Disclaimer: O anime/mangá "Naruto" não me pertence, ele é de propriedade exclusiva do Masashi Kishimoto.
Warning: Descreve a relação entre duas pessoas do mesmo sexo (MaleXMale).
Hey, minna!
Eu queria ter feito algo de especial para o dia de hoje, já que é o aniversário do meu personagem do anime/manga favorito: Naruto! Por falta de tempo, não consegui fazer nada e mínimo que pude foi colocar uma frase clássica dele dando abertura a este capítulo.
Nesse feriado vou pegar firme nas minhas duas Fanfics, porque no final do mês viajo e não sei quando terei a oportunidade de escrever, se eu conseguir terminar pelo menos dois capítulos prontos, consigo me virar para publicar. Se eu atrasar, já estão avisados.
Espero que gostem e se divirtam!
Beijocas! x3
"Eu nunca volto atrás com minhas palavras, porque este é o meu jeito ninja de ser!" – Naruto Uzumaki.
Capítulo 10
Naruto chegou em casa exausto, pois passou a tarde inteira supervisionando uma obra em Sanjo. A estranha quietude do lugar o fez franzir o cenho em confusão, mas decidiu ignorar com um leve dar de ombros. Decidido a tomar outro banho, ele passou pela sala de estar para chegar até a escada, parando involuntariamente quando sentiu um olhar pesado o perfurar na lateral da cabeça. O cômodo se dividia com a sala de jantar, e, olhando para este lugar específico do espaço, ele encontrou a mãe e o pai sentados, com as expressões sérias e carregadas. A atmosfera esquisita o fez amassar o rosto numa careta de preocupação, porque tanto o homem, como a mulher, não eram pessoas normalmente tão graves, pelo contrário, ambos estavam sempre ostentando belos sorrisos e feições simpáticas.
- O que aconteceu? - perguntou receosamente, aproximando-se com cautela.
A mulher nem se deu ao trabalho de responder, ela se levantou da cadeira e subiu os degraus para o primeiro andar, pisando firme no piso de madeira clara. As sobrancelhas vermelhas da matriarca estavam franzidas, juntamente com os lábios carnudos, e seu corpo todo emanava a força e energia de uma leoa em posição de ataque, furiosa e chateada. Quando a figura pequena de Kushina sumiu nas vistas dos outros dois ocupantes, eles esperaram alguns segundos com os músculos tensos em antecipação e os olhos apertados, aguardando a ação seguinte, que se deu por um bater de portas que fez todas as paredes e todos os vidros do domicílio tremer violentamente.
Algo definitivamente não estava bem.
O mais novo olhou para o patriarca da família com um olhar de dúvida, perguntando silenciosamente o porquê de a fêmea estar tão estressada, fazendo Minato suspirar resignadamente em resposta. Geralmente, a responsabilidade de ser paciente e conversar com os filhos sobre temas sérios ficavam ao encargo da mãe, enquanto o pai esbravejava enfurecido com algo que seu legado havia aprontado. Se o Namikaze não a conhecesse bem o bastante, teria ficado decepcionado, mas a mulher nunca foi uma pessoa convencional, por vezes, ele até chegou a acreditar que os papeis dos dois se invertiam mais vezes durante um dia, que ele mal podia contar nos dedos.
Uzumaki Kushina era uma mulher impetuosa.
- Desculpe a sua mãe. Ela está um pouco chateada. - disse com um pequeno sorriso tranquilizante.
- O que aconteceu? - tornou a perguntar, mais seguro, já que desta vez o motivo da ameaça estava voluntariamente trancado no quarto.
- Você tem algo para nos contar, Naruto? - indagou em um tom tão sério, tão incaracterístico, que fez o rapaz voltar a ficar receoso.
- Como assim? - quis rodear, afinal, não tinha certeza sobre o quê o homem estava falando. Ele só conseguia ver um assunto que poderia estar ocultando da família, mas este tinha quase certeza que seriam incapazes de descobrir.
