N/A: Acho que devo algumas explicações. Hahaha! Recebi várias mensagens preocupadas, achando que eu ia desistir da fic. Eu desisti de atualizar por um tempo, mas não desisti de eventualmente continuá-la. 2016 não foi um ano muito bom para mim. Tive alguns problemas e fiquei completamente desmotivada para tudo, não só para escrever. A única coisa que ainda tinha ânimo era para escrever no meu diário, comer e assistir Netflix. Fiquei meses assim e só comecei a reagir em 2017. Esse ano não está sendo fácil, mas estou bem mais motivada e positiva do que antes. Estou estudando bastante, cuidando da minha saúde e procurando emprego. Surgiram algumas oportunidades agora, então estou bem contente.

Essa fic é meio terapêutica pra mim. Antes achava que quando eu escrevia fics eu estava fantasiando, mas na verdade escrevo analogias a minha realidade o tempo todo. Vou falar um pouco mais disso no fim do capítulo para não dar spoilers. Hahaha! Acaba sendo uma forma de terapia também.

Esse capítulo tem 37 páginas no word. Saboreiem. ;)

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Capítulo X -Smells Like Teen Spirit

-Nirvana

X

Load up your guns and bring your friends
It's fun to lose and to pretend
She's overbored and self assured
Oh, no, I know a dirty word

Draco olhava pela janela do quarto sem prestar atenção no que via. Refletia sobre os acontecimentos daquela manhã enquanto observava seus amigos se divertindo na magnífica piscina dos Prewett.

Apenas seus amigos de Hogwarts estavam lá, então brincavam sem cerimônias e sem as reservas que tinham quando estavam perto dos adultos. Riam, bebiam, falavam alto e empurravam uns aos outros. Uma mistura bizarra de infantilidade com comportamento adulto até demais. A maioria dos pais estava dentro da mansão relaxando antes da festa, se alojando nos inúmeros quartos de hóspedes ou tentando se recuperar do excesso de bebida e fumo do brunch.

Draco revia em sua mente os acontecimentos daquela manhã desde a chegada à Mansão Prewett. Ansiara pelo feriado, tão compenetrado em Ginny, que não se dera conta de que os comensais da morte estariam todos ali. Batiam nas costas de Draco, o parabenizando por sua eminente iniciação. Faziam cobranças e críticas disfarçadas em piadas e elogios.

Quase sem perceber, nos últimos meses Draco vinha preparando uma lista mental de razões que apresentaria ao pai de porque deveria adiar sua iniciação por mais um ano. Para que pudesse viajar, se concentrar nos estudos e negócios da família, se especializar em cursos de Artes das Trevas ou Poções no exterior...

O professor Slughorn havia elogiado Draco diversas vezes e lhe recomendado inúmeros cursos avançados para quando se formasse. Observara ainda que com seu talento para Poções ele poderia ser um ótimo medi-bruxo. Na época o rapaz apenas sorrira com sarcasmo, pensando que provavelmente ele seria quem colocaria outros bruxos no hospital, e não quem trataria deles.

No entanto, Lucius nunca aceitaria que a iniciação do filho fosse adiada. Draco procurava se conformar. Pelo menos seu braço ainda estaria limpo até a formatura em Hogwarts. E desde criança ele quisera seguir os passos do pai. Não daria pra trás por mera apreensão. Talvez todo o seu mal-estar fosse um frio na barriga por estar prestes a passar por uma grande transição em sua vida.

Foi tirado de seus devaneios ao ver Ginevra chegando à área da piscina, oferecendo uma toalha para Mel que acabara de sair da água. Seu cabelo estava preso em um alto e volumoso rabo de cavalo. O vestido que usava era parcialmente transparente. Depois de alguns minutos ela finalmente o tirou, ficando apenas com um maiô preto.

-Cuidado, Draco.

A voz de seu pai o arrancou de seus devaneios. Lucius o encarava com uma sobrancelha erguida e uma expressão de descontentamento e arrogância que lhe era típica. Desviou os olhos para a garota ruiva, que agora estava sentada á margem da piscina, molhando os pés e conversando com os sonserinos.

-Com Ginny? - Draco perguntou, incrédulo – Logo o senhor me dizendo pra ter cuidado com uma garota?

-Você não conhece o pai dela. - Lucius disse, seriamente. - Fabian é perigoso. Se você machucá-la... não sei do que ele seria capaz.

-Fabian? O que passou meia hora fazendo um ode para o pudim de chocolate no café da manhã?

-Aparências enganam. Aquele é um dos homens mais sanguinários que já conheci em toda minha vida.

Draco segurou a vontade de revirar os olhos, um mau hábito que acabara pegando de Ginny, sem perceber. Ao invés disso voltou o olhar para a piscina.

-Não vou fazer nada que ela não queira. - afirmou com impaciência.

-No momento parece que ela não quer nada. Pelo menos não com você.

Draco nunca entenderia porque seu pai parecia sentir prazer em rebaixá-lo sempre que podia.

Hello, hello,hello,how low
Hello,hello, hello,how low
Hello,hello,hello,how low
Hello,hello,hello...

Ginny ficou visivelmente desconfortável ao ver Draco entrar na área da piscina. Os amigos o cumprimentaram de forma efusiva, o convidando a entrar na água.

Ela desviou o olhar quando ele removeu a própria camisa e torceu em vão para que ele não se aproximasse. No entanto, previsivelmente, ele sentou ao seu lado, tão colado à garota que ela precisou se afastar um pouco.

-Por que demorou tanto? - Astoria perguntou, apoiando os braços nos joelhos de Draco.

Normalmente o rapaz mal notaria o toque da amiga. No entanto, com Ginny ao seu lado, sentiu-se subitamente incomodado com a loira.

-Sua família não é muito fã de inverno pelo visto. - disse para Ginny, ignorando a pergunta de Astoria.

A garota pareceu esforçar-se tremendamente para levantar o olhar para ele e responder:

-Mamãe achou que vocês se divertiriam mais assim. - voltou-se para os outros. - Daqui a pouco o feitiço de temperatura vai alterar e a piscina vai ficar aquecida.

-Que bom. Já estou ficando com um pouco de frio. - Astoria comentou, esfregando os próprios braços.

-Por que não um biquíni? - Draco perguntou a Ginny, sua voz pingando de malícia - Você é magra.

-O que usar um maiô tem a ver com o quão magra eu sou? - antes que ele pudesse responder, completou: - Eu sou friorenta.

-Por isso que você anda coberta o tempo todo?

Ginny franziu o cenho, finalmente desviando a atenção de seus próprios pés na água e encarando-o.

-Eu não ando coberta o tempo todo.

-Ela só não anda toda vadia que nem as meninas. - Blaise brincou, recebendo tapas e reclamações das garotas que lhe jogaram água e o empurraram em retaliação. Ele ria enquanto tentava fugir de Daphne que fingia tentar afogá-lo.

-Você não gosta de mostrar o corpo...? - Draco meio perguntou, meio afirmou.

Ginny deu de ombros.

Era óbvio para o rapaz que ela estava sendo graciosa e evitando falar algo que pudesse ser interpretado como ofensa às amigas. Apesar de sua frieza e seu jeito cortante Ginny parecia ser a única garota de alta sociedade que praticava a etiqueta e os bons modos mesmo quando estava longe dos pais.

Draco moveu-se, aproximando-se até que o lado do seu corpo encostasse ao dela. A pele quente do braço da garota contra o seu, assim como sua coxa contra a sua lhe provocou arrepios e uma pontada intensa na virilha.

-Não me leve a mal. - Ele sussurrou. - Eu gosto do jeito que você se veste. Só acho que... É por causa daquela cicatriz? Porque não precisa...

-Não se preocupe com o que eu visto, Malfoy. - ela o cortou. - Se concentre em seus próprios assuntos.

Draco sorriu de lado com a resposta.

-Eu já disse que tudo o que você faz é da minha conta, Prewett.

Quando ele tentou pressionar sua pele mais um pouco contra a dela Ginny entrou na piscina. Nadando até Mel e Deena, para longe de Draco. O vento que atingiu as partes do rapaz que estavam em contato com Ginny pareceu gelado. Observou-a conversando com as meninas, de costas para ele.

-Strike out. - Blaise riu, aproximando-se de Draco.

-Por que você não admite logo que quer pegar a Prewett? - Goyle perguntou, parecendo incomodado. - Ela é bem gostosinha.

-Mas ela não tá com o Harry? - Crabbe perguntou.

-Não. - Draco cortou, subitamente. - Só nos sonhos dele.

-Mas você não pode falar nada. - Blaise observou, sarcasticamente. - Gin Gin só te dá fora atrás de fora.

-Eu achava que ela se fazia de difícil. Mas acho que ela não quer ninguém mesmo. - Crabbe comentou. -Talvez o Weasley...

-Cala a boca! Claro que não, idiota! - Draco esbravejou.

-O que? Eles vivem juntos em Hogwarts e ela ficou toda nervosinha quando batemos nele.

-Geralmente pessoas normais não gostam de ver os amigos sangrando no chão. - Draco respondeu com sarcasmo.

-Não precisa ficar na defensiva. Estamos do seu lado. - Blaise disse como se acalmasse um cão raivoso. Seus lábios tremiam como se ele estivesse se forçando a não rir.

- Então você quer mesmo pegar a Prewett? - Goyle perguntou.

Draco olhou para o rapaz como se nunca tivesse escutado uma pergunta tão idiota em toda sua vida.

-Óbvio que sim. Óbvio que vou, idiota.

Goyle abriu a boca indignado, mas voltou a fechá-la limitando-se a bufar. Desistindo de apontar para Draco que há pouquíssimo tempo ele desdenhara do interesse de Astoria e Harry em Ginny, descartando-a como uma grifinória sem valor.

-Ela realmente é a coisinha mais deliciosa que eu já vi. - Blaise riu, encarando as costas de Ginny. - Achei que ia enfartar quando ela ficou só de maiô. O que eu não daria pra vê-la sem...

-O único que vai ver sou eu. - Draco cortou.

-Ela não tá nem aí pra você. - Crabbe debochou.

Draco soltou uma risada sarcástica.

-Vocês sabem que eu adoro caçar.

-O seu problema é que você dá tempo pra ela pensar. - Blaise afirmou, diminuindo o volume de sua voz e aproximando-se. Olhou em volta para ter certeza que nenhuma das meninas estava perto antes de continuar: - Aproveita as festas. Ela provavelmente vai beber champagne ou sei lá. Espera ela ficar alegrinha e sai puxando.

-Vai ser meio difícil com os pais dela aqui. - Goyle observou.

-Já viu o tamanho desse lugar? - Blaise retrucou.

-É. Vamos ver. - Draco disse. Antes de completar relutantemente: - Tentei na festa de Halloween e não deu certo.

-Sim. Harry também tentou. - Blaise riu. - Eu que fiquei com pena da cara de pânico da coitada e o tirei de lá. Ele foi metendo a mão que nem um doido.

-Eu estava mais preocupado com o Draco. Ele quase arrancou a cabeça do Nott naquela vez porque ele mexeu com a Prewett. Achei que ia fazer o mesmo com Harry. - riu Goyle.

Draco fez questão de mostrar-se completamente despreocupado em relação ao interesse de Harry por Ginny. Talvez realmente estivesse tranquilo se não fosse pelo maldito beijo que havia presenciado em St. Pancras. Por mais que tentasse se convencer de que nada mais do que aquilo poderia acontecer entre os dois a ânsia com que Ginny o beijara voltava a sua mente e o inquietava.

Era difícil não encará-la. Tentava desviar a atenção para os amigos, demonstrar um pouco de autocontrole e indiferença... mas seus olhos voltavam-se para ela involuntariamente. Seus braços, seus cabelos, seu rosto, sua pele coberta de sardas...

Contra sua vontade, imaginava vividamente suas próprias mãos apertando a garota. Pressionando suas costas, pressionando-a contra seu próprio corpo... Imaginava seus lábios contra os dela, no pescoço delicado e cheiroso, entre os seios macios... Que pareciam tão maiores naquele maiô do que no uniforme escolar... Imaginava até mesmo aquela cicatriz que ela lhe mostrara há alguns meses em sua barriga.

Quando ela finalmente olhou para Draco sua expressão parecia neutra. Como se também estivesse perdida em pensamentos. Parecia analisá-lo. Parecia procurar entender o olhar dele. Calcular o que todo aquele interesse do rapaz acarretaria. Ela encolheu os ombros apreensivamente quando o sonserino não desviou o olhar e voltou-se para as meninas.

Draco sorriu internamente quando ela o olhou. Era estranho quantas coisas sentia quando estava perto de Ginny. Se sentia confiante e vulnerável ao mesmo tempo. A frustração pelas constantes rejeições mesclando-se com a euforia que sentia quando a via.

Alguns minutos depois, observando as meninas nadarem percebeu que Ginny e Deena se distanciaram um pouco das outras. Distraídas em sua conversa. Acabaram nadando para debaixo da ponte que ligava as margens da piscina.

Agindo por puro impulso, Draco nadou até elas sem se despedir dos amigos. Deena e Ginny não o viram se aproximar. Quando chegou mais perto Draco percebeu que Ginny parecia mais relaxada fora do campo de visão dos meninos. Flutuava enquanto Deena aparava seu corpo, como de uma criança, para que não flutuasse para uma das margens.

Draco tocou o ombro da amiga e fez sinal para que ela ficasse em silêncio. Ela sorriu apreensivamente, olhando para Ginny de esguelha. Pareceu incerta quando Draco a expulsou com um gesto para que voltasse para perto dos outros sonserinos, mas não discutiu, nadando sem fazer barulho. Silenciosamente, Draco assumiu o lugar da sonserina. Colocou as duas mãos embaixo do corpo de Ginny, sem realmente tocá-la.

Ginny pareceu perceber a movimentação.

-Deena? - perguntou antes de abrir os olhos.

Demorou exatos três segundos para registrar o rosto de Draco. Endireitou-se subitamente, fazendo com que o rapaz removesse as mãos que deslizaram pelo corpo da garota com seu súbito movimento.

-Malfoy. - ela disse, afastando-se. - Você me assustou.

-Desculpe. - ele sorriu de lado. - Você estava tão calma. Não quis te perturbar.

-Tudo bem. - ela disse passando a mão pelos cabelos, agora soltos e molhados. - Volte para lá com os outros, eu já alcanço vocês.

A garota mergulhou e nadou para longe dele. Draco riu. Ela realmente achava que ele obedeceria?

With the lights out its less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid, and contagious
Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito
My libido
Yeah!
Hey...Yay!

Depois de se afastar um bocado, Ginny subiu novamente à superfície. Olhou para trás e sentiu-se gelar ao perceber que Draco se aproximava. Não sabia porque pensara que ele a obedeceria. Andou para trás, vendo a sombra do corpo do rapaz se aproximar debaixo d'água. Revirou os olhos e suspirou antes de mergulhar novamente para nadar para mais longe.

Infelizmente para ela Draco era mais rápido do que Ginny pensava. Quando ela chegou finalmente ao outro fim da piscina ele emergiu logo depois, bem atrás dela.

-Espera, espera... - ela pediu repetidamente tentando impedi-lo de continuar se aproximando.

