Capítulo Dez – Uma inimiga na Ordem
CLEC. CLEC. CLEC.
Ele observava seus próprios pés caminhando naquele chão de terra batida, coberto pelas folhas secas e amareladas do outono, produzindo aquele som característico, como se estivesse quebrando as folhas com seus passos.
Parou de andar e levantou a cabeça para observar o céu nublado; sentiu o vento ameno bafejar-lhe a face quase carinhosamente, sussurrando, ao mesmo tempo em que agitava as folhas secas ao seu redor. Seus cabelos se moviam suavemente, bem como suas vestes.
Abaixou novamente o olhar e divisou além os ciprestes retorcidos, negros tal como ele estava por dentro. Colocou as mãos no bolsos e suspirou longamente, sentindo um enorme vazio no peito. Ouviu mais uma vez aquele som ressecado de trituração quando recomeçou a caminhada.
Até o cheio daquele lugar remetia à tristeza e solidão; um odor ligeiramente pútrido, sombrio, escuro e amargo. O vento começou a se tornar mais forte e furioso, levantando mais folhas e arranhando sua face, sussurrando frases que ele não podia compreender.
Ele finalmente parou de caminhar em frente a um marco de pedra escura e polida; havia alguns dizeres talhados ali, que ele leu em voz alta, como se estivesse recitando um poema fúnebre. Sentiu o vazio aumentar ainda mais ao ouvir aquelas palavras rasgando o silêncio do lugar; o sussurro do vento parecia continuar a repeti-las, num claro tom de acusação, enchendo seu peito de uma dilaceradora culpa que não o abandonava de maneira alguma.
- Foi inevitável.
Uma voz murmurou ao seu lado; seria o vento? Não, o vento não lhe dirigiria palavras com aquele tom doce e sutil. Virou-se, mas a face da pessoa se desfez em um rodamoinho nebuloso.
Harry abriu os olhos com um repentino sobressalto. Seu coração pulsava mais rapidamente do que o normal, mas não estava descontrolado. Ele permaneceu na mesma posição que acordara, deitado de lado, virado para a janela.
Ainda era madrugada; o silêncio no dormitório era quase palpável, apenas cortado pelas respirações calmas dos seus colegas da Grifinória e pelo sussurro do vento que penetrava por uma fresta da janela. Lá fora havia estrelas no céu e uma lua brilhante, que já minguava, produzindo uma luz vacilante no quarto adormecido.
A respiração de Harry também já tinha serenado, e ele se ajeitou melhor na cama, debaixo das cobertas. Seu olhar recaiu novamente no céu lá fora, mas ele não estava vendo-o realmente; tentava, ao olhá-lo, lembrar-se daquele outro céu nebuloso do sonho, mas não conseguia. Os detalhes começavam a escapar-lhe da memória sem permissão.
Harry se virou na cama, tentando encontrar uma posição confortável; olhou para o relógio na mesa de cabeceira, ao lado daquele antigo globo de vidro que tinha ganho de sua avó; era noite sobre Hogwarts dentro dele também. O relógio marcava duas e meia da madrugada. Ainda tinha muito o que dormir antes que seu martírio recomeçasse; ele já nem se lembrava mais o que era a vida sem deveres, estudos e aulas (fossem extras ou normais). Mas ele não queria pensar naquilo enquanto tinha a perspectiva maravilhosa de que poderia ainda dormir por mais cinco abençoadas horas.
Rony respirou mais forte e murmurou algo sem sentido durante o sono. Harry se virou novamente na cama, finalmente encontrando uma posição confortável, e fechou os olhos devagar, pegando no sono em seguida, o sonho anterior totalmente esquecido naquele sono tranqüilo.
Harry cabeceou de sono pela quinta vez e voltou a si com um susto.
A voz monótona e asmática do Prof. Binns penetrava em seus ouvidos, mas seu cérebro não conseguia registrar uma palavra sequer. Ele escutava a pena de Hermione, ao seu lado, arranhar o pergaminho sempre da mesma maneira. Rony apoiava seu queixo na mão, os olhos semicerrados; fazia um buraco na mesa com a ponta da pena que riscava repetidas vezes sobre a madeira num gesto de evidente tédio.
Era a última aula do dia e, por isso mesmo, parecia a mais longa. Harry estava exausto. Lembrou-se de algo que sua avó, na época em que ele era pequeno apenas a "Sra. Figg", dizia: "Queria que o mundo acabasse num barranco para morrer encostado." Aquilo traduzia exatamente como Harry se sentia naquela quinta-feira ventosa.
Já tinha perdido as contas de quantas aulas tivera no dia e de quantos deveres tinha acumulado. Sua cabeça doía só de pensar no quanto de coisa que tinha para fazer e em mais uma noite curta e mal dormida que teria depois de tudo isso. Como ele queria poder dormir ali, naquele exato momento...
Abaixou a cabeça sobre os braços lentamente, sem perceber o que estava fazendo. Em algum canto longínquo em sua mente, ouviu alguém resmungar e outra pessoa murmurar algo em um tom apaziguador. A voz do Prof. Binns estava cada vez mais distante. A última coisa que sentiu foi alguém mexer no seu rosto, nos seus óculos...
Alguém o cutucou delicadamente.
- Harry?
- Não é assim que se faz, ele nunca vai acordar desse jeito.
- E o que você sugere, então? Que a gente dê um susto nele?
- Tenho algo mais divertido em mente.
Aquelas vozes estavam distantes e não faziam sentido algum. Algo o cutucava no braço direito, irritante e incessantemente. Harry resmungou. Ele só tinha abaixado a cabeça, por que não o deixavam em paz?
- Ah, pára... – pediu com um resmungo.
- Harry, a aula já acabou.
Quando ele finalmente processou as palavras em seu cérebro difuso, foi como se voltasse à Terra com um baque forte e repentino. Levantou a cabeça rapidamente e sentou-se ereto, piscando várias vezes. Parecia que se tinha passado apenas alguns minutos, mas ele tinha a impressão de que não confirmariam isso se perguntasse.
O contorno difuso de Rony riu. Harry estreitou os olhos para ver melhor. Alguém suspirou profundamente e se aproximou, colocando seus óculos no rosto. Harry conseguiu distinguir Hermione à sua frente e ajeitou as lentes sobre o nariz para vê-la melhor.
- Eu dormi?
- Você hibernou! – Rony riu novamente. – Nem eu conseguiria dormir tão pesado assim em aula! Acho que nem Neville conseguiria!
Hermione bufou exasperada e começou a recolher suas coisas. Harry ainda estava um pouco tonto e levou sua mão à cabeça; tudo parecia ainda não ter-se encaixado à realidade.
- Anh... puxa... eu nem notei...
- É, e quem tem que copiar as coisas é sempre a Hermione, não é? – a garota resmungou indignada.
- É claro, você não quer que eu e Harry reprovemos nos N.I.E.M.s e você termine Hogwarts sozinha, não é? Afinal, o que você faria sem a gente, Hermione?
Ela lançou um olhar estreito para Rony, mas pareceu difícil reprimir um sorriso que indicava que ela tinha achado graça naquilo.
- Hermione queria te acordar. – Rony disse rolando os olhos. – Mas eu não deixei.
Harry sentiu que finalmente estava voltando à realidade. A sala de História de Magia tinha entrado em foco. Ele percebeu que Hermione estava guardando as suas coisas e interrompeu o trabalho dela, agradecendo com um sorriso que também a fez sorrir, apesar dela estar reprimindo isso.
- Ufa. – Rony se sentou na cadeira da frente. – Eu só quero comer e depois me jogar na minha cama!
