeta de Domingo um exclusivo do funeral. Mas como é que ela descobriu onde eles estavam?

"Ginny, apanha a bolsa dela por favor", pediu Harry, "Hermione, apanha e guarda a varinha dela, vocês preparem as vossas", disse Harry aos outros.

Depois de acatarem as suas ordens, Harry removeu a maldição do corpo da jornalista.

"Harry Potter", disse Skeeter com falinhas mansas, "tornaste-te um homem muito atraente desde o nosso último encontro". Ela puxou os cantos da boca para cima, mas a sua tentativa de um sorriso amigável era tão fina e frágil como o verniz verde das suas unhas. "Tens que te aprender a controlar Harry, agredir uma senhora de classe inofensiva e indefesa não é boa ideia, pois não?", ela sugeriu, "Não é boa publicidade".

Harry olhou para ela, tentando manter a calma. Não podia dar-se ao luxo de perder a calma, não até que descobri-se como ela o encontrou. Ele viu-a lutar para ficar de pé. Ninguém se ofereceu para a ajudar.

Quando Skeeter finalmente estava a conseguir levantar-se, Ginny, que se tinha mudado para trás da jornalista, em silêncio, lançou um feitiço extremamente preciso a um dos saltos dum dos seus sapatos. Todos riram quando ela caiu para trás de costas, rogando pragas. Desconfiada, Skeeter tirou e examinou o sapato tornando-o a calçar. Desajeitadamente, levantou-se novamente. De pé, com um sapato bom e o outro plano, lutou para recuperar a compostura.

"Mas que classe..." observou Ginny. Harry tentou manter uma cara séria enquanto à sua volta todos se começaram a rir.

Rita simplesmente olhou para Ginny, encolheu os ombros com desdém e virou-se para Hermione, e estendeu a mão.

"Podes dar-me a minha varinha Harmonia? Obrigada" ordenou imperiosamente. Ron olhou para ela com raiva. Hermione apenas sorriu.

"Para que tentes escapar?" Hermione abanou a cabeça, "não me parece".

"Tu estás chateada, eu percebo", Rita continuou, "o Harry abandonou-te e trocou-te pela ruiva, não foi? Sinceramente também não percebo o que vê nela…", Rita parou de falar, engasgando-se.

"É apenas um pequeno feitiço", disse Harry educadamente, "vou retirá-lo, mas preciso de respostas, e verdadeiras, percebes?" Rita assentiu com a cabeça visivelmente assustada.

"Como sabias onde era o funeral?" perguntou-lhe Harry tirando o feitiço.

"Harry, tu sabes que não posso revelar as minhas fontes", respondeu Skeeter, sorrindo docemente, "no entanto uma entrevista em exclusivo com o escolhido pode mudar a minha mente".

"Uma entrevista exclusiva irá custar-te cinco mil galeões", disse Harry, sem pensar. Ginny olhou para ele com horror. Rita Skeeter deu um sorriso de lobo.

"Doado para a Sociedade de apoio aos nascidos muggle", ele esclareceu. Katie Bell engasgou-se, Ginny sorriu. Era uma ideia que Harry estava considerando há alguns dias. Uma entrevista pode neutralizar alguns dos boatos mais impertinentes. O pagamento ajudaria nascidos muggle, seria por uma boa causa.

"Tão nobre", Rita gozou.

"Responda à pergunta do Harry", Neville ameaçou. Rita olhou para ele com desprezo.

"Vejo que trouxeste o teu clube de fãs", ela disse a Harry com desdém.

"Não somos o seu clube de fãs, somos os seus amigos", Luna corrigiu educadamente. Rita virou-se e olhou para Luna em clara descrença. "Não sejas estúpida miúda estranha", ela ridicularizou, "ele como precisou de ti, usou-te, isso não te faz amiga dele".

"Isso só mostra o quão desagradável e egoísta tu és", retrucou Ginny exaltada. "Claro, tu não tendo nem fãs, e muito menos amigos, consigo imaginar porque aches a ideia tão difícil". Ela abriu a bolsa de Rita e ocupou-se em vasculhar o conteúdo.

