Armadilhas do Outono.
Por RubbyMoon
Capítulo 10: Inverno.
(Capítulo dedicado a Thata! Parabéns pela sua formatura!)
E então o inverno chegou...
'Meu Deus, Syaoran! Faz um mês desde que Sakura desapareceu! Ela foi por conta própria! Você precisa se conformar!' – Eriol tentava fazer Syaoran reagir.
'Algum dia você se conformou por perder a mulher da sua vida?'
'Não, mas não me entreguei como você! Pelo menos não dessa forma... Você não come, não dorme! Está tão fatigado que não consegue pensar direito! Há quantos dias você não dorme, Syaoran?'
'Eu não sei!' – suspirou cansado – 'Você não entende, Eriol! Ela desapareceu de verdade! Já mandei vasculhar cada lugar que ela poderia estar!' – desabafou inconformado.
'Pense, Syaoran! Deve haver um lugar que você não tenha procurado!'
Eriol sentia pena do amigo, pois de coração despedaçado ele entendia bem. Ele estava pálido, magro, com expressão de vazio e derrota. Aquele Syaoran era outra pessoa que não lembrava nada seu amigo.
'Eu não sei, Eriol! Como encontrar alguém que não deseja ser encontrado?'
'Apenas não desista! Fico preocupado com você, pois estou embarcando hoje para a França! Estou seguindo uma pista...'
'Espere... você disse... França?' – Syaoran parecia ter levado um choque elétrico devido sua expressão.
'Sim! Essa noite mesmo embarco para Paris e...'
'Como não pensei nisso antes?' – uma sombra de sorriso despontou nos lábios de Syaoran. Se não estivesse tão exausto ele poderia pular de alegria e esperança – 'Posso ir com você?'
'Eu não estou entendendo nada, mas é claro! Assim posso ficar de olho em você enquanto faço minhas investigações!'
'Eu não sei bem, Eriol, mas sinto que de repente o mundo tornou-se muito pequeno!'
Em Paris, o inverno era magnífico. Sakura não cansava de olhar pela janela do quarto a bela paisagem da cidade européia. Ela não costumava sair muito, a não ser quando sua prima a obrigava, dizendo que ela precisava se exercitar um pouco.
'Está um lindo dia, não é mesmo?' – Tomoyo entrou trazendo-lhe numa bandeja o caprichado café da manhã.
'Outra vez trazendo-me o café da manhã no quarto, Tomoyo? Estou ficando mal acostumada!'
'Alguém precisa cuidar de você! Como está se sentindo hoje?'
'Estou bem!' – Sakura disse sem muito entusiasmo.
'Estive pensando... precisamos passar alguns dias no campo!' – Tomoyo queria distrair Sakura. – 'O ar fresco fará bem a você!'
'Eu não estou doente, Tomoyo!'
'Insisto que algum tempo no campo nos fará muito bem! Além disso, vai começar a temporada dos bailes de inverno e não há nada melhor que o campo pra apreciar uma boa festa, sem a loucura da cidade!'
'Não tenho interesses em bailes, mas não quero te prender aqui! Vá tranquilamente e não se preocupe comigo!'
'Não posso deixá-la sozinha!' – Tomoyo olhava Sakura como se ela tivesse dito uma loucura.
'Eu já disse que não estou doente!'
'Por favor! Venha comigo, Sakura! Quero que você conheça Pierre, ele é tão divertido!'
'Seu namorado da vez?'
'Ele é apenas um amigo que consegue ser um pouco insistente algumas vezes! Por isso quero você lá comigo, assim terei uma desculpa pra fugir dele se necessário! Na maior parte do tempo Pierre é muito divertido! Um excelente anfitrião! Por favor, que mal fará uma temporada no campo?'
'Eu não sei! Talvez seja uma boa idéia afinal. Estando-se na Europa, seria mais sensato aproveitar o turismo!' – Sakura estava apenas concordando para animar Tomoyo.
'Ótimo! Desde que minha acompanhante costumeira se casou eu não tive oportunidade de viajar para o interior! Espere o verão chegar! O sul da França é ainda mais magnífico e...' – Tomoyo saiu do quarto falando sozinha como costumava fazer. Era dona de uma energia inesgotável.
'Pensei que somente você viria comigo!' – Eriol olhou as poltronas do avião a sua frente e seus ocupantes.
'Eles me seguem para toda parte! Wei tem a idéia fixa de que represento um perigo a mim mesmo!'
Syaoran olhou com carinho para a comitiva que viajava junto com ele e Eriol. Wei, Nadeshiko e sua mãe Yelan, todos ocupados com seus passatempos durante a longa viagem. Wei lia uma revista de culinária e de fofocas de novelas, Nadeshiko lia uma revista da National Geografic, com um especial de arqueologia, e sua mãe lia uma revista de economia e administração de empresas, com uma matéria sobre as grandes mulheres executivas da história. Era um trio muito estranho, mas maravilhoso.
'Talvez se você descansasse um pouco e comesse melhor, eles não se preocupariam tanto!'
'Falta muito para aterrissarmos?' – Syaoran desconversou. Ninguém entendia que o vazio que sentia em seu interior não seria preenchido por nenhum alimento ou descanso. Ele precisava apenas encontrar Sakura.
'Tente dormir um pouco! Vamos pisar em solo francês apenas pela manhã!' – Eriol puxou seu travesseiro de viagem e se acomodou para uma soneca.
Syaoran permaneceu acordado. Cada minuto passado era um minuto mais próximo de Sakura. Ele podia sentir que em breve a veria.
Sakura acordou cheia de disposição. Ela precisava reconhecer que Tomoyo tinha toda a razão quando disse que uma temporada no campo lhe faria muito bem. Fazia uma semana que ela e a prima estavam na residência de férias da família de Pierre. Era um belo palacete, com amplos jardins, um bosque com trilhas para longas caminhadas e um lago com cisnes. Sentia-se mergulhada num cenário de conto de fadas. Pierre era um especial a parte. Um belo rapaz, agradável, inteligente, muito engraçado e extremamente desastrado perto de Tomoyo. Ele parecia totalmente apaixonado por ela, sempre pronto a lhe fazer as vontades.
No final de semana decorrente ao dia que chegaram, Pierre recebeu diversos amigos e promoveu um baile em homenagem a Tomoyo e Sakura. Tomoyo brilhava em toda sua luz e juventude, típicas de sua alegria contagiante, enquanto Sakura tentava manter-se discretamente longe dos holofotes. Apesar de tudo, havia sido uma noite maravilhosa.
Como aquela manhã estava particularmente quente em meio ao inverno, Sakura resolveu não perder tempo e se preparou para um passeio. Abandonou seu quarto e descobriu com a cozinheira, a senhora Augustine, que todos ainda estavam dormindo, então avisou que sairia para um passeio, mas voltaria para tomar café da manhã mais tarde com os outros.