- Você sabe que não podemos. – Hermione explodiu a nuvem do sonho que também tinha se formado na mente de Harry sem piedade. – Temos muitos deveres pendentes, aliás, vocês estão com os deveres acumulados novamente.
- Deveres, deveres, deveres! – Rony repetiu. – Estou ficando alérgico a palavras desse tipo. São perigosas para minha saúde. Você quer que eu fique doente, Hermione?
- Rony!
- Então pare de repetir isso!
Harry riu, fechando a mochila e jogando-a às costas. Os três saíram da sala, Rony e Hermione ainda discutindo sobre a palavra "deveres".
- Vamos jogar xadrez depois do jantar, Harry? – Rony olhou ansiosamente para o amigo mais tarde, inclinando a cabeça para se desviar de Hermione, que erguia os olhos para o teto. – A gente faz os deveres no final de semana.
- Eu não vou ajudá-los – ela ameaçou perigosamente.
- Temos muito tempo ainda. – Rony a ignorou solenemente.
- Estou avisando...
- Bem que eu queria. – Harry disse tristemente. – Mas hoje vou ter que ir à biblioteca depois do jantar.
Hermione arregalou os olhos.
- Ora, ora! – exclamou sorridente. – Então, finalmente um de vocês dois tem juízo!
Rony fez um som de nojo. Harry se apressou em explicar.
- Marquei de fazer aquela redação de Defesa com a... – ele engoliu em seco. – Willians. – foi a vez de Hermione fazer um som de nojo. – Era o único horário disponível para mim e para ela.
- Bem, ao menos você estará fazendo algum dever, tecnicamente. – Hermione disse enojada. – Boa sorte, Harry.
- E você, Hermione? – Rony se pronunciou. – Não vá dizer que vai ficar no salão comunal fazendo os deveres de hoje até mais tarde, não é? Porque nós poderíamos... – ele começou, seu olhar se tornando significativo.
- Não, não poderíamos. – ela retrucou, ao mesmo tempo que os três paravam para dar passagem a um grupo grande de corvinais que ia passando. – Eu também vou fazer minha redação de Defesa hoje.
- Eu pensei que já tivesse feito! – Rony exclamou, suas orelhas ligeiramente vermelhas. – Mas, você vai fazê-la na sala...
- Na sala dos monitores. Combinei de encontrar Brendon lá.
Harry não conseguiu tapar os ouvidos a tempo da explosão de Rony.
- VOCÊ VAI SE ENCONTRAR COM ELE? SOZINHA? NA SALA DOS MONITORES?
- EU VOU FAZER UM TRABALHO, RONY! – ela gritou agudamente. Harry pôde sentir os gritos dos dois ecoarem no seu cérebro cansado. – UM TRA-BA-LHO! O QUE VOCÊ ESTAVA INSINUANDO?
Rony parecia um pouco menor.
- Eu... erm... eu estava... é que... você entende... eu... ah... erm...
Harry já estava acostumado com aquilo e não se importou muito. Ele agradeceu o maravilhoso silêncio que se seguiu à discussão, o qual acariciava seus ouvidos como uma bênção. Mas quinze minutos de silêncio, depois de já terem entrado no Salão Principal e sentado à mesa da Grifinória, realmente eram preocupantes.
- Erm... – ele iniciou incerto, observando seus amigos, que não se encaravam. – E você, Rony? Como vai fazer a redação?
Era uma pergunta cretina e ridícula, mas foi a única coisa que ocorreu a Harry. Ele achou que era dever dos amigos darem um desconto a ele, afinal, seu cérebro não estava funcionando direito depois de toda aquela gritaria. Provavelmente seus neurônios estavam todos tortos dentro do seu cérebro.
- Eu não vou fazer. – Rony resmungou.
- Como? – Hermione quase se engasgou com o pedaço de frango que tinha colocado na boca. – Você enlouqueceu?
Harry também estava surpreso.
- Ora, vocês não acham que eu vou ficar fazendo "trabalhinhos" com o Malfoy, não é? – Rony disse emburrado, cortando seu bife com tanta força que ele escapou do prato. – Nem ele, muito menos eu, quer isso.
- Mas... mas... – Hermione parecia estranhamente sem palavras. – Ora, francamente!
- Fracamente, Hermione, digo eu! – Rony exclamou parecendo realmente magoado. – Você nunca pára para ver o meu lado, não é?
- Oh... eu...
Mas ela também acabou não dizendo nada. Harry se sentiu constrangido.
- Nós podemos ajudá-lo. – ele disse repentinamente. – Quer dizer, se você quiser fazer o trabalho sozinho, eu e Hermione podemos ajudá-lo, não é, Mione?
- Claro. – ela falou voluntariosamente. – Nós vamos ajudá-lo, Rony.
Poderia ser só impressão, mas ele ficou um pouco mais animado depois da frase de Hermione e do tom que ela utilizou.
- Apesar... de não ser justo você fazer o trabalho sozinho, Rony. – Hermione voltou no assunto um tempo depois. – Quer dizer, Malfoy vai tirar nota nas suas costas!
- Eu não vou colocar o nome dele. – Rony resmungou.
- Bem, então, se é assim... Nós vamos te ajudar mais tarde, Rony... Harry é ótimo em Defesa Contra as Artes das Trevas.
Harry sentiu o rosto avermelhar ligeiramente.
- Hm. Você tira notas melhores do que as minhas.
- Não quando temos bons professores. – ela espantou o assunto. – Você tirou notas melhores com o Prof. Lupin, a Profª. Figg, a Profª. Stevens...
- Stevens? – Rony perguntou intrigado. – Você odiava a mulher e agora diz que ela foi uma boa professora?
Harry engasgou; sabia muito bem porque Hermione não gostava da professora anterior deles, Samantha Stevens. Hermione parecia um pouco desconcertada, mas se manteve firme.
- Eu não gostava dela, mas não posso negar que ela ensinava.
Rony depositou o garfo sobre o prato lentamente.
- Eu nunca entendi porque você não gostava dela. Quer dizer, ela tinha um jeito meio estranho, mas não era ruim.
- Ela era ruim. – Hermione pareceu não se conter. – Não importa.
- Rony, deixe Hermione em paz, vá. – Harry também não conteve as palavras. Não gostava daquele assunto também. Rony o encarou intrigado, e Hermione parecia surpresa e tensa.
- Por que está falando assim, Harry? Há algo que você saiba?
Foi a vez de Harry se engasgar com o suco de abóbora. Ele tossiu algumas vezes, e sentiu os olhares dos amigos inquisidores sobre si.
- Eu não! É claro que não.
Mas ele não soava tão convincente assim.
- Você sabe, Harry? – foi Hermione que perguntou e seu olhar era incisivo. – Sabe?
Ele sabia a que ela se referia, mas deveria fazer o quê? Fingir que não sabia? Era um assunto delicado para Hermione e também para ele; Harry tinha noção de que se confirmasse, teria que contar o que tinha acontecido no fim do ano anterior, coisa que ele não sabia se estava pronto para fazer. Rony parecia enervado por não estar participando do assunto.
- Ei, eu sou o único que está boiando aqui, afinal?
Harry se levantou. Hermione enrugou as sobrancelhas.
- Onde você vai?
- Preciso... biblioteca... – Harry jogou a mochila nas costas. – Vocês sabem...
- Mas a Willians ainda tá comendo na mesa da Sonserina! – Rony exclamou, apontando a garota. – Não precisa...
Mas Harry já tinha dado as costas aos dois; tinha sido o único jeito que ele tinha encontrado para, ao menos, adiar o assunto. Ainda ouviu a voz de Rony, categórica:
- Hermione...
