FANGIRL-ILY


Sinopse: Lily Evans era completamente apaixonada pelas maravilhas da internet. Passava todo o tempo livre lendo teorias sobre suas séries favoritas, reblogando edições no tumblr, discutindo personagens no twitter, escrevendo fanfics de Star Wars anonimamente e assistindo aos vídeos de seu youtuber favorito no YouTube. Quando ela acredita que está vivendo mais sua vida virtual do que a real, o barulho da mudança de seu vizinho a traz de volta à realidade. E mais tarde naquele mesmo dia, seu youtuber favorito coincidentemente posta um vídeo anunciando sua mudança para Hogsmeade.

[JILY - UA]


Disclaimer: Personagens principais pertencentes a J.K. Rowling. A história passa em um Universo Alternativo, ou seja, não há nenhum bruxo.


9. Marauders


[SÁBADO - 09 DE JULHO, 2016]


— James. — McGonagall, sua agente, encarou-o enquanto ele adentrava o pequeno escritório alugado, fria como sempre. — Cinco minutos atrasado.

— Minnie! É sempre maravilhoso te reencontrar. — James sorriu para ela, caminhando até onde estava e a abraçando. — Estava com saudades do seu bom humor.

McGonagall sequer piscou diante da declaração, afastando-se dele antes de se aprumar em sua cadeira.

— Sente-se, temos muito o que conversar. — Ela disse, severa, o que fez com que James imediatamente obedecesse.

Minerva McGonagall, além de ótima agente, era também como uma segunda mãe para ele. Sempre presente, sempre puxando as orelhas dele e sempre procurando formas de fazê-lo melhorar. Ela estava com James desde o segundo ano do canal, quando os views aumentaram e ele não conseguia se organizar com tantos contratos e propostas que recebia. Ele provavelmente teria afundado e destruído o canal se não tivesse os cuidados de Minnie. E, claro, ela também agenciava os outros garotos, Peter, Remus e Sirius.

E tentava mantê-los na linha. O que quase nunca dava certo. Contudo, ela não desistia e James a admirava por isso.

— Recebemos uma proposta realmente boa da Universidade de Hogwarts. — Ela começou a falar, ajeitando os óculos no rosto e baixando os olhos para as pilhas de papel que tinha à sua frente.

— Hogwarts? — James franziu o cenho, confuso. — Que tipo de proposta? Eu passei para Cinema lá, é algo relacionado a isso...?

— Na verdade é sim. O Reitor conversou comigo acerca você fazer uma palestra sobre cinema para as escolas da cidade. Ele acredita que, com alguém tão jovem e influente palestrando, os cursos de Cinema, Artes Visuais e Teatro possam ganhar mais visibilidade. São os cursos com o menor índice de inscritos, porque as pessoas acreditam que este tipo de formação não rende lucros ou futuro.

— Hm... — James meneou a cabeça, avaliando a proposta. McGonagall estendeu para ele alguns papéis nos quais indicavam valores e instruções. Ele havia gostado da ideia, afinal, lembrava muito bem o quanto fora difícil para ele se decidir por um curso, mesmo tendo convivido com câmeras e produções por vários anos. Imaginou que seria bacana poder compartilhar suas experiências com outros jovens, que poderiam ter tanto sucesso quanto ele no futuro. — Certo. Gostei.

Um raro sorriso perpassou pelos lábios de Minerva.

— Eu achei que sim. — Disse e então se voltou para outro papel. — Certo, temos mais um... — E continuou assim por mais algum tempo, indicando prós e contras, meneando a cabeça e discutindo. James sabia identificar perfeitamente as expressões de McGonagall, quando ela gostava ou não de uma proposta, portanto geralmente escolhia de acordo com os gostos dela, questionando raramente sobre uma opção ou outra. James confiava demais no trabalho da senhora para discordar dela.

Quando, por fim, terminaram a lista de contratos, McGonagall suspirou, fixando o olhar para o relógio em seu pulso.

— Algo errado, Minnie? — Ele indagou ao perceber o cenho franzido de sua agente.

— Marquei com a Macdonald e seu agente para que pudéssemos discutir sobre o contrato com a Comic Con. Eles deveriam estar aqui há dez minutos. — Resmungou, irritada. Ela odiava atrasos tanto quanto odiava contratos malfeitos.

— Mary? — James perguntou, confuso. — Ela está aqui? Pensei que fosse chegar só na semana que vem.

— Ela chegou hoje. — McGonagall disse e estreitou os olhos. — Ficou insistindo em saber onde era sua casa, se podia te encontrar, porque queria gravar vídeos com vocês.

James sorriu, rolando os olhos para a óbvia implicância de McGonagall com a garota.

Antes que pudesse responder, porém, a porta do escritório foi aberta e, por ela, adentrou Mary e seu agente, Slughorn.

Slughorn sorriu ao ver James.

— Meu menino! — Disse, aproximando-se enquanto James se erguia para abraçá-lo. Divertia-o a lembrança do senhor brigando com McGonagall quando James decidira contratá-la ao invés de aceitar os serviços dele. Ainda lembrava da mulher sorrindo para ele e dizendo "obrigada, James, você me livrou de um péssimo casamento", quando, por motivos que James desconhecia, os dois haviam se divorciado. — Você está ótimo!

— Hey, James! — Mary sorriu para ele e então o puxou para um abraço um pouco apertado demais. Sentindo-se estranhamente desconfortável, James se afastou, tentando não parecer muito ríspido.

Ele e Mary se conheciam de alguns anos atrás, tendo criado seus canais na mesma época. Costumavam se cruzar bastante em convenções e workshops.

— Mary. Tudo bem? — James cumprimentou-a, voltando a se sentar ao lado de McGonagall, observando enquanto os outros dois faziam a volta na mesa para fazer o mesmo.

— Ótima. Estava ansiosa para te encontrar. — Ela sorriu ainda mais. — Precisamos começar a gravar logo! Tenho várias ideias que podem alavancar ainda mais nossos canais!

— Isso é-

Ótimo. — Slughorn concluiu e então voltou-se para McGonagall, encarando-a com um olhar ilegível. — Minha cara McGonagall. — Sorriu para ela. — Muito bom te ver.

— É claro que é. — McGonagall retrucou e seu tom de voz era sóbrio. Os dois continuaram se encarando, parecendo prestes a avançarem um sobre o outro.

James e Mary moveram-se desconfortáveis em seus acentos e o garoto imaginou quanto tempo ele teria até conseguir fugir dali, antes que tudo explodisse.

— Você parece ótima. — Slughorn acrescentou, o tom de voz tão jocoso que James pensou que McGonagall fosse esbofeteá-lo.

— Não posso dizer o mesmo de você. — Ela disse e voltou a sorrir, embora seus olhos parecessem arder como o fogo do inferno. James não queria estar na pele de Slughorn naquele momento.

— Hm, então, Mary... O que acha de nos encontrarmos amanhã para gravarmos a Tag "Qual a sua série"? — James disse, tentando começar uma conversa em meio ao confronto que provavelmente acabaria na terceira guerra mundial. McGonagall e Slughorn estavam trocando farpas e James sabia muito bem onde aquilo sempre acabava: quase morte.

A garota prontamente concordou na óbvia tentativa de cortar todo aquele clima de tensão que pairava sobre eles, parecendo tão aflita quanto James diante do embate.

— Acho ótimo! — Ela disse. — E acho que poderíamos fazer a "10 coisas que te fazem muito feliz" também. — Acrescentou. — As pessoas adoram esse tipo de vídeo.

— Eu acho...

— Ora, seu...! — McGonagall, em um rompante, ergueu-se. Ela estava lívida e encarava Slughorn como se não conseguisse acreditar no que estava vendo. Bem, pensou James, menos de dez minutos. — Me recuso a discutir qualquer assunto com você! É impossível ter qualquer tipo de conversa com uma pessoa de intelecto tão inexistente. — Voltou-se para James que se encolheu. — Vamos, James.

— Mas, e a proposta...

— Se quiser, pode continuar aí e conversar com ele sozinho. Me recuso a assinar qualquer coisa que não seja o atestado de óbito deste homem. — E, falando aquilo, encaminhou-se para a porta, batendo-a fortemente ao sair.

Um silêncio desconfortável recaiu sobre eles.

— Ora, muito bem, ora, muito bem. — Slughorn bufou, parecendo tremendamente irritado. Voltou-se para James. — Se você puder fazer o favor de acalmar a sua agente, James, eu agradeceria. Este contrato é muito bom para vocês e o The Marauders e não é justo que ela tenha de fazê-los perder essa oportunidade. Avise-a que irei aguardá-la no meu escritório, às quatro da tarde de quarta-feira. Espero que esteja controlada. — Ele limpou o bigode que estava suando e então se ergueu. — Vocês já combinaram? Vão se encontrar amanhã? Ótimo! Vou dar um jeito de me organizar no hotel e resolver algumas coisas pela cidade. Você vai ficar bem, Mary?

