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Freakshow – Capítulo Nove
Isabella Swan mal podia acreditar no que estava acontecendo naquela sala. Ali estava ela, a jovem e única filha de Charlie e Renée Swan, aos beijos com o maravilhoso, charmoso e misterioso, Edward Cullen. Parecia a coisa mais insana e errada a se fazer, uma jovem dama da elite francesa não deveria estar aos beijos com alguém que não fosse comprometida. Uma dama daquela elite nem mesmo sonharia estar no local que ela estava no momento. No entanto, Isabella nunca fora boa em acatar as regras da sociedade em que pertencia. Ela não parecia se importar em estar beijando aquele homem que tomava seus sonhos nos últimos tempos. Não… de maneira alguma ela se importava com isso. Sentia que podia ficar horas ali, apenas apreciando aqueles lábios sedutores que tanto clamavam por seus lábios suaves e atrativos. Mas a ação ali não acabava nos lábios de ambos. Ainda havia as mãos fortes de Edward que agarravam o corpo de Bella com tanta vontade, que ela se sentia nua ali. Sentia o aperto das mãos dele por cima do tecido elegante de suas roupas e imaginava como seria aquele toque na pele completamente nua. Céus! Como um beijo, apenas um beijo, poderia causar tanto assim? Ela se recordava de beijar Mike Newton diversas vezes enquanto ambos ainda estavam comprometidos, porém, em nenhuma das vezes em que havia beijado o Newton, ela havia se sentido de tal forma. Nem mesmo se comparasse com os beijos mais quentes que tivera com o ex-noivo. Em algum momento, o pulmão de ambos pareceu exasperadamente gritar por alguma porção – mesmo que mínima – de oxigênio, e os lábios de ambos foram se separando aos poucos, até que Edward havia dado uma leve mordida no lábio inferior de Isabella, terminando assim, aquela magnitude que havia acabado de acontecer em seu escritório. A respiração da jovem Swan mais parecia a respiração de um atleta que acabara de correr uma maratona de dois quilômetros, do que a respiração de uma dama. Ainda ofegante, ela se afastou um pouco de Edward, voltou a posição de outrora. Colocou a mão direita sobre o lado esquerdo do peito, e pode sentir o quão acelerado estava seu coração. Internamente ela se perguntava se havia chance de sofrer algum ataque. Seria normal um coração estar tão acelerado assim?
Edward, por sua vez, encarava estupefato a morena a sua frente. O que diabos havia acontecido ali? Não que ele não soubesse o que era um beijo. Edward Cullen sabia muito bem o significado de um beijo. Sabia muito bem o que significava quando dois corpos se atraíam de tal forma na qual os lábios exigiam um tocar o outro. Sabia das necessidades que um beijo trazia. O que ele realmente não conseguia entender era, como deixara aquilo acontecer? Ele não estava arrependido de ter beijado Isabella Swan. Muito pelo contrário. Sentir os lábios ternos daquela morena tocando os seus… era algo fantástico. Isabella tinha um toque diferente das outras mulheres na qual ele havia beijado anteriormente. Era suave, de certa forma, mas havia um toque selvagem ali. Quem diria que por trás daquela expressão doce e inocente, haveria lábios tão famintos, capazes de deixar Edward Cullen sem ar – e sem fala. Piscou rapidamente, vendo que Isabella possuía a mesma reação; os olhos pareciam distantes, ela levava uma das mãos sobre o peito e os lábios – que agora estavam vermelhos e inchados devido ao beijos – entreabertos, praticamente implorando para serem beijados mais uma vez. Ele quase atendeu ao pedido… quase. Evitou também o impulso de tocar as bochechas completamente vermelhas de Isabella. Aquilo a deixava com uma aparência tão adorável, que ele começava a duvidar se aquela garota na qual ele encarava agora, era a mesma na qual ele havia selvagemente beijado outrora.
– Mais alguma reclamação a fazer, minha querida? – indagou após longos minutos em silêncio.
