CAPÍTULO 10: Confusa!
Isabella acordou cedo no outro dia, ela não conseguia mais ficar na cama sabendo que seus filhos não estavam ali com ela, debaixo de suas asas protetoras de mãe. Saltou na cama e se encaminhou para o banheiro. Tomou um banho rápido e resolveu descer para preparar um café. Abriu a porta da cozinha e somente naquele momento pode perceber como tudo ali era lindo.
A grama se espalhava atrás da casa, mostrando não tão longe o mar azul. O sol ainda não havia nascido por isso ela resolveu deixar o café para depois e foi sentar numa das espreguiçadeiras que estavam espalhadas ao longo do jardim. Sentia a leve brisa marítima desarrumando seus cabelos, mas não se importou. Estava bom demais.
Olhando de volta para a casinha amarela, ela sentiu uma paz que há muito tempo não sentia. Seu corpo e sua mente estavam em sintonia naquele lugar maravilhoso. Ela se deu conta de que havia feito uma ótima escolha vindo passar aquele fim de semana ali. Da próxima vez, sim ela queria voltar outras vezes ali, faria o possível para trazer as crianças. Ela sabia que ia ser trabalhoso, eles eram muito danados, mas valeria a pena com certeza.
Seus olhos foram atraídos para uma passarela que existia mais adiante, e ela resolveu ir até lá para ver o sol nascer. A vista dali seria esplêndida. Seus pés tocavam a areia, ainda fria, e ela sentia um torpor maravilhoso, era como se não existisse mais nada no mundo, somente ela, o céu a areia e o mar. Que na sua imensidão, fazia com que ela se sentisse pequena e sem importância.
Quando alcançou a passarela, sentou com os pés para dentro da água. Ela ficaria ali mais alguns minutos e depois voltaria para a casa e faria um café para os três. Como estava sem relógio não fazia idéia de que horas eram. Mas isso não tinha importância, o tempo poderia parar naquele momento, que ela aproveitaria tudo.
De repente ela sentiu que era observada, girou a cabeça para trás, mas não havia ninguém, olhou mais à frente, e também não tinha nada. Deveria ser imaginação de sua cabeça sonhadora. Mas ela pôde sentir os pelos na nuca se arrepiando. Mas naquele momento ouviu seu nome e observou sua prima vir ao seu encontro. Ela tinha o semblante cansado, como se não tivesse dormido bem.
– Eu não te achei no quarto, então imaginei que estaria por aqui. É lindo não é?
– Sim, é lindo – nesse instante ela pode sentir aquela sensação de novo, como se alguém estivesse olhando para ela e aquilo queimava em sua pele – Alice tem vizinhos aqui por perto?
– Existe uma cabana mais ao norte, é de um pescador. Mas eu nunca o vi, ouvi dizer que ele não gosta de companhia, e nem de visitas em sua casa. Deve ser um desses bêbados que enchem a cara e depois ficam agressivos. Mas por que, você viu alguém por aqui?
– Não, é só que... – sua pele se arrepiou novamente, e sem se dar conta ela olhou para trás novamente, e mais uma vez não viu nada – é que eu tenho a impressão de que alguém estava me observando. Mas deve ser só coisa da minha cabeça.
– Hum... – sua prima não disse nada, mas ela também tinha aquela mesma sensação. Mas resolveu que não era apropriado alimentar esse tipo de coisa – mas mudando de assunto, meu médico preferido teve que sair no meio da noite. Parece que o neném nativo não quis esperar até o sol nascer. E ele ainda não voltou pobrezinho. Depois disso eu não dormi mais.
– Deve ser mesmo difícil a vida de médico. Mas por que não me acordou? Eu te faria companhia.
– Negativo, olha só como está minha aparência? Pareço um zumbi, não ia ser legal ter duas sonâmbulas pela casa. Só eu já basta. Mas agora olha só quem está dando o ar de sua graça...
O sol vinha clareando tudo a sua volta, como se com isso mostrasse que era o dono de tudo e de todos. Seus raios penetravam na pele das duas garotas e lhes aquecia. Era maravilhosa a sensação. E mesmo com todo o calor do momento, Bella ainda pôde sentir um arrepio transpassar por todo o seu corpo, a deixando agoniada.
Ficaram por ali mais alguns instantes, até que um bocejo mais que grandioso de sua prima, deu a certeza de que elas precisavam de um bom café. Resolveram voltar para casa. Onde lá as duas fizeram panquecas, torradas, e café. Alice ligou um rádio que estava na cozinha e as duas ficaram ouvindo uma programação qualquer. Então começou a tocar uma música que tinha tudo a ver com o que Bella sentia naquele momento, a letra dizia sobre aquele que foi embora.
No mesmo instante aquela mesma sensação a atingiu. Deixando suas pernas moles. Mas por mais que procurasse em volta, não via nada nem ninguém, somente o jardim e o mar. Ela sabia que alguém estava por perto, e isso a incomodava. Nunca gostou de se sentir encurralada, e aquilo estava a deixava zonza, angustiada e temerosa. Alice percebendo a palidez de sua prima correu ao seu encontro.