A garota, que parecia muito atordoada diante da cena recente, assentiu.

— Sim. Irei ao shopping com uma amiga. — E então também se afastou da mesa, indo até James. — Me dê seu número, Jay. Só tenho o seu antigo, portanto nunca conseguia falar com você a não ser pelo Twitter.

James fez o que ela pediu, também salvando o número da garota em seu celular. Feito aquilo, acompanhou-os para fora do escritório, imaginando se McGonagall logo voltaria. Esperava que ela não estivesse tão furiosa, senão teria de penar muito até convencê-la de fazer o que precisava ser feito. Infelizmente ele não entendia absolutamente nada de contratos para que pudesse assinar qualquer coisa sem a supervisão dela.

Imaginou o quanto deveria ser difícil para Minnie ter de rever o ex-marido mesmo depois de quase dois anos de divórcio. Slughorn, também não parecia muito feliz.

— Hm, Jay. — Mary chamou-o, interrompendo seus pensamentos. — Vai fazer alguma coisa hoje à noite? Fiquei sabendo que tem um pub muito bom perto de Hogwarts. O Três Vassouras é o nome. — Ela disse, sorrindo para ele. — Podíamos convidar os meninos e todos saímos juntos. Duas amigas vieram comigo para Hogsmeade. Todos estariam acompanhados. Eu não conheço muito a cidade, acho que seria bacana fazer algo diferente. E poderíamos gravar muitos snaps.

Ela estava sendo simpática e James apreciava aquilo, contudo, uma vozinha ecoou em sua cabeça, a lembrança de outra garota de bochechas coradas e a expressão muito pensativa preenchendo sua mente. "Bem, eu realmente acho que ela é uma interesseira", Lily dissera na primeira vez em que haviam se encontrado.

— Hm, na verdade eu já tenho planos para hoje... — James disse, tentando parecer legal, embora pudesse ver na expressão da garota que ela não havia gostado muito da resposta. — Mas amanhã a gente pode combinar alguma coisa depois de gravar...

Mary voltou a sorrir no exato momento em que o elevador parou e abriu a porta para que saíssem.

— Ótimo! — Ela voltou a abraçá-lo e então se afastou, um pouco mais séria. — Ah, James... você pode me fazer um favor? Diga ao Remus... diga a ele que sinto saudades. — E, dizendo aquilo, afastou-se junto de Slughorn que acenou em adeus para James, deixando-o levemente atordoado.

Imaginou que a chegada repentina de Mary em Hogsmeade talvez pudesse não ter nada a ver com os vídeos que gravariam, mas sim com quem estava na casa de James.

Suspirou.


— Eu estou surtando!

E quando você não está, Lily Evans? — A voz de Marlene transbordava diversão através do telefone. Lily andava de um lado para o outro, sentindo-se totalmente acordada, como se nunca houvesse estado de ressaca.

— Ah, Marley, que merda eu fiz? — Resmungou, respirando fundo antes de parar de andar, passando uma mão pela têmpora que latejava. Bem, então talvez parecesse que ela estava de ressaca. Não tanto quanto antes, porém o suficiente para fazê-la quase lacrimejar de dor.

E toda aquela agitação não ajudava em nada.

Que merda, Lily? — Foi Alice quem respondeu. O som de movimentação e pessoas indicava que as amigas ainda estavam no shopping. — Você aceitou jantar na casa do seu vizinho. O que tem de mais nisso?

— O que tem demais NISSO? — Lily indagou irritada, voltando a caminhar de um lado para o outro. — Vocês, por acaso, lembram que o meu vizinho é o James Potter? E que os amigos que estão na casa dele são Remus Lupin e Sirius Black? Ai, meu Vader, onde diabos eu fui me meter? Porque fui aceitar uma merda dessas? Agora vou ter que ir e com certeza vou acabar pagando o maior mico da minha vida, porque é claro que algo ruim vai ter que acontecer, e eles nunca mais vão olhar na minha cara e vou ter de me mudar de país, porque as pessoas vão me odiar por todo o Reino Unido.

— Meu Deus, você está mesmosurtando. — Marlene disse, respirando fundo. — Lily, você precisa respirar e se acalmar. Ouça música, escreva nas suas fanfics que estão atrasadíssimas, assista séries, qualquer coisa, mas, por Deus, não enlouqueça. Você sempre acaba fazendo algo impulsivo quando surta.

— Nossa, Marley, obrigada. Isso é um grande conselho, viu? "Não surte, Lily, porque senão você vai se dar mal". Obrigada mesmo, você é uma ótima amiga. Estou mais calma agora! — Resmungou, o sarcasmo praticamente jorrando de sua boca.

Lily, se acalme! —Alice resmungou.

Lily estava prestes a responder que não havia maneira com a qual ela pudesse se acalmar quando ouviu o som da porta da frente ser aberta. Murmurando um até logo bem mal-humorado para as amigas, saiu do quarto, descendo as escadas de dois em dois degraus.

— Lily! Tudo bem com você, meu amor? — A mãe dela a cumprimentou, sorrindo. — Pode ajudar o seu pai com as compras? Vou deixar essas aqui na cozinha. — Indicou as sacolas que segurava.

Lily assentiu, encaminhando-se para fora, indo até onde seu pai estava, perto do carro.

— Hey, Lil's. — Edward Evans voltou-se para ela, olhando-a de cima a baixo, como se pudesse fazer um raio-x só com o olhar. — Você parece bem. — Ele disse, estreitando os olhos minimamente.

Lily riu para ele, esticando-se para pegar algumas sacolas.

— É porque eu estou bem,pai. Você acha que eu fiz o que na noite passada? Bebi todas? Não gosto dessas coisas, você sabe. — Disse, fingindo-se de inocente, embora soubesse que ele não acreditava em nenhuma de suas palavras. A conhecia bem demais para cair naquilo, principalmente se fosse levar em conta o fato de Lily estar com a cara péssima.

Ugh! Como se ela precisasse de mais um motivo para querer morrer em cima da cama ao invés de ir jantar na casa do vizinho. Tudo bem que James Potter já a havia encontrado em pior estado, mas, poxa, ele não precisava ter de passar por aquilo de novo.

Ninguém precisava.

Ao pensar nisso, um tremor percorreu seu corpo, fazendo-a sentir-se ainda mais nervosa. Ela iria jantar na casa de James Potter, o Prongs, o cara que tinha um canal com mais de três milhões de inscritos. E os melhores amigos dele, que também tinham vários milhões de inscritos, estariam lá. Certo, ela já estava razoavelmente acostumada com Sirius, mas ainda se sentia desconfortável ao pensar em passar algum tempo com ele fora da proteção de seu quarto cheio de pôsteres de Star Wars e coisas fofas.

E ainda tinha Remus Lupin e, por mais que James tivesse dito que ele havia melhorado, ainda assim sentia um rebuliço no estômago só de imaginar que ele estaria lá, próximo o suficiente para lançar aquele olhar cheio de ódio sobre ela novamente.

— Acho que eram essas. — Seu pai disse quando, por fim, terminaram de carregar as sacolas. — Onde está Tuney, Lily? — Voltou-se para ela, encarando-a com expectativa.

Lily franziu o cenho, sentindo-se apreensiva.

— Eu pensei que ela pudesse estar com vocês. — Disse, sentindo a irritação para com a irmã tomá-la novamente.

Lily percebeu o olhar de desgosto que seus pais trocaram ao ouvirem aquilo, mas nenhum deles comentou qualquer coisa àquele respeito. Ela sabia o que eles estariam pensando, porque era exatamente o mesmo que ela: Petunia deveria ter ido atrás de Vernon. Céus, que coisa mais patética! Ela anotou mentalmente todos os xingamentos que usaria contra a irmã assim que ela pusesse os pés dentro de casa, caso ela tivesse mesmo feito aquilo.

— E aí, como foi a festa? — Helena indagou, suspirando enquanto sentava no sofá da sala. Indicou o lugar ao seu lado, para que Lily sentasse ali. E foi o que ela fez. — Se divertiu?

— Sim, mãe. Estava ótimo. — Ela respondeu, sentindo o nervosismo aumentar. Tudo o que não precisava era ter de ouvir sua mãe falar sobre a festa. Principalmente depois de ela ter atirado para Lily uma camisinha, como se estivesse preparando a filha para ir num cabaré e não em uma boate.

