Capítulo 9
Era como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo, ou então simplesmente enlouquecido. Quer dizer...Era loucura, certo? Não havia nenhum sentido para aquilo tudo, realmente não havia.
Heero estava com os olhos fixos naquele homem que parecia tanto com ele...Parecia não, era ele, pôde ouvir bem quando a garota o chamou. Ouvira 'Heero' muito bem. Mas como existiria outra pessoa igual a ele? Um pouco mais velho, admitia e também um pouco mais pálido que si. Era impossível certo? Mas o que seria impossível nesse mundo louco?
- Eu to sonhando, só pode ser. – Quatre falou cansado, chamando a atenção de Heero, do jovem Heero. Haviam saído do local da base e se escondido em uma caverna não muito longe dali, um pouco escura talvez e por já estar escurecendo, uma fogueira fora acesa. Fora da caverna havia um lago, não muito grande, o bastante talvez para fornecer alimentos para aquela noite que parecia estar piorando a cada momento.
Heero, Duo e Quatre estavam sentados um pouco longe da fogueira, olhando sem acreditar para àquilo que viam. O homem deitado, que era idêntico a Heero estava com a cabeça no colo da salvadora sem nome. Era deprimente o estado dele, parecia que estava dormindo, pois os olhos estavam fechados, mas o rosto se contorcia a cada minuto, como se algo queimasse por dentro. Tremia levemente, gemendo e qualquer toque retraia o corpo, como se tivesse tocado em fogo.
- Acho que você nos deve uma explicação. – o americano falou, aproximando-se daquele homem que parecia estar sofrendo horrores e parecia tanto o seu Hee-chan. Fechou os olhos por um minuto, não conseguindo suportar o que via. Era Heero, um pouco mais velho, mais ainda sim, era Heero. – Por favor. – disse por fim, voltando a olhar para o seu verdadeiro amor que parecia estar em choque, o que era bem verdade. Desde que haviam chegado o japonês não havia falado nada e nem ao menos se movido, apenas olhava para o seu outro eu, tentando de alguma forma, entender.
Dyane olhou fixamente para Duo e depois para os outros dois, vendo a confusão, a dúvida e até o medo. Devia uma explicação, apesar de que nem ela sabia como os pilotos estavam ali, bem diante dela, se quatro deles foram mortos há anos atrás. Estava apavorada, mas a saúde do seu amigo era mais importante. Bem mais. Baixou a cabeça vendo a face de Heero se contorcer mais ainda em dor. Não devia ter deixado ele lutar, não devia ter exposto ele ao perigo, devia ter voltado naquela hora, e agora não tinha como fazer mais nada, só podia esperar que o pior não acontecesse, só podia rezar para tudo dar certo.
- Meu nome é Dyane... – começou fraca, não podendo tirar os olhos do amigo, ele não merecia isso – eu realmente não...
- Trouxemos comida. – Trowa interrompeu, trazendo junto com Wufei dois peixes não muito grandes.
Duo os olhou e imediatamente como se lessem sua mente, colocaram os peixes no canto da caverna e sentaram para ouvir as tão merecidas explicações. Dy respirou fundo, olhando para cada um deles, cada um daqueles meninos que Heero e Mel tanto lhe falaram.
- Eu sei que parece estranho, mas... – parou,olhando para Heero – vocês foram assassinados há mais de 300 anos. – a reação foi à esperada, viu os olhos já surpresos arregalarem mais ainda. – Eu sei, eu também não entendo como vocês podem estar aqui e como podem estar tão jovens...
- Quem nos matou? – Trowa cortou a garota e todos os pilotos olharam para ela como se também estivessem perguntando à mesma coisa.
- Ele se chama Grilard e é muito poderoso. Heero também estaria morto se não fossem os cientistas.
- Os velhos? Você os conhece?
Dy olhou para Duo, negando com a cabeça. Era obvio que eles não eram daqui. Era obvio que não sabiam de nada de 300 anos atrás, de onde eles haviam vindo? Passado?
- Você disse que nos assassinaram há 300 anos...- Quatre deixou escapar, e logo ergueu a sobrancelha, olhando fixamente para o Heero deitado no colo da garota – Ele não parece ter mais que 22 anos. – e todos olharam para a garota novamente. Aquele homem deveria estar morto pelo o tempo, e não com uma aparência jovem.
A garota respirou fundo, tentando organizar as palavras em sua mente. Era tanta coisa a dizer, uma história de 300 anos que teria que explicar. Teria que começar do zero.