– O que foi Bella? Está branca que nem papel. – ela levou a outra até o sofá e a ajudou a se acomodar.
– Não é nada. Deve ser só a pressão. Depois que eu comer vai passar.
– É melhor você ficar aqui. Eu trago nosso café. Não se mova.
Diante a ordem clara, ela se manteve sentada. Fechando os olhos a primeira coisa que viu, foi aqueles olhos verdes. Sim aqueles mesmos olhos que a seguiam por onde quer que ela fosse. Lindos e penetrantes. Enigmáticos e encantadores. Tudo aquilo só fez aumentar a sensação de estar sendo observada. Mas ela não abriu os olhos, resolveu manter a calma, ou então sua prima acharia que ela estava louca.
– Aqui Bella, tome o café com leite e coma um pouco. – sua prima chamou sua atenção.
– E você, não vai comer? – questionou.
– Vou, apesar de que eu gostaria de esperar o Jass, mas não faço idéia da hora que ele volta. – dando um suspiro a prima foi buscar uma bandeja com seu café da manhã. Quando voltou ao sofá estava lambuzada do chocolate, que estava nas panquecas.
– Alice você está parecendo a Claire comendo – disse Bella rindo – Vem cá, deixa que eu limpo isso.
– É que eu me empolgo com chocolate, você sabe. Mas come logo, que eu quero passear na praia com você. Vamos colocar um biquíni bem lindo e apreciar o sol.
E assim as duas comeram rápido. Deixando a louça para mais tarde, o que elas mais queriam era pegar uma corsinha. Alice subiu primeiro, e resolveu que colocaria o biquíni rosa. Já Bella que foi logo em seguida, preferiu o biquíni verde. Claro, não poderia ser diferente. Foi presente de Rose, e ela disse que combinava com 'você sabe quem'. Rindo ela pegou uma saída de banho, desceu as escadas e foi esperar a prima na varanda.
Então aconteceram duas coisas ao mesmo tempo, o vento ficou mais forte, bagunçando ainda mais seus cabelos, e trazendo consigo um perfume peculiar. Era uma mistura amadeirada e ao mesmo tempo quente. Ela não saberia explicar, mas aquele perfume lhe trouxe diversas lembranças. Tanto as boas, quanto as mais tristes de sua vida.
A segunda coisa que aconteceu, foi que do nada, ela viu ao longe um homem que corria para o mar, e se jogava nele como se ali fosse o seu lugar. Seus ombros largos e braços fortes estavam a disputar forças com o mar. Dando fortes e vigorosas braçadas. Ela achou aquilo simplesmente erótico. Nunca em sua vida, desde que Edward havia desaparecido, ela sentiu aquele tipo de sensação por ninguém. E ali estava ela, apreciando um estranho nadar e achando a coisa mais excitante que já tinha visto.
Resolveu chegar mais perto, para ver se conseguia vê-lo. Sim, ela Isabella Swan, estava atraída por alguém somente por vê-lo nadando. Suas pernas tremiam e suas mãos suavam. Fora seu coração que estava a ponto de sair pela boca. Sem contar que sua boca estava mais seca do que a areia. O estranho continuava lá, com suas braçadas vigorosas e ritmadas, de vez em quando ele mergulhava, depois seu rosto saía em busca de ar. Mas sem nunca aparentar cansaço.
Ela sentiu uma espécie de déjà vú. Como em seu sonho que o homem nadava para longe dela, deixando uma sensação de vazio em seu peito. E como no sonho, ela foi se aproximando cada vez mais do mar, mas não sabia se entrava. Nadar não era seu forte, ela sabia o básico, mas não como o homem a sua frente fazia.
Mas então, o que no sonho nunca aconteceu, ali com todo aquele mar em volta, aconteceu, ele saiu do mar lentamente, e virou a cabeça em sua direção, como se sentisse sua presença. Seus olhos se encontraram e um turbilhão de emoções passou por seu corpo. Nenhum dos dois estava preparado para as emoções que surgiu naquele momento.
Ela deu um grito agudo, e levou as mãos à boca, como se pudesse segurar o coração que pulava desenfreado dentro do peito.
Ele não soube o que fazer quando se deu conta da linda mulher que estava ali, bem diante dos seus olhos, e que parecia estar em choque.
Ela sentia que a qualquer momento iria acordar e ver que tudo não passava de mais um sonho.
Ele queria poder tirar aquela expressão de dor da linda desconhecida, mas não sabia se seria repelido.
Ela tentou dizer alguma coisa, tentou seguir adiante, queria poder tocar no homem à sua frente, queria poder abraçá-lo, beijá-lo, e nunca mais o deixar sair de perto dela. Mas seus pés estavam presos como chumbo na areia, e tinha certeza de que não conseguiria sair do lugar, ela sentia que seu mundo girava, e a última coisa que viu, foi que ele estava vindo ao seu encontro. Depois tudo o que viu foi a escuridão.
Ele resolveu se aproximar, para ver se ela estava passando bem, podia ver que ela estava pálida, e ficou preocupado. No entanto antes que desse mais que dois passos a estranha desmaiou. E mesmo que corresse não seria capaz de amparar sua queda, por isso apressou o passo e saiu da água, indo se abaixar diante da mulher desmaiada.