Caminhou pelos jardins que estavam belos, com a vegetação sobrevivente ao inverno exibindo toda sua glória. Resolveu seguir as trilhas do bosque e procurar o lago. O ar estava gelado, mas não o suficiente para deixá-la com frio, pois o inverno não era tão rigoroso quanto o que ela enfrentaria em seu país. Pensar no Japão sempre lhe causava uma pontada de dor. Queria poder fechar os olhos e esquecer tudo. Toda a alegria que lhe fora arrancada quando teve sua vida destruída. Apesar de terem se passado três meses desde aquele dia horrível, ela sentia que tudo havia acontecido apenas um dia antes.
Quando viera viver com Tomoyo, nunca explicara a ela o que havia acontecido no Japão. Tomoyo, entretanto, a recebera sem perguntas, apenas lhe oferecendo sua casa para que ali vivesse como se fosse a dela, deixando-a bem a vontade e a cercando de mimos e cuidados, pois sabia que estava diante de alguém que fugia da vida.
No Japão, havia deixado apenas uma carta para sua família, pedindo um tempo para tentar esquecer o que havia lhe acontecido. Deixara bem claro que desejava não ser contatada por ninguém. Nem mesmo por Syaoran. Principalmente por Syaoran. Ele, que seria capaz de ficar ao lado dela apesar de toda a desgraça que lhe abatera. Como ela poderia permitir tal coisa? Destruir a vida dele também, somente porque a dela estava acabada? Ela jamais seria capaz! Ainda mais com tamanho fardo que carregava. Grávida. Ela estava grávida e não tinha coragem de recorrer ao aborto, pois o filho poderia ser de Syaoran. Desde que eles passaram a fazer amor, nenhum dos dois havia se preocupado com métodos de controle de natalidade. Ela sabia que era uma ilusão, não queria criar expectativas positivas, pois sabia que também poderia ser o filho do violentador em seu ventre.
Percebeu que estava tendo outro ataque de pânico. Suas mãos e pernas tremiam toda vez que se lembrava daquela noite. Ela sentiu o suor tomar conta do seu rosto e a tontura lhe atacar com toda sua força. Agachou-se para não ter uma grande queda e passou a respirar fundo, antes que acabasse desmaiando. Passado alguns instantes começou a se sentir melhor. Sakura soube que nunca mais seria uma pessoa normal novamente.
'Sakura!' – era Tomoyo correndo ao seu encontro – 'O que aconteceu?' – notou o abatimento da prima.
'Nada!' – Sakura não conseguia pensar em nenhuma desculpa para seu comportamento.
'Como nada?' – Tomoyo estava indignada – 'Está passando mal de novo! Acho que está na hora de procurarmos um médico!'
'Eu não estou doente!'
'Não está, mas precisa de cuidados! Não está na hora de começar um pré-natal? Você e o bebê precisam de vitaminas, uma dieta rica e acompanhamento.'
'Você sabe?' – Sakura estava espantada. Não imaginava que Tomoyo sabia de seu estado.
'Não me subestime, Sakura! Sabe que eu noto tudo sobre você! Tenho sido muito paciente não lhe fazendo perguntas, mas não está na hora de confiar em mim e dividir um pouco sua dor?' – Tomoyo parecia firme, mas se sentia derrotada por não saber como ajudar Sakura.
'Eu... não consigo falar sobre isso!' – Sakura lutava contra as lágrimas.
'Ele te abandonou... o pai de seu filho? Ele não quer a criança? Ele é casado?'
'Não é nada disso...'
'Então o que é?' – Tomoyo enxugava as lágrimas de Sakura. – 'Meu Deus, Sakura... não sei como te ajudar se não confiar em mim! Venha, vamos voltar!' – começou a caminhar com Sakura de volta para a casa – 'Sei que não está doente, mas que tal ficar na cama quentinha e me deixar cuidar de você por hoje? Até sentir-se melhor e então quem sabe... você possa me dizer o que aconteceu!'
'Está na hora do lanche!' – Wei anunciou.
Desde que chegaram à França, Syaoran e os outros haviam conseguido alugar um apartamento em Paris. Não queriam ficar em um hotel. Uma semana inteira se passara desde então e Syaoran não havia conseguido localizar Sakura, assim como Eriol ainda não conseguira encontrar sua amada.
'Será que Syaoran vem lanchar?' – perguntou Nadeshiko.
'Ele não vem! Está no escritório pendurado no telefone com um dos muitos detetives que contratou! Parece que encontraram o local onde Sakura e a prima vivem!'
'Se pelo menos eu conseguisse falar com a mãe de Tomoyo... mas Sonomi é outra que coleciona carimbos em seu passaporte! Não consigo localizá-la!' – Nadeshiko se lamentou.
'Cadê o amigo de Xiao Lang, Wei?' – Yelan perguntou.
'Saiu faz algum tempo!' – ele disse servindo o chá.
'Esse é outro! Não vai descansar até achar a tal!' – Yelan respirou fundo demonstrando tristeza.
'É verdade! Tão jovens e já passando por todas essas dificuldades!' – Nadeshiko também continuava abatida.
'Tem recebido novas mensagens de e-mail de Sakura?' – Wei perguntou a Nadeshiko.
'Pelo menos uma vez por semana ela escreve! Sempre diz que está bem e que está em boa companhia! Pelo menos agora sei que ela falava de Tomoyo!'
'Tome o cuidado de não mencionar que estamos na França ou ela vai fugir novamente!' – Yelan lembrou.
'Claro que não! Quero muito dar a minha filha a chance de reencontrar a felicidade e sei que será ao lado de Syaoran!'
'Ai não!' – Wei tapou os ouvidos com as mãos – 'Syaoran está gritando com alguém no telefone! Acho que não conseguiu pistas novamente!'
'Tenho medo quando o lado homem de negócios do meu filho o possui! Ainda por cima está tão cansado! Virou uma bomba relógio! Coitado de quem está por perto quando explode!'
'Talvez devêssemos colocar algum calmante escondido na comida dele!' – sugeriu Wei.
'Não brinque com uma coisa dessas!' – Nadeshiko levantou-se enfurecida.
Wei e Yelan se assustaram e então compreenderam o que acontecia. Nadeshiko estava se recordando que Sakura havia sido drogada através de uma taça de champanhe.
'Perdoe-me por falar uma idiotice dessas!' – Wei estava vermelho e triste.
'Não, eu é que peço perdão!' – Nadeshiko sentou-se e enxugou as lágrimas que insistiam em cair de seus olhos – 'Eu sei que você apenas estava pensando no bem de Syaoran! Minha reação foi exagerada!' – ela segurou a mão de Wei, que a puxou para um abraço. Odiava ver sua amiga sofrer.
