CHOCOLATE
Capítulo Dez: Café e Chocolate
Inuyasha resolveu chamar um táxi para Kagome. Ela agradeceu e disse para ele descontar do trabalho. Ele negou rindo. Quando o táxi virou a rua, Sesshoumaru se aproximou. Sem esperar, segurou o meio-irmão pelo colarinho e o empurrou contra a parede da garagem.
- Você está louco! – Sesshoumaru berrou. – O que você quer?
Inuyasha sorriu. – Nada, maninho. Só que quem não quer, tem quem queira. – respondeu com ironia.
- E Kikyou? – Sesshoumaru apertou ainda mais o colarinho do irmão entre seus dedos. Inuyasha segurou suas mãos.
- Pedi para ela me esquecer por um tempo... Preciso de novas experiências.
Sesshoumaru bufou. Largou a camisa do irmão e saiu. – Esquece.
Inuyasha queria gargalhar, mas se segurou.
Os dias passaram. Rin e Kagura olhavam desconfiadas e perplexas para a relação de Inuyasha e Kagome. Sesshoumaru só falava o indispensável com os dois. E a Kikyou havia realmente evaporado. Sango não gostou da ideia e deu uma bronca em Kagome, as duas ficaram três dias sem se falar direito. Passou-se mais de uma semana, nessa encenação. Kagome tirou o gesso finalmente.
- Estou livre! – exclamou animada. Inuyasha, que havia ido com ela no médico, sorriu. Ele a puxou mais para si e beijou a testa dela. Kagome se afastou. – Hey, não precisamos fingir, estamos longe d- parou de falar ao ver a pessoa do outro lado da calçada. Foi coincidência. Mas, veio a calhar.
Kikyou atravessou a rua. Com um olhar mortificante, encarou Kagome. – É verdade? – perguntou ao se aproximar do casal. Olhou para Inuyasha. – Me disseram que vocês estavam juntos... Não acredito. É verdade? – ela se aproximou ainda mais de Inuyasha. Os olhos o fuzilando. Tristes e confusos.
- Kikyou... – a voz dele saiu num sussurro. Ele engoliu o seco. – Eu disse que precisava de um tempo.
- Tempo? – ela levantou a sobrancelha.
Kagome resolveu dar um passo para o lado para se afastar deles dois. Ficou observando em silêncio. A forma tristonha que Inuyasha encarava Kikyou demonstrava sua paixão escondida. Ele podia dizer coisas sobre tempo e se afastar, mas o seu olhar só dizia que ele a queria. Kagome mudou a posição. Tanto tempo com o gesso, ao pisar seu pé doía um pouco.
Kikyou colocou as duas mãos sobre o rosto dele. – Você tem certeza... Inuyasha, o que aconteceu? Você quer me fazer ciúmes, por isso resolveu enganar essa pirralha? É isso? Ou resolveu dar o troco em Sesshoumaru?
Inuyasha riu. Afastou-a de si. – Kikyou, eu pedi um tempo, nesse tempo posso fazer o que eu quiser... Isso se esse tempo algum dia acabar. – ameaçou.
Kikyou o encarou, era possível ver em seu rosto o seu olhar de frustração.
- O nosso acordo acabou. – declarou, virou-se e se afastou do casal.
Quando Kikyou estava longe o suficiente, Kagome perguntou. – O que é esse acordo?
- Eu combinei com ela de não intervirmos na Chocolataria. É, praticamente foi algo assim. – ele explicou, mas a sua voz estava distante. Kagome o observou alguns minutos. – Vamos? Você ainda vai trabalhar hoje.
- Ok.
Inuyasha pediu um táxi e os dois foram para lá.
- Ah, quando sair da cozinha passe um batom. Eu tenho um plano. – ele disse antes de sair do carro, sem dar chance para ela responder.
Inuyasha ficou no caixa e Kagome continuou a ajudar Sesshoumaru, quem estava ainda mais gélido e falava só o necessário.