Quando seu rosto ficou a poucos centímetros do rosto da mulher caída, ele pode apreciar a beleza feminina. A boca carnuda, o nariz pequeno,e um rosto em formato de coração. Tudo era perfeito, então como que recebendo uma descarga elétrica, ele lembrou que aquele mesmo rosto já o havia assombrado em seus sonhos.
Aquele mesmo semblante sereno o atormentou por diversas noites. Se contasse ninguém acreditaria, mas ele sabia que já tinha visto aquela mulher antes. Não lembrava de onde, mas sabia que a conhecia de algum lugar. E sem que se desse conta, sua mão subiu até o rosto dela, onde passou os dedos pelos lábios cheios, e acariciou sua face macia. Seu corpo se arrepiou de imediato com aquele contato.
Da mesma forma como foi mais cedo, quando viu que havia uma mulher na passarela da praia. Ele ficou lá por um longo momento a observando de longe, sem querer se aproximar. Não queria se intrometer na privacidade de seus vizinhos, ele sabia que o médico havia chegado na noite anterior, mas não sabia que ele tinha trazido outras pessoas consigo.
Por isso não quis se aproximar e causar uma má impressão diante de uma mulher da cidade grande. Normalmente as mulheres não gostavam dos nativos daquela região da ilha, elas se incomodavam com os homens, tinham medo do que eles pudessem fazer com relação à elas. Mas ele podia sentir que não era o caso daquela mulher ali, ela que foi ao seu encontro no mar, como se o conhecesse, e quando ele olhou para ver quem o observava, ela estava lá, parada, petrificada e linda.
De repente os olhos da estranha começaram a tremer, como se ela fosse acordar a qualquer instante. Percebendo que estava muito perto dela, resolveu se afastar. Não queria ser acusado de nada injustamente. Ficou a meio caminho de se levantar, mas não sabia se a deixava ali sozinha, ou se ia procurar o médico na casa amarela.
Mas suas dúvidas foram respondidas quando ouviu ao longe alguém chamando pela desconhecida. Era a outra mulher, a que ele já tinha visto outras vezes na casa do médico, ele soube que ela estava atrás da desconhecida, pois não havia mais ninguém ali naquele horário. Estavam todos na casa de Salina, onde ela ganhava bebê. Menos ele, que sempre se mantinha afastado das outras pessoas.
Levantando e afastando-se da desconhecida ele decidiu ir embora. Antes que arrumasse confusão logo pela manhã. Ainda ouviu um pequeno gemido da mulher desacordada, era quase como um nome. Mas ele resolveu que o melhor a fazer naquele momento era sair dali e voltar para casa. Onde ninguém o incomodaria.
Mas antes que se afastasse completamente, foi surpreendido por um grito agudo, e olhando por sobre o ombro se deparou com a figura miúda da outra mulher, ela corria ao encontro da que estava caída na areia, e gritava o nome dela. Bella. Sim ela realmente era muito bela.
– Bella. Bella, Prima fala comigo... – ela se abaixou perto da outra mulher para ver se esta respirava, depois ficou a dar pequenos tapinhas em seu rosto – o que aconteceu com você...Bella acorda... – erguendo o olhar ela viu o homem alto e muito musculoso à sua frente – O que você fez seu... seu... quem é você, e o que fez com a minha prima? – ela gritou para o homem que se encontrava de pé, à alguns metros de distância onde sua prima estava desmaiada, ela não sabia o que ele tinha feito, mas ela iria descobrir e iria acabar com a raça dele
– SOCORRO. JASPER, SOCORRO... – ela se pôs a gritar em direção da casa, ela sabia que o namorado ainda não tinha voltado, mas o homem a sua frente não sabia, por isso ela resolveu fazer alguma coisa, não iria demonstrar medo diante daquele desconhecido, não mesmo. Enquanto não soubesse o que tinha acontecido, queria manter distância dele.
– Eu não fiz nada moça. Nada, ela caiu sozinha, eu não fiz... – mas ela estava tão nervosa que não se deu ao trabalho de ouvir o que o homem dizia.
– Sai daqui, ou eu chamo a polícia... – ela disse isso tudo sem levantar os olhos para ele.
– Ok... – girando nos calcanhares ele se afastou em direção à sua casa. Não queria causar mal a ninguém, muito menos a duas mulheres. Deixaria para se preocupar com a mulher que atormentava seus sonhos depois.
–Bella, fala comigo prima. O meu Deus o que aquele homem das cavernas fez com você hein? – Alice já estava a ponto de ir procurar ajuda, quando a prima começou a abrir os olhos.
– Edward... – foi sua primeira palavra ao recobrar os sentidos.
– Não Bella, sou eu Alice – a outra disse como se aquilo fosse óbvio – o que houve com você?
– Alice eu vi... – ela se desesperou, onde estaria a pessoa que fazia suas pernas ficarem bambas somente com o olhar – onde ele está... me diz Alice, cadê o Edward?
– Acho que é melhor eu chamar o Jasper... – Alice se preocupou com a prima, sabia que ela estava sofrendo muito com a morte do namorado. Mas não achou que fosse começar a ter alucinações por isso – vem Bella, vamos para casa, depois vou chamar o...