Tomoyo a cada dia ficava mais preocupada com Sakura. Se não tivesse jurado a sua prima que nunca entraria em contato com sua família, teria telefonado a sua tia pra saber o que poderia estar acontecendo. Passaram-se alguns dias desde que Tomoyo revelou a Sakura que sabia de sua gravidez, mas ela continuava a recusar a marcar uma consulta médica. Sempre dizia que assim que retornassem a Paris procuraria um médico e por enquanto queria apenas desfrutar da paz do campo e abusar da gentileza de seu anfitrião, Pierre. Além disso, Sakura deixava claro que não pretendia lhe contar nada do que havia lhe acontecido e não parecia entusiasmada com o fato de ter um bebê. Nunca se sentira tão perdida em relação ao que fazer com Sakura.
'Tem certeza de que não quer participar da festa de Luc? A propriedade dele é logo aqui ao lado. Além disso, Pierre confirmou que compareceríamos!'
'Não tenho vontade de ir, mas vá com Pierre! Ficarei em meu quarto lendo um bom livro e navegando na internet um pouco! Preciso enviar um e-mail pra minha mãe!'
'Precisa contar a ela que está aqui comigo, Sakura! Também precisa lhe dizer que está grávida!'
'Eu sei! Mas ainda não tenho coragem! Preciso pensar melhor sobre o que fazer com o resto da minha vida!' – disse de modo desanimado.
'Que horror! Do modo que falou parece que sua vida está prestes a acabar!' – Tomoyo não escondeu como ficara aborrecida.
'Claro que não! Não seja boba!' – Sakura pensou que Tomoyo estava bem perto da verdade, porém não explicou que sentia como se sua vida já houvesse acabado – 'Agora vá com Pierre à casa de Luc e divirtam-se!' – Sakura deu um beijo em Tomoyo e a expulsou do quarto.
Espreguiçou-se e sentou em frente ao computador. Em instantes abriu o servidor de seu e-mail e enviou uma mensagem para a mãe. Como todas as anteriores, era uma mensagem vaga, apenas pra informar que tudo continuava bem e pedia para que não se preocupassem. Respirou fundo, sentindo uma grande tentação de escrever outra mensagem, dessa vez escrevendo sobre toda a desolação que sofria. Queria dizer que sentia saudade, queria sentir novamente seu abraço, seu cheiro, ouvir sua voz. Precisava da mãe, mais do que nunca. Porém não fez nada disso. Fechou os olhos e resistiu bravamente ao ímpeto de fazer aquilo que desejava.
Resolveu olhar a caixa de entrada e havia pelo menos uma centena de e-mails novos de Syaoran. Como de costume, ela não abriu nenhum, pois não queria sofrer mais do que já sofria. Todavia, ela queria vê-lo mais uma vez. Desejava ter consigo uma foto dele, mas não tinha. Lembrou que a família de Syaoran era muito influente mundialmente e talvez encontrasse notícias relacionadas a seu nome na rede.
Ficou impressionada com a quantidade de tópicos que encontrou num site de buscas. Com uma alegria infinita e uma pontada de dor, começou a ler tudo relacionado a Syaoran e sua família e passava horas admirando as imagens que encontrava. Após algum tempo, percebeu que chorava e enxugou seu rosto, decidindo que era tempo de parar de se iludir. Não havia mais um futuro para ela e Syaoran.
Quando estava prestes a desligar, uma janela de mensagem instantânea se abriu. Assustada, ela nem havia se dado conta de que se esquecera de ocultar que estava conectada à rede. Com assombro ela percebeu que era Syaoran. Seu coração disparou e sentiu o suor juntar-se em seu pescoço e face. Se ela fosse uma pessoa sensata poderia ter feito de conta que não havia visto, ou podia simplesmente dar as costas e ainda desligar o computador, mas ela não era nem um pouco sensata e, ao invés de agir dessa forma, começou a ler tudo o que ele enviava.
'Sakura... onde você está? Por favor, vamos nos encontrar! Preciso te ver, preciso falar com você. Por Deus, preciso te abraçar! Por favor, Sakura...'
Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar de encontro ao vento
Ela imaginou por um momento que precisava das mesmas coisas que ele, mas não respondeu nada.
'Diga-me onde você está, Sakura! Responda-me pelo menos! Diga-me se está bem! Diga-me se está viva! Droga, Sakura... seu silêncio está me matando!'
Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia
Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
E voltar num sonho lindo
Nesse momento ela não resistiu e respondeu.
'Se eu não estivesse viva, seria meu fantasma conectado nesse momento!'
Syaoran sentiu um calor envolver seu peito. Ela finalmente respondia. Deus, como era bom ter pelo menos esse contato com ela.
'Onde você está?' – ele perguntou novamente.
Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo
Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de domingo
'Não importa onde estou! Acho que fui bem clara quando disse que precisava de um tempo para mim! Esqueça-me, Syaoran! Eu não sou mais a mesma! Não sou a Sakura que você amava!'
'Claro que é! Você é e sempre será a Sakura que eu amo!'
'Preciso desconectar! Adeus!'
'Não, não desconecte! E se eu prometer não tocar no assunto de nós dois?'
'Você promete?'
Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar a voz do coração
'Claro! Vamos falar sobre o que você quiser! Qualquer coisa! Que tal falarmos sobre novelas?'
'Você falando sobre novela?' – Sakura até conseguiu sorrir.
'Claro... eu fiquei viciado naquela novela que você tanto gosta! Acontece um barraco atrás do outro, é muito interessante!'
'Corta essa, Syaoran! Interessante?' – ela riu novamente. Era tão boa aquela sensação.
'Na verdade é terrivelmente brega! Mas é engraçado! O Yamazaki Daniel ainda habita seus sonhos?'
Como ela poderia explicar a Syaoran que fazia tempo que ela não tinha nenhum sonho? Suas noites eram habitadas apenas por pesadelos horríveis que a fazia gritar em meio ao sono, matando Tomoyo de preocupação.
'Eu não acompanho mais a novela! Aqui onde estou não tenho acesso ao canal!'
'E onde você está?'
'Você está fazendo novamente...'
'Desculpe-me, esqueci! O que tem feito?'
'Conheci alguns lugares muito bonitos!'
'Ah, aproveitando pra fazer um pouco de turismo!'
'De certa forma... estou passando uns dias no campo! É um lugar tão bonito e... acho que não vou entrar em detalhes!'
O coração de Syaoran deu um salto no peito. Precisava imediatamente comunicar esse detalhe aos seus investigadores. Estivera procurando por Sakura o tempo todo na cidade, enquanto ela estava no campo.
'O importante é que está passando dias agradáveis, não é? Espero que também esteja cercada por boas pessoas!'
'Não tenha dúvida quanto a isso! Acho que é melhor eu desconectar agora, eu já estava indo fazer uma coisa e...'