- O que vamos fazer hoje? – Kagome perguntou tentando chamar a atenção. Ela queria que ele falasse algo por ela ter tirado o gesso. Mas, ele não falava nada.
- Tiramissu Light. – ele respondeu secamente.
- Light?
- Sim.
- Por que light?
- Porque quero ter uma maior variedade de produtos.
Kagome se aproximou um pouco de Sesshoumaru. – E como faz?
Ele suspirou cansado. Era como se a presença dela fosse torturante. – Primeiro faremos o pão de ló. São 3 ovos grandes, um colher (sopa) de adoçante para forno e fogão, 2 colheres (sopa) de farinha de arroz (pode ser de trigo também), 1 colher (sopa) de cacau em pó e 1 colher (café) de fermento químico. Pega a batedeira para mim. – Kagome foi até a ponta do balcão e trouxe a batedeira. – Primeiro você coloca os ovos e bate bastante até ficarem cremosos, e então acrescenta o adoçante, até ficar muito cremoso e aerado. Colocamos a farinha peneirada, o cacau, misturando com uma colher mesmo, como estou fazendo agora e por fim o fermento, mas precisamos misturar muito bem. Unta a forma enquanto misturo. – Kagome obedeceu. Sesshoumaru terminou de misturar e pôs a mistura na forma com delicadeza. – Ponha no forno para mim, em 15 minutos está pronto. – Kagome obedeceu.
- Parece fácil.
- É, enquanto eu faço o creme, ferve um café para mim, por favor. Faça-o bem forte. – Kagome sorriu, acenou e começou a esquentar a água no bule.
- E o resto?
Sesshoumaru sorriu. Explicando as coisas, tudo começou a parecer natural. Ele gostava do interesse dela, gostava de tê-la por perto... Sentiu um peso no peito. Foi ele quem abriu mão, mas vê-la com seu irmão estava o machucando um pouco. – Para o creme é preciso 1 embalagem de pudim diet sabor baunilha, 2 xícaras (chá) leite desnatado, 150g d cream cheese light, 1 colher (sopa) de adoçante para forno e fogão. ½ xícara (chá) de creme de leite light. – ele pegou o conteúdo do pudim e despejou na panela com o leite. – Misturamos o pudim e o leite, até engrossar. – quando o pudim engrossou, Kagome já tirou o bule do forno e despejou sobre o coador com o café, a água queimou os grãos e descia para o outro bule já como café. O cheiro do café caseiro se espalhou pela cozinha.
- Esse cheiro é delicioso. – ela disse colocando o restante da água na garrafa térmica e assim conservando o calor.
Sesshoumaru sorriu. – Colocamos numa vasilha, - ele o fez. – e colocamos numa vasilha e pomos na geladeira para gelar. – ele colocou na geladeira. – Acho que em uma hora estará bom.
- Certo. – Kagome afirmou. Deixou a água terminar de cair no bule, depois retirou a água da garrafa térmica e colocou o café dentro. Fechou a tampa bem apertada para o calor não sair. – O que fazemos enquanto esperamos?
- Por favor, rale alguns chocolates, preciso por acima de um bolo, e comece o bolo de cenoura, você já o sabe fazer. Só temos mais um e logo vendemos todos os pedaços.
- Ok.
O bolo ficou pronto, e Sesshoumaru o deixou esfriando sobre a mesa.
O silêncio predominou, enquanto Kagome ralava o chocolate e Sesshoumaru fazia a cobertura do bolo. Lá embaixo o movimento ia aumentando. Eles podiam ouvir a voz. Kagome já estava mais rápida para fazer suas tarefas e já sabia fazer algumas receitas de cor. Era interessante como também havia controlado a sua compulsão. De vez em quando, ela roubava um pedacinho de chocolate, mas agora que trabalhava e estudava, parecia que ela tinha menos tempo para comer. Era estranho. Ao terminar de ralar o chocolate, ela mesma colocou sobre o bolo e o enfeitou. Apesar de Sesshoumaru não falar nada além de comida com ela, isso ele havia a ensinado. Ela gostava de mostrar interesse nos pratos porque era a chance dela ouvir a voz dele. Se ela tentava falar sobre qualquer outra coisa, seja o tempo, seja o que ele achava de algum programa, ele a ignorava.
