Capítulo 9 - Jogo de Intrigas

Novecentos anos antes

Sentindo o vento gelado contra o rosto e uma sensação inexplicável de liberdade, Belerofonte, filho de Poseidon, deus dos mares, avançava em cima de seu cavalo alado Pégasus em direção ao templo da deusa Vesta.

Lá, as vestais cuidavam do fogo sagrado e mantinham o equilíbrio entre os nove mundos¹. Belerofonte cavalgava pelos céus até o templo, pois desejava encontrar-se com a deusa outra vez.

Fora por acaso que a conhecera, em uma visita ao templo depois de uma missão exigida pelo rei daquelas terras, Lóbates, que freqüentemente mandava-o realizar missões suicidas. Felizmente, ele era um semideus, e as cumpria com facilidade.

Seus feitos, entre eles a morte da temida quimera, chamara a atenção de Vesta. Quando se conheceram, Belerofonte percebeu que já não era mais dono do próprio coração. Ele pertencia à deusa.

Mas Vesta, ele sabia, fizera votos de castidade. Recusara o amor de outros deuses. O que ele seria que não um simples semideus prepotente se expusesse seu amor? Como ousar desejar que ela deixasse seus juramentos para trás por causa dele? Jamais. Ele estava contente por apenas ter a companhia dela, quando ia ao templo.

Pousou em frente ao templo, que ficava perto do mar, cercado por árvores e flores, o que deixava o lugar com um cheiro de maresia, lírios e laranjeiras. Era uma mistura que acalmaria o coração de qualquer um. Por isso, quando Vesta estava sendo dominada por ou mais ódio que amor, ou mais amor que ódio, ela descia até o templo e restaurava o equilíbrio que mantinha os mundos nos eixos.

Ao entrar, Belerofonte encontrou uma das vestais, sua amiga e confidente. Chamava-se Anteia e era também muito formosa: ruiva, alta, de pele clara. Mas seus traços eram mais pontudos e menos delicados do que os de Vesta, a qual parecia ter sido esculpida pela mais detalhista dos artistas.

Ao ver o semideus, Anteia caminhou apressada até ele, fazendo seu vestido branco imaculado farfalhar em seus calcanhares. Belerofonte segurou as duas mãos da mulher e beijou-as polidamente.

"Sempre um cavalheiro." Ela murmurou e o semideus não reparou nas bochechas coradas, ou no brilho apaixonado nos olhos castanhos.

"Com uma donzela como você, não poderia ser diferente." Ele sorriu com seus perfeitos dentes e perdeu o suspirou encantado de Anteia.

Ela preferiria, porém, que ele não a tratasse como uma donzela. Que a prensasse contra um dos pilares do templo, arrancasse-lhe o vestido e fizesse exatamente o que sabia que ele fazia com as mulheres da vida, soltas por Midgard. Mas ela era uma vestal, e fizera votos – nunca poderia se entregar a nenhum homem.

Entrementes, se ela soubesse que seu amor era recíproco, não hesitaria em quebrar os votos e enfrentar a fúria de sua senhora.

"Ela está aqui?" perguntou o semideus, arrancando Anteia de suas divagações.

"Ela?" Anteia sentiu seu coração despedaçar-se ao vê-lo tão ansioso por encontrar com a deusa. Sentiria ele mais do que adoração por Vesta?

"Vesta." Ele terminou de apunhalar o coração da vestal. Ela assentiu, e ele não esperou que ela dissesse mais nada; seguiu para o centro do templo, onde a deusa ficava quando descia para Midgard.

Ouvindo atrás de um pilar, estava Loki. Descera junto com Vesta ao templo, mas sempre que ela chegava a Midgard, seus pensamentos voltavam-se todos para o semideus. Loki então deixava-a sozinha, pois não agüentava a indiferença que ela lhe oferecia sem ao menos perceber.

Sem perceber o quanto o machucava não ter seu amor retribuído.

Loki saiu de trás do pilar, aproximando-se perigosamente da vestal.

"Dói, não dói?" Ele perguntou num tom maldoso. Anteia sentia exatamente o mesmo que ele. Queria intensificar a dor dela. Quem sabe assim, a sua própria diminuísse. "Ver o quanto ele se importa com a deusa, e corre atrás dela, quando você está aqui, de braços abertos, esperando-o."

Ela olhou-o assustada, só então percebendo sua presença. As palavras a machucaram ainda mais, mas ela manteve-se firme; ninguém deveria saber sobre seus verdadeiros sentimentos.

"Deus Loki." Ela fez uma reverência, e Loki pode admirar o contorno dos seios sob o decote que se descolava do corpo com a inclinação. Aproximou-se mais um pouco, fazendo-a dar alguns passos para trás.

"Pude ouvir seus pensamentos luxuriosos direcionados ao semideus." Falou Loki, encurralando-a contra um pilar. Sendo também o deus do sexo, sempre conseguia perceber quando algum humano pensava sobre o ato. Podia facilmente seduzir quem quer que desejasse, com um simples olhar.