'Vamos conversar novamente?'
'Eu não sei... não acho uma boa idéia!'
'Por favor!'
'Talvez! Adeus!'
'Adeus, não! Até logo!'
Com tristeza, Syaoran notou quando ela apareceu como desconectada na rede. Tocou com a ponta dos dedos o monitor de seu computador como se pudesse sentir um pouco de Sakura com esse gesto.
'Volte pra mim, Sakura! Eu te amo tanto!' – sussurrou para a tela, cheio de esperança. Desejava que suas palavras chegassem a ela.
Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar a voz do coração
Sakura percebeu que havia algo de errado com Tomoyo na manhã de domingo. Sua prima parecia evitar seu olhar e sempre respondia suas perguntas de forma evasiva ou com o uso de monossílabas. Na hora do almoço, Sakura já estava cansada demais de tentar adivinhar o que poderia estar acontecendo e cobrou respostas enquanto faziam a refeição, de modo que Tomoyo não fugisse.
'Chega de agir desse modo, Tomoyo! Quer me dizer logo o que está acontecendo?'
'Como assim? Está acontecendo alguma coisa?' – Tomoyo parecia realmente não entender do que Sakura falava.
'Você esteve estranha a manhã inteira! Parece que está me evitado!'
'Impressão sua!' – disse, mas sem conseguir encarar Sakura nos olhos – 'Pierre, você acha que estou estranha?'
Pierre, que segurava a taça de vinho tinto, deixou cair metade do conteúdo sobre sua camisa branca de seda. Olhou para Sakura e corou violentamente, entregando através de sua expressão de medo que sabia de alguma coisa, mas que permaneceria quieto.
'Tudo bem, Tomoyo! Se não quer me contar eu respeitarei sua decisão, mas saiba que começarei a pensar que fiz algo errado!'
'Não! Você não fez nada errado, é só que...' – ela respirou fundo, percebendo que precisaria ser sincera com Sakura – 'É uma coisinha à toa! Preciso ir a Paris pra acertar uns detalhes da exposição de inverno! O museu me chamou essa manhã!' – suspirou desanimada – 'Você parece estar tão bem acomodada aqui e eu não gostaria de arrastá-la de volta a cidade! Fazer toda essa viagem e depois voltarmos daqui a dois dias seria demais para você no seu estado!'
'Estou cansada de dizer que não estou doente e sim grávida!' – Sakura viu Pierre derrubar a outra metade do vinho tinto sobre a camisa branca, esqueceu-se de que ele não sabia da gravidez. Ele estava agora com a camisa tão manchada que mal dava pra lembrar de que um dia havia sido branca.
'Mesmo assim, é uma longa viagem! Talvez se eu fosse somente com Pierre poderíamos fazer tudo que precisamos o quanto antes e voltaríamos no mesmo dia!'
'Que bobagem, Tomoyo! Se Pierre não se importar eu posso ficar aqui aguardando por vocês, mas não quero que façam a viagem correndo por minha causa! Vão com calma, resolvam o que precisam fazer e sem pressa! Eu ficarei bem!'
'Mas quem vai cuidar de você?' – Tomoyo parecia apavorada. Sakura revirou os olhos, cansada da proteção exagerada da prima.
'Eu não preciso que ninguém cuide de mim! E até parece que a senhora Augustine não vai ficar o dia inteiro me enfiando comida goela abaixo! A cozinheira de Pierre acredita que se eu não comer até explodir ficarei desnutrida!'
'Eu não sei...' – Tomoyo parecia achar loucura deixar Sakura somente com a cozinheira como companhia.
'Oh, por favor, Tomoyo!' – Sakura agitou as mãos no alto da cabeça, externado sua irritação – 'Vá logo arrumar as suas coisas e volte pra Paris! E Pierre precisa trocar de camisa!'
'Eu voltarei o quanto antes!'
'Eu sei, Tomoyo! Se fizer você se sentir melhor, que tal me ligar de hora em hora?'
'Como não pensei nisso antes?' – Tomoyo sorriu.
'Você não pensou, mas com certeza pensaria! Não se preocupe!'
Horas depois, Sakura via o carro de Pierre se afastar da propriedade, seguindo junto com Tomoyo para a cidade. Tomoyo tinha razão, a viagem era muito longa e ela começava a se sentir cansada devido a gravidez. Ir a Paris e voltar em seguida era bobagem. Ela ficaria muito bem por ali, junto com a senhora Augustine. Talvez se ficasse um pouco longe dos cuidados excessivos da prima, poderia recobrar o controle sobre si novamente.
Já era tempo de pensar sobre o futuro. Não havia como negar que carregava em seu ventre uma criança inocente e que precisaria de cuidados. Aos poucos, as mudanças em seu corpo se intensificavam. Os seios mais fartos, o ventre já se encontrava arredondado, porém, era bem disfarçado pelas roupas de inverno. Não havia sentido em nenhum momento os enjôos matinais, nem grande sonolência, no entanto não podia esquecer o aumento de apetite. Sakura alisou carinhosamente o ventre e sorriu.
'Você é inocente! Não tem culpa de nada de feio que acontece nessa vida!'
Decidiu que a primeira coisa que faria quando voltasse a Paris seria marcar consulta com um obstetra. Precisava marcar exames e cuidar para que nada faltasse a vida que crescia em seu interior. Jamais abandonaria, ou desprezaria seu próprio sangue. Aquela criança inocente seria somente dela. Não teria jamais um pai. Com esse pensamento, ela adormeceu.
Eriol preferia andar por Paris durante o dia. Para ele esse era o melhor momento para encontrar aquela por quem buscava. Sabia que ela era como o sol e que precisava do astro rei para se sentir bem e disposta.
Ele havia saído logo cedo de casa, pois não agüentava mais ver e ouvir Syaoran brigando com os investigadores que procuravam por Sakura. Pelo menos o amigo se desculpava com os pobres homens após cada explosão, alegando não ter direito de descontar neles seu cansaço e nervosismo. A mãe de Syaoran era outro motivo para Eriol sair tão cedo. Não agüentava mais ver o desespero nos olhos daquela mãe ao ver o filho cada dia mais abatido. A senhora Nadeshiko era um caso ainda pior, pois estava diante de uma mãe abatida que apenas queria reencontrar uma filha que sofrera uma crueldade sem tamanho e que precisava dela. Wei era o equilíbrio da casa. Apesar de estar abalado, mantinha-se forte levando todos adiante. Não havia como Eriol achar que seu problema era comparável ao deles, mas era tão importante quanto.
Após visitar uma galeria de arte, Eriol buscou um lugar ao sol numa cafeteria. Pediu um cappuccino ao atendente e o jornal do dia. Depois de saborear seu café e ler as principais manchetes da França, decidiu que era tempo de continuar sua busca. Pagou a conta e saiu para outra caminhada.
