Hogwarts, Uma História

Idéia: Andréia

Autora: Nan

Shippers: Harry e Draco (é claro que isso não sairá agora), Harry e todas as meninas de Hogwarts, Harry e um monte de gente.

Capítulo X – A Festa de Slughorn

Draco acordou com uma profunda dor de cabeça. Não dormira quase nada naquela noite e, ao invés disso, ficou conversando durante horas com seus colegas sonserinos. Ele bebera um pouco também, mas dormir bêbado já era um ritual que há muito ele fazia para evitar insônias.

Levantou-se antes que pudesse ser preso ao calor de sua cama e tomou um banho rápido. Banhos sempre aliviavam sua ressaca. Vestiu-se e desceu direto para o Salão Comunal, completamente vazio. Olhou no relógio. Ainda eram cinco e quinze. Sem a menor vontade de voltar à cama, aproximou-se da janela, enfeitiçada para parecer que estavam à altura do lago, e contemplou uma chuva grossa que fazia com que os pingos de água explodissem ao encontrar o chão. O céu escuro e uma neblina densa sobre o lago. Não seria um dia muito animador. Na verdade, aquele tempo combinava com o seu humor.

Andou até uma das estantes de livros que cobriam as paredes da Sala Comunal e largou-se em uma poltrona perto da lareira, que começava a reascender sua chama. O título não parecia nada convidativo para seu estado atual: 'Decore Sua Vida Em Todos Os Sentidos'.Abriu em uma página bem no meio e deparou com enfeites para festas infantis.

Depois de ler alguns parágrafos, descobriu que aquilo era muito mais divertido do que útil. Haviam feitiços para animar bichos de pelúcia, balões que podiam ser transformados com o mais leve dos toques, papéis de parede com uma resenha animada d'As Esquisitonas e muitas outras coisas que obrigaram Draco a rir.

Foi então que, em um momento de mais concentração, Draco sentiu duas mãos repousarem sobre seus ombros. Ele se assustou, mas uma voz suave em seus ouvidos fez com que se acalmasse:

"Sou eu, Draquinho... surpreso?"

Draco suspirou e acenou a cabeça negativamente, continuando a encarar o livro.Pansy contornou a poltrona e se ajoelhou na frente do garoto.

"O que está lendo? Oh... parece que alguém por aqui precisa se alegrar..."

"Só estou lendo." – disse secamente.

Pansy encostou suas mãos nas de Draco e fez com que ele fechasse o livro, sentando-se em seu colo. Draco tentou não olhar para a garota.

"Está acontecendo alguma coisa, Draquinho? Está tão seco comigo ultimamente... acho até que tem fugido. Porque? Te assustei daquela última vez?"

Pansy sorriu maliciosamente, fazendo Draco corar. O que fizeram da última vez realmente o assustara, mas não fugiria de uma garota por ficar surpreso com suas atitudes.

"Não estou fugindo" - disse ele, fechando o cenho.

"Então tem andado realmente muito ocupado. Quase não nos encontramos... mas não importa. Finalmente consegui te encontrar sozinho."

Pansy começou a beijar o pescoço de Draco, que suplicava mentalmente para que ela continuasse. Foi aí que se lembrou o motivo de ter fugido da garota por todo aquele tempo. Potter. Todos os problemas da vida de Draco pareciam girar em torno daquele filho de uma sangue ruim estúpida. Ficou com mais raiva de Pansy e a empurrou, fazendo com que ela parasse de beija-lo.

"O que foi?" – perguntou ela, desconfiada.

"Eu não quero!"

"Você sempre quis."

"Não quero mais. É simples."

Pansy sorriu e voltou a beijá-lo.

"Vou te mostrar que quer."

Draco empurrou a garota com mais força e quase fez com que ela caísse de seu colo.

"Merda, Pansy, já disse que não quero!"

"Oh, meu Draquinho está estressado... vou fazer ele se relaxar."

Pansy levou seus lábios ao pescoço de Draco, que começou a dizer:

"Pansy, você está me irritando! Eu vou acabar saindo do controle e isso não vai ser legal."

"Vai sim!" – afirmou ela distraidamente entre os beijos que aplicava no garoto. - "Eu vou adorar."

"Não vai. Eu posso acabar batendo em você."

"Nunca bateria em uma garota que só vive para você. Eu sei disso."

Draco se enfureceu de vez. Se tinha uma coisa que ele não admitia era mentira e Pansy não tinha idéia do que estava prestes a explodir agora. Ele se levantou repentinamente, jogando a garota no chão. Ela olhou chocada para o loiro, que parecia a beira de um ataque de gritos.