E olhava intensamente para Anteia agora.

"Loki..." Anteia murmurou, sem ar, tonta com a proximidade. Loki colocou uma mão sobre o seio solto por baixo do vestido branco, e Anteia tremeu, sentindo arrepios por todo o corpo.

"Vi o que queria que ele lhe fizesse." Ele murmurou, aproximando os lábios do ouvido dela, enquanto apertava ainda mais o seio, e deslizava outra mão pela coxa, subindo o vestido.

Anteia soltou um gemidinho baixo. Se se concentrasse apenas nos cabelos ruivos, poderia fingir que era Vesta em seus braços, suspirando por seus toques.

Pressionou-se contra ela, e Anteia sentiu a ereção do deus em meio a suas pernas.

"Não aqui." Ela conseguiu dizer, e Loki arrastou-a para as sombras por trás dos pilares.


Belerofonte alcançou o centro do templo. Um enorme salão circular, encantado para que o teto mostrasse o céu igual como o lado de fora. Inúmeras fontes circundavam as paredes do local, e a água escorria delas, serpenteando por caminhos nos degraus, até chegar ao ponto mais baixo, onde o fogo sagrado queimava sobre uma elevação de pedra. Era como se a água alimentasse o fogo, algo que Belerofonte nunca conseguiria compreender.

Vesta estava sentada em um dos degraus, passando os dedos pela água em um movimento gracioso. Um vento fresco entrava pelas janelas do lugar e bagunçava os cabelos da deusa, mas ela parecia não ligar, concentrada estava em observar o contínuo trajeto da límpida água.

"Minha deusa." Ele chamou e caminhou até Vesta. Ela ergueu a cabeça e sorriu ao vê-lo. Levantou-se de modo suave, como se pesasse o mesmo que uma pluma.

"Semideus." Ela observou o homem de cabelos loiros platinados, alto, forte e belo ajoelhar-se, enquanto beijava-lhe a mão. Ela o puxou para cima e segurou-lhe o rosto.

"Eu já disse que não há necessidade de tantas formalidades entre nós." Disse Vesta, em um tom quase repreensivo. Ele sorriu.

"Enquanto for minha deusa, e eu seu mais leal admirador, sempre a tratarei com todo o respeito que merece." Disse o semideus observando cada detalhe do rosto perfeito de Vesta. O manto vivo que eram seus cabelos estava repuxado em uma bela trança, adornada com flores, que alcançava seus calcanhares.

Vesta virou-se e desceu alguns degraus.

"O que farei com todo esse respeito, se desejo tão mais do que isso?" Ela olhou para o fogo sagrado. Ele crepitou com força, revelando seu estado de espírito. Não lhe era permitido desejar mais; ela fizera essa escolha há séculos atrás. Jamais imaginara que se apaixonaria por um semideus, todavia.

"E o que deseja, Vesta?" Belerofonte voltou a se aproximar da deusa. Parou atrás, seus lábios muito próximos do ouvido dela. Seu coração bombeava com força, desejando que ela lhe falasse tudo que sentia.

"Não posso falar." Ela sentenciou com pesar. "É errado."

Ele deslizou uma mão pelo braço alvo de Vesta e entrelaçou seus dedos nos dela, rodeou a cintura fina, trazendo-a mais para perto. Vesta sentiu o calor do corpo do semideus em suas costas e tremeu levemente.

"O que mais eu posso dar a uma deusa, que ela não tenha, além de meu amor e adoração?" Ele perguntou. "Mesmo que esse amor não seja retribuído, ele não se apagará. Como o fogo sagrado que permanece ao longo dos séculos."

Vesta se apoiou em Belerofonte, e ele beijou-a no pescoço. Ela era tão encantadora em todos os sentidos. Sua pele cheirava a morangos silvestres e seus cabelos a flores do campo. Ele sabia que ela era proibida para ele, mas não conseguia se controlar quando estava tão perto dela e quando suspiros cálidos escapavam dos lábios rubros e cheios.

Ela se afastou tão rápido que ele nem sentiu o movimento.

"Não podemos..." Ela se segurou na pedra, onde no topo queimava o fogo sagrado. Ela se virou e tocou-o no rosto, com a ponta dos dedos. Olhava-o com ternura.

Belerofonte não pode impedir a dor em seu coração. Era errado ambicionar mais do que carinho da deusa, contudo, ele também queria que o fogo da paixão brilhasse nos olhos dela, assim como brilhavam nos seus.

"Eu aceito o seu amor, e aceito sua adoração. Mas isso é tudo o que eu posso fazer. Eu não deveria..."

'Amá-lo tão intensamente.' Ela completou em pensamentos. Esse era o problema de Vesta, ou ela amava, ou odiava de um modo que nem ela conseguia compreender.

Ela controlava as duas emoções mais fortes dos homens e deuses. Algumas vezes, os sentimentos eram tão fortes, que ela mal conseguia suportá-los dentro de si. Ela era alimentada pelas duas emoções, que fluíam constantes e incessantes através dos noves mundos.