Francamente, que tipo de pessoa sua mãe pensava que ela era?

— E o Sirius? — A voz de Helena era cheia de subentendidos. Lily imediatamente ergueu-se do sofá.

— Mãe. — Ela reclamou, cruzando os braços sobre o peito. — Eu não tenho nada com o Sirius. Ele é apenas um amigo. Não comece a inventar coisas onde elas não existem. Deixa isso para os futuros pretendentes da Petunia.

— Futuros...? — Helena começou a perguntar, mas então parou, arregalando os olhos e soltando uma exclamação. — Ela terminou com o Vernon? — Perguntou, imediatamente erguendo-se do sofá e segurando Lily pelos ombros. — Eles terminaram?

— Eu... ah... — Lily sentiu as bochechas esquentarem ao perceber o que havia feito. Por Vader, ela pensara, pela expressão dos pais, que eles já soubessem do ocorrido. Jamais havia passado pela mente dela que Petunia poderia não ter contado para eles.

Imediatamente sentiu-se idiota. É claro que ela não iria contar para os pais,afinal se eles soubessem daquilo provavelmente chamariam um exército de meninos no dia seguinte para entrevistas e encontros com ela. Céus, Tuney iria matá-la!

— Oh meu Deus! — Helena a soltou, percebendo a verdade na expressão emudecida de Lily, e praticamente correu até a cozinha. — Edward! Petunia terminou com o Vernon!

— O quê? — A pergunta de Edward Evans era cheia de felicidade, como se não pudesse acreditar na própria sorte. Gemendo e imaginando que seu funeral não deveria estar muito longe, Lily subiu as escadas, voltando para seu quarto.

Caminhou até a janela, puxando levemente a cortina para que pudesse ver o lado de fora. O quarto azul estava com as luzes desligadas, fazendo com que Lily imaginasse o que os garotos deveriam estar fazendo? O jantar? Bem, os Marauders não pareciam ser do tipo culinários, embora ela soubesse que James gostasse de fazer algumas loucuras na cozinha às vezes. Lembrava muito bem dos Snaps em que ele quase explodira a cozinha da casa da mãe tentando fazer uma lasanha. Pensar naquilo fez com que Lily desse um sorriso, uma bolha de felicidade brotando em seu peito, fazendo com que ela saltitasse pelo quarto como uma total e completa retardada mental.

— Meu Vader! Fui convidada para jantar na casa de James Potter! — Ela disse enquanto pulava, sentindo-se como uma garotinha de cinco anos que havia acabado de conhecer a Disney. — Pela força, James Potter tomou café comigo!

Atirou-se sobre a cama, imaginando que, se ela não estivesse tão nervosa, com tanta dor de cabeça e tão frustrada, aquele seria o melhor dia de sua vida. Mas tudo em que conseguia pensar era que alguma coisa iria dar errado, pois não havia nenhuma maneira de aquilo estar acontecendo com ela sem um preço alto.

Talvez ela tivesse vendido sua alma para o Crowley e ele, ao invés de vir buscar sua alma, estava dando a ela muito azar em compensação.

— Lily. — Assustou-se ao ouvir sua mãe chamar, percebendo que havia caído no sono sem querer. — Está dormindo?

— Oi, mãe... — Lily espreguiçou-se, erguendo-se em seus braços e sentindo-se feliz ao constatar que não estava mais zonza ou com dor. Ao que parecia, o sono havia ajudado bastante em sua recuperação. — O que foi?

— Vamos jantar na casa da sua avó. Você vem? — Indagou. — Daqui a pouco estamos saindo.

Sentindo apreensão, Lily imediatamente puxou o celular, destravando-o para ver o horário. De um pulo da cama ao ver que eram quase sete horas da noite.

— Nossa, quanta disposição. — Helena comentou, divertida, observando a filha desequilibrar-se perto da cama.

— Eu não vou ir com vocês. — Lily correu até o guarda-roupa, pegando uma calça jeans rasgada e uma camiseta larguinha com os dizeres "Protected by Castiel" e correu em direção ao banheiro.

— Se não vai com a gente, vai ir aonde com toda essa pressa? — Helena encaminhou-se para o banheiro para observar Lily trocar de roupa.

— Mãe! Um pouco de privacidade seria ótimo! — Ela reclamou, sentindo-se exposta ao ser examinada atentamente por uma Helena Evans muito observadora.

— Eu te dei a vida, te vi sem roupa metade da sua infância. Faça-me o favor, Lily Evans. — Cruzou os braços, esperando uma resposta.

Virando de costas para trocar de blusa, Lily suspirou, pensando que o melhor seria dar a resposta que ela queria ouvir, assim não seria mais incomodada.

— Vou jantar com o Sirius e os meninos na casa do James. — Ela murmurou, monótona. Ao terminar de vestir-se, voltou-se para encarar a mãe e deparou-se com um sorrisinho divertido.

— Ah, bem, bom jantar então. — E abriu ainda mais o sorriso. — Quando vai trazer o Sirius para jantar aqui em casa?

— Eu não... — Respirou fundo, procurando paciência no fundo de sua alma para não acabar dizendo para sua mãe que ela não fazia ideia de quando iria levar Sirius ou qualquer outro garoto para jantar na sua casa, pelo simples fato de não saber se gostava de garotos. — Qualquer dia desses, mãe. — Disse, sem sentir um pingo de culpa por mentir.

— Oh, que maravilha! — E, praticamente saltitando, Helena deu as costas, apressando-se para fora do quarto. Lily gemeu. Teria de conversar com os pais logo, antes que eles acabassem fazendo o mesmo que faziam com Petunia e tentassem jogar meninos sobre ela.

Ela, definitivamente, não precisava de mais nenhum pretendente, principalmente porque já tinha problemas demais na sua vida para lidar com qualquer tipo de relacionamento.

Terminando de se arrumar, tendo prendido os cabelos numa trança levemente bagunçada, Lily saiu do quarto, descendo as escadas rapidamente. Seus pais estavam saindo de casa e ela os acompanhou até o lado de fora, observando-os se afastarem de carro.

Petunia ainda não havia chegado.

Estava pensando que talvez devesse ligar para a irmã antes de sair de casa... olhou para o celular novamente, percebendo que já eram sete e quinze.

E então se deu conta de que James não havia estipulado um horário para o jantar. Nervosa, conteve o impulso de roer as próprias unhas. Será que estava atrasada? Ou será que era cedo demais para ir até lá?

Estava totalmente perdida em pensamentos quando o ouviu.

— Lily?

Erguendo os olhos, xingando-se por ser tão distraída e acabar sempre se deixando devanear, deparou-se com Severus Snape.

E percebeu que ali, no portão de sua casa, se encontrava a prova de que o azar dela deveria ser estudado como uma das maiores catástrofes existentes no universo.

Indecisa sobre o que fazer, se deveria ir até lá e abrir o portão para ele ou simplesmente ignorá-lo e voltar para dentro de casa, Lily enrijeceu.

— Lily, podemos conversar, por favor? — Ele chamou-a novamente, fazendo com que ela bufasse antes de começar a ir até o portão. Abriu-o, mas não deu espaço para que o garoto entrasse, apenas encarando-o, parada, imaginando o que o teria levado ali. Snape pareceu perceber que ela não daria início a nenhuma conversa, pois dado alguns minutos silenciosos, começou a falar: — Eu vim... conversar com você.

Isso eu percebi. — Ela disse, sem conseguir controlar a pontada de irritação que transparecia em sua voz. Não estava com paciência para Snape naquele dia. Na verdade, não estava com paciência para ele nunca.

— Eu queria me desculpar por não ter visto suas mensagens no Twitter. — Ele disse, parecendo sentir um gosto amargo ao pronunciar as palavras. Lily estreitou os olhos. — Acabei saindo da minha conta e, quando voltei já era de noite, você não estava mais online.

Ele terminou de falar, observando-a com a expressão neutra, embora um tom rosado cobrisse suas bochechas. Lily apenas encarou-o, imaginando se seria capaz de abrir a boca sem soltar fogo. Snape voltou a falar, inquieto diante da falta de reação dela.

— Ah... então, eu... o que você estava fazendo com o James Potter? — Indagou, parecendo aliviado ao deixar a pergunta escapar de sua boca. — O que você estava fazendo no Snapchat dele, Lily? Eu baixei o aplicativo para ver com meus próprios olhos e você estava ajudando ele a gravar! Por que deixou ele te gravar? E como você conhece ele?

Lily soltou uma risadinha debochada que fez com que ele a encarasse, confuso.