"Deixa isso!" Rita virou-se para Ginny, "Tu não podes invadir a privacidade duma pessoa assim".

"Mas não é isso que tu fazes?" Replicou Ginny, "imagino que provavelmente todos os dias. Olha para isto Harry".

Ginny passou-lhe um pedaço de pergaminho. Continha as datas, horas e locais de todos os funerais que Harry e Kingsley vão participar. Como? Harry pensou bastante. Apenas três pessoas tinham visto o diário, ele próprio, Kingsley e Brenda... e, possivelmente, Umbridge, percebeu! Ele decidiu manter esse pensamento para si mesmo por um tempo.

"Deste alguma cópia desta lista a alguém?" Harry interrogou.

"E porque é que te deveria dizer?" perguntou Rita com desdém, sem o olhar nos olhos.

"Rita", disse-lhe, "há sérias possibilidades que tenhas comprometido a segurança do Kingsley. A quem é que mostraste esta lista?"

"Kingsley…" observou Rita, "andas muito amiguinho do ministro não andas? Pensava que era só publicidade que o Shacklebolt te levou para o lado dele e para esconder a sua evidente falta de competência. Aparentemente estava errada. Tu gostas de te associar a celebridades, não é? Tipo o velho e idiota do Dumbledore…"

Ela parou chocada. Todos em redor de Harry deram um passo em frente, dezenas de jovens bruxos e bruxas tinham as varinhas apontadas para a jornalista.

"Rita", Harry sorriu maliciosamente, "já conheces o Exército de Dumbledore? Sugiro escolheres melhor as palavras".

"Estás num funeral", continuou Harry", um funeral de um amigo que morreu dando a vida a lutar contra o Voldemort".

Harry reparou que Rita ainda estremeceu com o nome.

"Lutando por aquilo que acreditava, por Dumbledore", Harry continuou já não se preocupando em manter o temperamento sob controlo. "Tu sabes tão bem quanto eu que alguns dos seguidores de Voldemort escaparam. Se tu fizeste alguma coisa, seja o que for, que possa ter a ver com algum dos Devoradores da Morte aparecer neste funeral, eu vou fazer o meu melhor para te encarcerar em Azkaban por muito tempo".

Enquanto falava, Harry estava pensando rapidamente. Os funerais de amanhã tinham sido divulgados. Foram colocados avisos no Profeta Diário. Ele sabia que Kingsley tinha assegurado um alto nível de segurança. Hoje era diferente. Além dos jovens bruxos e bruxas já presentes, só iriam comparecer McGonagall e Kingsley. Não havia qualquer menção deste funeral nos jornais do mundo mágico.

Perguntou-se se estaria a ser paranóico. Todos os do sexto ano, para além de Ginny e Luna, tinham viajado através de Chave de Portal. Os membros do ED tinham Aparecido. Skeeter não poderia tê-los seguido, Umbridge era a única possibilidade. Melhor prevenir do que remediar. Ele decidiu confrontar a jornalista à frente de todos.

"Ninguém além de nós deveria saber sobre este funeral, mas aqui a Rita Skeeter descobriu, através da Umbridge". Harry anunciou. O rosto de Rita traiu-a com a verdade da declaração. Ele agora tinha certeza que acertou.

"A menos que haja alguém aqui presente que queira admitir que contou a alguém onde estamos" Harry lançou um olhar para aos alunos que não conhecia.

"Não sabemos onde estamos, Harry", disse Jack Sloper, "nós viemos de Chave de Portal, poderemos estar em qualquer lugar". Harry assentiu com a cabeça.

"Eu suspeito que a Skeeter tenha passado a informação sobre o local". Ele ignorou o olhar reprovador de Rita.

"Pode haver uma emboscada no local do funeral do Colin", concluiu. As varinhas circundantes a Rita aproximaram-se dela ainda mais.

"A quem é que contaste?" ele perguntou novamente.

"A ninguém", Rita rosnou, olhando-o nos olhos. Harry estava confuso, ele praticamente tinha a certeza de que ela tinha contado. A sua resposta mais recente confundiu-o. Talvez ela fosse melhor a mentir quando tinha tido a chance de pensar primeiro.