Draco posicionou uma mão de cada lado do seu corpo, a encurralando contra a margem, entre seus braços. Quando ela fez menção de mergulhar para escapar debaixo d'água ele apenas aproximou o corpo mais um pouco, estreitando os braços ao redor dela.

-Pára! - ela exclamou ao senti-lo abaixar-se e encostar o nariz em seu rosto.

Ginny parecia relutante em tocá-lo mesmo que para se livrar, mas acabou por empurrá-lo. O problema era que tocar em Malfoy era como pisar em areia movediça. Por mais que fosse com a intenção de afastá-lo quando ela iniciava contato físico ele sempre o aumentava, afundando-a no seu calor e no seu cheiro.

Percebeu que os olhos do rapaz estavam vermelhos. Provavelmente os mantivera abertos embaixo d'água para nadar em sua direção.

-Eu não sei porque você reluta tanto. - ele disse, sua voz adquirindo um tom conciliador. - Você sabe que eu estou interessado em você. Seus pais me adoram...

-Mas eu não. - Ginny o lembrou. - Volte para seus amigos e sua noiva.

Os olhos dele arregalaram-se e ele sorriu.

-É por isso? Por causa de Astoria? - ele perguntou, incrédulo. - Ela já não deixou claro que não gosta de mim? E eu não tenho interesse nenhum nela. Não temos intenção nenhuma de nos casar, Ginny!

-Mesmo se isso for verdade... - Ginny murmurou, interrompendo-se quando ele se aproximou mais, encostando seu corpo molhado ao dela. - Pára!

-O que foi? - ele perguntou, libertando suas mãos e agarrando seus ombros. - Está com medo?

-Estou com medo de os empregados precisarem limpar pedaços de Draco da piscina! - ela exclamou entre os dentes, empurrando-o com mais força.

O rapaz cruzou os braços na frente do corpo, parecendo contrariado. Apesar da voz forte de Ginny, ver o quão maior e mais musculoso Draco era lhe causava desconforto. Nadara para esse lado da piscina por ser perto das janelas da cozinha, na esperança de que se precisasse gritar Ceci a escutaria.

-Ok. Só uma pergunta, se você não quer nada comigo, com quem vai querer? - Draco perguntou, irritado. - Tem que ser alguém tão ou mais rico que a sua família. Isso já elimina quase toda Grã-bretanha. Tem que ser alguém com os mesmos valores que a sua família. O que restringe mais ainda. Tem que vir de uma longa linhagem de puro sangue...

-Não é melhor me mandar por escrito? Posso encadernar.

-Isso não é brincadeira. Você acha que seus pais deixariam alguém sem nenhum desses requisitos sequer se aproximar de você?

-Requisitos? Qual o próximo? Uma propriedade e um fiador? - ela retrucou. - Draco, eu sou um ser humano. Não um imóvel.

-Você não é só um ser humano. Você é uma herdeira. Seus pais nunca vão deixar alguém que esteja abaixo de você se aproximar. Nunca vão deixar...

Ginny ergueu as sobrancelhas vermelhas. O ar frio parecia deixar seu rosto molhado mais pálido do que o normal.

-Harry. - ela completou por ele. - Você está falando de Harry. Que grande amigo você é.

-Estou só falando a verdade. - ele se defendeu. - E farei um favor ao meu amigo se impedir que ele se envolva demais com alguém que não pode ter nada com ele.

-Que altruísta.

-Eu não estou te pedindo em casamento nem nada. - Draco disse impacientemente, voltando a se aproximar. - Mas qual seria o problema em... dar uma chance?

-Em transar sem compromisso, você quer dizer. - Ginny retrucou, esfregando as mãos uma na outra, com os braços colados ao próprio corpo. Uma tentativa de se aquecer e obstruir a visão de Draco de seus seios seminus. Infelizmente o ato só pareceu fazê-lo voltar a atenção para seu corpo. Molhada e sem roupas, a garota se sentia terrivelmente vulnerável.

-Você sempre distorce tudo o que eu falo. Sempre acredita no pior de mim. - Draco disse, observando enquanto Ginny se curvava um pouco com o vento frio que os atingia. - Não é possível que você não sinta absolutamente nada por mim, Ginny. Qualquer garota... - ele se interrompeu, parecendo perceber o quão infantil suas palavras soariam.

Ginny riu sarcasticamente.

-Qualquer garota morreria para estar no meu lugar agora? - sua voz saiu tremida e ela se curvou mais um pouco. - Malfoy você realmente...

Suas palavras foram interrompidas por uma súbita queda de temperatura que a fez se curvar para frente. Draco sentiu seu corpo inteiro se arrepiar e tremer. Gritos abafados vindos do outro lado da piscina evidenciaram que os outros sonserinos haviam sentido também. Soltou um palavrão, surpreso ao perceber que sua respiração saía esfumaçada.

-Algum problema no... feitiço de temperatura... - Ginny disse, pausadamente. Os lábios trêmulos. Parecia sem forçar para se mover, mas tentava. - Vou procurar alguém para...

-Vem cá. - Draco mandou, puxando-a pelo ombro.

-Não! - ela relutou.

-Seus lábios estão ficando roxos! Só quero te aquecer! - Draco exclamou, usando os dois braços para abraçá-la fortemente.

-Não! O aquecedor da piscina já está...

-Então só até a água esquentar.

Para que ela parasse de relutar ele deu um passo para frente com a garota segura firmemente contra o seu peito, a prendendo entre seu corpo e a margem da piscina. Esfregou um dos braços arrepiados dela e sentiu-a parar de se mexer.

-Você é impossível. - ela suspirou.

Com medo de falar algo errado e fazê-la voltar a relutar para se livrar dele, Draco continuou calado. Fechou os olhos, tentando deixar registrado para sempre em sua mente a sensação do corpo da garota contra o seu. Seu rosto, sua respiração e os seios pressionados contra ele... Abraçou-a com mais força por alguns segundos, inalando profundamente.

Tudo parecia mais real quando estava perto da garota. Como se todos os outros momentos de sua vida fossem de mentira e só quando ela estava perto estava realmente vivo. Notava coisas que normalmente passariam completamente despercebidas... o som das folhas farfalhando com o vento, a respiração suave de Ginny, a coloração escura que seus cabelos ruivos tomavam quando molhados, o cheiro do cloro da piscina misturado ao cheiro forte das árvores, o frio intenso em sua pele contrastando com o calor do pequeno corpo que tremia em seus braços, e a água aquecendo-se lentamente...

A própria Ginny não sabia porque parara de relutar. Não tinha lembranças boas com água e frio... e o corpo de Draco emanava muito calor apesar de molhado. Mas isso ainda não lhe parecia razão o suficiente para deixar com que o insuportável herdeiro dos Malfoy a tocasse dessa forma.

-Ouvi meu pai conversando com o seu mais cedo... - ela disse, baixinho. - Sua iniciação vai ser esse ano?

-Minha e dos meninos.

-Quais?

-Blaise, Greg, Vincent e Theo.

-Uau.

-É.

-Você está animado com isso?

Draco não fazia ideia do que deveria responder. O tom neutro de Ginny impedia com que ele tivesse qualquer pista de qual seria a resposta certa.

-Desde criança... eu sempre quis ser um comensal como meu pai.

Sentindo o aquecedor da piscina finalmente tornar a água morna Ginny lentamente se desentranhou dos braços de Draco. Ao observar o corpo forte e quase sem marcas do bonito rapaz ela teve o melancólico pensamento que aquelas mãos que a aqueceram de forma quase carinhosa eram as mesmas que causariam dor e sofrimento a inúmeros bruxos e muggles. O braço pálido que ela permitira entrar em contato com sua pele seria queimado por aquela aterrorizante marca que todos os seguidores do Lorde das Trevas possuíam.

O seu jeito arrogante e jovial, de quem pregava peças ridículas em grifinórios, envolvendo ovos e trigo, seria substituído por um olhar assassino e sede de sangue. Talvez aquele dia nos jardins em que ele quase matara Ron fosse apenas uma prévia do que ele se tornaria. E a forma como ele a tratara e humilhara naquele dia uma pequena amostra de como seria sua vida se um dia decidisse lhe dar uma chance.

-Eu não sou a pessoa certa para você, Draco. - disse, de forma suave. - Não precisamos ser inimigos, mas... confie em mim. Vai ser melhor para nós dois se você deixar isso pra lá.

-Eu queria que fosse simples assim. - Draco respondeu. A hostilidade em sua voz pegou os dois de surpresa.

Por algum motivo, ser rejeitado naquele tom suave e sincero lhe fazia mais mal do que quando ela o xingava. De alguma forma, tê-la em seus braços por alguns momentos pareceu tornar as palavras dela ainda mais dolorosas.

Ela o encarou por alguns segundos antes de mergulhar e nadar para longe. Draco não tentou impedi-la. A temperatura voltou a subir. Provavelmente o feitiço foi ajustado por algum dos empregados. O sol já havia se posto e ele precisava subir para se arrumar para festa da noite. Ainda faltava muito para o dia acabar.

Por mais que estivesse com um sentimento desagradável na ponta do estômago não sentia-se desmotivado. Quanto mais Ginny se afastava, mais ele queria se aproximar. Quanto mais a via e quanto mais conversavam mais a atração fortalecia.

Nunca se sentira daquela forma por ninguém. Nunca perseguira alguém que parecia não estar nem um pouco interessada nele. Era óbvio que Ginny não estava se fazendo de difícil. Era óbvio que não tinha intenção alguma de ter alguma coisa com ele, mas isso não queria dizer que ela não podia mudar de ideia.

Havia algo de caloroso naquela garota. Um lado carinhoso e doce que ele queria desesperadamente alcançar. Não sabia exatamente porque tinha certeza disso já que tão poucos haviam sido os momentos em que ela não fora curta e fria com ele. Mas tinha certeza. Percebia em seu olhos, nos seus gestos, nas suas palavras, na sua voz...

Fora a primeira vez que ela permitiu que ele a segurasse daquela forma. Pelo menos a primeira na qual não estivesse sendo chantageada. Na mente do rapaz aquele momento apenas corroborara sua certeza de que todo aquele exterior frio era apenas uma fachada. Um obstáculo a ser vencido para alcançar seu prêmio.

I'm worse at what I do best
And for this gift I feel blessed
Our little group has always been
And always will until the end

Com uma experiência que um jovem da sua idade não deveria ter, Draco tragou o charuto em sua mão. Tendo o pai ao seu lado enquanto fumavam com outros comensais da morte no escritório de Fabian Prewett, o rapaz fazia questão de manter sua expressão séria e levemente entediada.

Por dentro, estava bem mais animado.

Apesar das palavras de Ginny, o que ficou registrado em sua mente do episódio na piscina foram os breves minutos em que ela permitira que ele a segurasse.

A garota ainda não dera as caras na festa. Nenhuma das meninas aparecera ainda. Provavelmente todas no quarto de Ginny se arrumando e fofocando. Enquanto as garotas mais jovens não apareciam o restante dos convidados, finamente vestidos, aproveitavam os aperitivos, a música e, no caso dos homens, os charutos.

Draco fora tomado por extrema simpatia por Analeigh quando chegou à festa. Diferente dos bailes promovidos pelas outras senhoras da sociedade (inclusive sua mãe) esta era uma festa moderna, apesar de extremamente elegante. Com música atual, espaço para dançar, luzes e empregados regiamente vestidos passando com bandejas.

No momento ninguém dançava, apenas bebiam e se cumprimentavam, como quase sempre em início de festa. Os comensais da morte haviam se reunido no escritório de Prewett para fumar alguns charutos com os jovens sonserinos aspirantes a comensais.

-Meninos, podemos esperar mais uma taça de quadribol para a sonserina esse ano? - o pai de Goyle sorriu. Um homem redondo, peludo e desagradável. - Vencer é nossa tradição. Espero que a mantenham.

-Claro, senhor. - Goyle assentiu.

-Temos os melhores jogadores. - Blaise disse, dando de ombros. - Não é nem um desafio. Já esmagamos a Grifinória.

Alguns comentários apreciativos comentando a partida.

-Não podem relaxar por causa disso. É quando o time relaxa que perde o título. - Lucius comentou.

-Nós sabemos, Sr. Malfoy. Draco nos lembra disso a cada cinco segundos. - Vincent observou, enquanto os outros garotos riam em concordância.

-Meu filho é capitão do time da sonserina. - Lucius explicou, como se todos ali já não estivessem cansados de ouvi-lo se gabar disso. - Sempre se saiu muito bem em atividades físicas, não é filho? É um exímio arqueiro também.

Draco deu de ombros.

-Arco e flecha é chato.

-Então sugiro que não exagere muito no álcool hoje, rapaz. - Fabian aconselhou. - Amanhã teremos alguns esportes durante o dia. Já que é tão atlético, com certeza vai gostar.

-Não perderia por nada, Sr. Prewett. - Draco concordou, educadamente. - Estou me divertindo tanto que posso até dar uma nova chance ao arco e flecha. Quais esportes devo esperar?

-Um pouco de pólo, um pouco de quadribol... Algo que dê uma chance de vocês se exibirem um pouco para as meninas.

Os outros riram.

-Vão precisar de toda essa disposição depois da iniciação de vocês, meninos. - Sr. Goyle comentou. - Esse ano os rebeldes estão muito ativos. Vocês já vão ter muito trabalho.

-Lucius, falando nisso, como andam as investigações sobre a invasão do Ministério? - Prewett perguntou.

-Nada bem. Ainda não conseguimos identificar os invasores e o que estavam buscando. Só sabemos que usaram polissuco para se passar por funcionários do Departamento de Regulação e Controle de Criaturas Mágicas. Os verdadeiros já voltaram e perderam uma semana inteira da memória.

-Os invasores deviam conheciam bem o Ministério. - Avery comentou. - Foram capazes de se passar pelos funcionários por dias sem levantar suspeitas! Deviam conhecer bem os funcionários para conseguir se passar por eles tão bem.

-Se foram tão bons como descobriram que eram impostores? - Blaise perguntou.

-Um deles se descuidou. - Lucius respondeu. - Deve ter perdido a hora para tomar mais uma dose do polissuco. A câmera do elevador o captou se transformando de volta.

-Mas não conseguiram identificá-lo nem com a imagem da câmera? - Draco perguntou.

-Ele tomou a poção logo depois que percebeu que estava se transformando. Não fomos capazes de ver seu verdadeiro rosto pela câmera do elevador. Apenas perceber que era um impostor. Tenho minhas desconfianças. Você sabe muito bem quem eu acho que era. - Lucius disse, com um olhar incisivo a Fabian. - Mas não tenho como provar.

-Sim. E não podemos nos precipitar. Anunciar que... ele pode estar vivo e liderando os traidores de sangue... vai causar mais pânico do que outra coisa. - Fabian ponderou, parecendo falar mais consigo mesmo do que com Lucius.

Malfoy lançou um olhar pensativo para o próprio filho, como que ponderando suas próprias palavras. Sorriu para si mesmo antes de dizer, com um tom cínico de falsa consternação:

-E pensar que nossos filhos podem ter cruzado com eles.

Draco arregalou os olhos. Tinha sorte de que fumava os charutos do seu pai escondido desde seus quinze anos. Alguém menos experiente teria se engasgado com a surpresa.

