Disclaimer:Os personagens da Saga pertecem a Stephenie Meyer.
Esta é uma tradução autorizada da fic original em espanhol-Silent Love da Lanenisita,que proíbe qualquer reprodução total ou parcial sem autorização.
As conseqüências do erro
Música do Capítulo: Resentment – Beyonce
"Nós podemos cometer muitos erros em nossas vidas, exceto um: o que nos destrói."
Paulo Coelho
Quatro pares de olhos se olhavam perplexos nesta manhã. Um deles arriscou uma segunda olhada ao redor, mas tudo o que encontrou foi solidão. Houve um suspiro preocupado. Novamente os quatro se olharam para desta vez notar a ausência de um par de olhos verdes e um par de olhos castanhos que todas as manhãs os acompanhavam na hora do almoço.
- Onde diabos estão todos? - Foi à pergunta de Jessica. Mike olhou para ela e encolheu os ombros.
- Estou preocupa com Edward e Bella... - comentou Ângela distraída brincando com uma maçã nas mãos.
- Claro que Bella está com Edward... Onde quer que estejam - Ben tentou animá-la. Ela tentou sorrir, mas sua preocupação não permitiu. Um palpite lhe dizia que nem tudo estava bem.
- Isto está muito estranho - Jessica falou novamente, desta vez de pé. - Vou procurá-los.
- Eu vou com você! - Ângela falou deixando sua maçã sobre a mesa.
- Nós vamos com vocês - respondeu em uníssono Ben e Mike. Elas assentiram e, juntos, eles deixaram a lanchonete deserta que nessa hora do dia costumava estar lotada de estudantes, mas que agora não tinha uma única alma.
- Espero que não tenha acontecido nada de ruim e nós sermos os últimos, a saber – Ângela disse acelerando o passo pelo corredor cruzando as salas do primeiro ano. No final do corredor Jessica suspirou, vendo que o caminho se dividia. O lado direito levava aos laboratórios e o esquerdo as salas do último ano e o ginásio. A escola não parecia ser tão grande como agora. Pra onde deveriam ir? Por onde deveriam começar a procurar?
- Vamos por aqui - disse Jessica guiada mais pela intuição do que pelo senso de direção. Eles se voltaram para a sua esquerda e começaram a andar um pouco mais rápido. Ouvindo uns burburinhos de vozes rindo a distância, e muitos risos. Ben podia ver que o ginásio e um grande grupo de estudantes saiam rindo. Eles caminharam ainda mais rápido para o local, talvez Edward e Bella estivessem ali.
Vários estudantes saiam aos poucos impossibilitando eles de seguirem. Jogadores de futebol jogando seus pertences para os outros, líderes de torcida praticando suas coreografias ridículas, os meninos do clube do xadrez comentando sobre as vantagens de usar as peças brancas sobre as pretas. Realmente agora todos os alunos tinham combinado de saírem por esse corredor?
Quase aos tropeços os quatro chegaram no ginásio que agora parecia vazia. Olharam em volta e se olharam novamente. Se Edward e Bella não estavam ali... Onde poderiam estar?
O som dos punhos atingindo algo chamou a atenção de Mike. Ele olhou rapidamente pra o corredor e viu que os sons não eram dali.
- O ginásio - sussurrou antes correr. Ângela, Ben e Jessica o seguiram. De repente, os quatro pararam na entrada vendo uma cena que não esperavam. Perto da porta do banheiro, chorando incontrolavelmente estava Rosalie enquanto Edward sentado no chão puxava seus cabelos e batia contra o chão da quadra de basquete. Com certa apreensão se entreolharam tentando saber a resposta pra aquela cena. Alguma coisa tinha acontecido isso era certo. Mas o que?
Se enchendo de coragem alguns segundos depois, Jessica que era a menina que roubava as jujubas e perseguia Edward se aproximou com cuidado até seu amigo. Ela inclinou-se para ficar na sua altura dos olhos dele e viu algo que eu nunca antes tinha visto: tristeza e dor.
Desde a infância Edward era uma pessoa sempre sorridente, que contava piadas e fazia todos sorrirem mesmo que eles estivessem passando o pior dos dias. O olhar brilhante e feliz que todas as manhãs alegrava o esquadrão agora estava afogado em um rio de lágrimas.
- Edward - ela sussurrou suavemente estendendo a mão para tocá-lo no ombro. Ele olhou para cima derramado algumas lágrimas no processo.
- Bella - foi sua resposta a pergunta feita pelos olhos da loira – Procurem Bella...
- Onde ela está? Você está bem? O que aconteceu? - Uma a uma, as perguntas na cabeça dela começaram a jorrar numa velocidade vertiginosa.
- Só... Só procurem ela. Eu preciso saber se ela está bem - disse Edward cansado. - Ela saiu pela porta dos laboratórios tem uns 15 minutos. Talvez mais...
- Por que ela saiu sozinha Edward? O que aconteceu para ela ter feito isso? - Ângela com três grandes passadas cobriu a distância entre eles e se aproximou.
- Perguntem a ela - disse Edward olhando para cima na direção da sua irmã que os olhavam com os olhos cheios de lágrimas. Mike cuidadosamente se aproximou de Rosalie pegando um lenço de bolso e dando a ela pra secar suas lágrimas.
- Rose o que aconteceu aqui? - Perguntou Ben.
- Eu... Eu só... - vacilou quando viu seu irmão lhe olhando.
- Você! - Edward gritou fazendo Jessica e Ângela pularem de susto – Você é a pessoa mais egoísta que eu conheço na minha vida.
- Edward... - ela sussurrou entre soluços curtos.
- Bella não quer me ver - ele disse para seus amigos ignorando sua irmã, que tinha entrado no ginásio, enquanto ele abraçava o desenho que sua borboleta tinha feito pra ele implorando por uma chance de falar - Mesmo assim, eu preciso saber onde e como ela está. Por favor, vão procurá-la - As meninas assentiram com a cabeça e rapidamente saíram atrás de Bella.
- Estamos indo atrás dela - Jessica deu um tapinha no ombro de Edward - Vocês devem ir para casa. Mike pode conduzir o Volvo e Ben pode levar Rose. Vocês não tem condições de irem para as últimas aulas - Edward assentiu com a cabeça ligeiramente.
- Quando a acharmos lhe avisaremos. Fique tranquilo... Tudo tem uma solução - disse Ângela tentando animá-lo. Ele balançou a cabeça e se levantou. Vendo as meninas saírem do ginásio e andando até Ben e Mike disse.
- Vou para casa no meu carro. Vocês podem levá-la no seu carro? Não tem condições para dirigir - Sua irmã olhou para ele com olhos azuis profundamente cheios de lágrimas e tentou falar, mas Edward se adiantou. - Obrigada pelo favor, mesmo depois de tudo que ela fez não posso deixá-la aqui. Ao contrário dela eu me preocupo com a minha família - disse acidamente enquanto ia embora.
Com o desenho na mão caminhou até o armário para tirar suas coisas e sair. Ele agarrou sua jaqueta e alguns livros. Melancólico olhou a folha com os acordes da canção de Van Morrison que naquela noite dedicaria a Bella, sua Bella.
- Onde está você, minha querida? Por que não me deixou explicar que no meu coração não há ninguém mais do que você? - Ele sussurrou para si mesmo fechando a porta do armário. Ele olhou para frente e viu que no fim do corredor estava a porta através da qual Isabella tinha escapado após o desastre do ginásio. Por que não a seguiu? Por que ficou ali em vez de correr atrás dela? Teria sido inútil. Conhecia tão bem Bella que sabia que ela se fecharia em sua carapaça de tartaruga e não lhe diria nada, até mesmo podia apostar que ficaria histérica ao ver que ele a estava seguindo. Já tinha provado de sua fúria hormonal em Port Angels e aprendeu que com uma mulher nervosa não se brincava. Então teve um lapso, uma luz se acendeu na sua cabeça naquele momento...