Mas elas eram também sua ruína.

"Não deveria...?" Belerofonte insistiu e segurou a mão de Vesta perto de seu rosto. Segurou-a pelo queixo e aproximou os lábios.

Quando ela fechou os olhos, ele sabia que precisava beijá-la, mas um barulho fez com que os dois se afastassem sobressaltados.

O deus Loki apareceu na porta do salão.

"Vesta, está na hora de voltarmos para Asgard." Ele caminhou desenvolto até a deusa, ignorando o semideus. "Você sabe como Odin odeia quando você se atrasa para seus banquetes."

Vesta sabia como Odin conseguia ser genioso.

"Até breve, semideus." Ela sorriu de um jeito que fazia com que Belerofonte perdesse o ar.

Os dois deuses se transformaram em luz, tão cegante que Belerofonte precisou desviar o olhar, antes de sumirem. O templo ficava vazio e triste sem Vesta.

O fogo crepitava calmo e acolhedor.


Presente...

Ao final da trilha ladeada por árvores, livrando-se do teto abobadado por troncos e folhas, era possível visualizar o luminoso céu de Asgard, salpicado por inúmeras nuvens. A trilha se estendia a céu aberto, até a beirada de um penhasco. Seria o fim da linha se, ligado à ponta de uma grossa pedra, um arco-íris não se projetasse até as nuvens, onde pairava a silhueta de um imponente castelo.

"Ele está flutuando?" Perguntou Gina, admirada, absorvendo cada detalhe daquela impossibilidade.

"Não, veja," Loki apontou para o outro lado do precipício. "Uma montanha se ergue do outro lado e sobe envolta pelas nuvens. Valhalla está no topo da montanha."

"Seria mais interessante se flutuasse." Resmungou Gina.

"Eu adoraria ficar apreciando a vista, mas... há um lobo vingativo olhando para nós nesse exato momento." Avisou Draco, puxando Gina para perto.

"Oh! É Freki! Ou será o Geri? Estou confusa agora." Falou Alseíde, fazendo uma careta meditativa.

"Ambos têm mandíbula com dentes afiados, isso me basta." Disse Draco.

"Acho melhor subirmos." Avisou Loki, dando alguns passos em direção ao arco-íris. Gina olhou confusa para o deus.

"Você é um deus! Deveria enfrentá-lo!" Reclamou Gina. O lobo avançou alguns passos, rosnando.

"Os dentes deles machucam deuses também, e não posso matar os lobos de Odin, ele não é um deus piedoso, se você não sabe e... CORRAM!" Gritou Loki, quando o lobo começou a correr.

Gina sentiu raiva do deus. Ele simplesmente sumiu e deixou Draco e ela sozinhos, tendo que correr arco-íris acima. Alseíde voava um pouco mais a frente.

Era estranho pisar no arco-íris. Ele era compacto como pedra e, felizmente, não escorregadio.

"Vamos, Gina, mais rápido!" Instigou Draco, segurando-a pela mão e puxando-a para cima. Era uma longa subida até Valhalla.

"Eu... estou fora... de forma." Reclamou a ruiva. O lobo estava muito perto. Gina conseguia ouvir o rosnado dele como se a mandíbula dele estivesse a centímetros de seu ouvido.

Ela olhou para trás e viu a enorme criatura preta pulando contra ela e Draco. Gina soltou um grito de terror, e Draco a abraçou, colocando seu corpo como um escudo.

Antes que o lobo os alcançasse, porém, uma luz se interpôs entre eles. Quando Gina abriu os olhos viu uma mulher alta, de longos cabelos loiros, corpos escultural, protegido apenas por um singelo vestido branco, que lhe cobria o torso até a cintura, e descia como uma saia aberta nas laterais até o chão. Ela esbanjava tanta sensualidade, com suas formas e curvas frouxamente protegidas pelo tecido, que até mesmo Gina sentiu-se atraída.

Era Freya, esposa de Odin, deusa da sensualidade, da luxúria, do sexo, do amor, da magia e da adivinhação. Ela tinha o mesmo encanto que Loki, algo envolvente e forte – era difícil desviar o olhar dela.

"Freki, pare com isso. Você não mata as visitas antes que eu ordene que o faça." Ela repreendeu o lobo, que ganiu e se encolheu.

Gina percebeu que Loki estava ao lado deles novamente.

"Você fugiu!" Ela acusou, sem nem ao menos lembrar-se de que era com um deus com quem estava falando.

"Chamei Freya. Ela é a única além de Odin que consegue lidar com esses lobos desagradáveis." Disse o deus, desgostoso, porém olhando com lascívia para a deusa.

Os dois eram deuses do sexo. Gina calculou que Odin deveria ter muitos chifres na cabeça. Já Draco estava satisfeito pelo deus estar lançando aquele olhar à outra 'pessoa' que não Gina. Passou um braço pela cintura da ruiva, trazendo-a para perto. Era bom tê-la segura em seus braços.

Freya virou-se para eles. Alseíde olhava-a com adoração. Freya também era deusa das flores.