Harry nem queria pensar no que ia acontecer a seguir. Ele saiu apressadamente do salão, o mais rápido que suas pernas conseguiam sem parecer que ele estivesse correndo. Ele ainda não estava pronto para contar a verdade a Rony e Hermione. Não agora, não ainda. Ele não suportaria ter que contar tão inesperadamente tudo o que tinha ocorrido entre ele e Samantha no fim do semestre, ainda tão recente. Ele ainda não tinha conseguido aceitar tudo o que tinha descoberto, apesar de tudo que Dumbledore tivesse dito para consolá-lo.
- Potter!
Harry parou e se virou. Observou surpreso e sem entender a Profª. McGonagall caminhando apressada e parando de frente a ele, postando a mão direita no colo, esbaforida e ligeiramente avermelhada. Com certeza as coisas naquele dia estavam um pouco... surreais.
- Oh, Harry, eu estava chamando-o há cinco minutos!
- Me... me desculpe, professora. – ele murmurou. – Eu estava distraído.
- Deu para perceber. – ela disse severamente, respirando fundo e retomando a pose de sempre. – Eu tenho um recado para você. Do diretor.
Harry se aprumou e ouviu com atenção. Seria mais uma aula?
- Vá até a sala dele, hoje à noite, às oito. Presumo que tenha memorizado a senha.
Harry assentiu, mas por dentro estava preocupado. Tinha que terminar a redação de Remo e depois sair correndo para encontrar Dumbledore. Que dia! Bem, se não terminasse a tempo deixaria Willians falando sozinha mesmo, quem se importava?
A Profª. McGonagall o observou por cima das lentes quadradas, um olhar analisador:
- Você está bem, Harry?
Ele engoliu em seco. Será que estava assim tão transparente? Ela já tinha lhe perguntado isso uma vez. E havia também Rony e Hermione antes, percebendo a mentira que ele com tanto cuidado tentara ocultar por meses. Tinha que tomar mais cuidado ou dali a pouco todos saberiam até o que estava pensando.
- Tudo bem, professora. Mesmo.
- Ah. – ela ajeitou os óculos. – Não se atrase no encontro, o diretor disse que era importante. Boa noite.
Harry se virou e seguiu pelo lado oposto, caminhando rápido. Levou as mãos à cabeça, confuso. Isso não estava indo nada bem. Ele pensou novamente em Rony e Hermione, preocupado. Eles tinham percebido? Será que perguntariam algo mais tarde? Não, não poderiam. Rony esqueceria aquilo depressa, era bem do feitio dele. E Hermione... bem, ela andava tão preocupada com a escola e a implicância constante de Rony que, com sorte, também não se lembraria de perguntar nada. Pelo menos Harry esperava que assim fosse.
Ele chegou à biblioteca, sabendo que era cedo demais, mas de nada teria adiantado permanecer no Salão Principal; apenas complicaria as coisas para seu lado. Além disso, ele estava tão cansado que nem sentia fome. Se pudesse, subiria para seu dormitório e dormiria direto até o dia seguinte. No entanto, tinha que estudar agora com aquela pentelha da Willians e, mais tarde, com Dumbledore. Só esperava sair vivo depois de tudo isso.
Harry depositou sua mochila em qualquer uma das muitas mesas vazias. Pensou em se sentar, mas sabia que acabaria abaixando a cabeça e cochilando novamente. Não queria ouvir gracinhas de Willians por vê-lo assim. Resolveu dar uma volta na biblioteca, talvez achasse alguns livros que adiantassem a pesquisa para a redação. Madame Pince, que verificava uma lista, observou-o com desconfiança enquanto se dirigia aos seus preciosos livros. Harry bufou.
Não adiantava procurar livro algum. Ele caminhou por várias prateleiras por muitos minutos até perceber que estava na seção de romances, de tão distraído que estava. Fez uma careta e deu meia volta, pensando em voltar para a mesa e esperar Willians, quando quase deu de cara com ninguém menos que Gina.
""timo"
, pensou com crescente desânimo. "Era só mais isso que faltava."- Anh. Olá, Harry.
- Olá.
Era uma situação difícil. Harry desejava poder sair dali; sua mão começou a suar e ele abaixou o rosto, tentando achar o chão para olhar. Mas havia um obstáculo, e ele acabou deparando-se com as pernas de Gina, que apareciam debaixo da saia vermelha do uniforme dela, cobertas pela meia-calça. Harry se amaldiçoou silenciosamente. Qual era o problema dele afinal? Ele por acaso tinha alguma obsessão com pernas? Afinal, pernas eram apenas... pernas! Aquilo que se usa para andar! "Pelo amor de Deus", ele rogou, desviando o olhar para uma prateleira de livros próxima.
- Hm... você está bem? – Gina perguntou de repente, e ele percebeu que ela se agarrava a um livro grosso e vermelho; um romance, ele lembrou – Gina gostava deles. Harry se pegou pensando num dia distante em que a encurralara na biblioteca e a pedira em namoro.
- Harry, seu imbecil! – ele se xingou entredentes, sem perceber que estava fazendo isso em voz alta. Gina fez uma careta estranha.
- O quê?
- Ah, esquece! – ele retrucou nervoso, resolvendo dizer qualquer coisa para mudar de assunto e decidido a não olhar para baixo nem para o rosto dela. – Você não deveria estar jantando?
"Cretina. Outra maldita pergunta credita e ridícula."
, ele repetiu para si mesmo.- Você também. – Gina deu um risinho. – Você realmente está esquisito, Harry.
Ele teve a clara sensação de que ela estava se divertindo às suas custas. Bem, ele estava com raiva disso, mas não poderia culpá-la. Provavelmente estava parecendo o cara mais idiota da face da Terra mesmo.
- Eu vim pegar esse livro. – Gina mudou de assunto, respondendo à pergunta babaca, cretina e ridícula de Harry, parecendo estar achando tudo muito engraçado. – E você, por que não está jantando?
- Humpt... Vim fazer minha redação de Defesa Contra as Artes das Trevas. – ele replicou, pegando um livro de uma prateleira e devolvendo-o ao lugar em seguida.
- Bem, esta não é exatamente a ala de Defesa, não é? – Gina riu novamente, referindo-se ao lugar onde se encontravam, em meio a montes de livros de estúpidos romances.
- Eu estou matando o tempo. – era mentira, do jeito que ele estava indo não duvidava que logo matasse a si mesmo e não o tempo. – Estou esperando uma pessoa.
- Pessoa? – uma certa sombra passou pelo rosto de Gina, enevoando-o.
- Minha dupla. Você sabe, temos duplas nas aulas agora. Rony ou Hermione devem ter te contado.
- Ah, claro. – o rosto dela se desanuviou e rapidamente assumiu uma expressão de zombaria. – Eu soube quem você pegou. Que falta de sorte, anh?
- É sim. – Harry disse rápido, tentando acabar com o assunto. Pegou outro livro idiota e o colocou no mesmo lugar aproximadamente dois segundos depois de tê-lo pego; será que ela ainda não tinha percebido que a presença dela o deixava confuso e nervoso? – E como você foi nos N.O.M.s? Eu soube que você os prestou no começo do ano... – sua voz ia murchando a cada palavra, e ele não entendia o porquê.
- Bem, eu passei. – Gina sorriu contente. Ela olhou para a porta, que tinha se aberto, e fez uma careta. – A sua "simpática" colega de estudo chegou. – ela disse com evidente desprezo na voz. – Boa sorte, Harry. Vai precisar.