— Ah, então aí está o motivo pelo qual você veio até aqui hoje. — Ela disse, desencostando-se do portão e saindo para a calçada. Rolou os olhos para Snape. — Você nem sequer finge se sentir culpado, Snape. Você não sente muito por não ter me respondido antes. E eu tenho quase certeza de que você deixou de fazer isso porque não quis e não porque não estava em casa.

— Lily! O que você está dizendo é ridículo e-

— Ridículo é você se deslocar até aqui só para bisbilhotar a minha vida, indagar sobre o que eu faço ou deixo de fazer. Você jamais teria vindo até aqui se desculpar por não "ter me respondido" se isso não estivesse envolvendo James Potter.

As bochechas de Snape ficaram ainda mais vermelhas. Ele cerrou os punhos, irritado.

— Isso não é verdade! Lily, eu me importo com você, não quis fazer...

Quis sim, Snape! Eu sei muito bem que você vive com o 3G ligado, porque sempre está compartilhando aquele bando de porcaria no Facebook. E, caso você não lembre, você estava no Facebook menos de uma hora depois de eu te mandar aquelas mensagens. Se você quisesse, poderiamuito bem ter me respondido. Mas você não fez, provavelmente porque estava com o orgulho ferido, ou seja lá do que você chama essa sua implicância com todas as pessoas que tem talento em alguma coisa que você não tem. Você se importa tanto com o que os outros fazem ou deixam de fazer que não se dá ao trabalho de ver as merdas que você está fazendo ao compactuar com toda essa porcaria de política na qual está envolvido. Sério, Snape, eu estou cansada de você. E cansada dessa sua insistência em se meter na minha vida, coisa que você não tem direito há muito tempo. Na verdade, você nunca teve esse direito. Está na hora de entender isso. — Lily respirou fundo, sentindo-se tremer de raiva. Ela sabia que estava sendo, em partes, injusta com ele. Toda aquela raiva não era direcionada apenas para Snape, mas também por causa de sua frustração e confusão, todo o nervosismo que sentia. E, infelizmente, era Snape quem estava ali na frente dela e coubera a ele ter de ouvi-la explodir.

O garoto também não parecia muito feliz.

— Eu não tenho implicância com o James Potter por causa do talento dele!Aliás, que talento? — Snape bufou, irritado, jogando as mãos para cima em protesto. — A única implicância que tenho com pessoas como ele é por causa dos conteúdos totalmente fúteis que divulgam em seus canais, fazendo com que pessoas inteligentes como você acabem ficando alienadas! Você poderia usar sua cabeça para coisas maiores, Lily, coisas que realmente vão fazer a diferença...

— Como o quê, por exemplo? Apoiar o Voldemort nas eleições? Aceitar a proposta totalmente xenofóbica e fascista dele? Sério, Snape? Devo me tornar militante à essa causa? Sair por aí distribuindo panfletos e compartilhando coisas na internet sem tirar a bunda da minha cadeira, sem fazer nada para melhorar o lugar onde vivemos, reclamando dos que fazem e por quê? Para quê? Não, obrigada, eu prefiro usar a minha inteligência com youtubers alienadores, como você mesmo disse. Pelo menos eles estão fazendo alguma coisa da vida deles além de falar mal dos outros.

— Você não pode...

Eu não posso? EU não posso? — Lily riu novamente, totalmente desestabilizada. Ali estava ela, exatamente como anos atrás, tentando enfiar alguma razão na cabeça daquele garoto e falhando miseravelmente. — Eu posso e vou fazer o que eu bem entender! Você não tem direito nenhum sobre mim ou sobre o que eu faço. Entenda isso, Snape! Te falei isso anos atrás, quando você ficou cego com todas essas porcarias, mas, como sempre, você não me ouviu! Quer mesmo saber, Snape? Estou farta de você! Cansada de te ver sempre do mesmo jeito, sem nunca amadurecer!

Snape parecia alguém que havia levado um tapa na cara, pois encarava Lily com os olhos cheios do que parecia mágoa. Ela não conseguiu se importar. Estava exausta.

O garoto cruzou os braços sobre o peito, olhando para o chão.

— Você também não... — Snape começou a falar, mas foi interrompido antes que pudesse terminar.

— Lily?

Com um aperto enorme no coração, Lily virou-se para encarar James Potter que se aproximava lentamente, curiosidade e apreensão estavam estampados em seus olhos.

— Está tudo bem? — Ele voltou a perguntar, olhando dela para Snape e, ao olhar para o último, arregalando os olhos, surpreso.

— Sim...

— Ah. — Snape murmurou e parecia abismado. Lançou um olhar raivoso para James antes de voltar-se para Lily. — Como isso...?

— Acho que acabei de deixar bastante claro que o que eu faço ou o que deixo de fazer não é da sua conta, Snape. — Lily praticamente cuspiu, sentindo-se trêmula.

Ah, Vader, aquilo era tudo de que precisava, francamente! James Potter em frente ao seu maior hater, Severus Snape. Era pedir muito que Snape não acabasse falando demais e estragasse ainda mais a noite dela.

— Ele está te incomodando, Lily? — James, parecendo estar gostando mais daquela cena do que seria aconselhável, prostrou-se ao seu lado. Ela ficou dividida com aquela ação, por um lado sentindo-se agradecida pela preocupação do garoto e, por outro, xingando-o por tornar as coisas com Snape ainda mais difíceis.

Snape parecia ter sofrido a maior traição de toda sua vida.

— Isso não é da sua conta, Potter.

— Ah, você me conhece! — James riu, inclinando a cabeça para Snape. — Desculpe, amigão, mas estou falando com a Lily aqui.

— Está... tudo bem, James. — Ela respondeu, embora tivesse precisado segurar um sorriso em resposta ao dele. Céus, ele parecia ainda mais bonito do que quando estavam tomando café naquela tarde.

Mais uma vez, lembrar daquilo fez com que ela corasse. Snape não deixou passar despercebido.

— Bem, não vou incomodar o casal. — Snape praticamente cuspiu, arqueando a sobrancelha para Lily, agindo como se fosse superior. — Pensei que você fosse melhor do que isso. — Disse.

Lily abriu a boca para responder, mas James foi mais rápido.

— Melhor? E você esperava que ela fizesse o quê? Escolhesse você? — A expressão de James era de uma incredulidade divertida.

Snape abriu e fechou a boca várias vezes, voltando-se para Lily como se esperasse que ela negasse a afirmação de que os dois eram um casal, mas como ela não o fez, deu as costas.

— Tchau, Lily.

— Tchau, snapeseverus! — James praticamente gritou, fazendo Snape paralisar onde estava. — Vê se tuita mais vezes! Estou com saudades dos seus xingamentos.

Lily podia ver os punhos cerrados de Snape e quase podia ler a mente do garoto trabalhar: a vontade de voltar e dar um murro em James ou de ir embora, pois sabia que acabaria perdendo a briga. Por fim, a sensatez venceu e ele foi embora, parecendo muito contrariado. Lançou um último olhar zangado na direção da Lily.

— Ugh, ele parece estar furioso. Acho que não vai te incomodar por um bom tempo. — James comentou, interrompendo o silêncio que havia recaído sobre eles.

— Eu sinceramente espero que sim. — Lily disse e suspirou. E então sentiu o rosto ferver. — Você sabe o user dele?

James, que parecia extremamente descontraído, como se tivesse acabado de vivenciar uma das cenas mais hilárias de sua vida, sorriu para ela.

— Eu tenho uma listinha de haters, Lily, mas o snapeseverus ali é um dos meus favoritos. Adoro vê-lo argumentar. Sirius tem uma queda por ele, sabe, vivem brigando. É sempre épico. — E, dizendo aquilo, passou as mãos pelos cabelos. Lily acompanhou o movimento sentindo algo quente mexer em seu estômago. Pela força, Lily, controle-se.— Adorei a camiseta, aliás. — James disse, indicando a blusa dela. Lily, é claro, corou ainda mais. — Fã de Supernatural?

— Você não faz ideia do quanto. — Ela respondeu, recebendo um sorriso ainda maior em resposta. Lily retribuiu.

— Estava saindo? —James perguntou, franzindo o cenho.

— Na verdade estava acompanhando meus pais até a frente quando o Snape chegou. — Ela suspirou. — Ele sempre consegue estragar o meu dia.

— Sorte que já é noite então, hm? — O garoto disse, piscando para ela. Lily teve certeza de que um suspiro audível escapou de seus lábios. Esperava que James não tivesse percebido, embora o garoto estivesse próximo demais para que tivesse tal sorte. — Então, está pronta para o jantar?

Mais uma vez, Lily tremeu.

— É... — Disse, tentando transmitir a confiança que não sentia.

— Ótimo! Vamos lá.