Bella irritada.
Bella chateado com o beijo.
Bella chateado com o beijo de Lauren.
Bella ciumenta pelo beijo de Lauren?
Uma vez ele ouviu que quem ama sente ciúmes. Seria possível que Isabella estivesse com ciúmes dele? Será que sua borboleta sentia, pelo menos um pouco o que ele sentia por ela? Essas certamente eram perguntas que ele não teria resposta no momento, não até que ele pudesse ser honesto com ela e dizer o quanto ele a ama no mesmo silêncio em que suas vidas estavam cercadas.
Ele balançou a cabeça e forçou-se em não pensar nisso agora. Ele precisava chegar em casa e se refugiar no conforto de sua mãe; desde criança Edward se considerava um herói e era ela, a heroína de carne e osso que sempre vinha ao seu chamado desesperado. Ela não precisava de um sinal como o batman ou ser invocada por um estranho poder da natureza, seu instinto materno estava sempre no lugar certo na hora certa. Seria sua mãe, sua linda mãe que, naquela noite, enfrentaria a difícil tarefa de consolar seus dois pequenas com duas causas de sofrimento diferentes, mas cujo diagnóstico era o mesmo: um coração partido.
Fechando o zíper da sua jaqueta de couro marrom seguiu pro estacionamento da escola até seu carro, tinha começado a chover e o vento frio soprava em torno dele. Ele deu uma nova olhada melancolia ao redor e entrou no carro. Pegou o seu celular e colocou-o no painel, se as meninas tivessem qualquer notícia de Bella ele queria ser o primeiro a saber. Ouviu o som familiar do seu carro quando o ligou, deu uma olhada no seu relógio e imediatamente pisou no acelerador.
Poucos metros além do local onde os pneus do Volvo tinha deixado sua marca em uma corrida desesperada, estava sentada no chão frio, Isabella. Suas lágrimas se misturavam com as gotas de chuva que caiam intermitentes minutos atrás.
Abraçando suas pernas balançava lentamente e voltava a chorar quando lembrava o que aconteceu no ginásio. Para ela, tudo aconteceu tão rápido e tão lento e ainda assim não conseguia absorver o que aconteceu. Uma conversa que não entendia, um beijo que não entendeu...
Com força passou a mão sobre a boca tentando em vão limpar aquele beijo nojento que Royce King tinha lhe forçado. Idiota! Como ele se atreveu manchar a lembrança do seu primeiro beijo? Foi o beijo que seu amigo tinha lhe dado naquela manhã do seu aniversário na clareira.
- Estúpido! - pensou consigo mesma. Com a testa sobre os joelhos, fechou os olhos e a imagem de Edward foi mostrada imediatamente. Naquele momento, quando sua tartaruga beijava Lauren lhe atormentando nos minutos seguinte. Uma e outra vez, como se em replay instantâneo, a imagem na sua cabeça se repetia, com clareza e precisão.
Por que Edward não tinha lhe contado sobre o seu relacionamento com Lauren? Se eram melhores amigos por que tinha lhe escondido um detalhe tão importante? Ah sim... Talvez porque ela não iria levar isso de forma saudável, talvez porque ela não merecesse saber desses detalhes da vida de Edward... Talvez porque no final Edward só sentisse pena dela.
Soluçou fortemente com esse último pensamento e um novo lote de lágrimas derramou-se. Quase imediatamente, ela sentiu a presença de alguém que estava ajoelhado ao lado dela. Bella olhou para cima e encontrou suas duas melhores amigas, que com lágrimas nos olhos, pareciam preocupadas.
- Querida... Estamos aqui – assinalou Ângela, Bella chorou novamente e, sem hesitar se jogou nos braços estendidos de suas amigas que a tinha encontrado em seu pior momento de solidão.
- Shhh, está tudo bem... Já acabou – Jessica disse também chorando. Ângela carinhosamente acariciou o cabelo de Bella chorando e depois suspirando baixinho. Sua amiga estava bem, pelo menos fisicamente, mas estava.
Ela lembrou da promessa que fez para Edward e se afastou de Bella e Jessica pegando o celular e rapidamente escrevendo uma mensagem.
Ela está bem. A encontramos chorando, mas tudo bem... O que aconteceu? Precisamos conversar...
Ângela
- Bells, você vai pegar um resfriado aqui fora, está frio - disse Jessica alguns segundos. Ela negou enquanto enxugava suas lágrimas.
- Você quer ir para casa? - Foi a vez de Ângela perguntar. Desta vez Bella assentiu com a cabeça.
- Vamos no meu carro, depois voltaremos pra pegar sua bicicleta - Jessica estendeu a mão e ajudou-a levantar. Uma vez em pé, Bella abraçou suas amigas novamente e soluçou. Graças a Deus ela tinha amigas como elas, verdadeiras amigas, amigas pra toda a vida que ela poderia contar.
- Vamos Bells... É melhor irmos rapidamente para o carro antes que o diretor saiba que estamos fugindo - Jessica disse sinalizando. Ela assentiu e correu junto com Ângela para o Mercury branco de Jess.
- Ele está um pouco bagunçado - disse Jessica tentando aliviar a atmosfera pesada como uma bigorna. Bella sorriu quando viu que o sinal que Jessica fez lembrava por associação imediata o caos que era o cabelo de Edward.
Como era possível que tudo em sua vida lembrasse a ele? Era tão dependente e necessitada de Edward que em cada detalhe via algo semelhante a ele? Isso era normal?
- Bells... Talvez agora você possa nos dizer o que aconteceu, precisamos de algumas respostas. Edward não estava em melhor situação que você - Ângela disse depois que elas tinham sentado na parte de trás do carro, enquanto Jessica dirigia para sua casa.
- Edward... Ele está bem? - Perguntou sinalizando estranhamente devido a tremor de suas mãos. Sua amiga não respondeu. Ela perguntou novamente desta vez recebendo uma resposta concisa.
- Nós o encontramos no ginásio, seus dedos estavam machucados e sua irmã não parava de chorar - Bella abaixou a cabeça um pouco e sentiu uma imensa dor no peito. Seu amigo estava ferido, como ela, mas de uma maneira diferente. Ele com suas feridas físicas, e ela ferida em seu coração...
- Os meninos ficaram com ele, Bells... Fique calma - disse Jessica aproveitando a luz vermelha de um semáforo para virar e a acalmar com o seu comentário. Bella acenou com a cabeça baixa. Ângela deixou sua mão repousar sobre seu ombro e seguiram em silêncio o restante do trajeto para a casa de Bella.
Quando chegaram Bella agradeceu pela carona e pediu que a deixassem sozinha, ela avisaria mais tarde quando se sentisse melhor, garantindo que ficaria bem.
- Bells... Nós te amamos - foram os últimos sinais que Jessica fez antes de ligar o carro novamente.
- Amo vocês também - foi a sua resposta antes de entrar na casa. Ao chegar na sala, olhou para a foto na mesinha de canto. Ela pegou e chorando abraçou-a.
- Eu preciso de você, mamãe - disse internamente para a imagem. A mesma foto que seu pai reverenciava por ser a memória mais importante de Renée. A imagem do dia de seu casamento - Eu queria que você estivesse aqui e me desse um abraço. - pensou antes de limpar as lágrimas que agora molhavam o vidro que protegia a imagem.
Poucos minutos depois, ela levantou os olhos e olhou a TV na sala ainda segurando a foto de seus pais e ligou o aparelho. Ela ligou o DVD sem se preocupar em verificar que cd estava dentro e apertou o botão play. Uma legenda da tela inicial foi projetada, e ela sorriu sem querer.