Nesse momento o sol brilhou para ele. Seu coração disparou e por um momento perdeu o ar. Ali, no final de uma alameda encontrou a elegante garota que conhecia tão bem. Ela estava descontraída, saindo de uma mercearia onde aparentemente havia feito compras para o almoço. Usava saia longa de lã e um casaco combinando. Sempre estava linda. Quando o olhar dela cruzou com o dele, ela empalideceu e deixou cair a sacola que carregava. Seu olhar espantado era igual ao dele. Por muito tempo os dois ficaram apenas se estudando, até que Eriol fez o primeiro movimento, caminhando até ela, onde pegou a sacola esquecida no chão.
'Eriol Hiiragizawa!' – a voz dela era um sussurro fraco.
'Kaho Mizuki!'
'O mundo pode ser mesmo pequeno, não é?' – ela forçou um sorriso, mostrando estar nervosa.
'Sim, quando sabemos onde procurar o que queremos!'
'Encontrou o que buscava?'
'Sim e não! Sinto que estou muito próximo!'
Eles ficaram novamente em silêncio. Era bem desconfortável não saber o que dizer. Ele tinha tantas perguntas pra fazer e não sabia por onde começar, entretanto notou um brilho no dedo anelar da garota que o desconcertou. Uma aliança?
'Você se casou?' – ele demonstrou surpresa.
'Sim! Faz alguns meses!'
'Oh, espero que seja alguém que a ame muito!' – ele parecia confuso.
'Sim, assim como eu o amo!' – ela estava tão embaraçada quanto ele.
'Claro! Desejo felicidades!'
'Obrigada! Eriol... sinto muito, preciso ir agora!'
'Está fugindo de mim?' – ele riu nervoso, não podia deixar que ela se fosse.
'Claro que não!' – ela parecia ainda mais nervosa.
'Pois parece! Acha mesmo que vou deixá-la ir assim depois de todo esse tempo?' – ele riu.
'O que quer de mim, Eriol?' – ela demonstrou-se derrotada, respirando profundamente.
'Você sabe muito bem! Quero saber onde ela está!'
'Não tenho o direito de te contar! Ela não deseja vê-lo!'
'Pare com isso, Kaho! Você não tem idéia de quanto tempo estou procurando por ela!'
'Por favor, não posso te ajudar, entenda!'
'Ela é feliz?'
'Claro!'
'Não! Quero saber se ela é feliz de verdade!'
Kaho olhou para Eriol e se angustiou. Ela sabia muito bem que sua melhor amiga não era feliz de verdade. Entrava em relacionamentos e saía deles tão fácil como se trocasse de sapatos. Era triste vê-la autodestruir-se como se assim pudesse esquecer esse rapaz que estava diante de si. Era tempo de dar um basta naquele sofrimento.
'Ela estará hoje no museu da rua imperial, está arrumando os detalhes de uma exposição de inverno! Sei que Tomoyo jamais o esqueceu! Vá e nunca mais a deixe sofrer!'
'Obrigado, Kaho! Muito obrigado!' – ele sorriu para a amiga e começou a caminhar – 'A gente se encontra por aí!'
'Eu sei que sim!' – ela gritou, porque ele já estava bem distante, e não pôde deixar de sorrir.
'Tem certeza?' – Syaoran perguntou pela segunda vez.
'Sim, senhor! Descobrimos que ela está em algum lugar ao oeste! Está hospedada com um playboy conhecido! Parece que esse rapaz tem uma paixão não correspondida pela senhorita Tomoyo!'
'Vocês precisam descobrir o endereço! Quero saber a localização desse lugar antes que o dia de hoje acabe, entendeu?'
'Si... si...sim senhor!' – o investigador estava com medo de que Syaoran explodisse novamente em um ataque de estresse. – 'Po... po.. pode deixar, senhor! Hoje mesmo o senhor saberá onde encontrar a senhorita Sakura!'
'Agora vá!'
Syaoran sorriu. Seu humor melhorara muito. Finalmente encontraria a sua Sakura. Finalmente! Mal podia esperar para abraçá-la, sentir o seu perfume e ouvir a sua voz. Andava de um lado para o outro dentro de seu quarto, sem rumo, dominado por uma ansiedade intensa. De repente ele sentiu seu apetite voltar.
'Wei!' – chamou.
'Pois não, Syaoran!' – Wei invadiu o quarto com o avental branco que costumava usar quando preparava as refeições.
'Estou com fome!'
'Ah, sim, claro...' – distraído, Wei levou um tempo pra perceber o que Syaoran realmente dizia – 'Como? Você disse que está com fome? Fome de verdade?' – ele mal podia acreditar.
'Estou faminto! O que teremos para o almoço?'
'Eu... eu... farei qualquer coisa que você queira, desde que coma bem! Nada de refeições largadas no prato e mal tocadas!'
'Comerei o que tiver!'
'Eu já preparo algo delicioso, é só um instante!' – Wei saiu agitado em direção a cozinha.
'O que está acontecendo, Wei?' – perguntou Yelan, quando Wei passou eufórico pela sala.
'Syaoran está com fome!'
'Xiao Lang está com fome? Fome de verdade? Quero dizer... ele vai comer mesmo?' – Yelan estava tão admirada quanto Wei.
'Sim!' – Wei começou a abrir e fechar portas do armário da cozinha em busca dos ingredientes da refeição perfeita.
'Ouviu isso, Nadeshiko! Sabe o que significa?' – Yelan perguntou a Nadeshiko que ouvira toda a história.
'Significa que... Oh meu Deus, ele deve ter localizado a Sakura!' – os olhos de Nadeshiko encheram-se de lágrimas de alegria e esperança.
Sakura passeou pela propriedade na parte da manhã. O tempo continuava bom, com o sol aquecendo a fria estação. Mais tarde, insistiu para que a senhora Augustine lhe ensinasse a culinária francesa, deixando claro que cozinhar não era o seu forte. Com grande alegria, a cozinheira ensinou-lhe uma série de pratos simples e as duas almoçaram ali na cozinha.
'Mousse de chocolate é tão francês!' – Sakura disse, raspando o fundo do prato de sobremesa.
'Pierre é louco por chocolate!'
'Conheço outra pessoa que ama chocolate mais do que a vida!' – disse com um sorriso triste.
'O pai de seu bebê?'
'Oh... quando a senhora percebeu que estou grávida?'
'Desde que chegou! Sabe, tenho muita experiência! Fui mãe de cinco crianças maravilhosas! Todos estão casados hoje e têm suas próprias vidas!'
'Vou criar meu bebê sozinha!'
'Que pena! Toda criança precisa de uma figura paterna! Bem, os tempos mudaram muito desde que eu criei o meu caçula!'
