CAPÍTULO X

A voz soou dentro do escritório.

― Entre, professor - disse Dumbledore.

Snape entrou no aposento e se dirigiu para a mesa onde o Diretor se encontrava. Ele esperou que o outro falasse primeiro, não sabia se Dumbledore o perdoaria por não tê-lo procurado tão logo voltou da entrevista com Lorde Voldemort.

― Como está Rosie, Severus? - perguntou sorrindo.

― Bem, professor - disse ele visivelmente constrangido.

― Fico feliz que a ame desse jeito, Severus - Dumbledore fitou-o com interesse. - Porém, agora mais do que nunca peço que mantenha esse sentimento sob controle. Imagino que vai me confirmar que tudo o que Rosie viu é verdade, não?

― Infelizmente sim, Diretor - Snape falou preocupado. - O Lorde acha que Rosana o traiu, receio que isso antecipe seus planos.

― Sim, Severus, de certa forma, sim - ele o encarou. - Esse é o momento de tirá-la daqui! As aulas acabaram e o ano letivo só começará em dois meses. Você irá com ela imediatamente para o Egito, já está tudo providenciado com Ali.

― Sim senhor, professor, mas e quanto a horcruxe que descobrimos? - ele arqueou as sobrancelhas.

― Eu irei sozinho, Severus - disse o diretor se colocando de pé. - Preciso que você a leve em segurança.

― Posso ir e voltar no mesmo dia, diretor - Snape retrucou.

Dumbledore sorriu e passou ao lado de Snape dando-lhe uma leve palmadinha no ombro.

― Não faria isso com Rosie. Nem com você - ele andava pelo escritório. - Espero que pelo menos possam passar alguns dias juntos.

― Como queira, professor - disse Snape em assentimento.

― Agora vá e peça a senhorita Baker que se apronte - ele piscou o olho.

Snape já estava na porta quando a voz de Dumbledore chegou aos seus ouvidos dizendo em tom paternal: - A propósito, professor, Ali irá realizar o casamento de vocês amanhã. Não se opõe, não é?

― Não, senhor - respondeu um aturdido professor de Poções, e saiu em direção aos seus aposentos.

Após um breve relato do que se passara no escritório do diretor, Snape e Rosie se aprontaram para partir. Logo depois estavam de pé diante de Dumbledore. O Diretor se despediu de Rosana com um beijo na testa. Os dois entraram na lareira e sumiram nas chamas verdes. Dumbledore ficou fitando o lugar onde há poucos segundos vira sua filha ao lado de Snape. Suspirou, foi até a cadeira e se sentou. Tinha certeza de que era o melhor a fazer, apesar do aperto que sentia em vê-la partir novamente.

Severus e Rosana chegaram a escaldante cidade do Cairo rapidamente. Ali os esperava numa enorme sala com paredes decoradas com tecido colorido e com estofados ricamente brocados. Ele sorriu para Rosie, que se adiantou para abraçá-lo. Ali era um homem alto e corpulento, cabelos escuros, moreno, com barbas compridas e grisalhas, e olhos verdes pequenos. Apesar de ser idoso, ainda guardava vestígios de beleza envoltos em sua veste branca. Ele era o Ministro da Magia do Egito e amigo Dumbledore. Rosie ficara na casa dele todos esses anos e Ali cuidara dela como a uma filha. Não foi à toa que Rosie sentiu-se em casa assim que pisou nos tapetes persas da sala onde estavam. Ali recebeu Rosana com um abraço acolhedor e carinhoso. E depois se dirigiu a Snape estendendo-lhe a mão num sorriso.

― Você deve ser Severus Snape, o noivo de Rosie? - ele falou num inglês polido.

― Sim, senhor - Snape, nesse momento, sentia um imenso calor. - Sou professor de Poções em Hogwarts também.

― Claro - o sorriso em seu rosto se alargou. - Albus falou algo a respeito. Fico feliz com a escolha de Rosie, mas saiba que sou um padrinho exigente. Ela é uma mulher e tanto! Bom, acho que gostariam de um banho, não? - e fitando-os, viu que ambos assentiram com as cabeças no mesmo instante. - Sigam-me, seus aposentos estão prontos. Receio, no entanto, que ficarão em quartos separados até amanhã, até a cerimônia.

