Neiigh, acho que a Sakura tá esgotando o chakra porque o estudo dela inclui executar todos os jutsus novos que ela está aprendendo. E como ela fica fazendo isso desde manhã até a noite... Mas é bom ela ficar cansada, você vai ver neste capítulo e no próximo o porque... rs

PS: Inveja! de quem foi no Rock in Rio!

Aproveitem o capítulo.

dai86


Pedacinho do Céu,
por Leanne Ashley

(Tradução por dai86)


Anos mais tarde, finalmente aconteceu. Sasuke finalmente foi capaz de reconhecer as qualidades de Haruno Sakura... Infelizmente, a essa altura, ela simplesmente não ligava mais. A clássica história de amor e ironia, onde um dos envolvidos permanece ignorante do que acontece... e o outro é Sasuke. Oh, como os poderosos caem.


Capítulo 10

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"Não acho que vá precisar ficar muito tempo, Sasuke. Eu só preciso remover os últimos de seus pontos e então você vai poder se livrar de mim!" Sakura brincou tentando soar alegre.

"Ótimo," Sasuke retrucou enquanto batia a porta banheiro atrás de si de modo brusco.

Atordoada com o ressentimento em sua voz, ela se moveu sobre os pés nervosamente na entrada da casa dele. Ao longo dos anos ela tinha se ajustado muito bem ao comportamento de Sasuke. Quando ele agia da maneira que a maioria das pessoas agia quando irritadas, queria dizer que ele estava num humor relativamente bom. Mas, depois de falar brevemente sobre Neji, a caminhada até sua casa revelou um Sasuke bem irritado, o que era quase inimaginável considerando que sua personalidade natural já parecia saturada de rudeza amarga.

Durante a caminhada, Sakura tinha timidamente cutucado seu ombro depois de ele ter chutado brutalmente uma latinha em seu caminho.

"O que está te incomodando?" ela perguntou com cautela.

"Nada."

"Sasuke," ela começou com toda a sinceridade, "se algo está te incomodando, você pode me dizer."

"Por que eu tenho que lhe dizer qualquer coisa?"

Ele se virou, irritado, e ela não disse mais nada.

Os brilhantes olhos verdes de Sakura baixaram diante da memória da última frase dita antes de entrar em sua casa. Sasuke não iria se abrir com ela, e nem via razão pra tanto de qualquer modo. Era doloroso descobrir que esse último mês que passaram juntos não teve sentido nenhum. Observando o leve brilho de luz por baixo da porta do banheiro, sua mão voou instintivamente para seu peito conforme algo se apertava lá dentro. Ela agarrou a pele sobre seu coração, se contraindo enquanto algo doloroso, algo perdido e esquecido, era momentaneamente trazido à vida.

"Por que...? Você nunca disse uma palavra a qualquer um de nós! Por que você não me contou?"

"Por que eu tenho que lhe contar qualquer coisa? Cuide da sua maldita vida e me deixe em paz."

Ela exalou profundamente, esperando que a dor aguda em seu peito diminuísse. Parecia que não importava o quanto se esforçasse, o quanto tentasse se convencer, reabilitação completa e total não era feita para os fracos de coração.

Encostada na parede atrás de si, Sakura agarrou seus braços. Reprimir, enterrar, esconder ... qualquer coisa. Nada disso podia existir. Nada valia a pena. Não havia nenhum sentido... nunca houve qualquer sentido.

"Sakura."

Seu olhar hesitante se voltou para Sasuke que estava de pé diante dela. Perdida nos próprios pensamentos, ela nem sequer escutou ele sair do banheiro.

Ela o encarou passivamente, esperando por qualquer comentário desdenhoso que ele tivesse reservado pra ela. Ele já tinha empurrado Sakura bem perto do limite... só precisava de uma última cutucada, e então, bam! Ela chutaria o Uchiha bem no meio das pernas. Queria vê-lo tentar ressuscitar seu clã depois disso.

"O que eu disse antes," ele murmurou tenso, "... eu estava nervoso com outra coisa."