- Você conhece alguém com o sobrenome Uchiha? - o questionamento fez o estudante de engenharia sentir que um balde de água gelada caiu em sua cabeça. "Como?", os olhos azuis tremiam, enquanto tentava desvendar o rosto atipicamente em branco do outro.
- Conheço a Mikoto-san, Itachi-san e o Teme... - a voz rouca do mais novo soou trêmula.
- Teme? - Minato franziu a testa em confusão. Pelo que a matriarca havia dito, o filho mais novo do casal de líderes do clã Uchiha estava romanticamente envolvido com o seu primogênito. Ver o rapaz, tão parecido consigo mesmo, nomear o "namorado", ou sabe-se lá o que eram, desta forma nada carinhosa, fê-lo acreditar que a mulher, de longos cabelos pretos, havia se enganado.
- É como eu chamo o bastardo do Sasuke... - fez um beicinho, enquanto acenava afirmativamente com a cabeça. Naruto estava desconfiado do rumo desta conversa, e mesmo sendo tão óbvio, ele ainda esperava que não fosse o que parecia.
Ironicamente, ele não se sentia tão nervoso quanto esperava que ficaria, mas ele tinha a leve suspeita de que esta emoção se devia ao pai, o qual sempre foi alguém tranquilo e compreensivo. O Namikaze sempre foi aquele que acobertou todas as traquinagens que ele havia feito quando mais novo – com um sorriso divertido e os olhos azuis cerúleos brilhando em contentamento –, o homem ainda se metia em suas enrascadas para tentar amenizar a bronca que levaria da mãe.
Infelizmente, ele ainda estava sentindo uma pequena parte do seu interior se retorcer em medo e preocupação, principalmente depois que assistiu a reação energética da mãe.
- Bastardo? - o patriarca estava entendo menos ainda.
- Sim, é o Sasuke. O que está acontecendo com você, velho? - perguntou, começando a se irritar.
Minato encarava o filho tentando ler as emoções contraditórias que emanavam dele, como se nem mesmo o dono de tais sentimentos conseguisse controlar e defini-los perfeitamente. Num segundo ele estava receoso, no outro amedrontado, no instante seguinte, ele estava irritado, e assim por diante. Naruto sempre foi uma pessoa extremamente transparente, assim como a mãe, por isso, se o rapaz à sua frente decidiu ocultar algo da própria família, tinha um bom motivo para isso, pois mesmo quando criança, o menino sempre assumiu o que fazia, independentemente se estava certo ou errado.
- Esse Sasuke é seu amigo? - jogou, não querendo acusar o primogênito de nada, sem qualquer certeza.
- Sim. - respondeu simplesmente, ainda com o rosto contorcido em confusão, embora interiormente, o rapaz, já tinha quase certeza para onde a conversa estava indo.
O mais novo preferiu – como em raras vezes – agir com cautela sobre o assunto, pois ainda não sabia o que o pai achava sobre ele estar envolvido com outro cara. O patriarca da família era sempre muito calmo e sereno, demonstrava, sem hesitação, alegria e tristeza, mas também conseguia ser um mistério quando queria. Naquele momento, o rosto bonito do homem estava em branco, apenas correndo os olhos pela familiar face com três marquinhas de bigodes de raposa em cada bochecha, analisando-a com uma perspicácia tão grande, que chegava a intimidar o estudante de engenharia.
- O que os Uchihas têm a ver com essa aura estranha em torno de vocês, hein?! - sentou-se de frente para o outro, sendo separados somente pelo tampo de vidro da mesa de jantar. Ele assistiu com a respiração tensa, a figura paterna se remexer desconfortável na cadeira.
A perna de Naruto começou a tremular impaciente, pois no seu interior, ele queria acabar logo de uma vez a conversa enfadonha. Lembrando-se do amante, ele se deu conta de que o moreno não estaria presente neste momento tão difícil. O rapaz queria que Sasuke estivesse ali, pois a pose segura do corvo o tranquilizava e dava-lhe a confiança que precisava. Não que o Uzumaki fosse incapaz de lidar com a situação, mas seria bom ter o apoio de outro alguém, que lhe compreendia e, ainda, compartilhava dos mesmos sentimentos que ele.