– Não. Você não entende. Eu vi o Edward Alice, ele estava ali, no mar – ela apontou para a água – eu vi ele, eu...
– Olha, a única pessoa que eu vi aqui foi você – ela mentiu sobre o homem barbudo que tinha visto também, mas que nem prestou atenção direito em seu rosto, de tão preocupada que ficou quando a viu caída na areia – não tinha ninguém aqui Bella.
– Mas eu vi... – ela baixou os olhos e ficou pensando se realmente tinha visto, ou se não foi tudo fruto de sua imaginação carente – eu achei ter visto...
– Fica calma tá legal. E agora vamos logo que o sol está esquentando. Você vai descansar, e quando Jasper chegar eu vou pedir para ele dar uma olhada em você.
Bella não disse nada, mas ainda podia sentir na pele o toque do seu amado Edward. Ela nunca foi de ter alucinações, e estava com medo de que isso começasse a acontecer agora. Seguiu a prima em silêncio, um silêncio que era quebrado somente pelas ondas do mar, e pelo canto dos pássaros. Quando chegaram à casa, Jasper estava sentado à mesa, esperando as duas. E se assustou quando viu quão pálida estava a prima de sua namorada.
– O que houve Alice? – ele perguntou visivelmente preocupado – vocês se machucaram?
– Não amor, é só a Bella que desmaiou na praia – ele arregalou os olhos e foi verificar como estava a pulsação da outra – não sei ao certo, mas acho que sua pressão caiu, e quando fui ver a pobrezinha estava na praia desmaiada.
– Tem que tomar cuidado Bella, procure não tomar muito sol daqui por diante. Afinal você não está acostumada. – ele sugeriu como amigo e como médico – mas está tudo normal, sua pulsação está ok, e sua aparência está mais corada.
– Obrigado Jasper – foi sua resposta sem vontade – eu vou me deitar um pouco.
– Vai sim Bella, que eu cuido de tudo aqui. E depois que você melhorar a gente vai dar aquela volta na praia.
– Está bem Alice. Qualquer coisa me chama.
Ela foi subindo as escadas lentamente, não tinha força e nem ânimo para tal ato. Seus pés estavam pesados, e sua cabeça ainda estava zonza. Mas ela ainda tinha aquela certeza de tê-lo visto. Aqueles olhos, claro que estava mais cabeludo, e barbudo. Mas era ele. Seu coração gritava que era ele. E pensar que estivera tão perto, mas ela teve que desmaiar justo na hora em que ele vinha ao seu encontro.
Mas isso não fazia sentido, pois se fosse Edward realmente que estivesse naquela praia, ele não teria ficado esse tempo todo sem entrar em contato. Não era possível que tudo o que viveram não tivesse tido importância para ele. Que tudo o que sonharam juntos tivesse virado em nada. Nem tinha se dado conta até aquele momento, de que não tinha subido nem dois degraus. Por isso ainda foi capaz de ouvir, mesmo que sem querer a conversa de Alice e Jasper.
– Eu não sei o que deu nela amor, num momento estávamos tomando café e indo para a praia, depois eu a achei desmaiada e chamando pelo Edward. – sua prima suspirou audivelmente – eu acho que ela deveria procurar uma ajuda médica, como um psicólogo ou um psiquiatra. O que você acha?
– Bom, eu não sei ao certo o que dizer pequena. A perda muitas vezes deixam marcas nas pessoas que nem o tempo pode apagar. E somente ela é que pode sentir-se impelida a procurar alguém. Se quiser eu posso tentar, eu disse, tentar conversar com ela.
– Claro que eu quero amor. Eu ficaria menos preocupada.
Nesse momento ela soube que sua prima e seu namorado deviam achar que ela estava realmente louca de pedra. Era melhor sair dali antes que já fizessem seu diagnóstico, e dessem seu atestado de demência. Chegou ao quarto e resolveu que o melhor seria deitar e relaxar. Deixaria para achar o certo e o errado depois. Seu sono veio logo.
Mas Alice e Jasper ainda tinham muito que conversar.
– Mas me conta realmente o que ela disse para você assim que acordou do desmaio meu amor, eu estou achando que essa história está muito cheia de pontas soltas... – dizendo isso ele puxou a baixinha para seu colo.
– Ela disse que tinha visto ele aqui na praia, aliás, dentro do mar. Mas eu não vi nada, quando eu cheguei perto de onde ela estava, e a vi caída na areia eu fiquei louca de preocupação. Corri para perto dela e... – ela se lembrou do estranho ao lado de sua prima – tinha um homem lá. Claro, era um cara barbudo e cabeludo, nao se parecia com o Edward. Mas na hora eu nem olhei pra ele, eu só queria era ver se Bella estava bem.
– E esse cara barbudo e cabeludo – ele deu uma risadinha – ele disse alguma coisa? Sobre a Bella ter desmaiado?
– Na verdade eu nem deixei que ele falasse nada... – Alice riu se lembrando do escândalo que havia feito – eu gritei com ele sobre o que tinha feito com ela e disse que se ele chegasse mais perto eu chamaria a polícia.