— Hm, então, Lily, o que você faz da vida? — Remus Lupin perguntou no momento em que James e Sirius saíram da sala, deixando-os à sós enquanto "esquentavam as pizzas". Lily tinha a nítida sensação de que o que os garotos estavam fazendo na verdade era deixá-los a sós para que Lupin pudesse comê-la viva.

Eles estavam sentados em grandes e confortáveis poltronas na sala de estar de James, que mais parecia uma mistura de minibar e fliperama, cheio de videogames, uma TV do tamanho do mundo, uma mesa de sinuca, vários pufes confortáveis onde Lily poderia dormir facilmente e muitos, muitos livros numa estante do tamanho da parede. Lily sentiu uma imensa vontade de ir até lá e observar a coleção de James, imaginando se ele leria as mesmas coisas que ela. Infelizmente não podia fazer aquilo, pois estava sentada, sentindo-se totalmente deslocada enquanto Remus Lupin estava fazendo o mesmo, sentado na poltrona à sua frente.

O garoto parecia ansioso, como se estivesse forçando a simpatia para melhorar sua imagem depois do último encontro. Lily sentia as mãos suarem.

— Eu trabalho três vezes por semana, às vezes mais, na Movie-Maker, uma loja que vende Discos, CD's e essas coisas. — Respondeu, sentindo as bochechas esquentarem.

Remus assentiu, parecendo interessado.

— Discos antigos? Sério? — Ela assentiu. — Que máximo! Você deve ouvir bastante coisa boa.

— Na verdade, sim. — Ela concordou, sorrindo, nervosa. — Mas tem muita coisa péssima por lá também. O bom é que tem muita banda boa e desconhecida que eu acabo amando por arrumar as prateleiras. É ótimo.

— Imagino que sim. E você só faz isso? — Ele perguntou. — Está de férias agora?

— Sim. Na verdade, essas são minhas últimas férias antes de ingressar na vida de universitária. — Lily meneou a cabeça. — Estou tentando colocar as séries em dia antes que elas comecem. Não sei se vou ter muito tempo depois.

Remus sorriu, ajeitando-se na poltrona onde estava sentado.

— E você vai cursar o quê? É em Hogwarts?

— Sim, eu fui aprovada em Hogwarts. Vou cursar Engenharia da Computação. — Ela falou e observou a expressão do menino mudar de curiosidade para surpresa. Remus a encarou, perscrutando-a.

— Por quê?

— Bem... eu passo a maior parte da minha vida em frente ao computador, seja em redes sociais, seja no trabalho, seja para passar o tempo. E eu sempre gostei muito de saber como as coisas funcionam... na verdade eu até fazia alguns programas e trabalhei numa loja de informática por um tempo. Achei que seria legal transformar meu hobby em profissão. — Algo que Lily não conseguiu identificar brilhou nos olhos do garoto.

— Isso é muito inteligente. Às vezes as pessoas preferem fazer algo que venha a ser rentável ao invés de fazer algo de que elas realmente gostem e no final sempre acabam se arrependendo.

— É... — Lily suspirou. — Quero fazer algo de que eu realmente goste, sabe? Por Vader, não quero passar a vida inteira sem saber o que fazer. Eu já faço isso todos os dias desde que nasci. — E, é claro, ela deveria deixar uma coisa como aquelas escapar.

Aqueles meninos definitivamente tinham alguma coisa mágica neles, porque não era possível que ela falasse aquelas coisas sem o menor filtro.

Remus, é claro, riu.

Mas, para surpresa de Lily, não foi um sorriso contido ou falso como teria esperado no início da conversa. Não, foi natural. Ele realmente se divertira com o que ela dissera.

— Sirius disse que você gosta de Star Wars. — Remus acrescentou após parar de rir.

Gostar está muito abaixo do meu sentimento por Star Wars. O que eu sinto é-

— Uma obsessão. O quarto dela está cheio de pôsteres para todos os lados. Você dá um passo e, opa, isso daqui é não-sei-o-quê de Star Wars? Sem falar que a cada dez palavras que ela fala, pelo menos oito são citações de Vader, Força ou alguma outra criatura de Star Wars. — Sirius, que adentrava a sala com uma forma de pizza na mão, sorriu para os dois. — Especialidade da casa.

— O quê? Pizza pronta? — Remus disse, embora sorrisse. Ele parecia muito mais relaxado do que no outro dia, quando Lily o vira pela primeira vez. Imaginou o que poderia ter acontecido para causar aquilo. Sirius disse que resolveria, então só podia imaginar que o garoto teria dito alguma coisa. Mas o quê? A curiosidade era quase incontrolável e ela lançou um olhar bastante sugestivo para Sirius.

"Que-mágica-é-essa?" Ela estava perguntando mentalmente para o garoto que prontamente respondeu com um olhar do tipo "Depois-eu-te-conto"e em seguida um que parecia demais com " Eu-sei-que-sou-maravilhoso".

Lily rolou os olhos.

— Não é nossa melhor obra culinária, Lily, porém fizemos com muito carinho. — James disse, piscando para ela, enquanto sentava numa das poltronas em diagonal à onde ela estava. Sirius sentou ao seu lado.

— É, se você conhecesse o domde James na cozinha, estaria agradecida agora por ele não ter tentado fazer nada mais inventivo. — Remus estremeceu de forma teatral, fazendo com que Lily risse.

Então eles começaram a comer, Lily sentindo-se extremamente apreensiva no início, o constrangimento de ter de mastigar em frente àqueles três garotos parecia ser demais para que ela pudesse aguentar, mas, com o passar dos minutos, ela estava rindo deles, com eles, ouvindo suas histórias jamais contadas em nenhum vídeo de YouTube que ela tivesse visto, deixando-a ainda mais cativada por eles do que pensou ser possível.

Estavam comentando sobre Peter e o fato de ele estar no Brasil quando o notebook de James apitou, indicando que havia uma conversa pendente no Skype.

Ele levou o notebook até onde estavam sentados, aproveitando-se do fato de Sirius ter ido ao banheiro para ocupar a poltrona ao lado de Lily, e então aceitou a chamada.

Lily precisou segurar uma exclamação ao ver que era nada menos que Peter Pettigrew, o Wormtail do The Marauders. De todos eles, Peter era o que Lily menos acompanhava, embora se divertisse bastante com seus vídeos. Peter comentava sobre esportes em seu canal – diferente de James que fazia vlogs e tags, Remus que falava sobre nerdices e Sirius que, bem... Era multiuso.

Através da tela Lily conseguiu perceber que o garoto estava mais bronzeado que o normal e, não pela primeira vez, se perguntou o que ele poderia estar fazendo no Brasil.

Hey, Jay! — Peter cumprimentou-o, sorridente. — Onde estão os meninos?

James sorriu, acenando para ele.

— Estamos todos aqui, Worm. — James disse, enquanto Remus e Sirius se aproximavam, empoleirando-se perto da poltrona dele.

— Ah e temos companhia hoje. — Sirius disse, sorrindo de forma malévola ao voltar-se para Lily.

Quem? — Peter indagou, parecendo interessado.

James virou o notebook de frente para Lily, de forma que a câmera estivesse voltada para ela. Imediatamente, ela sentiu o sangue afluir para seu rosto, tingindo-a de um vermelho vivo.

Oh, a ruiva do snap! — Peter disse, parecendo surpreso e divertido ao mesmo tempo. Mais uma vez, Lily precisou conter uma exclamação ao perceber que o garoto também a conhecia. — E aí, Lily, tudo bem? Sou o Peter. O bom moço entre esses panacas aí.

Lily sorriu, embora ainda se sentisse extremamente constrangida.

— Oi, Peter! — Ela cumprimentou-o, acenando levemente embora tudo o que mais quisesse era se enterrar para que ninguém nunca mais a encontrasse.

James voltou a puxar o notebook, embora não tivesse virado totalmente para si, de modo que Lily ainda estivesse no campo de visão de Peter. Ela podia ver que o garoto estava louco para comentar alguma coisa, mas parecia estar se segurando porque ela estava ali.

Caras, estou ligando rapidinho para avisar que não vou conseguir fazer videoconferência para o Hangout de hoje com vocês. Está caindo o mundo lá fora e a internet está péssima. Fazem umas duas horas que estou esperando ela voltar para chamá-los. — Peter parecia realmente chateado com aquilo. — A boa notícia é que conseguirei estar aí para sua festa, Jay! — Sorriu. — Vou chegar em cima da hora, mas vocês vão conseguir me aproveitar por vários dias antes de eu voltar.

— Isso é ótimo, Worm! — Remus comentou, parecendo realmente satisfeito. — Parece que faz muito tempo desde que você foi para aí. Espero que esteja se divertindo.