Fabian não disse nada, apenas lançou um olhar inquisitivo para o comensal ao seu lado. Lucius levou seu próprio charuto a boca e tragou longamente. Draco observou-o em expectativa. Apenas depois de expirar a fumaça para cima ele voltou o olhar para Fabian.

-Nossos filhos foram ao Departamento de Regulação e Controle de Criaturas Mágicas na semana em que os impostores estavam lá. Foi no dia em que saiu a fotografia dos dois no jornal. Quando sua filha convenceu o meu filho a perdoar o hipogrifo que o atacou.

Se as palavras de Lucius surtiram algum efeito maior do que uma leve preocupação em Fabian o anfitrião soube esconder muito bem. Olhou para Draco.

-Isso parece ser novidade para você também. - comentou.

-Sim, senhor. - Draco admitiu.

-Preferia que não comentassem nada com Analeigh. - Fabian pediu. - Sabe como são as mulheres. Vai ficar nervosa mesmo sem ter acontecido nada e descontar em Ginny.

-Nem me diga. - riu Lucius. - Draco não pode tropeçar sem que Narcissa tenha um ataque do coração. É nauseante. Não sei como ele não virou um fresco.

-Sua completa falta de preocupação comigo serviu para equilibrar bem, pai. - Draco disse, arrancando risadas dos homens.

-E não é como se ele não tivesse ficado um pouquinho fresco... - cutucou Blaise. Draco respondeu de forma grosseira e os dois trocaram provocações, o que pareceu divertir imensamente os comensais.

-Quero ver toda essa sua atitude amanhã nos jogos então. - Draco provocou.

-E sua filha, Prewett? Não se interessa por esportes? - um dos comensais que Draco nunca sabia pronunciar o nome perguntou.

-Acho que ela prefere atividades individuais. Único esporte que já a vi jogar é tênis. E só quando eu a arrasto para jogar comigo.

-Vocês tem quadras por aqui?

-O que vocês não tem por aqui, não é mesmo? - Sr. Crabbe falou. - Magnífica propriedade, Fabian.

-Diga isso para minha mulher. Não para de achar defeito e querer reformar tudo.

-Bela mulher, adorável filha, tudo isso... - Lucius comentou, com sua voz naturalmente arrastada. - Parece que conseguiu uma vida perfeita, meu caro.

-Não conseguimos todos? - Fabian rebateu.

De longe, a única coisa que Ginny parecera herdar do pai fora os cabelos ruivos e as sardas. No entanto, agora que o observava de perto Draco notara algumas outras semelhanças como os olhos e o jeito de falar. Claramente herdara de Fabian a forma articulada com que se expressava.

-É muito apegado a sua filha? - Barty Crouch Jr., que estivera distraído na maior parte do tempo, perguntou. - Ouvi dizer que a mima demais. Com... jóias. Não é um presente muito apropriado para uma menina, não acha?

-Admito que exagero. - Fabian concordou. - O que posso dizer? Ela é minha única filha. E eu sou um fraco.

-A menina aprendeu a te dobrar desde cedo é? - riu Sr. Goyle.

-Ela nunca me pede nada. - Fabian respondeu.

-Argh. Você tem sorte! - Avery comentou de sua poltrona. - O passatempo favorito da minha neta é torrar o dinheiro em estética... e continua com cara de quem foi atropelada por um testrálio.

Todos já haviam conhecido a jovem neta de Avery e a risada foi estrondosa.

-Minhas filhas não precisam de procedimentos estéticos. São lindas como a mãe. Mas preferem gastar meu dinheiro com roupas de puta. - suspirou Greengrass, causando mais risadas. - Eu não vejo a hora dessa fase passar. Estou pagando por todos os meus pecados com essas duas. Literalmente.

-Ginevra planeja fazer um curso no Egito depois de Hogwarts. - Fabian se gabou. Obviamente envaidecido pela superioridade de sua própria filha.

-No Egito? - Greengrass perguntou. - O que tem no Egito?

-O curso que ela vai fazer. - Fabian disse pausadamente.

-Por favor, Fabian. Falando sério. Você tem coragem mesmo de mandar aquela menina para tão longe dessa forma? - Lucius perguntou. - Se eu tivesse uma filha como a sua... eu provavelmente a trancaria em uma torre. Com dragões de guarda e lagos de fogo ao redor.

-Bom, confesso que é difícil para mim até deixá-la ir para Hogwarts. Eu já fui um rapazinho desses. Sei como eles pensam. - Fabian brincou, apontando para os meninos.

-Ela sabe se defender muito bem.- Goyle ofereceu, levando uma cotovelada de Blaise. - Ai!

-Sim, sim. Ela é a melhor da turma dela em DCAT. - Blaise completou apressadamente.

Tudo o que não queriam era um dos comensais da morte mais perigosos sabendo o quanto os sonserinos perseguiram Ginny logo que ela chegara na escola.

-Você e Analeigh precisam pensar no futuro da menina, Fabian. - Barty Crouch Jr. comentou. - Se deixá-la muito solta... até mesmo uma princesinha como a sua pode acabar se perdendo.

-Besteira. - Fabian descartou. - Ela é bem ajuizada.

-Você pode confiar na sua filha, mas confia no mundo ao redor dela? - Lucius perguntou. - Muitos oportunistas vão tentar se aproximar. Além de ter uma linhagem muito importante... a sua filha é muito bonita, Fabian.

-Eu não vejo uma beleza dessas desde Analeigh ou... - Rabastan Lestrange comentou. - Bellatrix!

Lucius e os outros concordaram.

-Sim, ouso dizer que a beleza de sua filha rivaliza senão supera a de Bellatrix em sua juventude. Minha cunhada que me perdoe. - Rabastan riu.

-Ginny não se importa com essas coisas.

-Que garota no mundo não se importa com essas coisas?- Lucius riu.

-Não. É verdade. - Draco disse, sem conseguir conter a amargura em sua voz. - Ela só se importa com livros, e estudos, e com os estúpidos... - parou, bem antes de dizer "grifinórios" - … animaizinhos.

Os homens encararam Draco por alguns segundos que fingiu distrair-se com o próprio charuto. Na verdade, já estava ficando um pouco enjoado com o cheiro forte do ambiente e todos falando de Ginny. Parecia estranho que aqueles homens tão vulgares falassem tão abertamente de um assunto que considerava tão pessoal. Mesmo que em nenhum momento qualquer um houvesse dado a entender que sabiam de sua atração pela garota ele sentia-se terrivelmente exposto.

-Tem toda razão, Draco. - Fabian concordou. - Tenho certeza que ela vai adorar aquele bichinho que você trouxe. Ela se diverte tanto com animais.

-Nem consigo imaginá-la rindo. - Crabbe comentou baixinho para Goyle, que concordou.

-Mesmo assim. - Lucius disse, enfaticamente, lançando um olhar incisivo para Draco antes de voltar-se para Fabian. Tragou seu charuto e reclinou-se um pouco na sua poltrona. Mexeu os dedos de sua mão esquerda, girando sua grossa aliança. - Como minha esposa já fez questão de enfatizar para quem quisesse ouvir mais cedo... Ginny é provavelmente uma das garotas de linhagem mais antiga da Grã-Bretanha. Acho que uma garota só teria a linhagem mais pura se além de Prewett ela também fosse... - Lucius fingiu se interromper, percebendo que ia falar algo imprudente.

Apesar de ser muito bom em esconder seus próprios sentimentos, Fabian pareceu entender o que Lucius quis insinuar. Draco notou que seu maxilar endureceu e seu olhar perdeu a simpatia.

-Melhor deixar pra lá. - Lucius decidiu, em seu tom arrastado. Uma sobrancelha erguida e o olhar sarcástico fixo no anfitrião. - Algumas coisas, como diria sua esposa, não precisam ser ditas.

-Alguma ideia do que eles estão falando?- Blaise sussurrou para Draco, escondendo sua boca atrás de seu copo de firewhiskey. Draco fez que não, sem desviar os olhos do pai e de Fabian.

Depois disso mudaram de assunto e discutiram por mais alguns minutos sobre a cerimônia de iniciação dos meninos e outros assuntos aos quais Draco não fez muita questão de prestar atenção. Seu pensamento voltando para a estranha insinuação de Lucius.

Mais tarde, quando saíram do escritório de Fabian para juntar-se ao resto da festa, (impregnando o salão com o forte cheiro dos charutos cubanos e de bebida) Draco perguntou ao pai o que ele quisera dizer.

-Weasley. - Lucius sibilou com impaciência. - A garota só teria linhagem mais antiga se além de Prewett também fosse uma Weasley.

I'm worse at what I do best
And for this gift I feel blessed
Our little group has always been
And always will until the end

A festa já havia começado há mais de uma hora e as meninas não haviam aparecido. Bom, pelo menos as meninas que realmente importavam não haviam aparecido. Algumas colegas de escola com quem os meninos quase não interagiam pareciam aproveitar a ausência das garotas infinitamente mais populares para se aproximar deles e curtir um pouco a atenção que recebiam quando não eram completamente ofuscadas pelas amigas de Draco.

Até mesmo as mulheres mais velhas aproveitavam para se aproximar dos meninos, em especial Draco, Blaise e Theodore Nott, que havia chegado com Lynn e o tio naquela noite. Lynn estava com uma expressão terrível sentada em uma mesa, sem socializar. Sua expressão contrariada espantava qualquer um que pensava em se aproximar da garota.

Por mais que Draco tivesse consciência de que sua aparência amadurecera nos últimos tempos não imaginava que fosse algo tão aparente e chocante a ponto de chamar atenção naquela festa. Esquecera-se de que, por ter passado as férias de verão daquele ano viajando com os amigos fora do país, alguns dos presentes não o viam de perto há mais de um ano.

Se seu ego sofrera com as constantes rejeições de Ginevra Prewett agora se inflava enormemente com toda a atenção que recebia. Garotas mais velhas que mal o olhavam em Hogwarts agora pareciam se empinar em sua direção, corando quando ele retribuía seus olhares. Estava acostumado com filhas de amigos de seus pais sendo apresentadas a ele, mas não estava acostumado com os olhares maliciosos que recebia até das mães enquanto o faziam. Como se não conseguissem se decidir se queriam o rapaz para suas filhas ou para elas mesmas.

Aparentemente as roupas negras lhe favoreciam. Apesar de realçarem sua palidez, também realçavam seus músculos e o azul metálico de seus olhos. Davam aos seus ombros fortes um aspecto ainda mais pujante. A única coisa que parecia impedir que fosse devorado era sua postura normalmente arrogante e sua clara falta de interesse em qualquer pessoa naquele salão, apesar de tratar a todos com o mínimo de cortesia possível.

No entanto, enquanto as garotas de sua faixa etária pareciam achar sua postura intimidante algumas das mulheres mais velhas pareciam não ter escrúpulos em praticamente despi-lo com os olhos ou até mesmo de se aproximar e fazer comentários insinuantes, lançando-lhe olhares longos que lhe causavam certo enjoo. Elas não deveriam ser damas respeitáveis? Algumas tinham a mesma idade de sua mãe!

Draco sorria desconfortavelmente enquanto uma das coroas ria exageradamente e o tocava em excesso enquanto conversavam. Era de fato uma mulher extremamente atraente para sua idade, mas quem gostava de mulheres mais velhas era Blaise. E agora o amigo parecia muito entretido conversando com uma corvinal do ano de Astoria para dar atenção a qualquer outra pessoa.

-Incrível como quadribol é capaz de fazer os meninos crescerem, não é mesmo? - a loira perguntou, apertando os músculos do braço esquerdo de Draco que sentiu uma mistura de pânico e excitação com a aproximação. - Eu tenho certeza que meninos de dezesseis anos não eram tão bonitos e maduros quanto você no meu tempo.

-Dezessete. - Draco corrigiu.

-Melhor ainda. - a mulher sussurrou sedutoramente.

Draco sorriu sentindo-se um pouco lisonjeado, mas extremamente desconfortável. Apesar de não poder negar sentir uma pontada de excitação ao olhar para o farto decote da mulher, não sabia muito bem como agir para se desvencilhar.

Sabia que se tratava da esposa de Abernarthy Nott e mãe de Lynn que não pudera comparecer as festividades. A história oficial era de que estava em uma viagem de trabalho, mas todos sabiam que estava passando o feriado com alguma amante. A vida boêmia que Nott levava apesar de casado não era exatamente segredo. E ele certamente não era o único que tinha uma vida à parte da vida marital. Amantes e segundas famílias escondidas eram incrivelmente comuns na alta sociedade.

Pela forma que a Sra. Nott agia, provavelmente estava bem consciente do que o marido estava fazendo. Suas unhas escarlates subiram o braço esquerdo de Draco. Por baixo da camisa ela acariciou a pele do rapaz.

-A marca negra ficará perfeita aqui. - ela sussurrou. - Você nem imagina o quanto. Vai fazer um tremendo sucesso com as meninas.

Draco sorriu de lado, desviando o olhar para que ela não percebesse o desdém em sua expressão. A mulher pareceu interpretar isso como descrença.

-É verdade. - insistiu, sem deixar de acariciar sua pele, aproximando-se mais um passo, fazendo o rapaz erguer as sobrancelhas. O perfume extremamente forte da mulher o fez ter ganas de empurrá-la. - Mulheres não conseguem se segurar, Draco. Temos um fraco por homens poderosos. Por homens dominantes. E não há nada mais poderoso do que um homem com uma marca negra em seu braço. Não que você deva ter qualquer problema com as garotas agora. Com esses seus olhos azuis e...

-Não precisa me convencer, Sra. Nott. - Draco assegurou. - Minha iniciação já está marcada.

Ela suspirou longamente, fazendo um som mais sexual do que sensual. Draco não pode deixar de olhar ao redor, segurando uma risada, para averiguar se alguém percebia a cena.

-Me chama de Lisandra.

-Posso pegar algo para você beber, Lisandra? - Draco ofereceu.

-E ainda é um cavalheiro! - ela suspirou. - Champagne, meu anjo. Por favor.

-É pra já.

-Não demore. - ela praticamente ronronou. - Não estou ficando mais jovem.

Draco segurou a risada, sentindo-se aliviado em se afastar do forte aroma de perfume da quarentona. Talvez aquele cheiro fosse considerado sexy quando ela era jovem. Quando chegou ao bar os amigos o rodearam. Riam tanto que mal conseguiam falar.

-Cara, o que você estava fazendo, praticamente comendo a mulher de Nott no meio do salão. - Blaise riu.

-Parecia que ela era quem estava comendo ele. - Crabbe comentou.

-Ela é bem gostosa pra uma quarentona.

Draco concordou, gesticulando em frente ao corpo, indicando o tamanho dos seios da mulher. Theodore Nott que pegava um firewhiskey no bar o viu e sorriu sarcasticamente.

-Isso significa que Prewett está livre hoje? - perguntou, aparentemente inabalado pela forma que falavam de sua tia.

-Prewett mãe ou Prewett filha? - Crabbe brincou. - Analeigh também é bem gostosa.

-Claro que Prewett filha. Eu prefiro carne firme... se é que me entendem.

Os meninos riram, mas o olhar de Draco endureceu. Nott perdeu o sorriso com a expressão cortante de Draco que, de repente, pareceu-lhe mais alto do que nunca. A energia ameaçadora que emanava do rapaz quase o fez se arrepender de suas palavras.