'Estou apavorada!' – Sakura confessou com os olhos lacrimejantes.
'Oh minha querida!' – ela apertou a mão de Sakura passando força – 'Vai dar tudo certo! Você apenas precisa pegar seu bebê nos braços uma única vez e descobrirá que pode enfrentar o mundo inteiro por ele!'
'Espero que sim!'
'Tenho certeza de que aquela sua adorável prima vai estar sempre por perto te dando apoio também!'
'Não há dúvidas quanto a isso!' – sorriu pensando na prima. – 'O que será que ela está fazendo agora em Paris?'
Tomoyo descobrira que o chamado do museu em Paris era por detalhes simples e capricho do diretor. Quase sempre ser estagiária era muito estressante. A exposição estava perfeita e faltavam poucos detalhes para a inauguração. Decidira ficar mais um dia na cidade para resolver tudo que faltasse e assim poderia voltar para o campo e ficar ao lado de Sakura sem preocupações.
Olhou para o relógio e percebeu que passava da hora do almoço. Precisava ligar para a prima e perguntar se havia se alimentado corretamente. Sabia que estava exagerando com sua atenção e afeto, mas era tudo que sentia ser capaz de fazer por Sakura. Se ao menos sua prima conseguisse falar sobre o que havia acontecido, talvez assim ela pudesse fazer algo mais.
A princípio, Tomoyo ficara um pouco chateada com o fato de Sakura não lhe contar seu problema, pensando que fosse por falta de confiança, entretanto com o tempo percebeu que não era esse o problema. Pouco a pouco notou sinais perturbadores. Inicialmente percebeu pela postura da prima que ela havia passado por algum episódio ruim em sua vida, algo que havia roubado o brilho de seus olhos e o sorriso de seus lábios.
As mudanças que aconteceram em Sakura não pararam por aí, pois ela estava constantemente assustada, evitando toda e qualquer companhia, principalmente a masculina. Tomoyo podia ver em seu rosto um grande medo quando algum rapaz se aproximava e o modo como Sakura passou a evitá-los. À noite, esses sinais eram ainda mais perturbadores, pois Sakura passou a ter pesadelos freqüentes. Tomoyo perdeu a conta das vezes que Sakura acordava chorando ou aos gritos. Eram noites angustiantes para as duas.
Não demorou muito pra Tomoyo perceber a mudança mais surpreendente em Sakura, que era o fato de ela estar grávida e infeliz. Além de nunca comentar sobre a gravidez, ela parecia não desejá-la. Seria um rapaz que teria mudado para sempre a vida de sua prima? Ela teria amado esse homem misterioso? Ele a abandonara?
Tomoyo fechou os olhos e respirou profundamente, pois se sentia muito mal por não conseguir fazer algo para que Sakura voltasse a ser do mesmo modo que costumava ser antigamente. Infelizmente não conseguia desvendar o mistério que cercava Sakura.
'Terminou por hoje?' – Pierre perguntou a Tomoyo.
'Sim! Não havia muito a se fazer! Vou almoçar agora! Quer vir junto?'
'Eu gostaria muito!' – tentou esconder a timidez que sempre sentia ao lado de Tomoyo – 'Mas preciso resolver muitas coisas!'
'Não tem problema! Vou aproveitar pra visitar a Kaho! Faz tempo que não a vejo!'
'Mande lembranças minhas!'
Tomoyo pegou sua bolsa e passou a caminhar até sua casa. Estava louca de vontade de arrancar os sapatos de salto e tomar uma xícara de chá. Nada de chá inglês ou francês e sim o bom e tradicional chá japonês.
Andar por Paris era como caminhar por uma pintura do século XIX. Tudo era tão antigo e ao mesmo tempo moderno, mas principalmente artístico.
Resolveu passear diante das vitrines, assim poderia comprar um presente pra alegrar o ânimo de Sakura. Será que algo para o bebê poderia causar algum efeito positivo sobre sua prima? E algo para a futura mamãe também, como um novo casaco? O inverno ainda não estava tão frio, mas não demoraria muito pra começar a incomodar. Poderia comprar também um mimo, nada melhor do que um mimo pra fazer uma mulher sorrir. Entrou numa loja de departamentos, onde poderia encontrar tudo o que precisava e ainda poderia comer alguma coisa.
Lembrou-se que Pierre planejava oferecer outra reunião para os amigos mais próximos e decidiu comprar uma garrafa de vinho pra agradecê-lo por tudo que estava fazendo por ela e por Sakura. Os dias no campo estavam sendo mais prazerosos para Sakura do que a agitação da cidade.
Não sabia qual era a melhor opção para presentear um homem, então resolveu pedir a opinião de um rapaz que estava por ali.
'Com licença, poderia me dar uma sugestão? Acha que esse vinho poderia... o que foi? Por que está me olhando assim? Nós nos conhecemos de algum lugar?'
O rapaz era um total estranho para ela, mas ele a olhava de modo que não deixava dúvidas de que a conhecia. Começou a se sentir assustada. Ele havia ficado de repente pálido.
'Você é ela... a prima... onde ela está?' – disse o rapaz.
'Desculpe-me, mas não compreendo!' – Tomoyo começou a se distanciar do rapaz de comportamento estranho.
'Não vá... desculpe-me por assustá-la! Eu preciso falar com você! Preciso de informações! Onde está a Sakura?' – ele a segurou pelo braço.
'É melhor me soltar!' – Tomoyo parecia prestes a gritar por ajuda. – 'Eu vou chamar o segurança!'
'Tomoyo?' – chamou outra voz masculina.
Tomoyo arregalou os olhos. As pernas ficaram moles e o coração disparou. Aquela voz ela conhecia muito bem... ela se virou e deparou-se com ele. Eriol, em carne e osso.
'Eriol...' – sua voz saiu num sussurro diminuto.
Eriol não poderia estar mais espantado do que naquela ocasião. Ele havia aceitado acompanhar Syaoran até aquela loja pra ouvir as novidades sobre a busca do paradeiro de Sakura, enquanto eles compravam algumas coisas que Syaoran precisava e o vinho que Wei havia pedido pra preparar uma receita. Eles se separaram apenas por um momento, enquanto ele conferia a sessão de informática e quando foi se juntar a Syaoran ele a viu. Tomoyo. Ela estava tão linda e perfeita, exatamente como ele se lembrava. Por um instante ele sentiu que o chão se abria e o engolia, tamanho o abalo que sentiu por todo o corpo. Ele viu quando Tomoyo foi perguntar algo para Syaoran e ficou chocado ao perceber o que acontecia.
'Solte-a, Syaoran! Ela está assustada!' – ele viu o amigo a soltando confuso – 'É bom te revê-la, Tomoyo! Estive te procurando por muito tempo!' – ele a olhava fascinado, quase em transe.