Uma tentativa de desculpas? Ela inclinou a cabeça perplexa. Sasuke estava realmente lá, ou ela tinha começado a delirar de repente...?

"... Não havia sentido em discutir sobre aquilo, então..."

Delirando.

Ele fez uma pausa pra franzir a testa diante de sua reação inicial. "Pára de me olhar desse jeito."

Tudo bem, não tão delirante.

Rindo baixinho pra si mesma, Sakura balançou uma mão para lhe dizer que a explicação não era necessária. Talvez sua sensibilidade irritante tivesse ficado evidente... se fosse esse o caso, ela não precisava que ele ficasse passando a mão em sua cabeça. "Está tudo bem. Não se preocupe com isso, Sasuke."

Cruzando os braços defensivamente, o Uchiha bufou. "Eu não estava preocupado com nada..."

"Tudo bem..." ela suspirou, não querendo testar os limites de sua teimosia naquele dia. Não era uma boa idéia jogar esse jogo quando ambos estavam no limite. Ela gesticulou para o sofá na sala, "vamos começar a tirar os pontos."

Pelo restante do check-up, Sasuke se sentou quieto no sofá, se inclinando pra frente com os braços sobre as coxas, de modo que Sakura pudesse ter melhor acesso ao topo de sua cabeça. Embora se esforçasse pra não demonstrar isso, ele estava mais consciente das ações dela do que gostaria.

De onde estava sentada de joelhos no sofá ao lado dele, Sakura correu os dedos com cuidado através dos cachos negros surpreendentemente macios, afastando os grossos fios pra enxergar os ferimentos escondidos embaixo deles.

Usando seus instrumentos médicos, ela começou a remover o que restou dos pontos.

Depois de algum tempo, o silêncio começou a deixá-la desconfortável. "Então..." ela começou, "hum... eu provavelmente não vou ter que voltar pra te pentelhar depois disso. Já faz um mês, e você está completamente curado."

Houve um silêncio por alguns momentos, "tanto faz..." ele finalmente murmurou.

"É, aposto que você está contente," ela brincou enquanto bocejava. Ela tinha certeza que já tinha abusado da hospitalidade dele a essa altura.

Franzindo a testa, Sasuke virou a cabeça de leve pra observá-la pelo canto do olho. "Cansada?"

Cobrindo a boca educadamente, ela assentiu com a cabeça. "Um pouco," Sakura admitiu bocejando mais uma vez. "Mal posso esperar pra ir pra casa e dormir."

O que ele disse em seguida, porém, foi mais que suficiente pra espantar qualquer casaço.

"Você pode ficar aqui."

Tirando as mãos de seu cabelo, Sakura se inclinou pra trás pra encará-lo. Antigamente, Sasuke teria feito qualquer coisa pra tirá-la de seu caminho: insultar, menosprezar... fingir a própria morte... e agora ele estava dizendo pra ela passar a noite? Que forças estranhas estavam trabalhando aqui? Dada a intensidade da surpresa, toda sua confusão podia ser resumida numa simples pergunta: "...Hein?"

"Use a minha cama, eu fico no sofá."

Usar a cama dele? As fãs de Sasuke certamente fariam picadinho dela se descobrissem. "Espera, o quê?" ela gaguejou. "Mas - quer dizer... eu não devia... uh, você sabe que eu não quero incomodar! Tá tudo bem mesmo, eu não poderia-!"

"Apenas fique, Sakura," ele disse de forma decisiva. "Não seja irritante."

Batendo as unhas nervosamente contra sua coxa, ela o observou com desconfiança, ignorando a espetada que ele havia incluído no convite. "Está... tudo bem mesmo? Você tem certeza?"

"Você prefere ir a pé pra casa quase dormindo?"

"Bem... não..."

"Então fique," retrucou irritado. "Eu não me importo."

"Ok, ok..." ela consentiu conforme vinha pra mais perto dele. Retomando seu trabalho, ela cutucou o lado da cabeça de Sasuke de modo brincalhão. "Eu aceito."