"Podem subir, viajantes, os lobos de Odin não incomodarão novamente. Está uma confusão lá em cima, não posso me ausentar por muito tempo." Dito isso, ela sumiu com um novo clarão de luz.

"Vejo vocês lá em cima." Avisou Loki, e desapareceu também.

Os três se entreolharam e continuaram a subir. Quando chegaram à entrada do castelo, que não era bonito, mas rústico, um verdadeiro lugar para guerreiros e seus treinos de combate, Alseíde se despediu.

"Eu acho que vou indo também. Não gosto dos Einherjar. Eles são... detestáveis." Disse Alseíde, tremendo levemente.

"Einherjar?" Perguntou Draco, franzindo uma sobrancelha. Já lera o nome antes, mas o significado lhe faltava.

"São os guerreiros de Odin, mortos bravamente em batalha. Eles festejam à noite e lutam durante o dia. Dessa maneira, realizam sua preparação interminável para o Ragnarok." Recitou Alseíde, em sua vozinha infantil.

"Vou sentir sua falta." Disse Gina. "Obrigada por tudo."

Se não houvesse encontrado com Alseíde logo que chegara a Asgard, talvez também não houvesse encontrado com Draco, visto que a ninfa que a guiara pelas planícies da morada dos deuses.

"Também vou sentir saudades. E vocês têm que me convidar para o casamento. Eu adoro casamentos. Uma vez, fui num casamento da minha prima ninfa. Eu não gostei que ela casou com um sátiro, mas..."

Draco ficou de lado, enquanto Gina abraça a ninfa, que tagarelava sem parar. Deu-lhe apenas um aceno de cabeça, e ela se foi, descendo novamente o arco-íris, cantarolando.

"Ela é tão fofa." Falou Gina.

Draco revirou os olhos.

"Vamos entrar. Não quero estar aqui fora quando aquele lobo decidir que não vai cumprir as ordens da deusa."Ele resmungou, sentindo as feridas há pouco cicatrizadas do peito latejarem.

Gina segurou a mão de Draco mais uma vez e os dois entraram.

O lado de dentro estava um caos. Guerreiros caminhavam de um lado para o outro, fardados para batalha com grandes armaduras, carregando machados, escudos, lanças e espadas. Era impossível entender o que eles falavam – alguns apenas rosnavam.

Gina sentiu-se zonza, enquanto eles avançavam, tentando encontrar Loki.

"É sempre assim antes de uma batalha?" Perguntou Gina. Draco parecia acostumado com aquele tipo de confusão.

"Basicamente." Ele confirmou, cuidando para que ninguém atropelasse a ruiva.

Eles conseguiram alcançar um salão, lotados de guerreiros e deuses, em pé entorno de uma grande mesa retangular. Loki apareceu novamente.

"Fiquem por perto e apenas escutem. Depois poderão conversar com Odin." Ele avisou e se afastou novamente.

Era difícil compreender o que eles falavam, pois os deuses conversavam e debatiam em uma língua antiga, a qual Gina nunca escutara antes. Draco, contudo, conseguiu captar algumas palavras, pois tivera aulas sobre línguas antigas – e ele nunca imaginara que isso poderia ser útil – quando era mais jovem.

"Aquele cara na ponta da mesa é Odin." Apontou Draco. Tinha a aparência de um homem encorpado, de longos cabelos loiros dourados, assim como a barba, usava um elmo com asas e segurava uma lança. A voz dele retumbava irritada, fazendo com que as paredes do salão tremessem. "Ele está dizendo que... alguém... libertado. Não parece muito feliz com isso."

"Isso eu posso perceber." Gina agarrou o braço de Draco quando o deus bateu o punho na mesa.

"Fenris. O lobo Fenris foi libertado. Ele está perguntando a Freya onde está o exército dos guerreiros de... Sessrumnir. Não sei o que é isso." Continuou o loiro, concentrado na discussão.

"É o salão da deusa Freya. Metade dos guerreiros vai para lá, e metade deles fica em Valhalla. Já as mulheres todas que morrem em batalha vão para Sessrumnir." Explicou Gina. Sempre adorara as aulas sobre deuses e magia.

"Sortudos os homens que vão para Sessrumnir." Falou Draco, com um sorriso enviesado. Gina apertou-lhe o braço e ele voltou a prestar atenção. "Freya está dizendo que ainda há tempo."

"Por que o tempo aqui passa mais rápido do que em Midgard, certo?" Gina lembrava-se de ter lido que um mês em Asgard era o mesmo que um dia em Midgard.

"Eles vão descer para Midgard amanhã, para a batalha... final..." Draco engoliu em seco.

"Parece bem definitivo." A ruiva falou.

Os dois saíram do caminho, enquanto diversos guerreiros passavam por eles, sem nem ao menos vê-los. Freya se aproximou dos dois. Ela agora trajava uma espécie de armadura prateada que deixava as pernas e braços à mostra. Era, junto com Vesta, a mulher mais bonita que Gina já vira. Olhou de relance para Draco. Como acontecera com Parténope, ele mantinha a expressão impassível frente aos encantos da deusa. Gina sorriu internamente com a constatação.