Harry suspirou longamente, sentindo-se excessivamente aliviado por Gina ter partido. Com certeza, a presença dela não o deixava à vontade. Ele não conseguia entender isso tampouco. A fase da depressão "pós-chute" já tinha sido superada, não? Pelo menos era o que ele achava. E estava certo, não é? Estava mesmo? Harry soltou um palavrão veemente baixinho. Aquilo só estava ajudando para confundi-lo ainda mais. Com certeza, ele não pensava mais em Gina. De nenhuma maneira.
Antes de se dirigir à mesa, Harry passou pela seção certa e apanhou alguns livros quaisquer de Defesa, só para não voltar com as mãos abanando. A biblioteca já tinha mais pessoas agora, provavelmente o jantar estava ou já tinha terminado. Harry divisou Katherine Willians sentada à mesa, encarando intrigada a mochila jogada dele, enquanto retirava algumas coisas da própria mochila.
- Oi. – ele disse repentinamente, despejando os livros que carregava com um estrondo na mesa. A garota deu um sobressalto e o encarou brava.
- Não pensei que fosse chegar tão cedo.
- Eu não tinha o que fazer. – Harry falou num tom ligeiramente rude, enquanto se sentava.
Willians ergueu uma única sobrancelha, mas não disse nada em resposta. Ela tirou mais algumas coisas da mochila, distraidamente, até que resolveu se manifestar:
- Você sabe de algum lugar onde possamos praticar os feitiços? Porque não consigo imaginar Madame Pince permitindo isso aqui.
Seu tom era meramente profissional. Harry também utilizou o mesmo tom frio.
- Não faço a mínima idéia. Quando eu estava no Tribuxo a Profª. McGonagall me cedia sua sala, mas não acho que fará isso agora.
- O.k. Acho que sei de um lugar. – ela disse misteriosa. – Vamos começar?
Eles trabalharam por mais ou menos uma hora e meia. Willians parecia tão de mau humor e cansada quanto Harry. Não soltou mais nenhuma brincadeira parecida com aquelas do dia da primeira aula de duelos. A lua já podia ser vista, parcialmente escondida pelas nuvens, através da janela ao lado da mesa quando Willians bocejou pela quinta vez. Harry olhou o relógio de pulso; era quase oito da noite. Ele estava atrasado.
- Vamos parar por hoje. – ele disse decidido, fechando os livros e guardando as anotações sem perguntar a opinião da garota.
- Mas nós não terminamos a porcaria da redação. Eu não quero deixar para amanhã.
- Então termine sozinha, porque já deu minha hora.
Ele percebeu que tinha sido rude novamente sem necessidade quando ela resmungou e começou a recolher suas coisas de qualquer jeito. Willians não tinha sido tão irritante assim naquele dia, apesar de não ser a companhia ideal Ela deveria estar tão de saco cheio quanto ele por ter que fazer aquilo. Harry suspirou e tentou amenizar o tom de voz:
- Quer dizer... eu tenho um compromisso agora e já estou atrasado.
Ela não disse nada. Apenas jogou a mochila nas costas e saiu andando. Harry a seguiu apressadamente. Eles tentaram sair ao mesmo tempo da biblioteca e, como somente metade da porta estava aberta, a passagem ficou apertada e eles se esbarraram. Willians deu um passo nervoso para trás.
- Ande, Potter.
- Hm, você primeiro. – ele resmungou, mostrando o caminho.
- Ah, deixe de ser bobo, ande, vá.
- Você é a garota, vá primeiro.
Ela bufou longamente e resmungou algo sem sentido antes de passar. Harry saiu em seguida, encostando a porta. Willians caminhava depressa, e ele andou apressado até alcançá-la.
- Nós vamos terminar a redação quando?
- Tanto faz.
- Também não é assim, nós temos de terminá-la.
- Não acredito que não terminamos hoje! – ela reclamou. – Quantas vezes nós teremos que fazer isso, afinal?
- Também não estou feliz. – ele disparou no tom mais rascante que conseguiu. – Amanhã, tudo bem?
- Fazer o quê? – ela deu de ombros, mas logo isso se transformou em um salto de susto quando algo perolado mergulhou entre os dois, agitando os cabelos desajeitados dos dois garotos.
- Argh! – Harry exclamou. – Pirraça!
O homenzinho ficou de cabeça para baixo, pendurado no candelabro do teto, com seus olhos escuros e malvados. Harry e Willians tiveram que dobrar seus pescoços para encararem o Poltergeist com irritação.
"Potter e Willians sentados sob a árvore! S-E-B-E-I-J-A-N-D-O! Vem o primeiro amor, depois casamento, e o 'Pottinho' sentado no carrinho!"
Harry e Willians se entreolharam com idênticas expressões de fúria nos rostos. Pirraça saiu do candelabro e começou a dar voltas em torno dos dois, cantarolando a mesma canção idiota com sua voz esganiçada e rindo de se acabar. Inesperadamente, Willians sacou a varinha, apontou-a para Pirraça e murmurou um feitiço esquisito. Depois de uma expressão assustada, ele desapareceu com um "ploc". Com um sorriso vitorioso, a garota assoprou a ponta da varinha como se estivesse num filme trouxa de "velho-oeste" (Harry percebeu que aquilo deveria ser uma mania dela) e guardou novamente a varinha.
- O que você fez? – ele perguntou com uma careta.
- Só coloquei-o no seu devido lugar. – ela respondeu de bom humor, o que fez Harry ficar ainda mais confuso. – Boa noite, Potter.
Harry ainda ficou parado por alguns instantes no mesmo lugar, pensando no quão maluco estava sendo o fim do seu dia, até se dar conta de que tinha horário e pior, estava atrasado. Ele pôs-se a correr pelo castelo, sem se importar se fosse encontrar algum monitor ou professor para lhe descontar pontos.
- Pena açucarada! – ele exclamou, arfante de cansaço ao derrapar na frente do gárgula de pedra, que girou; Harry se apressou em entrar logo pela passagem, quase tropeçando na barra das próprias vestes tal era sua abofação.
O relógio de pulso já marcava oito e dez. Ele subiu de dois em dois degraus a escada circular e, de tão atarantado que estava, esqueceu de bater à porta antes de entrar.
- Professor, me desculpe, eu me atra...
Mas não foi o corpo magro de Alvo Dumbledore que Harry viu, muito menos foram aqueles seus olhos azuis bondosos que cintilaram para ele por detrás dos óculos de meia-lua.
Harry estacou, paralisado pelo choque. Ele não conseguiu completar a frase nem dizer mais nada. Sua boca permaneceu aberta, seca, tal era sua estupefação. Ele sentiu seus punhos se fecharem instantaneamente, seu corpo tremendo de ódio reprimido. A garganta arranhou, ele pôde escutar o sangue pulsar mais rápido no seu ouvido, batucando.
- Eu não imaginava vê-lo, Harry.
Samantha Stevens também parecia surpresa, mas ao contrário de Harry, ela sabia manter o autocontrole. Ou pelo menos ela sabia fingir muito bem, e disso, Harry não tinha dúvida alguma.
Ela estava encostada à mesa de Dumbledore, seus pés calçados pelos saltos altos e finos cruzados no fim das pernas bem delineadas, que apareciam através da fenda do vestido negro e longo, que aderia perfeitamente ao seu corpo esbelto. "Pernas, malditas pernas...", Harry repetiu em pensamento para si mesmo. "Pernas são só pernas, oras!"