Assim que deu o tempo do creme gelar, ele o tirou da geladeira.
- Batemos o cream cheese com o adoçante até ficar cremoso e depois, sem parar de bater colocamos o pudim que estava na geladeira junto com o creme de leite até ficar homogêneo. Depois, venha aqui, traga o bolo para mim. – Kagome deixou o bolo batendo no liquidificador e foi até ele com o bolo. – Essa parte é divertida, traga também aquelas taças de sobremesa ali, de vidro. Isso mesmo. Nós vamos montar. Primeiro, tiramos um pedaço de bolo e colocamos na taça. Misturamos o café com um pouco de adoçante, isso e embebedamos o bolo com café, colocamos o creme, mais um pouco de bolo com o café, mais creme, isso. Pega o cacau em pó, obrigado. Polvilhamos aqui em cima e tcharam. Até que deu certo, não é mesmo? Vou terminar de montar o resto, me ajuda?
Kagome acenou e o ajudou. Ao terminar, eles colocaram na geladeira para gelar.
- Deve ter ficado uma delícia! – Kagome exclamou animada.
- Sim. Vamos saber depois que gelar. – ele disse pegando uma forma redonda e untou. – Coloca a massa do bolo de cenoura aqui. Kagome pegou o copo do liquidificador e derrubou a massa na forma, depois levou para o forno.
- Acho o máximo o quanto você preza por cada detalhe. – ela comentou sorrindo. – Estou aprendendo tanto... Acho que vou fazer gastronomia na faculdade, cada dia que passa eu sinto mais vontade de trabalhar com isso.
Sesshoumaru a encarou com seus olhos dourados. Internamente ele adorou ouvir isso, era bom saber disso, saber que ela estava tirando proveito da experiência, mas seu orgulho falava mais alto.
- É. – foi tudo o que conseguiu dizer.
Kagome ficou decepcionada, ela queria que ele falasse mais. Isso estava a irritando.
- Vi Kikyou hoje. – comentou sem pensar. – Ela estava enfurecida porque Inuyasha está namorando comigo, acredita? Não consigo entender. – Kagome queria que ele falasse alguma coisa, porém ele não falou nada.
Sesshoumaru continuou mudo.
- Ela disse que o acordo acabou, mas Inuyasha não me explicou direito. Eu não sei... - desistiu de falar. Ele parecia inabalável.
Eles continuaram a trabalhar em silêncio. O cheiro de café e chocolate se espalharam de forma inebriante pela cozinha. Kagome se entristeceu. Ela estava fingindo namorar o irmão dele, ele não ia querer encrenca...
O expediente acabou. Kagome abriu a mochila, tirou um batom e o passou. Sem dar tchau, Kagome desceu as escadas e deu de cara com Inuyasha. – Venha comigo. – ele pediu. Sesshoumaru olhou para baixo e viu o irmão levá-la para o quarto. Algo esmurrou o seu peito.
Inuyasha fechou a porta do quarto.
- Qual é o plano? – Kagome quis saber.
Inuyasha deitou sobre a cama. – Venha aqui.
Kagome suspirou e foi. Deitou ao lado dele. – Acabamos virando amigos, não é mesmo?
- Sim, bah mas não fica se achando por isso.
Ela riu. – Besta. Como foi ver Kikyou?
Ele não respondeu.
- Entendo. Eu também ia ficar em silêncio. – Kagome falou pensativa. – Estou cansada de fingir. Sei lá.