– Nossa Alice, vai ver ele não fez nada.
– Pode ser, eu acho que ele disse alguma coisa mesmo sobre não ter feito nada. Mas por que essas perguntas todas amor. O que você sabe que eu ainda não sei.
– Eu demorei na casa de Salina mais do que o necessário, por que o pai dela, Carlos me pediu um favor. Ele queria que eu ouvisse o que um dos nativos queria me contar.
– E o que era que ele queria contar? Anda Jass, já estou tendo um troço aqui, você sabe que eu sou curiosa.
– Calma amor, eu vou contar tudo. Detalhe por detalhe.
– É o que mais quero Jass.
– Carlos me levou até seu tio, Francis, ele é um dos nativos mais antigos desta região, e quase não fala inglês como os demais. E o pouco que fala, ninguém entende. Ele estava na pista de pouso ontem a noite, e foi ele que disse aquilo sobre a Bella ser a mulher da foto, da folha ou o que quer que seja – respirando fundo ele continuou – e eu tinha te dito também que hoje eu averiguaria essa história toda, lembra?
– Sim, eu lembro.
– Então, foi por esse motivo que eu demorei. Carlos e eu fomos até seu tio, e ele começou a me contar uma história, que eu me arrepio só de lembrar, claro que Carlos traduziu para mim tudo o que o senhor ia dizendo. Eu tive que me sentar na metade da história Alice, por que tudo é tão irreal, que dá para fazer uma novela.
– Então me conta logo homem, pelo amor de Deus. – ela estava ansiosa por ouvir tudo, mas ele ficava dando voltas e mais voltas.
– Há mais ou menos quatro anos, houve um desastre aéreo aqui perto, o avião caiu mais ao sul da ilha, muitas pessoas morreram, pouco se sobrou do avião e de sua tripulação, e desse pouco, o que restou veio pelo mar e parou na areia desta e de outras praias próximas. Muitos dos mortos, estavam totalmente desfigurados, o que ficava difícil para reconhecer quem era quem. Várias partes do avião veio do alto mar, como poltronas, malas, e muitas outras coisas.
– Onde é que você quer chegar com isso Jasper...não me diga que... – seus olhos estavam arregalados de horror – não me diga que... que, que o Edward, estava no meio destas pessoas...
– Não chora amor... – ele embalou sua pequena nos braços até que ela se acalmasse para ele retornar o relato – eu não disse que era ele. Várias pessoas chegaram mortas sim, mas houve uma pessoa, somente um ser humano, que sobreviveu àquele desastre. E essa pessoa foi um homem Alice.
– Oh Jasper. Oh meu Deus, eu não acredito... – Alice saiu do seu colo e se pôs a andar pela sala – em meio a toda aquela destruição houve apenas um sobrevivente. É muita loucura, é inacreditável.
– E o mais incrível você não sabe... – ela parou de andar e voltou a sentar no sofá, só que desta vez olhando para ele. – esse homem que chegou até a praia, e que estava vivo, não tinha nenhum documento consigo. Provavelmente tudo havia se perdido com a queda. A única coisa que ele tinha era uma camisa branca, uma calça preta rasgada, e um papel entre os dedos. Já estava muito molhado, e esfarelando, mas Francis me garantiu que essa foto, que se desintegrou logo após ser retirado dos dedos deste homem, tinha a figura de sua prima. Ou seja, era uma foto de Bella. E sim, sua prima pode estar certa quando diz que era o Edward lá no mar.
– Se isso tudo for verdade – ela questionou – como ele não entrou em contato com ela, com a família...
– Ele perdeu a memória Alice. O homem que chegou nesta praia, trazido pelo mar, não se lembra de uma linha se quer de sua vida. Não sabe seu nome, idade nada, ele quase morreu, estava com um ferimento profundo na cabeça, e vários ossos quebrados, braço, perna, costelas, e por aí vai.
– Como a gente pode achar essa pessoa Jasper, ele ainda mora aqui? Pelo amor de Deus, a gente tem que achar ele e ver se realmente é o Edward da Bella.
– Eu sei meu amor, eu sei de tudo isso, e como você acha que eu fiquei quando soube de tudo isso, eu queria vir correndo até aqui e levar você e Bella para revirar essa praia em busca dele. Mas tem um pequeno problema nisso tudo, este homem, que foi batizado de Juan, para não ter que ficar sem nome, não gosta que ninguém toque neste assunto aqui na ilha. Ele vive isolado de tudo e de todos. As únicas vezes em que sai de casa é para comprar algum mantimento, ou para pescar, ele sobrevive com o dinheiro da pesca.
– Mas nós dois sabendo de tudo isso, não podemos de maneira nenhuma ficar de braços cruzados, nós temos que resolver isso, e logo. Amanhã a gente já vai embora, e depois só Deus sabe quando voltamos para cá.
– E o que você sugere? Eu nem sei como esse rapaz é de verdade, somente pela descrição de Carlos e Francis. Também me disseram que ele mora aqui por perto, numa casa que era do senhor que o recolheu, acho que era Simon seu nome. E quando ele morreu Juan ficou na casa.