- Eu e sua mãe tivemos uma reunião com os pais desse garoto, porque nós somos a empresa responsável pela construção da nova filial da corporação dos Uchihas. – o mais velho lambeu os lábios secos. – Mikoto-san e Fugaku-san são velhos amigos nossos e, a mulher soltou, sem querer, que em breve seremos uma só família, já que o nosso filho estava namorando o seu caçula. – conforme ele falava, ele observava a coloração do filho ficar cada vez mais vermelha, espalhando-se pelas bochechas, pescoço e orelhas.
O rapaz desviou os orbes azuis para olhar em um ponto da parede às costas de Minato. Seu coração parecia que saltaria para fora do peito, tamanha a violência de seu batimento cardíaco. Ele estava com vergonha e ouvir o seu pai vocalizar algo que tentou esconder, parecia ter dado outra perspectiva para seu relacionamento com Sasuke. "Porra!", xingou mentalmente, amaldiçoando os sentimentos confusos que corriam pelo seu interior. Sua relação com o moreno parecia estar tomando proporções muito mais sérias do que ele estava preparado, ainda mais tendo em vista que a Sra. Uchiha fez questão de assumir que os dois estavam quase casados.
Não era bem assim.
- Pai... – tentou começar, mas foi interrompido.
- Imagine a nossa surpresa, minha e a de sua mãe, quando descobrimos que o nosso filho está namorando outro rapaz? – perguntou tranquilamente, mas de modo que exigia uma resposta.
Por incrível que pareça, pela primeira vez em sua vida, o tom tranquilo do homem parecia estar o deixando mais nervoso do que se ele estivesse gritando sem parar por ter descoberto que seu filho escondia algo tão importante.
- Por que escondeu isso de nós, Naruto? – perguntou visivelmente magoado. – Sua mãe está chateada, eu estou chateado, e, depois de tudo, ainda acha que não temos o direito de estar com "essa aura estranha"?
- Gomen-nasai... – ele abaixou a cabeça, sem coragem de encarar os olhos da figura que sempre considerou um herói. – Faz pouco tempo que eu e Sasuke estamos juntos. Vai fazer duas semanas no sábado. Como era algo muito recente, decidimos que iríamos ver primeiro como essa coisa, que nós dois temos, evolui, antes de tentar contar qualquer coisa. A Sra. Uchiha se precipitou, porque não estamos namorando ainda e muito menos pensamos em construir uma família. – torcia as mãos, sentindo-se ainda mais inseguro e entristecido por ter magoado duas das pessoas mais importantes em sua vida. – Eu fiquei com medo de contar mais cedo, porque... – remexeu-se na cadeira, sabendo que a próxima declaração entristeceria ainda mais o Namikaze. – Porque eu achei que não aceitariam.
- Naruto... – respirou fundo, enquanto esfregava as pálpebras com a ponta do polegar e o indicador. – Nós jamais te descriminaríamos por algo que você não tem escolha... – resmungou, com o tom estranhamente grave. – É justamente essa sua falta de confiança em mim e na sua mãe que nos incomoda! – pausa. – Kushi pode ser muito temperamental na maioria das vezes, dizer coisas que não deve no calor do momento e esbravejar pela casa por motivos pequenos, mas ela nunca deixaria de te amar. Confesso que a revelação me pegou um pouco desprevenido, mas jamais te condenaria por isso, pelo contrário... Se for isso o que você quer, eu te apoio. – suspirou profundamente para continuar logo em seguida. – Quero que saiba que estou muito decepcionado com você...
- Eu sei... – murmurou em resposta. – Eu fiquei com medo, principalmente depois do que aconteceu entre eu e o Kiba. No começo ele me condenou e me xingou como se eu tivesse cometido o pior crime do mundo, quando eu acreditei que ele seria um dos primeiros a me dar um tapa nas costas e me apoiar. Estamos bem agora, mas eu achei que perderia um dos meus melhores amigos por isso...
- Kiba é muito imaturo para entender sobre certas coisas, Naruto. – o homem se levantou e apoiou a mão na cabeça repleta de fios dourados do rapaz. – É natural que ele tenha levado de maneira tão energética... – sentou-se ao lado do filho. – E me diga, esse garoto te faz feliz? – perguntou, surpreendendo o mais novo.