"Para nunca esquecer da mamãe"
Aquele vídeo, muito rudimentar na verdade, era um que seu pai tinha feito anos atrás depois dela perguntar como era sua mãe. Após explicar muitos detalhes da passagem rápida, mas linda que Renée tinha tido em sua vida, Charlie se inspirou para criar uma coleção de imagens de sua esposa e colocá-los em um vídeo. As lembranças eram escassas no caso de fotos, e os vídeos caseiros eram muito curtos, mas ainda existiam.
A garotinha do papai pinta o mundo com sua varinha mágica
A criança do papai trás nova vida toda manhã para mim
Embora estejamos separados, seus pensamentos me seguem
Quando chego em casa, Molly sorri com o alvorecer
Molly sorri, e ela irradia o brilho de uma auréola ao seu redor
Quando ela brinca, Molly sorri
Num dia de verão, Molly sorri
Um novo dia, Molly sorri
Era a legenda que se lia na tela. Ela sabia através de seu pai que ele tinha usado uma música de fundo, uma que falava da menina do papai e que lhe lembrava muito a sua esposa e filha quando ela sorria. Bella sorriu quando o vídeo começou a mostrar as primeiras imagens de sua mãe ainda criança. Renée lameada brincando na chuva, tomando sorvete com suas lindas tranças no parque, tomando sol em uma tarde, Renée vestindo um belo vestido azul no dia do baile de formatura. Renée em outro belo vestido, um branco no dia de seu casamento com o seu pai.
Passando alguns outros vídeos, Renée fazendo um cobertor rosa enquanto se banhava ao sol numa manhã de Julho pela data do vídeo abaixo, Renée conversando com sua grande barriga chamando de Isabella a bolinha que estava em sua barriga.
- Mamãe - Bella falou para si mesma enquanto tocava na tela da TV e derramava mais lágrimas - Mamãe... Por que você foi embora? – perguntou quando viu a ternura com que sua mãe acariciava sua barriga.
Bella se afastou da TV para continuar a ver o vídeo, mesmo sabendo o que vinha em seguida. Renée organizando o quarto do bebê com emoção, Renée cozinhando com a barriga enorme batendo desajeitadamente em tudo no seu caminho. Renée sorrindo para Charlie jogando beijos para a câmera.
Bella sorriu para essa última imagem, sua mãe era a pessoa mais sorridente que ela conhecia. Seu pai sempre repetia que ela tinha o mesmo sorriso que Renée, mas não era verdade. O sorriso de Renée era lindo, irradiava alegria. Era o sorriso de uma mulher feliz, uma mulher apaixonada... Sorriso que Bella nunca teria já que seu único amor nunca seria correspondido.
Quando o vídeo terminou, Bella estava deitada no tapete encolhida como uma bola. Ela fechou os olhos e sentiu a exaustão chegando como um cochilo. Se sentia cansada e seu corpo pedia para dormir. Ela se rendeu aos braços de Morpheus, mas não sem antes dizer a si mesma novamente: Por que você me deixou sozinha mamãe? Eu preciso de você...
A alguns quilômetros de distância dali, outra mãe estava ocupada abraçando seu pequeno herói. Ela já não mais chorava, os soluçando eram esporádicos, mas a sua alma se rasgou em duas ao vê-lo tão vulnerável. Depois de encorajá-lo a falar várias vezes e quando finalmente conseguiu que Edward estivesse prestes a dizer-lhe o motivo de sua angústia, o som de chaves retumbou na sala da casa dos Cullen.
Esme não tinha necessidade de levantar a cabeça para saber quem era. Passos fortes e soluços a traíam.
- Mãe - Rosalie sussurrou entre lágrimas quando chegou na sala e viu ela abraçando seu irmão. Ela também precisava daquele abraço reconfortante, um como aqueles que só as mães poderiam dar. Edward ao ouvir a voz de sua irmã, se separou de sua mãe e olhou com ódio pra ela enquanto sentava com o corpo tenso.
- Edward - disse sua mãe ao ver a reação dele - Por que sua irmã está chorando também?
- Por que você não pergunta pra ela o fez na escola hoje mãe? - Ele disse sem tirar os olhos da sua irmã - É melhor eu ir para meu quarto.
- Edward... - Rosalie soluçou.
- Eu disse para você não falar mais comigo em sua vida Rosalie. Eu pensei que tinha sido claro - ele disse enquanto se levantava do sofá para ir para seu quarto. Rosalie se movido um pouco para deixá-lo passar, mas sua mãe parou ambos.
- Ninguém sai daqui até que me digam o que aconteceu! - Esme gritou para que ambos que ficaram na mesma posição - Rose... O que aconteceu?
- Mãe - Rosalie começou a soluçar para falar - Eu... Eu só queria... Edward eu juro a você que eu nunca quis que você... Eu não queria te machucar - ela disse, abaixando a cabeça um pouco. Edward deu-lhe um olhar frio que perfurou seu coração.
- Que você não queria me machucar? - Perguntou – E pensou que o que você fez não iria me machucar? Era isso que ia dizer? - Sua irmã concordou.
- Edward, Bella... Eu... Bella estava tomando o meu lugar nesta casa, em sua vida...! Meu irmão já não gostava mais de mim! - Soluçou fortemente no final da frase.
- Então, como eu supostamente troquei você por Bella, você se achou no direito de criar um plano maligno para humilhá-la diante de todos. Pra ela ficar longe de mim e você nunca mais vê-la... Que idéia brilhante! - Gritou em uma maneira sarcástica. Sua mãe se aproximou dele para acalmá-lo já que estava completamente vermelho por causa da raiva.
- Bella não merece um lugar nessa família. Somos a apenas cinco... - Rosalie disse em uma patética defesa - Ela só... Eu não a quero aqui...
- Bem, quando as coisas se ajeitarem, como espero que aconteça, você terá que se acostumar a vê-la muitas vezes, Rosalie - Edward falou atravessando a sala. Antes de subir as escadas ele se virou e olhou para ela - Não só porque é minha melhor amiga... Mas também a menina que eu amo.
Os olhos dela se arregalaram ao ouvir essa afirmação. Ela atravessou a sala e se apressou diante de seu irmão.
- Edward... Você não pode fazer isso comigo. Você não pode amar Isabella... Ela... Ela, Deus! Não é normal! - Rosalie gritava histericamente.
- Normal? O que você considera como normal Rosalie? - Edward perguntou, olhando para ela.
- Ela é uma incapacitada, deficiente Edward... Você não percebeu isso? Como você pode se apaixonar por uma pessoa assim? Uma pessoa que depende de outro para viver como um parasita! Eu não posso deixar meu irmão se apaixonar por uma mulher incompleta.
- Mulher incompleta? - Edward perguntou sua irmã - Você está muito errada Rosalie. Ela não pode ouvir, mas é mais mulher do que você. Ela é super inteligente tanto que surpreendeu a todos quando chegou na secundária com todas as probabilidades disso ter dado certo... E tem um coração, um coração tão grande que você não pode sequer comparar com que o músculo egoísta que bombeia sangue para seu corpo... Mulher incompleta? Pfff, sim, claro...
- Edward... Você não pode amarrar sua vida a uma pessoa assim... - gritou com raiva – Um deficiente não é uma pessoa completa.
- Pena que você pense assim Rosalie - negou triste enquanto subia as escadas - Mas, infelizmente seu irmão que hoje foi ferido por você como a morte, ama uma menina incompleta... E não há nada que você possa fazer sobre isso.
Um silêncio medonho se instalou na sala dos Cullens. Uma batalha de palavras e gritos tinha acontecido diante do olhar atônito de Esme e Alice que tinha chegado segundos atrás da escola.
