Shine a Light

Capítulo 9

(Sunny's POV)

Alguns dias, o feriado de Páscoa e muitas coisas estranhas depois, estávamos de volta a Sala Precisa, desta vez aprendendo a conjurar um Patrono. Tecnicamente, nós do sétimo ano, iríamos aprender a conjurar um neste semestre, mas nada como se adiantar, certo?

Bem, antes de prosseguir, deixe-me explicar o porquê das tais 'coisas estranhas' que me referi anteriormente. Ontem Umbridge protagonizou outro escândalo: ela expulsou a professora Trelawney. Sim, caros, ela não é a melhor professora do mundo, mas é uma pessoa de bom coração e não merecia aquela humilhação toda de ser demitida na frente dos próprios alunos. Claro que o diretor Dumbledore interferiu e impediu Umbrigde de bani-la de Hogwarts - o que não agradou nem um pouco a sapa – e disse que já havia achado um novo professor.

E ele era um centauro.

Os centauros que não se ofendam, mas... um centauro? Quem escolhe um centauro para dar aula? Ah, sim, estamos falando da pessoa que escolheu o professor Quirrel, que tinha Você-Sabe-Quem na nuca, o professor Moody, que no final descobrimos ser um Comensal da Morte disfarçado, e a professora Umbrige, que pode ser considerada esposa do demônio.

Dumbledore definitivamente não sabe escolher seus professores.

Voltando para o presente, estávamos na Sala Precisa, como comentei antes, e aprendendo o feitiço do Patrono. Yay!

- Pensem assim, todo grande bruxo da história começou como nós, estudantes. Se eles conseguiram, por que não nós? – dizia Harry, enquanto passava pela sala.

Estávamos tentando conjurar um patrono corpóreo e, surpreendentemente, a maioria estava conseguindo – menos os alunos mais novos e um menino da Grifinória, cujo nome acho que é Neville alguma-coisa.

Com a varinha em mãos, vasculhei minha mente por uma lembrança feliz. Eu sabia que seja ela qual fosse, envolveria Fred.

Inconscientemente, a imagem da mão de Fred descendo pela minha cintura e alcançando a minha coxa invadiu a minha a cabeça. No mesmo instante as minhas bochechas coraram.

- Expecto Patronum! – exclamei e uma fumaça prateada saiu da varinha.

- Você está segurando a varinha errado. – disse Harry, segurando meu braço e arrumando a varinha da minha mão. – Agora pense em sua memória e tente novamente.

Ele se afastou um pouco e eu falei o feitiço novamente. E desta vez deu certo.

Um cavalo...? Não, um unicórnio saiu da ponta da minha varinha e galopou no ar por alguns instantes antes de desaparecer.

- Parabéns, Sun! – parabenizou-me Fred, abraçando-me por trás.

- Obrigada – respondi, sorrindo.

Ele riu e me soltou, delicadamente.

- Qual é o seu Patrono? – perguntei, virando-me para encará-lo

Fred desviou os olhos e, por um momento, pude jurar que ele tinha corado.

- Eunãoconsiguiproduzirum. – murmurou, com a voz enrolada.

- Quê?

- Eu não consegui produzir um. – repetiu, mais alto.

Aha! Eu não estou ficando louca, ele realmente corou desta vez.

- Pare de rir! – exclamou, franzindo as sobrancelhas, num gesto de censura.

- Vamos, eu te ajudo.

Ignorando o olhar cético que ele lançara, guardei minha varinha no bolso e segurei o braço dele.

- Tudo o que você tem de fazer é pensar em uma lembrança feliz – pisquei os olhos sugestivamente em sua direção -, e depois fazer este movimento.

Soltei seu braço e esperei.

- Qual lembrança eu escolho? – perguntou. – Tem tantas!

Fechei a cara para Fred. Ele piscou um dos olhos para mim, riu e ergueu a varinha.

- Expecto Patronum!

Da ponta de sua varinha, um animal quádruplo – que depois reconheci como uma hiena – saiu trotando pela sala. Orgulhosa de meu excelente trabalho como professora, observei o animal prateado desaparecer e me virei para Fred, sorrindo.

- Perfeito...

De repente, ouvi a porta da sala abrindo e fechando muito rapidamente sem que ninguém entrasse por ela. Fiquei curiosa, até ver um pequeno elfo com várias e coloridas gorros de lã correndo em direção a Harry.

- Oi, Dobby! – disse ele. – Que é que você... Que aconteceu?

A sala ficou silenciosa enquanto o elfo tentava controlar a respiração e o tremor que balançava seu corpo. Os últimos patronos conjurados se dissiparam e a sala caiu em uma escuridão sinistra.