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Eram duas da manhã quando Sasuke fechou a porta da frente atrás de si, imaginando se seu passeio havia acidentalmente acordado Sakura. Atravessando o corredor, ele notou que seus passos contra o piso de madeira não soavam mais tão silenciosos como antes. Talvez um eco não pudesse soar tão vazio quando o lugar onde ele existia não era mais tão vazio. Naquela época é claro, ele não dava valor a pequenas coisas como essas.

Ele parou quando chegou em seu quarto, observando a garota de cabelo rosa que dormia tranquilamente em sua cama. Parecia que seu sono não havia sido perturbado. Franzindo a testa, Sasuke suspirou frustrado e se sentou no chão. Provavelmente era melhor ficar acordado a noite toda pra vigiá-la... só pra garantir...

Resmungando baixinho, ele inclinou a cabeça pra trás contra o batente da porta. Um olhar de preocupação genuína se fixou em seu rosto.

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Correndo descalça e com passos leves, Sakura tentou caminhar silenciosamente pelo corredor externo da mansão Uchiha. Era alvorada, e ela fez questão de se levantar cedo pra realizar certos atos generosos. O sol mal tinha começado a nascer, e a essência do orvalho e o ar da noite permaneciam – ela podia ver a própria respiração enquanto percorria o amplo espaço intrincado da enorme casa. Vestindo apenas uma regata preta e bermuda, peças que usava sob seu traje habitual, ela tentou ao máximo ignorar o ar frio que envolvia cada um de seus movimentos apressados.

Alcançando seu destino, Sakura deslizou a porta de madeira e entrou silenciosamente, tomando cuidado pra não deixar muita luz da manhã invadir a sala escura. Ela se dirigiu até o encosto do sofá diante dela, e olhou por cima dele lentamente. Como era de se esperar, Sasuke estava deitado ali com os braços cruzados atrás da cabeça. Ele parecia relaxado... impassível, calmo. Era engraçado como ele conseguia manter a lendária personalidade de Sasuke mesmo enquanto dormia .

"Sasuke!" ela sussurrou enquanto se inclinava mais perto por cima do encosto do sofá. "Sasssuuukeee!"

Um único olho se abriu pra lhe lançar um olhar de desagrado.

"Bom dia!" Sakura cumprimentou com alegria. "Você dormiu bem?"

Ele resmungou um ruído exasperado antes de mudar de posição, enterrando o rosto no travesseiro do sofá. "Eu te digo quando terminar de dormir," foi a resposta abafada.

Persistente como sempre, Sakura se inclinou ainda mais. Mechas de seu cabelo rosa roçaram involuntariamente contra a bochecha de Sasuke quando ela fez isso. "Eu preparei o café da manhã," ela disse com doçura.

"Ótimo. Vai comer."

Ela suspirou. "Preparei pra você."

Ele resmungou um 'tudo bem' depois de ouvir o tom de desapontamento em sua voz. "Só me dá mais cinco minutos."

Satisfeita, Sakura sorriu e deu um tapinha no ombro dele de brincadeira. "Te encontro na cozinha!" E com isso, ela abriu a porta mais uma vez e caminhou de volta pelo corredor externo. Imagino por que ele ainda está cansado... achei que ele fosse acordar mais cedo do que isso...

Cantarolando, ela sabia que agora já devia estar ultrapassando seus limites como hóspede, mas não conseguia esquecer como Sasuke generosamente insistiu pra que ela ficasse durante a noite pra evitar uma caminhada pra casa tarde da noite. Agradecer-lhe não era suficiente, então ela fez do seu objetivo naquela manhã preparar-lhe o melhor café da manhã que ele já houvesse provado.

Antes de chegar à cozinha, Sakura instintivamente parou. Paranóia começou a emergir quando ela podia jurar que sentiu alguém a observando apenas alguns segundos atrás. Ela estreitou os olhos perigosamente por cima do ombro na direção das várias árvores altas que cercavam o pátio da mansão Uchiha. Qualquer presença que fosse, já havia partido.

Ou estava muito bem escondido.

Seu brilhantes olhos verdes analisaram a área, ignorando a forte brisa que balançava seus fios de cabelo contra seu rosto. Ela quase nunca se enganava sobre essas intuições. Uma presença familiar havia surgido... permanecendo por apenas um segundo, mas foi o suficiente. Ela sentiu a intenção, os olhos...