'Procurando por ela? Não me diga que...' – Syaoran não conseguia acreditar na história que se desenrolava bem ali.
'Sim, Syaoran! Estou tão surpreso quanto você, eu não sabia que Tomoyo é a prima de Sakura!'
'O que está acontecendo? Por que você está aqui, Eriol? Por que esse rapaz procura a Sakura?' – perguntou uma Tomoyo atônita.
'Estamos aqui por motivos diferentes! Syaoran está procurando por Sakura desde que ela saiu do Japão sem dizer para onde ia!'
'Por favor, diga-me onde ela está! Leve-me até a Sakura!' – Syaoran pediu de forma ansiosa.
Tomoyo olhou para o rapaz estranho a sua frente e notou certa intimidade na relação dele com a prima. Provavelmente eles estavam ligados amorosamente. Será que Sakura gostaria de reencontrá-lo? Nesse momento, ela compreendeu que poderia entender alguma coisa do que vinha acontecendo com sua prima.
'Tenho perguntas a fazer antes de dizer onde ela está!' – tentou controlar um pouco os ânimos das pessoas ali presentes.
'Por mim tudo bem! Gostaria de ir até nosso apartamento?' – Syaoran sugeriu.
'Creio que o meu esteja mais próximo! Acompanhem-me, por favor!'
Durante o caminho de apenas um quarteirão de distância, Tomoyo esteve consciente da presença de Eriol o tempo todo ao seu lado. Lembrou-se de que ele havia dito que ele e o tal Syaoran estavam ali por motivos diferentes. Qual seria o motivo de Eriol estar em Paris? Não podia negar que revê-lo havia sido uma tortura. Não conseguia acreditar que seus sentimentos por esse rapaz pudessem estar tão fortes depois de tanto tempo de separação.
'Fiquem à vontade!' – disse Tomoyo, convidando os dois rapazes a entrarem em seu apartamento e se sentarem. – 'Conte-me como você me conhecia?' – ela perguntou ao amigo de Eriol. Aquele rapaz estava muito ansioso, mas ela percebia que ele tentava manter a calma.
'Olhe!' – Syaoran puxou a carteira do bolso e de lá retirou algumas fotografias. – 'Veja como a reconheci! Essa foto pertence à Sakura! Ela me contou sobre você! Diga-me onde ela está? Leve-me até ela! Por favor...'
Tomoyo olhou para a fotografia, onde ela e Sakura estavam juntas. Lembrava-se da ocasião. Olhou novamente para o rapaz. Ele estava angustiado, parecia estar sofrendo, mas havia nele um ar digno. Não parecia ser um perseguidor, muito menos um maluco.
'Espere... Eriol te chamou por Syaoran? Você é o rapaz que dividia o apartamento com a Sakura?'
'Isso mesmo! Meu nome é Syaoran Li! Desculpe-me por não me apresentar, mas eu fiquei desesperado quando te reconheci!'
Tomoyo passou a andar pela sala refletindo sobre as novas informações. Ainda não conseguia compreender o que estava acontecendo. O que teria acontecido com Sakura que a fez fugir para a França? Estaria fugindo desse rapaz? Seria dele o bebê que a prima esperava? Será que ele sabia da gravidez?
'O que aconteceu com a Sakura no Japão? Ela está mudada! Estou aflita!' – Tomoyo perguntou de uma vez por todas.
'Ela não contou a você?' – Syaoran abaixou a cabeça entristecido.
'Ela não me conta nada! Não sei mais o que posso fazer por ela!' – desabafou demonstrando seu cansaço.
'Não tenho o direito de lhe contar o que aconteceu! Cabe a Sakura decidir quem deve saber ou não!' – Syaoran respondeu com medo de que Tomoyo ficasse nervosa e não lhe dissesse onde Sakura estava.
'Mas algo de mal aconteceu?' – perguntou angustiada.
'Sim! Por favor, não posso dizer mais nada!' – Syaoran queria fazê-la entender.
'Como saberei se você não foi o causador do mal?'
'Não fui! Você precisa acreditar em mim! Eriol, diga a ela que não fiz nada de mal a Sakura e que nunca faria!'
'É verdade?' – Tomoyo finalmente olhou para Eriol, pois ela esteve evitando-o.
'Sim!' – Eriol confirmou.
'Os dois precisam se colocar em meu lugar. Sei que algo aconteceu com a minha prima, que é uma das pessoas que mais amo nesse mundo. Sei também que foi algo horrível, que roubou sua alegria de viver! É lógico que vou desconfiar de qualquer pessoa que apareça assim de repente a procurando!'
'Entendo sua lealdade!' – Syaoran a tranqüilizou – 'Você não precisa acreditar em nós, mas acreditaria em sua tia Nadeshiko?'
'Claro, ela é a mãe da Sakura, mas...'
Tomoyo ficou em silêncio vendo Syaoran retirar do bolso do casaco um aparelho celular. Não demorou muito para ele discar o número e falar brevemente com uma pessoa. Em menos de um minuto explicou a situação para a outra pessoa na linha e passou o aparelho para Tomoyo.
'Tomoyo?'
'Tia Nadeshiko?' – ela não disfarçou sua surpresa.
'Por favor, diga a Syaoran onde ele pode encontrar a Sakura! Nós a estamos procurando há muito tempo!'
'Posso confiar nele?'
'Claro que sim!'
'Tia... aconteceu algo muito grave com ela?' – Tomoyo começou a temer a resposta.
'Oh querida... Sakura não foi capaz de desabafar com você?'
'Ela não me conta nada...'
'Façamos assim... você diz onde ela está para o Syaoran, ele é o único que provavelmente poderá ajudá-la! Se ele conseguir, tenho certeza de que Sakura conseguirá desabafar com você!'
'Espero que sim... espero que sim! Vou contar então!'
'Ótimo! Espero encontrá-la em breve!'
'Sim, claro!'
Tomoyo desligou o aparelho e o devolveu a Syaoran. Pensou rapidamente na situação, mas não conseguia entender o que estava acontecendo. Caminhou até sua bolsa e retirou uma agenda, de onde copiou numa folha à parte o endereço da casa de campo de Pierre. Percebeu o quanto Syaoran estava ansioso pelo papel, mas antes de entregá-lo ela pediu:
'Por favor, ajude-a!'
'Farei o melhor que puder!' – pegou o endereço que ela lhe passou – 'Obrigado! Não sabe o quanto eu preciso encontrá-la!'
Tomoyo queria perguntar se Syaoran amava Sakura, mas não deu tempo, pois ele já havia saído correndo e, o pior de tudo, ele a deixara a sós com Eriol. Ela se virou e deparou-se com o rapaz a fitando atentamente. Sentiu a pele de seu corpo inteiro arrepiar-se... Céus, como ela amava aquele homem.
Continua...
