Título: Escolhas
Autora: Bela
Tema: Contra-indicações.
Itens: I. Aceitação; II. imagem 2; III. Hermione; IV. Piano; V. Fuga.
ESCOLHAS
I. Escolha Difícil
Era difícil escolher.
Harry sabia que era.
Não havia decisões fáceis, talvez apenas decisões óbvias. Mas, na vida, você sempre tem uma escolha. Até mesmo quando acha que não tem nenhuma. Porque, então, você está escolhendo não ter escolha. E isso faz toda a diferença.
Harry podia dizer, naquele momento, que não escolhera se apaixonar por Pansy Parkinson. Podia dizer que era uma peça do destino, que o impulsionou naquela direção. Podia até dizer que a culpa era dela. Mas qualquer uma dessas opções seria mentira. Ele tivera escolha, e escolhera se apaixonar. Por Pansy Parkinson.
Achava que admitir isso para si mesmo tornaria as coisas mais fáceis.
Elas não se tornaram.
Não dificultaram, também, apenas... bom, a vida lhe apresentou novas escolhas. Afastar-se daquele amor impossível e voltar para os braços da esposa. Fugir com Pansy e mandar o mundo se explodir. Aprender a viver com aquilo, divorciando-se e assumindo sua história com ela. De todas as opções, Harry Potter acabou por escolher a mais complicada de todas. E isso não ajudou em nada.
Ele sinceramente esperava que seus amigos entendessem, que a esposa aceitasse. Esperava que ficassem felizes por ele. Obviamente, nada daquilo aconteceu.
Harry, pela primeira vez, se perguntou se fizera a escolha certa ao se apaixonar.
II. Escolha Justa
Nothing hurts more than being disappointed by the single person you thought would never hurt you.
Ao decidir que assumiria seu amor por Pansy, Harry tomou a providência que achava ser mais importante primeiro. Contou para a esposa.
Não sabia qual seria a reação de Ginny. Pensava que ela ficaria triste, ou irritada, ou magoada. Foi muito pior. Porque ela escolheu ficar tudo aquilo junto. Desejou que ela tivesse deixado-o ver apenas um de seus sentimentos, e não todos eles.
-Ginny... - tentou ser delicado. Estendeu a mão para segurar o braço dela, mas ela desviou - me desculpa.
-Não interessa agora, Harry.
Suas palavras foram rudes, mas ele via a dor em seus olhos e o desgosto em sua face.
-As pessoas mudam, Ginny. Sinto muito, eu... eu às vezes acho que não devia ter me apaixonado pela Pansy...
A esposa o encarou, irritada.
-Talvez você não devesse ter se apaixonado por mim, e esperado a Parkinson-perfeita ter aparecido. Afinal, coitada, ela não esteve com você todo esse tempo porque estava ocupada demais engomando as roupas do Malfoy, né?
Harry suspirou.
-Não é assim... você sabe que as pessoas mudam.
-O problema não é você ter mudado, Harry! - Ginny gritou, exasperada. - É você ter escolhido mudar. E, principalmente, ter mudado por ela
-Pansy é o problema?
-Sim, ela é o problema!
Ginny cruzou os braços e o silêncio que se seguiu nenhum dos dois gostaria de lembrar futuramente.
E Harry se perguntou se fizera a escolha certa falando com a esposa primeiro.
III. Escolha Inexistente
Sem sucesso com Ginny, Harry escolheu Hermione para ser a segunda a saber.
Além de ser sua melhor amiga, tentaria entendê-lo, seria compreensiva e ainda prepararia o caminho para Ron. Sim, Hermione era uma ótima escolha. Na verdade, se tivesse a escolhido antes de Ginny, as coisas poderiam ter sido mais fáceis. Mas não mais justas.
Quando se viu em frente à amiga, vacilou, mas seu espírito grifinório falou mais alto. Contou tudo que podia para ela, reclamando da reação de Ginny e tentando explicar o caminho de escolhas que o guiara até ali. Hermione o olhou séria durante toda a narração, para enfim argumentar.