- Hoje eu acho que te entendi...
O silêncio. Kagome sentiu novamente cheiro de café com chocolate, era como se esse fosse o cheiro do silêncio opressor. – Preciso ir. – disse se levantando. Inuyasha também levantou e foi com ela até a porta.
- Espera, falta algo. – Inuyasha abriu o botão da saia dela.
- O que você está fazendo? – ela disse brava e o empurrou.
Ele riu. – Calma. Eu só quero animar as coisas.
- Animar?
- É, confia em mim.
- OK.
Ele puxou a blusa dela para fora da saia. – E o grand finale. – ele passou a mão sobre os lábios dela borrando o batom. Depois passou a mão bagunçando o cabelo dela.
- Por qu- Então Kagome entendeu, olhou-se no espelho do armário de Inuyasha. Parecia que eles tinham feito algo. Kagome ficou vermelha.
- Antes de entrar na sua casa, você se arruma. – ele pediu rindo.
Kagome abriu a porta e saiu do quarto. Assim, que saiu do quarto deu de cara com Sesshoumaru na ponta da escada. Ao notar o estado de Kagome, ele se aproximou. Inuyasha, no quarto, colocou a orelha na porta, queria poder ouvir, mas eles estavam longe.
- O que você fez? – perguntou.
Kagome colocou sua blusa para dentro da saia. – Não te interessa.
- Espero que não se arrependa.
- Não sei o porquê de você querer opinar, Sesshoumaru.
- Como assim?
Kagome começou a se irritar. – Você não me quis.
Sesshoumaru a encarou. Era verdade. Ele engoliu o seco.
- Você não pode mais opinar. Você não pode ligar, você teve sua chance e agora quer falar o quê? O que eu devo ou não fazer? Por que isso importa para você? EU POSSO FAZER O QUE EU QUISER, SEU IDIOTA! NÃO VENHA OPINAR NA MINHA VIDA, SUMA DELA! VOCÊ É UM IMBECIL! – Kagome começou a berrar. Inuyasha riu. Queria poder ver a cara do seu irmão. Resolveu sair do quarto. Assim que abriu a porta já os viu. Mas, ambos pareciam irritados demais para percebê-lo.
Sesshoumaru suspirou. – Você pagou sua conta, Kagome. Não precisa vir mais a partir de amanhã.
Kagome estava irritada. Foi até a parte da frente e pegou um pote de doces e derrubou no chão. O vidro quebrou.
- O que você está fazendo?
- Aumentando a minha conta. – ela respondeu irritada. Pegou outro pote e derrubou no chão.
Sesshoumaru se aproximou e a segurou pelos punhos. – Pare, você vai destruir toda a minha loja.
Kagome não aguentava. Os seus olhos marejaram e antes que pudesse evitar, suas lágrimas rolaram pelo rosto.
- Eu não aguento mais. – Kagome murmurou.
Sesshoumaru olhou para a mão dela, ela havia machucado o dedo. – Está sangrando.
- Me solta, está tarde. Eu quero ir embora. Não venho mais amanhã.
Sesshoumaru sorriu e a puxou para si. Abraçou-a de forma apertada. – Como assim, Kagome? – ele sussurrou no ouvido dela. – Você quebra dois potes meus e não quer pagar?
- Estou cansada. – ela respondeu secamente.
- Eu também. – ele disse se afastando dela. Olhou para os lábios dela manchados de batom, aquele cabelo desgrenhado... O cheiro que vinha dela. Cheiro do seu meio-irmão, ela havia estado no quarto dele e agora cheirava como ele. Esse cheiro era insuportável. Lembrou-se do cheiro de Kikyou. Como ela fedia como o seu irmão, mas mesmo assim quis arriscar... Agora Kagome fedia igual. Seria algum tipo de complexo? Olhou os lábios dela com atenção. Ela estava calada e aparentemente atordoada por estar sendo observada dessa forma. Ele deu um passo para traz. – Um dia, eu cometi o erro de magoar Inuyasha, não vou fazer isso de novo. Naquele tempo, eu podia culpar minha juventude, mas agora o que eu poderei culpar? Não sou velho o bastante e muito menos tolo. Melhor, vá para casa, se quiser eu te levo...