Isabella sentiu a voz provocante invadir seus ouvidos e voltou a realidade. Edward ainda estava parado a sua frente, com uma postura um pouco abalada. Ele estava tentando esconder parte do efeito do beijo, mas Isabella via que ele também havia sido afetado. Por mais que soubesse que ele jamais poderia estar tão afetado quanto ela. Edward continuava perigosamente perto da herdeira dos Swan, o que fazia cada pelo do corpo da mesma manter-se arrepiado. Ele possuía uma expressão divertida, mas os olhos estavam selvagens demais para alguém que pretendia fazer alguma piada. Ela sabia muito bem que ele tentara provocá-la com aquela pergunta, uma vez que, Isabella estava a poucos minutos reclamando com o mesmo sobre suas provocações ousadas que não terminavam em nada. Ela podia revidar, no entanto, não encontrava nenhuma resposta plausível no momento.
– Não – sussurrou, desviando os olhos. – Nenhuma reclamação.
– Não sairá correndo nem nada do tipo, ou sairá?
Edward podia ver como Isabella estava. Ele estava feliz por saber que ela não tinha nada a reclamar. Significava que ela havia gostado da experiência que haviam trocado. Não que ela precisasse dizer algo; seu corpo a entregava facilmente. Mas, de qualquer forma, ouvir aquilo sair dos próprios lábios de Isabella era bom. Agora ele tinha receio de que a mesma poderia ter um ataque e sair correndo após o beijo. Ainda não entendia muito bem como a mente de Isabella funcionava e isto o intrigava bastante. Ele queria ser capaz de decifrar tudo que seus olhos mostravam, todavia, nem sempre era capaz de tal feitio. Este havia sido um dos motivos que o levou a aceitar aquela proposta maluca de ser acompanhante dela. Além, é claro, do fato de Isabella ser uma mulher realmente bonita. No entanto, agora que eles haviam partilhado aquele beijo, Edward conseguia ver realmente a beleza escondida por detrás daquela aparência jovial. Isabella era, de fato, uma das mulheres mais belas que Edward havia visto. Bela… era um adjetivo no mínimo cômico em comparação ao seu belíssimo nome Isabella, ou Bella, como alguns costumavam chamá-la. Ele sabia muito bem o significado da palavra Bella em italiano. Bella queria dizer bonita oubela; adjetivos simples em comparação a beleza da jovem, no entanto, adjetivos apropriados.
– Não, Edward – respondeu calma. – Eu não irei fugir e sair correndo. Ao contrário do que você possa pensar, eu não sou uma pré-adolescente sem consciência do que faz.
– Eu sei bem que você não é uma pré-adolescente, minha querida. Mesmo que você me dissesse ser uma, seu corpo a entregaria. Não apenas seu corpo, como suas ações. De qualquer forma, eu nunca sei o que esperar vindo de você.
Isso a deixou surpresa. Ele estava mesmo assumindo que ela, Isabella Marie Swan, era capaz de surpreendê-lo? Ela mal podia acreditar em tal revelação. Em que mundo ela poderia imaginar isso? Em nenhum, é claro. Ela não via nada demais em si mesmo que pudesse confundir e, até mesmo surpreender, o magnífico homem parado a sua frente. Na verdade, ela só sabia de uma vez na qual Edward havia realmente demonstrado surpresa em sua presença: na viagem a Itália. Essa era uma viagem que Bella não se esqueceria. Para ser mais exata, ela não se esqueceria do olhar feroz e surpreso que Edward havia lhe lançado quando a vira usando aquele vestido vermelho. Havia sido algo além de quaisquer expectativas que Isabella tivera outrora. De qualquer maneira, ela se sentia feliz em saber que tinha alguma vantagem sobre o poderoso Edward. Não que ela soubesse muito sobre ele para chamá-lo de poderoso, mas ela via a postura de Edward, via a forma como os outros o tratavam. Não era burra o suficiente para achar que ele não possuía nenhum tipo de influência nas outras pessoas que o cercavam. Até mesmo nela, na qual não tinham nenhuma ligação financeira ou familiar, ele exercia grande influência. Fechou os olhos por um momento e tomou uma respiração profunda; ainda podia sentir o calor emanar do corpo de Edward que estava a centímetros do seu.
– Está claro que o que houve aqui, foi um momento de insanidade da parte de ambos – explicou-se rapidamente, estava difícil manter a voz controlada.
– Um momento de insanidade? – indagou com um tom levemente irônico. Eles estava se divertindo com o nervosismo de Isabella.
