Feliz Natal atrasado, pessoas lindas.
Obrigada de coração pelos comentários. LaraDepr, também apanhei - e apanho até hoje - desse site. Preocupa não, tento te responder sempre aqui na intro.
Capítulo de romance.
Divirtam-se.
- Então tudo bem pra você? – ela perguntou olhando para a grama entre seus dedos. Nunca poderia dizer se conseguira disfarçar a insegurança em sua voz.
- Eu estou aqui, não estou?
Ela teve medo de olhá-lo e ver que não era verdade.
Era mais de meia noite quando, cansados, foram dormir. Deixaram tudo como estava, a sala ampla e bem iluminada, transformada no escritório do Quartel General da resistência. Era estranho imaginar que anos de uma pesquisa tão sigilosa estavam agora tão próximos da luz do sol, fisicamente apenas atrás de uma camada de cortinas e uma de vidro. As proteções mágicas, entretanto estavam por toda parte, camada após camada, após camada. Havia proteção contra trouxas, contra bruxos, contra criaturas mágicas, contra artefatos espiões; haviam proteções sonoras, visuais, ilusões e gatilhos diversos com finalidades diversas; havia também magia negra. Ela nunca conseguiria dizer do que se tratava ou com quais objetivos estava ali devido à grande falha que havia em sua formação escolar: As artes das trevas. A política de combate a Voldemort impedira que ela recebesse aulas sobre o assunto e a maior parte do que sabia era derivada de seu próprio estudo e esforço solitário. Evidentemente seu conhecimento, assim como o de praticamente qualquer bruxo ou bruxa contrário às ideias de Voldemort, não era páreo para o de Snape. Era um lugar seguro.
Diante dos fatos, não restavam muitas alternativas que não descobrir onde William Weasley morava, e pareceu de bom tom a ambos entregar os convites de casamento pessoalmente, ao menos para as pessoas mais próximas. Senão por todos os outros Harry merecia esse cuidado, merecia ter uma chance de conversar com o futuro esposo de sua melhor amiga, mesmo que só para se livrar da impressão que nunca poderiam se dar bem.
Snape escreveu de próprio punho convites para um jantar na noite seguinte para Harry e Neville, estendendo-os a um acompanhante, cada. Obviamente Neville levaria Parvati Patil e Harry levaria Gina, assim teriam as informações necessárias sem levantar suspeitas. Hermione, um tanto nauseada, convidou Lucius e Draco para um almoço no fim de semana. Não houve carinhos ou análises mútuas naquela noite, estavam exaustos e o dia seguinte seria longo. Hermione adormeceu com o livro de aritmancia sobre o peito antes que terminasse a segunda página.
A manhã chuvosa encontrou ambos se esbarrando na cozinha, apressados em preparar o café. Precisavam fazer compras para o jantar, endereçar convites, combinar e informar o cerimonial Momentos Mágicos sobre os últimos detalhes da festa de casamento. Snape arrancou gargalhadas de Hermione com seu desconforto ao entrar no sedan azulado com a garota ao volante. Atraíram olhares no supermercado trouxa, mas nenhum dos dois se importou muito: Tinham o tempo contado e iriam cozinhar juntos. Tudo pelo bem-maior.
Snape a surpreendeu, desculpando-se por precisar sair. Gostaria de entregar os convites para seu sócio e seu enteado pessoalmente, assim o jantar não precisaria tratar de assuntos de negócios. Ela passara dois anos morando só, quer em Paris, quer na casa que fora de seus pais, podia passar duas horas sozinha, ele não precisava se desculpar.
Haviam optado por uma entrada simples de torradas temperadas com ervas e manteiga, seguidas de salmão com molho cítrico, purê de batatas e vegetais no vapor e mousse de frutas vermelhas de sobremesa. O mousse já estava na geladeira e as batatas prontas para serem amassadas quando ele voltou.
Hermione serviu chá quente e pudim yorkshire com geleia na mesa de centro, para que ele não precisasse se levantar do sofá e tomou o cuidado de falar em voz baixa. Ele parecia ter acabado de sair da lavadora de roupas: Estava cansado, as roupas negras um tanto amarfanhadas e os cabelos desalinhados. Nada que não fosse comum a qualquer pessoa que ela conhecesse, Harry seria parabenizado no Ministério se fosse trabalhar tão elegante, mas não a ele. Acrescentou um comprimido para dor de cabeça e água fresca ao lanche.
