InuYasha não sabia o que dizer. Kikyou, a mulher que amava e adorava, estava lhe mandando embora, pondo um ponto final na relação, mais uma vez ele culpou Kagome. O agente especial InuYasha, que era corajoso e não tinha medo de criminosos, o agente especial InuYasha que era durão e confiante, não sabia o que fazer. A confusão que sentia era mostrada nos orbes dourados que encararam os olhos negros e magoados de Kikyou.

Ele não disse nada e saiu do carro, a franja lhe cobriu os olhos e sua expressão tornou-se sombria. O carro partiu antes que ele pudesse se virar.

"Não adianta InuYasha, não há volta. Não o receberei de novo até que seja maduro o suficiente para isso, mesmo que isto me parta o coração..."

Kikyou abaixou a cabeça e chorou, as lágrimas eram teimosas e insistiam em correr pela face branca da mulher. Ela parou o carro e encostou o rosto no volante, tomando fôlego.

Seu organismo parecia responder à sua dor emocional. A garganta fechara, o coração estava descompassado, as mãos tremiam e ela suava frio. Ela ofegou e pôs o carro em movimento de novo, tinha casos para resolver e seu passaporte a carimbar.

Sesshoumaru levantou-se da cama e olhou para Kagura. Seu cabelo negro como a noite estava revolto e espalhado pelo travesseiro. Ele a contemplou por alguns minutos, nunca imaginaria encontrar uma mulher como aquela em um bar trash como aquele.

Ele se lembrava até hoje do dia que renunciara seu cargo na CIA e fora trabalhar naquele bar. Para ser mais humano, a CIA tinha a fama de deixar seus homens feito robôs e ele sabia que ficaria assim, mesmo tendo a personalidade fria, seu coração e seu sanguem ainda eram quentes.

O calor humano do Dobler's fazia-lhe bem, conviver com as pessoas mesmo sem tocá-las ou conversar com elas, aquilo lhe fazia bem e em sua solidão ele nunca sentira a necessidade de uma companhia.

Aquecia-lhe também o fogo nos olhos de Kagura. Aqueles olhos vermelhos que percrustavam os seus e o toque de sua pele fria e alva.

Sesshoumaru se vestiu e quando voltou ao quarto Kagura também havia feito o mesmo, ou pelo menos estava tentando, ela lutava contra o fecho do mini-vestido que usava. Ele tirou seus cabelos negros da nuca e a ajudou a vencer aquela guerra.

— Obrigada.

Ela sorriu e Sesshoumaru a observou em fascinação muda.

— Está na hora, Kagura. Você tem que ir para o trabalho.

— Sim, está na hora.

Ela pegou sua bolsa e abriu a porta.

— Você vai assim?

— Como? – ela se virou.

— Com esse pedaço de pano que mal lhe cobre o corpo. Troque de roupa.

Ela o olhou, o sorriso cínico e malicioso brincou em seus lábios e ela deixou o apartamento sem dizer nada.

Kagome já estava no avião, o dinheiro que pegara na carteira de InuYasha mal cobrira metade da passagem, mas não podia usar cartões de crédito, eram rastreados facilmente. A outra parte do dinheiro ela pegou em seu apartamento e se livrou de tudo que poderia incriminá-la, inclusive o diamante que ela guardou em um cofre em um de seus paraísos fiscais, lá o sigilo era garantido e poderia buscá-lo a hora que quisesse.

O avião a levaria para Londres, onde ela mudaria de identidade e de visual, teria que abandonar os amigos. Sango, Kagura, a família...

Tudo lhe era intensamente doloroso, mas o que podia fazer? Ser presa? Ter seu rosto estampado em jornais? Não, definitivamente não.

E InuYasha... Ah, InuYasha! Ele iria denunciá-la, colocar seus homens atrás dela e caçá-la como um cão caça uma raposa. E ela era essa raposa, inteligente, ágil e sagaz, uma raposa perigosa.

Nenhuma aeromoça está desconfiada dela, isso é bom.

[...]

— COMO AINDA NÃO ACHARAM ELA? A CARA DELA ESTÁ ESTAMPADA EM TUDO QUANTO É LUGAR!

— O nosso palpite é que ela esteja usando documentos falsos.

InuYasha levou a mão às têmporas, Kagome estava lhe dando mais dor de cabeça do que ele pensava. Durante três meses ele tem procurado por ela. Ele contatou a Interpol e eles também a procuram em outros países.

— Saia, Myouga.

Nunca mais vira Kikyou. Ela o evitava ao máximo e pedira transferência para outro caso. Estava sozinho nessa.

"É o que dizem: Se quer algo bem feito, faça você mesmo."

— Yoko? Mande-me os relatórios que vieram da Interpol ontem.

— Sim, Sr. Taishou, é pra já.

Alguns minutos depois Yoko entrou com os relatórios e os colocou na mesa do patrão. Yoko era bonita e tinha cabelos castanhos claros que estavam sempre presos em um coque no alto da cabeça, usava roupas simples e óculos.

— Obrigada.

InuYasha recolheu todos os relatórios que havia recebido da Interpol e leu um por um. Tinha esperança de que, talvez, pudessem haver algumas pistas que tivessem passado despercebidas na primeira, e única vez, que os lera.

Os relatórios tinham diferentes endereços: Japão, Itália, Espanha entre tanto outros. O último viera de Paris e segundo suas fontes ela estava lá.

"Mulher suspeita vista próxima ao Louvre. Estatura mediana, magra, pele branca e cabelos negros e longos. Estrutura facial confere. Sem família ou amigos. Sem digitais ou DNA no sistema. Investigação em andamento."

Ele pegou o fone do aparelho.

— Yoko? Reserve uma passagem para mim no próximo voo para Paris. Ainda hoje.

"Se quer algo bem feito, faça você mesmo. Veremos se é você, Kagome. Eu verei."


Música: Everybody's Fool – Evanescence

Link: .com/watch?v=ewO5NWQ97sI&feature=fvst