"Ela não contou a ninguém", Ginny observou, "mas ela passou uma cópia da nota a alguém".

A expressão de Skeeter mostrou que Ginny estava certa. Harry sorriu agradecido para sua namorada. Skeeter fez uma careta, mas manteve-se teimosamente em silêncio.

Harry remexeu no bolso e encontrou o seu cartão, ele mostrou-o a Skeeter.

"Harry J. Potter – Auror Recruta", ela leu em voz alta, surpresa. "Então, esses rumores também são verdadeiros".

"Estás detida por seres uma animagus não registada, por invadires Azkabhan e por suspeita de comprometeres a segurança do Ministro da Magia", Harry informou.

"Tu não podes fazer isso!" Rita Skeeter estava indignada, "tu não podes privar uma jornalista honesta da sua liberdade por uma mera suspeita".

Harry hesitou, falou sem pensar. Ele ainda não teve formação, ignorava as leis, será que poderia prender Skeeter?

"Ele pode", disse Leanne Cowper. Todos se viraram para olhar para ela, ela corou com a atenção, mas continuou, "segundo o Artigo 16B do decreto da Segurança do Ministério, qualquer oficial autorizado ou funcionário do Ministério pode prender alguém suspeito de agredir, ou planear em prejudicar ou ameaçar um alto funcionário do Ministério.

Harry olhou para ela com espanto.

"Não existe essa lei", disse Skeeter desdém.

"Existe sim", Fenella falou baixinho, envergonhada, "A Dolores Umbridge redigiu a lei, o meu pai trabalhava para ela e ajudou-a a escrevê-la".

Leanne olhou repugnada para Fenella. "Tu és filha do Abraxus Gray?"

"Deixem isso para depois", Harry ordenou.

"Ela está certa", Leanne admitiu, com relutância, franzindo a testa para Fenella, "a Umbridge estava completamente paranóica após o ataque ao Ministério, Harry. Ela pensou que estavam lá todos para a magoar".

"Quer dizer... todos não", disse Justin, esboçando um sorriso triste, "mas a maioria de nós sim. Nós simplesmente nunca tivemos a oportunidade".

"No entanto o decreto não foi revogado", Fenella acrescentou, "pelo menos, eu acho que não".

"Não foi", confirmou Leanne, "o Ministro não teve tempo, com os problemas em Azkhaban e tudo mais".

"Oh, doce ironia", observou Ginny, sorrindo inocentemente para a jornalista.

"Tu vais-te arrepender disto, todos vocês", Skeeter ameaçou-os, apertando os lábios. Harry ignorou os protestos e com a sua varinha fez aparecer cordas em volta de Rita. Ela caiu no chão, amarrada e amordaçada.

"Precisamos de verificar o cemitério", anunciou Harry, "e rápido".

Dezenas de rostos sombrios, com raiva e assustados olharam para ele com expectativa. Harry olhou para Ron e Hermione. Eles concordavam com o seu plano, embora Hermione parecesse confusa e Ron preocupado. Hermione agarrou firmemente no braço de Ron. Ela não estava no seu melhor para pensar com clareza. Ainda não estava em condições de ajudá-lo a fazer planos, e Ron estava ainda muito preocupado com Hermione para ajudar.

"Tens razão Harry", confirmou Ginny, "mais vale prevenir". Ele virou-se para Ginny, Neville e Luna estavam ao seu lado e assentiram com a cabeça.

Harry sorriu agradecido para a sua namorada e tomou uma decisão.

"Neville, usa o teu Patronus, entra em contacto com o Kingsley, avisa-o de que temos a Rita Skeeter aqui. Diz-lhe também que há a possibilidade, pelo menos é a minha opinião, que ela tenha contado a outros sobre o funeral. Ele entregou a Neville o pergaminho da bolsa de Rita.

"Justin, quando é que os carros chegam?" perguntou Harry enquanto Neville lia rapidamente o pergaminho e, de seguida, lançou o seu Patronus.

"Menos de meia hora."

"Podes levar-me para um local perto do cemitério com boa vista do local?"

"Sim"

"Harry", advertiu Hermione.

"Dá-me o meu manto por favor Hermione", ordenou Harry, "vou apenas observar, não lutar".