— Muito trabalho por aí ou é só vida boa e água de coco? — Sirius adicionou, sorridente. Lily apreciou a vista, sorrindo ao perceber a amizade entre os quatro. Enquanto conversavam, ela observava o quanto se importavam uns com os outros, apesar das brincadeiras estúpidas e dos xingamentos.

Ficou feliz ao perceber que o que eles demonstravam no canal do The Marauders era mais verdadeiro fora das telas. Eles não falavam aquelas piadinhas internas nos vídeos, embora não se importassem em explicar e incluí-la na conversa, nunca a deixando de lado. Eles eram amigos de verdade e ela tinha certeza de que, fora Marley e Alice, jamais tinha visto algo como aquilo antes.

Bem, foi um prazer falar com vocês...

— Eu sei. — Sirius adicionou, fazendo com que todos, incluindo Lily, rolassem os olhos. — Ei, ruiva, você é nova por aqui, não pode fazer isso para mim.

Não dê bola para ele, Lily. Sirius é insuportável e não consegue entender porque as pessoas não vivem lambendo os pés dele. — Peter disse, piscando para ela. — Agora eu vou indo lá, pessoas. Em breve entro em contato. No Hangout, digam para as Marauders que estou com saudades.

— Tchau, Worm. — Os três garotos disseram enquanto Lily acenava.

James fechou o notebook, ainda sorrindo.

— Bem, teremos de fazer o hangoutsó nós três. — Ele disse, passando as mãos pelos cabelos e suspirando. — Acho que poderíamos gravar aqui na sala, né? No sofá grande. — Acrescentou, apontando para um grande sofá de couro preto que ficava perto da prateleira.

— Acho uma ótima ideia. A iluminação dali vai ficar ótima, só temos de ajustar os Softboxes para não acabar estourando nos livros. — Remus comentou, desencostando-se da poltrona de James e caminhando para perto da estante. — Vou pegar as coisas e a câmera.

— Espera aí, eu ajudo. — Sirius disse, indo até onde Remus o esperava e então ambos subiram as escadas, falando sobre lâmpadas e outros objetos esquisitos que deveriam trazer para começarem com as gravações.

Lily se mexeu, subitamente consciente da presença de James ali, ao seu lado, tentando achar uma posição confortável na poltrona.

— Tudo bem, Lily? — James questionou, encarando-a preocupado. Ela sorriu para ele, assentindo.

— Tudo sim, James, mas acho que, como vocês vão gravar, vou indo para casa. — Ela disse, e se ergueu de onde estava sentada. — Não quero atrapalhar.

James pareceu surpreso com a atitude dela, erguendo-se de modo a ficar em frente a Lily.

— Ah, não, Lily, fica. — Ele disse, encarando-a com os olhos derretidos, como mel. Lily precisou piscar várias vezes até conseguir enxergar qualquer outra coisa que não fosse ele. E mais do que alguns segundos até lembrar como fazia para respirar. — Você pode nos ajudar, vai ser legal! A gente sempre se diverte bastante gravando Hangout.

— Eu... — Ela começou a protestar, mas Remus e Sirius estavam de volta, cheios de coisas nas mãos e sorrisos no rosto. Lily arqueou uma sobrancelha para Sirius, em indagação, mas ele simplesmente deu de ombros. A vontade que ela sentia de conversar com ele aumentava a cada segundo.

Por Vader, ela queria dizer para ele o que havia acontecido na noite anterior, como se sentira ao beijar Emmeline, quais suas reações. Queria saber o que ele pensava sobre aquilo, se ele entendia. Mas sabia que não conseguiria ter aquele tipo de conversa ali, na casa de James, portanto anotou mentalmente que, assim que tivesse um segundo perto dele, pediria para que ele invadisse seu quarto para que pudessem conversar.

Não adiantaria nada falar com Marlene ou Alice, nenhuma das duas tinham passado por situações parecidas, o que as deixavam, em partes, inaptas para aconselhá-la.

Os três garotos começaram a organizar os Softboxes em frente ao sofá, testando a câmera e a iluminação. Antes que Lily pudesse sair dali, Sirius a puxou para a frente da Softbox, aumentando e diminuindo a luz e pedindo para ela dizer se estava muito forte enquanto James e Remus ajustavam a câmera ultra-mega-hiper-atual que, para Lily, mais parecia um transformer, com todos aqueles botões e Full HD, capaz de enxergar até mesmo sua alma.

Ela estava se sentindo zonza, toda aquela luz, risadas – muitas das quais eram dela – e conversa, deixaram-na atordoada, o que fez com que ela demorasse mais do que o habitual para entender o que estava acontecendo.

James sentou-se em seu lado direito enquanto que Sirius prostrava-se à sua esquerda com Remus do lado. James pegou o notebook no colo, conectando a câmera via USB e então voltou-se para ela, esperançoso.

— Ei, espera aí! — Lily reclamou, finalmente entendendo o que eles estavam fazendo. — Eu não vou aparecer nisso daí. — Ela reclamou, mas não conseguiu se erguer, pois Sirius muito confortavelmente tinha colocado um braço sobre seus ombros, empurrando-a para baixo.

— Qual é, Lily, nós estamos sem o Peter. Não custa nada, vai. — Sirius disse, sorrindo docemente para ela. Mas ela não cairia naquela conversa. Conhecia Sirius Black bem demais para saber que ele estava tramando alguma coisa maligna.

— Não. — Ela reclamou novamente, convicta. — Vocês têm noção do quanto os últimos dias foram terríveis para mim? Depois que você publicou aquele snap — ela apontou para James, fazendo com que ele parecesse culpado. — Eu não consegui ir ao shopping com a minha irmã sem ter trilhões de fãs seus caindo em cima de mim para perguntar sobre você. Imagina um hangout? Não vou conseguir sair no portão de casa sem que uma das fãs de vocês me barre. Não, obrigada.

— Você pode usar uma máscara do Stormtrooper. O Remus tem várias, pode te emprestar uma. — Sirius prosseguiu, sem parecer nada afetado com o fato de ela ter sido assediada pelas fãs dele.

Lily rolou os olhos para o garoto.

— Sirius, não.

— Lily, por favor, o pessoal ficou louco por você nas redes. Todos querem saber quem você é e estão te agradecendo por me ajudar a gravar o último vídeo. Seria legal se você desse um oi para eles. — James disse, muito mais delicado do que Sirius, mas tão perigoso quanto. Ela estreitou os olhos.

— Você pode agradecer por mim, eu deixo. — Resmungou.

— Tudo bem, meninos, deixem-na. — Remus interrompeu-os, fazendo com que Lily suspirasse, aliviada. Estava prestes a agradecer o menino quando viu a expressão no rosto dele: era maquiavélica. — Não tem problemas se gravarmos o primeiro hangout do canal do The Marauders sem um quarto integrante. Nós nunca fizemos isso antes, mas agora sem o Peter e qualquer outra pessoa que possa nos ajudar, acho que teremos de aceitar que nosso ritual vai ser rompido. Lily não compreende a importância disso para nós, então não forcem a menina. Ela não tem culpa que nos importemos demais com esses vídeos. Só espero que nossas fãs compreendam que hoje estaremos desfalcados e não reclamem disso. Nós sempre tivemos um quarto integrante. Acho que podemos usar a Odette... — Remus parecia um cachorro abandonado, encarando-a como se ela fosse a última esperança da vida dele.

Foi a vez de Lily odiá-lo.

— Vocês são as piores pessoas que eu conheço. — Ela reclamou, mas os sorrisos nos rostos dos garotos deixavam claro que eles sabiam que haviam vencido. — Ótimo, eu vou gravar essa porcaria.

Hangout, Lily. Porcaria é aquilo que você gosta de escrever nas horas livres. — Sirius sussurrou baixinho, de modo que somente ela escutasse, mas o suficiente para que seu sangue gelasse.

Estava começando a compreender o significado do Marauders.


— E aí... — Sirius estava chorando de tanto rir, segurando a barriga como se ela estivesse quase explodindo. James e Remus não estavam muito diferentes. Lily sentia uma imensa vontade de estar morta. — Estávamos nos aproximando, procurando a Odette, preocupados porque o James tinha se descuidado dela por segundos e ela conseguiu arrebentar a guia e fugir... — Riu mais um pouco. — Quando a gente chegou onde ela estava...

— Eu quase tive um ataque cardíaco. — James disse, ofegante, uma lágrima escorrendo de seus olhos. — Quando vi o grande labrador em cima dela fazendo coisas.

— E aí, a Lily apareceu e tentou desesperadamente tirar o cachorro dela de cima da Odette, só que eles não se desgrudavam...