"Vocês, jovens, podem dizer agora por que vieram até Valhalla em meio a essa confusão." Disse a deusa.

"Queremos... viemos pedir permissão para..." Gina se confundiu ao ver Odin se aproximando de onde eles estavam. O líder dos deuses causava-lhe calafrios.

"Queremos permissão para descer até Nilfheim." Completou Draco, sem qualquer tremor ou hesitação na voz. Gina suspirou. Ele precisava ser sempre tão controlado e seguro?

"Por que duas almas que chegaram até Asgard por engano gostariam de descer até Nilfhiem?" Perguntou Odin, parando ao lado de Freya. Ele era ainda mais assustador de perto, e sua voz era grave e rouca. "Vocês não deveriam estar aqui, mas não expulsamos ninguém do paraíso, uma vez que consegue passar por Heimdall."

Gina preferiu omitir que os dois chegaram ali sem passar pelo guardião dos céus.

"Queremos encontrar uma pessoa... uma alma." Falou Gina. "É muito importante."

Odin fez um gesto de descaso com a mão.

"Vocês que sabem. Mas prestem atenção no que eu digo: diferente de em Asgard, nem sempre uma alma que entra em Nilfheim consegue voltar de lá."

Gina tremeu de leve, mas se manteve firme.

"Então temos sua permissão?" Perguntou.

Draco esperava conseguir fazê-la desistir da idéia até o dia seguinte.

"Claro, claro. Durmam aqui esta noite e partam conosco amanhã. Freya, veja com Hell se ela pode levar essas duas almas até Nilfheim."

Gina nunca imaginou que Odin pudesse ser tão prestativo por baixo daquela expressão carrancuda.

"Obrigada." Disse, mas Odin já saía do salão, novamente dando ordens na língua que Gina não compreendia.

"Não esperem muito de Hell." Disse Freya, jogando os cabelos loiros atados em um trança para trás. "Ela não é tão simpática quanto Odin."

"Não esperávamos que a deusa dos mortos fosse agradável." Falou Draco, torcendo o lábio superior. A deusa olhou com interesse para o jovem.

"Você me lembra alguém..." Ela balançou a cabeça. "Loki, faça algo de útil e guie-os até seus aposentos." A deusa se aproximou de Loki e sussurrou algo no ouvido dele.

Loki sorriu malicioso.

"Por aqui." Ele indicou. Draco e Gina seguiram o deus, até que ele entrasse em um corredor cheio de portas e parasse em frente a uma delas.

"Você pode ficar aqui, Ginevra. Você, garoto, na porta ao lado." Ele apontou e voltou caminhando na mesma direção em que vieram.

"O que ele cochichou no ouvido da deusa?" Perguntou Gina, depois que o deus se fora.

Draco balançou a cabeça.

"Acredite, você não precisa saber disso." Falou. Gina abriu a boca para protestar, mas ele foi mais rápido. "É melhor você entrar e descansar um pouco. Deuses, eu espero que eles tenham roupas limpas, estou um trapo." Reclamou o loiro, indo para seu quarto.

Gina suspirou e entrou também. Estava mesmo suja e exausta.


Novecentos anos antes

Um banquete seria realizado em Valhalla, presidido por Odin, e todos os deuses estavam convidados. Loki e Vesta chegaram em cima da hora, ao voltarem de Midgard.

Freya apareceu para recebê-los.

"Querida, o que é esse olhar apaixonado em seu rosto?" Perguntou a deusa, sorrindo maliciosa. Sabia sobre o voto de castidade de Vesta e adorava provocá-la quanto a seu amor por um semideus.

"Que colar lindo esse que está usando, Freya." Vesta caminhou até a deusa e segurou o colar. "Ouvi dizer que precisou dormir com quatro anões para que eles lhe fizessem esse agrado.²" Completou, sorrindo inocentemente, antes de entrar no salão do banquete.

Freya olhou com desagrado para Loki.

"O que é tão engraçado?" Ela se aproximou do deus. "Aposto como não estava sorrindo tanto assim enquanto sua amada estava lá em baixo, flertando com o semideus. Ela tem bom gosto, devo dizer, Belerofonte tiraria o fôlego de qualquer garota."

Loki resetou, enquanto a deusa passava uma mão por seu rosto e pressionava os seios contra seu tórax.

"Não me provoque, Freya." Ele sussurrou, assim que a deusa roçou os lábios em seu pescoço.

"Por que você perde tempo com ela quando tem a mim?" Ela perguntou sedutoramente.

Loki envolveu-a pela cintura e beijou-a no pescoço.

"Eu não tenho a você, Freya. Você pertence a Odin." Disse Loki, contra o ouvido da deusa. Ela tremeu quando ele insinuou uma mão entre suas pernas.

"Então me faça sua, Loki." Ela ronronou para o deus, mas Loki a empurrou para longe.