– Sim. Acho que isso não deveria interferir em nossas ações futuras, vamos agir co…
Mas antes que ela terminasse a frase, Edward havia se aproximado mais. Ele agora olhava diretamente em seus olhos ansiosos. Era um olhar feroz, que fazia com que cada célula do corpo da jovem Swan tremesse e ansiasse por seu toque. Edward colocou a mão firmemente na cintura de Isabella e, como se isso fosse de fato possível, se aproximou mais. Ela sentia a coxa de Edward encaixar-se sobre suas pernas e aquele não era um toque para o qual ela estivesse preparada. Sentiu-o apertar levemente sua cintura e o encarou, não sabia como havia conseguido desviar do seu olhar uma vez, porém, algo em Edward alertava-a para não fazer mais isso.
– Não diga que é insanidade algo que você deseja – disse.
Então Isabella fora calada antes mesmo de começar a dizer algo, pois os lábios ávidos de Edward já a beijavam novamente. Se não era insano querê-lo, então o que era aquilo? Era difícil pensar em qualquer pergunta ou resposta coerente enquanto os lábios de Edward beijavam os seus com uma fúria até então desconhecida. As mãos dele prenderam-se nos fios macios do cabelo de Isabella, puxando-os levemente. As mãos dela já seguravam com força o pescoço de Edward, e ela desconfiava que o deixaria vermelho depois. Céus! De onde viera aquilo tudo? Sentiu os lábios serem mordidos pelos dentes daquele homem que a beijava com tanta fúria, e deixou um gemido escapar de seus lábios. À essa altura ela já se encontrava praticamente deitada sob aquela mesa e podia prever o momento em que Edward jogaria tudo aquilo no chão, apenas para que ambos deitassem-se ali, no entanto, não tiveram tempo para pensar sobre o assunto; uma batida na porta fez com que Edward separasse-se de Isabella e praguejasse alguns palavrões em uma língua na qual a Swan não reconheceu. Isabella estremeceu; ele não parecia muito feliz com aquela interrupção. Saiu de cima de Isabella e a ajudou a descer da mesa, esperando que ela se acalmasse. Ele via o peito da morena subir e descer em um movimento rápido, via os lábios entreabertos e completamente inchados, via aquele olhar inocente e, ao mesmo tempo sedutor. Diabos!
– Entre – ele disse com a voz firme, sem desviar o olhar de Isabella, para quem quer que estivesse batendo na porta
– Sr Cullen, desculpe-me interrompê-lo, eu sei que o senhor não tolera interrupções, ma…
– Como você mesmo disse, Natanael, eu não gosto de ser interrompido – disse secamente. – E, como pode ver, estou ocupado.
Isabella piscou por um momento, fazendo força para desviar daquele olhar e então olhou para a porta de maneira envergonhada. Havia ali um homem alto, provavelmente 1,87 de altura, através do terno, Isabella julgou que ele era bastante forte. Os cabelos eram meio que encaracolados e possuía uma cor clara, basicamente um loiro. Natanael tinha uma aparência dura, mas parecia um pouco assustado. Não. ele parecia com medo da reação de Edward Cullen. Aquilo fez com que Isabella estremecesse, não queria atrapalhar ninguém.
– Não tem problema, Edward – ela disse suavemente. – Eu já estava mesmo de saída.
Ela tentou passar, no entanto Edward segurou sua mão, impedindo-a. Não deixaria que ela fugisse desta forma. Eles precisavam conversar como os adultos que eram. E, no fundo, ele não queria que ela fosse embora agora.
– Isabella… - murmurou.
– Não, está tudo bem. Eu precisava mesmo ir.
Ignorando o fato de que não queria que ela fosse embora, lançou-lhe um olhar deixando claro que eles ainda conversariam e levou os lábios dele até a mão macia e delicada da herdeira dos Swan, depositando um beijo casto no local. Isabella passou a mão levemente em sua blusa verde, tentando arrumá-la então pegou sua clutch, deixando a sala. Ela não tinha a mínima ideia do que havia acontecido naquela sala. Não que ela estivesse reclamando, é claro. Mas ainda assim, não conseguia entender. No momento em que os lábios de ambos haviam se chocado, era como se nada mais no mundo existisse. Podiam cair quantas bombas nucleares que fosse, eles continuariam presos naquele universo paralelo que havia se formado enquanto se beijavam.
– O que você quer, Natanael? – foi a última coisa que Isabella escutou antes de dobrar o corredor e começar a caminhar entre as pessoas na Freakshow. Ela riu suavemente, nem ao mesmo recordava-se de que estava ali. Balançou a cabeça e procurou pela saída, não queria correr o risco que de alguém da elite a visse ali.