"Eu também vou contigo!" disse prontamente Ginny.

"Ainda não Ginny, eu e o Justin vamos apenas verificar a área."

Ginny olhou-o directamente nos olhos. Ele percebeu que ela estaria a pensar se não estava a tentá-la proteger.

"Se lá houver alguém, voltaremos para reforços", prometeu-lhe.

Ele não desviou o seu olhar. Os olhos dela viam a honestidade do seu olhar. Ginny assentiu com a cabeça.

"Ok", disse ela, em acordo imediato, incondicional. Ele sorriu-lhe agradecido.

"Se não voltares dentro de cinco minutos..." Ron começou.

"...vais ter reforços quer queiras quer não" Ginny terminou a frase do seu irmão com determinação. Harry queria beijá-la, mas o local, e a urgência da situação impediu-o. Atrás dos Weasley, os restantes rostos severos do Exército de Dumbledore concordaram com a cabeça.

"Hermione, o manto, por favor", Harry pediu novamente.

Hermione atirou a sua bolsa a Harry.

Abrindo a bolsa de contas, Harry acenou com a varinha, e o seu manto de invisibilidade voou para fora, brilhando sob o sol da tarde. Ele apanhou-o, fechou a bolsa, atirou-a de volta para Hermione, em seguida, fez sinal a Justin para se juntar a ele sob o manto.

"Tem cuidado, por favor", ordenou Ginny enquanto Harry e Justin desapareceram sob o manto.

"Prometo que terei."

"Eu sei", ela sorriu para ele.

Harry agarrou o braço de Justin.

"Leva-nos para um sítio suficientemente longe para não nos ouvirem Aparecer, mas perto o suficiente para ver tudo bem" Harry instruiu. Justin assentiu e com um pop, eles deixaram jardim dos Creevey.

Eles Apareceram num pequeno relvado. Atrás deles estava uma estrada de alcatrão. Do outro lado, um pequeno caminho conduzia na direcção dum rio. À esquerda estava um parque de estacionamento quase vazio, para além do qual estava um muro alto de granito. Harry podia ver os telhados das casas por cima do muro. À sua direita, a estrada conduzia para umas colinas distantes.

Directamente à frente deles uma escadaria ladeada de sebes e velhas árvores conduzia a uma igreja.

"O cemitério é ao lado da igreja", Justin sussurrou. Quando chegaram ao topo das escadas Harry percebeu que era um bonito local, directamente à frente deles estava uma pequena igreja, separado por um muro de pedra estava o cemitério do lado esquerdo, e do lado direito um bonito jardim.

Eles olharam atentamente para o cemitério. Havia várias árvores grandes e antigas, carvalhos e castanheiros, espalhados entre os túmulos. Perto da igreja as lápides eram velhas e gastas dos anos. Cerca de cem metros da entrada estava um monte de terra, ao seu lado um buraco negro vazio, esperando a chegada do seu ocupante. O destino final, o último lugar de descanso de Colin Creevey estava esperando pacientemente. Harry parou por um momento, emocionado.

"Também não foi culpa tua Harry", Justin sussurrou, apertando o ombro de Harry.

"Homenum revelio", Harry sussurrou, pela segunda vez naquela tarde e, em seguida, "Muffliato".

Ele virou-se furiosamente para Justin.

"Quatro", sussurrou, "sabes usar o feitiço Homenum?"

Justin abanou a cabeça. "Não chegámos a aprender esse, é o revelador de invisibilidade, não é? O Ernie falou nele porquê aprendeu-o no ED no ano passado. A Hannah também o sabe, mas nunca teve tempo de mo ensinar".

"Vou mostrar-te onde eles estão"

"Um ali", apontou para um local próximo à entrada do lado da igreja.

"Ali", apontou para o portão do cemitério.

"Ali mais um", apontou para um jazigo no centro do cemitério.

"E ali o último", perto das traseiras da igreja.

Justin olhou de local para local.

"Aquele está mesmo perto da cova do Colin", Justin observou. Seu rosto, como o de Harry, estava pálido e irritado.

Harry assentiu com a cabeça.