- O que aconteceu? - Perguntou um tanto tímida Alice enquanto caminhava para cumprimentar sua mãe.
- Ainda não sei. Mas essa senhorita aqui vai nos responder, não é Rosalie? - Rosalie que ameaça subir a escada parou quando ouviu sua mãe - Eu sei que você precisa falar, eu estou aqui - disse ela enquanto a abraçava. Sua filha se apegou a ela firmemente e começou a chorar.
Trancadas no lindo quarto rosa de sua filha, onde milhares de fotos com seus amigos e seu namorado adornavam as paredes elas conversaram por horas. Algumas vezes tiveram que parar porque os infinitos soluços de Rosalie não deixavam ela falar, de modo que apenas sua mãe abraçava-a e consolava-a.
Apesar de estar com sua mãe naquela tarde Rosalie nunca tinha sentido tanta solidão. Seu namoro era uma mentira, sua amiga era uma falsa, seu irmão a odiava e sua mãe ainda que com carinho, a repreendia. Sentia-se sozinha contra o mundo, não tinha amigos a quem recorrer, e sua pequena irmã Alice não lhe entenderia. Sua vaidade e egoísmo tinham levantado uma parede, que não permitia que ninguém se aproximasse dela e agora, sua solidão era um produto do que ela havia construído silenciosamente durante anos.
Entre soluços e lágrimas Rosalie adormeceu no colo de sua mãe. Sua garotinha que, embora tivesse cometido um grande erro em querer afastar Bella, também tinha sido ferida porque Lauren e Royce eram as duas pessoas em que girava sua vida. Agora que eles não estavam tão perto de Rose... O que seria da vida da sua menina agora que realmente estava sozinha?
Com esse pensamento triste Esme se acomodou na cama e abraçou-a um pouco mais forte. Quando tinham crescido? Ela se perguntou algumas semanas antes, e agora, em seus braços tinha a resposta.
Um som suave de um violão fez Esme também cair no sono. Eram os acordes de Edward, que ainda não tinha perdido a esperança de que este Dia dos Namorados ainda aconteceria como tinha planejado. Que sua Bella deixaria ele se explicar e as coisas voltaria a ser as mesmas. Brown Eyed Girl foi praticada repetidas vezes por Edward que, como o passar das horas via com tristeza o fim da tarde de outono em Forks.
- Droga - murmurou quando uma das cordas de seu "30 Duplo Cyclops Dobro" arrebentou ricocheteando em sua testa. Colocando o violão na cama levantou e foi à sua cabeceira, onde o desenho que Bella teria lhe dado repousava tranquilo - Eu sei que você está bem, mas eu preciso falar com você... - ele sussurrou para o desenho. O visor do seu celular acendeu, indicando que tinha uma nova mensagem. Seu coração começou a bater rápido e ele correu para pegar o telefone abrindo-o rapidamente.
Nem Jess ou eu temos notícias de Bella. Você teve alguma sorte?
Mike
Edward negou com a cabeça ao digitar uma resposta rapidamente.
Eu muito menos. Se ela não der sinais de vida eu vou buscá-la às 21h.
Edward
Olhou pra o seu relógio e viu que era quase 6h da tarde. Sentindo um pouco de fome decidiu preparar um lanche leve. Subiu quase imediatamente quando viu seu pai e irmã mais nova na sala conversando. Ainda não se sentia preparado para responder as perguntas que iriam fazer.
- Vamos Bella... Vamos - disse novamente sentado e olhando para o celular - Você tem que saber o que aconteceu, aquele beijo não significou nada... Eu só quero beijar seus lábios - olhou a opção de enviar mensagens e hesitou por um segundo se mandava ou não a mensagem.
Precisamos conversar. Pego vocês às 21h em casa?
Edward
Apagou a mensagem dez vezes para reescrevê-la. Por que era tão difícil dar ok pra enviar a maldita mensagem? Quando no fim se encheu de coragem e a enviou senti um tremendo alívio. Pelo menos ele tinha dado o primeiro passo agora. A bola da vez foi passada pra Bella.
Em seu espaço completamente solitária nossa Bela Adormecida continuava no chão da sala. Charlie, que naquela noite tinha planejado ficar com seu amigo Harry e sua esposa Sue para o jantar que ofereceram para a ocasião, levou mais tempo do que o habitual para chegar em casa. Ele tinha parado pra comprar uma garrafa de vinho para o jantar e alguns chocolates para sua filha. Era o dia do amor e da amizade e sua pequena que ele tanto amava na vida teria esta noite um encontro.
- Quando você cresceu? - se fez a mesma pergunta que Esme enquanto dirigia para casa. Talvez os anos tenham passado voando por ele, talvez em breve sua pombinha saísse de casa. Ele estaria pronto para enfrentar alguma coisa assim? - Melhor não pensar nisso agora – ele se repreendeu.
Ele franziu a testa quando chegou em casa. Todas as luzes estavam apagadas e se preocupou com isso. Eram apenas 7h da noite e Bella não poderia ter ido jantar com Edward, ainda não. Rapidamente entrou na casa e vasculhou o local.
- Bells - disse quando viu sua filha dormindo no tapete. Ele deixou as compras no chão e aproximou-se dela lhe tocando a face e sentiu-a queimar de febre - Bells, o que você tem minha menina? – tirando-a do chão e colocando-a suavemente nos braços - Eu preciso chamar um médico... Bella, meu anjo o que você tem? - Perguntou novamente, deitando-a no sofá. Ele rapidamente pegou o telefone e ligou para o celular de Carlisle.
- Dr. Cullen... - sua voz ficou apavorada quando Carlisle falou do outro lado - Bella tem uma febre alta, e não acorda... Eu não sei, não sei o que fazer...
- Charlie... Tenha calma, chego em poucos minutos - foi a resposta de Carlisle que conversava com Esme sobre os problemas ocorridos com seus filhos.
- O médico está vindo, meu amor... Por que você está assim? - Ele perguntou tocando a testa fervente dela - Eu vou preparar compressas frias. Na Academia me disseram que isso ajudava a baixar a febre.
Bella, que se sentia como se um caminhão tivesse passado por cima dela se remexia inquieta minutos depois. Ela não sabia a que horas a febre tinha aumentado, pior, nem sabia o porquê que estava com febre. A verdade é que um dia maravilhoso como o Dia dos Namorados tinha ido pelo ralo. Não teria jantar, não teria encontro, não teria...
- Edward - murmurou muito lentamente. Desde o acidente de bicicleta Bella não tinha voltado a falar. Ela sabia que podia, a professora Kate disse que ela podia um monte de vezes, mas ela não foi capaz de fazer - Edward - disse novamente desta vez com voz mais firme, embora ela não ouvisse nada.
- Bella? – se ouviu a voz de Charlie na sala – Meu amor...
- Edward - repetiu a primeira palavra que ela aprendeu a falar, que ela sempre quis aprender.
- Anjinho... Você está falando - disse ele visivelmente emocionado. Ela abriu os olhos devagar e viu seu pai de joelhos com lágrimas nos olhos...
- Pa... pai - disse ela com dificuldade olhando Charlie e estendendo a mão lentamente pra enxugar as lágrimas dele – Papai.
- Bella - Charlie disse embalando-a em seus braços. Ela respondeu ao gesto de seu pai mesmo com a dor física e emocional que sentia naquele dia sorrindo. Era seu pai e ela, era sua filhinha que tinha voltado para falar desta vez seu nome.
- Feliz Dia dos Namorados, pai - ela pensou sentindo seu pai soluçando e acariciando seus cabelos em um gesto terno. Alguns segundos depois a luz vermelha acendeu indicando que alguém estava batendo na porta.