– Para casa, por favor – murmurou, assim que Philipe abriu a porta para que ela entrasse no carro.
Ele assentiu e tomou sua posição no volante. Enquanto as luzes de Paris passavam pela janela do carro, Isabella mantinha sua cabeça presa no beijo. Talvez, só talvez, um universo paralelo havia se formado no momento em que eles se beijaram.
~x~
O dia seguinte chegou de forma rápida. O sol brilhava como nunca em Paris e Isabella levantou-se sem nenhum vestígio de preguiça em seu corpo, indo direto para o banheiro, onde teve sua higiene matinal feita e pode se preparar para o café da manhã. Decidiu que aquele seria um dia agradável para utilizar a piscina da enorme mansão em que vivia, então vestiu com um traje de banho azul turquesa desenhado por algum estilista Inglês, colocando uma saída de praia de um tecido fino por cima. Calçou suas sandálias baixas da Michael Kros e deixou o quarto, já fazendo uma ligação para Rosalie e convidando a amiga.
– Seria maravilhoso, Petite – ela respondeu animada do outro lado da linha. – Poderíamos andar pela cidade depois. Ah! Poderíamos tomar o chá da cinco juntas.
– Maravilhoso, Rose!
Encerrou a chamada e encontrou com os pais sentados à mesa, degustando de um maravilhoso banque que havia sido posto por uma das empregadas. Serviu-se com um pouco de melancia picada, pãezinhos e um copo de suco natural. Conversou animadamente com sua mãe sobre o desfile que haveria do lançamento da coleção nova de algum estilista e amigo da família Swan; ambas pareciam demasiadamente animadas com o que viria a seguir. Jean Paul era um estilista ainda pouco conhecido no mundo, mas bastante famoso na França. De qualquer forma, as mulheres da família Swan eram apaixonadas pelas criações do mesmo e mal podiam esperar para o desfile que ocorreria na quarta a noite.
– Após o desfile haverá uma festa em comemoração – Renée avisou. – A festa será privada da imprensa, para que possamos ficar mais a vontade.
– Isto é fabuloso – sorriu para a mãe. – Já posso imaginar qual vestido usarei!
– Tenho certeza de que será um vestido fabuloso, minha filha – Charlie comentou, tomando um gole de seu café.
A jovem sorriu agradecida, enquanto voltava a desfrutar daquele banquete. Não demorou até que Rosalie Hale chegasse, juntando-se à eles e desculpando-se por chegar em hora inapropriada, causando risadas em Charlie e Renée, que não tinham problema algum em receber a pequena Hale em suas casas, não importava a hora. De qualquer forma, Rosalie juntou-se a eles naquele pequeno brunch, degustando a maravilhosa comida que estava sendo servida. Em certo ponto da conversa, Charlie e Renée tiveram que se retirar, pois iriam fazer um passeio a dois pela cidade. Já Rosalie e Bella, foram para as cadeiras que ficavam na beira da piscina e tiraram a saída de praia (que Rosalie havia colocado pouco depois de Charlie e Renée saírem) e passaram um pouco de protetor solar, antes de se deitarem e aproveitaram o sol.
– Estou ansiosa pelo desfile – Rosalie murmurou. – Eu confio muito no trabalho de Jean; ele já fez vestidos incríveis para mim!
– Eu sei – Bella sorriu. – Eu aprecio o trabalho dele… inclusive, o biquíni que estou usando, foi customizado por ele.
– Adorei as pedras no decote! Valorizaram seus peitos.
Isabella sorriu, agradecendo e se virou de barriga para baixo, querendo igualar o leve bronzeado que pegara.
– Você está diferente, Petite! Você parece radiante… a última vez que eu lhe vi assim, foi quando você fora aceita na faculdade. O que aconteceu?
– Ah… - sentiu as bochechas queimarem, e sabia que não tinha nada a ver com o fato de estar exposta ao sol. – Aconteceu uma coisinha ontem.
– Uma coisinha? – debochou. – Bella, Petite, você está mais radiante que um raio de sol. Seus olhos estão brilhando e você parece sempre estar pensativa. Acredito que apenas uma coisinha não a deixaria assim.