Snape e Rosie se entreolharam, mas não havia nada que pudessem fazer no momento além de aceitar o costume regional.

Tinham chegado à porta de seus respectivos aposentos, e ao olhar de Ali se despediram e entraram em seus quartos. Para surpresa de Severus, o quarto era muito mais decorado, com tecidos e véus em cores quentes, do que a sala onde aparataram. O ambiente era grande e bem iluminado, o prédio era em estilo árabe, com janelas de treliças em forma de arco que se abriam para pequenas sacadas. No centro do aposento havia uma cama enorme com tecidos acetinados e almofadas soltas na cabeceira. Um aroma de sândalo exalava do incenso aceso a um canto.

Ele foi até a sacada e olhou para a agitada rua que margeava o edifício. Ao longe divisou as imensas esculturas de pedras milenares, as Pirâmides de Gisé sobressaiam junto ao céu em crepúsculo; mais abaixo surgia o Nilo com suas plácidas águas completando a paisagem. Um rapaz entrou anunciando que seu banho estava pronto, Snape assentiu e o seguiu. A peça que servia de banheiro era tão rica quanto o quarto, e o cheiro que vinha da banheira a sua frente era convidativo e exótico. O criado se retirou com uma reverência, e ele se rendeu aos prazeres de um banho relaxante. Cerca de uma hora depois foi chamado pelo mesmo criado a descer para a ceia.

Havia várias mesas repletas de pessoas, e entupidas de pratos diversos e cascatas de frutas. Por alguns minutos ele se lembrou de Hogwarts. Procurou Rosana, que estava com uma linda veste azul turquesa e que deixava apenas seus olhos à mostra. Snape já tinha visto alguma coisa parecida em fotos. Ao lado dela havia um lugar vazio e do outro estava Ali. Snape se dirigiu para o lugar desocupado e se acomodou ao lado de Rosie. Nunca se sentira tão estranho, mas a noite transcorreu muito bem.

Quando voltou ao seu quarto, só conseguia pensar naquela atmosfera de mistério e nos lençóis de cetim aonde poderia estar deitado ao lado de Rosana. Ele não pudera nem beijá-la antes de entrarem em seus aposentos, mas de certa forma se sentiu reconfortado, no dia seguinte cobriria ela de carinho. A sensação de que estaria casado em algumas horas deixou seu coração aos pulos. No quarto ao lado estava Rosana escovando o cabelo para dormir e pensando exatamente a mesma coisa, deitou-se na cama e fechou os olhos sorrindo.

Dumbledore estava esperando-os sentado ao lado do velho amigo, quando ambos chegaram para o café da manhã. Sorriu para eles enquanto Rosie corria em sua direção. Ela deu-lhe um leve beijo no rosto e sentou ao seu lado. Severus, por sua vez, sentou ao lado de Rosie. A agitação no pequeno edifício para a preparação da cerimônia começara cedo.

Horas depois Severus se olhava no espelho do banheiro e constatava ser deveras estranho ter que admitir que aquela roupa vinho lhe caía bem. Alguma coisa o preocupava mais, suas mãos suavam frio, como ele podia perder o controle sobre si mesmo naquele momento? Havia passado por momentos mais difíceis e não se lembrava de ter ficado tão apreensivo.

A resposta veio com a entrada de Rosana no salão onde ele a esperava junto com Ali, este último bem a sua frente. Dumbledore entrou conduzindo a filha, que trajava um lindo vestido dourado, com um lenço da mesma cor encobrindo-lhe o rosto, deixando apenas seus olhos castanhos de fora. Apesar das vestimentas e dos costumes muçulmanos, a celebração foi feita nos padrões ocidentais. Havia alguns convidados por parte de Ali, que fizera questão de oferecer um banquete regado a muito vinho e comida tradicionais. Dumbledore ficou até quase o fim da festa, mas assim que os noivos se retiraram ele partiu.