- Harry Potter, meu senhor... – esganiçou-se o elfo, ainda tremendo da cabeça aos pés. – Harry Potter, meu senhor... Dobby veio avisar... mas os elfos foram avisados para não contar...

Ele correu a bater a cabeça na parede. Harry fez menção de agarrá-lo, mas o elfo meramente quicou na pedra graças aos seus oito gorros. Hermione e algumas outras garotas (lê-se: Lys e Lola) soltaram gritinhos de medo e pena.

- Que aconteceu, Dobby? – perguntou Harry, agarrando o bracinho do elfo e mantendo-o afastado de qualquer coisa que ele pudesse encontrar para se machucar.

- Harry Potter... ela... ela... - Dobby deu um forte soco no nariz com o punho livre. Harry agarrou-o também.

- Quem é "ela", Dobby?

O elfo ergueu os olhos ligeiramente vesgo, e pronunciou algo que não pude ouvir.

- Umbrigde? – perguntou Harry, horrorizado.

Dobby confirmou, e em seguida tentou bater a cabeça nos joelhos de Harry. O garoto o segurou à distância dos braços.

- Que tem Umbridge? Dobby... ela não descobriu isso... nós... a AD?

Ele o olhou de forma aterrorizada e, em seguida, tentou se chutar, fazendo-o cair de joelhos.

- Ela está vindo? – perguntou Harry, calmamente.

Dobby deixou escapar um uivo.

- Está, Harry Potter, está!

Harry se endireitou e olhou-nos.

- O QUE É QUE VOCÊS ESTÃO ESPERANDO! – berrou – CORRAM!

Senti Fred agarrar o meu punho e puxar-me com força em direção a porta. Corremos para fora da sala e ele nos levou até uma das passagens secretas e andamos até um ponto, até que paramos para descansar. Já disse que odeio correr? Não? Então, tá.

- Mulher maldita, essa não? – comentei, quando minha respiração já havia voltado ao normal.

- Isso logo irá acabar, Sun. – respondeu, misteriosamente.

- Como assim?

- Digamos que Jorge e eu temos um plano.

- E do que se trata, especificamente?

Ele ficou em silêncio por um tempo.

- Bem, o plano ainda não está totalmente formado, então, prometo que antes de nós decidirmos pô-lo em prática, eu te explico tudo, ok?

Franzi o cenho.

- Por que não posso saber agora?

- Porque não, curiosa. – ele beijou a ponta de meu nariz.

Mostrei a língua para ele de modo infantil e Fred riu.

- Hum, só por curiosidade – desconversei -, qual foi a sua lembrança? Para conjurar o Patrono, digo.

- Foi uma qualquer... – respondeu.

Bufei, impaciente, arrancando-lhe uma risada.

- A lembrança foi do dia em que nos conhecemos, Sun.

Corei, exclamando um 'ah!'. A lembrança que ele escolhera era tão romântica e a minha tão... tarada.

- Que foi?

Balancei a cabeça e coloquei-me na ponta dos pés, beijando sua bochecha. Ficamos mais um tempo em silêncio até que resolvemos voltar a caminhar.

Fred conhecia os mistérios do castelo – se duvidar sabia até onde era a tal da Câmara Secreta -, então não demoramos muito para chegar e, em pouco tempo, estávamos em frente a gárgula da Corvinal.

- Será que os outros conseguiram fugir? – perguntei.

- Acho que sim. – respondeu. – Amanhã descobriremos.

- E como Umbridge soube?

- Amanhã descobriremos. – repetiu.

Fiz uma careta para ele e Fred sorriu.

- Boa noite, Sun.

- Boa noite.

Respondi a pergunta e adentrei o salão comunal.


Sentei-me na mesa da Corvinal, numa manhã qualquer, e comecei a me servir, um pouco antes das corujas chegarem, como em toda manhã.

- Que alvoroço – comentou Lys.

- Parece que é nova edição d'O Pasquim – Selly murmurou, olhando para a revista de ponta cabeças, com um conhecido rosto na capa, que cobria o rosto de uma garota sentada ao lado de Ness.

- Pasquim? – perguntei.

- É, aquela revista bizarrona que o pai da Luna publica – Lola murmurou.

Por detrás da revista, o rosto de Luna apareceu. Os olhos tão arregalados como sempre faziam com que ela parecesse uma louca e, quando você realmente a conhecia, tinha certeza de que ela era.

- Hum... Alô, Luna – cumprimentou Lola, com as bochechas coradas.

- Bizarrona? – perguntou, com uma leve ruga se formando entre suas sobrancelhas.