"Não aqui." Ele disse, olhando para o caminho que Vesta tomara. Freya encarou-o com profundo ódio.

"Por causa dela, Loki? Quem diria que um dia eu veria você, logo você, apaixonado." Ela riu com escárnio. "Você acha que ela se importaria ao vê-lo com outra mulher ou deusa? Ela não dá à mínima, Loki, ela ama a outro."

Loki cerrou os punhos.

"Você acha que eu não sei disso? Eu não agüento vê-la com aquele semideus." Ele socou a parede. "Eu posso viver sem tê-la, mas não posso aceitar que outro a tenha."

"O amor dela pelo semideus é casto, Loki, e o dele por ela. O seu amor é vil e egoísta, e carnal. Você está perdendo o seu tempo." Disse Freya, suspirando a seguir. "Ela está pendendo demais para o amor, talvez esteja na hora de trazer um pouco de velho ódio de volta."

"O que você quer dizer com isso?" Perguntou Loki, franzindo as sobrancelhas.

"Que o que você faz de melhor é brincar com os sentimentos humanos." Ela sorriu de lado e seguiu para o banquete.

Loki sorriu também, antes de segui-la.


Vesta saiu para umas das varandas do castelo, sentindo-se irritada e nervosa. A noite estava agradável, com um vento fresco, em Asgard, mas a deusa continuava a sentir-se terrivelmente sufocada.

Loki apareceu logo depois, e ela virou-se para ele, fazendo o cabelo vermelho ricochetear e brilhar no escuro.

"Por que você insiste em me dizer essas coisas?" Ela perguntou, raivosa e magoada. Loki achou-a ainda mais linda desse jeito.

"Apenas quero alertá-la, Vesta. Assim, quando você perceber a verdade, ela não será tão dolorosa." Ele retrucou, num tom macio, aproximando-se mais e mais dela, encurralando-a contra o parapeito da sacada.

"Eu não acredito em você. Isso é apenas... mais um de seus truques." A voz dela falhou quando Loki inclinou-se e roçou os lábios no pescoço dela, aspirando profundamente. Ela cheirava a morangos maduros, vermelhos e saborosos.

"Será mesmo, Vesta? Ou será que o seu amado semideus está agora mesmo deitando-se com uma de suas fiéis sacerdotisas?" Ele instigou, baixo, malicioso.

Vesta o empurrou.

"Você não sabe do que está falando!" Ela falou, fechando os olhos, tentando manter-se calma.

"Talvez você já não saiba mais do que está falando. Não deveria confiar tanto em semideuses... eles podem ser... traiçoeiros."

Vesta abriu os olhos, mas Loki já não estava mais ali.


Presente

Depois de um banho relaxante em uma banheira de ouro, com água fresca e limpa constantemente renovada por mágica, algo que Gina nunca vira antes, a ruiva saiu do quarto de banho enrolada apenas em uma toalha felpuda e macia, agradável ao toque.

O quarto era elegante e muito mais suntuoso que o seu no castelo de Gryffindor.

"Eu posso me acostumar com isso." Ela murmurou, apreciando o crepitar do fogo na lareira localizada no lado oposto do quarto.

"Pode e deve." Ela ouviu uma voz saindo das sombras. Seu coração involuntariamente retumbou em seu peito, e Gina procurou o dono da voz com apreensão.

Loki saiu das sombras, parcamente iluminado pela luz das chamas.

"O que você está fazendo aqui?" Perguntou Gina, mais assustada do que repreensiva, apertando mais a toalha em volta do corpo. Vislumbrou o brilho de um sorriso na penumbra.

"Ver se estava confortável." Ele sugeriu cinicamente. Gina queria expulsá-lo do quarto o quanto antes, mas não encontrava a própria voz, era como se suas cordas vocais já não mais funcionassem. "Por que você não se aproxima um pouco? Prometo não fazer nada que não queira." Ele disse, e seu tom era envolvente e inebriante.

Gina sabia que ele estava usando de seus encantos para atraí-la, mesmo assim, contudo, andou até ele, parando ao alcance de suas mãos.

Os olhos dele escureceram enquanto a observava. Ele a puxou para mais perto pela barra da toalha. Se Gina a soltasse, o tecido cairia o chão, mas ela ainda tentava lutar contra o encanto que envolvia o quarto. Procurou desesperadamente por um assunto que o distraísse do que ele estava planejando fazer.

"Você parece tensa, Ginevra." Ele colocou uma mão no ombro desnudo da ruiva e o apertou suavemente.

"Eu estou usando apenas uma toalha. Não é a minha idéia de traje confortável." Ela ironizou e engoliu em seco quando ele abaixou o olhar para seu corpo envolto pela toalha.

"De fato. Talvez fique mais confortável sem a toalha?" Ele perguntou, puxando sem muita força o tecido para baixo. Gina o apertou com vigor contra o corpo, e Loki riu.

"Você disse que amava Vesta." Gina disse de repente, o que fez o deus soltar a barra da toalha. "Ela está lá embaixo destruindo Midgard agora."