– Está certo – riu, sem saber como contar. Qual era o problema? Rosálie era sua melhor amiga, ela sempre contava tudo a ela, no entanto, quando se tratava de Edward Cullen, ela se sentia envergonhada demais. – Não é nada demais, mesmo. Eu e Ed…
– Srta Swan, há uma ligação para a senhora – a voz de uma das empregadas a interrompeu e ela agradeceu por isso.
– Só um instante, Rose. Eu já volto.
A loira assentiu e se virou na cadeira. Isabella levantou-se rapidamente, agradecendo quem quer que fosse que tivesse interrompido aquela conversa, e caminhou para dentro de casa, indo em direção ao telefone mais próximo.
– A pessoa informou o nome, Celine?
– Sim, Srta Bella. Disse-me que se chama Edward Cullen.
A morena estremeceu; o que ele poderia estar querendo com ela? Não haviam se visto no dia anterior? E como ele havia descoberto o telefone de sua casa? Teria ele tentado ligar anteriormente para o celular dela? Milhares de perguntas formavam-se na mente da jovem herdeira da família Swan, mas ela não se deu ao luxo de ficar bolando hipóteses para responder suas perguntas, apenas assentiu para a empregada e pegou o telefone, tomando uma respiração profunda antes de responder.
– Edward? – indagou.
– Sim, minha querida. Fico feliz que tenha resolvido atender esta ligação, pensei que estivesse fugindo de mim e da nossa conversa.
– Eu não estou fugindo de você – negou. – Estava apenas distante de meu celular, por isso não o ouvir tocar. Não acho certo que você crie julgamentos ao meu respeito. Além do mais, eu não imagino a respeito de quê deveríamos conversar.
Escutou a risada sarcástica de Edward soar do outro lado da linha e seu coração bateu mais rápido do que há alguns segundos. Céus! Porque ele possuía esse efeito sobre ela, mesmo estando falando com ela apenas pelo telefone?
– Não imagina? – riu novamente. – Suponho então que já tenha se esquecido do beijo que trocamos ontem…
O beijo… Não havia nenhuma possibilidade de esquecer aquilo. Por mais que ela quisesse – e ela estava longe de querer esquecer aquilo –, ela não conseguiria tirar da cabeça o momento em que os lábios ávidos e urgentes de Edward Cullen tocaram os seus naquela sala. Não se esqueceria jamais da forma como ele a levantou tão facilmente, como se ela pesasse dez quilos a menos do que realmente pesava e a colocara em cima daquela mesa de madeira, sugando seus lábios com aptidão e segurando seus cabelos com selvageria. Piscou rapidamente, envergonhada por ter se deixado perder tão facilmente em apenas um pensamento. Esperava que não tivesse emitido som algum, apesar de duvidar fortemente desta teoria, uma vez que seus lábios já se encontravam entreabertos.
– Foi o que pensei – Edward disse após alguns minutos. – Gostaria de encontrá-la hoje a tarde, mas não quero que seja um encontro na Freakshow.
– Há um café próximo a torre que eu costumo ir para tomar o chá das cinco – murmurou, dando-se por vencida. Sabia que não adiantaria discutir com Edward por muito tempo.
– Ótimo. Buscarei você aí às quatro e meia. Esteja pronta.
Então ele desligou. O Edward arrogante estava de volta. Não que Isabella não gostasse do tom de voz decidido que ele carregava. Suspirou pesadamente e deixou o telefone em seu devido lugar, voltando para a beira da piscina, onde sua amiga Rosalie permanecia deitada em busca de algum bronzeamento.
– Sinto que terei de desmarcar nossa saída – se lamentou.
– Aconteceu algo? – indagou prontamente, voltando a se sentar e tomando um pouco de champanhe.
– Edward deseja me encontrar para termos uma conversa. Ele é bastante persuasivo, e não iria aceitar um não como resposta.
– Está tudo bem – sorriu suavemente. Ela não iria mais se preocupar com a relação da amiga e de Edward. Alice havia deixado bem claro que ela não tinha motivos para tal ato. – A gente pode se encontrar outro dia, de qualquer forma, acho que Emmett ficará feliz com a notícia. Ele estava bastante animado sobre algo que acontecerá hoje a noite. Tenho certeza de que ele ficará feliz em ter minha companhia.