– Eu quis dizer interessante – corrigiu-se, rapidamente. – Hum... Posso dar uma olhada?

Ela assentiu e lhe passou a revista. Lola deu uma olhada na capa e quase cuspiu seu suco de abóbora.

- Olhem só para isso! – exclamou, mostrando-nos a revista.

O rosto de um Harry sorridente cobria a capa, e os dizeres em vermelho embaixo chamavam atenção:

Harry Potter enfim revela:

A verdade sobre Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado e a noite que viu seu retorno

Nós juntamos as cabeças e lemos toda a entrevista com Harry. Pareciam que todas as pessoas da escola haviam adquirido uma revista, e todos estavam falando sobre ela.

Porém, a diversão durara pouco. Não chegara a hora do almoço e já havia outros enormes avisos nos murais das Casas, nos corredores e até mesmo dentro das salas com os seguintes termos:

POR ORDEM DA ALTA INQUISIDORA DE HOGWARTS

O estudante que for encontrado de posse da revista

O Pasquim será expulso.

A ordem acima está de acordo com o

Decreto Educacional Número Vinte e Sete

Assinado: Dolores Joana Umbridge ,

Alta Inquisidora

- Eu odeio essa velha – Selly falou, estreitando os olhos.

- Eu também – Ness disse. – Mas isso não vai impedir as pessoas de falar sobre o assunto. É polêmico.

- Só espero que Fred e Jorge façam algo logo – murmurei. – Não aguento mais essa mulher.


- Sunny! Você tem que ver isso! – gritou Lola, enquanto eu terminava de me arrumar no quarto. – Dumbledore foi expulso pelo ministro da Magia e Umbrigde é a nova diretora!

- O QUÊ? – exclamei em resposta, acompanhando-a até o salão comunal.

No mural de avisos, havia um grande pergaminho branco com os dizeres:

POR ORDEM DO MINISTÉRIO DA MAGIA

Dolores Joana Umbrigde (Alta Inquisitora) substituiu
Alvo Dumbledore na diretoria da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

A ordem acima está de acordo com o
Decreto Educacional Número Vinte e Oito.

Assinado: Cornélio Oswaldo Fudge,
Ministro da Magia.

- Ah, meu Merlin! Com Dumbledore fora, a escola virará um inferno!

- Eu sei! – ela respondeu, passando a mão pelo rosto, nervosamente. – Que ódio que eu sinto daquela mulher!

- E o sentimento é mútuo. – disse Lys, que acabara de descer. – Umbrigde odeia os alunos e ter que lecionar aqui.

- Deveria é ter ficado no ministério, bajulando o seu querido Cornélio.

- Ela deveria não ter nascido, isso sim. – corrigiu-me Ness, aparecendo de sabe-se lá onde. – Vamos ir tomar café? Estou morta de fome!

Saímos do salão comunal e nos dirigimos ao salão principal, que estava lotado e com mais murmurinhos do que o normal com a – trágica – notícia. Enquanto passava pela mesa da Grifinória, Fred parou-me e sem uma palavra colocou um bilhete na minha mão.

Quando fiz menção de falar algo, ele balançou a cabeça negativamente e fez um gesto para que eu continuasse andando.

Assim que me sentei a mesa, abri o bilhete.

Não vá ao terceiro andar na hora do almoço.

Fred.

Franzi o cenho para o bilhete e o guardei no bolso, em seguida.

O que ele e Jorge estariam tramando?

A resposta para a minha pergunta seria apenas respondida na hora do almoço, assim como Fred falara no bilhete.

Eu estava, normalmente, servindo-me com um pouco de suco de abóbora, quando escuto um barulho ensurdecedor, seguido de vários gritos vindos de alguns andares a cima.

- O terceiro andar está pegando fogo! – gritou um segundanista da Lufa-Lufa.

Temerosa demais para subir e ver com meus próprios olhos o que estava acontecendo, fiquei atenta a qualquer informação. De acordo com umas meninas do quinto ano que estavam sentadas perto de mim no almoço e haviam acabado de se sentar, estava tendo uma explosão de fogos de artifícios encantados no terceiro andar e era praticamente impossível se locomover sem sair com o cabelo chamuscado.

Quando me encaminhei para a sala de Feitiços, vi que os tais fogos não haviam permanecido apenas no terceiro andar e sim, estavam espalhados por toda a escola.

Em geral, a escola virou um pandemônio e não tivemos aulas nesse dia.


N/Lys&Lola: A partir desse capítulo, teremos que apressar as coisas um pouco, senão a Shine não acabará nunca! LOL. Enjoy.