Fiquem cientes que a transmissão rádio surge um pouco mais tarde na história, em 1920, apesar dos estudos para os primeiros rádios serem mais antigos. Nesta história estamos por volta de 1890, mas como a história é minha e eu faço como quero e o rádio entra apenas para distracção e elemento de comunicação de notícias. xD


Agora que a minha avó está aqui, a Srª Jones dá-lhe muita mais atenção do que a mim. Elas passam grande parte do tempo na sala a ouvir grafonola ou rádio, apesar da péssima qualidade da emissão.

O Ezra era o único que mantinha a sua maior atenção em mim. Ele passa tempo com elas quando eu tenho de dormir a minha sesta ou fazer os meus exercícios, mas ele acaba sempre por vir à minha procura para dar as suas lições ou oferecer a sua ajuda. Eu acho que era bastante profissional da sua parte, mas ao mesmo tempo um pouco irritante pois às vezes tenho a sensação que ele também me controla. Agora só faltam mais 2 dias para ele ir embora.

Alguém bateu e eu dei a minha permissão. "Miss, o seu pai chegou. Gostaria de descer para o cumprimentar?" Pergunta Paul.

"Sim." Eu sorri.

Ele empurrou a cadeira até à escada antes de me pegar ao colo para descer. As empregadas levaram a cadeira. Já ninguém estava na entrada, mas podia ouvir vozes da sala. Paul empurrou a minha cadeira nessa direcção. "A sua filha é uma excelente aluna, muito empenhada e inteligente." Ouvi o Ezra dizer no interior, provavelmente a falar com o meu pai.

"Papá!" Ele que estava de costas antes de se voltar para mim e correr para me abraçar.

"Vejo um novo brilho nesse olhar." Ele diz. "Será porque a avó está cá."

Eu sorri. "Eu adoro quando estamos juntos."

"Eu também." Ele diz. "Vejo que tens sido agradável com o Sr. Fitz."

Ela concordou para o pai e depois olhou para mim seguindo o olhar do pai. "Nem imagina Sr. Fitz, a minha filha fez uma pequena birra para não ter um professor." Ele diz para mim.

A Aria não parecia tão alegre em ver o pai como foi com a avó, havia algum desgosto por detrás da pequena felicidade de ter o pai por perto. "Eu ainda não vejo o objectivo de ter de estudar, mas isso não significa que não poça ser agradável." Diz a Aria.

O comentário dela magoou-me pois eu pensei que ela se sentia realmente interessada nos temas que eu proponho para o seu estudo. Afinal é tudo uma encenação camuflada com educação.

"De qualquer maneira não vou esquecer o que fizeste com o antigo professor. O Sr. Fitz continuará a ser teu professor quer querias quer não e não quero mentiras nem desculpas." O homem diz.

"Sim pai." A Aria diz de cabeça baixa.

"Não precisas de ser tão duro Byron, a Aria era apenas uma criança na altura. Ela agora é uma jovem senhora muito responsável." Diz a avó dela.

"Eu sei." O homem diz. "Mas ela nunca se deve esquecer que determinadas coisas não se podem fazer." Ele colocou as mãos nos bolsos e voltou-se novamente para a Aria. "E andar?"

A Aria negou sem dizer nem mais uma palavra e voltou a olhar para as mãos que estavam no colo. Ela ficou abatida de repente o seu brilho desapareceu.

Ele voltou a sua atenção para a Srª Jones e a Judy. A Aria parecia ter sido deixada de parte, então ela saiu da sala discretamente. Eu desculpei-me e sai da sala também, precisava encontrar a Aria. Ela não parecia bem.

Quando sai já não havia sinal dela. Fui até à sala de jantar, a sala das nossas aulas e espreitei para o jardim. Lá fora estava gelado, mas era melhor confirmar. Voltei à entrada, ela não subiria as escadas sozinha, não podia estar em nenhum quarto dos criados ou cozinha. Andei até à parte de trás das escadas, uma porta estava entreaberta, eu não sabia que sala era aquela. Era um escritório com uma enorme biblioteca vejo. Entrei devagar, a Aria estava voltada para uma parede onde estava um grande retrato por cima de uma lareira. Era o pai e a mãe dela? Haviam semelhanças.