Isabella sorriu agradecida pela amiga a entender tão bem, e ficaram ali por mais uns trinta minutos, antes de Rosalie avisar que precisava ir, pois também queria se arrumar para fazer uma pequena surpresa para Emmett. As amigas Hale e Swan se despediram com um rápido abraço e a promessa de que na próxima vez ambas teriam um dia só dela, sem quaisquer interrupções.
Aproveitando o fato de que estava sozinha, a jovem Swan terminou de beber o champanhe que havia em sua taça e se levantou, indo em direção a parte interna da casa. Cruzou com um dos cachorros no meio do caminho e parou por um instante, fazendo carinho no mesmo. Sentia falta de brincar com Brigitte e Gunter – os dois cães-guarda que a mansão possuía. Renée havia adotado-os há alguns anos e com o tempo eles tornaram-se praticamente parte da família. Eram mimados ao extremo, o que ajudava-os a ter um bom resultado da função de vigiar a mansão em que viviam. Eles não queriam perder tudo aquilo, além do mais, era visível o amor que os cães sentiam pela família Swan. Especialmente por Isabella. Deixou os cachorros de lado por um momento e voltou a caminhar com passos firmes até a escada que a levaria até seu quarto, onde ela poderia começar a se arrumar. Porém, antes de ir para o banheiro e preparar seu banho, Isabella pegou seu celular, notando que havia algumas chamadas perdidas. Não precisou olhar para saber que todas eram de Edward; o tom severo que ele havia usado no telefone outrora, denunciava isso. De qualquer forma, jogou o celular na cama novamente e retirou suas roupas para que pudesse tomar um banho calmo e demorado. Lavou os cabelos sem nenhuma pressa, massageando o couro cabeludo com habilidade e delicadeza, ensaboou o corpo levemente e permitiu-se ficar alguns minutos debaixo do chuveiro. Sabendo que não poderia mais enrolar, ou acabaria se atrasando, desligou o chuveiro e se secou com uma de suas toalhas felpudas, colocando um roupão por cima de seu corpo nu e indo secar os cabelos.
Basicamente uma hora e meia mais tarde, Isabella estava pronta; havia optado por usar shorts de renda branco, juntamente com uma blusa de seda roxa (lembrava-se vagamente de Edward dizer que roxo ficava bem em sua pele) e sandálias Jimmy Choo brancas, com o salto cor de ouro. Os cabelos estavam soltos e caíam naturais por suas costas parcialmente nuas – uma vez que a blusa era um modelo diferente do que a jovem estava acostumada a usar, e ousava em deixar as costas descobertas. – e a herdeira havia passado uma maquiagem levemente verde, algo que não chamasse atenção e no qual ela poderia usar durante o dia sem parecer exagerado. Colocou também o par de jóias que havia ganhado de um investidor indiano amigo de seu pai; um par de brincos de ouro, trabalhado com algumas esmeraldas e uma enorme, porém delicada, ametista roxa incrustada no centro. Como conjunto, ela também havia ganhado um anel, porém o mesmo apenas levava uma esmeralda. Sabendo que Edward provavelmente já estaria a esperando, pegou sua clutch YSL verde e saiu do quarto.
Já na sala principal da mansão Swan, Edward esperava impaciente enquanto Isabella ainda se arrumava em seu quarto no andar superior. Ele observava a decoração do local, admirando o bom gosto da família Swan. O apartamento tinha um tom rústico; ele gostava disso. Respirou fundo, tendo sua atenção voltada para um barulho que vinha da escada, sendo surpreendido ao ver Isabella descendo-a lentamente. Ele não precisaria de mais do que vinte segundos para ver quais roupas ela usava, no entanto, ele precisou se demorar nos detalhes, principalmente ao ver que suas pernas estavam praticamente nuas, a não ser por um short branco. Observou também a forma como aquela blusa roxa modelava a cintura de Isabella, dando uma maravilhosa visão de suas curvas, podendo notar que, sem dúvidas aquele modelo de blusa deixava os seios de Isabella maiores e ele gostou daquilo. O rosto dela possuía uma expressão tranquila, ela parecia calma, a não ser pelo leve vermelho que tomava-lhe as bochechas em sinal de constrangimento. Ele sorriu torto e caminhou em direção a morena, tomando-lhe a mão direita e depositando um singelo beijo ali, enquanto a encarava sob os cílios longos.
– Boa tarde, minha querida. Devo dizer que adorei sua escolha hoje.
– Boa tarde, Edward – ela cumprimentou de volta, quando iam em direção a saída da mansão. – Obrigada.