Samantha continuava a mesma, Harry logo pôde perceber, enquanto ele a observava por poucos segundos, segurando-se para não cuspir todas as acusações e mágoas que tinha dela ali mesmo. Os olhos dela, azuis escuros, ainda cintilavam daquele jeito misterioso e penetrante, enquanto ela encarava Harry daquela mesma maneira odiosa que ele sempre detestou. Ele engoliu em seco, irritado, encarando-a em desafio por cima das lentes dos óculos.
- O que voc está fazendo aqui? – Harry grunhiu, sua voz saindo abafada pelos dentes cerrados fortemente pela raiva que estava sentindo.
- O Prof. Dumbledore não está, como pode perceber. – Samantha disse com sua voz inconfundivelmente rouca, como se estivesse com um resfriado incurável. Ela se desencostou da mesa do diretor, postando as mãos de unhas compridas juntas nas costas, enquanto caminhava calmamente, seus longos cabelos negros e cacheados agitando-se durante o processo. – Você queria vê-lo?
- O que você está fazendo aqui? – Harry repetiu mais nervoso a cada segundo que passava. A sincera vontade que ardia dentro de seu ser era sacar a varinha e conjurar a maldição que fizesse Samantha sofrer mais. Ele ainda não tinha escolhido uma boa o suficiente, no entanto.
Apenas os olhos de Harry se moviam, acompanhando com uma certa ferocidade a caminhada de Samantha pela sala circular, produzindo aquele som que ele conhecia tão bem dos seus saltos altos contra o piso. Quando ela finalmente parou, próxima à janela, sua voz soou cínica aos ouvidos de Harry:
- Estou apenas resolvendo uns assuntos.
- Resolvendo uns assuntos? – a voz de Harry ecoou grossa pela sala, dando a impressão de que tinha sido magicamente ampliada quando ele finalmente se moveu, batendo os pés e encarando a bruxa. De algum lugar, Fawkes soltou um belo som de indignação com sua voz canora. – Depois... de TUDO que você fez! ...você me diz que está aqui, "resolvendo uns assuntos"? Arre, tenha a santa paciência!
Ela o observou daquela maneira, seus olhos azuis escurecendo um pouco e estreitando-se, o brilho deles dando a impressão de que chegavam até a alma de Harry. Ela encostou-se também à janela, cruzando os braços sobre o decote ousado do vestido negro. Um meio sorriso zombeteiro pairou em seu rosto, o que só ajudou para que o sangue de Harry ardesse ainda mais em suas veias.
- O que você quer que eu diga? – ela deu de ombros divertida. – É exatamente o que eu vim fazer aqui.
Harry gargalhou sarcasticamente, sem alegria alguma.
- Ah, claro. Está óbvio que você veio fazer uma visitinha a Hogwarts e agora está tomando chá com o diretor! – ele cuspiu as palavras, abrindo os braços e depois fazendo barulho ao soltá-los, batendo-os nas pernas. – Como eu pude ser tão idiota de não pensar nessa explicação logo de cara?
Ela soltou uma risadinha baixa, achando graça.
- Se você quer colocar nesses termos... – sua voz tremeu ligeiramente pelo riso que abafava. – Sabia que você fica ainda mais atraente quando é sarcástico? Deveria fazer isso mais vezes.
Samantha não agüentou e se virou para a janela, soltando uma gostosa gargalhada. Harry mal pôde acreditar em seus olhos. Então, ele estava ali, com aquela víbora, e ela ainda tinha a pachorra de rir da indignação justificada dele? Era demais para ele. Harry não sabia porque diabos Dumbledore aceitava aquela mulher na sala dele, depois de tudo que acontecera, mas ele não queria mais saber disso no momento. Ele iria embora, sem se preocupar em esperar pelo diretor.
Mas antes que o fizesse, a porta se abriu novamente e, dessa vez, foram os olhos azuis claros e cintilantes de Dumbledore que Harry enxergou. Ele trazia um pergaminho velho e escuro numa das mãos enrugadas e ia dizer algo, mas viu Harry parado no meio da sala, provavelmente rubro de indignação e raiva. A boca do diretor se abriu, no entanto ele parecia apenas educadamente surpreso, apesar de seus olhos mirarem o rapaz de uma maneira cautelosa. Dumbledore fechou a boca, recobrou a compostura e adentrou a sala com seu andar majestoso de sempre, como se uma aura de poder irradiasse dele.
- Estou realmente velho. – ele murmurou como se gozasse a si mesmo, um sorriso se alastrando por seu rosto. – Imagine que pensei ter marcado com você às oito e meia, Harry. Espero que perdoe as caduquices de um velho.
Harry não sabia o que dizer. Ele estava indignado, surpreso, encolerizado, mas sobretudo pasmo com aquela situação. Antes de dizer qualquer coisa, ele observou Samantha pelo canto dos olhos; ela não ria mais, obviamente. Tinha cruzado as mãos uma sobre a outra e apenas observava a cena, seu rosto ligeiramente inclinado e seus olhos azuis postos atentamente sobre o diretor.
- A Profª. McGonagall... – Harry falou lentamente, tentando manter a calma, o que estava sendo muito complicado. - ...disse que era às oito.
Dumbledore sentou-se, mas parecia mais preocupado em ajeitar alguns papéis sobre a mesa do que prestar atenção ao que Harry dizia. O diretor soltou um riso abafado pela enorme barba branca. Harry observou o pergaminho escuro que ele tinha trazido separado de um lado da mesa.
- As bobagens de um velho. – ele disse com divertimento. – E eu tranqüilo, imaginando que tinha dito "oito e meia" para Minerva. Preciso ser mais cuidadoso.
Samantha finalmente se moveu. Ela caminhou até a mesa de Dumbledore e, como se desse o bote, apanhou o pergaminho com suas unhas longas pintadas de preto e seus dedos compridos. Seus olhos azuis correram o pergaminho por cima, numa leitura rápida, e a seguir ela observou Dumbledore por cima do papel.
- É só isso, diretor?
Dumbledore assentiu gravemente.
- Você sabe o que fazer com ele.
- Claro. – um músculo tremeu no canto dos lábios de Samantha, como se ela quase fosse sorrir. – Imagino que Severo tenha ficado furioso.
- Severo sabe que é necessário.
- Claro. – ela repetiu. – Ele pode ser um cabeça dura, mas sabe como ninguém quando precisa agir e como fazê-lo.
- Estou confiando em você, Samantha. – os olhos do velhinho estavam severos por cima dos óculos de meia lua. – Não me decepcione.
- É impressionante como... – ela dobrou o pergaminho e Harry arregalou os olhos ao ver onde ela o guardou: dentro do decote do vestido. - ...vocês dois conseguem dizer exatamente o mesmo, de maneiras tão diferentes. – ela sorriu para Dumbledore e, incrivelmente, parecia estar sendo sincera. – Mas eu prefiro o seu jeito, professor.
Dumbledore também sorriu misteriosamente.
- Imagino que seja melhor eu usar a lareira. – Samantha indicou-a. – Assim como vim.
Novamente, Dumbledore assentiu. Subitamente, Harry sentiu o olhar dos dois sobre ele e definitivamente não era uma boa sensação. Harry preferia quando um ou outro olhavam para ele; os dois ao mesmo tempo era excessivo. Ele sentiu um leve calafrio ao encarar os olhos azuis escuros de Samantha quando ela lhe dirigiu um sorriso zombeteiro e despediu-se jovialmente:
- Até logo, Harry.
Ela acenou com a cabeça para Dumbledore e, após jogar um punhado de pó de Flu na lareira, murmurando um lugar que Harry não entendeu muito bem, sumiu em meio às chamas esverdeadas. Harry se virou para Dumbledore, que estava voltado despreocupadamente para seus papéis, como se ter Samantha Stevens indo e vindo em sua sala fosse algo absolutamente normal.