-Calma, cara. Você já deixou bem claro que Prewett é território seu.

-Talvez não tão claro. - Draco cortou.

-Eu sou o menor de seus problemas, Drakey. - Nott provocou. - Caso não tenha percebido homens muito mais importantes do que você já estão de olho em Ginny. Ou não perceberam como Barty Crouch estava sondando o pai dela?

Os meninos trocaram olhares e Draco resistiu a vontade de procurar Barty Crouch Jr. com o olhar pelo salão.

-E? - perguntou.

-Ele é mais velho. Talvez Prewett goste de caras mais maduros. Por isso nunca deu bola para... Auu!- Goyle reclamou, ao levar uma nova cotovelada de Blaise. - Pára de fazer isso!

-Ok. Talvez eu esteja enganado. - Theodore riu, pegando duas taças de champagne do balcão. - Agora se me dão licença, preciso voltar para minha companhia. Essas garotas estão alvoroçadas hoje!

Draco segurou o súbito impulso de pegar as taças que Nott segurava e quebrá-las em sua face com toda a força.

-Theo está cada dia mais insuportável!

-Ele não está totalmente errado, Draco. - Blaise comentou. - Não me olhe assim. Só estou dizendo... você tem concorrência. Tem muitos caras aqui interessados nela. A maioria das garotas solteiras de famílias filiadas ao Lorde das Trevas não são bonitas. Acho que Ginny é realmente a mais bonita. Até seu pai acha.

Draco concordou. Seu pai possuía um altíssimo nível de exigência em relação a mulheres. Provavelmente porque estava acostumado a conviver com Narcissa e Bellatrix, que eram belíssimas desde a juventude. Distraiu-se passando os olhos pela festa e observando os convidados. Percebeu com desgosto a grande quantidade de homens jovens e solteiros. Talvez estivesse sugestionado pelas palavras de Nott, mas teve a impressão que vários dele olhavam para as escadas. Esperando Ginny?

-Sempre achei Astoria a mais bonita. - Crabbe comentou.

-Eu achava que era empate até ver Prewett na piscina hoje. - Goyle afirmou.

-Não dá pra comparar. Ginny é mais... e Astoria é mais...

-Astoria e Daphne poderiam estar na capa de uma PlayWizard. Ginevra... é o que você espera que vai encontrar no céu quando morrer. - Draco disse subitamente, sem realmente olhar para os amigos, ainda observando os outros convidados. Sua avantajada altura permitia que tivesse uma boa visão do salão. - Não que algum de nós vá para o céu. Mas vocês entenderam.

Crabbe e Goyle concordaram veementemente, sempre impressionados com a capacidade de seu líder de verbalizar exatamente o que queriam dizer quando lhes faltavam palavras, o que não era raro. Blaise direcionou ao amigo um sorriso largo e sarcástico.

-Meninos, porque não vão entregar uma bebida a Sra. Nott? - Draco disse a Crabbe e Goyle. Virou-se para o bar abandonando a taça que segurava e agarrando uma garrafa de champagne pelo gargalo. - Acho que um homem só não consegue dar conta daquela mulher.

Crabbe e Goyle trocaram olhares maliciosos, praticamente salivando enquanto aceitavam a garrafa e partiam na direção em que Lisandra esperava por Draco.

-Boa saída. - Blaise elogiou. - Não vai se arrepender mais tarde?

-Não posso me distrair hoje. - Draco afirmou. - Além do mais, ela está tão necessitada que vai engolir aqueles dois. E é tão raro Crabbe e Goyle conseguirem alguém.

-Hoje eles não teriam problemas. As meninas estão carentes. - Blaise riu, lançando um olhar lascivo para um grupo de meninas usando vestidos reveladores que lançavam olhares para Draco e ele. - Quanto mais Ginnykins ascende, mas as autoestimas femininas despencam. E mais felizes nós ficamos.

-Vocês. - Draco consertou. - Mais felizes vocês ficam.

-Draco, uma hora ela vai ceder. - Blaise disse, parecendo levemente impaciente com a irritação do amigo. - Você sabe que vai. É só você não aprontar por um tempo, impressionar os pais dela e pronto.

Draco ergueu uma sobrancelha para o amigo com uma expressão duvidosa.

-Se não fosse pelo incidente com o Weasley ela provavelmente já estaria com você. - Blaise assegurou. - Fica em cima. Cerca bastante sem ser babaca. É que nem caçar mesmo. Tem que ir agressivo, mas sem fazer barulho. Quando ela se der conta já não tem mais pra onde fugir.

Draco concordou. Blaise não estava lhe falando nada diferente de seu diálogo interno. Ainda assim, era bom saber que alguém compartilhava de sua opinião. Ainda mais Blaise que dentre os amigos de Draco parecia ser o mais perceptivo, por mais que expressasse suas opiniões da forma grosseira e vulgar.

Por mais que várias garotas e mulheres interessantes lhe lançassem olhares no salão, cochichando e rindo entre si quando ele passava, Draco nunca gostara muito de sexo casual como os amigos pareciam adorar. Já tivera suas aventuras, mas sempre lhe parecera impessoal e mecânico demais. Muito diferente do que quando realmente tinha a oportunidade de conhecer o corpo da garota e deixá-la conhecer o seu. Saber as partes sensíveis, as fantasias, os desejos, as melhores posições...

-Com certeza ela é virgem. - Blaise comentou. - Você sabe disso né?

Draco lançou ao amigo um olhar de esguelha.

-Não por muito tempo.

-Você é um demônio, Draco Malfoy. - Blaise disse, balançando a cabeça antes de levantar os olhos para a escadaria e sorrir. - E sua anjinha chegou.

Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello, how low
Hello, hello, hello...

A forma como as meninas riam e inclinavam-se umas nas outras deixava claro que seja lá o que estivessem fazendo no andar de cima envolvera bebidas. Para os outros convidados aquelas risadas altas eram apenas expressões de animação juvenil, mas Draco e Blaise já sabiam reconhecer quando as amigas estavam embriagadas.

Ginny parecia distraída, mas não cambaleava nem ria. Sua mão direita estava sobre as mãos de Deena que agarravam seu braço esquerdo como se fosse cair se soltasse a ruiva, que descia as escadas firmemente apesar do peso extra e dos saltos impossivelmente altos.

A chegada das cinco garotas pareceu mudar a atmosfera da festa completamente. Como se o centro de gravidade de repente houvesse se redirecionado na direção delas. Assim como Draco, as roupas de Ginny eram negras. O vestido era rendado com mangas compridas mas um decote relativamente profundo, realçando sua cintura extremamente fina. Era curto, parando antes de seus joelhos, mas suas pernas bem feitas estavam envoltas em uma meia calça negra. Os escarpins altíssimos (Draco não entendia como ela conseguia se equilibrar) eram igualmente negros. Ela parecera esquecer de sorrir e cumprimentar os convidados com o olhar. Parecia procurar alguém discretamente, se assustando quando Barty Crouch Jr. foi o primeiro a se aproximar para cumprimentá-la. Quando o comensal fez menção de beijar sua mão, ela a recolheu subitamente.

-Isso nunca deixa de ser engraçado. - Blaise murmurou para Draco.

Draco observou-a de longe por breves minutos enquanto cumprimentava algumas pessoas, ainda parecendo procurar alguém. Deena então, que não largara seu braço, sussurrou alguma coisa em seu ouvido e Ginny concordou, puxando-a rapidamente para fora do salão. Draco as seguiu quase sem perceber, desacelerando quando chegaram a um corredor onde apenas criados perambulavam.

-Me desculpa, Ginny. A festa mal começou e eu...

-Acontece, Deena.

Draco as seguiu, ouvindo enquanto Deena, claramente bêbada, choramingava desculpas e expressava seu medo por seu pai vê-la assim. Draco sabia que Regulus Black chegara à festa há cerca de vinte minutos. Por motivos de trabalho também não pudera ficar hospedado na casa dos Prewett, prometera apenas mandar a filha e a esposa e vir à festa do primeiro dia.

-Ele não vai te ver assim. Só precisamos achar Ceci.

As grandes portas que davam para a cozinha estavam abertas e as meninas entraram, recebendo olhares confusos dos criados. Draco parou um pouco antes da porta, tentando ouvi-las.

-Aonde está Ceci?- a voz de Ginny soou.

-Não sabemos, Srta. Prewett. - uma voz cortês e servil respondeu.

-Ok. Finjam que não estamos aqui.

Ginny suspirou. Draco ouviu alguns barulhos estranhos de Ginny se movimentando. Um rapaz saiu da cozinha com um prato de aperitivos e encarou Draco, parecendo que ia lhe perguntar alguma coisa. O sonserino fez um sinal impaciente para que ele continuasse andando e o garçom obedeceu.

-Er... Srta. Ginevra, pode deixar, eu...

-Volte a fazer o que estava fazendo! - Ginny exclamou, cortante.

-Mas Srta... seu vestido...

-Eu não sou uma criança! Consigo fazer café sem estragar meu vestido, muito obrigada! - ela cortou novamente. - E mesmo se cair, ele é preto.

-Uhum. Bem pensado. - a voz grogue de Deena concordou. - Eu deveria usar preto sempre. Porque eu derrubo TUDO... ooops! - houve um alto som de algo se estilhaçando no chão.

-Sr. Malfoy. - a voz alta de Ceci quase o fez pular. A governanta o olhava com uma expressão inquisitiva, depois olhou para dentro da cozinha e sua expressão tornou-se alarmada.

-Gi... Srta. Ginevra! - Ceci exclamou. - O que está fazendo? Sua mãe está completamente desgostosa com seu comportamento.

-O que eu fiz agora?

-Demorou tanto para aparecer na festa, tratou os convidados mal e sumiu novamente!

-Eu não tratei ninguém mal, Ceci. Na verdade, estou nesse momento atendendo uma de minhas convidadas, que precisa de café.

Houve alguns segundos de silêncio no qual Draco pode ouvir Ginny se movimentando e o cheiro forte de café chegou até ele.

-Ela dormiu? - Ceci perguntou.

Deena fez um som estranho para indicar que estava acordada.

-As meninas trouxeram uma bebida rosa estranha para tomar enquanto se arrumavam e exageraram um pouquinho. - Ginny comentou.

-Espero que você também não!

-Com o tanto da medicação extra que Analeigh me fez tomar... acho que vou ter um derrame se misturar com álcool e... Oh! Se acalme, Ceci! Deena não vai se lembrar de nada disso amanhã!

-Aqui, Deena. Coma isso aqui. Vai se sentir melhor... cuidado! Se segure aqui... isso!

Por alguns segundos a atenção das duas mulheres voltaram para cuidar de Deena. Draco aproximou-se um pouco mais da porta, esperando ouvir a continuação da conversa em que Ginny mencionara ter tomado alguma medicação. Não era exatamente incomum, mas gostaria de saber de mais detalhes.

-Sua mãe a fez tomar mais da poção?- Ceci finalmente perguntou.

-Sim. Querida mamãe não queria que eu fosse rude com os convidados. - Ginny riu amargamente. - Não que tenha adiantado muita coisa. Quando Crouch veio tentar beijar minha mão... - a garota fez um som de nojo.

-É irresponsável aumentar a dosagem sem consultar um médico ou um curandeiro primeiro. - Ceci afirmou.

-Diga isso para Analeigh. - Ginny disse. - E não é como se a poção não tivesse efeito nenhum. Aparentemente não tenho problema nenhum em deixar Malfoys me abraçarem o quanto quiserem.

-Malfoy? - Ceci perguntou, fazendo com que Draco desse vários passos para trás.

Foi rapidamente para longe da porta, mas encostou-se a parede. Como se estivesse apenas esperando, mas a uma distância respeitável que o impedisse de ouvir a conversa. Fingiu surpresa quando Ginny saiu de dentro da cozinha, procurando-o com o olhar.

Ela pareceu hesitar por um segundo antes de caminhar em sua direção. Ele desencostou-se da parede, virando-se para ela. Tentou, em vão, não deixar seu olhar cair para o decote avantajado da garota. Um dos cantos de seus lábios subiu involuntariamente, em um sorriso torto.

-Malfoy.

-Vi que você e Deena estavam vindo para cá... fiquei preocupado. Ela parecia mal.

Ela o olhou com descrença, mas parecia não ter interesse algum em antagonizá-lo apesar da atitude suspeita. Apenas confirmou com a cabeça distraidamente.

-Exagerou um pouquinho. Mas Ceci está cuidando dela. Daqui a pouco já está melhor.

Ele assentiu.

-Vamos voltar para a festa? - ela meio perguntou, meio afirmou, andando na direção do salão.

Draco a seguiu, permitindo que ela andasse à sua frente e sorrindo ainda mais para si mesmo, deixando que seus olhos percorressem o corpo da pequena garota. Seu sorriso se desfez quando Ginny foi quase imediatamente puxada por outros convidados assim que voltaram à festa. Um grupo de amigas de sua mãe a puxaram para o meio delas.

-Eu já tinha ouvido burburinhos sobre a Prewett que foi pra Grifinória... - uma voz masculina chamou a atenção de Draco. - Mas ninguém tinha mencionado o quão gostosa a garota é.

A expressão de Marcus Flint e o olhar faminto que ele direcionava a Ginny fez Draco perder seu bom humor instantaneamente. Tentou esconder a contrariedade de sua expressão, mas como seus amigos sempre apontavam, não era muito bom em mascarar o que estava sentindo.

-Como vai, Flint. - cumprimentou entre os dentes.

-Melhor agora que as meninas chegaram. - comentou. - As Greengrass estão espetaculares. Até a Mel está maravilhosa. No meu tempo de escola as garotas não eram assim. Nem perto. Hey Milo!

Milo Bletchey, outro sonserino formado, aproximou-se dos rapazes e os cumprimentou efusivamente.

-Estava sondando a ruivinha?

-Bons modos, Flint. Temos que cumprimentar a nossa anfitriã. - ele riu.

-A anfitriã está ali. - Draco disse, apontando para Analeigh Prewett, que estava do outro lado do salão. - Fabian Prewett está mais perto. Provavelmente vigiando Ginny.

-Ginny é? Já está íntimo assim? - Flint sondou, trocando olhares com Milo.

-Podia nos apresentar pra ela. - Bletchey disse. - Estávamos pensando em levar algumas garrafas de firewhiskey lá pra fora. Sabe... reencontrar os colegas de casa.

-Ginny não é sonserina. - Draco o lembrou.

-Acho que podemos perdoar isso. - Flint riu. - Com aquele vestidinho... dá pra perdoar qualquer coisa.

Bletchey e Flint gargalharam, parecendo ignorar completamente a expressão taciturna de Draco.

-Além do mais... a previsão é de que quando o Lorde das Trevas assumir o poder ele vá extinguir completamente o chapéu seletor. Finalmente a supremacia de Slytherin vai ter início em Hogwarts.

-Slytherin já é supremo em Hogwarts, Marcus. - Draco cortou.

-Só estou dizendo: se nem o Lorde das Trevas se importa com essas coisas... quem somos nós para discutir?

-E sabe como é. A noite, todos os gatos são pardos. - Bletchey disse.