- O médico chegou - ele disse sinalizando e ela assentiu. Charlie rapidamente se levantou e foi abrir a porta. Impecável, com seu avental perfeitamente branco estava o seu pediatra favorito e o pai de seu melhor amigo.
- Hey Bella - Carlisle disse sinalizando. Esse era o único sinal que depois de todos esses anos ele tinha aprendido e sempre que podia o repetia para extrair um sorriso de Isabella. Ela, como sempre, sorria para o seu gesto - Vamos ver o que você tem.
Depois de verificar a temperatura, sinais vitais e auscultar* seu peito com um estetoscópio, o eficiente Dr. Cullen chegou a um diagnóstico rápido.
NT: Ausculta que pode ser cardíaca ou pulmonar são os sons produzidos por esses órgãos que são ouvidos através de um estetoscópio. Lembrem-se, quando forem ao médico: ele não escuta seu pulmão e sim ausculta rsrsr
- Resfriado... Ela pegou um resfriado - disse ele enquanto tirava seu bloco de receitas e escrevia – Ela vai precisar de muito descanso, hidratação e gotas especiais em seus ouvidos utilizados para estes casos.
- Ela sempre se mantém bem aquecida... Não entendo como isso aconteceu - Charlie falou enquanto acomodava ela entre as almofadas do sofá - Amor... Esqueceu o seu casaco hoje? O Dr. Cullen disse que você pegou um resfriado. - Ela balançou a cabeça lentamente negando e depois encolheu os ombros. Ela não tinha esquecido seu casaco, claro que não, mas a chuva repentina do inverno em Forks e o que teve de suportar até que suas amigas a encontrasse foi a causa do seu atual estado.
- Deve ser a temporada de inverno Charlie, nada para se preocupar – disse Carlisle tentando minimizar a preocupação dele e olhando para Bella que conhecia como se fosse sua filha, notando sua culpa. Sim, isso deve ter sido por causa da confusão que Esme lhe disse que tinha acontecido hoje na escola - Vou assinar a sua dispensa médica para não ter problemas amanhã na escola, e sendo sexta-feira será melhor pra se cuidar e voltar na segunda-feira.
- Obrigado por ter vindo tão rapidamente Dr. Cullen... Eu, eu senti muito medo - Charlie confessou envergonhado.
- Sem problemas chefe Swan... - o celular de Carlisle tocou mostrando a foto de sua esposa. - Estamos aqui para ajudar. - Quase imediatamente apertou o botão verde de atender.
- Querido... O que aconteceu com Bella? - Esme perguntou alarmada. A distância ele ouviu a voz de Alice, que perguntava a mesma coisa.
- Está tudo bem amor, é apenas um resfriado comum - Carlisle respondeu em tom calmo. A voz de Alice parou de ser ouvida quase que instantaneamente. Alguns segundos mais tarde Esme disse adeus a seu marido terminando a chamada vendo quando Alice foi ao quarto de Edward hiperventilando desesperada.
- Bella... Bella... - disse enquanto abria a porta do quarto de Edward com violência entrando no seu "estúdio de música." Ouvindo a voz desesperada de Alice, Edward que dormiu enquanto esperava a resposta da mensagem imediatamente levantou-se da cama.
- Alice... O que aconteceu com Bella? - rapidamente se aproximou dela - Respire e fale, o que aconteceu? Você está bem?
- Eu não sei, mas acho que... Eu acho que ela está mal. Papai está em sua casa e... – não continuou escutando sua irmã. Desde que escutou que Bella estava mal correu para a porta de seu quarto e colocando os primeiros sapatos que encontrou desceu as escadas correndo pro seu Volvo indo para a casa de sua Bella.
Dirigindo como um louco, sem ter medo de ser multado por violar as leis de trânsito. Aliás... Quem lhe multaria se toda a cidade estava comemorando o Dia dos Namorados em casa? Em poucos minutos ele chegou encontrando seu pai e o chefe Swan na entrada.
- Edward... Por que você está aqui? – perguntou Carlisle vendo como ele estava pálido.
- Bella. O que... ela tem? Como ela... está?... Ela vai ficar... bem? - Perguntou hesitante.
- É só um resfriado garoto - disse Charlie - Eu acho que o seu encontro desta noite te deixou na mão – Charlie brincou. Carlisle sorriu e Edward não achou muita graça.
- Eu posso vê-la? - Edward perguntou esperançosamente.
- Será por sua culpa e risco se você pegar um resfriado - Charlie deu um tapinha em seu ombro e sorriu - Vai lá, eu sei que ela quer ver você - Edward arregalou os olhos e assentiu com a cabeça confuso - Não perguntei a ela, mas sei.
Edward cautelosamente entrou na sala da pequena casa e viu sua borboleta deitada no sofá.
- Princesa - sussurrou suavemente – Você adoeceu... - Edward aproximou-se do sofá e lentamente tocou os cabelos de Bella. Ela abriu os olhos preguiçosamente, mas vendo que era a tartaruga que estava lá apenas negou com a cabeça em sinal de rejeição.
- Bells... - disse Edward sinalizando - Oi...
- Edward... Não... Você não devia está aqui - disse sinalizando como se estivesse com as mãos pesadas. Edward viu o seu esforço e a parou.
- Bella... Não diga nada - mas ela novamente negou - Eu lhe devo uma explicação, se você tivesse me escutado... - fez uma pausa percebendo o que tinha dito - Precisamos falar sobre isso, mas não agora - finalizou com tristeza.
- Escutado? Você sabe que isso é algo que eu nunca farei... Falar? Muito menos isso Edward - respondeu mais rápido – Não existem explicações para se "ouvir", e não há nada para "falar" – rapidamente lhe virou as costas e fechou os olhos com força. Falar? Ela se comunicava, não falava. Podia falar, mas não queria. Essa era a dura verdade...
O gesto de desprezo que Edward recebeu de Bella o fez se afastar do sofá. Ele pegou seus cabelos entre os dedos e puxou-os com força.
- Eu sim falo e cada vez que isso acontece faço merda! – Gritou no meio da sala – Eu sim falo Bella e cada vez que falo, digo coisas que não deveria. E o que era pra dizer, não digo... Eu te amo Isabella!... Eu te amo, droga! - Gritou novamente. Uma tosse foi ouvida na sala afirmando que sua declaração tinha sido ouvida por outra pessoa.
- Chefe Swan - Edward engoliu em seco quando viu o pai de Bella lhe olhando estranho.
- Ainda que você grite para todo o Estado de Washington ouvir ela não vai escutar a menos que você diga na linguagem que ela entende - Edward corou de maneira impossível e Charlie sorriu - Não que eu tenha descoberto a cura para o câncer menino, mas tenho conhecimento dos seus sentimentos pela minha filha há muito tempo. Não me pergunte desde quando, só sei.
- Chefe Swan - Edward disse de novo.
- O seu "segredo" está seguro comigo. Mas acho que ela sim, deve saber... - disse ele um pouco mais perto do sofá. Notava-se que Charlie não sabia nada do que aconteceu na escola pela manhã, ou ele teria colocado-o pra fora de sua casa debaixo de bala.
- Você... Você não está...? - Perguntou Edward gaguejou.
- Chateado? - Edward acenou com a cabeça - Claro que não. Vocês me lembram de Renée e eu. Eu sei que minha filha está em boas mãos. - Em boas mãos? Não, ele não sabia nada sobre a escola... Nem sobre Port Angels. Internamente agradeceu a discrição de sua borboleta em termos de compartilhamento de informações com seu pai.
- É melhor eu ir... Diga-lhe que a amo - sussurrou, de cabeça para baixo quando atravessava a sala. Antes de sair a viu com os olhos fechados e os punhos fechados com força – Feliz dia borboleta. - foram suas últimas palavras antes de sair.