— Eles estavam bastante focados em aproveitar o momento. — Lily comentou, fazendo com que James e Sirius uivassem de tanto rir. Ela rolou os olhos, embora também estivesse rindo.

— E então ela gritou... "PADFOOT" para o cachorro. — James disse, por fim, a voz trêmula de riso. — Eu não prestei muita atenção no momento, porque estava realmente preocupado...

— É, eu lembro. — Lily murmurou, lembrando de como se sentira péssima ao ver o olhar de raiva perpassar os olhos de James.

O garoto voltou-se para ela, muito mais sério do que segundos atrás, colocou uma mão em seu ombro e disse:

— Me desculpe por isso, Lily. Eu fui péssimo.

— Nah, tudo bem... você estava preocupado com a Odette. Talvez eu fizesse pior se fosse a minha cadela. — Lily sorriu para ele, recebendo outro sorriso em resposta. Eles ficaram se encarando por alguns segundos, até que Sirius gargalhou novamente, fazendo com que ambos baixassem os olhos, desviando o olhar.

Lily sentiu as bochechas pegarem fogo.

— Eu quase tive um troço ao ouvir ela chamando o cachorro daquele jeito. — Sirius disse, por fim.

— Eu acho que teria morrido de tanto rir. Principalmente da cara do James. Quando ele fica irritado faz umas expressões ótimas. — Remus comentou, se divertindo demais com a história. Esticou-se para o notebook, descendo para ver os comentários. Havia vários de "KKKKKKKKKKKKKKK TO MORRENDO" ou "HAHAHAHAHAH MEU DEUS QUE HISTÓRIA, PARECE FILME" dentre outros, muito parecidos. O garoto achou uma pergunta que o interessou e voltou-se para Lily. — Qual foi a sua sensação ao perceber que tinha chamado o seu cachorro de Padfoot na frente do Pads original?

Fazia quase uma hora que eles estavam ali, gravando, respondendo perguntas ao vivo dos fãs enlouquecidos que nunca paravam de indagar. Lily havia ficado impressionada com a criatividade das pessoas, mas então lembrou-se que, apenas alguns dias atrás, ela era uma daquelas que ficava mandando perguntas esperando pela sorte de ser respondida.

Estava bastante surpresa, também, com o fato de estar gostando daquilo. Havia pensado que as fãs dos Marauders iriam odiá-la por estar ali, "tomando" o lugar delas, mas, incrivelmente, muitas delas sentiam-se representadas por terem uma fã – do Padfoot, pois ninguém sabia qual a extensão da loucura dela pelos Marauders (e Lily esperava secretamente que nunca descobrissem) – gravando com eles.

— Eu quis morrer, na verdade. — Lily disse, sentindo a sinceridade em suas palavras. Todos os sentimentos desesperadores daquele momento sobrevieram sua mente. — Fiquei me sentindo péssima por causa da Odette, imaginando que, pela reação do James, algo realmente grave pudesse ter acontecido. E então tinha o Sirius... — Ela resmungou, suspirando. — Ele foi insuportável, me encarando como se tivesse acabado de descobrir o meu maior segredo.

— Não deixa de ser verdade, ruiva. — Sirius piscou para ela, fazendo com que Lily tivesse vontade de bater na cara dele.

— De qualquer forma, Lana Del Rey e sua vontade de morrer me representaria muito bem naquele momento. Foi extremamente constrangedor e muito, muito, muito desagradável.

— Fiquei magoado agora. — Sirius brincou, fazendo-a rolar os olhos pelo que parecia ser a milésima vez naquela noite.

— Sirius consegue ser realmente intragável quando quer. — Remus comentou, concordando com a expressão de desgosto da Lily.

— Ei! Tem outra pergunta aqui: "A Ruiva do Snap e o James tem muita química! Eles estão namorando? TO SHIPPANDO JÁ". — Sirius leu em alto e bom som, fazendo com que Lily engasgasse e James ficasse extremamente corado.

— Não, não estamos. — James murmurou para a câmera.

— Não mesmo. — Lily complementou.

— Olha, muita gente ficou triste com isso e... ah, tem outro comentário aqui: "Sirius, você está maravilhoso". Eu sei, amor, sou maravilhoso sempre. — Sirius leu e então sorriu, afastando uma mecha de cabelo dos olhos.

James bufou para o amigo, pegando o notebook dele e procurando por perguntas aleatórias e interessantes. Eles ficaram naquilo por quase duas horas, rindo bastante e se constrangendo demais com as perguntas totalmente catastróficas dos followers. Lily estava começando a pegar o gosto pela coisa quando a catástrofe aconteceu.

— Olha, aqui tem outra pergunta. Hm... — Sirius estreitou os olhos para a tela, o sorriso morrendo em seus lábios. — "Remus, cadê a Mary? Vi vocês dois juntos algumas semanas atrás, estavam muito amorzinhos na London Eye. Shippando loucamente Remary!". — Sirius terminou a pergunta com os lábios contraídos. Lily podia ver o esforço que o garoto estava fazendo para não acabar falando alguma coisa errada, mas sua expressão estava entregando tudo. Remus estava totalmente corado, até mesmo suas orelhas estavam vermelhas e ele não parecia saber o que dizer. Lily deu uma cotovelada em James, indicando para ele que deveria fazer alguma coisa.

Ouviu-o sugar o ar quando o golpe bateu em seu estômago, mas o garoto pareceu compreender o que ela queria, pois imediatamente disse:

— Ah, gente, isso daí é uma pergunta muito pessoal, hm? — Brincou, inclinando-se para frente de modo a chamar a atenção para si. Ele começou a falar coisas aleatórias e divertidas, fazendo com que o ambiente se descontraísse. Pararam de responder perguntas, o que, para Lily, foi um alívio, mas podia sentir os músculos do braço de Sirius, que ainda estava em seus ombros, totalmente tensos.

Quando, por fim, eles terminaram o Hangout, dando tchau para os seguidores de forma bastante espalhafatosa, Sirius foi o primeiro a se levantar.

— Vou dormir. — Disse simplesmente.

— Sirius... — Remus começou a falar, mas o garoto já estava subindo as escadas. Imediatamente o clima tenso poluiu o ar, fazendo com que Lily sentisse o coração apertar.

Quis dar um tapa no Lupin, para ver se ele acordava para a vida. Ela sabia dos boatos sobre ele e a Mary Macdonald, mas nunca havia pensado que eram verdadeiros. Contudo, ao ver a expressão de Sirius ao ler a pergunta e o desconforto de Remus, imaginou que deveriam ser verdadeiros.

— Eu vou... conversar com ele. — Remus murmurou, também saindo em direção às escadas.

Pela segunda vez naquela noite, Lily ficou à sós com James. Ele parecia tão perturbado com tudo aquilo quanto ela. Antes, porém, que Lily pudesse falar qualquer coisa, o som de algo caindo reverberou pelo teto, de modo que ela e James se assustaram.

Em seguida, os gritos abafados começaram.

Lily ergueu-se imediatamente, imaginando o que estaria acontecendo, se Sirius e Remus estariam bem. James fez o mesmo, mas em seu rosto tinha uma expressão de fúria velada.

— Eu... — Lily começou a falar, mas ele a interrompeu.

— Espera aqui, Lily. — Ele disse, sem encará-la. — Vou resolver isso e já volto.

— Mas, James, eu acho que já vou indo, assim vocês...

Ele voltou-se para ela.

— Espere aqui, por favor. — Era a segunda vez que ele pedia para que ela ficasse.

Sem esperar a resposta dela, também subiu as escadas, deixando-a completamente sozinha enquanto ouvia as vozes alteradas no andar de cima, embora não pudesse distingui-las. Sentindo-se nervosa, puxou seu celular do bolso traseiro da calça, tendo se esquecido completamente de verificá-lo desde que dormira à tarde.

Observou algumas notificações provindas de suas redes sociais – já que ainda estava conectada ao wifi da sua casa – e cinco novas mensagens de texto.

Franzindo o cenho para aquilo, imaginando o que poderia ser, clicou sobre elas.

Era Emmeline.

Lily sentiu o coração acelerar.


Emme: Hey, Lily, tudo bem? Então, como você não tem wpp, decidi te mandar mensagem para perguntar como você está depois de ontem. Fiquei preocupada, você estava muito bêbada. Responde quando puder, beijos

Emme: Hey, Lily, você não respondeu a minha msg anterior, estou ficando preocupada. Responde, pfvr!

Emme: Encontrei a Alice e a Marlene no shopping, elas me disseram que você estava bem. Desculpa encher a sua caixa de mensagens assim, é que fiquei preocupada. Beijos

Emme: Lily, oi. Quando puder me responde, okay? Preciso mesmo falar com você. É importante.