-Eu não acho que esse ditado se aplica nesse caso.

-Draco, você precisa beber. - Flint concluiu. - Você chama as garotas e nós levamos as bebidas, o que acha?

Draco olhou para Ginny por alguns segundos enquanto ela conversava com a Alba Greengrass. Por mais que não quisesse deixá-la perto de caras desprezíveis e perigosos como Flint e Bletchey a queria tirar de perto de todas aquelas pessoas que pareciam fazer questão de ficar em seu caminho. Talvez levá-la para fora com as meninas pudesse ajudar a ruivinha a descontrair um pouco. Talvez se tivesse contato com os sonserinos mais velhos entendesse que Draco não era o monstro que Ron Weasley tentava fazê-lo parecer.

-Okay, mas depois da meia noite. - Draco disse. - Ela acabou de chegar.

-Isso, isso. Dar tempo para a princesinha conversar com todo mundo. Depois... - Flint interrompeu-se puxando algo discretamente de dentro de suas vestes. - a ajudamos a relaxar um pouquinho.

Bletchey procurou abafar a própria risada ao ver a sacola que Flint mostrava. Alarmado, Draco empurrou as drogas de volta para as vestes do ex-capitão da sonserina.

-Você só pode estar louco mostrando isso assim! - Draco vociferou.

-Onde você conseguiu isso tudo cara? - Bletchey perguntou, admirado.

-Com o mesmo cara de sempre. Especial de Natal.

-Me dá um!

-Não! - Draco bradou. - Isso é só para lá fora. Só para depois da meia noite.

-Beleza... - Flint riu com a reação de Draco. - Depois da meia noite então. Leva as meninas lá pra fora e vamos nos divertir um pouco, hã?

Draco concordou, afastando-se sem se despedir. Sabia que tipo de diversão eles estavam falando, mas não se preocupava com aqueles dois idiotas. Eram perigosos, mas saberia lidar com eles.

Percebeu com desgosto que não era o único que rondava Ginny. O salão todo parecia prestar atenção na garota. Analeigh e Fabian tinham noção do que estavam fazendo? Tinham noção do quão perigoso aquele mundo era para uma garota como Ginny?

Talvez seu pai estivesse certo. Talvez uma garota como aquela devesse ficar trancada em uma torre rodeada por dragões e lagos de fogo.

With the lights out its less dangerous
Here we are now entertain us
I feel stupid, and contagious

-Quando percebi que Lynn estava bêbada, achei que ela ia descontrair um pouco, não ficar mais insuportável do que o normal. - Astoria murmurou raivosamente enquanto usava um guardanapo para limpar o vestido de Ginny. - Eu amo Lynn, mas foi muito infantil da parte dela derrubar bebida em você.

-Foi um acidente. - Ginny amenizou, mesmo sabendo que não era verdade. - Está tudo bem, Astoria. O vestido é escuro. E minha mãe me ensinou um encantamento para que não manche.

-Que bom. Sua mãe realmente pensa em tudo.

-Extraordinária pensadora, com certeza. - Ginny concordou tirando o guardanapo da mão de Astoria e o colocando em cima da mesa. - Não se preocupe com Lynn. Todo mundo exagera no fim de ano. Qualquer coisa damos uma poção e a colocamos para dormir como fizemos com Deena.

Astoria fez um bico contrariado.

-Não acredito no quanto as meninas estão te dando trabalho hoje, Gi. Era pra ser sua noite para brilhar. Não para ficar se preocupando com os outros.

-Tudo bem. Brilhar é extremamente cansativo de qualquer forma. Minhas luzes são um pouco mais opacas.

Astoria riu, aproximando-se um pouco mais da amiga e sussurrando:

-Minha mãe disse que mais tarde os mais íntimos vão se reunir para uma troca de presentes.

-Sim, provavelmente na sala do segundo andar.

-Você vai adorar o que eu trouxe para você. Não vejo a hora. - ela sorriu maliciosamente antes de acrescentar: - Draco também te trouxe um presentinho.

Ginny deu um passo para trás, desviando o olhar e perdendo o sorriso.

-Hum.

-Eu acho que ele realmente gosta de você.

Ginny apanhou subitamente uma taça de champanhe da bandeja de um garçom que passara ao seu lado e tirou um gole.

-Deixa para beber depois, vamos dançar! - Astoria disse animada, tirando a taça de Ginny e puxando-a pelo braço para a pista de dança onde algumas das meninas já dançavam.

Desconfortável pelos olhares que a cercavam enquanto tentava dançar com as meninas Ginny agradeceu pelas luzes reduzidas da festa. Não conseguira se sentir bem desde que saíra do quarto com as meninas. Sentia-se aflita e nervosa por alguma razão. Seu estômago revirava e ela mal conseguira comer quando a ceia foi servida. Analeigh só aparecia para sussurrar repreensões em seu ouvido e ela só apanhara relances de Fabian a noite toda.

Não sabia o que mais Analeigh poderia esperar dela. Precisou levar Deena para a cozinha para que Ceci cuidasse dela e não fosse flagrada caindo de bêbada por seu pai. Depois cumprimentara o máximo de pessoas possíveis e tivera conversas longas e insuportáveis com os amigos mais queridos de seus pais.

O que mais Analeigh queria?

Sentindo-se desanimada virou-se para sair do meio das pessoas que dançavam e acabou indo de encontro ao peito de Draco Malfoy. Cambaleou para trás levando a mão a testa e suspirando. O sorriso dele a enervava.

-Não fique tão perto, Malfoy. Não é educado.

-Nem quando vamos dançar?

Draco a puxou antes que ela pudesse protestar. Quando ela empurrou seu peito e olhou ao redor percebeu que a música realmente havia mudado para algo mais romântico e vários casais estavam na pista. Pela visão periférica percebeu que muitas pessoas os observavam. Sabendo que provavelmente um dos olhares era o de Analeigh, desistiu de empurrar Draco.

Ele sorriu quando as mãos dela subiram para seu pescoço e ela deixou que ele os guiasse na dança.

-Quem a vê andando toda rígida nunca pensaria que você dançaria tão bem. - ele comentou, aproveitando-se para aproximar-se um pouco mais.

-Analeigh me fez ter aulas. Eu era péssima.

-Duvido.

-É verdade. Meu instrutor me odiava. Aparentemente eu tento conduzir.

Draco riu. Pegou uma de suas mãos e a fez girar o corpo. Surpreendeu-se com a falta de resistência da garota, que se movia graciosamente.

-É bem a sua cara fazer isso.

-Nada como um pouquinho de prática, disciplina e crises existenciais para mudar totalmente a natureza de uma garota. - Ginny comentou, olhando para os lados.

Draco a aproximou um pouco mais, puxando-a pela cintura. A música lenta fazendo-os diminuir o ritmo.

-Nada poderia mudar você.

-Claro que poderia. Algumas surras de vara e agora sou uma exímia dançarina.

-Surras de vara?

-Nada demais. - Ginny descartou. - Tinha uma vara que me batia quando eu estava fazendo errado. Não doía. Muito.

-Me dói só de imaginar.

-Mesmo? - Ginny perguntou com sarcasmo. - Mas não te doía imaginar o que seus amiguinhos tentavam fazer comigo logo que eu fui sorteada para a Grifinória? Coisas muito piores do que uns toques de madeira nos tornozelos, posso garantir.

-Isso foi antes. - como que prevendo que a qualquer segundo ela o empurraria, fortaleceu o aperto na cintura da garota, o cheiro de perfume delicado invadindo suas narinas e fazendo-o inspirar longamente.

-Antes do que? Antes de se tocar que meus pais são importantes? Ou de que vocês não eram páreos pra mim?

Draco fez um som de escárnio.

-Não leve para o pessoal o que aconteceu. É... protocolo. Não é como se ainda tentassem fazer alguma coisa. Eu os proibí.

-Sim... depois daquela tarde nos jardins. Em que você decidiu que... como você disse mesmo? Que eu sou assunto seu.

Draco suspirou.

-Por que você tem que ser sempre tão arisca?

-Bom... não ajuda o fato de você sempre dar um jeito de me fazer ter que aguentar suas mãos em mim.

-Se você não quer que eu faça isso... - Draco começou, com o tom de voz mais alto e irritado do que pretendera. Controlando-se no meio da fala e diminuindo a voz para que ninguém mais pudesse ouvi-lo, afirmou: - A culpa é sua.

-Minha? - Ginny riu.

-Sim. Do jeito que você se... comporta. Do jeito que você fala! - ele se afastou um pouco para poder olhá-la nos olhos.

Ela encarou-o por alguns segundos e fez um som de desaprovação.

-Você é muito estranho!

-Eu sou estranho?

-Demais. Todos aqui são.

-Ah é? E você é o que?

Ginny suspirou antes de responder:

-Absolutamente nada.

Draco inspirou novamente o perfume da garota, aproveitando seus movimentos fluídos para sentir o corpo dela contra o seu. Inclinou-se em sua direção e roçou os lábios em sua bochecha, sussurrando:

-Você é tudo.

Ginny não respondeu. Procurando saborear o momento, Draco não deu continuidade à conversa. Sob os olhares de seus pais os dois dançaram em silêncio por mais algumas músicas. Parte de Draco sabia que ela aceitava dançar com ele por todo esse tempo para agradar os pais, mas ainda tinha uma pontada de esperança de que uma pequena parte dela estivesse gostando.

Seria ridiculamente otimista de sua parte esperar que ela também fosse capaz de perceber o quanto eles se moviam com facilidade? Era muito esperar que ela percebesse a óbvia química que havia entre os dois? Quase todo mundo já percebera.

Ela parecia até mesmo se divertir enquanto dançavam. Em uma música um pouco mais animada ele a rodou e acelerou os giros pelo salão e ela o acompanhou de bom grado, chegando a sorrir. Claro, que seu pequeno sorriso era educado e direcionado a quem os assistia e não a ele...

Era pedir demais que ela corasse ao olhar para seus olhos azuis da mesma forma que as outras garotas costumavam fazer? Era pedir demais que quando ele a apertasse sua respiração ficasse acelerada? Era muito ganancioso de sua parte desejar que o coração da garota batesse com mais força quando os lábios dele tocavam seu rosto? Era pedir demais que ela correspondesse seus sentimentos, sejam lá quais eles fossem?

Talvez estivesse sendo impaciente. Sabia que era mimado e estava acostumado a ter tudo o que queria em um piscar de olhos. Sabia que parte do apelo de Ginny era o fato de ela não babá-lo e segui-lo como todas as outras bruxas faziam. Mas talvez sua impaciência e sua relutância em aceitar uma rejeição fossem cruciais para continuar conseguindo tudo o que queria.

Talvez não doesse ser um pouco mais cavalheiresco com ela. Respeitar seu espaço. Deixá-la perceber com o tempo que ele era sua melhor escolha. No entanto... em alguns meses ele estaria formado e Ginny ainda ficaria mais um ano em Hogwarts. Se ele não se apressasse para consegui-la enquanto ainda moravam no mesmo castelo as coisas ficariam muito mais difíceis no futuro, quando se veriam consideravelmente menos. Quase nunca se ela assim o desejasse.

Apertou-a mais fortemente, fazendo com que ela precisasse repousar a cabeça em seu peito. Fechou os olhos e inalou a essência da ruiva novamente, sentindo o calor do pequeno corpo em seu peito. Se ao menos ela tivesse chegado a Hogwarts um pouco antes... talvez ele pudesse lhe dar um pouco mais de tempo.

Here we are now entertain us
A mulatto, an albino, a mosquito
My libido
Yeah!
Hey...Yay!

-É como se nunca tivessem visto ninguém dançar antes. - Lynn Nott revirou os olhos, incomodada como todo o salão parecia estar com a atenção voltada para Draco e Ginny.

-Ninguém nunca viu Draco perseguindo uma garota assim... e eles fariam um belo casal. - Mel comentou.

-Pelo visto ela cansou de se fazer de difícil né? - Lynn continuou de forma venenosa. A forma estranha na qual pronunciava as palavras deixava clara sua embriaguez. - Se faz de santinha mas dá mole pra todo mundo! Harry... Draco...

-Alguém está com invejinha. - Daphne cantarolou. - A mãe dela já deve estar fazendo a cabeça dela pra aceitar o Draco. Tenho certeza.

-Ele está segurando com muita força. - Astoria comentou baixinho para que só Daphne ouvisse. - Está vendo? A mão dele está quase se enterrando nela.

-Nossa! - exclamou Daphne baixinho ao reparar. - Deve estar doendo!

Astoria balançou a cabeça em desaprovação.

-É muito difícil trabalhar com o Draco... Eu tento ajudá-lo, mas parece que ele faz questão de fazer o oposto do que eu digo. - suspirou longamente. - Bom, acho que é mais fácil tentar influenciar Ginny de alguma forma.

Daphne olhou com o canto de olho para Astoria.

-Sei. E você está fazendo tudo isso pela bondade no seu coração.

-Só quero ver meus amigos felizes, Daphne.

-Claro, claro. - Daphne riu. - Você só parece uma princesinha, mas você é um gêniozinho do mal, maninha.

Com os olhos fixos em Draco e Ginny, Astoria sorriu com as palavras da irmã.

Em seu silêncio puderam ouvir uma voz feminina reclamando de como Ginny e as sonserinas monopolizaram a atenção dos garotos. Ao perceberem que a reclamação vinha de uma mulher consideravelmente mais velha até Lynn caiu na gargalhada.

Era incrível como as garotas adolescentes pareciam ser as pessoas mais maduras daquela festa.

-Meninas... - Alba Greengrass sussurrou, tomando os braços das filhas. - Venham para o segundo andar. Vamos trocar os presentes.

And I forget just why I taste
Oh yeah, I guess it makes me smile
I found it hard it's hard to find
Well, whatever, nevermind

-O que...? - Draco perguntou, como que acordando de um longo sono, ao sentir Ginny tentar se afastar dele. Apertou-a novamente contra o seu corpo quase que por impulso.

Por um segundo Ginny fez uma careta. Com sua cintura colada ao corpo do rapaz, Ginny usou uma mão para empurrar seu peito e se inclinar para trás, suas costas reclamando de dor no processo.

-Minha mãe está nos chamando. Acho que está na hora dos presentes.

-Ah. - Draco aquiesceu.

Ginny lhe lançou um sorriso desconfortável antes de seguir para as escadarias onde Analeigh a esperava com um largo sorriso que não chegava aos seus olhos. Era aquele típico sorriso que Draco sempre observava nas mães de suas amigas. A boca sorria enquanto os olhos analisavam as filhas furiosamente procurando algo que não estivesse de seu agrado.

Draco quase riu quando percebeu que Analeigh ajeitou o cabelo de Ginny e a manga de seu vestido, enquanto fingia acariciá-la. Seu intenso olhar suavizou quando ela se voltou para Draco.

-Vamos?- disse quase que em tom de travessura, antes de puxar Ginny pela mão para o andar de cima.

Ao chegarem na sala do andar de cima Draco percebeu com certa surpresa que todos já estavam acomodados. Os Malfoy, Black, Greengrass, Zabini, Nott e Prewett. Alguns já abriam presentes e se abraçavam em agradecimento. Uma belíssima árvore de Natal com adornos que flutuavam e piscavam deixavam o ambiente mais confortável e festivo.

