A AMIZADE VALE MAIS QUE MIL MOEDAS


O menino Pedro ficou na ponta dos pés para alcançar a prateleira mais alta do seu quarto. Concentrado, ele pegou o cofre em formato de porquinho e colocou nele uma moeda.

_Acho que essa é a última – disse e balançou o cofrinho algumas vezes para ter certeza. – Sim. Não tem mais espaço nele. Finalmente!

Pedro correu até Shura, que preparava o jantar na cozinha. Animado, o menino mostrou o porquinho de gesso e disse:

_Já podemos quebrá-lo, pai!

O cavaleiro de Capricórnio de um sorriso, orgulhoso da disciplina do filho, que levara semanas para juntar todas aquelas moedas.

_Já sabe o que vai comprar com esse dinheiro, Pedro?

_Sim. Sabe aquele carro que vimos na loja de brinquedos? O preto com rodas grandes?

_Sei.

_Quero comprá-lo amanhã.

_Muy bien. Que tal quebrarmos o cofre depois do jantar?

_Vale!

Pai e filho sentaram-se a mesa e comeram em silêncio. Ao final da refeição, o menino recolheu os pratos e correu para buscar um martelo.

_Aqui está, pai.

_É seu cofre, hijo. Quebre você mesmo.

Pedro deu um sorriso satisfeito e ergueu o martelo no ar. Porém, antes que pudesse quebrar o cofrinho...

_Não, Pedrinho! Não mate esse porquinho lindo! – gritou Belinha, que passava por Capricórnio acompanhada pelo seu pai, Afrodite de Peixes.

Pedro baixou o martelo e respondeu à pequena pisciana:

_Não é um porquinho de verdade, Belinha.

A menina se aproximou para examinar o cofre. Realmente não era um animal, mas...

_Você não vê que ele está triste? Ele não quer levar uma martelada!

Pedro olhou para Shura, que olhou para Afrodite.

_Filha... – o pisciano começou. – Cofrinhos servem para isso mesmo. Colocamos moedas neles, e, quando enchem, devemos quebrá-los.

_Mas papai... O porquinho não quer ser quebrado!

A imaginativa menina arregalou os olhinhos azuis e protegeu o cofre com as mãos pequenas. Pedro se aproximou dela e disse:

_Você tem razão, Belinha. Eu não vou maltratar o porco. Pode levá-lo para Peixes com você.

Shura olhou para o filho, surpreso. Belinha deu um pulinho alegre e falou com o cofre:

_Está vendo, Sr. Porquinho? O Pedro é um menino legal!

Afrodite olhou para Shura e perguntou:

_Quanto dinheiro há nesse cofre? – quis saber para ressarcir o valor.

_Deixe para lá, tio Afrodite. É um presente meu para a Belinha.

_Pedro, a Isabela não liga para as moedas. Ela se importa apenas com o porco de gesso.

_Eu sei disso, tio. Mas não dá para tirar as moedas sem quebrar o cofre – o menino respondeu e deu um suspiro.

Após abraçar o pequeno capricorniano, Belinha subiu para a Casa de Peixes com o pai. Shura, então, perguntou tranquilamente ao filho:

_Você passou semanas juntando esse dinheiro. Não quer mais o carrinho de brinquedo?

_Eu quero muito, pai. Mas a Belinha é minha amiga e eu não quis desapontá-la.

Shura sorriu, afinal, o filho sabia o verdadeiro valor da amizade. No entanto...

_O senhor pode me arranjar outro cofre?

_Claro.

_Obrigado, pai – menino disse seriamente e foi para o seu quarto.

Semanas depois...

_Pai, o cofre novo já está cheio!

_Muito bem, filho. Que tal quebrá-lo agora?

O menino pegou o martelo e estava prestes a quebrar o cofrinho quando...

_Não, Pedrinho! Não machuque a Sra. Porquinha!

_Sra. Porquinha? – perguntou e colocou o martelo sobre a mesa.

_Sim! Não vê o quanto ela está assustada? Olhe só para a carinha dela! – Belinha apontou inocentemente para a sorridente porca de gesso.

Pedro suspirou, percebendo que seu rico dinheirinho estava novamente perdido. Depois, ele disse:

_Belinha... Leve também esse cofrinho com você.

A menina abraçou o garoto e disse:

_Eu vou colocá-la ao lado do Sr. Porquinho, para que eles fiquem muito felizes juntos! – ela disse e saiu correndo para a Casa de Peixes, sem ter noção de quantas moedas Pedro acabara de perder novamente.

_Hijo... – Shura tentou consolar o menino.

_Não tem problema, pai. Vou começar a juntar moedas de novo. Vou guardar parte do dinheiro do lanche e comprarei o carrinho daqui a algumas semanas.

_Muito bem. Eu gosto da sua determinação, filho.

Pedro ficou feliz com o elogio e perguntou:

_O senhor pode me arranjar mais um cofre?

_Sim, claro.

Pedro agradeceu um gesto de cabeça, mas fez um último pedido:

_Pai... Nada de outro cofre com formato de bichinho, certo?

Shura sorriu e assentiu:

_Certo, hijo.


Há semanas eu queria escrever algo para homenagear os capricornianos da minha vida: meu pai, minha irmã caçula e o meu melhor amigo. Obrigada por deixarem a minha vida mais séria! XD

E um obrigada mais que especial para todos que acompanham Filhos de Ouro! Até mais!