- Conversa difícil com os Malfoy? – ela arriscou.
- Vem cá. – sussurrou ele, no limite da audição de Hermione, esperando até que ela se sentasse ao seu lado. Ela sentiu o peito arder.
Hermione pegou uma mão longa entre as suas e beijou-lhe os nós de cada um dos dedos com o cenho franzido de preocupação. O que quer que tenha acontecido, não fora nada bom. Ele mantinha o corpo voltado na direção dela e o rosto baixo, escondido pelos cabelos e ela deduziu que ele queria muito contar algo a ela, mas não sabia como. Ela sentiu a pressão inerente de ajudar alguém a falar, mas não era tão habilidosa quanto ele. Não tinha experiência em forçar a verdade para fora de sonserinos, ele provavelmente praticara por mais de trinta anos, desde que entrou em Hogwarts, primeiro com seus colegas, depois com seus alunos.
Ela tentava adivinhar o que poderia ter acontecido. Era certo que o encontro traria lembranças dolorosas a Severus, mas ele já devia esperar por isso. Sabia que seu noivo era amigo de Lucius e estivera presente no julgamento de Snape, quando Narcissa revelou que pedira ajuda a ele quando Draco recebeu a missão de matar Dumbledore. Duas semanas depois, Narcissa fora assassinada por comensais, então fugitivos. Snape faltara a algumas aulas e rondas noturnas naquela época, seguramente prestando assistência ao viúvo e ao filho desvastados. Eram evidentes os laços que o ligavam aos Malfoy.
- Você não sabe com quem está se casando. – o timbre complexo e único permanecia belo mesmo quando era apenas um murmúrio. – Não me perdoaria se soubesse.
Laços que envolviam seus anos como Comensal da Morte, evidentemente. Severus era um bom homem, mas precisava parar com essa mania de se achar o dragão que sequestrou a princesa. Ela sabia que iriam, mais cedo ou mais tarde, acabar tendo aquela conversa. Ele confessaria, ela se doeria por ele, mas não conseguiria fingir surpresa e, uma hora, ele acabaria entendendo que ela não era uma mocinha indefesa vendida a um torturador de menores. Ela sabia e já o havia perdoado, mas na verdade, isso não interessava. Nunca pensara que os comensais se reuniam em torno de uma fonte em um jardim florido. Nunca pensara que bebiam vinho branco enquanto discutiam a cotação do Galeão. Nunca pensara que o que Bellatrix fizera a ela fosse incomum, aliás, sabia muito bem o que aconteceria se não tivesse escapado. E também que ele provavelmente participaria de tudo.
- Não tenho nada para perdoar, Severus. Eu posso não ter visto nada mas não sou ingênua a ponto de achar que vocês bebiam chá enquanto conversavam sobre observação de pássaros. E ainda assim, acredito que, no seu caso, os fins justificaram os meios. Não havia outra forma.
- O que não muda o que eu fiz.
Ah, Merlin, será que ele poderia, por favor, parar de sussurrar, como um moribundo? Estava dando um nó na garganta dela. E ela não sabia como lidar com um Severus Snape tão frágil, tão vulnerável.
Era como assistir Bichento morrer de novo, e de novo, e de novo. Seu gato adoecera durante o ano em que ela buscava as Horcruxes. Talvez fosse alguma doença de animais mágicos, o que explicaria os esforços de seus pais serem inúteis. Ela o encontrara agonizando em sua antiga cama quando voltara a sua casa, três dias após o funeral. Havia bastante água e comida, deixada por uma vizinha idosa que se compadecera do animalzinho, mas não havia nada que pudesse ser feito. Antes seguro e arrogante, o gato alaranjado parecia um trapo velho e sem uso, os olhos tristes brilharam por um segundo e uma orelha se mexera ao som de sua voz, mas era tarde demais. Após se certificar de que não havia esperança através de uma magia aprendida com Hagrid, ela deitara ao lado do bichinho, sorrira seu melhor sorriso enquanto as suas lágrimas caíam e, alisando seu pelo sedoso, murmurara uma antiga canção bruxa. Por horas.