-Eu devia tê-los chamado antes, mas fiquei com pena de interrompê-los.

-Vocês eram o casal que dançava melhor, com certeza. - Narcissa contribuiu.

-Tiramos muitas fotos. - Sienna Zabini garantiu.

-Ótimo. - Ginny sorriu. - Agora vou poder lembrar desse momento para sempre!

Draco desviou o olhar para evitar que percebessem o humor em sua expressão, e as irmãs Greengrass inclinaram-se uma na outra para abafar a risada. Além deles só os pais de Ginny pareceram perceber seu sarcasmo. Analeigh a beliscou discretamente lançando-lhe um olhar de censura.

Sem retribuir o olhar da mãe Ginny sentou-se ao lado do pai no sofá, quase derrubando Regulus Black no processo.

Draco sentiu uma ponta irracional de inveja de Fabian Prewett ao vê-lo acolher a filha em um abraço carinhoso. Sentou-se ao lado das Greengrass.

-Você só trouxe o mini-pufe mesmo? - Astoria perguntou baixinho para Draco enquanto colocava no pulso de Daphne a pulseira com a qual havia lhe presenteado.

-Não. Pensei em comprar uma joia... mas isso ela tem de sobra. - Draco respondeu. - Mas acabei tendo outra ideia.

A troca de presentes foi relativamente animada. A cada presente que Narcissa Malfoy recebia era seguido por um comentário ácido e um sorriso falso. Mesmo acostumado o rapaz achava extremamente irritante a mania que sua mãe tinha de tentar estabelecer superioridade desdenhando dos próprios amigos.

Ela pareceu quase desapontada quando viu que o presente de Analeigh era uma bolsa de uma grife famosa na qual ela estava em uma lista de espera há meses. Aparentemente estava mais satisfeita desdenhando de presentes medíocres do que recebendo coisas que realmente queria.

Depois de algum tempo Ginny se aproximou dele com um embrulho. Usava uma belíssima capa com bordados em fios de ouro que havia acabado de ganhar.

-Feliz Natal, Draco. - disse, oferecendo-lhe o embrulho vermelho.

Draco sorriu enquanto abria o pacote, se deparando com um belo conjunto de penas e tintas. Eram raras e caríssimas. Do tipo em que nunca poderiam encontrar no Beco Diagonal. Agradeceu a Ginny mesmo sabendo que provavelmente fora Analeigh quem escolhera.

Ginny se aproximou com um olhar travesso que fez seu coração bater mais rápido. Ela olhou para o lado como que para se certificar que ninguém ouviria seu sussurro:

-Procure direito. Meu presente de verdade está aí.

Curioso, Draco voltou a procurar dentro do embrulho. Sua mão se fechou em algo pequeno que se movia. Quando puxou não pode deixar de rir.

Um chaveiro de um hipogrifo em miniatura, que se movia e galopava no ar, batendo as asas.

-É perfeito porque ele sempre voa de volta para o dono, então você nunca vai perder suas chaves. Se é que hoje em dia alguém ainda use chaves. Mas eu vi e lembrei de você.

-Ginny, é perfeito. - Draco admitiu, admirando o hipogrifo voar em círculos a sua frente.

-Que bom.

Draco desviou a atenção da miniatura quando Ginny fez menção de se afastar. Pegou dois embrulhos no pé da árvore e entregou a ela.

-Que exagero. - ela riu, sentando-se ao seu lado e colocando os embrulhos no colo.

Quando abriu o primeiro a bolinha rosa que era Arnold pulou em sua direção fazendo um sonzinho adorável de prazer ao ver Ginny. Ela arregalou os olhos e sorriu. Draco sorriu de forma abobalhada ao ver a felicidade genuína de Ginny ao ver o mini-pufe.

-Draco, você não deveria... - ela começou, antes de se interromper e olhar para a mãe. - Aqui em casa não...

-Podemos abrir uma exceção. - Analeigh apressou-se em afirmar, parecendo tão abobalhada com o sorriso de Ginny quanto Draco.

-Não esqueça do segundo presente. - Draco lembrou apontando para o embrulho fechado no colo de Ginny.

-Eu não sei o que poderia ser melhor do que isso. - Ginny disse acariciando a criaturinha em suas mãos, chegando a levá-la ao rosto.

-Abre.

Quando Ginny abriu a caixa, deu um pulo para trás com uma exclamação de surpresa. Algo muito pequeno e branco disparou de suas mãos na direção da bolinha de pelos rosa que tentava desaparecer no sofá. Um arranhão pareceu quase se materializar no braço de Ginny, rasgando a manga de seu vestido, e várias exclamações de surpresa tomaram conta do ambiente. Daphne e Astoria pularam para fora do sofá.

Com uma velocidade incrível para algo tão pequeno Arnold pulou do sofá e disparou corredor abaixo.

-Arnold! - Ginny chamou, correndo na direção dos bichos, deixando os bruxos atônitos atrás.

-Aquilo era um...?

-Um gato, sim. - Draco respondeu, engolindo em seco.

-Filho, talvez seja melhor você... - Lucius indicou.

-Sim, estou indo. - Draco respondeu antes de disparar atrás de Ginny e dos animaizinhos, que agora desciam as escadas para o salão.

-Você realmente não pensou muito bem na logística dos presentes, não é? - Ginny gritou para Draco, arfante quando ele a alcançou.

-Não, para ser bem sincero. - Draco respondeu, tentando impedir em vão que os animais subissem em uma das mesas e derrubassem champagne em alguns convidados. Desculpou-se antes de continuar perseguindo os animais, desviando-se por pouco de um garçom que trazia uma bandeja com diversas sobremesas.

-Um gato branco?- Ginny perguntou atônita. - Sabe que bruxas geralmente preferem os gatos pretos não é?

-Você não é como qualquer bruxa. - Draco respondeu. - Eu vou correr a frente deles, você imobiliza o gato e…

-Okay! - Ginny concordou, sacando a varinha da manga de seu vestido enquanto Draco pulava uma cadeira para ultrapassar os animais.

-Immobulus! - Ginny exclamou, mirando em um ângulo que paralisou tanto o gato branco quanto o mini-pufe.

Os dois se aproximaram dos animaizinhos. Ginny parecia não notar ou não se importar com a comoção que pareceram causar no salão. Parecia tentar conter o sorriso ao admirar de perto o pequeno filhote branco que movia os olhos azuis de um lado para o outro, sem conseguir mover o corpinho.

-Ginny, me desculpe... eu...

-Tudo bem. Gatos e pufosos geralmente convivem bem juntos. É só questão de costume. - Ginny o tranquilizou. Parecia tentar conter a excitação em sua voz enquanto recolhia os animais em seus braços.

-Draco... - ela começou levantando o olhar para ele. Seus olhos pareciam brilhar. Suas bochechas rosadas e o cabelo bagunçado pelo inesperado exercício. - Obrigada.

Pego de surpresa pelas palavras e pelo suave sorriso da garota a sua frente, Draco sentiu-se completamente mortificado ao sentir suas bochechas esquentarem. Nunca havia corado por uma garota em toda sua vida. Apesar de ser extremamente pálido, só corava quando estava com raiva, embriagado ou quando tinha um ataque de riso. Nunca por vergonha. Nunca por nervosismo. Nunca por uma garota.

Desviou o olhar de Ginny, passando os dedos pelo cabelo. O sorriso que se formou em seu rosto foi minúsculo e completamente involuntário.

-Então... vamos... - ele apontou para o andar de cima, sem conseguir falar mais nada, direcionando-a para a escada, enquanto ela parecia tentar tranquiliza os animais imobilizados em seus braços.

Hello, hello, hello, how low?
Hello, hello, hello, how low?
Hello, hello, hello, how low?
Hello, hello, hello...

-Se eu soubesse que você ia ficar tão feliz com bichinhos de estimação eu nunca a teria proibido de trazer animais para casa. - Analeigh disse, admirando com os olhos levemente arregalados enquanto a filha brincava com o gatinho branco em seu colo. De barriga para cima, a criaturinha mordiscava os dedos da garota e usava a quatro pequenas patinhas para brincar com suas mãos. As meninas (com a exceção de Lynn) soltavam guinchos de adoração.

Já haviam voltado para a festa há algum tempo e Ginny já havia recebido outros presentes de convidados. As famílias que haviam subido para a troca de presentes acabaram por reunir algumas mesas para continuarem próximos e conversando no salão.

-Você é bem rígida com suas regras, Analeigh. - Fabian riu, esfregando o braço da mulher afetuosamente.

-Não é verdade, Fabian. Sou flexível até demais.

A troca de olhares entre Ginny e Fabian deixou mais do que claro que não era verdade.

-Por isso fiz questão de fazer com que Draco pedisse permissão a Analeigh antes de trazer os bichinhos. Lembrei o quão alérgica você é querida. Ginevra, achei que você também era...

Depois de alguns segundos de silêncio Ginny pareceu perceber que esperavam que ela falasse alguma coisa. Levantou os olhos do gatinho para Narcissa.

-Hum? - ao receber um cutucão da mãe, completou: - Me desculpe! O que disse, Sra. Malfoy?

Lucius virou-se discretamente para o filho enquanto Narcissa conversava com os Prewett.

-Tenho que dar o braço a torcer. Você estava certo. - Lucius admitiu. - Ela nem piscou quando recebeu a pulseira de brilhantes, mas o seu presente pareceu ganhar de lavada.

Draco sorriu de lado para o pai.

-Me dê um pouco de crédito. Eu sei o que estou fazendo. - disse com altivez.

-Sim, sim. Tente não estragar.

-Você parece conhecê-la até um pouco mais do que a mãe dela. - Narcissa sussurrou para Draco quando Amus Diggory apareceu e monopolizou a atenção dos Prewett. - Quando comentei com Analeigh o que você pretendia ela sugeriu que Ginny ficaria mais feliz com um colar ou uma pulseira.

Draco concordou, deixando de apontar que Narcissa havia concordado e tentado convencer o filho a mudar de ideia.

O sonserino desviou a atenção dos pais ao perceber que Amus Diggory se inclinou na direção de Ginny e sussurrou algo em seu ouvido, antes de tirar um envelope de suas vestes e entregá-lo discretamente a garota. Ginny pareceu confusa por alguns segundos até baixar os olhos para o remetente do envelope.

Quase engasgou ao ver a face da ruiva enrubescer rápida e violentamente. Ela abriu e fechou a boca para responder Amus sem sucesso. O homem já andava para longe.

Ginny olhou para cima comprimindo os lábios e respirando fundo algumas vezes antes de se levantar subitamente. Draco levantou também involuntariamente, mas foi obrigado a se sentar novamente pelo golpe da bengala de seu pai em seu estômago que o fez perder o ar.

-Não seja tão afobado. - ele repreendeu entre os dentes.

Contrariado Draco observou Ginny se afastar apressadamente com o envelope pressionado em seu peito. Ela diminuiu o passo ao passar ao lado da banda de jovens músicos que se instalava, testando os instrumentos musicais.

Seu olhar foi para o rapaz que dedilhava o violão uma música que Draco desconhecia. Quando o rapaz percebeu que Ginny o encarava lhe lançou uma piscadela antes de começar a tocar um típico jingle de Natal. A garota ainda o olhou por mais alguns segundos antes de voltar a correr para o andar de cima.

-Pra onde a garota foi?- Analeigh perguntou a Fabian depois de algum tempo. -Meu Deus do céu, não posso desviar minha atenção nem por um segundo que...

-Fique tranquila, querida. Tenho certeza que ela já vai voltar. - Fabian contemporizou.

-Deixe-a Analeigh. Sabe como são as meninas nessa idade. - Alba Greengrass brincou.

Draco não sabia exatamente porque os Greengrass estavam fingindo não perceber a proximidade da menina Prewett com o (suposto) noivo de sua filha caçula. Unir o seu clã aos do Malfoy seria imensamente proveitoso para os Greengrass, então Draco estava surpreso com a aparente indiferença dos pais de Astoria agora que os Malfoy estavam claramente rondando os Prewett.

Talvez soubessem que não tinham outra opção além de aceitar. Os únicos que sairiam prejudicados se houvesse uma briga seriam eles. Na hierarquia não declarada da alta sociedade, os Malfoy estavam muito acima dos Greengrass. Mesmo sendo uma família sangue puro não poderiam arcar as consequências de ter Malfoys ou Prewetts como inimigos.

Astoria, no entanto, parecia completamente radiante. De forma um tanto inocente, Draco acreditava que procurava ajudá-lo a conseguir Ginny porque o amava e queria vê-lo feliz. Acreditava que a euforia e os ataques de riso que a garota tivera naquela noite eram consequência de álcool e alegria de estar em uma festa com Ginny, a garota que idolatrara desde o início do ano letivo. Nada mais do que isso.

Em sua animação, Astoria aceitou com facilidade quando os meninos a chamaram para se direcionar aos jardins, onde pretendiam fazer uma fogueira, como as que faziam em Hogsmeade. Naturalmente, as garotas a seguiram. Enquanto os jovens saíam discretamente Draco olhou ao redor, procurando por Ginny que ainda não ressurgira para a festa.

Fez sinal para que os amigos fossem sem ele e foi procurar a garota.

With the lights out it's less dangerous
Here, we are now, entertain us
I feel stupid, and contagious
Here, we are now entertain us

-Gin.

Ginny tremeu, amassando o pergaminho em suas mãos ao escondê-lo rapidamente contra o peito. Levantou os olhos para Fabian Prewett.

-O-oi, pai.

-O que foi? Por que está tão alarmada? - perguntou Fabian, sentando-se em uma poltrona de frente para ela.

-Por nada. Eu só estava muito compenetrada. - ela explicou, dobrando o pergaminho com cuidado excessivo e o colocando de volta em seu envelope de origem.

-Sua mãe está chateada por você não estar na festa.

-Quando mamãe não está chateada? - Ginny revirou os olhos.

-Não seja assim, Ginny. Você sabe que ela está fazendo o que acha melhor para você.

Segurando a vontade de revirar os olhos a garota desviou sua atenção para as luzes da árvore de Natal.

-Acho que... temos ideias diferentes sobre o que é melhor para mim.

Fabian não respondeu. Apenas observou a garota.

-Eu... conheço você e seu temperamento pai. Pelo menos acredito conhecer. - ela disse, baixinho. - Não entendo como você consegue suportar aquelas pessoas lá embaixo.

-Ginny, são nossos amigos... - Fabian começou em tom de aviso.

-Pai, fale sério comigo por um segundo antes que eu... - Ginny pediu. - Só me ajude a entender.

Fabian suspirou longamente, passando a mão pelo rosto.

-Filha, você e sua mãe... vocês conhecem um lado meu. Quem eu posso ser quando estou com vocês. - ele tentou explicar. - Essas pessoas... Para proporcionar tudo o que eu proporciono para vocês... eu preciso ser um pouco diferente.

-Mas... - Ginny começou. - Pai, tudo o que temos é maravilhoso. Mas não... precisamos de tudo isso. Se o preço for muito alto, porque não poderíamos viver de uma forma mais...

-Simples? - Fabian completou. - Essa não é uma opção para pessoas como nós, Ginny. Achei que Leigh já teria explicado isso para você. É isso tudo ou... nada.