- Você quer se sentar, Harry? – ele convidou casualmente. – Porque acho que ainda vou demorar um pouco antes de iniciarmos nossa aula.
Harry não se sentou. Tinha muita adrenalina correndo pelas suas veias para que isso fosse possível.
- O que ela estava fazendo aqui? – perguntou de supetão, sem se importar se estava sendo intrometido ou mal-educado. Ele apenas queria explicações de Dumbledore.
- Sente-se, Harry.
- Como o senhor permite que ela venha até aqui, depois de tudo que...
Dumbledore finalmente deixou de lado aqueles malditos papéis. Ele suspirou e encarou Harry, com aqueles olhos azuis penetrantes, parecendo, agora, educadamente intrigado.
- Tudo? Tudo o quê, Harry?
Harry sentiu novamente a boca seca. Algo estava ainda enroscado na sua garganta e ele tossiu fracamente, tentando fazê-lo sumir.
- Como "tudo o quê, Harry"?
- Eu é que pergunto.
A sala circular pareceu girar. Harry estava confuso e... tonto... com aquela história. Foi como se tivesse, pela segunda vez no dia, aterrizado na Terra com um baque repentino; mas esse era indiscutivelmente maior e pior. Então, ele finalmente se deu conta de que Dumbledore não sabia. Ele não sabia que Samantha era uma animaga, muito menos que fosse filha de Voldemort. Ele não tinha a mínima idéia de que Harry tivesse mergulhado nas profundezas da Penseira dela e se afogado dentro de suas próprias lembranças terríveis quando ela lhe atingiu com a Maldição da Terra das Sombras. Era tão... inacreditável... que Dumbledore, Alvo Dumbledore, pudesse simplesmente não saber de tudo aquilo, que Harry jamais levantara essa possibilidade. Ele não entendia o que estava dizendo. Alvo Dumbledore não entendia. Aquilo era... fantástico demais para que Harry pudesse assimilar.
Por outro lado, Dumbledore não era infalível. Certamente, Harry acreditava que era, mas ainda assim, Dumbledore era humano, humano como Harry e qualquer outra pessoa, e nessa condição, ele tinha todo o direito de falhar e de não saber. O problema era que Harry sempre tinha acreditado na fantasiosa idéia de que Dumbledore era algum "ser" sábio e superior, que pairava acima de todos e não podia errar ou deixar de saber alguma coisa. E agora Harry estava decepcionado, por mais que não se sentisse no direito de está-lo.
- Harry?
Ele ouviu em algum lugar distante de sua mente o chamado do diretor. Reparou que estava sendo observado pelo olhar intrigado dele e, como se estivesse pisando em ovos, Harry caminhou até a mesa dele e se sentou sobre uma cadeira, como Dumbledore tinha mandado desde o início, ainda completamente abobado. Não parecia que aquilo realmente estivesse acontecendo; parecia apenas mais um sonho maluco de Harry, na verdade. Ele não sabia o que fazer ou dizer.
Então, depois daquela conversa na masmorra, Snape não tinha contado o que acontecera a Dumbledore? Como? Ele tinha tanto orgulho assim para não contar algo tão sério para o diretor? Ele não teria contado a verdade somente porque... porque tinha ajudado Harry, que ele odiava? Era inacreditável, mas parecia ser a verdade. E, no final, Samantha realmente tinha apenas pedido demissão a Dumbledore do cargo de professora de Defesa Contra as Artes das Trevas, como se nada, absolutamente nada, tivesse acontecido. Harry estava pasmo.
- Você está bem, Harry?
Já deveria ser a vigésima vez que alguém fazia essa mesma pergunta a ele, e Harry respondeu da mesma maneira mentirosa e cretina que fez das outras vezes.
- Tudo bem, professor.
Ele forçou-se a sair de seus pensamentos e encarar o diretor, que por sua vez tinha um olhar astuto por trás dos óculos de meia lua.
- Há algo... que queira me contar, Harry?
Alguma coisa despertou dentro do cérebro do rapaz. Se Dumbledore não sabia, ele não iria contar. Mas ao mesmo tempo, Samantha era uma mulher perigosa, e Harry estaria sendo conivente com os atos dela se não contasse tudo a Dumbledore. Mas Snape também não tinha contado, por orgulho? Harry também não contaria. Mas aí estaria se igualando a ele e com certeza não queria isso. No entanto, não saberia como começar e nem como contar tudo aquilo. Não estava pronto. Não queria. Ele não podia acreditar. Como Dumbledore poderia não saber a verdade sobre Samantha? Era revoltante.
- Não, professor. Não há nada que eu queira lhe contar.
O olhar de Dumbledore não era muito crédulo, mas mesmo assim ele não insistiu no assunto. Recostou-se à cadeira, observando Harry por detrás dos óculos, como costumava fazer.
- Samantha faz parte da Ordem da Fênix. – ele disse. – Não é necessário que eu esconda isso de você, Harry.
- O... o quê? – o rapaz quase gritou, tal era seu espanto. Samantha fazia parte da Ordem da Fênix?
- Você sabe o que é a Ordem, não é, Harry?
- S-sei. – ele respondeu sem fôlego. – O senhor nunca explicou muito bem, mas é uma reunião de bruxos que lutam contra Voldemort.
- Exatamente. – Dumbledore prosseguiu calmamente, levantando-se e indo acariciar Fawkes, que soltou belos sons. – Samantha estava aqui a meu pedido, ela vai entregar algo importante para mim.
- Ah... – Harry se limitou a dizer, chocado.
- Então, vamos à aula de hoje, Harry?
Ele permaneceu em silêncio, parado naquela cadeira, paralisado por mais alguns instantes, terrivelmente mortificado com tudo que acabava de saber. Ele tinha que contar, mas não conseguiria. Ao mesmo tempo, pessoas como Snape, que também estavam na Ordem, tinham a obrigação de contar. E Sirius? Ele... espera um pouco, Harry mandou para si mesmo. Sirius também não sabia. Aquele dia, na casa de praia, Harry tinha apenas desconfiado que Sirius soubesse, mas afinal, ele não sabia também. No final, apenas três pessoas sabiam o que realmente tinha acontecido naquela noite: ele mesmo, a própria Samantha e Snape. E nenhum dos três comentara o assunto com mais ninguém...
- Harry?
- Sim, professor. – Harry disse rapidamente, levantando-se. – Vamos à aula.
A cabeça de Harry doía enquanto ele praticamente se arrastava de volta à Torre da Grifinória, finalmente. Ele poderia jurar que ela estava pelo menos uns três quilômetros mais longe, mas provavelmente isso era apenas mais um efeito do seu enorme cansaço somado a todos aqueles acontecimentos da noite.
Por mais que soubesse que era errado, Harry não comentou mais nada sobre o assunto "Samantha Stevens" com Dumbledore. Mas aquilo ainda martelava em sua cabeça, e ele não conseguiu parar de pensar no assunto durante toda a aula; Dumbledore, percebendo que Harry não estava tão concentrado quanto deveria, aconselhou que ele fosse descansar e continuariam em algum dia no qual o rapaz estivesse mais disposto. Harry não fez objeção alguma e até agradeceu ao diretor.
Entretanto, enquanto caminhava pelos corredores silenciosos, Harry continuava com a mesma dúvida. Sabia que deveria contar, era sua obrigação, mas ao mesmo tempo não queria. Precisava ao menos de algum tempo para colocar sua cabeça no lugar e simplesmente pensar. Mas também não conseguiria com aquela dor de cabeça horrível; Harry levou uma mão à têmpora, ela suava e estava muito quente.