Isabella estranhou quando uma figura alta e de aparência rude parada ao lado do maravilhoso carro de Edward. Mas não teve tempo para temer, logo reconheceu aquele como sendo Almos, o motorista de Edward. Ela poderia ter feito algum comentário a respeito do fato de ele estar usando o motorista hoje, mas não disse nada. Geralmente Edward gostava de ele mesmo dirigir, a não ser quando iam a algum evento no qual o motorista fosse necessário. De qualquer maneira, Almos a cumprimentou com respeito e polidez, abrindo a porta do carro em seguida para que ela e Edward entrassem. Ela agradeceu suavemente e se sentou em seguida. O café não ficava muito distante dali, uma vez que Bella morava praticamente ao lado da fabulosa torre Eiffel, porém, de qualquer forma, eles foram em silêncio. Isabella recusava-se a discutir qualquer coisa na presença de um dos empregados de Edward e agradeceu por ele tê-la entendido antes mesmo que ela pudesse dizer alguma coisa. Antes mesmo que ela pudesse entrar em algum devaneio sobre a conversa que teria com Edward, o carro parou e logo a porta estava sendo aberta para que eles saíssem. Isabella agradeceu novamente e pode observar Edward deixando algumas ordens ao motorista, que apenas assentiu dizendo um sim, senhor e então eles puderam caminhar até o café. Isabella não ignorou o fato de que Edward repousava a mão dele de maneira possessiva em sua cintura, mas não fizera nada para tirá-la dali. Já havia passado da faze de negação, na qual ela negava para si mesma que gostava de ser tocada por Edward Cullen. Sentaram-se em uma mesa que ficava na parte aberta do café e logo foram atendidos.
– Vamos querer o especial chá das cinco – Edward declarou sem ao menos olhar para o cardápio e então virou-se para Bella. – Se você não se importar, é claro.
– Por mim está tudo bem – deu de ombros.
A garçonete assentiu e logo saiu da vista de ambos, deixando um silêncio estranho pairando entre Edward e Bella.
– Suponho que você queira discutir sobre o que aconteceu entre nós dois… - Isabella começou tentando soar casual.
– Não há o que discutir – Edward deu de ombros. – Foi um beijo, no qual ambos desejávamos. Olha, Isabella, não mentirei para você, dizendo que você não me atrai e eu não preciso que você me diga que também se sente atraída por mim. Todo nosso autocontrole em esconder isso – não que eu acha que estivéssemos tendo muito sucesso em esconder – fora jogado para bem longe quando nos beijamos. A verdadeira questão é: como lidaremos este fato? Veja bem, minha querida, você deixou claro desde o começo que suas intenções comigo eram apenas para ajudá-la a se livrar de seu ex-noivo – Edward disse casualmente, ajeitando-se na cadeira. – Mas não podemos negar essa tensão sexual que há entre nós. Eu sou homem, tenho minhas necessidades, assim como você, eu suponho. – A voz era baixa e ele havia movido a cadeira de forma que ele pudesse ficar com o rosto bem perto de Isabella. – Eu posso ignorar o beijo, posso parar de me aproximar agora mesmo, se é isso o que você quer; posso levar nossa relação da maneira que combinamos, se é o que você diz querer, eu vou respeitar. Eu posso ser muitas coisas, Isabella, mas eu sei como respeitar uma mulher – ele se aproximou um pouco mais e ela quase fechou os olhos. – Eu posso parar – repetiu como um sopro sobre os lábios delicados da jovem morena sentada próxima a ele. – Basta você me dizer.
Mas ela não disse sequer uma palavra e ele sorriu, avançando-se um pouco mais sobre ela e tomando seus lábios em um outro beijo. Não havia sido um beijo tão sexual quanto os de outrora; por mais que Edward desejasse mais do que tudo tocar cada parte do corpo de Isabella, eles estavam em um local público e não iria expô-los de tal maneira. No entanto, havia sido um beijo mais demorado do que um mero selar de lábios. Enquanto Edward a beijava de forma gentil, ela se recordou de algum tempo atrás – há uns dois meses, talvez – em que ela estava nesse mesmo lugar com Mike e tentara se despedir dele com um beijo, beijo este que havia sido negado pelo se ex-noivo, no qual alegava ser de uma postura inapropriada para uma jovem da elite francesa. Todavia, Edward não parecia ligar para isso, enquanto aprofundava o beijo por alguns segundos e então soltasse-se dela, dando aquele sorriso sacana.