Ginny baixou a cabeça, olhando para suas mãos que seguravam a carta em seu colo.

-Porque temos sangue puro. Não temos escolha.

Fabian não respondeu. Apenas aquiesceu, olhando com a expressão cansada para a menina a sua frente. Naquele momento nem toda a maquiagem, maturidade e roupas de grife foram capazes de mascarar as feições suas feições ainda infantis.

Tinha tanto que queria dizer a garota. Queria dizer que detestava aquele mundo tanto quanto ela. Que se não fosse por uma dose de firewhiskey antes de ir pra cama não conseguiria dormir pensando em o quão injusta a vida fora para ela. O quanto ela perdera e o quanto ainda estava fadada a perder.

Doía olhar para Ginny, pois ela o fazia lembrar de um passado repleto de felicidade e amor. Ela era a prova de que suas mais belas lembranças foram reais. Era a prova de que um dia ele fora um bom homem e tivera uma grande e maravilhosa família.

Doía saber que fora longe demais e nunca mais poderia voltar a ser aquele homem. Mas agora que já estava sujo, não se importava em se afundar mais ainda se isso permitisse que a menina continuasse protegida.

-Você é a única coisa... pura na minha vida. - Fabian disse, acariciando o rosto da adolescente.

-Eu não quero... - Ginny começou, parecendo insegura e triste. - Eu não quero deixar de ser uma Prewett. Pelo menos não tão cedo.

Levou um minuto para que Fabian conseguisse entender do que a garota estava falando.

-Eu não tenho pressa nenhuma em casar você, filha.

-Eu achei que não tinham, mas mamãe...

-Sua mãe quer o seu melhor. Ela gosta de pensar no futuro. Não deixe que ela assuste você. - com a ausência de reposta ele insistiu: - Não quero que você se preocupe com essas coisas. Cuide das suas notas, do seu exame de aparatação, daquele abrigo que você tanto gosta, de seus amigos... Deixe o resto comigo. Tudo vai ficar bem.

-Eu não quero viver como vocês. - ela disse. As palavras pareciam sair com dificuldade. - Eu sou tão grata por tudo o que fazem por mim, mas... eu não quero a mesma vida que Analeigh teve...

Fabian fez sinal para que ela parasse de falar.

-Eu sei que o pesadelo de toda garota é se transformar na mãe... mas você está se preocupando demais. Não faça isso com você mesma. - ele pediu. - Eu trabalho e me envolvo com essas pessoas justamente porque não quero que você precise se preocupar demais. Por favor, minha filha, não faça com que todo meu esforço vá por água abaixo.

A garota concordou com um aceno contrariado.

-Além desses devaneios... está tudo bem?

Ela confirmou.

-Ninguém está te tratando mal na escola? Os professores ou seus colegas?

-Está tudo ótimo na escola. Eu fiz... amigos. Gosto da maioria dos professores.

-Qual seu favorito até agora? Aquele Sewlyn de quem os meninos estavam falando mais cedo?

Ginny levantou a cabeça, mordendo o lábio inferior.

-Pra ser bem sincera... a Professora McGonagall.

Fabian arregalou os olhos, rindo.

-Está falando sério?

-Eu a acho maravilhosa. - Ginny admitiu, com um sorriso de quem havia sido pega fazendo algo errado.

-Deixa eu te contar um segredo. - Fabian disse, fingindo olhar ao redor e inclinando-se para sussurrar: - Eu também.

Ginny levou as mãos a boca, rindo.

-Você está brincando.

-Estou falando sério. Acho todas as publicações dela brilhantes.

-Eu também! - Ginny sorriu, animada.

Os dois riram por alguns segundos sendo interrompidos por uma voz masculina:

-Ginny?

A mulatto, an albino, a mosquito
My libido
A denial
A denial
A denial
A denial

Draco Malfoy saiu das sombras do corredor. Ginny comprimiu os lábios, claramente contrariada por ter seu momento com o pai interrompido pelo rapaz.

-Ela está aqui, meu rapaz. - Fabian respondeu.

-Desculpe interromper a conversa de vocês mas... Analeigh disse que você estaria aqui e...

-Eu acabei passando muito tempo aqui em cima. - Ginny concordou. - Vamos voltar para a festa.

Quando Fabian continuou parado apenas observando a filha se afastar a garota parou.

-Pai, você não vai... ?

-Em um segundo. Podem ir a frente.

Ginny concordou, com seu típico sorriso desconfortável e se afastou. Draco ainda olhou de relance para Fabian antes de se afastar, refletindo sobre a conversa entre pai e filha que acabara de escutar. O desgosto da garota por estar rodeada de comensais da morte e suas famílias era previsível. Isso o rapaz adivinhara sozinho. Ainda assim, lhe pareceram estranhas as palavras trocadas.

-Para onde estamos indo? - Ginny perguntou.

Draco só percebeu que segurava seu braço quando ela o arrancou se desviou bruscamente dele.

-Lá para fora. A galera está lá. Fizemos uma fogueira.

Ginny suspirou, aquiescendo.

-O que? Não vai discutir? Vai me deixar te levar lá para fora?

A garota deu de ombros. Sua expressão era cansada e pensativa. Parecia não estar completamente presente.

Quando chegaram ao lado de fora os jovens comemoraram alto. Haviam levado um pouco da comida e algumas bebidas. As meninas a chamaram e Ginny sentou-se próxima a elas. Draco sentou-se ao seu lado. Ela não fez menção de se afastar, e ele notou o quão cansada ela parecia. Como se nas últimas horas sua energia houvesse sido lentamente drenada. Conversou, e foi simpática o suficiente. Não precisou se importar em se esquivar dos antigos integrantes da sonserina, apesar de eles a olharem como se fossem abutres atrás de carniça. Draco bloqueou todas as tentativas de interação ou aproximação de qualquer um que não fizesse parte do círculo íntimo de amigos.

Quando a garota recusou uma das ervas que Flint lhe oferecia e o garoto fez menção de levantar-se para se aproximar e insistir, Draco explodiu:

-Se ela não quer, ela não quer!

Recebera olhares fuzilantes dos abutres o tempo inteiro por bloquear a ideia deles de diversão. Apesar de as meninas interagirem, beberem e trocarem piadas, Draco fazia questão de mostrar certo desdém por Flint e Cia. E se Draco não gostava de alguém ninguém de seu grupo gostaria. Apenas Harry e Ginny desafiavam essa regra implícita. Mas nem sabia se poderia considerar Ginny parte do grupo considerando que ela era grifinória e passava a maior parte do seu tempo em Hogwarts com seus amiguinhos grifinórios.

-Estou com fome. - Ginny sussurrou, chamando a atenção de Draco e Astoria. - Acho que vou comer alguma coisa. Cuida das meninas, por favor.

Draco não sabia se ela havia direcionado o pedido a ele ou a Astoria enquanto se levantava. Pegou sua mão antes que ela pudesse se afastar mais.

-Você vai voltar?

-Acho que não. - admitiu, desvencilhando sua mão da dele e andando para longe da fogueira, sua formas tornando-se apenas uma silhueta na escuridão conforme ela se afastava.

Draco não pretendia segui-la. Ela parecia realmente cansada, e já tivera uma overdose de sonserinos por um dia só. Que descansasse e renovasse suas energias para os próximos dias. No entanto, ao ver Flint se levantando com a desculpa de que traria comida da festa para eles, olhando furtivamente para a direção na qual Ginny desaparecera, Draco pulou.

-Não precisa se preocupar, Marcus. Eu faço isso.

Seu tom foi cortante, e sua estatura consideravelmente maior do que a de Flint fizeram com que ele voltasse a se sentar prontamente, com uma expressão de raiva e desgosto.

Draco andou rápido na direção em que Ginny fora. Contornava a casa para entrar pela cozinha. Provavelmente comeria alguma coisa ao lado de Cece, a governanta que tanto adorava, e depois iria para a cama. Draco considerou só vigiá-la de longe para ter certeza de que chegaria a salvo.

Viu a silhueta dela de longe com sua varinha acesa. Diminuiu o passo para que ela não percebesse sua presença, no entanto um som o assustou impulsionando-o a correr na direção da garota.

Latidos.

A denial
A denial
A denial
A denial

Ginny parou subitamente. Iluminou ao seu redor e sobressaltou-se ao avistar Draco praticamente correndo na sua direção. Levou uma mão ao peito, com os olhos arregalados.

-Você me assustou! - exclamou. Sua expressão relaxou e ela perguntou com sarcasmo: - Foi você quem latiu também?

-Engraçada. - Draco revirou os olhos. - Também ouvi os latidos. Não tem cachorros por aqui?

-Não. A não ser que alguém tenha...

Mais latidos os interromperam, acompanhado de vozes. Draco ficou em alerta. Precisavam entrar e avisar para alguém que...

-Ginny!

Em vez de entrar na cozinha, Ginny passou direto da porta, seguindo na direção do som apressada, apagando sua própria varinha para não ser detectada na escuridão. Draco a seguiu, murmurando-lhe repreensões.

-Se tem algum intruso aqui, precisamos... - foi interrompido ao ver a silhueta grande de um homem de costas para eles, encarando uma das janelas do andar de cima. Ele se movia de forma estranha, sussurrando para si mesmo palavras ininteligíveis. Draco prontamente sacou sua varinha. Sentindo algo gelado no estômago quando Ginny avançou na direção do homem acendendo sua varinha.

Com a razão completamente comprometida pelo nervosismo, Draco não percebeu o quão familiar era a silhueta do homem misterioso e não entendeu o que Ginny sussurrou para ele.

-Harry? - ela perguntou baixinho. - O que está fazendo aqui?

Quando o homem virou pareceu tão assustado em ver Ginny quanto ela ao ver seu rosto. Devia ter cerca de quarenta anos, apesar do corpo esguio e forte, tinha um aspecto tão pálido e doentio que chegava a ter fácies hipocráticas. Olheiras terrivelmente longas e roxas que nem os grandes óculos conseguiam esconder. O olhar que direcionava a Ginny era assustador. Tão assustador que a corajosa garota deu alguns passos para trás.

-Quem é você? O que está fazendo aqui? - ela indagou enquanto se afastava. Com o olhar desvairado, o homem começou a avançar rapidamente na direção de Ginny.

Draco pulou a frente de Ginny, mas antes que pudesse pronunciar uma azaração foi arremessado para trás por um rápido movimento da varinha do estranho. Suas costas colidiram dolorosamente com a mansão. Quando levantou o olhar o homem havia alcançado a ruiva.

-Você não podia estar aqui! Você tem que vir comigo! - ele bradava, segurando-a pelos braços, impedindo-a de apontar-lhe a varinha. - Eles não estão fazendo nada, mas EU vou fazer alguma coisa! Vou fazer alguma coisa! Você não vai ter o mesmo fim que ela!

Draco levantou com dificuldade, o coração martelando em seu peito ao perceber que a intenção do homem era arrastar Ginny para dentro da floresta. Para seu alívio a grifinória conseguiu se desvencilhar. Sua varinha brilhou quando ela a bateu no rosto do homem exclamando para que ele a soltasse. O sangue pareceu então brotar de um longo fio no rosto do intruso. No entanto ele mal pareceu sentir, ao avançar novamente em Ginny tentando desarmá-la.

Draco finalmente conseguiu se colocar entre os dois.

-Stupefy! - bradou, fazendo o homem voar para trás.

-Draco! - Ginny o chamou, tentando puxá-lo pelo braço. O rapaz se desvencilhou, preparando-se para jogar outro feitiço para que o homem perdesse a consciência. Antes que pudesse cumprir sua intenção algo o atacou brutalmente. Um enorme cachorro negro pulou em seu peito o derrubando violentamente no chão, latindo em sua cara e o impedindo de se levantar.

O cão foi arrancado de cima dele repentinamente e não voltou a atacar depois de ser repelido preferindo correr na direção do intruso, que, para o alarme de Draco, estava agora acompanhando de um segundo homem. Ginny ainda tinha a varinha apontada na direção do cachorro caso precisasse repeli-lo novamente, mas distraiu-se ao ver o segundo homem que aparecera.

De costas para Ginny e com as palmas erguidas na direção do primeiro intruso, o homem parecia estar em uma posição defensiva, tentando impedir o outro de avançar novamente na direção de Ginny.

-Não dessa forma, meu amigo. Pense nas consequências do que você está fazendo! - ele suplicava. - Você está assustando a menina! Volte a si!

Para o terror de Draco e Ginny o homem de óculos parecia não querer ouvir o outro que tentava lhe acalmar. Tentou driblá-lo e avançar novamente na direção de Ginny, o que a fez quase cair para trás. Mas o segundo homem conseguiu bloquear sua passagem, empurrando-o fortemente.

Ao recobrar o equilíbrio o primeiro intruso disparou uma azaração em direção ao segundo, que a desviou com facilidade, revidando prontamente. O grande cachorro negro latia para os dois homens.

Draco queria gritar para que Ginny fugisse, mas a garota parecia estar completamente compenetrada no duelo dos bruxos desconhecidos. Seu corpo estava rígido, o de Draco tremia. Por algum motivo não conseguia se levantar para proteger Ginny, mas tranquilizou-se minimamente ao raciocinar que os sons do duelo com certeza chamariam a atenção da Mansão inteira.

A troca de azarações não se estendeu. Logo o segundo intruso conseguiu desarmar o primeiro e saiu empurrando-o para dentro da floresta, provavelmente pelo mesmo caminho de onde vieram. Não se virou nem uma vez.

Sentindo-se completamente imobilizada, de olhos arregalados Ginny assistiu enquanto o segundo homem empurrava seu atacante para dentro da floresta. Queria gritar para que revelassem suas identidades. Queria gritar por ajuda. Ou checar se Draco estava bem. No entanto suas pernas pareciam petrificadas ao chão. O som de sua forte respiração parecia alheio e distante.

As patas do grande cachorro se apoiaram subitamente em seus ombros, e ele lambeu uma de suas bochechas rapidamente antes de correr na direção na qual os dois homens haviam desaparecido. Como se o súbito ato do cachorro houvesse destravado seu corpo, Ginny voltou-se para Draco, que começara a gritar por ajuda.

-Você está machucado! - ela bradou, ao ver sangue em suas vestes, correndo e ajoelhando-se a sua frente. - Consegue levantar?

Só então Draco pareceu notar seu estado. A adrenalina em seu sangue o impedia de sentir dor e sequer detectar onde estava machucado. Ginny ajoelhou-se na sua frente e logo vários bruxos surgiram de dentro da casa com suas varinhas acesas, atraídos pelo barulho.

Draco levantou-se ao avistar seu pai e Fabian, informando-lhes o que acontecera e a direção a qual os intrusos haviam desaparecido. Os comensais correram para a floresta. Draco quase foi com eles, mas Lestrange apontou para Ginny e o aconselhou a levá-la para dentro.

Só então Draco percebeu que a garota ainda estava ajoelhada no chão.

-Ginny. - chamou, estendendo-lhe a mão. - Ginny!

Ela assustou-se, olhando para a mão estendida de Draco longamente, como se não soubesse nem onde estava. De forma incerta, aceitou a ajuda e levantou. Temendo que ela estivesse em choque ou algo assim, Draco segurou seus ombros com cuidado e começou a guiá-la na direção da casa. Depois de alguns passos ela desvencilhou-se bruscamente das mãos dele para andar sozinha, com a postura altiva e decidida de sempre.