-Harry! Ginny tem razão. Ela é Pansy Parkinson! Você tem noção disso? Ela quis te entregar para o Voldemort, ela vivia correndo atrás do Malfoy, ela era uma sonserina. Você devia ter mais senso dessas coisas, Harry.
-Eu tenho, Hermione - falou, irritado. Não conseguia entender porque todos pareciam estar contra ele, como se não acreditassem que tivesse feito a escolha certa. - E eu a escolhi! Eu quis me apaixonar, quis me envolver.
Ela balançou a cabeça.
-Isso não está certo, Harry.
Ele questionou em voz alta o que não estava certo: a escolha dele ou a escolha dos outros de não o aceitarem.
Hermione não soube responder.
Ela achava que ele não tinha escolha.
IV. Escolha Fácil
O som suave e melodioso do piano chegou até os ouvidos de Harry quando entrou na Mansão, acompanhado por um elfo doméstico melancólico. Seguiu a música até a sala de onde ela vinha, parando no batente da porta para observar a cena que acontecia lá dentro.
Pansy tocava piano, seus dedos finos e ágeis dançando pelas teclas. Tinha no rosto uma cara de extrema concentração, mordendo o lábio inferior e franzindo a testa. Harry achava engraçado.
Muitas coisas em Pansy eram engraçadas. O jeito irritante dela, a risada estridente, a maneira como torcia o nariz quando estava pensando. Harry achava engraçado até mesmo a cara que ela fazia ao escolher as roupas que iria vestir. Ela demorava muito tempo para escolher uma roupa, sempre detalhista, se enchendo de acessórios.
Harry gostava dela. E gostava de pensar que escolhera gostar dela. E que ainda escolhera certo. Tratando-se de Pansy, parecia não haver escolha errada. Mas, de novo, ele escolhera pensar que não havia escolha errada.
Entrou na sala, aproximando-se dela. Ao olhá-la de perto, percebeu que não importava.
Não importava o que os outros pensavam ou deixavam de pensar. Não importava as opiniões alheias, ou as opiniões de seus amigos. Nem mais os sentimentos de Ginny importavam. Ou não importariam, se ele escolhesse que assim seria.
E ele escolheu. Escolheu não se importar, e fez sentido.
Foi a primeira escolha fácil que Harry fez.
V. Escolha Certa
Não há escolhas fáceis.
Era difícil escolher.
Harry se enganara ao achar que fora fácil escolher não se importar. Não fora. Fora fácil não se importar, não fazer essa escolha. E assim que são as coisas.
Mesmo assim, existem decisões que são mais difíceis do que a maioria, e aquela que ele estava tomando era uma dessas.
Chegou um momento em que se viu olhando para dois caminhos opostos. Fugir ou ficar. Fugir da mídia, das consequências, dos amigos. Não era do feitio grifinório de Harry. Não era de feitio nenhum de Harry. Então ele poderia ficar e aprender a conviver com tudo aquilo. Não havia decidido que não se importaria?
Pansy, porém, pensava diferente. Ela se importava, e ela era sonserina. A ideia de fugir parecia fantástica para ela. O sensacionalismo que queria, a paz que os dois procuravam. Longe daquele mundo, poderiam ser qualquer coisa.
Ela foi até Harry e lhe propôs que fugissem.
Fugir não era o feitio de Harry. Ele havia escolhido não se importar. Mas ele também escolhera Pansy, e ela escolhera fugir.
Por Pansy, ele fugiria, porque escolheria a opção mais complicada por ela. Sempre que precisasse.
Então eles fugiram, e ninguém podia dizer que não tinham um motivo.
No final, essa escolha não foi tão importante para Harry.
Pansy era a escolha principal de sua vida. E ele escolhera certo.
We all have good reasons for leaving