Gina não fazia idéia do porquê falara aquilo. Só conseguiria irritar o deus.

"Nada disso impede o que eu quero fazer nesse quarto." Ele começou a empurrar Gina para a cama. Quando ela percebeu, já estava deitada no colchão, com o corpo do deus pressionado contra o dela.

"Foi você, não foi?" Ela perguntou com a voz falha e o coração aos pulos, assim que ele se acomodou entre as suas pernas.

"Foi eu o quê?" Ele perguntou, prendendo os pulsos de Gina acima da cabeça dela. Ele se abaixou e beijou-a no pescoço. A ruiva tremeu e sentiu a pressão que ele fazia entre suas pernas.

Ela não sabia se era devido ao contato tão íntimo com o deus, mas flashes do passado passeavam em sua mente. Lembranças de Vesta com Loki e com o semideus.

"Você armou tudo." Ela acusou e soltou um muxoxo exasperado quando ele afastou a toalha. Ele apertou um dos seios, e Gina revirou os olhos, contorcendo-se.

"Tão jovem... tão linda... Tão parecidas..." Ele sussurrou. Gina gemeu agoniada ao sentir que ele tentava descer uma mão até entre suas pernas. "Você quer isso, Ginevra." Ele falou, com a voz doce, provocante.

"Foi você quem traiu Vesta. Não belerofonte. Ela o amava, e você sentia ciúmes. Agora ela está lá, acabando com o mundo, e você está aqui, escondendo-se como um covarde." Continuou Gina, apressada, mas incapaz de encontrar uma maneira de livrar-se do deus.

Loki ficou imóvel por um instante.

"Você não sabe do que fala." Ele falou com a voz transfigurada, transtornada. Ela largou os pulsos dela e segurou-a pela cintura com força. Gina gritou quando sentiu que ele a penetrava.

Gina acordou assustada, sentando-se na cama. Sua respiração não se acalmava, por mais que ela dissesse a si mesma que fora apenas um sonho. Olhava para os lados, aterrorizada com a idéia de que Loki poderia sair das sombras e subjugá-la a força novamente.

Pulou da cama e saiu do quarto, sem nem ao menos importar-se de estar usando uma camisola curta, de decote generoso – a única que encontrara no armário. Entrou na porta ao lado da sua, sem preocupar-se em bater.

O quarto estava escuro; o fogo estalava baixo na lareira. Sem avisou, alguém a segurou por trás e pressionou uma lâmina contra seu pescoço.

"Hummf." Tentou gritar, mas uma mão fria tapava-lhe a boca.

"Gina?" Perguntou Draco, soltando-a em seguida. "Me desculpe. É só que... Gina, o que foi?" Ele perguntou, ao ouvir um soluço baixo da garota. Ele guardou a faca – que pegara de Gina logo depois dela atacar o lobo – numa bainha amarrada ao cinto da calça e puxou Gina para perto de si. Ela o abraçou de volta.

Aos poucos ela se acalmou, e Draco perguntou-se o que teria causado toda aquela fragilidade nela. Ela olhou para cima, e os olhares se encontraram.

"Posso... ficar aqui com você?" Ela perguntou insegura.

Draco passou a mão pelos cabelos macios dela e segurou-a pela nuca. Sem conseguir se controlar, esmagou os lábios contra os dela. Uma necessidade urgente de tê-la, beijá-la, tocá-la, se apoderou de Draco, e Gina correspondeu na mesma intensidade.

"Draco..." Ela murmurou, enquanto ele a arrastava para a enorme cama de dossel no centro do quarto. O tom dela o deixou ainda mais fora de si. Deslizou as mãos por todo o corpo, protegido apenas por um fino tecido.

Caíram na cama, e Draco arrancou a camisola fina com pressa. O corpo todo de Gina tremia, o que o deixava ainda mais excitado. Ele sabia que ela queria aquilo também, contudo, pela forma que procurava seus lábios e arqueava o quadril.

Não conseguiriam mais parar.

O apelo era forte demais.


Loki socou a parede, bem ao lado do rosto de Freya. A deusa permaneceu impassível frente ao acesso de fúria do deus.

"A garota sabe. Como ela pode saber?" Ele perguntou, andando de um lado para o outro.

"Vesta não deve saber. Está cegada pelo ódio. Se é isso que lhe preocupa." Freya tocou o tórax bem definido de Loki de maneira sugestiva. "Eu deveria castigá-lo por ter ido atrás daquela garota quando eu estava aqui, esperando por você." Ela reclamou.

"Apenas entrei nos sonhos dela." Ele falou distraído. "Eu vou descer."

Freya parou.

"Vai descer? Para Midgard?" Perguntou, atônita. "Loki..."

Ele a segurou pelos pulsos.

"Você me tragou para toda essa merda. Você sabia que ela iniciaria o Ragnarok, novecentos anos atrás. Sabia que ela perderia e que seria aprisionada. Isso a tiraria da jogada, não é mesmo, Freya? Você seria a única deusa de alto escalão a ser admirada e amada." Ele acusou, olhando fundo nos olhos da deusa.