- Quando vocês tinham 20 anos, eu acho, a tecnologia se expandiu ao ponto de querer criar bebês perfeitos, com um alto nível de inteligência e saúde. Deu certo...mas depois vieram as conseqüências, os erros. Por causa dos genes alterados, os bebês passaram a ser o que vocês viram, monstros, seres com poderes e imortalidade, assim como eu, assim como muitos daqui.
- Isso é inacei...
- Passaram a se reproduzir entre si – Dy cortou o americano e transferiu o olhar para o homem que estava deitado em seu colo, tocando-lhe o cabelo. – e assim Grilard nasceu. Ele matou a maioria dos humanos e tomou a terra para si...hoje os únicos humanos que são vivos, vivem nas colônias e os que vivem aqui são esquecidos, transformam-se em meros alimentos. Esses humanos só tem uma única esperança, que são pessoas, como eu e Heero – ergueu o olhar para os demais – que as salve.
- Como eu sobrevivi? – Heero que até então estava calado, falou, mas ainda assim não desgrudou os olhos do seu outro eu.
- Os cientistas modificaram seu DNA e você passou a ser um monstro, como eu. Sendo imortal – olhou para Quatre, respondendo a pergunta anterior – Mas você não era totalmente humano e nem totalmente monstro. – baixou os olhos novamente para Yui – e todo mês as células dele rejeitam o DNA falso, e tendem a liberar ácidos fortes para matar as outras células com DNA estranho. O resultado é o que vocês estão vendo. – Os pilotos olharam atentamente para o homem . Aquele era realmente o Heero...do futuro. – é como se ele estivesse queimando de dentro para fora.
Duo aproximou-se do seu Heero, como se quisesse protegê-lo daquele futuro trágico, agarrando o braço dele, para ter certeza de que ele não ficaria igual àquele homem que estava a sua frente.
- Em outras palavras, isso é o nosso futuro.- Wufei falou, rindo sarcasticamente. – QUE MERDA DE FUTURO. – levantou-se de onde estava, gritando. – POR QUE ESTAMOS AQUI? COMO VIEMOS PARAR AQUI?
- Eu não sei...como eu posso saber? – Dy olhou-o com lágrimas nos olhos. – Se quer reclamar e gritar vá a outro lugar! Eu não sei se você reparou mais tem alguém aqui que pode morrer. – gritou por fim, deixando as lágrimas correrem soltas pelo seu rosto.
E o silêncio caiu sobre a caverna. Tudo que se podia ouvir era os gemidos de Heero, a demonstração da dor que estava sentindo por dentro. Wufei olhou para ele, sentindo...pena. Mas mesmo assim ele queria respostas, queria saber o motivo de estarem... no futuro.
- Ele pode morrer? – Duo perguntou assustado. Sabia que aquele não era seu Heero, mas mesmo assim, seu peito se apertava só de saber que ele poderia morrer. Olhou para o seu amor, apertando mais seu braço, procurando algum tipo de conforto. Este tentava controlar seus sentimentos por si próprio...era como se entendesse a dor dele, era como se sentisse. Sua atenção foi desviada quando a garota pôs a cabeça do ferido no chão da caverna e saiu desta.
- Hee... – Duo abraçou seu amor, sentindo a necessidade de provar a si próprio que ele não estava sofrendo. Quatre já deixava as lágrimas caírem soltas, mas não soluçava ou fazia qualquer escândalo, apenas escondera o rosto no pescoço de Trowa, aconchegando-se em seu corpo. Wufei pegou os peixes e saiu da caverna, sobre os olhares de todos.
Já estava totalmente escuro lá fora, a lua estava enorme e cheia. Dyane estava à beira do lago, olhando seu reflexo, o cabelo ruivo voando por causa da brisa, as lágrimas caindo sem qualquer esforço. O chinês se aproximou, deixando os peixes de lado, olhando agora para a ...monstrinha?
- Eu sinto...
- Eu convivi minha vida toda com Heero, eu cuidei dele, apesar de sempre tira-lo do sério. Eu o abracei quando ele precisou, eu estava lá em todos os momentos que ele chorou pelo americano baka. – Dyane olhou para Wufei, vendo a surpresa no rosto dele. Ela mencionara o americano? – Ele sente falta de vocês, tanto que acho que vai pirar quando voltar a si. – disse , caindo sentada na terra escura, deixando a água tocar seus pés.- Se ele sobreviver.
Era como se por um instante a figura da moça forte desaparecesse. Dyane quis abraçar seu querido Arashi que sempre lhe dava forças, ou então aprontar com Mel que sempre a alegrava, aperrear Heero. Baixou a cabeça, escondendo-a entre os joelhos. Não podia perde-lo. Não queria perder um dos seus verdadeiros...amigos?