Ela sorriu o mesmo sorriso e tocou o rosto de Snape com a mesma delicadeza, conduzindo-o até que se deitasse em seu colo.
- Eu não faço a menor ideia de como é estar na sua pele, Severus. Não consigo dimensionar a sua dor. E por isso eu só tenho a te agradecer. Você a viveu por mim e por todo o mundo bruxo. – ela penteou os cabelos negros ainda sentindo o toque macio dos pelos alaranjados nas pontas dos dedos. – E, com ou sem Lei Matrimonial, eu gostaria de estar ao seu alcance, de tentar demonstrar essa gratidão, de ter a chance de compensar uma ínfima parte dessa dor. Todo mundo já te perdoou, mas você não seria você se fosse todo mundo. Sinta o que precisar sentir e fale o que quiser falar. Eu não vou a lugar nenhum. – ela pontuou a fala com um carinho em seu maxilar. Estava em pedaços, mas não deixaria que ele notasse. Ele precisava dela inteira e ela estava ali para ele.
Ela fez carinhos no rosto contraído, lutando para manter o sorriso tranquilo nos lábios, para manter o olhar que dizia que tudo ia ficar bem. O vestido longo de algodão estampado fazendo pouco para proteger a sua coxa do ombro tenso.
Aos poucos, a tensão virou esgotamento e a preocupação virou cuidado. Aplicando mais força aos carinhos ela massageou o pescoço e os ombros, pressionando, ainda que de forma desajeitada pela posição que estavam alguns pontos em suas costas. Ele pareceu gostar do toque dela e lentamente, oferecer melhor acesso às mãos ágeis e delicadas. Ela iria espremer até a última gota de culpa para fora do corpo dele.
Obstinada, repetiu pra si mesma que o despia para facilitar a massagem, cada botão firme e atrevido contra seus dedos, desafiando-a a vencê-los. O corpo magro guardava uma força invisível, que só podia ser percebida ao toque. Os músculos das costas dele eram firmes sob a pele macia. Com o cotovelo, Hermione desfez um nó particularmente difícil abaixo da escápula ouvindo-o abafar um gemido de dor em sua coxa e deu-lhe algum tempo para recuperar o fôlego em seguida, enquanto acariciava o local.
Esperava que aquela massagem estivesse fazendo algum bem a ele, porque, a ela, com certeza não estava. Não estivera ao lado dele quando aqueles nós surgiram, e agora, culpada ou não, era tudo que podia fazer.
Ele tirou a camisa com a ajuda dela, largando-a amontoada a seus pés. Estava cedendo, estava se entregando e essa responsabilidade pesou em suas mãos quando se sentou sobre o quadril dele buscando uma posição mais natural.
Ela sentiu a língua grossa em sua boca quando viu o mar de cicatrizes em suas costas. Como era de se esperar, eram todas brancas e antigas, mas sua semelhança acabava aí. Haviam marcas de pontas de cigarro, cortes, queimaduras, riscos paralelos que pareciam ter sido feitos por garras, esfoladuras, perfurações, tudo das mais variadas formas e profundidades. Como ela pudera permitir que aquilo acontecesse? Como pudera não fazer nada para impedir o que ele fizera consigo mesmo? Não que fossem ferimentos auto-infligidos, mas de certa forma, eram. Era errado que a culpa que sentia se sobrepusesse à compaixão por ele. "Não é sobre você. Não é sobre você." Repetiu para si mesma algumas vezes. Como podia pensar em si mesma naquela hora?
Algumas marcas seguiam desalinhadas depois de se cruzarem, significando que a linha reta acontecera primeiro. Haviam pontilhados que pareciam ter sido feitos por um instrumento segurado com pouca firmeza. Histórias de heroísmo e sofrimento gravadas em rocha nua por seres primitivos. Um banquete para um arqueólogo.
Ela se curvou em admiração e respeito. Beijou algumas marcas sentindo a pele crispada sob os lábios. De início, teve medo que ele a repelisse, mas se alegrou ao ver que, na verdade ele relaxava lentamente com o toque de sua boca. Arranhou os músculos mais proeminentes com os dentes e abrandou o contado com o rosto. Ele tinha um cheiro delicioso, um cheiro de cabana de madeira nos Alpes.