Ela se desvencilhou dele.

"Eu só queria o seu amor, Loki. De mais ninguém! Você ficava lá, babando por ela, quando ela não queria nada com você. Não me culpe por sua ingenuidade. O deus da trapaça sendo ingênuo, quem diria. Achou que ao ver o semideus fazendo amor com outra, ela iria cair nos seus braços, querido? Você subestima o poder do ódio." Falou Freya, cheia de rancor.

Amava Loki há tantos séculos. A paixão e o fogo nunca se extinguiam entre eles. Eram feitos um para o outro, só ele não percebia.

"Eu nunca deveria ter concordado com aquilo. Eu vou descer." Ele avisou, saindo do quarto.

"Acha que ela vai perdoá-lo, se souber da verdade, Loki? Acha que ainda tem alguma chance?" Gritou Freya. Loki parou na porta.

"Não. Mas como sempre faço, eu preciso consertar minhas trapaças." Ele disse, antes de fechar a porta.


Novecentos anos antes

Anteia abraçou os próprios braços ao ver o deus Loki entrar novamente no templo. Ele não aparecera desde que os dos... Ela não conseguia acreditar que quebrara seus votos com o deus. Desde então não conseguia dormir, comia mal, e se assustava quando qualquer pessoa dirigia-lhe a palavra, como se fossem acusá-la a qualquer momento.

Loki caminhou até ela.

"Belerofonte está vindo ao templo novamente, Anteia." Avisou o deus. "Pelo que soube, vem reclamar pelo seu amor." Ele sorriu cínico e, antes mesmo que ela pudesse abrir a boca, Loki fez um movimento com a mão, e os olhos dela desfocaram.

Estava imersa em um encantamento de luxúria, desejo e paixão. Três sentimentos pelo semideus já existiam dentro dela, Loki estava apenas controlando-os.

Freya surgiu das sombras e sorriu para Loki.

"Deixe o semideus comigo." Ela falou. Com seus poderes combinados, era impossível que qualquer um dos dois percebesse o que estava realmente acontecendo, assim como Vesta não perceberia.

Belerofonte entrou no templo e surpreendeu-se ao encontrar Vesta esperando-o logo na entrada. Geralmente era Anteia que o recebia, pois Vesta ficava todo o tempo no salão principal.

"Vesta," Ele começou a falar, mas a deusa segurou-o pelo rosto e colou seus lábios. Belerofonte arregalou os olhos, surpreso com a atitude. "Vesta, isso não..." Ele começou, mas ela pressionou-se mais contra ele.

"Podemos sim, semideus. Faça-me sua, não posso mais agüentar essa tortura." Ela falou, entre o beijo.

"Vesta..." Murmurou Belerofonte, tomado por uma sensação inexplicável de paixão, amor e contentamento. Foram caminhando, sem se soltarem, até um dos quartos vazios das vestais.

Belerofonte deitou-se sobre a deusa na cama e tratou de consumar aquilo que tanto desejara por tanto tempo.

Vesta desceu ao templo. Ela sentiu a presença de Belerofonte, e estranhou por ele ainda não ter vindo vê-la.

Saiu do salão principal do templo e ouviu... Murmúrios, gemidos, baixos, calorosos. Quando abriu a porta do quarto, seu coração parou de bater.

Loki falara a verdade aquele tempo todo.

O amor se extinguiu no coração da deusa, e o ódio tomou conta. Ela queria vingança.


Presente

Belerofonte ergueu a cabeça. Recém bebera da fonte de Mimir, vigiada pela cabeça de um deus de mesmo nome.

A cabeça do deus exigira um pagamento, assim como exigira de Odin, que cedera um de seus olhos para ter o privilégio de beber da fonte da sabedoria³. Mimir exigiu do semideus um de seus caninos.

Ele sempre imaginara que, o que despertara o ódio da deusa fora a quebra de seus votos, e que ela o culpara por isso, por ter fraquejado perante seu desejo.

Mas ao beber da fonte, ele reviveu o fatídico dia com os olhos livres do encantamento do deus Loki e da deusa Freya.

Ele realmente traíra Vesta.

E nem ao menos soubera disso. Por novecentos anos.


¹ Existem nove mundos, na mitologia nórdica.

² Diziam que ela precisou mesmo fazer isso para conseguir o colar.

³ Não inventei isso também.

Nota da autora: Uia, esse capítulo foi sofrido para sair, mas saiu! Foi difícil escrever esse jogo de intrigas, espero que tenha ficado bom. Hihi! :D

Ah, para quem ficou decepcionado por não ter NC entre DG, bem... essa fic não tem mesmo, acho que ficaria fora do clima da história. =]

Muito obrigada MESMO a: Nathy Zevzik , Tati Black, Kimberly Anne Evans Potter, NanaTorres, Lika Slytherin. Vocês todas são demais, obrigada pelo incentivo. Adorei que surgiram leitoras novas!

Um beijão, garotas! ;*