Foi quando algo quente e confortável a acolheu. Sentiu os braços de Wufei ao redor do seu corpo, deixando-a mais tranqüila. Havia conhecido ele há poucos minutos, se decepcionado e agora isso...mas no momento ela realmente estava precisando.
- Você não está sozinha. – sussurrou calmamente, e foi quando a garota desabou soluçando em choro, não conseguindo se controlar. – Ele não vai morrer. Prometo.
E assim permaneceram.
Juntos.
ooo
No castelo de Grilard
Nep entrou vagarosamente no aposento do Lord. Como contar a ele o ocorrido e ficar vivo ao mesmo tempo? Era quase impossível.
Fechou os olhos e tremeu diante da energia negativa do mestre. No fundo do quarto Grilard apareceu, o olhar mortífero, as sobrancelhas franzidas. Com muita calma foi andando até sua cama, sentando nesta, a pele pálida refletindo a luz da lua que entrava pela janela.
- O que houve agora? – perguntou com a mesma voz fria de sempre, olhando friamente para seu servo fiel. – Sinto que não é boa notícia.
E realmente não era. Nep aproximou-se e se ajoelhou em frente ao Lord, tropeçando nas palavras.
- Ocorreu...um problema meu Lord. – falou e pôde sentir a energia maligna aumentar ainda mais sobre o local, demonstrando que não agradara nada ao monstro. – O dono da base... Frech Yutz nos comunicou agora a pouco – Grilard o olhou sem entender muito bem – Ele foi atacado e sua base foi destruída, todos os humanos fugiram. Ele está em uma cidade próxima: Digletten.
- Quem o atacou? – escutou a voz alterada perguntar, sentindo o chão embaixo de si tremer, assim como tudo ao seu redor.
- Uma garota, o gundam mutado e ele senhor...
- Maldito Yui. – sua energia aumentou fortemente, o vento da noite agora parecia ser mais forte, adentrando pelo quarto, derrubando os móveis, abrindo as portas. – Mande tropas...eu quero ele morto, e os pilotos dentro desse castelo.
Nep olhou horrorizado quando o piso começou a rachar. Afirmou um sim com a cabeça, dizendo que a ordem seria comprida e saiu dali rapidamente.
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- Senhorita se acalme. – Érika disse mais uma vez, tentando acalmar a tão teimosa Mel, que rodava de um lado para outro, olhando pela varanda a lua cheia.
- Eles foram sem mim. Foram a algum lugar sem mim. – falou raivosa. Odiava essa mania de seu pai querer lhe proteger, ela não era uma criança e nem muito menos frágil. Para falar a verdade ela era muito forte. Talvez até mais que Dyane.
- Ele não quer perder mais alguém que ama. – a humana disse tentando acalmar a garota. Érika era uma das 30 humanas que viviam na cidade. Haviam sido salvas por Heero e Dyane nos demais resgates. Fora resgatada de uma base de contrabandeio de mulheres, que eram vendidas apenas para satisfazer o desejo sexual dos monstros. Em troca do bem que Heero fez a ela, tornara-se amiga e protetora da filha dele.
- Eu não sou fraca – disse, fechando a cara, não gostando mesmo da atitude do pai. Por um lado entendia...compreendia que ele não queria perder mais ninguém, mas ela podia ser de grande ajuda. Nunca se recusara a lutar e sempre estava disposta.
- Mellany por favor. – a humana pediu, segurando a mão da menina a trazendo para a cama – Já é tarde e você precisa dormir. – começou a pentear os fios castanhos da garota e pôde até ouvir os resmungos dela. – Eu sei Mel, você não é criança, mas quanto mais cedo agente dorme, mais rápido o tempo passa. – deixou a escova na cabeceira e viu quando a garota concordou, deitando na cama. – E amanhã vai ser um longo dia. – e com certeza seria.
Érika saiu do quarto e Mel fechou os olhos. Podia muito bem saber onde seu pai estava, bastava só usar a sua mente, o seu poder mental. Mas...prometera a ele que não faria isso. Afinal era falta de privacidade. Virou para o lado, tentando dormir realmente.
ooo
- Ele ta melhor? – Heero perguntou, espiando o homem a sua frente, enquanto em seu colo, já adormecido, o americano tentava encontrar uma posição confortável.
Dyane o olhou, e deu de ombros, não sabendo realmente responder àquela pergunta. A lua brilhava no céu, estava totalmente escuro e só a luz desta e da fogueira iluminava a caverna. Quatre havia adormecido nos braços de Trowa, que também pegara no sono. Dyane permanecia acordada com Wufei e Heero, ambos atentos ao outro Yui que ainda parecia sofrer, só que bem menos.