- Tou-chan? – ergueu uma sobrancelha em dúvida, vendo o sorriso carinhoso no rosto do pai, que nem parecia ter a idade que tinha.
Minato Namikaze tinha 45 anos, com uma aparência de 35. Mesmo sua personalidade era jovial e descontraída, embora muito pacífica. Por vezes, quando Naruto andava junto ao homem, as pessoas tinham a tendência a confundi-los com irmãos, ao invés de dizer que eram pai e filho.
Saber que ele tinha aceitado a sua escolha sem questioná-los dos porquês de estar com Sasuke, aqueceu-lhe o peito. O rapaz se levantou da cadeira e se jogou nos braços do outro com tanta força, que quase os derrubou.
- Obrigado... – o loirinho murmurou, afundando o rosto no ombro daquele que havia o criado uma vida toda.
- Baka. – deu um tapa carinhoso na nuca do filho, enquanto sorria e retribuía o abraço repentino.
- Você acha que Kaa-chan está muito chateada? – mordeu o lábio inferior, afastando-se do calor reconfortante.
- Dê um tempo a ela. Você conhece a sua mãe, ela tende há agir um pouco temperamental quando está chateada. – deu um afago nos cabelos dourados, tão parecido com o seu.
- Hai. – deu um pequeno aceno de cabeça, observando o mais velho subir as escadas para o andar superior.
Naruto deu um pequeno sorriso, sentindo-se acalentado pela aceitação do homem que considerava o seu herói. Ele ainda estava preocupado sobre como seriam as coisas com a sua mãe, mas ter o pai do seu lado, já lhe tirava um peso enorme do seu coração.
(***)
Quando Sasuke chegou em casa na sexta-feira de noite, após o trabalho, ele apenas encontrou um loiro, deitado na cama no quarto de Karin. A cabeça amarela brilhante estava apoiada nas coxas delgadas da mulher, enquanto ela afagava os fios macios. Naruto brincava com uma madeixa vermelha e sorria discretamente sobre algo que ouviu.
A primeira reação do Uchiha foi erguer uma sobrancelha, incrédulo para com a cena inédita, mas bonita. Os dois parentes estavam tão concentrados no diálogo, que não o perceberam na porta do cômodo, apoiado no batente e com os braços cruzados.
O moreno pigarreou para chamar a atenção.
- Teme! – o Uzumaki se levantou bruscamente, caminhando a passos rápidos para a direção do outro para enlaçar o pescoço pálido em um abraço apertado, tentando demonstrar toda a saudade que sentiu ao longo da semana.
- Dobe. – murmurou, retendo um pequeno sorriso e dando leves tapas em um dos lados do quadril estreito.
- Deuses, arranjem um quarto! – exclamou a ruiva, indignada. – Vocês não podem se ver que esquecem todos os outros que estão à volta! – jogou os braços para o alto em sinal de rendição.
- Hn. – resmungou o corvo, rolando os olhos com impaciência. Só Karin para estragar um momento como esses.
- Com ciúmes? – o loiro balançou as sobrancelhas douradas de forma sugestiva e com um sorriso cafajeste no rosto cheio de cicatrizes.
- Cala a boca, idiota! – ela gritou surpreendida quando sentiu dois braços fortes agarrar a sua figura pequena, apertando-a num abraço de quebrar os ossos, enquanto lábios distribuíam beijos em todo o rosto pálido da rapariga. – Me larga, seu retardado! – ela berrou enfurecida, tentando empurrar a figura enorme de Naruto para longe de si.
Sasuke observava a cena com o cenho franzido, balançando a cabeça de um lado para o outro, antes de mudar-se para ir ao seu próprio quarto, desejando, incomodado, tirar o terno preto sufocante. Vendo o humor radiante do amante, ele logo deduziu que havia se preocupado muito à toa, mas não podia se autoajudar, depois da ligação que recebeu da sua mãe, ele tentou quase em desespero – mesmo que ainda não admitisse isso para si mesmo –, entrar em contato com loiro, que o ignorou por dias; até agora.