O quadro da Mulher Gorda finalmente chegou; Harry mal podia acreditar que tivesse conseguido chegar até ali e não tivesse caído em algum canto qualquer tal era sua exaustão.
- Você está com uma cara péssima! – a Mulher Gorda exclamou.
- Simplesmente abra a porcaria dessa passagem... – Harry implorou.
- Sem senha não entra.
Harry encarou a Mulher Gorda com uma vontade imensa de rasgar sua tela, exatamente como Sirius havia feito certa vez anos antes. Ele murmurou a senha com raiva e ela, com uma risadinha, deixou-o entrar.
- Eu não acredito nisso, Mione! Por que você não contou antes?
- Ah, Rony, eu não sabia como, eu...
As vozes murmurantes de Rony e Hermione, que ecoavam pela sala comunal vazia e silenciosa àquela hora da noite, pararam assim que os dois avistaram Harry entrando. Ele rapidamente tirou a mão da testa, esperando que os dois não lhe fizessem perguntas.
- 'Noite. – cumprimentou, caminhando rapidamente até a escada dos dormitórios masculinos, desejando mais do que nunca alcançá-los antes que os amigos pudessem dizer qualquer coisa. No entanto, assim como a Torre da Grifinória, as escadas também pareciam estar a dois quilômetros dele, apesar de serem apenas mínimos dois metros.
- Harry, há algo que eu preciso falar com você. – a voz de Hermione soou.
Harry parou, observando tristemente as escadas. Tão perto e tão longe... Ele suspirou e se encaminhou até uma poltrona vazia, próxima ao sofá onde estavam sentados juntos Rony e Hermione. Rony parecia exasperado por causa de alguma coisa e encarava Bichento debaixo de uma cadeira como se considerasse seriamente chutar seu rabo de escovinha. Hermione estava claramente chateada.
- O que foi?
- Nossa, você ainda estava fazendo a redação com a sonserina? – Rony perguntou antes que Hermione pudesse dizer algo. – A biblioteca não fecha cedo?
- Eu estava na sala de Dumbledore. – Harry disse sem pensar, só depois se lembrando de que não deveria ter dito aquilo.
A expressão de Hermione se tornou preocupada.
- Aconteceu alguma coisa séria, Harry?
- Oh, não. – ele teve a impressão de que novamente não foi tão convincente quanto deveria. – Ele só queria me dizer algumas coisas... sobre Sirius. – inventou rapidamente.
- E por que Sirius não lhe mandou uma coruja?
Por que Hermione tinha que ser tão insistente? Sentindo-se miserável por estar novamente mentindo, Harry falou muito rápido, observando as cinzas da lareira:
- Anda ocupado. Muito trabalho.
Em parte era verdade, pelo menos. Fazia algum tempo que Sirius não lhe mandava notícias, e Harry sabia que era esse o motivo. Rony se sentou ereto no sofá tão subitamente, que Harry levou um susto.
- Hermione acabou de me contar uma coisa.
A garota parecia envergonhada e chateada. Rony a encarou com uma seriedade que era diferente nele.
- Você não precisa ficar assim. Não é vergonha alguma o que aconteceu.
Mas ela se encolheu ligeiramente no sofá, não parecendo mais aquela garota mandona e decidida de sempre. Harry sentiu raiva de Samantha por ter feito sua amiga se sentir dessa maneira.
Murmurando, Hermione começou a contar uma história que Harry já conhecia, afinal tinha presenciado toda a cena dentro da Penseira de Samantha. Num gesto carinhoso, mesmo que desajeitado, Rony colocou seu braço esquerdo sobre os ombros da garota, que parecia extremamente envergonhada de estar tendo que contar aquilo para seus amigos. Rony estava furioso, mas não tanto quanto Harry, já que este sabia toda a verdade sobre a antiga professora, além daquela história.
Contudo, o que fez Harry dar um sobressalto na poltrona de surpresa foi quando Hermione lhe perguntou, no final da narrativa:
- Mas você já sabia disso tudo, não é, Harry?
Ela lhe encarava profundamente; Rony parecia confuso, mas também observava o amigo atentamente. Harry percebeu que não daria mais para adiar aquilo. Talvez até lhe fizesse bem contar, ao menos, parte de toda a história. Porque ele tinha consciência de que tudo seria impossível.
- Eu sabia. – ele murmurou fracamente. – Sinto muito não ter contado, mas eu... não consegui.
- Como? – Rony exclamou. – Como você poderia sab...
- Eu tive certeza! – foi a vez de Hermione. – O jeito como você agiu hoje no jantar... Mas, Harry, como você...
Ele escorregou ligeiramente na poltrona e começou a contar, cuidando para olhar para qualquer canto da sala que não fossem seus amigos. Também não gostava daquela história e, como Hermione, sentia-lhe um pouco envergonhado de tudo aquilo. Obviamente, ele não contou pedaços essenciais como aquele beijo entre ele e Samantha, coisa que ele tinha certeza que levaria para o túmulo. Também não mencionou algumas lembranças que vira na Penseira dela, como a que descobrira exatamente como ela tinha traído Sirius; aquilo era pessoal demais para contar. Mas, principalmente, ele tomou o maior cuidado possível para não dizer qualquer coisa que o levasse a contar o que descobrira a respeito de sua... relação sangüínea com Voldemort.
A história teve vários furos por causa de toda essa falta de informação, mas Rony e Hermione estavam tão chocados com tudo aquilo, que não fizeram nenhuma pergunta perigosa sobre aqueles assuntos. No entanto, Harry tremeu ligeiramente quanto Rony disparou:
- Como você saiu dessa? – ele parecia embasbacado com a história. – Quer dizer, como escapou dela depois da maldição?
"Você não tem motivos para contar. A minha relação com Lílian é algo tão pessoal para você quanto é para mim. E o seu orgulho não permitirá que alguém saiba que teve que ser ajudado por Severo Snape."
A voz de desprezo do professor ecoou em seus ouvidos. Era horrível admitir, mas Snape estava certo quando disse aquilo. Harry tinha orgulho demais para contar a quem quer que fosse que foi... ajudado... por Snape. Ele não contaria isso também.
- Bem, ela fugiu, não é? – Harry pigarreou. – Acho que ela tinha mais a perder do que eu depois de tudo.
- Por que você não contou a ninguém, Harry? – Hermione inquiriu com a voz fraca.
- Por que você não contou o seu segredo a ninguém, Hermione? – ele disparou. A garota se calou. – É mais ou menos isso.
Rony parecia estranhamente pensativo.
- E como você desfez a maldição?
Harry ficou paralisado por alguns instantes, encarando o amigo sem realmente vê-lo. "Como conseguiu sair de lá sozinho?", foi a voz rouca de Samantha que ecoou em seu cérebro dessa vez. E Harry percebeu algo que nunca tinha pensado antes.
- Eu não sei. Não faço a mínima idéia de como saí de lá.
Hermione franziu a testa.
- Realmente, é uma pergunta justa. – ela parecia pensar. – Uma maldição como essa... É estranho que você tenha conseguido se livrar dela sozinho...
- Aquela vadia! – Rony exclamou sem se conter. Hermione arregalou os olhos e engasgou, recriminando-o: "Francamente, Rony!". Ele pigarreou, suas orelhas novamente vermelhas, mas de vergonha por ter deixado escapar o palavrão. – Mas que mulherzinha! – ele parecia capaz de chutar algo. – Como ela pôde fazer tudo isso? Como Dumbledore pôde deixá-la dar aulas aqui?