- De manhã a mutação vai terminar – ela disse, retirando a camisa do amigo, vendo pela primeira vez os cortes em sua pele. – quando ele acordar vai poder se regenerar. – tocou na pele sensível, que se retraiu.
- Regenerar? – Wufei a olhou espantada – Ele é imortal em todos os sentidos?
- Sim, ele pode se regenerar, desde que coração não pare e o cérebro não morra. – disse, dando um leve beijo na testa de Heero – é mais forte do que vocês pensam.
- Ele é praticamente um Deus. – Wufei brincou um pouco, mas logo fechou a cara quando percebeu que não era o momento. – Você o ama?
Dyane o olhou, sabendo bem que depois da conversa que tivera com o menor, ele poderia muito bem ter adivinhado os seus verdadeiros sentimentos por Heero. Sentimentos que jamais seriam correspondidos.
- Não adianta ama-lo – começou, voltando seus olhos para as íris azul cobalto – se eu o seu coração ainda ama outro. – disse, e pôde ver o jovem Heero abaixar a cabeça para ver seu amado americano que dormia em seus braços – Mesmo que este esteja morto. – deu um sorriso seco.
Heero suspirou, sentindo que por algum motivo, quando o seu outro eu acordasse haveria uma grande complicação. Estava bem claro nas palavras da garota, aquele Heero mais velho ainda amava o seu americano. Era estranho, era como se começasse a sentir um certo ciúme, não queria que ele ficasse perto de Duo quando acordasse, nem ao menos se possível conversar. Era o seu Duo.
- Você parece cansada. – Wufei olhou para Dy e o que dissera realmente era verdade – Durma um pouco, eu e Heero ficamos acordados.
Queria poder protestar, dizer que não estava cansada, mas seu corpo pedia descanso. Olhou para os dois e depois para o seu...amor?...seu amigo que estava deitado no chão e concordou. Deu boa noite aos dois e se aconchegou em um canto da caverna, não demorando muito para dormir. Heero e Wufei se olharam, ambos também com sono, mas muito preocupados para poder dormir.
- Desde quando? – Wufei perguntou, bocejando em seguida.
- O que?
- Desde quando você e Duo estão juntos?
Heero piscou os olhos, entendendo finalmente. Afinal os outros não estavam sabendo do seu então novo relacionamento com o americano. Em pensar que por causa desse mundo, ambos revelaram o que sentiam. Riu, encostando a cabeça na parede da caverna, era tanta coisa para contar.
- Agente se amava, só tínhamos medo de revelar um pro outro. – disse, acariciando a face do garoto que estava em seu colo. Como Duo era lindo, simplesmente perfeito.
- Você precisa limpar esse corte. – Wufei o relembrou do corte em sua teste, que há tempos virara sangue seco. Já nem sentia mais dor. Deixou seus olhos azuis percorrerem o braço de Duo, tirou a sua camisa que estava enrolada neste e viu que a situação era a mesma.
- Ainda bem que esse baka está te servindo de cobertor.- disse, em relação ao americano que estava protegendo Heero do frio. Ambos sorriram e voltaram a olhar para o homem que agora aparentava estar suando.
Wufei se aproximou, tocando-lhe a testa, vendo o quão ele estava quente. Queria poder fazer algo, mas realmente não tinha como ajudar. Apenas voltou ao seu lugar, ignorando o leve gemido que ele deu.
- Febre? – Heero perguntou e o chinês afirmou, deixando-se pensar em outra coisa no momento.
- Agente vai morrer com 20 anos. – rio sarcástico, lembrando do que a garota falara – isso é tão frustrante. – deitou, mas ainda assim permaneceu com os olhos abertos, afinal prometera que ia cuidar do Yui futurista.
- Eles morreram – Heero começou, não tirando os olhos de Duo – agente ainda está vivo e pode mudar a história. – sorriu e sentiu os olhos de Wufei em si.
Sim.
Eles mudariam tudo.
E o seu Duo não morreria.
ooo
- Dy... – o pequeno Arachi murmurou, chamando a atenção da jovem – Eu quero um abraço.
A garota riu internamente, vendo seu menino com aquele olhar de anjo, olhando para si com aquela carinha tão absurdamente linda.
- Está tão carente assim? – perguntou sorridente, tocando-lhe a face, abrindo os braços para ele se aconchegar em seu peito.
- Eu to com medo Dy. – falou baixinho levantando a cabeça para olhar o rosto assustado da mulher. – Eu não quero morrer.