A aflição da espera era tanta, que ele passou a supor o pior: que os pais do Uzumaki não aceitaram e que o estudante de engenharia desistiu do que tinham por causa de uma possível confusão com a sua família. Embora, vê-lo no apartamento em que dividia com Karin e, depois, receber um gesto tão caloroso de boas-vindas, dizia-lhe que havia muito mais por trás do que ele desconfiou.
O Uchiha respirou fundo, sentindo a agonia que experimentou nos últimos três dias irem embora. Depois que recebeu a notícia de Mikoto, tudo pareceu dar errado. Naruto não respondia seus SMS, não atendia às suas ligações, ficou off-line, sem se preocupar em lhe mandar um aviso sobre o que aconteceu. O corvo chegou ao extremo de achar que o mais novo o culpava pelo o que – possivelmente – poderia ter ocorrido. E agora, pensando melhor, ele começava a notar o estresse afundar sobre ele em forma de raiva.
"Afinal, quem aquele Usuratonkachi acha que é para me deixar assim?", pensou irado.
Suas mãos tremeram levemente, enquanto ele tentava desabotoar o paletó. Ele achou que tinha perdido o amante, sendo que nem o tinha direito ainda, e, esse sentimento era sufocante. Nesses últimos dias, Sasuke percebeu o quanto se apegou ao primo idiota de sua melhor amiga, tanto que, pela força com que seu coração se comprimiu ao pensar que nunca mais veria o Dobe, ele deu-se conta de que, sem querer, havia se apaixonado. "Merda!", amaldiçoou ainda mais raivoso e frustrado, porque ele não estava tão seguro sobre o que o Uzumaki sentia.
Ele passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os totalmente, enquanto tentava decidir o que faria a partir de agora que tomou o conhecimento sobre sua paixonite fora de hora. O Uchiha estava confuso consigo mesmo, porque não esperava cair de amores por Naruto tão cedo; ele, um ser tão estoico, indiferente e frio se deixar levar com tanta rapidez era assustador. Ele tinha de admitir que estava intimidado com a intensidade do seu sentimento para com o idiota estúpido.
Desabotoando os punhos da camisa branca, ele ouviu um pequeno assovio vindo da porta. O som o enfureceu mais, porque vinha da pessoa que lhe coçou mais que um nervo por três longos e demorados dias.
- Você se torna mais apetitoso a cada dia que passa, Suke. – elogiou, passando a língua por entre os lábios, com um sorriso sugestivo.
O moreno nem se deu ao trabalho de responder, decidido a ignorar o homem, ele passou a abrir a peça para poder tirá-la. O loiro se sentou na cama de casal coberta meticulosamente por uma colcha azul marinho com costuras discretas na cor preta. Olhos azuis cerúleos rapidamente se tornaram cobalto ao observar cada pedaço de pele leitosa se revelar e os músculos firmes ondularem com cada movimento, conforme o corvo tirava as roupas.
Mordendo a carne do beiço com força, o estudante de engenharia tentou se concentrar no rosto de traços delicados, quando reparou as sobrancelhas negras vincadas e a boca posicionada em uma linha fina e rígida. Sasuke estava bravo com algo que o Uzumaki não sabia definir o que era, mas era grave o suficiente para emitir ondas assassinas por todo o quarto. Ele praguejou baixinho por ter se distraído com outras coisas menos importantes do que o estado de espírito do mais velho.
- Bastardo? – silêncio o fez franzir o cenho. – Teme? – a quietude o fez olhar em volta, como se procurasse algo que chamasse a atenção do Uchiha. – Sasuke? – silêncio novamente.
Impaciente e irritado com a indiferença do outro, ele pegou um dos travesseiros encostados na cabeceira da cama e tacou sem qualquer delicadeza na direção do moreno, que pegou o objeto antes que este o atingisse e o jogou de volta, em direção ao rosto bronzeado e com marquinhas de bigodes de raposa. Apesar da raiva, os lábios finos se moveram para dar ao amante um sorriso presunçoso, sentindo-se vingado ao ver o corpo do mais novo se mover para trás com o impacto violento da almofada colidindo com sua cabeça.