A denial

N/A: Eu não sei quando vou atualizar. Ainda nem comecei o próximo capítulo. Mas acredito que vai ser logo. Agora estou com uma rotina bem organizada (finalmente). Se quiserem data fiquem atentas ao meu perfil pois eu provavelmente vou marcar para me forçar a atualizar regularmente.

Alguns comentários sobre esse capítulo e algumas realizações pessoais enquanto o escrevia:

Algumas coisas podem parecer muita fantasia, mas são coisas que presencio ou já presenciei na vida real. As mulheres mais velhas assediando rapazes e com inveja escancarada das meninas mais novas, as conversas machistas foram quase transcrições fiéis de conversas que já ouvi de amigos, a obsessão de Astoria por Ginny e das meninas por Astoria... isso foi minha adolescência. Essas hierarquias implícitas e toda a inveja, ciúme e obsessão por cada detalhe uma da outra... comentariozinhos que na hora você acha que é um elogio, mas depois percebe que era ofensa... Adoro vocês! Obrigada por estarem acompanhando a fic!

Edit 26/5/17: Precisei excluir todo o desabafo que coloquei aqui porque revelava muito da minha vida e eu descobri que alguns conhecidos que eu achei que não ligavam mais para fanfics ainda estão ativos no site. Acho difícil que eles cheguem a abrir essa fic, mas melhor prevenir do que remediar. Se alguma dessas pessoas visse o que eu escrevi eu iria acabar ficando em uma situação desconfortável. Sorry.

Reviews (vou colocar os comentarios de vocês e minha resposta e minha resposta porque a essa altura do campeonato vocês nem devem lembrar o que comentaram. Hahaha)

Monica Cecilia: Capitulooo novooooo uiiiiii ! Olha não sei o por que mas a relaçao da Ginny com os pais dela me faz lembrar da relaçao da Rapunzel com a Gothel em Enrolados...
Draco è muito nojento serio, o comportamento dele è repulsivo, e as meninas agem como se isso fosse a coisa mais engraçada do mundo( elas foram criadas assim óbvio). Gente do céu amei o Harry, mas como assim ele ta usando ela? ( entendo a situaçao dele).. E a Gina tambèm senhorrrr ela vai se revoltar?( adoro treta).. E o Fabian gente tava falando da Molly será?( na mente doida dele, ele realmente acha que fez um bem pra ela ne?)
Sim adorei o Capitulo e estou anciosa para o próximo .
XOXO
Bye

R: Gostei da comparação. Também consigo ver as similaridades. Até mesmo essa dúvida que acaba ficando sobre se o amor é verdadeiro ou se eles só amam o que conseguem dela. O relacionamento de Ginny com os pais ainda vai ser muito discutidos ao longo da fic. Isso sobre as meninas agirem como se fosse engraçado é justamente o que eu escrevi ali em cima. Uma coisa que eu já vi e vejo muito na vida real e que me incomoda demaaais. Ainda vão ter muuuuuitas tretas pela frente. Então acho que você vai gostar! Hahaha! Muito obrigada pela review e por sempre acompanhar a fic! Espero que veja esse capítulo também e que não tenha desistido! Mil beijos! 3

Majestade: Nunca fui de escrever comentários na fics,porque sempre travo na hora de escrever,mas essa fic é tão maravilhova,gosto desse tipo de gênero.
Parece uma sina,sempre q tem triângulo amoroso acabo torcendo pro casal que tem menos torcida e menos probabilidade (Porque Senhor?T_T).O relacionamento da Ginny e do Harry na fic pode render tanta coisa,ás vezes fico imaginando a Ginny descobrindo tudo e como ela vai reagir ao saber que o Harry sabia mas não contou e como ele irão superar pra ficar juntos (caso sejam os escolhidos.).

Morrendo de curiosidade pelos proximos capítulos

R: Apesar de esse capítulo ter sido voltado para D/G pode ter certeza que os dois casais estão bem empatados. Ainda não faço ideia com quem ela vai terminar. Talvez porque eu esteja escrevendo essa fic de uma forma tão pessoal fique difícil pra mim pensar objetivamente. Acho que vou seguir o fluxo e ver o que acontece. Hahahaha! Beijos e muito obrigada pela review maravilhosa!

Rafanta: Ooooi estou amando a fic! Shippo HG e me sinto tão aflita quanto a Ginny quando o Draco fica por perto g.g por favor, escreva mais momentos Hinny, são maravilhosos! Muitos beijos ;*

R: Esse capítulo foi só D/G, mas pode ter certeza que ainda vem muuuuito Hinny pela frente. Independente de com quem ela vai terminar (ainda não faço ideia) os dois casais serão bem explorados e desenvolvidos! Espero que continue acompanhando! Muito obrigada pela review!

Mari Weasley: Obrigada por postar mais um capítulo ! Foi uma ótima surpresa !
Eu estou um pouco angustiada para saber o que a Gina vai fazer ... hahhahah
E eu queria falar que eu to gostando do "seu" Lucius Malfoy hahah eu acho que eu nunca vi ele assim tão "descontraído" (se é que eu posso falar isso hahahah)
Continua postando pf !
Beijos

R: Haha! Obrigada! O Lucius é como eu imaginaria que ele seria se o "mal" estivesse no poder. Acho que seria ainda bem nojento, mas um pouco mais descontraído porque não tem que esconder quem realmente é. Desculpe a demora para postar. Pode ter certeza que não vou desistir da fic. Muito obrigada pela sua review! Beijos!

Guest: Ameei, estou super curiosa pra ver se o Harry vai contar pra ela as reais afiliações e contar a verdade sobre a família dela.

R: Ai, quero dar spoiler. Hahahaha! Mas não vou. Vai ter que continuar acompanhando e me deixando reviews deliciosas pra descobrir como vai ser o desenrolar da historia! Haha! Muito obrigada pela review e por acompanhar! Beijos!

FefsMalfoy: Realmente Ella, você demorou, mas ainda bem que não falha com a gente!
Agora falando do capítulo... Adorei ver o modo como os Malfoys estão lidando com o interesse do Draco na Ginny, adorei ver esse Draco em contraste com aquele que é imensamente infantil e irresponsável em Hogwarts! Vou confessar que não gosto muito da ideia da Ginny estar se interessando pelo Harry mas sei que você fará o que for melhor pra história e para o desfecho final. Além disso, fiquei apreensiva com esse final de capítulo, muito instigante mas preocupante.
Espero que atualize logo, aguardando ansiosamente, saber que tinha atualização foi uma das coisas que me fez feliz hoje... Até a próxima e fica tranquila que não desistirei

R: Obrigada! Amei sua review! O Draco está em um momento crucial em que está passando de infância para vida adulta. O problema é o tipo de adulto que ele quer se tornar, o que ele ACHA que quer se tornar e o que os outros esperam dele. Tudo isso pesa e ele, sem saber lidar com seus sentimentos, desconta nos outros por ser mimado e arrogante. Ginny é a única pessoa em sua vida que o vê de forma imparcial e isso o atrai muito. Ele fica querendo ganhar a aprovação dela e mete os pés pelas mãos.

Espero que você goste desse capítulo. Demorei muito, mas pode ter certeza que me dediquei. Tanto que ficou super longo. Hahaha! Mil beijos!

Guest (2): hey, vc demorou, mas postou, isso que importa.

eu não sei nem pra quem eu torço mais. eu normalmente sou team draco, porque né. eu e a minha amiga (que lê Maus e quis te matar quando vc "ressuscitou" o harry em AEDC) entramos em uma séria discussão sobre isso; ela morre de nojo de hinny (nem me pergunte o porque) e é team draco até a morte. eu só observo. mas o harry tá ficando amorzinho, desde que desistiu do plano de se aproximar dela só pra atingir os Prewett's.

sobre o capítulo: eu ouço Demons desde que lançou, É A MINHA MÚSICA, fiquei até emocionada quando vi ela no capítulo. chorei (na verdade chorei só de ver a notificação de que a fic tinha sido atualizada). eu esperava começar a ler e o draco já estar na casa da ginny, pensei que o harry nem ia aparecer no capítulo. mero engano, apareceu até mais do que a fuinha.

eu amei as minis patadas da ginny no draco, ela parece estar mais solta nesse capítulo, não sei. não gosto da Analeigh (ela é team draco assumida, e ela nem sabe disso), o Fabian parece, sei lá, mas agradável, se vc me entende.

lá lá lá lá que o draco tá aprontando, sei nem porque me surpreendo, é o draco slytherin malfoy, darr.

me permita imaginar a ginny como a rolland roden, de olhos castanhos, bem princesa.

seria maneiro se o harry aparecesse aí, o draco ia surtar lá lá lá.

me lembrei agora, será que a ginny tá mais solta por causa do anti depressivo?

ah, vc tem twitter Ella? se tiver, qual é o user?

ah sim, tem cada triângulo amoroso que eu fico bem wtf?¿

espero que não demore tanto pra atualizar de novo,

bjs

R: Acho que sua amiga vai gostar bastante desse capítulo hein? Hahahaha! Mas gosto do seu espírito de gostar dos dois. Porque a fic vai desenvolver bastante os dois relacionamentos.
Eu sou viciada em Demons e achei que se encaixava bem no contexto da fic! Que bom que você gostou! Adoro quando vocês adoram a música da vez! Hahahaha!

Ginny estava um pouco mais solta realmente porque sua mãe a fez tomar poções que alteram o humor. Você acertou! O que não é exatamente algo positivo, mas deixa a historia mais interessante.

Btw, eu pesquisei essa menina que você mencionou... e pode imaginar a Ginny assim a vontade. Eu a imagino mais ou menos desse jeito mesmo! A única diferença é a expressão. Ginny é um pouco mais taciturna. Se eu fosse fazer capa para fic acho que usaria essa menina linda mesmo. *-*

Sobre twitter: exclui o meu ano passado. Mas tenho um IG que atualizo direto. Ta com o nome provisório de "Luzesescondidas". Se for seguir me avisa, que eu te sigo também ;)

Muito obrigada por essa review maravilhosa! Amei Demais! Seu nome apareceu aqui só como Guest, mas se for deixar outra review, se identifica please! 3

leitoraBR: Uau!
Tem certo tempo que não entro no site, e confesso que nas ultimas vezes que entrei, não comentei nenhuma das fics que li (vergonhaaa)
Mas, depois de um dia estressante que tive, entrar no site por acidente e ver que Maus foi atualizado... Devorei esse capítulo e senti que necessitava comentar... então, encontrei um tempinho hoje e aqui vai:
Quando eu Li "Deamons - Imagine Dragons" eu simplesmente senti que iria amar o capítulo, e esse sentimento não me deixou na mão (e a letra é perfeita para o capitulo). Honestamente, desejo de todo coração que Harry e Ginny fiquem juntos, e espero que você não de um jeito de me converter, porque já fez com que eu aceitasse a ideia de Ginny e Draco. Tinha muito tempo que não lia nada que tivesse nem uma pitada de hinny (esse casal simplesmente me faz feliz suficiente pra passar o resto do dia sorrindo), não por falta de tentativa, mas as fanfics que tenho encontrado, a escrita não é lá essas coisas, e tendo uma fic como essa prefiro esperar por algo que sei que será bem elaborado e escrito.
Essa atitude da Ginny tem me agradado, como se ela estivesse se libertando de certa forma. E confesso que iria amar se ela aceitasse o convite de Ron e fosse passar o verão na casa da tia dele. Gosto da aproximação deles.
O que mais me atrai nessa fic, não é o romance mas sim o contexto, a história de Ginny é curiosa, e depois desse capítulo me pergunto se Fabian chegou a se arrepender de seus atos pelo menos uma vez.
Bom, queria escrever mais, entretanto meu tempo não permite.
Desejo bastante inspiração pra você, porque sei que tem capacidade pra ir longe, e até o próximo capitulo!

R: Sua review me deixou sorrindo que nem uma idiota por bastante tempo! Amei! Muito obrigada! Adorei o que você disse sobre o dia estressante, porque geralmente eu busco na leitura uma forma de relaxar também. Então poder ter proporcionado isso a alguém por meio dessa fanfic me deixou muito feliz! Não posso prometer um final Hinny, mas é uma possibilidade. O que posso prometer é que vai ter bastante Hinny ao longo da fic. Mas bastante Drinny também.

O convite do Ron só foi feito na verdade porque ele sabia que ela iria recusar. Ele vai passar o Natal com os pais mesmo e infelizmente os Weasley ainda não podem se aproximar de Ginny e revelar quem ela realmente é.

Conhecemos um pouco mais de Fabian nessa fic, mas o que aconteceu com Ginny e a história dele e de Analeigh ainda vai ser revelado.

Fiquei muito feliz com a sua review porque você vê essa fic exatamente da forma que eu estou tentando escrevê-la. Isso me dá um sentimento muito bom de que estou conseguindo. Apesar de sua preferência pelo Harry espero que goste desse capítulo! Hahahaha! Se não gostar não tem problema, pois vai ter muuuito Harry ainda pela frente. Mil beijos!

Gi Giudicelli:Amando tua fic! Tu escreve super
Bem! Li os nove capítulos num pulo! Espero que atualize rápido! :)

R: Ai que delícia de comentário! Muito obrigada, linda! Desculpe a demora imensa, mas espero que goste desse capítulo. Vou tentar não demorar tanto assim! Mil beijos!

Tmalfoy: Menina, não largue a fic! Ela é tão bem escrita que seria crueldade. Como uma fã convicta de D/G, não vejo a hora de ver uma evolução na relação deles. Por favor, não abandone essa história!

R: Desculpe a demora! Não havia desistido da fic, mas confesso que havia deixado-a em Hiatus por um tempo porque estava sem condições de escrever. Mas nunca desisti e nunca vou desistir. Estou amando demais. Espero que tenha gostado desse capítulo recheado de D/G! Mil beijos e muito MUITO obrigada pela review! 3

livBlack: Estou apaixonada pela estória, sério, melhor fanfic de Harry Potter que li nesses tempos, mas como eu não tenho sorte, essas ótimas fics tem poucos capítulos e autoras que parecem não gostar de atualizar ;-;
Eu sou uma pessoa que idolatra Gina Wesley, então não me importo com quem ela fique, se for o melhor para ela, não posso negar que shippo mais H/G, mas nessa fic estou mais D/G.
Atualiza logo pelo meu bem, por favoooor, eu sou uma pessoa emocionalmente estável pois nunca atualizam as fics que eu mais quero que atualize, essa se tornou uma delas agora, não me faça sofrer, ok?

R: E eu estou apaixonada por essa sua review! Desculpe a demora, mas atualizei! Com 37 páginas (pelo menos segundo meu Word) recheadas de DG! Eu também idolatro Ginny. Acho que isso já ficou bem claro. Hahaha! Muito obrigada mesmo por essa review maravilhosa e pelos elogios! Eu juro que amo atualizar, mas os tempos estão difíceis. Não posso prometer nada, pois minha vida está um pouco instável, mas não acho que vou demorar muito! Espero que não desista de acompanhar a fic! Mil beijos!

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Obrigada a todas!