Emme: Gostei muito de ontem, Lily, e espero que tenha sido tudo ok para você. Sei que foi sua primeira vez nessa coisa toda e eu não quero acabar te assustando nem ser precipitada demais. Só queria te dizer que eu gostei muito de sair com você. Foi diferente... e eu sei que estou falando demais e que estou parecendo ridícula. Só... responde, okay?


Sentindo a respiração sair aos trancos, Lily releu as mensagens, sem conseguir compreendê-las. O que estava acontecendo? Havia pensado que a noite anterior tinha sido apenas uma experiência, algo novo. Queria tentar se entender melhor. Pensara que Emmeline havia entendido aquilo, que ela não estava interessada em nenhum tipo de relacionamento. Pelo menos não até se conhecer melhor.

E então ali estavam aquelas mensagens. A garota estava tentando se comunicar com ela desde cedo, mas ela não vira e acabara deixando-a preocupada. Imaginou se estaria muito tarde para retribuir as mensagens, mas, antes que conseguisse digitar qualquer coisa, parou.

O que ela diria? Seria uma boa ideia responder a garota? Seria inteligente da sua parte dar continuidade àquilo, fosse lá o que aquilo fosse?

Era pedir demais que Emme esperasse as coisas se ajeitarem na cabeça de Lily antes de tomar qualquer atitude com relação à noite anterior? Ou será que ela não deveria esperar? Será que o certo a fazer era prosseguir com o que havia acontecido com Emmeline para que pudesse finalmente se descobrir?

Ou não era nada daquilo e ela estava ficando louca?

— Lily?

— Por Vader! — Ela exclamou, assustada, xingando o garoto que, pela terceira vez no mesmo dia, a havia assustado. — Você ainda vai me matar do coração, James.

Ele sorriu, embora ela pudesse perceber que ele não parecia muito feliz.

— Está tudo bem? — Ela perguntou, estendendo uma mão para tocá-lo no ombro. E então se deu conta do que estava fazendo e recolheu-a antes de encostar sobre ele.

— É só... sim. — Ele suspirou. — Eles sempre estão brigando. Ultimamente tem sido pior, mas uma hora as coisas vão se resolver. — Passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais. — Você foi ótima hoje, Lily! — James elogiou, piscando para ela. — Eu acho que já te falei, mas não custa repetir: você se daria muito bem no YouTube. É muito carismática.

Com as bochechas rosadas, Lily dispensou o elogio dele, lançando um rápido olhar para a tela de seu celular onde as mensagens de Emmeline continuavam sem respostas. Precisava pensar no que fazer e ficar perto de James Potter e dos outros dois marotos ciumentos não iria ajudá-la em nada.

— James, eu preciso ir. — Ela disse e talvez tenha parecido muito desesperada, porque ele estreitou os olhos, observando-a com atenção.

— Aconteceu alguma coisa? — Ele perguntou, nitidamente preocupado. — Você parece... nervosa.

— Não... quer dizer, sim... mas está tudo bem, eu... só preciso pensar. — Ela disse, sorrindo sem graça enquanto respirava fundo. — Muito obrigada pelo convite! Eu me diverti muito. — Completou.

James assentiu, embora não parecesse muito convencido com a resposta dela.

Ele a acompanhou até a frente, em um silêncio tenso. Lily estava se sentindo estranhamente culpada por não ter contado o motivo dela estar indo embora para James. Mas aquilo logo provou-se desnecessário quando seu celular vibrou e, daquela vez, não era apenas mensagem.

Emmeline estava ligando.

A foto da garota, tirada na noite anterior – em um momento bastante bêbado da noite – para ser colocada no contato, apareceu na tela do celular e Lily não conseguiu escondê-lo a tempo de tirar da vista de James.

Ele arqueou uma sobrancelha para Lily e um sorriso enviesado apareceu em seus lábios.

— Então você precisa pensar? — Ele disse, mas seu olhar era ilegível. Lily não sabia dizer se ele estava brincando ou falando sério.

— Ah... — Ela começou a falar, preparando-se para mentir, mas então parou, sabendo que de nada adiantaria esconder aquilo dele, afinal fora ela mesma que contara sobre toda a confusão e os motivos pelos quais havia beijado Emmeline na noite anterior. Suspirou. — Ela está me mandando mensagens desde cedo. Eu só fui ver agora. Ela quer conversar.

Eles pararam de caminhar, próximos ao portão e então James se apoiou contra a parede ao lado da abertura.

— Pensei que tivesse dito que não era nada sério. — Havia algo em seu tom de voz que fazia com que ela se sentisse culpada, como se houvesse feito algo errado. Mas ela não tinha feito nada errado, por Vader!

— E não é! — Ela bufou, afastando uma mecha solta de cabelo de seu rosto. — Pelo menos não era para ser! Eu pensei que tivesse sido clara, mas... — Franziu o cenho e suspirou. — Pela força, não entendo porque as coisas para mim tenham que ser tão complicadas! Nada é fácil. Argh! — Reclamou. — Eu só queria poder pensar mais sobre tudo antes de falar com ela sobre ontem. Quero dizer, eu não faço a menor ideia do que estou pensando, sabe?

James assentiu, ouvindo-a atentamente. Seu olhar ainda era ilegível. Lily estava começando a ficar nervosa com aquilo, sentindo-se inquieta diante de sua perscrutação.

— Não era para ela estar me mandando mensagens tão cedo! Eu pensei que tivéssemos concordado que seria só um teste! E agora ela está me procurando e eu não sei o que fazer, porque, sinceramente, eu não sei nem o que vou comer amanhã no almoço, que dirá saber o que fazer da minha vida e da minha sexualidade! — Respirando fortemente, Lily fechou os olhos. — Eu estou muito confusa. Odeio isso. Odeio, odeio, odeio. — E então voltou a abrir os olhos.

Só para sentir seu coração parar ao perceber que James Potter estava próximo demais. Ela podia sentir a respiração dele contra seu rosto, enquanto ele cortava ainda mais a distância entre eles. Tinha certeza de que ele poderia contar as sardas que ela tinha no rosto com toda aquela proximidade. Lily sentiu o perfume dele, tão forte e eletrizante quanto o dono. O cheiro de roupa limpa e de sabonete misturado com o cheiro dele.

Nunca havia percebido que os olhos de James tinham um tom de esverdeado muito bonito, que intercalava com o castanho, deixando a cor deles muito mais viva enquanto se derretiam sobre os dela.

As mãos de Lily suavam, seu corpo inteiro tremia, mas não conseguia se afastar, não queria se afastar.

E então, acabando com os últimos centímetros entre eles, James a beijou, deixando-a completamente sem fôlego.

Foi um beijo simples no início, doce. E então ele a puxou para mais perto, segurando-a pela cintura. Sem qualquer comando visível, Lily ergueu os braços para os ombros dele, enfiando os dedos em seus cabelos macios, suspirando ao sentir a língua dele tocar na dela.

Sentia-se completa e totalmente entregue àquele momento, sem conseguir distinguir nada a seu redor a não ser James, James e James.

Não saberia dizer por quanto tempo ficara ali, beijando-o até não ter mais oxigênio em seus pulmões, deixando seus nervos totalmente à flor da pele. E então ele se afastou, deixando-a zonza.

— Talvez isso possa te ajudar a entender. — E, dizendo aquilo, sorriu para ela.

Sem saber o que responder, Lily meneou a cabeça e esticou-se para abrir o portão, saindo o mais rápido que suas pernas bambas permitiam.

Quando, por fim, estava segura em seu quarto, ergueu as mãos para seus lábios sem conseguir acreditar, por um segundo sequer, no que havia acabado de acontecer.


N/A: Hello, peoples! Tudo bem com vocês?

Cá estou eu com um novo capítulo e, me desculpem por isso, ele ficou enorme. Não consegui dividi-lo ou cortar nenhuma parte, portanto estou postando assim mesmo, com todos esses 10k de palavras hehe

Espero que a leitura não tenha ficado cansativa, by the way

Mas, e aí, gente? O que acharam? Comentem, okay? Me contem o que estão achando, quais as teorias e suas dúvidas. Saibam que esse tanto de leitor lindo que aparece por aqui é o que me inspira muito. Saber que vocês estão aqui, me apoiando, lendo, comentando, me deixa muito feliz e motivada

Beijos e até breve *-*


Comentários:

Obrigada a Elyon, Bru Evans, Amanda Reis, Marismylle, Mylle Malfoy P.W., laisevero, Guest e Juliete Chiarelli pelos comentários maravilhosos :)

Amo vocês!