- Filho da puta... - o loiro rosnou com a voz abafada.
- Reclamando por causa de um mero travesseiro, idiota? - zombou com uma sobrancelha erguida.
Ele mal se importou com a presença de Naruto no quarto, enquanto tirava a calça social para ficar só em sua boxer preta, assistindo pelo canto dos olhos o outro rapaz se apoiar nos cotovelos com o cenho e os lábios franzidos em irritação; se antes existia um pequeno resquício de fome nos orbes azuis cerúleos, ele foi cortado pela pequena briga infantil que acabaram de ter. O primo da sua melhor amiga ficava visivelmente chateado quando não obtia a atenção que desejava e, o moreno estava usando isso ao seu próprio favor. Por dentro, ele sentiu uma mísera pontada de remorso, que logo morreu quando se lembrou do motivo de estar tão injuriado.
- Por esta demonstração de afeto calorosa, só posso presumir que a causa do humor azedo seja eu. - jorrou com ironia.
- Você não é tão burro quanto achei que fosse, perdedor... - virou as costas com indiferença a fim de procurar no armário alguma roupa decente e confortável para se vestir.
- Suke? – chamou humildemente.
- O que deu um você para me chamar com esse apelido idiota, hein?! – rosnou, ficando irritado porque toda vez que o Uzumaki o chamava dessa forma, parecia acender uma pequena chama quente em seu coração. E ele não queria parecer mole, quando devia estar esbravejando o descaso dos últimos dias.
Orbes ônix encontraram as íris azuis claras e todos os seus pensamentos furiosos evaporaram como fumaça. O loiro ostentava um sorriso repleto de significados, que ele não sabia definir o que queriam dizer, mas que o fez se calar de todos os xingamentos que gostaria de pronunciar. As piscinas azuladas transmitiam um sentimento tão intenso e um calor tão grande, que pareciam atingi-lo, mesmo com os quase dois metros de distância que os separava. A expressão no rosto com marquinhas de bigodes de raposa era tão tocante, que fez perder o fôlego.
- Vem aqui. – Naruto fez um gesto com a mão, pedindo para que ele se aproximasse.
Sasuke nem hesitou ao se aproximar, sentando-se ao lado do mais novo logo em seguida. O estudante de engenharia o puxou pela cintura, aproximando os dois corpos juntos, antes de fazer o corvo deitar ao seu lado para colocar uma das pernas entre as coxas torneadas e posicionar o tronco em cima da figura pálida do moreno.
O Uzumaki agarrou os fios negros do cabelo macio, inclinando-se para beijar os lábios finos em uma carícia intensa. O Uchiha sentiu sua boca ser invadida por uma língua exigente, que ordenava imperiosamente ser correspondida, desafiando-o a acompanhar o ritmo lento, mais autoritário. Ele gemeu, quando sentiu o amante sugar a carne do beiço com força, enquanto ainda segurava sua cabeça com firmeza, comandando todos os seus movimentos.
Mãos de pele marfim se moveram para segurar o dorso do homem sobre si, correndo-as para sentir os músculos enrijecidos por dentro da jaqueta de couro caramelo que o loiro usava, fazendo-o suspirar em deleite. O cheiro, os toques e os afagos necessitados quase nublaram a sua mente sobre o motivo que o levaram a iniciar uma pequena discussão há alguns minutos. Empurrando o outro para poder encará-lo, Sasuke deparou-se com familiares olhos tingidos com nuances de cinza e prata.
Ele engoliu em seco.
O peso daquela cor sempre o transportava para um mundo nebuloso. O corvo não tinha palavras para descrever o quanto aquele olhar era aberto e expressivo, como se gritasse toda a carência que sentia e que somente ele poderia suprir.
- Por que você não entrou em contato comigo todos esses dias? – perguntou de supetão, antes que acontecesse algo que o distraísse novamente.