Trilha sonora: Um dia de domingo
Artista: Tim Maia
Música sugerida pela Cris-chan.
Ruby: Quem adivinhou que a Sakura tinha fugido para a França levanta a mão! Só isso? Mas parecia tão óbvio...
Well... revelações bombásticas! Sakura fugiu e Syaoran está se acabando de preocupação e saudade. OMG! A Sakura está grávida! Como deve estar a cabecinha dessa menina? Como será que ela vai sair dessa? Ela vai sair dessa? Se alguém souber essas respostas me diga, pois eu estou curiosa!
Aê galera... a palavra chave é: "Empatia!" Isso mesmo, a capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa. Coloquem-se no lugar dela, imagine-se passando por tudo que ela passou. Sinistro, não é?
Aiaiai, Eriol reencontrou Kaho Mizuki, vocês viram? Mas o amor da vida dele era na verdade a Tomoyo, porém acho que enganei quase todo mundo com aquela cena, não foi!? (risada sinistra) E será que a vida resolveu oferecer uma segunda chance ao nosso amado casal? Sei não, muito tempo se passou, eles mudaram e... eles estão totalmente sozinhos! Imaginando as possibilidades! Ahhh muleque, isso promete!
Er... cof cof... mudando de assunto: Muito obrigada a todos! (Ruby se curva em reverência aos seus leitores). Ué, Ruby, mas por quê? Ah... explico: estou agradecendo por todos o comentários que recebi pelo capítulo 09. Acho que foi o capítulo mais comentado até agora e eu fiquei tão feliz que escrevi esse capítulo com toda a minha dedicação e tentei acelerar o máximo que pude. Foi um mês de trabalho intenso, mas valeu! Sei que já falei isso antes, mas o fim se aproxima! Talvez o próximo capítulo seja o último, mas tem probabilidade da fanfic alcançar 12 capítulos!
Agora é com vocês: Comentem! E não se preocupem, eu não me importo com críticas, adoro sinceridade e acredito que aprendo mais sabendo se agradei ou não e o motivo. Quem será o comentário de número 400? Será que essa pessoa terá gostado? (roendo as unhas)
Agradecimentos:
Minha amiga querida, revisora, sonoplasta, conselheira, a TDB: Cris-chan! Para você o meu muito obrigada! Adorei os palpites e aceitei a todos se você perceber! Juro que tentei melhor o que você me cobrou, mas acho que provei ser amadora afinal, eu não consegui fazer muito mais pela cena.
Outras amigas importantes que me impulsionam sempre positivamente, com sinceridade e me ajudam a encontrar soluções quando tudo parece perdido: Yoruki Hiiragizawa, Thata e Ana Maria. Obrigada por tudo!
Não pude resistir:
Enquanto isso, no msn...
Ruby - Amor de Infância - Atualizado! No ar cap 14! diz (23:05):
Resolvi "não fazer" o reencontro da Tomoyo e do Eriol uma coisa melosa e sim uma confusão total
[b][c=2]YoruMarmalade Boy!![/c=49][/b] diz (23:05):
algo meio Kyo e Tohru??
XDDD
ela o vê e sai correndo?
XDDD
Ruby - Amor de Infância - Atualizado! No ar cap 14! diz (23:05):
hahahaha... hehehehe, não, muito mais confuso
[b][c=2]YoruMarmalade Boy!![/c=49][/b] diz (23:06):
ah... achei que seria engraçado...
ela no meio da loja de departamentos...
e de repente o vê... todo atraente e másculo caminhando em direção a ela, com um ar de confiança...
aí ela congela, empalidece e depois sai correndo e gritando...
Ruby - Amor de Infância - Atualizado! No ar cap 14! diz (23:07):
XDD...
Nem, pare de sonhar sua romântica
vai ser como um choque, o primeiro impacto nada romântico, vai frustrar o leitor
hahahahaha
[b][c=2]YoruMarmalade Boy!![/c=49][/b] diz (23:07):
ah... o.Ò
nada romântico?
o.Ò
como assim, nada romântico?
Ruby - Amor de Infância - Atualizado! No ar cap 14! diz (23:07):
...
[b][c=2]YoruMarmalade Boy!![/c=49][/b] diz (23:08):
nada romântico... ela disse...
Ruby - Amor de Infância - Atualizado! No ar cap 14! diz (23:08):
... =] *cara da inocência*
[b][c=2]YoruMarmalade Boy!![/c=49][/b] diz (23:08):
Então como seria?
Ruby - Amor de Infância - Atualizado! No ar cap 14! diz (23:08):
pensei em algo assim:
- o Li sai correndo pra encontrar a Sakura
- Eriol e Tomoyo ficam num silêncio incômodo, e eles se estudam por um tempo, cada um com seus botões...
- então puxam papo, o Eriol ainda diria que ela não devia mais se preocupar com a Sakura, pq se havia alguém capaz de ajudar a prima, esse alguém era o Li
- então o assunto passaria a ser sobre eles
Ruby - Amor de Infância - Atualizado! No ar cap 14! diz (23:16):
Assim:
oh... oq vc faz aqui?
nada demais, vim te procurar
Me procurar? q estranho, mas pq?
pq te amo e preciso de vc!
ah legal... q bom pq eu tb te amo, então me dá um beijinho?
Ruby - Amor de Infância - Atualizado! No ar cap 14! diz (23:17):
hahahaha, algo assim XDDD
[b][c=2]YoruMarmalade Boy!![/c=49][/b] diz (23:17):
«I imaginando o Eriol fazendo um beicinho e pedindo um beijinho...
[b][c=2]YoruMarmalade Boy!![/c=49][/b] diz (23:18):
«I imaginado a Tomoyo fazendo um beicinho e pedindo um beijinho...
[b][c=2]YoruMarmalade Boy!![/c=49][/b] diz (23:19):
o.Ò
em ambos os casos é inimaginável...
Ruby - Amor de Infância - Atualizado! No ar cap 14! diz (23:20):
bem... boa noite, quando a fic for pro ar vc vê oq acontece
kissus
[b][c=2]YoruMarmalade Boy!![/c=49][/b] diz (23:20):
máááááááááááááááá
Ruby - Amor de Infância - Atualizado! No ar cap 14! diz (23:20):
eu??? nem
Assim nasce uma cena hahahahaha! Espero que vocês tenham compreendido o espirito da concepção da idéias dessa doida aqui!
Participem da Comunidade Sakura Fanfics no Orkut, somente lá vocês podem conferir a fanfic "Amor de Infância" que teve o capítulo 15 postado na semana passada! Participem, leiam e comentem! Endereço no profile!
Anime da Semana: Itazura na Kiss! Parece novela mexicana! Amei!
Dorama da Semana: Nodame Cantabile SP! Simplesmente divino!
Agora... Comentem! Kissus!