Em algum lugar de sua mente perturbada, pensava que poderia apagar todas aquelas cicatrizes com o atrito das suas mãos. Precisava se controlar para manter a massagem menos intensa ou iria acabar machucando o que tentava curar; ele gemia baixo a cada ponto pressionado. Ou talvez aquele não fosse o tratamento correto.
Com os polegares, ela pressionou todo o caminho por sua espinha, desde o cós da calça até a raiz dos cabelos da sua nuca, então, com as unhas curtas, massageou o couro cabeludo como se estivesse lavando seus cabelos em câmera lenta. Com o rosto enterrado na almofada do sofá, ele não pôde ver o sorriso dela quando os seus gemidos de dor foram lentamente se tornando suspiros de alívio. Ou de prazer.
Ela gostaria de vê-lo daquela forma mais vezes, com o corpo relaxado sob os seus cuidados, a pele macia que lhe recobria os músculos em contato com a sua, os olhos fechados, confiando e se entregando. Permitindo e, quem sabe, gostando. Queria passar óleo nas mãos para poder trabalhar melhor, queria deitá-lo em sua cama para que ele ficasse em uma posição mais confortável, mas não tinha coragem o bastante para parar.
Dedilhou os ombros, fazendo um enorme esforço para não aplicar pressão demais. Apesar de estar muito melhor, ainda havia tensão ali. Então, suas mãos seguiram uma por cada braço, tentando soltar os músculos ao mesmo tempo em que se deliciava com a pele macia e quente próxima ao tronco. Chegou aos antebraços cocentrada em sua tarefa, banindo a marca negra sob a sua mão esquerda da sua mente. Ele não era aquilo. Seu passado fazia parte dele, mas não representava o todo. Aquela tatuagem não era nada além de uma frase fora do contexto. Com dedos ágeis, ela percorreu as fibras firmes que corriam em baixo da pele, deixando que sua mão esquerda apenas copiasse os movimentos da direita. Era mais fácil. Queria saber se ele estava se controlando para não reagir.
Mesmo assim, ficou aliviada quando alcançou os punhos e as palmas das mãos. Ele tinha mãos maravilhosas: longas e fortes, ágeis e masculinas. Ela pressionou cada digital contra o assento macio do sofá, depois correu as unhas suavemente pelos dedos, mãos, antebraços e braços, até voltar aos ombros.
Erguendo o corpo, Hermione esfregou as mãos para aquecê-las por um minuto. Foi o suficiente para ele girar o corpo sob ela, encarando-a. Ela não esperava ver um sorriso em seu rosto, não esperava que ele fizesse cócegas em suas costelas, mas também não esperava que aquele olhar austero ardesse tanto em sua pele. Era como se perder perto de casa: ela sabia onde estava, mas subitamente não reconhecia nada à sua volta.
Havia uma possibilidade de que ele não estivesse gostando da massagem, de que ela o estivesse machucando e ele houvesse relaxado apenas por desistência. Por que não pediu que ela parasse, então? Por que se sujeitou ao desconforto? Ela queria agradá-lo, queria lhe dar prazer com uma massagem, não exatamente apertar o corpo dele até que se cansasse da dor. Nem mesmo sabia se isso era possível. Ela se desculpou com um sorriso sem-graça e um carinho em seu peito. Evitou bravamente focar o olhar em seus mamilos, mas não pôde deixar de notar como os poucos pelos negros eram lisos e macios sob o seu toque. Havia menos cicatrizes ali. Quão difícil seria feri-lo olhando em seus olhos? Engoliu o arrepio antes que lhe causasse náuseas.
Ele impediu que ela se levantasse segurando em sua cintura. Sem ter essa intenção, também impediu que ela movesse qualquer músculo de seu corpo, inclusive os que a faziam respirar. Ele nunca a impedira de fazer qualquer coisa antes, e agora, a força contida naquele corpo que estivera acariciando, mais parecia um alerta de perigo.
Sentia na raiz eriçada de cada pelugem de seu corpo o incômodo daqueles olhos negros a atravessando, devorando-a, absorvendo-a, mas não tinha mais medo dele. Não é possível temer os braços que protegem, nem recuar quando se confia. Tudo bem se aquilo – quer os carinhos, quer todo o relacionamento que construíam – terminasse com ela agarrada a um travesseiro molhado de lágrimas. Porque tinha certeza que essa nunca fora a intenção dele. Engraçado como algumas exigências perdem o sentido com o tempo.