De repente, toda a atmosfera do quarto mudou e até a energia do amante mudou para uma mais grave. Sem perceber, sobrancelhas negras se vincaram para anormalidade da situação, já que nada que envolvia Naruto era carregado, pelo contrário, o homem parecia carregar consigo uma vibração que sempre lhe transmitia paz e tranquilidade. Sasuke definiu, sem qualquer questionamento, que não gostava dessa aura no mais novo, porque não se encaixava com a figura brilhante e alegre que estava habituado. Esse novo Uzumaki o deixava receoso.
Várias possibilidades começaram a passar pela cabeça repleta de fios negros, agora desgrenhados, e nenhuma delas era muito boa. Aliás, a pior delas era que o loiro quisesse parar o que tinham, sabe-se lá o que era realmente isso que ambos possuíam. Apesar de ser um tanto confuso, era uma relação importante para o corvo, ainda mais agora que ele sabia o que sentia de fato pelo rapaz de bonitos olhos azuis.
O Uzumaki, como se sentisse a aflição do outro, passou a mão bronzeada sobre as madeixas pretas a fim de tirá-las de cima dos orbes ônix profundos, antes de dar um pequeno e singelo beijo na boca rosada. Antes que ele pudesse dizer o que pretendia, ouviu um grito feminino vindo da porta, assustando-o de tal maneira, que ele instintivamente pulou para longe do corpo grudado ao seu.
O Uchiha apoiou-se no cotovelo para observar quem havia interrompido a conversa tão importante. Ele encarou com um brilho de morte a mulher pequena de longos cabelos vermelhos e a sua acompanhante loira, mal se importando com o seu estado seminu, tamanha a irritação que sentia.
- Karin? Ino? - perguntou o estudante de engenharia com suspeita, erguendo uma sobrancelha em sinal de dúvida.
A rapariga de longos cabelos vermelhos tinha as duas mãos no rosto, enquanto murmurava algo que parecia "eu não vi isso" repetidas vezes, enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro freneticamente. Já a outra fêmea segurava o nariz, com uma expressão que mesclava choque, diversão e malícia.
- Vocês ao menos poderiam ter trancado a porra da porta? - exclamou a Uzumaki com a voz abafada.
- Hn. - grunhiu o corvo, ficando ainda mais aborrecido. - Não é como se estivéssemos transando.
- Ainda! - ela voltou a retorquir com um timbre energético. - Olha seu estado! - apontou com o indicador, mostrando um olhar castanho-avermelhado. - Eu não preciso ser atormentada com uma visão dessas para o resto da minha vida!
- O quê? - fungou a menina com um longo rabo de cavalo. - Eu achei superquente.
- É por isso mesmo! - levantou as mãos para o céu em rendição. - Como eu vou encarar o Sasuke novamente sabendo que eu o vi de cueca? Se antes eu tinha vontade de atacá-lo no meio da noite, imagine o que eu sofrerei agora? - perguntou com um muxoxo. - E ninguém merece ter sonhos molhados do seu melhor amigo com o seu primo idiota!
- Hey! - Naruto gritou indignado.
- Te entendo. - murmurou a loira, dando pequenos tapas amigáveis no ombro da outra mulher. - Eu poderia ver o Sasuke-kun de boxer por toda a minha vida, que nunca me cansaria... Vou guardar essa imagem mental por todo o sempre como uma lembrança do melhor momento da minha vida. - divagou.
- O que você tem que atrai tanto o sexo feminino, Bastardo? - inquiriu com irritação, sentindo-se enciumado. - Karin me mostrou a quantidade de cartas de amor que você recebe todos os dias, sabia? - olhos azuis assistiram o Uchiha mudar a expressão emburrada para outra presunçosa. O olhar negro brilhou em escárnio e diversão.
- Ciúmes, Dobe? - sorriu afetadamente.
O Uzumaki respirou fundo, tentando controlar a vontade de socar o rosto perfeito e debochado até desfigurá-lo.
- Quem? Eu? - riu com descrença. - Nunca! - jamais ele admitiria isso em voz alta. - Eu nem sei, de fato, o que todas elas veem em você! - resmungou, amuado.