– Mas seus amigos te disseram como ele é, digo o Juan.
– Pela descrição que você me fez, ele é o Juan. Barbudo e cabeludo, mas uma coisa eu ainda não entendi nisso tudo. Se você também viu o cara que a Bella viu, por que não o reconheceu?
– Na verdade, eu nunca cheguei a realmente conhecer ele amor. Na semana que ocorreu toda aquela tragédia, ela iria apresentar ele para os pais, e para mim também. Mas não deu tempo, então eu passei a saber quem realmente era Edward Cullen somente por fotos. E aliás eu tenho uma dessas fotos na minha bolsa. Bella me deu de presente, onde ela e ele estão juntos. Espera que eu vou buscar.
Ela subiu as escadas correndo para vasculhar a bolsa em busca da foto. Era uma lembrança que Bella resolveu dividir com a prima, eles estavam no jardim da casa dos pais dele. E Rosalie que havia batido a foto.
Procurou em meio a sua bagunça organizada, como ela chamava, e encontrou. Eles estavam lindos. Dava para ver o amor contido ali. Sem querer ela começou a chorar. Estava feliz e triste ao mesmo tempo, feliz por saber que existia uma esperança em tudo aquilo, e triste por saber que demorou todos esses anos para que essa mesma esperança surgisse.
Ao descer, entregou a foto para o namorado, e juntos ficaram tentando imaginar uma maneira de resolver tudo aquilo. Seria difícil encontrar o tal Juan, mas isso teria quer ser feito, mas sem Bella, ela poria tudo a perder. Sua emoção falaria mais alto, e no ímpeto para demonstrar as saudades e o amor guardado, poderia afastá-lo mais ainda.
Ele poderia achar que ela era louca, ou poderia cair em si, e lembrar de tudo. Mas Jasper disse que pelo tempo da amnésia, era bem provável que ele nunca mais voltasse a se lembrar de nada. Da família, de Bella, de nada.
Então ficou decidido, que os dois iriam atrás dele, em sua casa. Tentariam colocar os fatos da maneira mais verdadeira possível, mas sem assustar muito. E sem querer perder tempo, Alice trocou o biquíni por um short e blusa, e os dois saíram juntos de casa.
E como ela havia prometido para a prima antes da viajem, se houvesse alguma chance de Edward estar vivo, ela iria atrás dele pessoalmente, então estava cumprindo a promessa. Por Bella e pelas crianças, faria o possível e o impossível para resolver tudo, nem que tivesse que amarrar aquele cabeludo e levá-lo de volta a Londres se ele fosse realmente Edward. Quando estivesse tudo pronto, ela voltaria para casa e contaria para a prima a novidade, e se tudo desse certo, ainda hoje os dois se reencontrariam.
[...]
Muito próximo dali, em sua casa, Juan ainda se perguntava por que estava tão mexido por aquela linda desconhecida. Ela era desconhecida sim, mas que ele sonhava com ela direto, isso não restava dúvida. Dentro de dois dias ele iria ficar em alto mar, pescando. E com o lucro compraria uma lembrancinha para o pequeno Samuel que tinha nascido naquela manhã.
Antes de ir nadar ele havia passado na casa de sua amiga Salina, e seu herdeiro tinha acabado de nascer. Ela o fez prometer que visitaria sua família mais vezes, mesmo sabendo do seu desconforto em se manter perto das pessoas.
Não que ele fosse uma pessoa antissocial, mas a única coisa que ele sabia era que tinha chegado naquela ilha há alguns anos atrás, sem saber seu nome e nada mais de sua vida, e mesmo assim foi acolhido na casa de seu grande amigo Simon, este que havia falecido no verão passado, e isso ainda lhe doía bastante.
Foi com Simon, que ele aprendeu a pescar salmão. Essa sempre foi a renda dos pais de Simon, dele próprio, e agora era a de Juan também. Simon não teve filhos, sua esposa havia falecido em alto mar um mês depois de se casarem, e com isso ele não quis arranjar outra esposa.
Mas quando ele havia chegado ali, todo machucado e sem memória, o amigo o adotara como um filho. Proporcionando os cuidados necessários para se curar de seus ferimentos, e o instruindo sobre a vida, sobre a maré alta, sobre as tempestades, e por aí afora.
Resolveu que iria descansar um pouco na rede lá fora, depois só sairia novamente para ver o pôr do sol. Quem sabe assim não veria novamente a mulher da praia, ele achava que era pouco provável isso acontecer. Claro que poderia ir na casa do médico e acabar de vez com aquela angustia. Sabia que ela deveria ser alguém que ele conheceu, mas não se lembrava, e esse era o motivo de se manter isolado de tudo.
Era sempre assim, aquela vontade de se lembrar de alguém, ou de alguma coisa. Então para não se sentir frustrado, se mantinha quase que incógnito. Uma batida na porta da frente o fez sair dos seus devaneios. Só esperava que não fosse problemas àquela hora do dia. Ao abria a porta deu de cara com a mesma mulher que o ameaçou na praia mais cedo, e o médico que vinha sempre na ilha.