- Prefiro que não.
- Entendo. Se quiser, me pague os potes, senão, eu posso deixar para lá. – sem se despedir, ele se virou e foi para o quarto.
Kagome percebeu Inuyasha. Sesshoumaru também. Ele nem encarou o irmão. Passou reto.
Inuyasha foi até ela. – É, eu fiquei surpreso pelo resultado.
Os olhos de Kagome se encheram de lágrimas. – Eu quero acabar com isso. Tenho certeza que ele ia me beijar...
- Pobre Kagome, tão doce... – Inuyasha murmurou e colocou a mão na bochecha dela. – o seu maior erro foi se envolver com esse trio. Você quer que eu te deixe em casa?
Kagome segurou a mão dele. – Me leva para fora daqui. – então, ele obedeceu.
- Onde está Kagome? – Rin perguntou para Sesshoumaru, assim que fazia quinze minutos que ela deveria estar chegando da escola para ajudá-los.
- Ela não vem mais. – ele respondeu secamente.
- Fracote. – Kagura murmurou com um sorriso presunçoso.
Sesshoumaru suspirou. – Vou para cozinha, logo a clientela aparece.
- Inuyasha também não está aqui. – Rin o avisou.
Ele já havia percebido, mas fingia que não. O seu irmão também não estava aqui. Isso era um péssimo sinal. Ele não conseguia apagar da memória a imagem de Kagome de ontem. Ela toda mal-vestida com o batom borrado...
- Olá. – uma jovem de cabelos longos num rabo-de-cavalo entrou.
- Sente-se. – Rin apontou para uma cadeira.
- Desculpe, eu não vim apreciar o lugar. Eu sou Sango, amiga de Kagome da escola, queria saber se ela veio para cá hoje. – a garota falou.
- Como assim? – Rin quis entender. – Ela não foi para escola?
- Não.
- Será que ela está doente? Posso ligar para a casa dela.
- Não. Ontem, Kagome me ligou pedindo para que qualquer coisa se a mãe dela perguntasse para eu dizer que ela havia dormido na minha casa. Mas, hoje ela não foi para a escola.
Sesshoumaru fingiu não dar atenção. Queria poder subir as escadas e se esconder na cozinha, porém, ele estava interessado na conversa.
- Que estranho... – Rin falou pensativa. – Será que aconteceu algo ontem? Eu fui embora sem dar tchau, precisava estudar, tinha uma prova hoje.
- Entendo. Alguém de vocês viu Kagome? – Sango perguntou. Ela estava muito preocupada.
- Talvez, você, não é mesmo, Sesshoumaru? – Kagura falou com ironia. Ela o encarou de forma acusadora. – Será que ontem antes dela ir embora, aconteceu alguma coisa?
- Olha, ela me deu tchau e se foi. – ele mentiu.
- Entendo. – Sango estava decepcionada. – Bem, qualquer coisa, por favor, me avisem, podem pegar meu celular?
- Eu posso, me passe o número. – Rin disse de forma prestadora. Sango passou e se foi dizendo que ia procurar em outros lugares.
- Vou para cozinha. – Sesshoumaru subiu as escadas.
- Kagura, onde você acha que Kagome está? – Rin perguntou.
- Aposto que ela está onde o seu mais novo namorado estiver. – Kagura respondeu ironicamente.
Sesshoumaru escutou, fechou a porta da cozinha. Ele também achava a mesma coisa que Kagura. Ele havia o visto os encarando. Mas, onde? Onde Inuyasha havia levado Kagome?