As duas outras presenças no quarto assistiam a cena, sentindo-se cada vez mais excluídas da situação toda, já que os homens esqueceram completamente que tinham companhia. Elas olharam uma para a outra e saíram do quarto, esperando outra hora para conversar com o casal sobre os planos que fizeram para o final de semana.
- Talvez, seja o mesmo que você viu em mim? - ironizou.
Naruto iria devolver a réplica, se não tivesse visto razão na declaração do amante. Mal humorado, ele cruzou os braços e fez um bico, chateado consigo mesmo por não ter como responder a provocação, fazendo Sasuke rir minimamente e rolar os olhos para a manha infantil. Ele puxou o braço do mais novo, derrubando-o na cama ao seu lado. Inclinando-se, ele capturou a carne do lábio inferior do amante entre os dentes, mordendo-o com força para se vingar da briga sem sentido. O loiro gemeu de dor.
- Idiota... - murmurou, antes de beijá-lo com intensidade e carinho.
Quando os dois se afastaram, o estudante de engenharia já estava sorrindo novamente. Ele se levantou da cama em um pulo - depois de dar um tapa na bunda coberta apenas com a boxer preta - e caminhou até a porta.
- Mais tarde discutimos sobre aquilo, Teme. - anunciou. - Vou ver o que as meninas queriam antes de interromper nossa conversa. Vista algo decente antes de sair desse quarto! - resmungou, sumindo pelo corredor.
O Uchiha franziu a testa, enquanto observava o espaço vazio do seu quarto. Ele bufou minimamente, irritado pelo diálogo mal resolvido e pelo comando do amante.
- Acho que estou pegando muito leve com você, Sr. Uzumaki. - sussurrou para o silêncio do cômodo, levantando-se. - Já está até achando que pode me dar ordens... - abriu o armário, procurando por uma calça de moletom confortável.
(***)
Quando Sasuke chegou na cozinha, encontrou um Naruto com uma cara amarrada e duas garotas tagarelando sem parar dobre algo que ele desconhecia. O loiro havia tirado a jaqueta de couro caramelo e estava somente com uma camiseta regata branca e simples, salientando os músculos firmes dos bíceps e do dorso bronzeado. Tanta pele à mostra, fez com que ele não resistisse ao impulso de levantar a barra da peça para poder tocar a cútis dourada na região do quadril, a calça, como sempre, caía frouxamente, revelando o elástico vermelho e branco da cueca. O Uzumaki se arrepiou com a carícia invasiva.
- Do que elas estão falando para deixar você com essa cara tão feia, Usuratonkachi? - murmurou com a voz grave no ouvido do amante, fazendo os pelos claros da nuca do outro se eriçar ainda mais.
Antes que o mais novo pudesse responder, Karin interrompeu a conversa:
- Sasuke-kun! - exclamou animadamente. - Estamos combinando de ir a um dos bares GLS em Tóquio amanhã. - ela deu um sorriso tão grande, que os olhos castanho-avermelhados se fecharam. - Todos estão reclamando, mas vamos dar um jeito para convencer todo mundo!
Se o Uchiha fosse qualquer outra pessoa, ele teria arregalado os olhos, mas como ele era sempre muito neutro, sua expressão continuava inabalável, embora seu interior estivesse uma bagunça entre o choque e a confusão.
- Eu estou achando que isso não vai dar certo... - Naruto falou para si mesmo.
Eu receei muito sobre escrever sobre a reação do Minato e da Kushina. Desde o começo, eu sabia que ela seria quem lidaria com a situação de maneira mais difícil, mas eu não queria que ela se negasse a entender a sexualidade do Naruto, porque não faz parte da natureza dela discriminar uma escolha do próprio filho, pelo menos as que envolvam o coração.
A mãe do nosso loirinho é taurina e, geralmente, pessoas sob este signo lidam muito mal com falta de confiança e mentiras. Eles ficam extremamente magoados e não fazem questão de esconder, pelo contrário, jogam na sua cara que estão bem chateados. Tentei juntar isso ao temperamento forte da ruiva e resultou nesses acontecimentos e nos próximos também.
Espero que tenham gostado! ;(