Aquela noite foi não foi uma das melhores para Bella ou Charlie. Toda vez que começava subir sua febre ela chamava em sonhos por Edward e Charlie acordava para dar seu remédio e colocar mais compressa fria em sua testa. Perto das cinco horas da manhã ela conseguiu dormir de modo que teve que ser acordada às 8h para uma nova dose de medicamentos.
- Como você se sente pequena? – perguntou seu pai lhe ajudando a sentar no sofá.
- Um pouco melhor - confessou antes de dar um grande bocejo.
- Seu encontro foi arruinado meu amor, mas seu pai te trouxe chocolates – lhe entregou a caixa que na noite anterior tinha comprado pra ela. Ela sorriu em resposta.
- Com certeza vou me sentir ainda melhor depois disso. Obrigada, pai - disse a ele sinalizando. Charlie deu-lhe um olhar que ela não soube interpretar.
- Eu gostei mais da noite passada quando você usou a sua voz em vez de suas mãos para me chamar de pai - Charlie segurou as mãos de sua menina e sorriu – Você tem uma voz linda Bells... Por que não a usa? - Ela deu de ombros, não conhecendo a resposta para essa pergunta. Medo de errar falando? Medo de ser ridícula?
- Eu te amo - disse Bella. Ele apontou para o coração e sorriu como se dissesse "eu te amo mais" - Depois de preparar um copo enorme de suco de laranja e pães macios, Charlie disse a Bella que ele estava fora da delegacia por muito tempo. Sue chegaria a qualquer momento e ele estaria de volta antes do meio dia.
- Eu vou ficar bem, pai. Não há necessidades de chamar Sue para vir tomar conta de mim. Eu estou bem - Bella repetiu.
- Você tem certeza? Ela se ofereceu para vir amor...
- Eu vou ficar bem, pai. Eu só preciso de um livro e muitos lenços descartáveis. Não chame Sue, não é necessário - disse antes de fazer uma cara inocente.
- Está bem pequena "Rudolph a rena" - ele disse se referindo ao nariz vermelho dela – Volto logo. Se você precisar de alguma coisa basta enviar uma mensagem que volto voando.
- Eu estou bem, papai. Vá logo para voltar e descansar. Você também não teve uma boa noite - Charlie aproximou-se dela e beijou seus cabelos sorrindo.
- Provavelmente o melhor presente de Renée - disse - Fique na cama, bem... Fique no sofá.
- Sim, chefe Swan - Bella disse em estilo militar. Poucos minutos depois, viu-o sair e pegou sua cópia do "Diário de Anne Frank" que tinha começado a ler.
Não que a leitura tenha sido chata, mas a fadiga venceu fazendo ela adormecer por volta das 10h da manhã. Bella não era dessas pessoas que tinham pesadelos ou sonhos anormais, seu sono era muito pacífico, ou pelo menos tinha sido, até aquela manhã.
Ela estava presa em um pesadelo, um fato muito cruel. Ela se via no meio do ginásio. Ela estava de frente para os mesmos alunos que testemunharam ontem o beijo de Edward e Lauren. Sentados na primeira fila Rose e Royce estavam de mãos dadas, enquanto eles lhe olhavam com desprezo. Mais a esquerda, Lauren, sua mãe e Edward riam alto dela.
- Diga Bella... Como foi ver seu amado beijando outra mulher? - Era a voz de Royce, aquele desprezível que tinha lhe beijado a força no dia anterior.
- Royce amor... Ela não te escuta. Você tem que fazer sinais... E mesmo assim ela não vai dizer te nada, ela não fala... Ela é meio inútil... - Rosalie riu alto.
- Eu não sou! – gritou com uma voz que ela não conhecia.
- Você é um lixo... Você provavelmente matou sua mãe - murmurou Lauren - Edward é meu, coloque isso na sua cabeça - Lauren imediatamente se levantou e encurtando a distância bateu seus lábios contra Edward.
- Me...u! – Resmungou com voz dura e distorcida acordando do pesadelo horrível. Embora ela não tivesse ouvido a si mesma, esta foi sua terceira palavra do dia, um recorde em sua história.
A febre tinha subido novamente, ela estava suando e sentia que o corpo estava muito quente. Pegou o seu xarope de febre e engoliu uma boa dose do horrível remédio com gosto de amora, fazendo sua careta respectiva de nojo e puxou o cobertor.
Por que tinha sonhado isso? Era definitivamente um sinal. Se ela pudesse falar talvez tivesse parado o beijo que Royce deu nela, ou melhor ainda... Ela teria parado o beijo que Edward daria Lauren.
Falar não era tão difícil, não pra ela que era amante das letras. Devia lembrar a fonética das letras e do modo como abrir a boca e usar sua língua e lábios. Pelos os próximos cinco minutos tentou dizer frases curtas, mas sentia que nada veio de sua garganta. Definitivamente precisava de ajuda... E lembrou da única pessoa que não só sabia como lhe ajudar como também seria a única que estaria disposta a tentar.
- Sua lutadora vai conseguir - falou para si mesma com lágrimas olhando para a foto de seus pais levantando-se - Ninguém jamais poderá dizer que Isabella Swan se rendeu... E todos vão se orgulhar... Até você, Edward... Até você.
De jaqueta e armada com uma coragem que ela mesma não sabia que tinha, pegou a bicicleta que Edward tinha lhe dado em seu aniversário e saiu. Sua outra bicicleta ainda estava na escola e pensaria nisso em outro momento. O caminho era curto, mas ainda devia ser rápida, para evitar ser pega por seu pai. Ela chegou em minutos ao seu destino e suspirou quando freou.
- Vamos Bella... Você não é inútil - falou encorajando a si mesma. As traiçoeiras lágrimas deixaram seus olhos - Você não é uma covarde, você pode fazer - disse, enxugando o rosto e levantando a cabeça com altivez. Com um pouco de medo desceu da bicicleta, parou por alguns segundos diante da porta e suspirou novamente. O lugar era ainda o mesmo, as paredes da mesma cor de quando pela primeira vez ela esteve ali. Explorou com os olhos cada detalhe, cada cor. Ela sorriu ao sentir o calor de um lar que esse lugar lhe passava.
Nervosa com a visita repentina em sua antiga escola atravessou o portão enorme. Ela viu o "grande pátio" que já não parecia tão assustador como quando tinha quatro anos. Enquanto o cruzava verificava a hora em seu relógio, a hora do almoço estava perto e se queria cumprir sua meta tinha que ser ágil.
Ao longe uma senhora gorda com alguns fios brancos atravessou um corredor com uma bandeja enorme de biscoitos. O cheiro deles invadiu suas narinas e lhe fez sorrir. Eram os famosos biscoitos da Sra. Cope, que desfrutou todas aquelass manhãs com sua tartaruga.
Ela balançou a cabeça para afastar as lembranças de suas experiências infantis por um momento e acelerou o passo, chegando no corredor das salas de aula das crianças. Um arrepio percorreu sua pele causando uma sensação estranha, era uma mistura de alegria e medo. A felicidade de um encontro inesperado, o medo da reação que sua visita poderia causar.
Ela parou na frente da sala de aula que tinha na porta uma decoração especial. Um letreiro dizendo "jardim da infância" e uma mão pintada de vermelho em uma extremidade do mesmo. Ela sorriu ao se lembrar do seu avental. Por que tudo não podia ser simples como quando eram crianças?
Ela ergueu a mão para bater na porta, mas hesitou e virou-a para baixo. O que ela estava fazendo aí? Realmente seria uma boa ideia? Sim, sim, era. Era hora de tomar decisões, a primeira de muitas. Levantou sua mão novamente e desta vez deu dois toques, avisando a professora que a visita era especial lá fora.