– Posso ajudar? – ele perguntou depois de alguns segundos. Percebeu que a mulher baixinha arregalou os olhos e apertou o braço do médico – olha, se for pelo o que aconteceu de manhã, eu já disse, eu não fiz nada, ela simplesmente caiu.
– Oh, sim eu sei, quero dizer eu... – ela não falava coisa com coisa, e aquilo já estava deixando ele incomodado.
– Você deve ser Juan, certo? – o médico disse.
– Sim, sou eu. O que vocês querem? – resolveu ser curto e grosso. Não gostava de visitas, ainda mais depois do que tinha acontecido com a estranha.
– Será que a gente pode entrar? – Jasper perguntou e amparou sua mulher, ela estava pálida, e com isso, o dono da casa resolveu ceder.
– Entrem. Mas a casa é de pobre, então não reclamem.
– Não tem problemas Edw...quero dizer Juan.. – Alice quase disse o seu nome verdadeiro. Mas se segurou a tempo.
Dando passagem para o casal estranho, ele ficou para trás e fechou a porta. Sem saber que dali a instantes sua vida mudaria drasticamente. Se soubesse de tudo o que aconteceria, já teria os procurado mais cedo.
– Olha, eu não sei o que trazem vocês aqui, mas a única coisa que posso oferecer é água ou café.
– Não se preocupe, não viemos te incomodar, mas sim viemos te contar uma história. Embora eu saiba que você não vá se lembrar de nada.
– Quem mandou vocês dois aqui? Por acaso foi Salina? Eu disse a ela que não queria confusão, que não gosto de brincadeiras de mal gosto.
– Hei, calma rapaz – Jasper resolveu interromper o cara cabeludo, como dizia Alice – nós viemos em paz. Nunca em minha vida eu iria brincar com a vida de alguém, você sabe que eu sou médico, e que sempre venho para cá.
– Eu sei, mas ainda não sei no que eu posso ajudar. - disse cruzando os braços diante do peito.
– Mas logo você vai saber... – Alice disse, e tirando de dentro do bolso do short a fotografia entregou a ele – veja essa foto, e me diga se você sabe quem é.
Jasper não disse nada do método que a namorada usou, ele não iria jogar a bomba de uma vez no colo do rapaz. Mas diante de tal atitude, resolveu não interferir, quem sabe fosse melhor assim.
Enquanto isso, Juan estava em transe olhando para a foto em suas mãos, era ele, disso não restava dúvida, com menos cabelo e barba, e ao seu lado, era ela. A linda estranha da praia. Mas como se a foto queimasse seus dedos ele a soltou. E sem saber o que fazer sentou na cadeira mais próxima, e fitando os dois a sua frente perguntou.
– Quem são vocês? E o mais importante, quem sou eu? – suas mãos tremiam e seu coração estava descompassado. – vão me dizer ou não?
– Claro que vamos dizer, mas você tem que ficar calmo cara – Jasper chegou mais perto, mas foi repelido pelo olhar mortal do outro homem – olha só, Juan, viemos aqui somente com o intuito de te ajudar. Não quero nada de você, somente o seu bem, o seu e o dessa mulher aqui. – disse apontando para a foto em suas mãos. Ele a tinha pego do chão.
– Seu nome não é Juan... – mais uma vez Alice resolveu intervir, antes que aqueles dois se pegassem – seu verdadeiro nome é Edward. Edward Cullen, você tem pai, mãe, irmã, cunhado, uma noiva que te ama, e... – ela não iria falar das crianças ainda – e sua vida sempre foi em Londres. Você é piloto de avião Edward.
– Que...Edward? Piloto? Mas...eu... então aquele avião...era eu que... – ele estava hiperventilando, e a qualquer momento poderia sofrer um colapso – não, deve ter alguma coisa errada, não é possível... – suas palavras estavam desconexas.
– Eu disse que era pra ir com calma Alice... – Jasper disse de forma calma para ela, ele ficou preocupado com o rapaz – respira Edward. Não precisa ficar em pânico, a gente vai te explicar tudo, mas você precisa ter calma.
– Calma, eu preciso ter calma! Vocês invadem minha casa, dizem que me conhecem, e jogam no meu colo a bomba de que a responsabilidade daquele avião que caiu e que matou muitas pessoas, e quase a mim mesmo, era minha? – ele estava gritando agora – e ainda me pede para ter calma?
Ele saiu de dentro da pequena casa, deixando Alice e Jasper sem palavras diante do seu ataque. Claro que ele não tivera culpa do acidente, o próprio avião já apresentava defeitos antes mesmo do vôo, e na verdade nem era mais para estar voando.
Isso foi descoberto algum tempo depois, o que chocou e deixou muitas pessoas revoltadas com a companhia aérea. Levando a mesma à falência, devido a quantidade de processos recebidos.
– Eu acho que exagerei – Alice disse preocupada com o resultado daquela revelação – ai meu Deus, eu estraguei tudo...
– Shhh, não chora pequena. Isso iria acontecer de qualquer jeito – disse tentando acalmar sua namorada – mas vamos atrás dele, agora que a merda foi jogada no ventilador, não adianta nada tentar limpar.