– Fico feliz que você não tenha me parado – comentou. – Não tinha certeza se eu seria capaz de fazê-lo caso você me pedisse.
Isabella assentiu, sem saber ainda o que dizer. Edward, sem sombra de dúvidas, era completamente diferente de Mike. Ela via vida nos olhos de Edward, via força de vontade; via aquele tom sedutor e perigoso que ele carregava consigo. Edward era um homem sexy, isso não era algo discutível, e ele sabia como usar isso ao seu favor. Já Mike, ele era bonito, tinha uma aparência jovial e de bebê, na qual algumas mulheres achavam fofo, mas não Isabella. Agora ela entendia a súbita atração que sentia por Edward. Ele era o oposto de Mike; charmoso, sedutor, sarcástico, prepotente, enigmático. Talvez fosse isso que a deixasse tão atraída por Edward assim e, talvez, fosse por isso que ela não o havia parado e nem queria pará-lo caso ele perguntasse novamente.
Balançou a cabeça, saindo daquele pequeno devaneio e viu que Edward a encarava com diversão nos olhos.
– Temos que trabalhar isso, minha querida – murmurou.
– Trabalhar o que? – indagou completamente confusa.
– Você não pode ficar tão deslumbrada todas as vezes que eu te beijar.
Ela estreitou os olhos diante daquela provocação e ocupou-se em bebericar do chá que havia sido servido há alguns segundos. Odiava admitir que ele estava completamente certo: ela ficava mesmo deslumbrada a cada vez que ele tocava seus lábios.
– Haverá um desfile na quarta feira – ela disse depois de alguns segundos. – Gostaria que você fosse comigo.
– Claro – concordou. – Com todo o prazer, minha querida.
– Ótimo – sorriu.
Não souberam de fato dizer quanto tempo haviam ficado ali, mas não havia sido muito tempo. Terminaram de tomar o chá, aproveitando alguma das guloseimas que vieram juntamente com o especial chá das cinco que Edward havia pedido. De um modo estranho, havia sido agradável estar ali. não houve muita conversa entre eles, apenas alguns olhares significativos e algumas provocações vindas de Edward. Eles haviam falado sobre a faculdade de Isabella e sobre como a nova aquisição de Edward na presidência andava.
– Sinto que você tenha ficado em maus lençóis por minha causa – ela disse.
Eles já estavam dentro do carro, e Edward havia apenas ordenado para que Almos vagasse com o carro sem nenhuma direção específica. Uma proteção de vidro preta impedia que Almos tivesse qualquer contato direto com eles e Bella soube o que aquilo significava.
– Não que eu realmente me importe com isso – ele deu de ombros. – Aquele evento ficaria completamente sem graça se eu tivesse que continuar ali sem você. Além do mais, as coisas ficaram bem mais divertidas depois que saímos. Recordo-me muito bem do nosso pequeno momento na escada.
Isabella sentiu um frio na espinha, lembrando-se claramente da forma na qual Edward havia tocado-lhe naquela noite; havia algo íntimo e sensual na maneira em que ele havia tocado a jovem Swan e ela não soube explicar o que era aquilo.
– Você parece sentir prazer por me deixar constrangida – disse ultrajada.
– Prazer? – riu. – Não, minha cara, eu não sinto prazer por provocá-la desta forma. Talvez diversão, mas não prazer. Eu realmente sinto prazer ao seu lado, obviamente, mas fazendo outras coisas…
Ela não precisou indagá-lo sobre o que ele estava falando, pois o olhar completamente malicioso e o sorriso sacana que ele dava enquanto avançava-se sobre ela, respondia quaisquer perguntas a serem feitas no momento.
~x~
Ai esse Edward é uma coisa *suspira* Fiquei feliz que algumas de vocês resolveram sair da toca e vieram comentar aqui! s2 E não fujam, eu não mordo. Enfim, agora que eles começaram não vão mais parar mesmo lol Ainda mais depois do que o Edward disse a ela. E ele é bem diferente do Mike, como a Leili (minha beta) disse: ela encontrou o que sempre quis, alguém que não se importa em beijar ela quando sente vontade mesmo que estejam em público.
Comentem que eu volto sexta feira.
Bjs