O quarto de Rosie havia sido preparado para o casal, um cheiro doce de baunilha pairava no ar e pétalas de rosas de todas as cores cobriam o chão. Severus a pegara nos braços e a depositara suavemente no chão ao entrarem. Olhou para a esposa com carinho, ela estava ainda com o lenço sobre o rosto. Ele retirou-o cuidadosamente e beijou-lhe os lábios levemente, murmurando:

― Eu a amo, senhora Rosana Dumbledore Snape.

O beijo se tornou mais intenso, as mãos dele percorreram rapidamente o vestido dela desabotoando-o enquanto ela livrava-o da túnica. Snape a colocou contra a parede, retirando-lhe a última peça de roupa íntima. Os dedos não menos ávidos de Rosie desabotoaram suas calças. Ela gemeu ao sentir os lábios deles descerem até seus seios enquanto agarrava-lhe os cabelos. Ele mordiscou-os delicadamente, depois deslizou sua língua pela barriga dela, no mesmo instante em que sua mão acariciava-lhe o sexo.

Severus a fitou, excitado, cada parte do corpo da esposa exalava desejo. Ele a tomou nos braços de novo e deitou-a sobre a cama. Rosie sorriu e ele recomeçou a beijá-la. Ela alcançou a rigidez de seu membro como uma das mãos e estimulava-o ferozmente. Não mais que minutos depois ele a penetrava, arrancando um grito rouco de ambos. Snape deitou-se levemente sob ela, o corpo tremendo de prazer enquanto Rosie respirava em descompasso.

Rosana fitou o homem ali em seus braços e acariciou seus cabelos. Como podia ter vivido tanto tempo sem o calor daquele corpo? Sem a luxúria daqueles lábios? Ele havia escorregado para o travesseiro ao lado e sorria-lhe com os lábios crispados ao canto. Rosie fez uma cara de safada, correu os lábios pelo tórax dele até a cintura. Descreveu longas elipses em torno de seu umbigo, mordeu-o suavemente um pouco mais abaixo e quando alcançou seu membro, o chupou sofregamente. Snape sentiu seu corpo todo reagir a cada investida da língua dela ao percorrê-lo em espirais. Não iria agüentar muito tempo, colocou-a de bruços e puxando-a para si, possuiu-a mais uma vez. Ficaram nesse doce bailado sexual quase a noite inteira.

O sol penetrava pelas frestas das janelas iluminando o quarto com tonalidades amarelo-alaranjadas, formando um degrade suave até chegar aos pés da cama onde Rosie e Snape dormiam. A noiva abriu os olhos preguiçosamente, olhou para o lado, Severus estava deitado de bruços e os lençóis cobriam-lhe apenas a parte da cintura e quadris. Ele dormia um sono solto, ela sorriu e beijou-lhe as costas nuas. Snape resmungou algo, ela avançou até seu rosto, afastou os cabelos e sussurrou um "Bom dia" suavemente ao ouvido. Ele sorriu sem abrir os olhos, puxou-a pelo braço e a fez deslizar por cima de seu corpo, Rosie caiu aconchegada na sua frente. Snape então abriu os olhos e a beijou com paixão, depois aninhou sua cabeça no colo dela murmurando "Bom dia, senhora Snape!" Rosie acariciou seus cabelos negros num gesto maternal.

― Vamos, Severus, temos que levantar - ela disse baixo sorrindo.

― Não - ele respondeu tão baixo quanto ela. - Não quero comer.

― Já passou da hora do café da manhã, meu anjo - Rosie empurrou os braços dele para o lado e saiu da cama dizendo: - Quero que você conheça a cidade do Cairo!

Severus se obrigou a abrir definitivamente os olhos e encará-la, mas só viu Rosie entrando no banheiro encoberta apenas por uma camisola transparente. Aquilo decididamente parecia um convite, enrolou-se no lençol e foi até ela. A banheira estava cheia de espuma, Rosie acabara de dar um nó no cabelo e retirara a camisola. Ele a fitou com grande interesse, deixou o lençol escorregar até o chão, andou em sua direção e a agarrou por trás, virando-a para si. Rosie sorriu, ele a beijou e entraram abraçados na banheira.

Quase uma hora depois, eles desceram, atravessaram o pátio e saíram para a rua movimentada.