Um pouco mais velha, mas com o mesmo sorriso, a professora Kate Smith caminhou até a porta e abriu-a. Seus olhos azuis brilharam animados e algumas rugas em torno deles foram vistas. Ela respondeu a saudação com um sorriso e sem hesitar correu para os braços da mulher que ela considerava como sua mãe. A que estava a seu lado em seu primeiro dia de aula, na sua primeira menstruação, e em suas horas mais sombrias.
- Querida! – sussurrou emocionada no ouvido de sua amada Bella. Um soluço lhe advertiu que a visita não foi só por prazer, algo tinha acontecido com sua pequena tartaruga Manuelita.
- Professora - disse ela enquanto soluçava sinalizando – Professora Kate…
- Minha pequena... O que aconteceu? O que você tem? - Kate perguntou preocupada – Bella... O que aconteceu meu anjo? O que você está fazendo aqui?
- Eu vim... Eu vim para procurar ajuda. Preciso de sua ajuda - foi sua declaração. Kate voltou a lhe abraçar e ali, em seu retiro pessoal Bella voltou a chorar...
- Querida... - sussurrou Kate novamente - Deixe sair, deixe sair - Enquanto Bella se desmanchava nos braços de Kate os pequeninos absortos assistiam a cena estranha. Uma menina grande chorando nos braços de sua professora...
- Eu acho que ela caiu no grande pátio... Eu disse... É perigoso - sussurrou uma menina que tinha em seu avental o nome Claire. Embry, uma criança sentada ao seu lado acenou com a cabeça concordando com ela.
Alguns minutos depois Bella apenas soluçava e Kate pegando sua mão a levou para a frente da sala.
- Meus amores... Hoje temos uma visita especial, seu nome é Isabella Swan - doze anos depois que ela entrou pela primeira vez naquela sala, Bella revivia as sensações desse primeiro dia de aula. Usando quase as mesmas palavras daquela manhã de Abril, Kate apresentou aos seus patinhos a primeira aluna especial da "Mamãe Ganso". Kate depois atualizou Bella sobre os muitos alunos especiais que tinham convivido com ela nesses anos. Crianças com Síndrome de Down, autismo, baixo QI, e como no caso de Sam, cegueira.
Todos ouviram atentamente a história que sua professora contava sobre a menina grande na frente deles dizendo que ela era uma heroína, e Kate a via assim... Só que Bella ainda não sabia.
Quando a campainha tocou e os pequeninos estava prontos para atravessar o grande pátio para desfrutar os biscoitos da Sra. Cope, Kate disse a ela para ficar na sala que ela voltaria em poucos minutos. Bella assentiu com a cabeça e vagou pela sala alguns minutos. As coisas não mudaram muito lá também. As pinturas no mesmo lugar, as mochilinhas pendurados, legos e massinhas na mesma caixa amarela.
As paredes, pintadas da mesma cor, eram adornadas por um bando de fotos de crianças. Destas, uma chamou a atenção dela: um grande coração verde. Ela caminhou lentamente e tocou-a sem querer sorriu.
- Um coração verde? Bella, os corações são vermelhos... Não verde.
- Edward... Não percebeu ainda que nem tudo na vida deve ser como o resto?
A jovem Isabella lembrou-se da conversa que teve com seu amigo anos atrás, em um quarto de hospital. Ser diferente não era ser menos e era isso que ela queria mostrar a todos.
- Se parece muito com você... No tamanho - disse Kate depois de tocar seu ombro e chamar sua atenção - Diga-me o que aconteceu.
Pelos próximos 15 minutos Bella contou a sua professora o que aconteceu, incluindo o pesadelo, parando várias vezes para assoar o nariz por escorria sem parar.
- E você está assim porque quer mostrar que não é tão inútil - ela balançou a cabeça vigorosamente confirmando - Quer mostrar a todos e a Edward em particular que você vale muito - ela balançou a cabeça novamente – Bem eu não posso te ajudar Bella.
- O quê? Por quê? - Bella perguntou incrédula.
- Porque você não pode fazer isso pensando nos outros. Se você decidir retomar a terapia deve ser por você mesma Bella. Você não deve acreditar que isso irá beneficiar alguém se você não está em primeiro lugar.
- Mas... Eu faço isso por mim também professora Kate. Eu juro... - respondeu rapidamente.
- E também por Edward... – disse Kate. Ela apenas olhou para baixo. Kate fez ela olhar pra ela - Vocês dois me lembram o filme Rei Leão... Lembra-se amor? - Bella assentiu sem entender a semelhança que ela tinha com um felino selvagem - Vocês são como Simba e Nala, amigos de longa data que um dia perceberam que se amavam.
- Professora... Eu... - respondeu Bella um pouco desajeitada em evidente sinal de que ela estava nervosa.
- Não precisa dizer nada, meu anjo, seu segredo está seguro comigo - Kate acariciou sua bochecha e sorriu - Agora vamos retomar as aulas e vamos trabalhar com muita vontade!
Pegando um pequeno pedaço de papel e colocando-o em frente de sua boca Bella retomou seus exercícios vocais. Começaria com as vogais, em seguida as sílabas, depois palavras e no fim, frases. Esse caminho seria longo e cansativo, mas não era impossível.
Depois de terminar sua aula rápida de nivelamento, Kate passou alguns exercícios para ela praticar. Movimentar seus lábios e fazer o pedaço de papel se mexer seria sinal de que ela pronunciou a sílaba pa , e abrir a boca enquanto a língua estava pra baixo seria ca. Tentaria até ali, no dia seguinte ela voltaria para a segunda aula.
Animada com o seu progresso Bella se despediu de Kate e voltou para casa. Ninguém saberia de sua saída nem muito menos de suas aulas. Isso seria uma surpresa para todos, incluindo Charlie.
No caminho para casa enquanto Bella espera a mudança no semáforo encontrou a pessoa que menos esperava ver naquele momento. A BMW vermelha conduzida por um rosto familiar estava ao seu lado. Seus belos olhos azuis se arregalaram quando viu Bella na bicicleta, estranhando já que a noite seu pai e irmã tinham mencionado o quão mal ela estava em casa.
Bella lhe olhou intrigada com a reação dela. Mas sorriu e acenou. Quando o semáforo mudou Rosalie pisou no acelerador e foi embora imediatamente.
Dirigia em alta velocidade pela estrada que ia de Forks para Port Angels. Depois de tudo o que aconteceu no dia anterior ainda estava chateada e precisava de uma espairecida senão iria estourar. Então decidiu ir a Port Angels por algumas horas numa viagem mais confortável. Colocou seu carro no modo conversível e ligou o iPod no seu sistema de som do carro. Uma música soou instantaneamente familiar.
Quando entro na sala as pessoas param e olham
É como se ninguém mais estivesse lá
você sabe quem sou eu, mas eu não sei quem é você
Meninos e meninas querem saber de mim, eles tentam é tão difícil
E eu consigo o que quero, meu nome é meu cartão de crédito
Não tente me odiar porque eu sou tão popular...
Essa música costumava ser o hino dela e Lauren que cantavam toda vez que elas se encontravam nas noites de festa do pijama, agora isso apenas parecia ridículo. Falso, muito falso... Assim como sua amizade com Lauren. Sempre se achou uma garota inteligente... Por que nunca percebeu a cobra que tinha como amiga? Ela nunca se interessou em separar Edward e Bella, ela se importava apenas com as conseqüências dessa ação.
- Sua idiota! – se repreendeu, enquanto desligava a música se concentrado na estrada. Seguido pela mesma até chegar em Port Angels viu à distância um parque e estacionou nas proximidades. Sentanda em um banco para pensar…
Seu irmão lhe odiava.