- Fique. – disse, como se implorasse. Há mais de uma forma de se partir um coração. Quem, em todo o mundo seria desalmado o bastante para não atender àquele pedido?
Ele baixara o olhar e agora parecia concentrado em suas mãos na cintura dela. Hermione podia sentir os olhos dele em sua pele, cruzando seu ventre de um polegar pálido para o outro. Cobriu as mãos dele com as suas, sem ter certeza se o fazia por prazer ou por necessidade.
- Eu não vou a lugar nenhum, eu já disse. Eu te machuquei?
Ele balançou a cabeça sem olhá-la, num gesto que tanto poderia significar "claro que não" quando "não tem importância". Ela puxou uma mão até os seus lábios, num beijo que respondia tanto "que bom" quando "desculpe".
Inesperadamente Snape segurou seu maxilar e conduziu-a até os seus lábios.
Ele tinha esse jeito de tocá-la. Como se fosse um demônio procurando redenção ao beijar uma imagem sagrada. Como se ansiasse pela punição. Ela odiava aquilo.
- Severus... – ela murmurou contra os lábios dele. – Eu não quero te machucar.
Ele cerrou as sobrancelhas, numa expressão de surpresa e reconhecimento. E puxou-a para si novamente.
- Não. Por favor... – ela sussurrou de novo, fazendo-o soltá-la imediatamente como se houvesse se queimado. Ela deu um beijo rápido no canto dos lábios finos tentando acalmá-lo. – Espere. Só um minuto.
- Eu não vou ser o chicote na sua carne, Severus – continuou, depois de uma respiração profunda – eu gostaria de te beijar, é claro; mas desde que isso não te doesse tanto. E não negue, eu posso sentir a sua dor formigando nos meus lábios, na minha língua.
Hermione sentiu um nó na garganta quando o viu fechar os olhos com força.
- Eu não sou um ferro em brasa que você pode usar para escrever "culpado" em sua testa. O mínimo que eu espero quando eu te beijo, é que você goste tanto quanto eu. Por favor, deixe eu te mostrar?
Ele tinha uma expressão interessada quando abriu os olhos, aparentemente ela conseguira a sua atenção.
- Dentro de menos de três semanas nós precisamos consumar nosso casamento – ela falou com suavidade enquanto se espremia ao seu lado no sofá. – eu poderia fazer isso hoje. Você quer?
- Hermione, você não está pronta ain...
- Mas eu posso suportar. – ela o interrompeu com ar de quem conduz a conversa – Eu sei que você pode ser gentil e paciente comigo. Não vai ser fácil, mas qual é o problema? E se eu nunca estiver pronta, qual seria o sentido de esperar?
Ele não respondeu.
- Não vai ser tão ruim assim, e eu vou acabar me acostumando. Com o tempo, eu sei que eu vou gostar, talvez tanto quanto todo mundo. O quanto antes nós fizermos sexo, mais cedo eu vou conseguir sentir prazer. Talvez quando formos ao Ministério eu já tenha conseguido algum progresso. O que você acha?
- Não, Hermione. – ele respondeu entediado.
- Por favor? É que... você não tem culpa do que me aconteceu; não acho justo você pagar por isso...
- Eu não estou pagando por nada, só não me importa que esperemos o tempo que tivermos.
Ela ergueu as sobrancelhas e sorriu, "entende agora?" escrito por toda a sua face. Ele caíra na armadilha.
- É diferente... eu não quero...
- Nem eu. – ela interrompeu.
- Mas você...
- Você também.
Ele soltou um longo suspiro e se calou por alguns minutos, enquanto ela deixava os dedos brincarem em seu peito.
- Você tem razão. – concedeu ele, enfim.
- Eu sei. – respondeu vitoriosa. Pregou beijos rápidos da bochecha magra dele, sorrindo.
- Vamos dar um jeito nisso, então. Só não hoje. Temos um jantar para preparar.
- Pelo bem-maior. – provocou ela tentando controlar a euforia e falhando miseravelmente.
- Pelo bem maior. – concordou Severus, dando uns tapinhas no quadril dela para que saísse de cima dele, aquele ar de divertimento brilhando de novo no seu rosto.