Kagome tirou os sapatos e pôs os pés na água salgada. Inuyasha estava sentado na areia. Estavam na praia. Ela não via a praia desde pequena. Estava feliz de estar ali. Mas, concordava que se fosse um encontro romântico, seria muito melhor.
- Obrigada! – ela exclamou rindo.
Inuyasha havia a levado até lá de moto. Quando ele pediu para ela mentir para sua mãe, nunca imaginou que fosse parar na praia. Era lindo. Demorou algumas horas, Inuyasha pagou uma noite num hotel próximo, bem ruim, mas confortável e agora eles brincavam na areia e na água.
Quando ela cansou de chutar a água, ela foi se sentar ao lado dele.
- É lindo. – falou com doçura.
- Bobona, claro que é.
- Pare de me chamar assim.
- Assim como? Bobona?
- Xiu!
Ele riu. – Cabeça-oca.
- Seu cãozinho reclamão, chato! – ela exclamou rindo.
- Era outono, quando eu a trouxe aqui. Eu a pedi em casamento na praia. Queria que fosse perfeito. – ele falou em devaneios, de repente. Kagome havia entendido o que ele falava.
- Você a ama loucamente, não é mesmo?
- Costumava dizer que meu amor era comparável ao número de estrelas do céu.
- Imagino.
- Mas, é ruim, quando menos traído, você não consegue diminuir essa quantidade de amor. Acho que sempre subestimei o poder das estrelas. Elas são infinitas, aposto.
- Parece que sim... Eu não consigo entender tanto isso.
- Porque você é jovem. Quando, a gente envelhece, às vezes, amargamos, entende?
- Amargamos?
- A vida é dura. É difícil sobreviver com as dores. Mas, a gente precisa, sabe? Precisamos continuar vivendo.
- Entendo.
Inuyasha puxou a mão dela e a segurou com firmeza. – Eu acho que temos que parar com a brincadeira. Já irritamos os dois, não é mesmo?
- Sim, acho que irritamos.
- Eu pensei que meu sentimento fosse mudar.
- Eu também pensei o mesmo.
- Mas, não mudou.
- Não.
Inuyasha suspirou cansado. – Sesshoumaru me surpreendeu, ele parece arrependido do que fez. Queria que quem se arrependesse fosse ela.
- Por quê?
Inuyasha puxou a mão de Kagome para a sua boca e a beijou com doçura. – Porque não importa muito o que ele sente ou deixa de sentir para mim.
Kagome pensou que isso era cruel. Afinal, ambos eram irmãos.
- Porque eu queria que Kikyou pudesse somente me escolher, mas ela só fica na dúvida. Longe de Sesshoumaru, ela me ama, mas com ele por perto, ela enfraquece. Se ela se arrependesse disso, e nunca fraquejasse ao lado dele, eu poderia fazer as coisas de forma mais certa. Mas, sempre perco a cabeça.
- Você está sendo muito sincero, eu agradeço de coração. – Kagome sorriu.
- Não pense que eu sou tão sincero, Kagome.
- E você não é?
- Não, não sou.
- Eu acho que você é.
- Por exemplo, - ele deu outro beijo nas costas da mão dela e a puxou mais para si. – sou homem e mesmo que eu não te ame, o meu desejo é saber o gosto da sua boca. Porque eu queria entender o motivo de Sesshoumaru te desejar tanto...
- Ele não me deseja assim, e não, não vou deixar você provar porcaria nenhuma minha. – ela falou brava.
Inuyasha riu. – É, eu sei que não.
Kagome tirou sua mão da dele. – Vamos, está tarde, e não posso faltar mais um dia na escola.
- Claro.
Os dois se levantaram. Kagome virou de costas e foi andando até a moto.
Eles ainda não haviam chegado. Sesshoumaru bateu os punhos sobre a mesa da cozinha. Estava com muita raiva. Muita raiva.