"Agora", Harry continuou, "vamos voltar, organizar o ED, e fazer-lhes a folha".

Harry estava falando com calma, mas estava tendo dificuldade em manter a raiva sob controlo. Skeeter e Umbridge! As duas interromperam um funeral. Harry estendeu o braço a Justin.

"Eu levo-nos de volta", Justin agarrou no seu braço e Desapareceram.

Quando Apareceram no jardim, Harry tirou o manto e atirou-a a Hermione. Ela apanhou-o e, com os dedos trémulos, colocou-o de volta na sua bolsa. Muitos começaram a a fazer perguntas, mas Neville, Luna, Ginny, Susan, Hannah, Ernie e Terry já tinham as varinhas apontandas para Harry e Justin.

"Qual foi a última ordem que me deste?" perguntou Neville.

"Avisar o Kingsley...", respondeu Harry, "...bem pensado Neville".

Harry levantou a mão pedindo silêncio.

"Más notícias, há quatro pessoas, invisíveis no cemitério. Eles estão todos relativamente perto da sepultura do Colin".

As vaias e maldições que começaram após a declaração de Harry foram acompanhadas por várias batidas e um gemido nasal de Rita Skeeter. Jack Sloper, Fenella Gray e vários outros dos colegas de Colin foram afastando-se dela. Harry suspeitou de que um ou mais deles tinha pontapeado a repórter amarrada e impotente. Ele não se importou.

Harry olhou para os rostos dos membros do ED, percebeu que todos se sentiam como ele. Como se atreve alguém tentar montar um ataque num funeral? Apenas a amiga de Katie Leanne parecia insegura. Harry lembra-se que ela tinha estado na Batalha de Hogwarts, mas ele se perguntava se realmente saberia lutar. Ela foi corajosa na sua própria maneira, sem dúvida, ele sabia o que tinha feito dentro do Ministério. Mas para Harry era uma desconhecida, seria passiva em combate? Era hora dele tomar decisões, o Exército de Dumbledore estava à espera de ordens.

"Eu não vou permitir que este funeral seja interrompido, ou cancelado", Harry anunciou, "por isso, vamos dividir-nos em quatro equipas. Cada uma lida com um deles".

"Porque não esperamos pelos Aurores?" Hermione implorou.

"Não sabemos quanto tempo demorarão. Se agirmos rapidamente, nós conseguimos fazer isto. Somos vinte e tal contra quatro. Nós sabemos onde eles estão e eles não sabem o que sabemos. Não irão estar à espera".

"Alguém terá de ficar para trás e manter um olho na Skeeter, nos muggles, e no restante pessoal", Harry acenou para o resto dos alunos, que escutava ansiosamente.

"Nós podemos ajudar", disse Jack Sloper, "a maioria de nós tem dezessete anos e muitos de nós lutámos em Hogwarts".

"Sim, eu também quero ajudar", concordou Fenella Gray. Jack Sloper olhou para ela, surpreso.

"O Colin era meu amigo", ela continuou, olhou para Jack e endireitou as costas. Ela era estranhamente impressionante, até mesmo um pouco assustadora, vista quando não estava cabisbaixa.

"Olhem", disse Harry, "ao contrário de nós, vocês não podem Aparecer".

"A Ginny e a Luna também não podem!" continuou Fenella.

"A Luna pode", Harry respondeu.

"Não, ela não pode, pelo menos não legalmente", Hermione interrompeu com raiva, "ela não passou no teste, aliás, não teve sequer lições".

"O meu pai ensinou-me" informou Luna. A causa da sua discordância à chegada tornou-se óbvia.

"Não temos tempo para discussões", Harry disse-lhes, "a Luna consegue Aparecer sem magoar ninguém, isso para mim é suficiente".

"Só vão os membros do ED", Harry disse aos outros alunos, "vamos precisar de vocês aqui por causa dos Muggles, eles vão desconfiar por ver o jardim vazio".

Os colegas de Ginny revoltaram-se.

"De qualquer maneira não conseguem ir sem alguém vos levar", disse-lhes sem rodeios, "vamos precisar que alguém do ED fique aqui também, eles podem precisar de ajuda".

