CAPÍTULO X

Isabella não podia fugir mais daquela realidade; estava perdidamente apaixonada por Edward. No fundo, sempre estivera, e o desejo de vingança nada mais era que uma faceta desse amor, motivada pela dor de nunca poder tê-lo.

Agora, no entanto, havia outra espécie de dor: a que vinha da compreensão do drama de um homem manipulado pela ex-esposa, pelas amantes, pela vida. Um homem que se julgava estéril, que tinha um círculo social interessado apenas no seu dinheiro. Um homem que nunca fora amado de verdade. E logo ele, que gostava de famílias grandes, com muitos filhos; logo ele, que na vida só pedira um pouco de carinho. Ele teria sido um bom pai, Isabella não tinha dúvidas. Como também não tinha dúvidas de que o amava profundamente, de que nunca deixara de amá-lo. Compreendia melhor o comportamento dele agora; sentia pena, mas não sabia se conseguiria dar-se sem reservas. Não podia esquecer que havia um amargo passado entre eles.

O sr. Swan estava bebendo uísque quando Isabella entrou na sala. Quanto à sra. Swan, seu ar abatido já dizia tudo.

- Papai... mamãe... não sei por onde começar.

- Por Edward Cullen, imagino - disse o pai, com ar sério.

- É que é tudo tão complicado...

- Eu sabia, Bella. Mas não pensei que...

- Charlie, você prometeu não interferir - interveio a sra. Swan.

- Filha eu sei mas não posso cruzar os braços e deixar a minha filha ser destruída por aquele homem.

- Acho que vocês deviam saber que ele me pediu em casamento.

- O quê?! Ele quer casar com você?

- Sim, papai...

- Meus Deus... casamento! Pensei que o homem fosse um solteirão convicto! Mas você disse não, é claro.

- Charlie! - censurou a sra. Swan, pois percebia como a filha estava sofrendo. - Deixe Bella falar.

Ele ficou quieto e olhou para o copo de uísque. Isabella começou, um tanto nervosa:

- Em primeiro lugar, não conheci Edward há poucos meses. Eu o conheci há muito tempo.

- Mas... - O olhar de reprovação da mãe silenciou novamente o Sr. Swan.

- Continue.

- Há sete anos.

Charlie Swan ficou mudo. Foi a sra. Swan quem tomou a palavra:

- Bella, ele é... ele é...

- O pai de Eduarda.

O sr. Swan engoliu o resto do uísque de uma só vez.

- Mas há sete anos ele era casado!

- Estava se divorciando. A mulher o acusava de ser estéril.

- Conte tudo, Bella!

Ao narrar os fatos do passado, o ódio que ela sentia por Beverly Cullen começou a aumentar na mesma intensidade em que crescia sua confiança em Edward.

Sabia agora que ele jamais negaria a existência da própria filha. Fora o orgulho que a impedira de procurá-la. E ainda era o orgulho que não os deixava ficar juntos agora. Isabella sentiu que usava o passado para negar a felicidade que poderia ter no presente. Mas o orgulho era algo passageiro, pois estar com Edward era muito maior, mais forte, mais bonito. Era estar viva, completa e infinitamente feliz.

- Quero que saibam que, se Edward ainda me quiser, eu me casarei com ele.

- Você o ama?

- Sempre amei. E agora ele também me ama.

- Se é isso que você quer, nós aceitamos.

- Obrigada, papai. - Havia lágrimas nos olhos dela quando o abraçou.

- Espero levar a noiva ao altar. O homem é tão arrogante que é capaz de roubá-la para casar!

- É mesmo! - Ela já se sentia melhor e sorria. - Mas agora preciso encontrá-lo. Estava muito perturbado quando me deixou.

- Edward é forte o suficiente para se recuperar, minha filha.

Isabella esperava ardentemente que sim.

Barnham não tinha a menor idéia de onde o patrão estava quando Isabella telefonou para a mansão. Então ela resolveu tentar o apartamento.

Não recebeu qualquer resposta quando tocou a campainha, mas, ao mexer no trinco, notou que a porta estava aberta. Não havia sinal de Edward na sala, embora o odor dos charutos denunciasse a presença dele ali. Isabella o encontrou no escritório, sentado junto à escrivaninha, e com a cabeça enterrada nas mãos.

- Edward!

Ele a olhou e seu rosto estava abatido, os olhos vermelhos.

- Isabella!

- Trouxe um presente para você.

- Um presente?

Ela pôs a mão no bolso do jeans e tirou um pequeno objeto enrolado num papel.

- É seu.

As mãos de Edward tremiam ao desfazer o embrulho. Aos poucos o desenho que Isabella havia feito de Eduarda apareceu e lágrimas começaram a rolar pelas faces dele.

- Oh, Edward! - Ela correu e pôs os braços ao redor dele, sentindo-o soluçar alto de encontro ao peito. - Edward, querido, está tudo bem! - Ela o confortou, odiando ver aquele homem forte alquebrado pela dor. - Está tudo bem agora... - repetiu com voz firme quando sentiu que ele começava a recuperar o controle.

Edward a abraçou com força.

- Por que está aqui?

- Para lhe dar sua filha. E a mim também, se ainda me quiser.

Edward levantou o rosto, emocionado.

- Isabella... não posso viver sem você.

Ela segurou-lhe o rosto e o beijou ternamente.

- Eu sinto a mesma coisa. Eu te amo, Edward! Eu te amo!

- Tem certeza? Eu a magoei tanto!

- Você se magoou ainda mais.