"O que deu em você?" – perguntou ela.

"Eu disse... que-não-quero!" – falou entre dentes, tentando se acalmar.

Sua vontade era de pisar na cabeça daquela garota agora mesmo, com a maior força possível, mas se fizesse isso seu pai o mataria.

"Você sempre diz isso!" – Pansy parecia se enfurecer também. – "Mas você sempre pede mais! O que está havendo? Por acaso se cansou?"

"Não!" – ele não conseguiu mentir. – "A culpa é toda sua!"

"Minha?" – Pansy se levantou rapidamente. – "O que eu fiz desta vez?"

"NASCEU!" – Draco não conseguiu evitar o grito.

Pansy parecia cada vez mais brava.

"ÓTIMO!" – gritou. – "MAS EU DISSE QUE VOU TE FAZER RELAXAR E VOU TE FAZER RELAXAR!"

Pansy avançou para cima de Draco e beijou-o furiosamente, fazendo com que os dois caíssem sobre o grosso tapete da Sala Comunal. Draco não tentou se esquivar. Ele a beijava enquanto tentava machuca-la o máximo que pudesse. Quando conseguiu um tempo para tomar fôlego, ele se assentou sobre os quadris da garota e olhou para ela, repudiando-a.

"Sua vadia mentirosa!" – ele tirou a camisa e voltou a deitar-se sobre ela, beijando, ainda com mais força, os lábios de Pansy.

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Uma forte chuva caía sobre os vidros da estufa número quatro, mas isso não impedia que Sprout, a professora de Herbologia, fizesse e os alunos do sexto ano extraírem o caule das Blenígeras que, segundo ela, eram plantas que 'choravam' ao serem machucadas e cujo caule continha poderes secativos. Por isso, era uma tarefa demasiada difícil. Era feita com uma luva muito grossa, para que o caule não pudesse chegar à pele dos alunos, e também tinham que tomar cuidado para que a planta não chorasse, pois seu choro também era muito deprimente a quem o causava.

Harry, Rony e Hermione estavam bem no fundo da sala. Hermione tinha extraído três frascos de caule, enquanto os primeiros de Harry e Rony ainda nem havia chegado à metade. Harry sentia um ligeiro desconforto com a coceira em suas pernas. Ele queria esfrega-las uma na outra, mas elas já estavam começando a arder. Estavam muito vermelhas e com pequenas bolhas que mais pareciam assaduras em toda a sua extensão. Com certeza era o efeito de tantas poções. Por isso Harry não tinha corrido à ala hospitalar.

Hermione tinha notado toda a sua inquietação, embora Harry não tivesse dito uma palavra a ninguém. Ficara a noite inteira pedindo que o garoto fosse à ala hospitalar. Harry a observava quando Snape passava por eles. A garota parecia lançar-lhe todas as maldições conhecidas apenas com o olhar. Para ele, aquilo era bem divertido.

"Merda! Essa meleca não quer sair!"

"Não é meleca, Rony! É um caule!" – disse Hermione.

"Que seja. Não quer sair e está me deixando nervoso!"

Hermione olhou para a planta do garoto. Ela estava cortada em diversos pontos diferentes e com uma ligeira gosma a escorrer em seu vaso.

"Também, você quer despedaçar ela inteira! Agradeça por ela ainda não estar chorando. Eu acho que isso não vai demorar muito pra acontecer."

"Se ela se atrever a chorar eu vou joga-la no chão e pisar em cima."

"Não seja estúpido, Rony... não vai dar tempo."

"Não me chame de estúpido! Eu nunca fiz isso antes! Não quer que eu vire profissional da primeira vez, quer?"

"Profissional não, mas se continuar assim você vai se tornar um homicida."

"Oh... o casalzinho está brigando..."

Harry, Rony e Hermione levantaram o olhar ao ouvir a voz conhecida e irritante de Malfoy, que estava bem na frente deles.

"Sabem, isso sim é deprimente..."

"Não se meta, Malfoy!" – disse Harry.

"Virou advogado familiar, Potter? Se eu fosse o casal Weasley despediria você. Acho que não tem competência nem para isso."

"Suas opiniões são formadas pelos seus dois neurônios velhos e dementes? Talvez o que venha deles não é muito confiável."

"É tudo o que pode ver?"

"È tudo que eu e todas as pessoas que te conhecem realmente podem ver."

"Então ainda tenho que te mostrar muita coisa. Por exemplo isso."