A pergunta dele despertou todas aquelas dúvidas que martelavam no cérebro de Harry antes de ele entrar na sala comunal.
- Ele não sabia.
Tanto Rony, de pé, caminhando de um lado para outro, como Hermione, sentada e chocada, olharam para Harry intrigados. Rony voltou a se sentar, um tanto quanto pasmo.
- Como?
Harry não contou sobre as aulas extras, como Dumbledore tinha pedido, mas falou que tinha encontrado Samantha na sala do diretor. E contou, também, como percebeu que Dumbledore não sabia de nada. Rony e Hermione ficaram tão assombrados quanto ele.
- Isso é... inacreditável. – Hermione disse em voz alta exatamente as palavras que pairavam na mente dos três. – Dumbledore não sabe! – ela encarou Harry. – Você precisa contar, Harry!
- Nem pensar! – ele exclamou rouco, levantando-se impetuosamente. – Eu... não saberia como... Eu não vou contar.
- Mas... se você disse que ela está na Ordem... – Rony começou lentamente. – Ela pode estar espionando Dumbledore! Você acabou de nos dizer que essa mulher é filha de Você-Sabe-Quem!
- É tão estranho imaginar Você-Sabe-Quem com uma filha... – Hermione murmurou arrepiada.
- Quando vocês dois vão chamá-lo pelo nome dele? – Harry exclamou exasperado, tentando desviar o assunto e imaginando se algum dia conseguiria contar aos dois que Voldemort teve duas filhas e que a outra era a mãe dele, Lílian.
Rony e Hermione tentaram não olhar para Harry por breves instantes. Ele aproveitou para voltar a se sentar.
- Você... não vai mesmo... contar? – Hermione retomou o assunto, timidamente. – É necessário, Harry.
Ele ficou em silêncio por alguns instantes antes de responder.
- Eu preciso pensar... Não me pressionem. – ele se levantou. – Eu vou subir, estou exausto. Vocês ainda vão ficar por aqui?
Os dois se entreolharam. Foi Rony quem respondeu.
- Eu e Mione... – ele começou, coçando a cabeça. - ...temos ainda alguns assuntos a tratar.
- Ah, certo. – Harry murmurou entendendo. – 'Noite.
- 'Noite. – disseram os amigos ao mesmo tempo.
Harry subiu as escadas do dormitório masculino com sua cabeça explodindo em pensamentos e dor. Ele não acreditava que tivesse contado, mas ao mesmo tempo estava levemente aliviado por tê-lo feito, apesar de não ter contado tudo. Ele não saberia dizer se conseguiria, algum dia, contar a quem quer que fosse que era neto de Voldemort. Só de imaginar o que Rony e Hermione pensariam, o que diriam... as expressões chocadas dos dois... Não, Harry definitivamente não conseguiria.
Neville, Dino e Simas jogavam uma animada partida de Snap Explosivo quando Harry entrou no dormitório. Eles fizeram piadinhas sobre qualquer coisa a respeito de Harry ter estado em algum encontro até tarde. O rapaz mal deu ouvidos a eles e, antes que percebesse, já estava debaixo das cobertas, com as cortinas do dossel fechadas, e nem se lembrava se tinha dado boa noite ou não aos colegas. Ele cobriu todo o corpo com os lençóis, tentando pensar no escuro. Mas sua cabeça era somente um enorme emaranhado de pensamentos confusos.
Ele ouviu quando Rony finalmente chegou ao dormitório e também foi recebido com piadinhas e barulhos de beijos falsos. Simas fez muitas perguntas a respeito de Rony e Hermione, as risadas de Dino e até Neville ecoando no dormitório. No entanto, Rony colocou muito bem um comentário a respeito de Lilá, namorada de Simas, o que o calou imediatamente. Aos poucos, os barulhos e conversas serenaram até que somente restasse o silêncio no quarto. Harry não saberia dizer se isso era bom ou ruim; por um lado, nenhum barulho estava irritando sua dor de cabeça; por outro, aquilo abria uma brecha para que ele voltasse a pensar em tudo.
Harry não soube por quanto tempo ainda ficou acordado, tentando chegar a uma conclusão. Ele só soube que, antes de finalmente adormecer, teve uma única idéia que, apesar de não ser genial, confortou-lhe a ponto de deixá-lo descansar finalmente.
Nota da autora:
Bem, estou de volta mais rápido, não é? Ao menos uma vez na vida, né? hehe :) A minha beta me devolveu bem rapidinho esse capítulo 10, mas eu só pude entrar na net hoje, então, só deu para postar hoje esse capítulo betado. Quanto ao capítulo onze, ele já está no meu site e logo eu posto aqui no ff. Obrigada mesmo pela paciência e pelas reviews, vcs são uns amores! ;)Weasley's Girls:
Brigada, espero que continue gostando :) Assim que eu puder, passo nas suas fics ;) É que eu ando um pouco sem tempo para ler fics agora...- - - - - - - - - : Bem, o site já está atualizado :) Quanto ao segredo que todo mundo quer saber na enquete (e os outros também), eu responderei... no final da fic, hehehe :D Especificamente, o mais votado da enquete só será respondido no penúltimo capítulo! Huahuahuhaua, como sou malvada! heheLilibeth: Nossa, obrigada por todos os elogios, fico feliz que goste tanto da fic! Eu não mereço tantos elogios! :) Espero que continue gostando!!! ;)
Lo26: MTAS SAUDADEEEESSSS!!! Cumadi, assim eu fico com falta de álcool na corrente etílica!!! Tô com mtassss saudades de nossas conversas, cachaças virtuais e, principalmente, de você!!! Vê se aparece nesse findi/feriado, porque eu preciso muito matar as saudades!!! :) Bem, e sobre a fic, fico contente que você tenha gostado :D Agora, essa tua de "Harry Axl Rose" foi demais!!! Huhauhuahua, só tu mesmo pra me fazer rir, viu, sua doidinha que eu adoro? :D E essa tua paixão pelo Draco... tsk, tsk, viu? Hehehe :) Mas Draco hilário mesmo é o da fic da Angie, mininah, eu não acredito que gosto daquele Draco (ela diz q eu ainda vou amar ele cof, cof)!!! Espero que tenha gostado desse cap 10 também, e o capítulo 11 já tá no site também (tsk, tsk, Lolo, eu sei que o problema não é a tua rede, é a bebida mesmo! Hauhahuaha). Também te doro demais!!!! Bjks com bafo de cachaça!!! :D
morgana: Ah, que legal q vc se cadastrou no ff! Quer dizer que vc tá com fics agora, hein? Isso é ótimo! "HP e a Grande Descoberta", hmm... o que será essa grande descoberta, hein? Hehehe :D E obrigada, que bom que você gostou do capítulo! Sobre as suas perguntas... sim, o dèjá vú foi importante; se o Harry fica com a Katherine, eu não posso dizer... Vai ficar até o final entre HG e HK, essa é uma das tensões da fic, hehehe :P E o cemitério? Bem, isso você vai saber direitinho no cap 11! ;) Quanto à Nena... Vão acontecer muitas coisas... hehehe :) O segredo que o Ron sabe do Harry é... segredo! Hehehehe :) Algumas pessoas já chegaram bem perto... Neville e Luna? Hum... algumas coisas bem interessantes vão acontecer ali, hehehe :) E o tão esperado beijo, hein? Vai acontecer quando vcs menos esperarem... hehehe :D Te desejo toda a sorte na sua fic, viu? Bjks!!! :)