- Agora quero que Beverly vá para o inferno! - Levantou-se, agitado.- Liguei para o especialista de Nova York, que tratava do nosso caso. Ele me disse que nós dois podíamos ter filhos. - Cerrou os punhos. - Também me falou que Beverly tomou pílulas durante toda a nossa vida de casados. Que tinha aversão a crianças. Ela mentiu e me enganou por mais de cinco anos, fez com que eu concordasse em ser culpado na ação do divórcio porque sabia que eu não queria que todos soubessem que era estéril. O mais irônico foi que, nessa mesma ocasião, Eduarda estava sendo gerada! Oh, Isabella, eu teria assumido minha filha! Juro!

- E o que você quer agora?

- Só quero você. Quer se casar comigo?

Isabella sentiu-se aliviada.

- Pensei que nunca mais você fosse falar nisso! Claro que quero! Acho que as coisas não podem ser arranjadas assim tão rapidamente neste país. E meu pai insiste em me levar ao altar.

- Já falou com a sua família sobre nós!

- Ambos já sabem.

- Meu Deus, acho que devem me odiar!

- Contei tudo e eles entenderam.

- Devem ser pessoas muito compreensivas.

- Ninguém poderia censurá-lo pelo que aconteceu no passado.

- Nem mesmo você?

- Nem mesmo eu - e abraçou-o com força. - Você estava certo quanto aos meus motivos, Edward. Eu já te amava há sete anos; não teria ido para a cama com você se não amasse.

- Sei disso. E estava tão envolvido com meus problemas que não consegui ver nada.

- Não importa agora, amor. Nós nos amamos e temos um futuro pela frente. Que tal começarmos agora?

- Aqui?

- Aqui mesmo.

- Mas este lugar está cheio de lembranças tristes...

- Por isso mesmo. Temos que exorcizar os nossos fantasmas.

- Tem certeza?

- Tenho. - Pegou-o pela mão e levou-o para o quarto.- Edward... eu amo você. Muito!

- Querida... quero que tudo seja perfeito desta vez.

- Tudo é perfeito entre nós. Confie em mim, Edward.

- E você pode confiar em mim! Eu a abandonei quando mais precisava de apoio. Como pode ter certeza de que não farei isso de novo?

Isabella tirou a camisa dele, deixando que caísse ao chão. Sentia o corpo atlético tremer de desejo.

- Conheço você o suficiente para saber que não me abandonaria se soubesse que eu estava grávida. Não vamos pensar mais no passado, Edward. Temos que ir para a frente!

Os braços dele a envolveram e a apertaram contra o peito nu.

- Eu não poderia viver sem você, Isabella Pelo amor de Deus não me deixe.

- Nunca o deixarei.

- Meu casamento com Beverly foi apenas um negócio que não deu certo. Nós não nos amávamos. Mas amarei você a vida toda.

Ela estava certa disso.

- Você esteve maravilhosa, querida.

Edward levantou os cabelos dela e beijou-a na nuca; o smoking jazia no chão e a camisa estava quase toda aberta.

Isabella caiu nos braços dele.

- Um jantar para dez diretores da empresa é brincadeira de criança comparado com o fato de ser sua esposa!

- Os últimos seis meses foram assim tão difíceis para você?

Tinham sido os seis meses mais maravilhosos da vida dela. Edward a tratava como a coisa mais importante do mundo. Apenas uma coisa atrapalhava a felicidade dos dois e ela tentava afastá-la da mente: o fato de nunca falarem em filhos.

- Não foram tão difíceis, amor -brincou, agarrando-o pelo pescoço.

- Sabe,Isabella, você me faz sentir culpado por não ter retomado o trabalho. Daí tenho que convidar essas pessoas para jantar, já que raramente apareço no escritório.

- Eu não o obrigo a ficar em casa.

- E também não me expulsa da cama.

Nenhum dos dois trabalhara muito nos últimos seis meses, pois qualquer desculpa era boa para ficarem em casa. E sempre na cama.

- Não sou boba de me negar esse prazer.

- Falando em prazer... - E olhou para a cama.

Isabella nunca discutia quando Edward sugeria que fizessem amor. Por isso, após tomarem banho juntos, entregaram-se ao desejo.

Ela sempre tinha uma sensação de desapontamento quando Edward abria a gaveta da mesinha de cabeceira. E nesse dia não conseguiu esconder isso.

- O que foi, querida? Algo errado?

- Poderia haver algo errado?

- Por um instante você pareceu triste...

- Está imaginando coisas.

- Não. Isabella, diga o que está errado.

Ela suspirou.

- Prefiro fazer amor sem interrupção, sem que você pare para pôr o preservativo.

- Mas o médico aconselhou você a não tomar pílulas.

- É verdade. - E suspirou novamente.

- Isabella... o que há?

- Nada.

- O que a preocupa?

Ela mordeu o lábio inferior e o encarou.

- Eu preferia não usar qualquer contraceptivo.

- O que está dizendo?

- Querido, sei que não discutimos isso antes de nos casarmos e por isso não sei se você quer filhos agora. Gostaria de saber o que acha da idéia.

- Você quer filhos?

- E você, quer?

- Estou mais interessado na sua resposta.

- Pensei que você quisesse...

- Mas eu quero, querida! - E a abraçou com força. - Mas depois de Eduarda preferi não vê-la sofrer mais.

- A morte de Eduarda foi um acidente, Edward. Ela nasceu antes do tempo. Não há razão para se pensar que o mesmo aconteceria com outro bebê.

- Eu não tinha certeza de que você queria outro filho...

- Quero um, vários, uma dúzia deles!

- Isabella!

- Vamos lá, querido! - ela brincou, percebendo que ele também estava ansioso por um filho.

- Então vamos. E, se começarmos agora, o primeiro pode chegar no Natal.

Beijaram-se apaixonadamente, decididos a não perder mais tempo.

FIM

OoOoO

Acabou. Espero que tenham gostado e não esqueçam da Review!