- Eii...calma meu amor – o abraçou mais fortemente, tentando passar algum tipo de conforto para ele. Não estava entendo nada, seu Arachi falando coisas como esta era muito estranho e nada comum. – Não diga bobagens – falou, secando as lágrimas do menino. – Eu to com você meu pequeno.
Ele a olhou mais uma vez, as íris demonstrando todo o medo possível, mais ainda assim, toda a confiança.
- Volta Dy...volta...
A luz forte machucou seus olhos, fazendo a jovem acordar de seu sonho. Com a mão tentou proteger-se do sol que entrava pela caverna, enquanto seu cérebro pedia para que suas pernas a obedecessem, mas parecia estar bastante cansada para levantar nesse momento.Tentou focalizar seu olhar, olhando em direção dos garotos que ainda dormiam bem ao fundo da caverna. Sorte a deles por o sol não alcança-los
Como se tudo voltasse a sua mente, olhou pelo local, procurando o seu Heero. Desesperou-se ao ver que nada havia ali, a não ser os garotos e os peixes que agora já estavam podres e cheirando muito mal.Apoiou-se na parede da caverna, levantando-se. Será que alguém entrou na caverna no meio da noite e o seqüestrou? Olhou para os garotos e descartou a opção, sabendo que os jovens pilotos não estariam aqui se isso fosse verdade.
Então?
Sorriu, esperançosa, saindo da caverna com a mão nos olhos por causa do sol. Estava um tempo fresco, as poucas árvores balançavam ao som do vento, fazendo aquele barulho estranho, mas tão comum. Olhou para o lago e sorriu ao ver o que esperava, Heero estava lá, em pé. Estava nu da cintura para cima e por isso Dy pode ver bem os cortes que ainda estavam se regenerando.
Por um momento tudo parecia bem, até Heero cair subitamente no chão, apoiando-se na terra.
- Você está bem? – correu para junto dele, passando um dos braços do homem em seu ombro o ajudando a se sentar próximo a uma pedra – Como você está se sentindo? – perguntou preocupada, vendo que os cortes voltavam a abrir, sangrando novamente.
- Eu não consigo – disse fraco, deixando a cabeça descansar no ombro da menina – eu não consigo me concentrar. – uma lágrima desceu, o corpo tremendo levemente. Como podia se regenerar sabendo que seu amor estava tão próximo? Não era ilusão, ele acordara e vira todos os pilotos, inclusive o seu Duo, abraçado com um suposto Heero mais jovem. Não conseguia entender o que estava acontecendo, não conseguia raciocinar direito, lembranças lhe invadiam a mente o torturando mais ainda, não conseguia entender por que e como Duo podia estar...vivo.
- É por causa dele não é? Você o viu... – a garota o acariciou mas logo tratou de cortar um pedaço da sua blusa para cobrir novamente os cortes do amigo. – Você tem que concentrar Heero.
- E você me deve uma explicação! – ele a olhou sério, foi quando um sonolento americano saiu de dentro da caverna.
O coração de Heero disparou ao ver seu Duo ali, parado, na sua frente, as íris violetas brilhando como nunca, aquele olhar real e carinhoso que tanto amou um dia. Não enxergava nada além dele, só o seu americano era importante. Uma lágrima deslizou pelo seu rosto, sentindo- se abalado emocionalmente e tão...feliz? Não conseguia desviar o olhar e nem os olhos violetas desviavam. Encaravam-se com um sentimento que só eles conheciam.
Um sentimento que nunca mudara.
- Duo... – pronunciou fraco, vendo o americano arrepiar-se a sua frente.
Era real, era de verdade, não era brincadeira, não era um sonho, era o seu Duo, seu americano baka, seu amor. Dy olhou para Heero, vendo que este estava suando, tocou em sua pele, sentindo-a mais quente do que o normal. Olhou para Duo e levantou-se andando até o menor.
- Ele ainda está fraco – disse baixinho só para Duo ouvir – não exija muitas respostas e lembre-se... – ela o olhou, e depois voltou o olhar para o amigo que estava ainda em estado de choque – ele ainda ama você.
Disse por fim, entrando na caverna, deixando os dois a sós.
Eles precisavam conversar.
Heero precisava.
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Eu estou instável com minhas fics, eu sei.
Por causa de uma música eu concluí esse capítulo.
Obrigada a todos que comentaram, eu fiquei MUITO feliz. (Fabi, Blanxe, Tina-Chan, Polarres, Yura Dark, Litha-chan e Bellonishi)
Muito obrigada mesmo a todos vocês, de coração, eu agradeço.
E mais uma vez...torno a pedir desculpas pela demora.
Obrigada e espero que o capítulo esteja á altura de seus gostos...obrigada.
Karin