Draco mostrou cinco frascos cheios que estavam ao seu lado esquerdo, enquanto Harry terminava seu primeiro agora. Harry pôde quase ouvir Hermione corar de raiva e cerrar os punhos.

"Não digo este tipo de inteligência. Digo uma que você jamais saberá como é ter."

"Ah, Potter... desculpe, mas não estou interessado em seus papinhos sobre amizade e amor" – Draco entrelaçou os dedos e olhou sonhadoramente para o teto. – "Sinceramente, Potter. Você não tem o senso de ridículo?"

"Temos idéias diferentes do que pode ser ridículo, se não percebeu."

Draco ignorou as palavras de Harry e olhou para Rony, que tinha um olhar estranho.

"O que foi, Weasley? Por favor, não olhe muito para mim. Tenho medo do seu estado atual de pobreza seja contagioso. Oh, me esqueci... ele não é atual. É eterno."

Harry sorriu ao ver que Rony balançara a cabeça negativamente e voltara a cuidar de sua Blenígera. Ele e Hermione fizeram o mesmo. Pelo que pôde ver de Malfoy, olhando pelo canto do olho, ele ficara vermelho de raiva. Rony também estava vermelho. Talvez de vergonha, ou decepção, Harry não sabia dizer, mas Rony não parecia com uma expressão muito feliz.

Hermione também o notou, e tentou puxar assunto sobre o Chudley Cannons e o primeiro fim de semana em Hogsmeade, onde iriam comprar litros de cerveja amanteigada e ficar maior parte do tempo possível no Três Vassouras, tentando descobrir os gostos de Madame Rosmerta.

Entretanto, nada disso parecia animar o garoto. Rony sorria e brincava ao fazer esse tipo de planos e acordos com os dois amigos, mas não durava muito tempo. Quando ficavam em silêncio a expressão de Rony voltava àquela tristeza repentina.

Mais tarde, na hora do almoço, quando teriam um horário de descanso, foi que Rony voltou a se animar. Ele, Harry, Simas e Dino riam de algumas palhaçadas da aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Harry ficou um pouco triste de não ter participado de coisas tão divertidas. Por outro lado, se contentou por não ter que cumprir detenção com os outros três. Já bastava a que ele conseguira sozinho.

"Harry, você vai à festa de Slughorn depois da sua detenção?" – perguntou Hermione, quando cessaram as risadas.

"Não posso. Eu e Rony temos algo importante a fazer."

"T-temos?" – engasgou-se Rony com uma coxinhas de pavão.

"Sim, temos. Por falar nisso, me encontre às duas horas no banheiro dos monitores." – Harry cochichou esta parte no ouvido do ruivo. – "E leve uma toalha."

"Mas pra que? Algum problema?"

"Não, mas preciso fazer uma coisa pra te... pra te deixar mais feliz. Não se atrase muito. Acho que até lá já vou ter acabado tudo."

"Harry," – Hermione se aproximou mais dos dois para falar baixo. – "Não vá arrumar mais uma detenção. Você já está encrencado o suficiente."

"Eu não vou fazer nada ilegal." – mentiu. – "Além, é claro, de estar fora da cama tarde da noite. Mas amanhã é sábado. Não tem problema."

"Porque será que eu não consigo acreditar nisso que você está dizendo?"

Harry sorriu para a garota e se levantou.

"Na hora certa você saberá, Mione. Agora preciso ir buscar uns pergaminhos para a aula de Transfiguração. Até mais..."

u.n.u.n.u

"DRACO! AQUI!"

Draco virou-se para trás. Blaise vinha se esquivando de todas as pessoas que enchiam o Salão Comunal da Sonserina. A música estava alta e Draco ouviu seu chamado muito longe, embora a distancia entre eles não fosse tão distante assim. Blaise carregava uma grande mochila que parecia muito cheia. Draco fez um sinal para que ele o seguisse até as escadas para o dormitório e parou no meio dela, esperando o outro garoto.

Blaise chegou com um sorriso malicioso e abriu uma fresta no zíper da mochila, para que apenas Draco visse seu conteúdo.

"Naygberth conseguiu bastante desta vez. Tem de tudo um pouco. Uísque de fogo, hidromel, vinho de abóbora, enfim. Tem muita coisa. Mas é só para mim, pra você, Pansy e Emília."

"Perfeito! Muito bom, Blaise. Mas aonde estão aquelas duas?"

"Não sei. Devem estar se arrumando, como sempre fazem..."