Rin e Kagura estavam terminando de limpar as coisas.
- Estamos indo. – Kagura falou ao percebê-lo descendo as escadas.
Rin estava limpando o balcão do caixa.
- Eles ainda não voltaram. – a menina disse com preocupação. – Será que Sango os achou?
- Logo eles estão aqui. – Kagura respondeu.
- Eles quem? – a voz de Kikyou.
- Kagome e Inuyasha. – Kagura respondeu com vontade. Porque o rosto de Kikyou se contorcendo lhe dava um imenso prazer. Kikyou sentiu um nó na garganta. Então, aquilo tudo era sério mesmo.
- O que faz aqui? – Sesshoumaru quis saber.
- Eu tenho uma parte desse lugar e a partir de hoje, quero fazer uma análise de tudo. Todos os dias vou analisar as contas e o faturamento. Afinal, meu dinheiro também está nesse lugar e não quero ser passada para trás. – ela respondeu com um sorriso irônico.
- Você havia dito...
- Sesshy, passado é passado. E meu plano, você sabe qual é, é acabar com esse muquifo logo.
Sesshoumaru foi até ela e apertou o seu pescoço com uma só mão. – Tente. Aqui eu estou conseguindo minha liberdade. – Rin deu um berro com medo da atitude dele.
- Liberdade? – Kikyou sorriu malignamente. – Sesshy, você nunca vai conseguir isso, sabe por quê? Porque suas mão estão manchadas. Você está preso no seu passado. Um passado que você nunca irá suportar.
Ele apertou o pescoço dela com mais força.
Kikyou tossiu. Colocou as mãos sobre a dele. – O que vai... fazer?
Inuyasha parou a moto um pouco longe da casa de Kagome para evitar problemas. – Cuide-se. Amanhã, por favor, apareça lá.
- Vou pensar nesse caso. – ela tirou o capacete e entregou para ele.
- Pense... – ele prendeu o capacete no guidão da moto.
- Eu pareço muito acabada?
- Você está cheirando a mar
- Ai, vou levar bronca.
Ele riu. Beijou a testa dela. E sem querer, desceu a boca até a dela e a tocou de leve. Kagome o afastou. – O quê voc...
- Desculpe. Eu disse, não sou tão sincero assim. Boa sorte com a sua mãe. – ligou a moto e saiu. Kagome suspirou cansada. Ao menos sua mãe deveria estar já no quarto. E estava. Ainda bem que chegou na mesma hora que chegava da Chocolataria. Subiu correndo para o seu quarto.
Sentou-se na cama e pôs as mãos sobre seus lábios.
Inuyasha, ele estava enlouquecido? Pensou.
Continua...
Olá! Voltei!
Estou me esforçando para postar os capítulos, mas acabei tendo um pouco de desanimo (já superado). Além, da doença, eu acabei ficando desempregada (na verdade, eu até queria sair do meu emprego porque voltar dele demorava 3h!). Mas, vamos que vamos, não é mesmo?
O que vocês estão achando dos capítulos? Eu estou bastante ansiosa, confesso. Tudo parece estar ficando de pernas para o ar e isso é maravilhoso, adoro essa loucura.
Quero agradecer pelo carinho, em especial:
Ariel-chan – Menina! Nem fala, Sesshoumaru está perdendo completamente a cabeça. Aliás, todo mundo está enlouquecendo, não é mesmo? O que achou desse capítulo? Super obrigada pelo comentário. Um bom dia, beijão.
Emmi T Black – Eu Tb sou fã de InuxKag, mas adoro um reboliço, não consigo não ter uma queda por Sesshy x Kag. Morrer de ciúmes? Ele está ficando louco, mas ele anda medroso. Tudo bem, eu sei o quanto a faculdade pode ser puxada. Boa sorte! Espero que tenha gostado do capítulo, beijos e bom dia.
Pessoal, até o próximo capítulo!
Beijos