Apesar de insatisfeitos permaneceram em silêncio.

"Bem…" Harry virou-se para o ED, "quem fica aqui?"

"Eu posso ficar" respondeu Seamus.

"Eu também fico se quiserem", sugeriu a amiga de Katie Leanne resolvendo o problema de Harry.

"Por mim tudo bem", disse Harry.

"Precisamos de quatro grupos… Hufflepuffs" , ele contou quatro, falta um, "alguém se oferece para ir com eles?"

"Eu", anunciou Neville indo para o pé de Justin, Ernie, Susan e Hannah. Os Hufflepuff sorriram e deram-lhe as boas vindas.

"Ravenclaws", os seis estudantes da casa deram um passo à frente. Padma Patil não se moveu ficando ao lado da sua irmã. Quando ia dar um passo em frente olhou para a sua irmã. Harry reparou na sua hesitação.

"Padma", Harry sugeriu, "tu podes ficar com a Parvati, o Ron, a Hermione e o Dean, serão o terceiro grupo".

Padma deu um passo atrás de volta ao lado da irmã, enquanto os outros membros da Ravenclaw: Luna, Michael, Cho, Anthony Goldstein e Terry Boot ficaram juntos.

Harry olhou para os restantes, Quidditch, pensou. George, Angelina, Katie, Alicia e Lee estavam juntos. Ginny foi para ao pé deles.

"Ginny, tu não", Harry ordenou. Ela virou-se para ele furiosa, prestes a explodir.

"Tu vais comigo", explicou-lhe apressadamente. A raiva dela desapareceu instantaneamente.

"A Ginny e eu vamos ajudar onde for necessário"

"Equipas", ele dirigiu-se aos quatro grupos, "não temos muito tempo. Como eles estão invisíveis, você devem saber usar o feitiço Homenum revelio. Se há algum grupo quenão saibam usar esse feitiço avisem agora! Quando vocês chegarem, eu quero que alguém em cada equipa lance o feitiço anti-Aparição, nós não queremos que eles escapem assim como alguém que lance um feitiço repelente de Muggles, não quero vitimas inocentes.

"Decidam entre vós quem faz o quê rapidamente", Harry concluiu.

Harry olhou para os grupos, eles estavam falando rapidamente, com determinação, organizando-se. George tinha perdido, a atitude de miserável e tinha um brilho nos olhos. Todos estavam concentrando-se nas tarefas que tinham sido dadas. Ele sabia que podia contar com eles para seguir as suas instruções.

"Harry", Dennis Creevey chamou correndo até ele vindo de casa. "Eu pensei que isso poderia ser útil". Ele deu-lhe uma folha de papel brilhante. Era uma fotografia, tirada, tanto quanto Harry podia ver, de um ponto no ar muito perto de onde ele e Justin tinham observado o cemitério.

"O Colin fotografou toda a aldeia há dois anos", Dennis explicou.

"Brilhante Dennis", Harry felicitou o membro mais jovem do ED, "era mesmo o que precisava".

Ele pegou na fotografia, usou o feitiço Gemino para duplicá-la três vezes e foi rapidamente de grupo em grupo. Mostrou-lhes as localizações das emboscadas, deu a cada grupo um alvo e deixou-lhes uma fotografia.

"Qual é o meu grupo?" perguntou Dennis enquanto Harry dava ao grupo de Quidditch o seu alvo. O rosto de Harry caiu.

"Dennis…", começou. Então percebeu que, embora não quisesse que ele fosse, não poderia deixar Dennis para trás. Ele olhou para Ginny, ela deu um passo ao lado de Dennis, colocou a mão no seu ombro e assentiu. "...tu estás comigo e com a Ginny"

"Digam quando estão todos prontos, precisamos de…"

Harry foi interrompido pelo súbito aparecimento de um lince prateado.

A voz profunda de Kingsley Shacklebolt ressoou em todo o jardim. "Fiquem onde estão", ordenou o lince, "eu estou a organizar quatro esquadrões de Aurores".

"Ah, bem…" Hermione estava obviamente aliviada; "os Aurores vão lidar com isso".

"NÃO!" George gritou e Desapareceu!