"Não importa. Tem acidovodka achocolatada aí?"

"Claro! Tem de tudo." – Blaise abriu a mochila e pegou duas garrafas de vidro com um líquido que passava de um laranjado para marrom. Ele e Draco abriram as garrafas imediatamente e começaram a beber.

Draco olhou pelo salão. Estava ceio de pessoas de todas as casas. Os da Corvinal e Sonserina eram maioria. Haviam raros Lufa-Lufas e, felizmente, nenhum grifinório. Por um momento, ele apreciou a multidão, destraído.

"Você acha que ele vai se atrever a entrar aqui?"

"O que?" – Draco despertou de seu transe e olhou confuso para Blaise. – "Repita."

"Acha que Potter vem mesmo?"

"Não sei. Potter adora se mostrar. Entrar aqui com certeza o faria se sentir o rei de todo o Reino Unido. Snape me mandou ficar de olho. Vou tentar ao máximo. Seria ótimo pegar o Potter aqui dentro. Mas com certeza ele só virá depois de sua detenção."

Draco virou a garrafa na boca e enfiou a mão no bolso. Puxou de dentro um maço de cigarros quase completo e desceu as escadas, fazendo um movimento com a cabeça para que Blaise o seguisse.

Atravessaram por entre toda a multidão que dançava animada ao som de "As Esquisitonas", que tocavam em uma velha e grande vitrola a um canto do salão. Draco e Blaise chegaram ao corredor das masmorras.

Algumas pessoas, que assim como eles estavam ali para dragar coisas ilegais dentro do castelo, se reuniam em grupinhos fechados pelos cantos do corredor. Draco ofereceu um cigarro a Blaise e se jogou contra a parede, pegando um também. Acendeu o cigarro com um isqueiro com o emblema dos Tornados e começou a fumar tranqüilamente, lançando olhares ao interior da Sala Comunal da Sonserina.

"Onde estarão aquelas estúpidas?" – perguntou Blaise, lendo seus pensamentos.

"Com certeza ficando cada vez pior." – respondeu Draco.

"É, elas são especialistas nisso. Não sei como conseguem fazer tanta força para ficarem pior."

"E ainda acham que estamos gostando. Emília não era assim. Talvez Pansy seja uma péssima companhia para ela."

"Ei, isto é Norpetina?" – perguntou um garoto da Corvinal que chegava sozinho.

Draco torceu o nariz para ele. Do sexto ano não era. Pelo seu tamanho provavelmente era do terceiro ano. O loiro olhou para o cigarro em suas mãos. Aquilo seria divertido, e ele não arriscaria seu distintivo de monitor por tão pouco.

"Sim. E não se atreva a contar para ninguém que me viu com isso, ou uma detenção será a coisa mais leve que lhe darei."

"Não! Nunca! Eu não me atreveria, mas gostaria de..."

"Já sei. Quer um, não é?"

O garoto abriu um sorriso inocente e balançou a cabeça afirmativamente. Draco e Blaise se entreolharam, sorrindo. Draco pegou seu maço de cigarros e puxou dois daqueles para o garoto.

"Eu não sei onde você conseguiu, certo?"

"Certo. Obrigado."

O garoto recebeu os cigarros e entrou para a festa, escondendo-os no bolso interno das vestes. Blaise e Draco se entreolharam, rindo. Eles tinham o velho hábito de embebedar crianças do primeiro ano. É claro que nunca foram pegos. Ninguém se atrevia a denuncia-los. Espalhar o pânico por Hogwarts era o que eles faziam de melhor.

"Então, vamos procurar aquelas duas?" – perguntou Blaise.

"Vamos, mas elas devem estar se trocando."

"Melhor ainda." – Blaise sorriu maliciosamente para Draco e entrou novamente na festa, seguido de perto pelo garoto.

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N/A: Aí galera! Novo capítulo no ar! Todo mundo com a mão pra cima! \o/\o/\o/ Só o braço direito! o/ o/ o/ Agora só o braço esquerdo! \o \o \o Nenhum dos dois! o o o Batendo palmas! \o/o\ \o/ Muito bem, obrigada... obrigada... já está de bom tamanho. Agora eu quero reviews. Reviews lindos, fofos e simpáticos. E eu quero muitos, viu? O máximo que puderem. Então, por favor, colaborem comigo e cliquem no botãozinho ali embaixo, nem que seja pra dizer "mto bom". Tchau galera! o/ o\ o/

Agradecimentos especiais:

Felipe: Coincidência! Eu também me viciei em você!