"Não há ninguém lá."

Mordendo o lábio, ela virou a cabeça de leve pra onde Sasuke estava parado atrás dela, ainda sonolento. "Tem certeza?" ela perguntou. "Tenho certeza que alguém estava..."

"Oficiais ANBU vem me verificar de forma aleatória. Eles entram e saem sem dizer uma palavra."

"Oh..." Isso fazia sentido. Um oficial de passagem provavelmente estava apenas querendo saber porque ela estava lá. Uma garota na casa de Sasuke... que escândalo. Soltando um suspiro de alívio, Sakura girou e se dirigiu de volta para a cozinha. "Bem, estou contente que você esteja acordado! Vamos!"

Ele deu um único passo a frente antes de parar pra encarar as árvores ao redor. Olhando pra trás, ele esperou até que Sakura estivesse de volta dentro da casa antes de arremessar uma kunai num movimento rápido. Voou além de seu alcance de visão, mas atingiu seu alvo.

Estreitando os olhos de forma ameaçadora, ele se virou e seguiu a kunoichi rosada sem olhar para trás.

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Ótima mira como sempre, Sasuke-kun...

A kunai lançada contra ele havia estrategicamente quebrado a armação de seus óculos, atingindo o galho ao lado de sua cabeça. Tirando eles do rosto, Kabuto ergueu uma sobrancelha em diversão e admiração diante das habilidades do garoto. Que modo interessante de terminar o pequeno encontro deles.

Tendo convivido com ele por anos, Sasuke era um especialista em pressentir a presença de Kabuto. Na noite passada, o rapaz de cabelos branco mal tinha pisado no distrito Uchiha antes que Sasuke aparecesse pra recebê-lo, tendo percebido o médico mesmo enquanto dormia.

"O que você está fazendo aqui?" o moreno exigiu.

"Eu vim entregar uma mensagem," Kabuto respondeu simplesmente. Ajustando os óculos sobre o nariz com um dedo, ele continuou. "Perdoe a intromissão, Sasuke-kun. Eu não tive a intenção de acordá-lo de seu sono. Deve ter sido duro com uma distração no quarto ao lado."

"Qual é a mensagem?" ele estalou com impaciência, ignorando o significado subliminar nas palavras de Kabuto. O homem mais velho sorriu. "Orochimaru-sama gostaria de lembrá-lo de seus negócios inacabados com ele."

"Não temos nenhum."

"Pelo contrário," Kabuto disse de modo sombrio. "Você ainda tem uma dívida com ele. Partindo pra matar seu irmão e depois não retornando? Tsk, tsk..."

Sasuke deu de ombros. "Fui trazido de volta pra Konoha."

"E ainda assim você permanece." O médico parou pra sorrir de modo significativo, olhando por cima do ombro do Uchiha, "... imagino porque... como está Sakura-san ultimamente?"

"Não é da sua conta," Sasuke retrucou. "Não mude de assunto."

"Mais defensivo que o normal, não?" Ele balançou a cabeça. "Tudo bem. Vou precisar de uma resposta então."

"Diga a ele pra arranjar outro corpo. Nós já terminamos nossos negócios."

O médico apertou os olhos e deu de ombros, casualmente se virando pra ir embora. "Se você diz, Sasuke-kun. Tenha uma boa noite."

Kabuto sabia muito bem que a resposta de Sasuke não cairia muito bem com Orochimaru. Não... seu mestre não iria deixar isso passar. Nem agora, nem nunca. Ele ficaria mais furioso ao saber que seu Sasuke decidiu ficar e levar a vida em Konoha de boa vontade... e por causa de uma pessoa em particular.


Uma patada, uma gentileza, uma grosseria, um beijo... quem já teve um namorado assim levanta a mão, rs. o/

Pena que a Sakura e o Sasuke são apenas amigos, porque daí não rola beijo... mas mesmo assim, a gentileza grossa do Sasuke é adorável.

Até quarta!

dai86