Sua amiga havia mentido.
Seu namorado era infiel.
Sua vida era uma merda.
Sua...
- Mas quê...! - Reclamou, de repente abrindo os olhos. Tinha levado uma bolada na cabeça e com certeza teria mais tarde um galo ali. Ela olhou para a esquerda e direita para encontrar o dono da bola maldita pra lhe dizer algumas coisas, mas não viu nenhum sinal de vida. Rosalie estava prestes a ignorar o infeliz incidente quando viu uma enorme sombra pelas suas costas. Um rapaz muito alto, provavelmente perto dos dois metros de altura e parecendo ter 20 anos, com músculos definidos nos braços e nas costas e com um cabelo crespo quase preto, e dono de uns impressionantes olhos azuis se aproximou do pés dela e pegou a criminosa bola. Rosalie, incapaz de falar por estar impressionada apenas sorriu, um gesto que foi correspondido pelo jovem como outro sorriso destacando duas covinhas nas bochechas dele.
Quase se afogando na própria saliva Rosalie viu o belo jovem se afastar. O seguiu com o olhar e percebeu que ele corria para o norte até o fim do parque. Ele foi de encontro a outro rapaz loiro mais jovem que ele, talvez quatro ou cinco anos mais novo que o grandalhão e uma menina que parecia ter a mesma idade do loiro, sorrindo enquanto os dois jovens brincavam entre si.
- Ele é muito bonito - sussurrou para si enquanto se virava e fechava novamente os olhos para continuar com seus pensamentos profundos, mas não conseguiu se concentrar. A imagem daquele jovem ficou gravada em sua mente fazendo-a a abrir os olhos e voltar a lhe espionar.
Viu que ele e o menino estavam brincando de lançar e pegar a bola. Sorriu quando percebeu que quando o loiro jogava a bola, facilmente o urso a pegava, como ela o comparou naquele momento, e quando o grande urso lançava de volta ao loiro, ele tinha que correr um pouco pra agarrá-la.
- Que força - disse admirada com o enorme braço musculoso dele. Quando foi a vez dele jogar uma vespa chegou muito perto levando-o a perder a concentração e fazendo seu lançamento sair errado quase a atingindo pela segunda vez.
- Oh, desculpe... - disse o menino loiro pegando a bola - Emmett, algumas vezes não consegue controlar a sua força.
- Não se preocupe - Rosalie respondeu ao menino. À distância, viu como o grande urso pardo, ou Emmett como ele era chamado, se aproximou rapidamente do banco alisando alguma ruga inexistente em seu short curto e sorrindo pegando a bola das mãos do loiro.
- Mais outra vez e você terá arrancado o olho de alguém Emmett. Melhor pararmos por aqui - disse o menino.
- O... Ok... - disse sem fôlego. Rosalie sorriu quando ouviu a voz masculina de Emmett e piscou duas vezes, como se para deslumbrar o urso grande, com seus encantos. Ele sorriu em resposta.
- Eu vou pegar algo para beber, Emmett. Maria! – gritou pra menina que ainda estava do outro lado do parque - Eu vou tomar alguma coisa... Você vem? – Sim! - ela gritou a distância – Que falta de educação a minha, senhorita…
- Rosalie... Rosalie Cullen – a loira respondeu. Emmett continuava sem dizer uma palavra ainda deslumbrado com ela.
- Muito prazer senhorita Cullen, meu nome é Jasper Whitlock e ele é meu primo Emmett McCarty - o menino estendeu a mão em uma saudação e ela respondeu com um sorriso. O grande urso pardo repetiu o gesto de seu primo e a cumprimentou educadamente.
- E eu sou Maria, amiga desse casal famoso aqui. Vamos beber alguma coisa Jasper? - o loiro concordou e foram pra um quiosque ali perto.
- É um bom dia para fazer exercícios, não? - Rosalie aventurou-se a iniciar uma conversa. Emmett sorriu e acenou com a cabeça - Vocês vêm com muita frequência? - Emmett balançou a cabeça de novo – São daqui mesmo de Port Angels? - Emmett balançou a cabeça pela terceira vez. Rosalie franziu a testa. Por que Emmett não respondia? Ela estava sendo muito intimidante?
Jasper apareceu quase imediatamente com bebidas e distribuiu-o entre todos, inclusive pra ela. Um gesto muito amável da parte dele, mesmo sem conhecerem direito. Sem perder tempo Emmett bebeu rapidamente sua bebida e abafou um arroto que quase escapava. Rosalie sorriu para o soluço engraçado que eventualmente escapou do grande urso. Ela educadamente tomou a dela e olhou para Emmett. Ele sorriu novamente.
- Emmett, Tia Lucy deve está nos esperando... - Jasper falou após terminar sua bebida. Emmett balançou a cabeça e se levantou, em um ato repentino ele pegou a mão dela e delicadamente beijou. Ela suspirou e sorriu animadamente.
- Mu... Mu... Muito pra... zer... - disse com dificuldade o grande urso. Rosalie parecia confusa e o sorriso desapareceu de seu rosto. Emmett imediatamente soltou a mão de Rose e se virou para ir embora. Jasper vendo a reação dela se aproximou discretamente.
- Por que... Por que Emmett fala assim? – Perguntou sem saber se queria ouvir a resposta.
- Porque tem disfemia tônico-clônica* - rosto de Rosalie era indecifrável.
NT: A disfemia é um distúrbio que provoca dificuldade em se expressar por meio da fala. Conhecida popularmente como gagueira, a disfemia é um problema que ocorre principalmente em mulheres. Caracteriza-se por interrupções bruscas na fala que podem ser tônicas ou clônicas. A disfemia tônica é caracterizada por espasmos musculares que comprometem a fala provocando os bloqueios que tendem a ficar mais intensos com o esforço que o indivíduo faz para que consiga terminar o que estava falando. A disfemia clônica é caracterizada por contrações que ocorrem diretamente na boca de forma leve e rápida provocando a repetição de palavras ou parte delas. As duas formas de disfemia podem ou não estarem associadas uma a outra e ocorrer de forma contínua*.
- Disfemia? O que é isso?
- Emmett sofre de gagueira, senhorita Cullen. E é por isso que ele não respondeu suas perguntas. Ele não poderia lhe responder sem gaguejar uma vez – Rosalie estava boqueaberta e Jasper não gostou muito da reação dela. Recuando ele disse - Foi um prazer, tenha uma boa noite. - disse antes de sair com o grande urso e a menina de cabelos pretos.
Chocada com a notícia, Rosalie desabou no banco. Fechando os olhos, eclipsada com o fragmento de uma conversa.
"É deficiente... Como você pode se apaixonar por uma pessoa assim? Uma pessoa que depende de outro para viver como um parasita... Não pode amarrar sua vida a uma pessoa assim... Uma pessoa deficiente não é uma pessoa completa."
Sem dúvida, o carma era uma cadela. E Rosalie não demorou muito pra entender o porquê disso...
Olá meninas, como estão? Espero que bem.
Então em resposta a algumas reviews: o aviso que entrou como cap. 8 não deve ser considerado como cap. Pra vocês entenderem o prólogo não é capítulo, começando a contagem pela "História de Bella" e o "Efeito dominó" sendo então o 7º cap. Se em outra ocasião houver outro aviso, desconsiderem como cap. E novamente repito, não irei abandonar a fic.
Nossa autora original mandou sua saudação e agradecimento pra nós. (=D)
E... O que estão achando desse encontro de Rosalie e Emmet? Como será que ela vai reagir daqui pra frente sabendo da dificuldade dele? Edward e Bella conseguirão se entender?
Aguardo reviews, beijos e até o próximo capítulo.