– Mas ele não vai querer mais ouvir a gente. A Bella não vai me perdoar Jass, eu estraguei tudo.
– Quem é Bella? – ele que entrava de volta na casa naquele instante, pegou a conversa naquele ponto.
Resolveu que não adiantava fugir da verdade, e se aquele casal queria lhe contar sobre sua vida, ele iria ouvir tudo, fosse o que fosse. Respirando fundo fitou a mulher a sua frente.
– É a mulher que desmaiou hoje cedo. Acontece que ela te reconheceu, e por isso passou muito mal.
– Eu nunca poderia saber disso... – ele pegou a foto novamente que estava em cima da mesa, e olhou para a mulher que estava com ele. Ela era linda, com os cabelos castanhos, e um sorriso de pura satisfação. Eles deviam ser muito felizes.
– Sim, ela realmente é linda – só então ele percebeu que tinha dito aquilo em voz alta – e você também, bem pelo menos é o que Bella fala. Mas sem essa barba toda. Está parecendo um eremita Edward. – mesmo sem querer ele sorriu daquilo.
– Você sempre é sincera assim? – com isso os três riram – mas falando sério agora, é Alice não é? – ela acentiu – e...
– Jasper Witilock, a seu dispor – disse o médico estendendo a mão para ele, que apertou em seguida – muito prazer Edward, eu já ouvi falar muito a seu respeito. – disse sorrindo, e tentando quebrar toda a tensão do ambiente.
– Como eu faço para conhecer ela, e minha família? Eu quero saber de tudo, e se vocês puderem me dizer eu agradeço.
– Vamos te contar tudo Edward. Tudo o que Bella nos contou, e que ainda nos conta sobre vocês. Só tem mais um detalhe que você precisa saber.
– E o que é? Acho que nada mais me abala depois de hoje.
– Ah, mas isso vai te abalar cara, pode acreditar. – Jasper disse, já sabendo do que Alice estava falando.
– É melhor você sentar... – ela disse para o agora ansioso Edward, e assim ele fez. Pedindo com um gesto de mão que ela continuasse – de tudo o que eu te falei, ainda falta o mais importante Edward. É uma coisa que muda tudo na sua vida, na vida de minha prima Bella, mas que muda principalmente a vida de seus filhos.
– Como? – e ele achando que nada mais o abalava – filhos? No plural?
– Sim – ela disse agora sorrindo – são as duas criaturas mais fofas deste mundo, um menino e uma menina.
– Eu sou pai? E de gêmeos? – seus olhos estavam arregalados.
– Brian e Claire. Estes são os nomes dos seus filhos.
– Realmente, isso muda tudo. Eu quero saber de tudo Alice, não me esconda nada. Eu não me lembro, mas vou me esforçar.
– Como médico, eu digo que fique tranquilo Edward. Suas lembranças não voltarão com pressão, mas sim gradativamente. Portanto não se cobre demais, isso pode atrapalhar mais do que ajudar.
– Ok. – ele deu um longo suspiro e ficou aguardando ouvir a história de sua vida.
– Eu vou te contar tudo, mas tem que me prometer uma coisa. – Alice disse.
– O que?
– Depois do que eu vou dizer, você tem que me prometer que vai cortar o cabelo e fazer a barba, como vai poder beijar minha amiga assim? – a gargalhada que ele deu, não era esperada por nenhum dos três, principalmente por ele mesmo.
Diante disto, ela soube que iria ficar tudo bem. E depois de se acalmar, ele pode finalmente ouvir tudo sobre ele mesmo. De como tinha pais amorosos, uma irmã gêmea, daí a origem do casal de filhos também gêmeos. Do serviço de piloto, de que ele não teve culpa em nada sobre o acidente. E o mais louco de tudo, ele ficou impressionado, por saber da forma como conheceu a mãe dos seus filhos. Da mensagem errada, que virou certa. Dos encontros ardentes, e que culminaram em noivado em menos de três meses, e da gravidez atribulada que Isabella teve sem ele por perto.
Ele já sabia que todos a chamavam de Bella. Mas ele achou que Isabella combinava mais com ela, com sua força, sua coragem, e acima de tudo, combinava perfeitamente com a mulher da foto. Alice prometeu que daria a ele aquela foto. Para que pudesse ter um pedacinho dela com ele, enquanto as coisas não se ela houvesse garantido que foto deles dois é o que não ia faltar.
Depois de tudo esclarecido, ficou decidido que eles voltariam para casa de Jasper, e que contariam a Bella a novidade. Depois a deixariam na sua porta, para que ambos pudessem conversar, e que ele pudesse tirar suas próprias conclusões sobre a noiva.
Alice tinha certeza de que alguma coisa iria rolar entre eles. Ele não tirava os olhos da fotografia, e isso era um bom sinal, significava que mesmo não se lembrando de nada, ele tinha ficado abalado pela prima.
Só esperava que ninguém saísse machucado nessa história toda. E que Bella tivesse a paciência necessária para lidar com tudo. Afinal não é fácil redescobrir toda sua vida assim de uma hora para outra, e ainda mais sendo um pai de família. Agora era esperar para ver o rolar dos acontecimentos.
Continua...