Ouvi um leve fungar. Ela estava a chorar? Andei sem fazer barulho e coloquei a mão no seu ombro ela saltou com o susto. "Desculpe."

Ela ficou atrapalhada. Limpou as lágrimas na esperança de eu não a ver chorar. "O que faz aqui?" Ela pergunta.

"Eu achei melhor procura-la."

Ela dá-me um breve sorriso. "É simpático da sua parte, não o tinha de fazer."

"Está bem?" Ela concordou. "É verdade aquilo que disse sobre não querer um professor? E o que aconteceu com o anterior?"

"Não podemos estar aqui, o meu pai não gosta de ter pessoas aqui." Ela diz antes de movimentar a cadeira. "Podemos falar noutro sítio, eu contarei tudo."

Ela saiu e eu fui com ela fechando cuidadosamente a porta. Ela entrou na nossa sala de aula desta vez. Eu sentei-me num dos lugares da mesa quando ela se aproximou do seu lugar habitual. "Porque me mentiu?"

Ela olhou para mim. "Eu não menti."

"Fingiu estar interessada."

"Não foi assim. Eu não lidei bem com a ideia de ter um professor no início, mas isso não quer dizer que eu estivesse desinteressada."

"Então está a mentir ao seu pai?" Pergunto.

"Não, eu ainda não sei qual é o objectivo de uma pessoa como eu aprender. Não existe futuro para mim Sr. Fitz, o senhor sabe que é verdade. Nunca deixarei a mansão, nunca terei uma oportunidade para mostrar o meu conhecimento no mundo real." Ela ponderou. "Mas isso não quer dizer que não tenha interesse nas suas aulas, os seus conteúdos são interessantes e a sua forma de ensinar é muito boa." Ela pareceu ser sincera. "Eu acusei o meu antigo professor de roubo, mas fui eu quem colocou o item roubado na sua pasta. Eu queria que ele fosse despedido."

"Porque faria isso?" Perguntei procurando perceber.

"Eu era apenas uma crianças, ele punia-me e eu detestava-o. Não é uma grande história, ainda por cima o item que coloquei na sua pasta era algo do andar superior onde ele nunca tinha ido, fui imediatamente confrontada com o facto e tive de admitir." Ela diz.

Ele pegou a minha mão em cima da mesa, isso levou a que um arrepio percorresse as minhas pernas. "Eu não a julgo." Ele diz.

Eu desmoronei escondendo o rosto para que ele não me visse chorar. "Não sabe como isso é importante para mim."

"A Aria não tem de se sentir inferior ou ficar de parte só por estar na cadeira de rodas. É a sua família que está na sala, deve fazer um esforço para estar com eles."

"Eles tratam-me como uma criança. Eu estou tão cansada."

"Eu não vejo uma criança, vejo uma mulher madura. Que teve de aprender a adaptar-se."

"Eles nunca me aceitaram, nunca ninguém aceitou."

"Tenho a certeza que eles aceitam. Eu aceitei, não se desvalorize, a Aria é uma pessoa tão especial." Ele tenta.

"Se o meu pai aceitasse não perguntaria constantemente o mesmo. Sinto-me tão magoada."

"Não é fácil para ninguém." Ele diz-me. "O seu pai apenas tenta lidar tal como qualquer pessoa nesta casa." Ele diz suavemente. "Olhe para mim."

Eu obedeci-lhe. Eu estava consciente do meu aspecto desmazelado neste momento. Ele aproximou-se mais de mim, ele sempre foi tão diferente de todos. Normalmente as pessoas afastam-se de mim, deixam-me de lado, ele é diferente. "Porque é assim comigo? Porque não me deixa sozinha como todos fazem?"

"Ninguém merece ficar sozinho. Eu estou apenas a tentar ajudar." Eu olhei para baixo e limpei as minhas lágrimas com a mão livre.

"Obrigada Sr. Fitz."


Muito obrigado pelos comentários, por seguires e pelo favorito EzriaBeauty ;) Espero que tenhas gostado! Fico feliz também por gostares das imagens que vou deixando ;)

Publiquei as imagens deste capítulo. Não se esqueçam de conferir ;) shanalystuff. tumblr. com (link também no perfil) não é necessário ter conta para ver, aproveitem o scroll down infinito ;)

Muito obrigada por lerem e pelo apoio! Até ao próximo capítulo! Beijinhos!